segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

sábado, 22 de dezembro de 2007

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

VÔO...

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ESQUINA

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domingo, 16 de dezembro de 2007

APAIXONADO

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sábado, 15 de dezembro de 2007

FOLHA SECA

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sábado, 8 de dezembro de 2007

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

NOSSO TEMPO

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segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

FALA: ESPAÇO DE CONCRETUDE DA LINGUAGEM

Em A linguagem (1980), formada por onze capítulos, nos quais Edward Sapir discutiu os principais pontos que formam a linguagem no seu todo social, cultural e político a partir de uma visão interativa na qual a fala e a escrita se transformam em linguagem de dadas comunidades. O autor adverte no prefácio: “Destina-se este livrinho a dar uma visão de conjunto a respeito da linguagem e não propriamente a coligir fatos da linguagem. Pouco lhe cabe dizer sobre os fundamentos psicológicos últimos de fala, e, dos fatos tanto atuais descritivos como históricos, das várias línguas só ministra o que é suficiente para ilustrar certos princípios. [...] o problema do pensamento, a natureza do processo histórico, a raça, a cultura, a arte.” (SAPIR, 1980, p. 9).

Nesse sentido, a complexidade da linguagem se institui nos elementos linguísticos expressos por meio da oralidade, pois a “fala é uma atividade humana que varia, sem limites previstos, à medida que passamos de um grupo social a outro, porque é uma herança puramente histórica do grupo, produto de um uso social prolongado. [...] falar é uma função não instintiva, uma função adquirida, “cultural”. (idem. p. 12). Logo, o contato com grupos de falantes leva o usuário da linguagem à assimilação das estruturas semântica, gramatical e, sobremodo, fonética das palavras, dando-lhes pronúncias relativas às usadas pela comunidade da qual faz parte.

Para Guatarri e Deleuze (1995) essa questão tem como base o enunciado que, segundo a teoria por eles elaborada, a produção de fala é a base elementar da linguagem e, portanto, “A linguagem não é a vida, ela dá ordens à vida; vida não fala, ela escuta e aguarda.” Concordando com os autores acima mencionados, Sapir (1980, p. 15), considera a fala uma produção complexa a qual demanda de estruturas físicas e culturais uma vez que é necessária ao falante a articulação de idéias. Estas por seu turno devem estar armazenadas na consciência e na memória discursiva de cada ser. “A fala não é uma atividade simples executada por um ou mais órgãos biologicamente a ela destinados. É uma trama extremamente complexa e ondeante de ajustamentos no cérebro, no sistema nervoso, e nos órgãos de articula e audição em direção ao fim colimado, que é a comunicação das idéias.” (Idem). Ainda algumas palavras do lingüista sobre a linguagem: “a linguagem é uma herança imensamente antiga da raça humana, sejam ou não sejam todas as suas variantes desdobramentos históricos de uma única e prístina forma.” (ib.idem, p. 24). Em outras palavras; pode-se considerar que o homem se constitui como tal devido a produção e uso de enunciados lingüisticamente. Assim sendo o estudioso encerra o primeiro capítulo aceitando a linguagem como “instrumento da expressão significativa”. (op. cit.).

Em relação aos elementos constitutivos da fala palavras; Sapir aponta o som em si mesmo como algo subjacente à fala e, por isso, informa que é preciso haver uma seqüência de sons para que a fala ganha status de linguagem.

Os elementos verdadeiramente significativos da linguagem são em geral seqüências de sons, que tanto podem constituir palavras como partes significativas de palavras, ou, ainda, grupos de palavras. O que distingue cada um desses elementos é que ele representa o sinal externo de uma idéia específica, seja um conceito uno, uma imagem uma, ou certo número de conceitos ou imagens nitidamente ligadas num todo. (SAPIR, 1980, p. 27). Conforme perspectiva acima, a comunicação se estabelece quando o falante produz sons audíveis e o ouvinte os capta transformando-os em significados para si e sua comunidade. No Tratado de semiótico (1980), Umberto Eco diz que esse acontecimento pode ser entendido como ato de “significar e comunicar” e tem função social que, por sua vez, “determina a organização e a evolução cultural, “falar” dos “atos de palavras”, significar a significação ou comunicar a respeito da comunicação não podem deixar de influenciar o universo do falar, do significar, do comunicar.” (ECO, 1980, p. 22).
Robério Pereira Barreto

LEITURA: MEMÓRIA DISCURSIVA E CULTURAL

O texto é mais que um tecido cujas partes se entrelaçam a partir da organização das sentenças. Na verdade, ele é uma miscelânea de informações na qual estão dispostos elementos históricos, culturais e políticos construídos sob a perspectiva da linguagem que, às vezes, vai além e se traduz em metalinguagem.

Para Kleiman é fundamental que o sujeito adquira o hábito de ler o mundo através da apreensão de “um conhecimento dos aspectos envolvidos na compreensão e das diversas estratégias que compõem os processos”. (p.07) Sendo que tais processos se dão por meio das relações estabelecidas entre o que o texto diz e o que está associado à memória social. Logo, todo procedimento de leitura deve ser associado à releitura dos acontecimentos históricos, sociais e culturais. O texto enfatiza os aspectos cognitivos da leitura, porque consideramos que a percepção de, bem como a reflexão sobre o conjunto complexo de componentes mentais da compreensão contribuirão, em primeira instância, à formação do leitor e, conseqüentemente, ao enriquecimento de outros aspectos, humanísticos e criativos, do ato de ler. (KLEIMAN, 2000, p. 9).

Dessa maneira, o ato de leitura, sobremodo, de textos literários precisa seguir o processo de metalinguagem, isto é, o leitor se posiciona na leitura conforme os tempos enunciados no discurso, adentrando assim aos universos lingüísticos forma de escrita e construção de sentidos empregados na linguagem da obra ; cultural observar-se-ão os aspectos do cotidiano no qual, o homem e a sociedade são retratados via escrita -; além das questões políticas e ideológicas usadas pelo autor quando da escrituração de sua obra. Essa atividade acontece através de metacognição a qual segundo especialistas é o processo de “reflexão sobre o próprio saber, o que pode tornar esse saber mais acessível a mudanças.” afirma Kleiman.
Com essa perspectiva, o leitor por sua vez é agente histórico da leitura e ao longo de sua existência interage com ambientes sociais e culturais, nos quais sua memória discursiva e cultural vai se construindo de acordo com os estímulos recebido durante a interlocução praticada na comunidade. Então, afirma-se que tal sujeito é detentor de certo grau de conhecimento prévio e, portanto, está apto a produzir sentido ao realizar uma leitura dentro do seu contexto sócio-político e histórico-cultural. Conquanto seja necessária a prática diária de leitura na qual se busca agregar novos conceitos, valores e, consequentemente, a assimilação de vocabulário para melhoria de sua prática lingüística. Isso só acontecerá segundo Kleiman (2000), se o leitor estiver disposto a estender sua capacidade reflexiva, pondo-se em destaque e associação com objeto lido “o conhecimento adquirido ao longo de sua vida.” Então, Dessa forma acontece aquilo que Kleiman considera a: interação de diversos níveis de conhecimento, como o conhecimento lingüístico, o textual, o conhecimento de mundo, que o leitor consegue construir o sentido do texto. [...] este conhecimento abrange desde o conhecimento sobre como pronunciar português, passando pelo conhecimento de vocabulário e regras da língua, chegando até o conhecimento sobre os usos da língua. (Kleiman, 2000, p. 13).

Mediante essa assertiva, infere-se que na medida em que se ler há assimilação de elementos estruturais do texto e, também, da cultura à qual ele se reporta. Portanto, nesse ato, leitor assume papel importante dando ao texto novos significados, ou seja, atribui-lhe sentidos de acordo com novo setting de leitura, pois se fazem associações do enunciado com o novo ato de enunciação, formando novas expectativas a respeito do assunto tratado no texto.

No que se refere à leitura de peças literárias existem dois modos de se ver a construção do ato de ler: “Leva em conta os leitores na sua diversidade histórica ou social, coletiva ou individual; outro, a imagem do leitor tal como ela se acha representada em alguns textos.” (Todorov, 1994, p. 83). E já Kleiman considera essa questão a partir do conhecimento lingüístico, histórico e cultural do leitor a respeito do texto lido, porque tal saber leva ao processamento das informações presentes no objeto. Assim sendo, o processamento é entendido como: atividade pela qual as palavras, unidades discretas, distintas, são agrupadas em unidades ou fatias maiores, também significativas, chamadas constituintes da frase. À medida que as palavras são percebidas, a nossa mente está ativa, ocupada em construir significados, e um dos primeiros passos nessa atividade é o agrupamento em frase.

A memória discursiva do agente de leitura ao encontrar no texto marcas lingüísticas (tempos verbais, adjetivos e predicação), culturais (eventos, festas religiosas, sociais, personagens e costumes, etc.) faz associação com o presente da leitura, ou seja, transfere para a atualidade os sentidos criados pelo autor quando da enunciação do texto. Por exemplo, ao ler uma passagem bíblica o fiel transfere (às vezes de maneira pessoal) as informações nela contida para sua realidade, dando assim uma conotação de verdade ao evento lido. Esse processo segundo Celso Antunes (2001) ocorre porque o leitor atingiu um nível de maturidade importante, transformando dessa forma, informação em conhecimento.

Há ainda de se destacar o papel dos meios de comunicação na propagação das informações no meio social através do qual se constrói a memória discursiva do homem moderno. Tal questão incentiva nos perspectiva à produção de conhecimento porque à maior parte dos sujeitos estão ligados a vários mecanismos que propagam a informação em tempo real. (Lembramo-nos dos episódios das guerras no Oriente Médio, estas foram transmitidas via satélite para todas as casas do mundo).

