quarta-feira, 22 de agosto de 2007
NOVELA: RETRATO IDEAL DO COTIDIANO
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poetadasolidão
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8/22/2007 09:03:00 AM
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terça-feira, 21 de agosto de 2007
TEXTO: ARQUIVO SÓCIO-CULTURAL
Para Kleiman (2000, p. 07) é fundamental que o sujeito adquira o hábito de ler o mundo através da apreensão de “um conhecimento dos aspectos envolvidos na compreensão e das diversas estratégias que compõem os processos”. Sendo que tais processos se dão por meio das relações estabelecidas entre o que o texto diz e o que está associado à memória social. Logo, todo procedimento de leitura deve ser associado à releitura dos acontecimentos históricos, sociais e culturais onde ele foi originado.
O texto enfatiza os aspectos cognitivos da leitura, porque consideramos que a percepção de, bem como a reflexão sobre o conjunto complexo de componentes mentais da compreensão contribuirão, em primeira instância, à formação do leitor e, conseqüentemente, ao enriquecimento de outros aspectos, humanísticos e criativos, do ato de ler. (KLEIMAN, 2000, p. 9).
Dessa maneira, o ato de leitura, sobremodo, de textos literários precisa seguir o processo de metalinguagem, isto é, o leitor se posiciona na leitura conforme os tempos enunciados no discurso, adentrando assim aos universos lingüísticos forma de escrita e construção de sentidos empregados na linguagem da obra; cultural observar-se-ão os aspectos do cotidiano no qual, o homem e a sociedade são retratados via escrita -; além das questões políticas e ideológicas usadas pelo autor quando da escrituração de sua obra. Essa atividade acontece através de metacognição a qual segundo especialistas é o processo de “reflexão sobre o próprio saber, o que pode tornar esse saber mais acessível a mudanças.” afirma Kleiman.
Com essa perspectiva, o leitor por sua vez é agente histórico da leitura e ao longo de sua existência interage com ambientes sociais e culturais, nos quais sua memória discursiva e cultural vai se construindo de acordo com os estímulos recebido durante a interlocução praticada na comunidade. Então, afirma-se que tal sujeito é detentor de certo grau de conhecimento prévio e, portanto, está apto a produzir sentido ao realizar uma leitura dentro do seu contexto sócio-político e histórico-cultural. Conquanto seja necessária a prática diária de leitura na qual se busca agregar novos conceitos, valores e, consequentemente, a assimilação de vocabulário para melhoria de sua prática lingüística. Isso só acontecerá segundo Kleiman (2000), se o leitor estiver disposto a estender sua capacidade reflexiva, pondo-se em destaque e associação com objeto lido “o conhecimento adquirido ao longo de sua vida.” Então, Dessa forma acontece aquilo que Kleiman considera a: interação de diversos níveis de conhecimento, como o conhecimento lingüístico, o textual, o conhecimento de mundo, que o leitor consegue construir o sentido do texto. [...] este conhecimento abrange desde o conhecimento sobre como pronunciar português, passando pelo conhecimento de vocabulário e regras da língua, chegando até o conhecimento sobre os usos da língua. (Kleiman, 2000, p. 13).
Mediante essa assertiva, infere-se que na medida em que se ler há assimilação de elementos estruturais do texto e, também, da cultura à qual ele se reporta. Portanto, nesse ato, leitor assume papel importante dando ao texto novos significados, ou seja, atribui-lhe sentidos de acordo com novo setting de leitura, pois se fazem associações do enunciado com o novo ato de enunciação, formando novas expectativas a respeito do assunto tratado no texto.
No que se refere à leitura de peças literárias existem dois modos de se ver a construção do ato de ler: “Leva em conta os leitores na sua diversidade histórica ou social, coletiva ou individual; outro, a imagem do leitor tal como ela se acha representada em alguns textos.” (Todorov, 1994, p. 83). E já Kleiman considera essa questão a partir do conhecimento lingüístico, histórico e cultural do leitor a respeito do texto lido, porque tal saber leva ao processamento das informações presentes no objeto. Assim sendo, o processamento é entendido como: atividade pela qual as palavras, unidades discretas, distintas, são agrupadas em unidades ou fatias maiores, também significativas, chamadas constituintes da frase. À medida que as palavras são percebidas, a nossa mente está ativa, ocupada em construir significados, e um dos primeiros passos nessa atividade é o agrupamento em frase...