Para Celso Antunes tudo isso exige do profissional da linguagem uma nova formação, isto é, além de aprender as questões específicas de sua área de atuação, o professor deve buscar per si, meios com os quais possa agregar sentidos às suas novas descobertas. “o professor precisa ir também se transformando em um analista de símbolos e linguagens, um decodificador de sentidos nas informações e, também, o profissional essencial do despertar das relações interpessoais.” ANTUNES, 2001, p. 13).
Robério Pereira Barreto

LEITURA: AQUISIÇÃO DE LEGISSIGNOS CULTURAIS

A civilização ocidental tem suas características asseguradas devido aos registros construídos; imagens e signos representacionais realizados pelos homens da caverna (Memórias discursiva, cultural e imagética). Tais procedimentos foram armazenados no inconsciente desses homens e transmitidos às novas gerações através de discursos - fala -, uma vez que, essa comunidade ainda não articulava significados para a formação da palavra escrita, texto. Embora já fizesse usos quando desenhava os animais abatidos durante a caça. Essa ação talvez fosse intencional, porque era uma forma de se colocar no papel de herói, dizendo aos demais que, se baseassem na informação ali contida e a guardasse em suas memórias individual e coletiva, pois, o futuro e a sobrevivência da comunidade dependiam de tal habilidade; reconhecer os animais a serem capturados através das imagens desenhadas nas cavernas.
A palavra escrita ganha status e é usada com propósitos unilaterais (lembremo-nos do manuscrito de Em nome da rosa, de Umberto Eco), no qual o conhecimento é mantido sob a proteção da Igreja com objetivo de barganhar, pois este privilégio (dominar a leitura e a escrita dos textos bíblicos, doutrinários e artísticos) era reservado a poucos privilegiados, os quais, na maioria das vezes, recebiam da corte uma indicação, mantendo-se assim, a dominação das informações estratégicas da corte.
Diante dessa perspectiva, certamente irá surge uma pergunta crucial, portanto, a antevejo para o leitor: Afinal, onde estará a questão da leitura nesse processo? Implícita! É a resposta. Explicamos então tal assertiva: Caro leitor! Se levarmos em consideração que o sujeito per si é um leitor desde o momento de sua concepção ( junção do óvulo com o espermatozóide) exigindo desses organismos uma leitura das melhores condições do setting de fecundação para encontrar o melhor espaço no útero para o início da vida. Então está ai o motivo pelo qual somos os agentes de nossa própria memória. Sendo esta formada e ligada diretamente com as nossas realidades sócio-histórica e cultural, fazendo nos usuários e produtores contínuos de memórias - textos.
Os historiadores e psicólogos sociais têm mostrado em suas teses a importância da memória para o entendimento da arte e da vida em sociedade por meio de resgate oral e escrito dos textos acumulados na sociedade empírica. De sorte que, na clássica obra Memória e sociedade: lembranças de velhos, de Ecléa Bosi, a autora ressalta a importância do conhecimento e da cultura armazenada pelos idosos ao longo de suas experiências. Tais informações se encontram na memória de cada um, sendo que esses sujeitos da/na linguagem têm suas memórias em estado de inércia, contudo, estão prontas para se movimentarem e, assim, contribuírem para a compreensão do homem contemporâneo.
Assim sendo, é intenção mostrar que ao produzir um texto o enunciador precisa saber quais serão os significados que podem extrair do saber acumulado tanto na comunidade, quanto no meio social em que circulará a informação por ele prestada. Ademais, o sentido de texto aqui ganha maior espaço e passa a ser entendido parte significativa da memória histórica e cultural, configurando assim numa reescritura paráfrase do saber socialmente acumulado pelos indivíduos em suas comunidades. Portanto, produzir texto é uma atividade diária a qual requer do produtor técnica e esforço contínuo no sentido de estabelecer associação entre o que pretende informar e formar com suas mensagens e, consequentemente, possibilitar ao leitor as inferências possíveis do assunto a partir do resgate da memória histórica e cultural nele existente e que pode ser trazida à tona por meu dos significados dos discursos, constituindo assim uma nova memória discursiva.
Para Barthes (1987) é nesse momento que o professor de linguagem deve atuar como mediador das memórias discursivas presentes no ambiente escolar. Assim:“O professor não tem aqui outra atividade senão a de pesquisar e da falar - eu diria prazerosamente de sonhar alto a sua pesquisa - não de julgar, de escolher, ...”os caminhos para os seus alunos produzirem textos, ao contrário; juntos com seus aprendizes busca-se no inconsciente coletivo informações que lhes sejam úteis como exemplos e associações de pensamentos. Por isso, a leitura diária faz questão fundamental no processo de formação da memória discursiva e cultural do cidadão. Parafraseando o famoso dito popular: você é o que come. Diria que sua memória discursiva e cultural é o que você ler. Isso porque à medida que se realiza a leitura a estrutura da língua (léxico, sintaxe, classe gramaticais, etc.) vai se fixando em sua mente, podendo ser solicitada mais tarde quando da escritura de uma mensagem. Logo, “os signos de que a língua é feita, os signos só existem na medida em que são reconhecidos, isto é, na medida em que se repetem; o signo é seguidor, gregário;” Barthes, 1978, p. 15), fazendo com que o leitor recorra às reminiscências sígnicas do texto para se situar no tempo e no espaço do enunciado proposto pelo enunciador do texto.
Robério Pereira Barreto

sábado, 1 de dezembro de 2007

domingo, 25 de novembro de 2007

sábado, 24 de novembro de 2007

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

DÉDALO

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CARA METADE

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terça-feira, 20 de novembro de 2007

DELICARA-ME...

Só de pensar em sentir
Seu corpo quente no meu,
Me dar um arrepio na alma!

Sentir o seu perfume
invadindo minha pele
É sentir o fogo da paixão
Dilacerando sem pressa meu coração!

Ter suas mãos me revirando o corpo
É me sentir quase um louco;
A cada carícia parece que morro!

Experimentar seus beijos quentes
É provar o veneno de serpentes
Que habitam o deserto dos amantes!

Apetecer meu amor por você
É ser criança que ver no futuro
À esperança de crescer
Sem a infância perder!

Agosto de 2006, 00h38’
Robério Pereira Barreto

RESPOSTA À ENQUETE

Robério, você pergunta se a poesia pode despertar a humanidade no homem contemporâneo...
Respondo que, a poesia é capaz de acordar a sensibilidade, acordar a alma, acordar os sentimentos mais endurecidos e implícitos no homem em seu tempo...
No mundo clássico vivia o homem sob a razão e o equilíbrio em seu universo em que a linguagem era quase muda, ...o nome vira coisa, a voz vira letra... (li não sei onde) e o mundo moderno rompeu esse universo abrindo caminhos aos movimentos de uma nova visão, um mundo de busca e novas perspectivas para o homem como eu, um eu absolutamente único , apaixonado, conflitante, submerso em si, em que o rústico tem um significado muito grande aguçado pela emotividade de seus questionamentos como ser... ou seja, a busca de si, em ser, sentir, ter, amar...
Traz a poesia a perspectiva da criação, criar o homem a sua realidade, extrair do âmago a sensibilidade e deixar fluir o perplexo e assombrar-se diante do belo...
poesia é, eu acredito: “ a poesia resiste à falsa ordem, que é , a rigor, barbárie e caos” ( Drummond), ahhhhh isso é maravilhosooooooooooo!!!!!!!!!!!!!!!
adorei esse seu questionamento!!!

domingo, 18 de novembro de 2007

terça-feira, 6 de novembro de 2007

CONDENAÇÃO DE AMAR

CONDENAÇÃO
(Robério Pereira Barreto)

Minha flor de lírio do campo,
saiba que ainda vive em mim.
enquanto puder não vou deixá-la sair,
mesmo que queira tentar fugir.

Sua delicada fragrância
invade meu ser,
tal o éter
intruso penetra na pele
sem a gente querer.

Seu sorriso maroto
leva-me à presença da fé,
Esta lembrança contagia
o meu dia
preenchendo minha alma vazia

Então, querida por que me condenas
ao infortúnio da dúvida
se há sol ou chuva?

Oh, lírio de candura
por que se tornou rocha
e de peito cheio de amargura
faz-me viver essa eterna condenação?

Esta dúvida aos pouco
dilacera meu coração
como um carrasco que em devoção
tortura sua vítima com sabor e paixão!

Robério Pereira Barreto
02 de junho de 2006, 29’

O QUE FAZEM OS POETAS TÃO HABÉIS COM OS SENTIMENTOS

Webleitora desse espaço comentando o poema "Vazio" postado na noite passada, mostra-se bastante sensível à minha produção poética, dizendo ainda que, a cada dia, este espaço se torna um lugar especial, onde direto e indiretamente converso com as sensibilidades das pessoas que têm e alma e coração abertos à penetração das palavras ditas com o coração de poeta. Obrigado Leitora pelas belas palavras.

Robério
Fui visitar seu blog para dar uma espairecida nessa madrugada fria de novembro e me deparei com "Vazio". "Perfeita"! "Emocionante"! "Nossa!!!!!!" Cada vez mais estou convencida que os poetas não são desse mundo...(tenho lido muita poesia nos últimos anos)...creio que os poetas têm um quê de Deuses, onipresentes, oniscientes....e esqueci o outro adjetivo sagrado...(deixa para lá, um dia me lembro), suspeito até que a "figura" de Deus tenha sido inspirada em algum poeta, lá no Egito Antigo, às margens do Nilo, a não sei qtos mil anos a.C.(história não é o meu forte). Por que eu digo isso? Porque os poetas, tal qual os deuses, conhecem e desvendam todos os nossos segredos...vasculham a nossa alma, lêem os nossos pensamentos e, se vacilar, sabem até o nosso futuro..rsrsrsrs. Li Vazio e "enxerguei" uma amiga minha, (sei também que muitos eus como ela estão ali representados), que perdeu a razão de viver por um amor "perdido". Semana passada ela me confessou ser esse o motivo de todas as suas neuras. Por mais que eu tente, desde então, ajudá-la a enxergar outros caminhos, outros amores possíveis, percebi com a poesia que todas as minhas tentativas serão em vão e que o vazio que ela sente dificilmente será preenchido...(e ela só tem 25 anos). Como se explica o amor ser tão destruidor, tão paradoxal, quanto Camões tão bem traduziu? Ando até pensando que amar deveria ser proibido por causar tanta dor, tanto sofrimento. Sentimentozinho masoquista esse,heim...egocêntrico...possessivo...depressivo...suicida...neurótico... E eu não sei quem foi que inventou que amor traz felicidade...rsrsrsrsrsrs...Desconfio que se a felicidade existe, ela deve estar na poesia...logo, só os poetas são felizes!!! (alguém disse isso antes, mas não me lembro quem foi). Um ótimo dia!

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

SUA VOZ

Sua suave voz roçando meus ouvidos
É sentir a maciez do rubro veludo
Acariciando-me a alma cansada.

Seu caloroso carinho
incendeia minha pele
Como meteoro que cai na campina,
Iluminando o céu com chamas colossais.

Seu perfume embriaga meus sentidos
Como a alfazema espalha
sua presença no ar,
Causando suspiros...
Faz-me viajar no além do mundo...
daí fico mudo aos poucos me desnudo
porque nessa viagem suspiro profundo.

VAZIO

VAZIO...

Como é ruim acordar de madrugada
e não ter você ao meu lado...
como companheira uma colcha gelada.

Como é triste levantar e não ter você
comigo à mesa dejejum
para dividir o café:
pão com mortadela.

Como é dolorido escutar Bee Gees
sem ter você cantarolando em inglês ruim
para irritar os meus ouvidos.

Como é comprida a caminhada matinal
sem ter você a dizer:
Nossa! Já estamos velhos demais para isso
e, portanto, esses quilinhos a mais
são sinais de que passamos do colegial.

O que adianta ter o perfume da rubra rosa
Se não tenho você para banhar
com tal fragrância deliciosa?

Que me importa ouvir cantar dos pássaros
se não ouço mais sua voz desafinada,
que era para mim,
hino sublime como
o canto do bem-te-vi
em manhã de outono ao sol sair?

Que me importa estar vivo
se você não é mais o meu grã viz?

Se não se importa...
tenho a vida morta
e um vazio dentro de mim!

Se não se incomoda...
saiba que caminho por linhas tortas
e por estas tortas linhas,
caminho a procura de ti;
Se não lhe encontrar
serei para sempre infeliz
para outro alguém amar!

domingo, 4 de novembro de 2007

MORTE DE VELHOS: FIM DO SABER E DA TRADIÇÃO

Este ensaio pretende colocar na ordem do dia, a questão da preservação das memórias socioculturais de velhos, nos grupo de tradição oral, especialmente, nas comunidades sertanejas onde a cultura e os saberes são eminentemente transmitidos oralmente pelos mais velhos. Assumimos esta preocupação desde o momento em que percebemos que, alguns saberes veiculados na sociedade irecense têm suas fontes de transmissão à fala de anciãos que, por décadas, foram experienciando e armazenando na memória informações e fatos religiosos, políticos e históricos. Todavia, agora, estão em risco devido eles não terem sido escolarizados o suficiente para registrar seus conhecimentos para a posteridade por meio de algum instrumento de fixação do saber.
Assim sendo, inferimos que a cultura local a cada dia perde suas bibliotecas humanas, isto é, à medida que um velho morre, com ele, são enterrados saberes importantes à compreensão e reconstrução das identidades locais. Então estes saberes mitológicos e empíricos por eles [velho] armazenados ficam relegados ao segundo plano e, portanto, morrerão a cada dia um pouquinho. De acordo com Pierre Lévy, os saberes práticos constituintes destas memórias fazem parte da comunidade viva. Por isso, se tornam virtuais, conforme deslocam seus agentes nos espaços sociais, isto configura nesta região algo que incomoda, porém é um fato: somos uma sociedade de tradição oral, cujas características medievais mantidas nos causos e tradições religiosas levam a crer que a escrita, aqui, está restrita aos registros oficiais.
Para Lévy (2000), nestas comunidades onde a escrita ainda não foi usada em sua plenitude, certamente, não será por que os jovens, hoje, procuram saberes e informações nos ciberespaços. Então, “o carregador direto do saber não será mais a comunidade física e sua memória carnal, mas sim o ciberespaço, a região dos mundos virtuais pelo intermédio dos quais as comunidades descobrem e constroem seus objetos e se conhecem como coletivos inteligentes.”
Assim sendo, torna-se imprescindível que as memórias e os saberes dos velhos sejam valorizados e registrados em memórias, sejam virtuais ou fixas para que as novas gerações as tenham como referência de seu passado. Há de ressaltar aqui, algumas iniciativas: na academia temos os estudos de Éclea Bosi nos quais são registradas as experiências e culturas dos caipiras do interior de São Paulo no seu clássico Memória e sociedade (1994) e, no lócus regional temos o ainda não canônico, mas igualmente importante livro Irecê, a saga dos migrantes (2004) de Jackson Rubens no qual, o autor registra por meio dos princípios de ficção-histórica os relatos dos velhos migrantes que colonizaram a região de irecê nas primeiras décadas do século passado.
Conforme metaforiza Lèvy (2000), a morte de um velho representa a destruição de uma biblioteca virtual pelo fogo da ignorância, visto que a este ser não foi oportunizado a transmissão e o registro e aproveitamento de seus conhecimentos pela comunidade. Até porque esta comunidade é, per si, fundada no princípio da oralidade. Assim sendo, caberá as escola e a universidade promover os registros desses conhecimentos em seus bancos de dados.
É com esse objetivo que estamos trabalhando no projeto: O vídeo: uma construção estética do conhecimento, (Walnice Paiva, Robério Barreto e colegas do câmpus XVI) na perspectiva de garantir, mesmo que no espaço cibernético publicizar e valorizar os saberes dos velhos, evitando assim, que estas enciclopédias de saberes populares se percam no pós-mortem.
Além disso, estes procedimentos permitiram consultas e reconstrução das identidades e discursos proferidos em momentos específicos em que a comunidade promovia e vivencia sua tradições e culturas.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

triagulo perfeito



ESPAÇO VIRTUAL: WEBLEITOR E WEBLEITURA

Muito se tem falado nos meios acadêmicos sobre os processos de leitura. Todavia, estes estudos se voltam para a questão canônica do ler relativos aos clássicos textos de literatura e da cultura universal.
Na sociedade de hoje – comunidade da informação digital – sofremos constantemente com os problemas relacionados à leitura nos espaços digitais. Entendemos que estes problemas são conseqüências da falta de preparação dos leitores para ingressarem nesses espaços e interpretarem os ciberdiscursos correntes nos livros das bibliotecas virtuais, internet.
Diante desta questão, acreditamos que é preciso responder as perguntas-chave que orientam o acesso a este saber: O que é livro virtual – ebook? Como leio um livro digital? Onde e como posso ler meu alfarrábio eletrônico? Livro eletrônico, ou e-book, é um livro digital que você pode ler em uma tela de computador. Alguns livros eletrônicos também podem ser lidos em um dispositivo eletrônico como em qualquer lugar com os HandHelds como os PocketPCs, WinCE, Palm. As vantagens são inúmeras: os livros eletrônicos podem ser baixados instantaneamente pelos usuários num clique de mouse (por meio de download). É de fácil manipulação. Durante a leitura, por exemplo, a ampliação do tamanho de letra, a possibilidade de criar anotações ao longo do texto e os recursos de pesquisa de palavras e uma série de recursos que vem sendo desenvolvida a cada dia. Segundo afiança especialistas no assunto.
Então, como leio um livro eletrônico? Para ler os livros eletrônicos no formato PDF da Virtualbooks, você deverá instalar em seu computador os programas Acrobat Reader e o descompactador WinZip (o mais popular) ou outro similar. Parte dos arquivos que você baixa da Biblioteca Virtualbooks chegam com a extensão zip. Trata-se de um formato de compressão, que deixa o arquivo menor e, portanto, torna o download mais rápido. Após instalar os dois programas: Acrobat Reader e o WinZip, você só terá que copiar os livros eletrônicos da Biblioteca Virtualbooks e clicar neles, que abrirão automaticamente.
Esta nova realidade precisa ser trabalhada nas comunidades educacionais, visando ao maior acesso dos webleitores aos conhecimentos clássicos e atuais disponíveis na Web. Com isso, eles passariam a aproveitar melhor os espaços virtuais de leitura. Dessa forma, cabe a escola e as universidades formadoras de professores estimularem os seus estudantes para o uso efetivo pela internet como fonte de pesquisa e leitura. Dizendo de outro modo, é fundamental a inserção de todos os profissionais da educação ao universo digital, uma vez que a cultura e a sociedades atuais vivem e realizam suas ações baseando-se nos comportamentos oferecidos pelos mecanismos digitais. Por tanto, à medida que a escola prepara seus alunos para a leitura do mundo digital, certamente, estes estudantes se preparam melhor para a vida em sociedade, podendo, inclusive, tornam-se agentes efetivos do processo criativo e produtivo tanto da linguagem quanto da leitura dos espaços virtuais.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

NOSSO OLHAR

CONTRASTE NO OLHAR
(Robério Pereira Barreto)


Lábios esboçam risos
Em simétricos e nacarados
Lábios, que, sedentos de ti
Regalam-se ao relento.
Contrastes da alma!

Olhar sereno e profundidade
Além da flecha de Aquiles
Denunciam um peito riscos;
Coração agitado
A ponto de o peito partir.
Contrastes da alma!
O corpo submerso
Na água a fria agita-se
Desejando lhe possuir
Todavia, pára...
Contrastes da alma!


28-29 de outubro de 2007.

POEMA À BELEZA CANDIDA...


DETRÁS DA MONTANHA
(Robério Pereira Barreto)

Do outro lado da montanha
De altivos picos,
Arremessa-te ao infinito
Cujo grito de luz
Ilumina e me seduz.