A memória discursiva do agente de leitura ao encontrar no texto marcas lingüísticas (tempos verbais, adjetivos e predicação), culturais (eventos, festas religiosas, sociais, personagens e costumes, etc.) faz associação com o presente da leitura, ou seja, transfere para a atualidade os sentidos criados pelo autor quando da enunciação do texto. Por exemplo, ao ler uma passagem bíblica o fiel transfere (às vezes de maneira pessoal) as informações nela contida para sua realidade, dando assim uma conotação de verdade ao evento lido. Esse processo segundo Celso Antunes (2001) ocorre porque o leitor atingiu um nível de maturidade importante, transformando dessa forma informação em conhecimento.
Há ainda de se destacar o papel dos meios de comunicação na propagação das informações no meio social, através do qual se constrói a memória discursiva do homem moderno. Tal questão incentiva nos à produção de conhecimento, porque à maior parte dos sujeitos estão ligados a vários mecanismos que propagam a informação em tempo real. (Lembramo-nos dos episódios das guerras no Oriente Médio, estas foram transmitidas via satélite para todas as casas do mundo).
Para Celso Antunes tudo isso exige do profissional da linguagem uma nova formação, isto é, além de aprender as questões específicas de sua área de atuação, o professor deve buscar per si, meios com os quais possa agregar sentidos às suas novas descobertas. “o professor precisa ir também se transformando em um analista de símbolos e linguagens, um decodificador de sentidos nas informações e, também, o profissional essencial do despertar das relações interpessoais.” (ANTUNES, 2001, p. 13).
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poetadasolidão
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8/21/2007 10:05:00 AM
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REALIDADE-FICÇÃO NAS MÍDIAS INTEGRADAS
A imagem na sociedade segundo nos apresentou Mikail Bakhtin nos idos de 20, é uma duplicidade da realidade, pois faz dela um (re)apresentação da realidade através do signo, o qual foi definido pelo pensador russo como espelho, o qual reflete e refrata a qualidade do corpo nele projeto. Todo signo é, em maior ou menor medida, uma espécie de imagem especular: o signo não é apenas um corpo físico que habita a realidade, mas também é capaz de refletir essa realidade de que ele é parte e que está fora dele.A realidade refletida nesse espelho, leva nos à compreensão de que há uma valorização da imagem em detrimento do corpo real. Assim, há um tipo de fissura que, às vezes, não é preenchida pela interpretação do leitor.
Por isso, é que se aperfeiçoa cada vez mais a comunicação via tela, ou seja, as imagens produzidas e reproduzidas na televisão, no cinema e, principalmente, na internete seguem um padrão técnico cujo paradigma é preencher os espaços entre o signo e o objeto representado por meio de cores em que se destacam a definição e a roupagem do objeto. (Basta-se ver as matérias dos programas sensacionalistas, as quais seguem a máxima: uma imagem fala por mil palavras, por isso são apresentados ao espectador/leitor imagens em tempo real, fazendo com que as tragédias do cotidiano se tornem elementos comuns, impedindo qualquer ato de indignação).
Para Baudrillard (2005, p. 40) esse tipo de acontecimento leva a sociedade real a desinteressar-se pelas ações da classe política e das instituições. Contudo eles não deixam de desfrutar o espetáculo que, direto ou indiretamente promovem diante das câmaras, após as tragédias cotidianas. Dessa forma, ainda segundo o filósofo francês, a mídia serve enfim para alguma coisa e a “sociedade do espetáculo” tira todo o seu sentido dessa feroz ironia: as massas concedendo-se os riscos da corrupção das instituições e Estado mantêm se atentas aos acontecimentos, dando audiência à representação social e política criada pelos signos televisivos.
A realidade (re)apresentada na mídia é quase ficcional, pois a forma como os fatos são expostos em suas grades televisivas, de algum modo, trouxeram benefícios à classe política à qual, embora apareça em todos os cantos do país em tempo real, conforme Thompson (1998, p. 19), o desenvolvimento da mídia transformou a natureza da produção e do intercâmbio simbólicos no mundo moderno. Portanto, os meios de comunicação de massa têm uma dimensão simbólica irredutível e, por isso, o homem é um animal suspenso em teias de significado que ele mesmo teceu.