Seduzido, suspiro
Na longa e doce
Espera de ti.

Oh, lua que, ao longe,
Por detrás da montanha
Forma uma cortina
De prata para enfeitar
Esta noite em que minha
Se encantam diante de ti.

No ar,
a paixão toma conta de mim
E na espera da lua
Posso sentir a textura
De seus lábios carmim.

Confundido, meu espírito
Sobeja ante tão cândida beleza
Realçada pela complacência da luz
Da lua que, totalmente nua
Expõe-se a nós na imensidão
Do vale...
27 de outubro de 2007,

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

ODE VIGÍLIA

Quando a solidão adentra a alma a noite é amiga...ela e a lua, ambas silenciosas em seu percurso são testemunhas mudas...Nada além do sonho de ter um amor presente é substituível... nada acalma o coração solitário que chora conflitante a ausência da amada...nadasubstitui o momento do encontro... noite e lua silenciosas sublimam o calor da paixão e a espera... Com o tempo ,e através do tempo, dia após dia, saudade, amor e ansiedade se mesclam entres sombras e o sabor noturno da vigilia... vigilia...vigilia sempre...

terça-feira, 23 de outubro de 2007

VIGILIA


VIGILIA
(Robério Pereira Barreto)

Seria uma noite qualquer,
Como todas que a lua
Inspirada faz de minha
Janela palco para sua
Serena e calma jornada
Ao encontro do sol
Na madrugada.

Porém, tua ausência
Entretece minha alma,
Transformando o fulgor da lua
Em fogo queimando
A pele com se estivesse nua.

Perco a calma...
Por que me mata lentamente
Se essa é a noite de nosso
Amor complacente?

Oh, noite não sois mais
Minha amiga como antigamente;
Tenho a ti e a lua
Porém, me falta dela
Abraço, carícia e beijo caliente!

Então, noite adiante-se,
Encontre o dia e
Acabe com essa vigília.

23 de outubro de 2007. 19h06min

LUZ DO SEU OLHAR


LUZ DO SEU OLHAR
(Robério Pereira Barreto)

O teu olhar é raio de luz
Que minha cega alma
Ao infinito prazer conduz.

Guiado pelos seus olhos,
Renovo meu espírito,
Banhando-o na cascata
De sabor magia
Que deles sai.

Ai, só levado a banhar-me
Nesses raios fanais
Como se fosse
Instantes finais.

Irecê-BA, 21h

sábado, 20 de outubro de 2007

MORTE COMO SIGNO DA SOLIDÃO

Webleitora discorre minha poética afirmando que a morte é signo de sustentação para o tema solidão. Vejam o que a leitora:
"A expressão da morte concentra-se na sua poesia como refúgio de solidão. Fantástica e solitária revela-se amena e melancólica exalando de certa forma uma fuga desconhecida, madura quase sentida plemamente com referência a uma escolha... Preserva essa poesia um efeito de embelezamento triste com carícias inigualáveis pelas mãos da morte que sutilmente adentra o peito até o mais profundo sono, o do descanso sem mais sofrer... sofrer a indiferença, a solidão, o descaso, o abanida real é aqui dura, porém a morte vem alentando e introduzindo a paz desejada! Sua poetica contagia e embriaga o leitor delicadamente a imaginar o fim, o auge, o belo, a emoção,por fim a solidão e não estar mais aqui...

QUANDO AS PORTAS SE FECHAM...


Portas fechadas têm
estranha magia...
guardam segredos,
sonhos,
emoções,
sorrisos,
lágrimas,
descobertas,
prazeres...
Quando as portas se fecham
amores acontecem
máscaras caem
sonhos se revelam
palavras se libertam
Quando as portas se fecham
a vida se abre...
a alma se revela
sussurros e gemidos
por detrás das portas
indicam que há vida,
corpos e almas
se fundem em único ser.

No segredo da alcova
o cheiro de estar vivo
na atmosfera escoa
como que dizendo:
quando as portas se fecham
vive-se a vida em demasiada alegria
porque ali tudo é magia
e não há nenhum vigia.

Salvador-Irecê – BA, 20 de outubro de 2007, 11h58min.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

DRAMA NUM ENCONTRO AMOROSO

O sol derramava os seus raios sobre a terra. A tarde estava linda. Dourada, calma e convidativa. O barulho que se ouvia era o canto dos pássaros que faziam a festa de galho em galho, como crianças em período de férias escolares, saltitavam, cantavam, transformando aquele local em um cenário que deixava deslumbrado o maior admirador da natureza, o "Poeta".
A sinfonia dos passarinhos, as borboletas multicores pousando de flor em flor, o murmúrio das águas do riacho, o balançar das folhas quando tocadas suavemente pelo vento, o reflexo dos raios dourados do sol caidos sobre o penhasco, faziam daquela paisagem um cenário ideal para um encontro amoroso. De repente...! No meio de toda essa beleza, surge alguém uma jovem de lindos cabelos pretos, olhar apaixonado... ela anda sem pressa, parece querer usufruir daquela beleza oferecida pela natureza. Andava com graça e elegância. Os raios do sol refletidos em seus cabelos faziam brilhar com maior intensidade. Ela seguia ao encontro do seu amado. O vento soprando delicadamente brincava com os seus cabelos, pouco antes arrumados para o encontro tão esperado.
Mas, ao aproximar-se do local, pára. Falta-lhe o fôlego! Não acredita no que os seus olhos estavam vendo. Um pouco mais adiante, no meio daquelas árvores onde seria o local do seu encontro, ela avista o seu amado nos braços de outra. Sem pronunciar nenhuma palavra, cabisbaixa, perambula sem rumo e sem entender o que estava acontecendo. Depois de alguns minutos, volta ao seu estado normal. E, de sua garganta, sai um grito cheio de dor, lamento e decepção...
__NÃOOOOOO!!!...NÃOOOOOOOO!!!! Ingraaato!!! eu não merecia isso!!!
Pobre jovem apaixonada! Ele não escutava os seus lamentos. Estava bastante entretido com a troca de beijos e abraços com a nova companheira. Repentinamente, no auge do desespero, ela encontra uma solução. Encontra o remédio para curar a sua dor. Atira-se do penhasco. Penhasco esse, que por muitas vezes foi o palco onde vivera muitas das suas cenas de amor.
Os pássaros que sobrevoavam nas copas das árvores silenciaram. A beleza daquela tarde desapareceu como por encanto. Contam certas pessoas que passam por ali, que sempre às sextas-feiras, ao cair da tarde, quando o sol começa a declinar no horizonte, soltando os seus raios sobre a terra, aparece uma jovem vestida de branco gritando:
__NÃOOOOOOO!!!!.... NÃOOOOOOO!!!!...... Ingraaato!!! eu não merecia isso!!
Assim que os raios do sol vão desaparecendo, ela vai desaparecendo junto com eles, deixando atrás de si um eco melancólico e sofrido!
__NÃOOOOOOOO!!!....NÃOOOOOOO!!!.....Ingraaaato! eu não merecia isso!....NÃOOOO!!!.....NÃOOOO!!!....NÃOOOO!!!!

Autoria: Reini Cardoso; Robério Pereira Barreto. et ali., Irecê [BA], 2007. (prelo)
Escrita e revisão: Reini Cardoso; Robério Pereira Barreto
Narração: Estudantes do 6º semestre de pedagogia - Uneb

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

LAB RINTO

LAB RINTO
(Robério Pereira Barreto)

No labirinto de mim mesmo
Desço em todas as ruas a esmo
Em busca de algo e me perco,
Porque nada vejo tampouco conheço.

Na intrépida descida cambaleio
E vejo serenidade na face da morte
E a faceira alegria no espelho da vida.

Assustado, não me acho
Sinto que sou capacho
Desse destino que vadia
Pesando em mim.

Voltar a mim é um alvitre
Nunca estou livre...
À superfície não posso emergir
Sucumbo nas garras do Minotauro;
Solidão!

12 de outubro de 2007, 23h51min

WEBLEITORA DELICIA-SE COM POEMA "CORPO"

"CORPO"
Pleine Lune disse...
Imponderável é o prazer de fazer amor na rede poética de Robério Pereira Barreto... Irresistível sedução...Penetrar nas entrelinhas do seu discurso proporciona um orgasmo múltiplo...a poesia seduz por traduzir o intraduzível com sensualidade, sensibilidade...o desejo de saborear os versos começa com um toque arrepiante das metáforas do poeta...um mergulho profundo nos enigmáticos olhos das conotações...Beijar sua língua(gem) com sabor de erotismo, temperado com chocolate e pimenta...inigualável...Leves mordidinhas na nuca da métrica mais que perfeita... entre gemidos e suspiros as rimas se encaixam...voluptuosamente... Languidamente descansar sobre o ponto final...tesão insaciável...que começa n’O Corpo e só findanapróxima poesia...napróximapoesianapróximapoesianapróximapoesianapróximapoesia napróximapoesianapróximapoesianapróximapoesia napróximapoesianapróximapoesia...