Simbolicamente, estas teias são emaranhadas de significações possíveis, apresentados ao leitor-espectador, o qual deve, a seu modo, interpretar a gama de “realidades” a ele apresentada através dos meios que, segundo, havia asseverado MacLuhan (1962), embora tenha sido constestadamente pelos pares; “que o meio é a mensagem.” Se se quer tomar esta questão sob a ótica da amplitude tomada pelos meios de comunicação de massa, ver-se, portanto, nesta afirmação o grande poder de persuasão que a televisão tem sobre os espectadores incautos, o qual aceito de forma passiva semi-realidades que lhe chega a casa com dia e hora marcados.
Dessa maneira, a realidade transforma-se em ficção e vice-versa justamente para atender às necessidades do momento televisivo. Como exemplo, tem-se as coberturas ao vivo das ações policiais transmitidas pela imprensa digital em tem real, criando no espectador-leitor infinitas possibilidades de inferência. Contudo, na verdade, esta se dar pela via mais sangrenta, ou seja, platéia parece se deliciar com imagens e discursos que primam pela polêmica e, sobretudo por aqueles que formam o coro da tragédia, isto é através de um apresentador cuja intenção é discutível se chora em uníssono uma nação inteira.
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8/21/2007 12:26:00 AM
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quinta-feira, 16 de agosto de 2007
QUIS ASSIM...
Fui eu quem quis assim:
Você lindamente sorriu
E meu ser partiu
Tal terremoto faz
Com a terra deixando
Seu imo exposto,
Com medo e frio.
Logo me apaixonei
Por sua beleza
Enigmática e sem fim.
Amar-te é minha sina
E o que posso fazer?
Se seu sorriso é a luz
Alumia o meu amanhecer.
Fui eu quem quis assim:
Ter a solidão de ti
A judiar-me tal fogo
No cerrado queimando
Lentamente o frágil capim.
16 de agosto de 2007, 20h25min
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8/16/2007 08:25:00 PM
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quarta-feira, 15 de agosto de 2007
PROTESTO DE PAIXÃO
Tal fosse luz dia
A me guiar
No escuro da solidão
Que coração judia.
Seu sorriso chameja
Tal farol que
Na tempestade
Orienta o náufrago
Quando lampeja.
Sua boca sibila
Hinos de amor
Qual Calipso encantou
O herói navegante,
Fazendo-o seu adorador.
Suas mãos ameigam
A alma tal colcha
De veludo que o corpo
Cansado acolhe
E serena aconchega.
Seu amor queima
Tal vulcão que acorda
De letargo torpor
E loucamente declara
A ti todo seu amor.
15 de agosto de 2007, 21h06min
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poetadasolidão
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8/15/2007 09:09:00 PM
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terça-feira, 14 de agosto de 2007
ENIGMA
(Robério Pereira Barreto)
Coração, universo
Que nos protege das maldades
Do mundo perverso
Braços, quentes e macios
Guardam-nos das perversidades
E inquietudes do que está perto.
Boca, nascente de água pura
Banha-nos com juras
De amor eterno.
Mãos, fórceps de aço
Que nos puxa dos momentos
Difíceis e próximos do fracasso.
Pés, máquinas potentes
Que limpam os caminhos da vida
Para nossas às andanças mundo a fora.
Olhos, Faróis de luz potente
Que iluminam as alamedas
Escuras da noite-mundo
Guiando-nos ao encontro da aurora.
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8/14/2007 09:56:00 PM
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domingo, 12 de agosto de 2007
AUSENTE ENCANTO
(Robério Pereira Barreto)
Na solidão da vida
Aparecestes...
Com luz nos olhos
Maciez na voz
Calor no beijo
Fazendo-me feliz.
Nesse jogo de amor
E veneração me fez
Seu adorador.
Sem juízo
Ficou louco
Por não ter você
Para, em carícias,
Deleitar-nos com
As chamas quentes
De amor de fogo.
12 de agosto de 2007, manhã de ausência...
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8/12/2007 10:26:00 AM
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AFLIÇÃO
(Robério Pereira Barreto)
Tal meteoro em noite negra
riscastes o meu céu
com a luz de vida,
Alegria....
Descortinados,
meus olhos
que eram tristes
e cobertos por negro véu,
agora, irradia luz
nas manhas ensolaradas
como se rissem ao leu.
Quando me deixou partir
cobriu meu coração de luto
aceitando tal absurdo.
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8/12/2007 12:33:00 AM
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sexta-feira, 10 de agosto de 2007
AVANTESMA
(Robério Pereira Barreto)
Do negro manto da noite
Desenrola-se em rito triunfal
Rosa de pétalas lívidas
E perfume catedral...