URUBU E O GAVIÃO


Na caatinga sombria e pálida num galho seco de angico, o urubu de bico baixo refletindo sobre sua condição de mensageiro dos moribundos diz:
- Nossa! Neste lugar nada acontece. E isso tem trazido pra mim prejuízos. Vejam como estou magrinho e sem ânimo para voar e procurar comida.
Condoído com a condição de seu parente pobre, o gavião aproxima-se faceiro e cordialmente fala:
- Bom dia, Urubu! Que passa com tão ilustre e temida figura da caatinga?
- Estou triste porque não tenho encontrado comida mesmo neste cenário de seca. Não se morre mais como antigamente. Na caatinga de hoje já não encontro mais esquifes!
- Amigo Urubu, veja que coisa! Eu não tenho passado fome. Sabe por quê? Gosto de comida quente, isto é, sou trabalhador vou atrás. Já você...!
- Pois é gavião, cada um faz o que pode e a vida segue né? De fato, realmente adoro comer um prato frio, ou seja, mortinho da silva!
- Veja aquela Juriti voando vou almoçar agora mesmo veja como se faz!
O gavião em debandada persegue de modo implacável a frágil ave. Aos gritos e velozes batidas de asas, a esperta Juriti voa entre galhos e espinhos pontudos, desvencilhando-se do insensível e faminto gavião. Eis que numa esquina da avenida caatinga, um espigão de mandacaru adianta-se à manobra do pássaro assassino, cravando-lhe o peito. Agonizante clama por socorro:
Juriti, por favor: Tire-me daqui...
A Juriti mesmo ofegante volta e ouve seu pedido e promete: agüente firme gavião, vou chamar seu amigão urubu!
- Nossa! Ele não, não, não...
A Juritir segue para comprir sua palavara. Afinal, palavra de Juriti não pode falhar.
- Urubu? Urubu? Urubu acorde seu depressivo de uma figa!
- Que houve, Juriti?
- Vai salvar seu amigo gavião.
- Por quê?
- Ele se acidentou na avenida mandacaru e está precisando de você.
- Ok. Vou lá.
Aproveitando a corrente de vento norte plaina no ar do sertão, chegando ao local, ver seu amigo gavião em má situação e se aproxima dizendo:
- O que posso fazer amigão.
- Tire-me daqui Urubu!
- Tiro não... ah... ah não tiro mesmo.
- Faça isso não. Preciso viver e pegar aquela Juriti e mostrar a você como é bom almoçar uma comida quentinha.
- Ai é que está o xis da questão, campeão. Se lhe tirar daí, perco a chance de fazer a única refeição que vejo neste cruel e triste sertão. Gavião, sem ressentimento. Mas sou paciente e sempre espero meu almoço esfria. E, tem mais; quanto mais gelado melhor. Então fique frio, por favor.

12 de outubro de 2007.

Robério Pereira Barreto










sábado, 22 de setembro de 2007

PAIXÃO DA MADRUGADA

PAIXÃO DA MADRUGADA
(Robério Pereira Barreto)


Madrugada:
Frio...
E a noite chora baixinho,
Deixando sobre a campina
Sua lágrima;
Jóia rara e fina.


No quarto:
Calor...
Nossos corpos
Em transe aquecem-se
Um sobre outro.


Na fissura:
Suor...
Entre peles
Mina agridoce líquido
Exalado em vapor
A essência do amor.

22 de setembro de 2007, 18h27min.

CORPO

CORPO
(Robério Pereira Barreto)

Dia nubiloso e triste:
Seu riso riscou meu céu
E a chama da vida
Queimou o negro véu
Que até então cobria-me a vista.

Olhos brilhantes:
A paixão faz-me menino
Que brinca traquino
No jardim da existência.

Coração pulsante:
O amor corre
No labirinto corpo
E acalma a alma.

Irecê – BA 15h52min.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

MULAMBO


Ó malvada solidão,
Dilaceras-me o peito,
Mulambeias minh’alma.

Farrapo humano
como estou;
Por ti clamo,
dizendo que triste sou...

Aos prantos me refaço
No afago da vida,
Que piedosa
Acolhe-me no seu regaço.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

IRECÊ: CIDADE CIBERNÉTICA


A título de introdução faz-se necessário informar quais foram os critérios usados para se chegar a essa conclusão. São, na verdade dois os referentes dessa discussão: i) há algum tempo desenvolvem-se observações com vistas à sistematização de tese sobre o ensino de língua materna – escrita – na sociedade de tradição oral. Isto é, Irecê – BA, conforme já dito em outros ensaios é uma comunidade de tradição oral, de modo que sua cultura de letramento é restrita; a ponto de sua história ainda estar sendo contada por aqueles que ainda retêm os fatos e imagens na memória individual e coletiva; ii) Existe também uma interferência direta dos meios de comunicação de massa, representados pelas mídias eletrônicas – rádio e televisão – sendo que este última transmite ao povo local, costumes e comportamentos cuja matriz é do sudeste. Isto ocorre por que a maioria das televisões (99,99%) é ligada à antena parabólicas. Por isso a maioria dos desejos e fetiches sociais, consumistas e culturais tem sua fonte na cultura do sul e sudestes do país.

Por um lado, a questão se alarga quando se percebe que neste lócus não há imprensa escrita com a qualidade necessária para se mudar este quadro de abandono literário e cultural, o qual é carente de produção escrita que valorizem tanto as tradições quanto às necessidades imanentes no que se refere formação de leitores e escritores, conforme se apregoam as políticas nacionais de formação escolástica. Dizendo de outro modo, em Irecê há uma predominância de oralidade acima dos índices nacionais o que o caracteriza com cidade de fala.

Por outro lado, há se tem conhecimento amplo de políticas públicas que incentive a produção escrita e a prática de leitura. Então, eis ai que surgem o espaço para a mídia digital – internete – na qual crianças e adolescentes se fazem usuários efetivos dos ciberespaços e ciberdiscurso, chegando a ocupar, em média 2 horas de seu dia com acessos a sítios eletrônicos e salas de bate-papo que nem sempre levam à pesquisa e muito menos a construção do conhecimento sistemático, uma vez que estes cidadãos cibernéticos já não mais aceitam as mensagens estáticas e conservadoras das mídias televisivas e radiofônicas, comumente encontradas em casa. Isto, sem dúvida tem possibilitado o comércio da informação digital, de maneira que em pesquisa recente verificamos que nesta cidade existem 25 casas de internete – Lan House –, oferecendo acessos digitais a quem quer que seja sem muito controle, isto é, poucas casas digitais realizam o protocolo legal, ou seja, conforme pede a legislação federal; faz-se o registro do usuário de forma correta.

Neste universo digital tem algo muito particular e significativo: os usuários da web estão divididos em conformidade com horário que se dispõe a usá-la. Conforme pesquisado, no período matutino as casas de internete passam a ter movimento a partir das 9 horas da manhã, momento em que boa parte dos usuários, estudantes deixa a escola para irem a tal local para conectarem-se com seus amigos virtuais. No vespertino a lógica se inverte os usuários na maioria das vezes vêm direto a Lan house, permanecendo por lá até fim do horário escolar. O curioso nisso é que tais enunciadores e enunciatários digitais ao serem inquiridos sobre os sítios eletrônicos e quais as finalidades que os acessavam, uníssonos ao afirmaram: acessamos sites de jogos, orkut e menssager para conversarmos com nossos amigos e jogar com eles. Então, por este depoimento pode-se perceber quão a mídia digital está promovendo uma espécie de interação á distância com pessoas que nem sempre terão condições de se encontrarem pessoalmente.

Diante disso há ainda que se destacar a questão do acesso. O mercado da Internet segue o principio o da livre concorrência, isto é, devido à demanda foram se expandindo a rede. Hoje, Irecê – BA tem conforme já mencionado 25 estabelecimentos comerciais oferecendo esses serviços, bem como há alguns espaços públicos com internete pública, porém, estes não correspondem a 10% do mercado privado. Em tamanha vantagem, a iniciativa privada, tem promovido promoções interessantes: Há 4 meses a maioria das casas de internete está com uma promoção tentadora: “acesso por 0,99 a hora” com isso aqueles crianças e adolescentes que compraria lanche na escola por esse valor passaram a gastá-lo com a compra de uma hora de acesso à web, tempo em que lhe possibilita navegar por vários mundos, inclusive lendo informações que jamais a escola e os livros didáticos lhe possibilitariam, sobretudo num rede ensino onde não há bibliotecas com acervos atrativos, além de conhecer pessoas de vária partes do mundo e, assim, trocar informações sobre suas culturas.

Numa dessas visitas de pesquisa ocorreu um fato curioso; uma internauta inquiriu-me:
- Professor, o senhor saber falar estrangeiro?
- Sei inglês e espanhol, por quê?
- É que tenho uma francesa e estou aprendendo a falar com ela. Puts é uma língua massa!”

Neste diálogo, orgulhosa, a internauta continuou a conversa com sua amiga digital, com enunciado lingüístico extremamente híbrido, porém compreensível a ambas. (Em respeito ao sigilo da conversa da minha entrevistada não puder ter acesso aos diálogos, bem como me comprometi em não divulgar nem seu nickname tampouco de sua amiga).

Diante deste contexto, surgem algumas questões importantes a serem discutidas em foros específicos. Ver-se, portanto ai, a necessidade de promover políticas públicas e educacionais nas quais se democratizem os acessos públicos a internete nas escolas, bem como se preparem professores e alunos desde as séries iniciais para que todos possam usufruir os benefícios que a rede oferece.

Assim, todos passariam atuar como cidadãos capazes de lidar com os códigos e mensagens digitais. Nesta primeira faze deste trabalho temos percebido que as crianças e adolescentes tem mais afinidade com a tecnologia do que a escola, isto é, a maioria dos profissionais da educação são ciberfóbicos e, portanto, isso tem dificultado seu trabalho diante da tarefa de ensinar a ler e escrever no mundo das mídias digitais.É diante desses fatos aqui resenhados, se infere que esta comuna está se tornando cibernética á medida que não se têm bibliotecas públicas estruturas, onde estudantes e professores podem pesquisar tanto em livros de referências quanto em sitio eletrônicos especializados. Além disso, aqui e em todo país políticas públicas que favorecem a formação do professor(a) para que estes tenham o domínio das linguagens e mídias digitais, com objetivo de auxiliar na melhoria da qualidade de vida dos estudantes, “cidadãos do mundo!”

domingo, 2 de setembro de 2007

PÓS-MODERNIDADE: A DILATAÇÃO DAS RAIAS IDENTITÁRIAS




Sabe-se que há séculos as culturas foram sendo transplantadas na medida em que os povos foram expandindo seus domínios territoriais. O exemplo típico desse processo é a cultura brasileira, na qual se registram vários elementos das culturas colonizadoras, tendo isto começado com a chegada dos portugueses no litoral brasileiro no século XVI. A despeito de quaisquer discursos xenófobos, é interessante no notar ai a questão da expansão da fronteira cultural e identitária, uma vez que Portugal era visto naquele momento e ainda o é; como cultura fronteiriça, conforme que Santos (2006) ao mostrar que a cultura portuguesa é fruto de uma justaposição de elementos sócio-culturais europeus.