Embriagados, os sentidos
Perdem o rumo...
O coração alvoroçado
Lamenta em gemidos...
Os olhos dilatados
Apreciar nascimento
De rara beleza em noite
De carregado céu...
As mãos trêmulas
Relutam tocar em fina pele
De tão belo e frágil ser...
Impávidos e desalinho
Os pés movem-se
Procurando levar
Especial ser
À luz do amanhecer...
Ante a estúpida formosura
Esmaece cai em torpor,
Loucura!
10 de agosto de 2007, 21h 11min
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8/10/2007 09:19:00 PM
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quarta-feira, 8 de agosto de 2007
CONVERSAÇÃO: A (RE) COMPOSIÇÃO DA IDENTIDADE SOCIAL
A produção intelectual e cientifica na/da Universidade precisa ser vista como um apêndice da vida cotidiana. Assim sendo, O dicionário oral lingüístico da microrregião de Irecê vem ao encontro da necessidade de se ter um registro das expressões lingüísticas, no qual fiquem anotados os resultados das atividades de pesquisas e ensino e extensão, desenvolvidos por docentes e discentes no âmbito regional, uma vez que a Universidade tem em seu quadro docente e discente uma heterogeneidade de pensamentos e culturas advindas de várias cidades da região de Irecê, podendo realizar por meio de produções escritas, o mapeamento lingüístico e semântico dos discursos proferidos pelas comunidades locais, uma vez que estas diuturnamente recriam novas expressões a partir de vocábulos extraídas das experiências de fala cotidiana, dando-lhes conotações que se ajustam aos seus processos comunicativos, determinando ainda os lócus para seus devidos usos.Em verdade, O dicionário oral lingüístico da microrregião de Irecê surge como espaço de divulgação do saber empiricamente construído pelos falantes da microrregião de Irecê. A partir de agora se torna saber científico, pois estudantes e professores do Colegiado de Letras do Câmpus XVI, o concretiza com intuito de auxiliar os profissionais da educação engajados em melhorar suas práticas educativas e lingüísticas, entretanto, não dispunham de meios que pudessem lhes orientar na discussão uso de idéias inovadoras no ensino de linguagem no cotidiano de sala de aula.
Dessa maneira, esta obra técnico-lingüística justificar-se-á ao devir, isto é, conhecer-se-á o que de fato O dicionário oral lingüístico da microrregião de Irecê representa para a comunidade acadêmica e educacional quando os conteúdos de seus verbetes forem discutidos pelos professores e, conseqüentemente colocados em prática na sala de aula e no diário das estudantes do ensino básico numa tentativa de melhorar a qualidade da educação lingüística do povo que a realiza livre mente, sem, contudo, entender a importância de tais vocábulos na (re)composição da identidade da sociedade, a qual, por seu turno, é resultante da “diáspora da diáspora”, isto é, sertanejos que migraram de outras partes do nordeste, chegaram a Irecê e tiveram a oportunidade de se fixar por algum, outros fizeram dessa região apenas ponto de paragem para, mais tarde, seguirem seu curso migratório, conquanto neste ínterim, deixaram como herança, expressões regionais que passaram a compor o repertório lingüístico e semântico da comunidade local.
Como se sabe, a produção lingüística de um povo é “bem simbólico”, assim como os são: a cultura, a literatura e as artes. Portanto, a elaboração desta obra os estudantes-pesquisadores partiram da perspectiva teórico-metodológica de que a compreensão da linguagem produzida e exercitada por determinada comunidade é a referência que a comunidade científica tem para compreender a gênese de seu usuário. Então, O dicionário oral lingüístico da microrregião de Irecê se insinua neste objetivo; mostrar aos profissionais da educação básica, profissionais das letras, da cultura e pesquisadores interessados no assunto que “língua é uma capacidade inata do homem, que lhe permite reconhecer as sentenças, atribuindo-lhes uma interpretação semântica, ou produzir um número infinito de sentenças, atribuindo-lhes uma representação fonológica.” (Castilho, 2004, p.11).