Quanto às identidades, Santos informa que na modernidade elas têm caráter transitório e fugaz, uma vez que não é forte o suficiente para se garantirem no singular, além disso, é importante ainda perceber a semificção na qual se constituem os paradigmas das identidades, até porque quem indaga a identidade se põe em subordinação, colocando-se no lugar do outro na tentativa de encontrar respostas que leve à inferência e ideologia seminecessárias.

Nesse contexto, pode-se citar a poética de Oswald de Andrade a qual surge numa perspectiva irônica e inteligente, desconstruindo os alicerces da hegemonia cultural, deixando expostas às vísceras da ideologia simplista de que seria necessário negar as culturais estrangeiras em nome de uma identidade cultural brasileira. Andrade, artisticamente mostra a necessidade de um canibalismo cultural, chegando a ponto de sugerir um processo de deglutição dos fundamentos das identidades estrangeiras.

Oswald de Andrade demonstrou no Manifesto Pau-Brasil que a mais profunda maneira de se descobrir cultural e identitariamente é por meio da autodescoberta “implicando em presentificar o outro e conhecer a posição de poder a partir do qual é possível a apropriação selectiva (sic) e transformadora dele”. (Santos, 2006, p. 136).

Para Santos (2006) há uma excessiva preocupação sobre lugar da identidade nas ciências sociais, de modo que isto tende a se tornar à pedra de toque de algumas correntes, sobretudo, no que se refere à tentativa de justificar acontecimentos ideológicos e dominantes em determinadas culturas, até porque as identidades nasceram com a modernidade justamente para classificar quem e a qual grupos sociais e culturais pertenciam determinados sujeitos. Eis que ai está o cerne da identidade; a subjetividade. Então, é preciso conceber que é na modernidade que se evidenciam a discussão sobre identidade, visto que é a partir daí que o sujeito se esfacela, perdendo, portanto seus referenciais e, estando, só não lhes outra coisa se não questionar a sua origem. “O conceito de imigração substitui o de raça e dissolve a consciência de classe.” Santos (2006, p. 145). O autor ainda considera importante saber que “as lutas locais e as identidades contextuais tendem a privilegiar o pensamento táctico em detrimento do pensamento estratégico.”

No plano da cultura, impõem-se aspectos dos grupos sociais de uma sociedade, sobretudo, no que se refere à autocriação, pois estes sujeitos buscam em meio às estruturas culturais nas quais, eles construíram suas teias sócio-culturais. “é que a cultura de dado grupo social não é uma essência. É uma autocriação, uma negociação de sentidos que ocorre no sistema mundial e que, como tal, não é compreensível sem a análise da trajectória (sic) histórica e da posição desse grupo no sistema mundial.” (Santos, 2006, p. 148).

Assim, conclui-se que na pós-modernidade tanto os sujeitos quanto as raias que demarcam as identidades são flexíveis e, portanto, instáveis o suficiente para garantir a justaposição de elementos locais e globais quase que simultâneos. Então, falar em identidades é aceitar os paradoxos impostos às comunidades mundiais, uma vez que à medida que se quer global, se reclama as tradições locais na tentativa de auto-afirmação. Dessa forma, poder-se-ia inferir que a pós-modernidade é ponto nefrálgico da humanidade tardia, isto é, há no homem moderno elevado grau de instabilidade quanto a seu desejo de identidade. Nas Américas isto se acentua de maneira sistemática, visto que o processo de colonização cumpriu o papel de miscigenação das culturas. Os fluxos migratórios a sentar às terras de Colombo tornaram-se ponto de discussão sobre identidades por que estes foram resultantes de diásporas, tendo na Europa o epicentro desse processo conflituoso no quais nações supostamente mais desenvolvidas política, cultural, religiosa e economicamente oprimiram àqueles que se mostram resistentes as tais transformações.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

LÁGRIMAS DA PARTIDA



Nas trilhas da solidão
Desfaço meu coração
Em milhões de mim

Tal o vento faz
Com a seca semente
De capim gordura,
Na lonjura do sertão afora.

No meu existir...
Nas veredas da solidão
Derramo meu coração.

Nos carreiros da vida
A alma sozinha...
Aflita colhe margaridas
Nos banhandos das lágrimas
Derramadas na partida.

27 de agosto de 2007, 23h 04min



Robério Pereira Barreto

INTERAÇÃO SÓCIO-CULTURAL ATRAVÉS DO TELEFICÇÃO*

*
Este trabalho discute as interações sócio-culturais criadas pelo consumo na sociedade contemporânea. Portanto, o fulcro é a homogeneização dos sentidos promovida pela teleficção brasileira quando, nelas, são apresentados ícones de beleza e comportamento com intuito de transformá-los em paradigmas e, assim, corporificá-los no cognitivo social, levando ao desejo e à fixação por determinadas condutas, nas quais não se tem estrutura cultural nem política.
Sabe-se que a teleficção produzida no Brasil nos últimos anos, especificamente, a partir da segunda metade da década de 90, perdeu seu fio estético-narrativo. Os autores e diretores passaram a atender às especulações do mercado, isto é, incluíram e ou deixaram espaços em suas tramas novelísticas para a publicidade, na qual os patrocinadores metaforicamente vendem seus produtos ao público, o qual, às vezes, se obriga a adquirir-los para se fazer reconhecido na/pela comunidade à qual pertence. Tem-se, pois, as publicidades de cosméticos e carros cujas mensagens têm públicos específicos.
Conforme afiançam os sociólogos e antropólogos contemporâneos, a Mídia, na atualidade, é o principal elemento de mediação sócio-cultural nos países latino-americanos, tendo na teleficção – novela – seu principal mecanismo homogeneizante das culturas, uma vez que todas as classes e sexos assistem a este programa.
A conglobação das culturas via teleficção é fruto de ações conjuntas entre o Estado e Instituições Privadas que promovem o alargamento das fronteiras dos desejos, isto é, as empresas de mídias, sobretudo, a televisão situam e expandem ideologias do mercado, em contrapartida elevam imagens e soberania dos governos. Para Barbero (2003, p. 141) isto acontece porque há uma substituição na qual se “possibilita a passagem da unidade de mercado à unidade política”, integrando de modo sistemático as culturas consumistas criadas pela teledramaturgia nacional.


Embora sejam recentes as preocupações da academia a respeito homogeneização da cultura novelística brasileira, no que se referem aos padrões de consumo ofertados através de merchandising nos intervalos dos capítulos diários dos folhetins, cuja mensagem publicitária tem levado à massificação de elementos culturais e, às vezes, ao resgate de princípios da cultura subalterna, transformando-os em produto da moda. (Veja-se, pois, o exemplo da personagem Bebel, de Paraíso Tropical, da rede Globo de Televisão, exibida de segunda a sábado às 21 horas, por meio da qual se vende padrões sócio-comportamentais a preços módicos a uma massa de espectadores incultos. Subliminarmente estão ai, intenções consumistas promovidas pelas imagens de espaços que, jamais serão ocupados pela maioria dos consumidores normais. Entretanto, estes construirão no seu imaginário modelos de consumo relativos aos apresentados na teleficção. Imagina-se, pois, que vários espectadores – homens – desejariam ser nem que fosse por um dia um Olavo da vida, ou uma espectadora ser uma Bebel nas calçadas da Copacabana – Rio, uma vez que a representação do espaço é legitimando pelas imagens e o glamour do Rio de Janeiro – Cidade Maravilhosa.

Dito isto, portanto, este trabalho se inscreve numa perspectiva de recensão teórica tanto dos objetos – teleficção nacional – quanto das discussões semiótica e sociológicas que permeiam a cultural televisiva do país.


* Comunicação a ser apresentada no I Encontro de Educação, Marxismo e Emancipação Humana no Território de Irecê, do DCHT, Câmpus XVI, Universidade do Estado da Bahia, Irecê – BA, de 19 a 21 de outubro 2007.
* Imagem captada na internete direto do sitio eletrônico www.diretodoestudio.globolog.com.br

domingo, 26 de agosto de 2007

GÊNEROS TEXTUAIS DAS MÍDIAS, PERSPECTIVAS DE ENSINO DE LEITURA E ESCRITA

Este texto é síntese do projeto homônimo. Com efeito, intui como perspectiva a construção de uma consciência coletiva, na qual os profissionais da linguagem possam de fato, entender que a tecnologia e a mídia fazem parte do novo cenário educativo e processual da aprendizagem. Para tanto, tem nos gêneros textuais sua maior aplicabilidade, de maneira que, tais produções se hibridizam no universo da informação, dando ao leitor maior oportunidade de interpretação.

Antes de se imergir no universo conceitual de gêneros textuais e discursivos que permeiam a mídia, é importante dizer que a sociedade em que se vive hoje, é um espaço de letramento, por isso demanda de novos elementos sintagmáticos e paradigmáticos na compreensão dos processos comunicativos que estão sendo apresentados via mídia de massa aos estudantes em espaços não escolares.