O glossário em questão faz-se científico, à medida que traz expressões do falar sertanejo para o espaço da escrita. Em seguida, faz dos turnos conversacionais correntes no sistema lingüístico local, marcadores da identidade desse povo, cuja tradição e cultura são passadas por meio da oralidade, isto é, o homem do agreste ao longo dos séculos garantiu a sobrevivência estilística e estética de sua linguagem usando a conversação como tecnologia para informar aos seus a respeito dos acontecimentos que o trouxe até aqui. “A conversação é uma atividade lingüística básica. Ela integra as práticas diárias de qualquer cidadão, independentemente de seu nível sócio-cultural. A conversação representa o intercurso verbal em que dois ou mais participantes se alternam, discorrendo livremente sobre tópicos propiciados pela vida diária.” (Castilho, 2004, p.29). Ainda seguindo este raciocínio, é interessante que se veja a importância desse trabalho sob inferência que do valor que a oralidade tem na vida do “homem do povo”, porque a “conversação é a primeira das formas da linguagem a que estamos expostos e provavelmente a única da qual nunca abdicamos pela vida a fora” (Marcuschi, 1986, p.14).
A partir desta tese e, sabendo que os elementos conversacionais são intermináveis e, melhor ainda, gratuitos; os organizadores de O dicionário oral lingüístico da microrregião de Irecê verificaram também como os verbetes são segmentados conforme mapeamento feito durante a pesquisa. No município de Barra do Mendes, os falantes dão sentidos diferenciados para os mesmos vocábulos usados pelo povo da cidade de Central, visto que ambos são resultantes de processos de colonização diferenciados. Diante disso, o leitor terá oportunidade de compreender o porquê das pessoas usarem as mesmas palavras com sentidos diferentes em contextos conversacionais também distintos.
Com a publicação desta obra, os profissionais da linguagem e estudantes de letras e interessados no assunto passam a ter uma referência científica para edificarem suas opiniões sobre a produção lingüística do homem do sertão, o qual em sua complexidade é “antes de tudo um artesão da linguagem” dando à língua nacional beleza estética que a faz diferente das demais vertentes praticadas no território brasileiro. Portanto, a despeito de sua natureza acadêmica O dicionário oral lingüístico da microrregião de Irecê apresenta poeticidade em seus verbetes, em virtude da autoria das expressões advirem dos “homens do povo” o qual transformou e adapto lingüístico e semanticamente procedimentos complexos da língua, em matéria de “saber popular” através dos quais, a sociedade indistintamente se delicia em longos e demorados banquetes conversacionais em meio à apreciação da vida simples e bela do sertão.
Robério Pereira Barreto
Professor-Poeta e escritor
Em Crepúsculo frio de 08 de agosto de 2007.
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poetadasolidão
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8/08/2007 06:48:00 PM
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domingo, 5 de agosto de 2007
VERSOS PALINDRÓMICOS

ANDE...
(Robério Pereira Barreto)
odnçaor zov evaus auA
sodviou suem soaA
zeicam a ritnes é
odulev orbur od
em-odnaiciraca
adasnac amla a.
Sua suave voz roçando
Aos meus ouvidos
é sentir a maciez
do rubro veludo
acariciando-me
a alma cansada.
Seu caloroso carinho
incendeia minha pele
é meteoro que cai na campina,
iluminando o céu
com chamas colossais.
Seu perfume embriaga
meus sentidos
é alfazema espalhando
sua presença no ar,
causando suspiros
faz-me viajar no
além do mundo...
daí fico mudo
aos poucos me desnudo
porque levo na viagem
sabor de beijos impuro.
05 de agosto de 2007, 21h 44min.
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8/05/2007 09:47:00 PM
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SEIVA DA PAIXÃO
(Robério Pereira Barreto)
A solidão é água de ribeirão
Que ao ser presa na concha da mão
Da um jeitinho e foge entre os dedos
Procurando juntar-se ao mar;
Para isso quebras as barreiras que há.
A prisão da alma por um amor
Que no caminho malfadou é tentativa vã;
Porque controlar a vontade da alma
É sufocar grito do vulcão roncador.
Então, a solidão que há aqui
Tornar-se-á um furacão no devir,
Bastando isso você surgir diante mim
Com sorriso maroto no rosto
E balançar faceiros nos quadris.
Isso me torna seu prisioneiro
À espera do encontro verdadeiro
Nem que para isso tenha que viver
Na masmorra solidão onde a alma
É regada como se fosse jasmim.
Portanto, eu não vivi até aqui
Para deixar evadir-se de mim,
Por entre os dedos como seiva capim
Que ao ser esmagado nas mãos
Geme sufocado até o fim.
13 de setembro de 2006, 22h24’
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8/05/2007 09:38:00 PM
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(Robério Pereira Barreto)
Solitário nas esquinas e avenidas,
ou acompanhando na multidão de bares,
está o vendedor de flores,
trazendo nos braços vários amores;
perfeitos e, às vezes mais que perfeitos
são lírios e margaridas.
As flores com seus perfumes e cores se misturam
entre os sabores das paixões reais
e aquelas cuja formosura será despertada
no desabrochar de um copo de leite.
Os corações afloram diante da poesia
aveludada da rosa vermelha
e lírio cor de aquarela
que toca alma dos amantes
mesmo em momento de querela.
Oh, preciso comprar uma paixão
Para alegra meu coração!
Cadê o vendedor de flores
Que traz nos braços novos amores?
Quero o amor mais perfeito
Que dê a esse peito o pulsar
De infante diante da emoção primeira.
(...)
Sei que se não encontrar o vendedor
Posso ficar para sempre com a dor
De um amor que aos poucos se acabou.
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8/05/2007 09:34:00 PM
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LUAR DE AGOSTO
Quem averbou que a lua
não é uma artista se enganou
porque o luar de agosto se superou
e entre os galhos e folhas do bambuzal
eximia escultora se declarou;
seu rosto esculpiu
com brilhos com de anil.
Agora, fico sozinho a contemplar-te
até que a lua se canse de expor
sua a obra maior, sua beleza.
Como espectador
amante de tal arte
Espero que as portas do museu
da noite se fechem
E a lua como boa anfitriã
me convide a sair,
Prometendo que amanhã tudo irá repetir.
11 de agosto de 2006, 00h 01’
Robério Pereira Barreto
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8/05/2007 09:28:00 PM
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sábado, 4 de agosto de 2007
ESCADA
A cada passo no degrau da vida,
Sinto que aos poucos me distancio do começo
Mas, não me aproximo do fim.
A escalada para futuro é incerta...
A cada degrau vencido,
novos e aos milhares vão surgindo,
tornando-me estático...
todos os caminhos foram destruídos,
seguir para o topo é meu destino
não me tenho forças para vencer
os incansáveis
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8/04/2007 10:42:00 PM
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BÁLSAMO DA SOLIDÃO

BÁLSAMO DA SOLIDÃO
(Robério Pereira Barreto)
É noite...
O aroma da escuridão
Toma minh’alma
Como se pedisse perdão
Por invadi-la sem permissão.
Em prantos e lamento
Recolho minha abantesma.
À clausura de meu imo
Tal perseguido menino
Pelo fantasma da noite.
É madrugada...
O eco da aurora
Acorda-me com o cheiro da manhã
Penetrando em minh’alma
Lança pagã.
O aroma da solidão escorre
Nas ventas e entre os dedos
O sumo do prazer
Liquefaz e morre...
Martirizando-me em cobiço
A ti e vejo nosso amor esvair-se
Nos caprichos de...
O aroma da solidão
Entranha meu espírito.
Seu cheiro sacrifica-me
Alma tamanho desespero
De manter pulsando esse
Coração condenado ao desterro.
04 de agosto de 2007, 22h35min
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8/04/2007 10:37:00 PM
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DESVAIRO
(Robério Pereira Barreto)
É noite de lua clara
E tudo se parece
Em alvas sombras.
A luz afiada da paixão
Atravessa-me tal raio
Que corta as negras nuvens
Em tarde tempestades
O alvitre de nosso amor
Nasce sob a cortina de vapor
Imenso que conduz ao frenesi
De bocas e toques cheios de ardor
(...)
Nossos corpos em atrito
Levam as almas ao infinito
Tamanho os encantos
E união de corpo e espírito,
Ser uno e límpido.
Irecê – BA, 04 de agosto de 2007.
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8/04/2007 08:11:00 PM
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quinta-feira, 2 de agosto de 2007
WEBLEITORA COMENTA: "GOSTEI DO SILICONE"
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8/02/2007 11:52:00 AM
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quarta-feira, 1 de agosto de 2007
VEREDAS DA VIDA
No meu sertão solidão
ando em desatino
A cada novo passo
sou espetado pelas
onde o dia se confunde
dando me a morte por certo.
Eis que surgiu você
lá estão as veredas
de onde brota do seio da natureza
a sangue que dá vida
As palmeiras da esperança,
as dores e feridas sofridas na caminhada,
sempre há veredas no deserto da solidão.
Robério Pereira Barreto
01 de agosto de 2007. 22h48min.
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8/01/2007 10:37:00 PM
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