A escola enquanto meio de formação de leitores e produtores de texto não pode desprezar a riqueza dos gêneros discursivos e midiáticos usados pela imprensa para a manipulação das ideologias capitalista e consumista elaboradas pelo Estado.
Desta forma, este projeto está dividido em duas partes: na primeira apresentar-se o pensamento bakhtineano de gêneros textuais; na outra, discutir-se-á a teoria de estruturação, de Giddens e, também questões de semiótica da cultura, a partir de Culturas das mídias de Lucia Santaella e Mídia e modernidade de John B. Thompson.
A compreensão dos gêneros do discurso é segundo a acepção de Todorov (1980), uma forma de “mergulhar” no oceano de signos existentes na sociedade da escrita, imprensa. Esta é aqui compreendida como mídia de massa e os textos produzidos nessa perspectivas ganham segundo orientação de Bakthin (2002), categoria de gêneros textuais, significando que dessa maneira há uma completude nos dois pensamentos.
Marcondes e Meneses (2003) ponderam que, na atualidade, há uma lacuna a ser preenchida pelo professor em sala de aula; ausência de trabalhos com textos de circulação social – jornal, letra de música, anúncios, outdoors – isso leva à negação do estudante como cidadão, o qual percebe que nos espaços não escolares também há letramento[1]. Diante desse contexto, a ação de leitura e escrita na escola deve ser ampliada através da aquisição de materiais midiáticos, nos quais a discursividade é uma marca estilística.
A escola cada vez mais se afasta da realidade lingüística e cultural do cotidiano, porque, às vezes, concentra seu esforço e metodologias na leitura e produção de gêneros escoláticos, esquecendo que escrever é uma atividade que exige basicamente as habilidades de fazer associações de diálogos com outras escritas. Dessa forma, escrever consiste fazer perguntas a uma gama de textos já armazenados no inconsciente individual e coletivo, sendo que neste último, a polifonia torna-se característica da mídia.
Já a leitura para Marcondes e Meneses (2003) é uma ação que está psicologicamente liga à capacidade de se fazer questionamentos, buscando as respostas tanto nos elementos explícitos quanto implícitos no texto, ideologia. Com isso, a presença de textos sociais tanto no espaço escolar como no ambiente não escolar é uma realidade a ser considerada, enquanto mecanismo de ensino-aprendizagem.
O trabalho de produção e compreensão dos gêneros discursivos nas mídias precisa ser visto pelo professor como uma forma importante de comunicação, na qual se aplicam as metodologias de aprendizagem de língua e linguagem. Considerando que os gêneros discursivos veiculados nas mídias, segundo Todorov (1980) são carregados de magia e que trazem consigo, uma fórmula que atrai o leitor-espectador também para o universo de deleite. É justo, portanto, que a escola estude esse material com o mesmo entusiasmo de seus produtores.
Ainda conforme Todorov (1980, p. 424) a criança ao ser estimulada pela leitura de textos variados, sobretudo os que estão fora do espaço escolar e fazem parte de seu cotidiano, a sensibiliza para ampliação de sua capacidade lingüística, uma vez que ela já maneja a linguagem com destreza e magia. “Ao crescer, ela não é coagida a modificar esse hábito, pois as palavras lhe asseguram sempre o domínio das coisas.”
Para Bakhtin (2002) os gêneros discursivos se caracterizam pela apresentação e construção de tema e estilo específicos. Ainda segundo esse teórico, a comunicação humana se dá com base nos gêneros, os quais são determinados tanto pelo espaço formal; escola, quanto pelo informal; mídia impressa. Considerando a tese bakhtineana de gêneros discursivos como elemento estruturador da comunicação interpessoal, Machado (2005, p.139) defende que:
O ensino de produção e compreensão de textos deve centra-se no ensino de gênero, sendo necessário, para isso, que se construa, previamente, um modelo didático do gênero, que defina, com clareza, tanto para o professor quanto para o aluno, o objeto que está sendo ensinado, guiando, assim as intervenções didáticas.

Marcondes e Meneses (2003) sopesam que através da observação e uso sistemático dos gêneros textuais nas mídias impressas, na sala de aula como instrumento de construção de sentidos é, sem duvida, uma maneira de atender ao interesse da escola; desenvolvimento da intelectualidade do estudante por meio de seus textos – livros, ensaios científicos -; e outro é de interesse do aluno, que ler o que é recorrente socialmente, bem como produz textos explorando os discursos do ambiente social.
A leitura é, enquanto prática de letramento, um meio de conhecimento e compreensão de uma realidade social que ultrapassa a idéia de simplesmente codificar símbolos gráficos (Bezerra, Loureiro & Maldonado, 2001). É através da leitura que o indivíduo constrói uma visão reflexiva e crítica da realidade na qual está inserido. Essa concepção de leitura é descrita pelos novos Parâmetros Curriculares Nacionais (MEC, 1999) e as Novas Diretrizes Curriculares para o ensino médio, que propõem uma articulação entre as práticas de leitura escolar e as práticas sociais para que o aluno aprenda de forma contextualizada e desenvolva a crítica ao ler o mundo e ao escrever sobre ele. Esse é o grande desafio da escola, que vai além da alfabetização do aluno, ou seja, ensinar o domínio do código escrito. Cabe à escola tornar o aluno um indivíduo letrado, habilitando- o a usar a escrita em atividades comunicativas e culturais e a compreender o mundo de forma crítica e contextualizada. Embora o meio social e familiar sejam ambientes favoráveis ao letramento, a escola é uma grande influente no desenvolvimento de níveis de letramento. Aqui o termo letramento é tomando com elemento que tem despertado amplas discussões e gerado diferentes concepções entre estudiosos das áreas da educação, da lingüística e das ciências sociais. Para Soares (1998) isso funcionar efetivamente no grupo ou na comunidade significa compreender o mundo da escrita no qual o indivíduo está inserido. Na busca de compreender as implicações da escrita no mundo social, surgiu o termo letramento. Trata-se da versão em português da palavra “literacy”, que vem do latim “littera” (letra), com o sufixo “cy” (condição, qualidade) (Soares, 1998; Ribeiro, 2001). Sob a ótica do letramento, a leitura e a escrita são vistas não apenas como a tecnologia de registrar a fala em escrita, de decodificar a escrita em fala, mas enquanto práticas sociais que possibilitam uma melhor inserção cultural do indivíduo (Soares, 1998).

[1] Atualmente, considera-se que, para o indivíduo inserir-se em uma sociedade letrada, ele precisa ser capaz de compreender textos escritos, mesmo que não tenha o domínio do código escrito, isto é, mesmo que não seja alfabetizado. Ser alfabetizado e ser letrado são condições diferentes. O indivíduo alfabetizado é aquele que domina a tecnologia de ler e de escrever. Já o indivíduo letrado é aquele que usa funcionalmente a leitura e a escrita nas práticas sociais cotidianas, de forma a favorecer sua inserção cultural (Soares, 1998).

AMOR CARTÃO DE CRÉDITO








Você diz que me ama
e aos quatro ventos
meu singelo nome chama.


Quando lhe procuro
não a tenho...
Quando a tenho é riscoso
tal andar sobre trilho no escuro.

Dissimulada, não está
nem ai pro meu tesão.
Se rir não é pra mim, sei!
Depois do pseudo-amor
Gargalha ao relento
de olho no meu cartão.
Louca, quer saber se
ainda no banco da emoção
deixo lhe escapar
os últimos miseros tostões.
Devota ao amor medido
e pago em moeda certa,
pede meu cartão de crédito!
26 de agosto alta madrugada.


















quarta-feira, 22 de agosto de 2007

INTERNETÊS: MEDIADOR PEDAGÓGICO OU INTERFERÊNCIAS LINGÜÍSTICAS?

A mídia digital tendo como mediador o ciberdiscurso que modifica o fazer social, cultural, lingüístico e escolástico da sociedade contemporânea na qual a escola constitui-se no lócus econômico e político das comunidades de falantes, como mais uma possibilidade de ação. Uma coisa é certa: a rede digital traz para a escola uma nova linguagem com vocabulário e aspectos lingüísticos inovadores. Assim, é importante que os profissionais da educação e, principalmente, os professores da Língua Portuguesa entrem em contato com essas novas tecnologias urgentemente. Pois, sabe-se que os governos não têm conseguido atender as necessidades das escolas no que se refere à inserção dos profissionais da educação no universo da informática e, sobremodo, da rede digital. Neste ensaio busca-se apresentar à comunidade educacional, possibilidades de se usar os conhecimentos e recursos da mídia digital – parcos, diga-se de passagem - para aperfeiçoar os mecanismos de construção de leitura, de escrita e de sentido das mensagens veiculadas na “sociedade da imagem”. Quem usa a internet e seu hipertexto constitui-se em atores, cujas perspectivas há muito vêm sendo discutidas com grande insatisfação, pois as ações nesse processo são, normalmente, entendidas a partir da ótica da exclusão. Em outros termos, comenta-se que o acesso à mídia digital é uma impossibilidade por parte da massa proletária de estudantes e com isso, tem-se uma série de desequilíbrios político, social e cultural devido ao afastamento dos estudantes do saber tecnológico proposto pela rede mundial de computadores. Por outro lado, a expansão do interesse pelo uso da mídia digital nas escolas brasileiras já está defasada há décadas, e pede publicação de trabalhos tanto teóricos quanto aplicados ao ensino de linguagem na escola pública. Pensado nisso, traz-se à baila uma visão instigadora das possibilidades que a internet e suas mídias podem contribuir para a ação pedagógica dos profissionais da linguagem, quando estes se referirem às práticas lingüísticas do cotidiano, posto que, na rede digital existem hipertextos que passaram a ocupar o inconsciente coletivo, dando assim um novo entendimento à variedade de campos do saber na literatura, no cinema, na publicidade, na televisão e também na música, sendo estes entendidos sob a ótica do leitor, como elementos subjacentes à comunicação de massa. Nas próximas seções, seguem princípios teóricos e práticos que aludem à prática do professor em sala de aula, como sujeito e objeto da ação de ensinar e aprender a “navegar” nas ondas da fibra ótica e construir interatividade entre a mensagem da rede e o pensamento lingüístico e cultural dos “navegantes do oceano cibernético”. O estudante vive experiência do cotidiano lingüístico digital e com isso transfere seu raciocínio para a prática efetiva da comunicação. Tal acontecimento precisa de orientação metodológica. Portanto, o professor precisa aproveitar essas informações e fazer com o aluno transforme tal bagagem em conhecimento, por meio de uma seleção discursiva. Em outros termos, o profissional da linguagem deve atuar como mediador no processo discursivo do aprendiz, lhe informado que o uso cotidiano da linguagem prática na rede digital não se aplica ao contexto exterior (sala de aula, entrevista de emprego, paquera e, principalmente na prática escrita formal), contudo seus saberes linguísticos digitais são importantes para sua convivência na comunidade internética. Não obstante às críticas, o internetês como tem sido chamado, é uma realidade e por isso precisa ser entendida e apreciada como tal. Se se quer a compreensão de que a língua evolui conforme a sociedade que a pratica avança tecnologicamente, eis ai o resultado; a linguagem prática na internet seja qual for sua maneira traduz de forma singular o processo de modernidade. Dessa forma, a escola, principalmente, no que se refere ao ensino-aprendizagem de língua portuguesa ficou inerte, uma vez que professores de “língua portuguesa” ficaram presos a conceitos superficiais da língua, tendo inclusive engessado o idioma de Machado de Assis às regras gramaticais. O que impressiona na prática lingüística internética são os números. Conforme pesquisas realizadas recentemente, o número de usuários desse veículo aumentou significativamente e, por isso, a comunicação e a língua por eles utilizada têm mostrado avanços no que se refere à dinâmica lingüística. Para Silvia Marconato( 2006), no Brasil, um batalhão de 15 milhões de usuários troca 500 milhões de mensagens por dia por meio do Messenger (MSN), o comunicador instantâneo da Microsoft. O Ibope/NetRatings divulgou em janeiro que o internauta brasileiro continua sendo o campeão mundial da navegação, com uma média de 17 horas e 59 minutos, deixando para trás Estados Unidos, Japão e Austrália. Assim sendo, a revolução do internetês é uma realidade e, portanto, nós, professores de língua portuguesa necessitamos “conectarmos” às suas variantes para na perdermos o rumo e a dinâmica da língua porque a “simplificação da grafia e uso de símbolos aplicam liberdade da fala à escrita; efeito sobre a sintaxe dos jovens pode não ser catastrófico como se imagina” afirma o lingüista Ataliba de Castilho. Num trabalho denominado O professor de português junto ao aluno, usuário de sala de bate-papo na internet (2004), publicado no livro prática de linguagem no contemporâneo discute-se a relação do professor de língua, o aluno e escrita praticada pelos jovens, a partir de princípios da lingüística, tendo no pensamento de Pretti, (2003) o qual assegura que: “a língua funciona como elemento de interação entre individuo e sociedade em que ele atua. É através dela que a realidade se transforma em signos, pela associação de significantes sonoros a significados arbitrários, com os quais se processa a comunicação lingüística” (Pretti, 2003. 12 apud Barreto, 2004, p. 15). A produção lingüística dos internautas tem tirado o sono dos puritanos da língua. Entretanto, tem havido uma preocupação saudável por parte dos estudiosos contemporâneos da língua no sentido de alerta aos professores e, consequentemente aos jovens que, tal prática tem como contexto apenas os ciberespaços. Então, sua realização fora desse contexto soa como erros, devido à permanência da gramática reguladora da produção escrita e, às vezes da fala. Por fim, acredita-se que o internetês configura-se como um mediador da prática lingüística contemporânea, embora seja vigiado pela norma padrão da língua. Não obstante, aos caprichos dos estudiosos ortodoxos da língua os quais o considera como interferência negativa na produção culta, uma vez que já temos muitos problemas no uso da língua padrão. Segundo Chierchia “as línguas, por trás de sua fluidez, têm um esqueleto lógico, e ele permite que nos compreendamos”. Então, é por isso talvez que nos preocupamos com a produção lingüística dos internautas, porque não conseguimos interagir com eles. Tal fato nos tira a ‘autoridade’ que antes detínhamos ao promover a língua no variante padrão (escrita literária) à condição de mestra da boa comunicação e, sobretudo, instrumento de erudição.
Bibliografias
BARRETO, R. P. Práticas de linguagem no contemporâneo. Tangará da Serra: Sanches, 2004 BARRETO, Robério Pereira; BALDINOTTI, Sérgio, Ciberdiscurso e interculturalidade na Web. 2005

NOVELA: RETRATO IDEAL DO COTIDIANO

Antes, porém, afirmo que não tenho intenção de fazer um discurso acadêmico sobre a novela. Apenas discorrei sobre alguns pontos que considero interessantes para que os espectadores possam se orientar quanto à radiografia que os autores e atores fazem do cotidiano, por meio das novelas brasileiras em exibição nesse momento. A novela pode ser apreendida de muitas formas, contudo chamo atenção para dois fatos importantes: a) todas as representações realizadas pelos personagens são verdades que poderiam ser, ou seja, aquilo é o ideal de vida que todos nós pretendemos ter. b) as novelas estão na programação das emissoras de maneira a atender as exigências da marcas que as patrocinam. Dando continuidade à primeira questão acima mencionada, eis a questão: qual é a tendência das novelas atuais? Quebrar tabus! Diriam os mais radicais. No entanto, a tendência das últimas novelas, sobretudo as globais, é trazer à baila as experiências do cotidiano, as quais marcam deliberadamente a rotina das pessoas. “Uma experiência de vida põe em jogo muito mais coisas do que nosso simples gosto, ela põe em jogo nossa própria existência e aquilo que somos.” Afirma Arnaud Guigue. Corroborando com esse lúcido pensamento, pensamos que a novela, por ser uma forma artística cujo objetivo se volta para o relato dos acontecimentos sociais, dando ênfase nas questões dramáticas que tomam conta das minorias, faz com que os espectadores se vejam e, também, criem para si uma maneira ilusória de vida – pelos menos enquanto a novela está no ar – e nesse momento passa a aceitar comportamento que jamais na vida real seriam admissíveis em suas vidas práticas. Exemplifico: Na novela que acabou ontem, tivemos durante 209 capítulos, um misto de romance policial de má qualidade com melodrama cotidiano: Mulher rica que se apaixona por um homem pobre, mas é desprezada por ele estando grávida. Para se vingar, ela oferece a criança à adoção. Pois, bem esse foi o enredo principal da novela de Silvio de Abreu. Se se quiser ser mais dramático ainda, lembremo-nos que esse tipo de acontecimento é a rotina da vida real, inclusive, temos ainda a memória recente, o caso da mãe mineira que jogo a filha na Lagoa da Pampulha, Belo Horizonte – MG. e a crinça foi resgatada por transiuntes. Isso é a novela da vida. Ou parafraseando Nelson Rodrigues, essa é a comédia da vida publica! Contudo, todos somos atores reais e, portanto, temos a vida como palco onde tudo é ao vivo. O público são espectador e juiz ao mesmo tempo, exarando a sentença ao final do primeiro ato. Por isso, a novela e seus personagens – herói e vilão são para nós – um espelho no qual vimos refletir a cada novo capítulo. De tudo isso decorre da nova perspectiva cultural do espectador com as histórias e personagens mostrados na novela, embora a distância entre o real e o ficcional seja tênue há quem afirme que, às vezes, as pessoas elegem para si a maneira de viver e ver “esfera publica” tal qual o personagem em destaque em tal trama novelística. Lembremos por exemplo à manifestação lingüística do personagem Geovani Improta, a forma debocha e pedante de Bia Falcão ao tratar as personagens do núcleo pobre de Belíssima. Essa e outras maneiras têm em si uma mensagem subliminar que nem sempre é vista pelo espectador incauto, o qual se volta para aquilo que, de fato dá sustentação à novela; estilo de vida, moda, viagens, comportamentos sexuais, etc., porque é nessa alienação que os patrocinadores inserem seus produtos, criando necessidades imaginárias nos espectadores que vai de adolescentes à dona de casa. O perfil do atual espectador de novelas no Brasil não mudou muito da década 70 para cá, pois segundo Mário Sérgio Conti em Notícias do planalto (1999), Sánchez obteve através de pesquisas o perfil das pessoas que fazem à audiência da televisão, principalmente da novela: “mulher, casada, com pouco mais de trinta anos, tinha filhos pequenos, era religiosa, romântica e, o decidia tudo o que se comprava na casa, da marca do fogão à roupa do marido e à comida das crianças.” Eis, ai o porquê de termos novela das 18 às 22h. Tendo sumarizado o primeiro tópico, chegamos ao ponto no qual pretendo mostrar como os anunciantes se posicionam em determinadas novelas em detrimento de outras. Na verdade, cada discurso televisivo tem seu público delimitado. Então, pensemos: Porque será que as grandes marcas de produtos de beleza, limpeza e carros preferem os intervalos da novela das oito? Resposta obvia: Maior audiência, porque é nesses horários que os maridos chegam a casa e, junto com a família assistem à trama. Instantes em que se manifestam as identidades e desejos imaginários nos quais conflitos familiares e pessoais ganham destaque, porque se tem nas personagens da novela uma referência. – a minha vizinha tem um fogão igual ao que à personagem tal faz comida, então quero um também – diz a mãe. Minha amiga na escola, tem uma sai igual à Roberta do RBD, pai eu quero uma também! – comenta a filha. E assim, se fecha o ciclo econômico e exploratório criado pela telenovela. Nela a imagem, a trilha sonora, o tom de voz, a linguagem corporal do atores em cada núcleo está consociado com o tipo de patrocinador que irá aparece entre uma parte e o intervalo da novela, completando assim o horário novelístico da televisão. Hodiernamente, de maneira subjetiva, os autores têm colocado em suas tramas questões de comportamento sociais significativa, principalmente no que se refere à sexualidade, religião, política e, principalmente, dramas individuais. Que me perdoem à memória, mas já faz algum tempo que temos nas tramas das oito, relacionamentos homoeróticos, porém é tão falso moralista que dar dó. Por exemplo, na trama de Abreu tivemos um par homoerótico feminino. (Não estou defendendo que se tenha na televisão mais baixaria, ao contrário, acho que esses temas devem ser tratados com respeito, mostrando ao espectador que tal questão é presença real na sociedade e, que todos devem respeitar). Afinal, não temos liberdade de expressão? Então para que tratar desses episódios com divagação? Por outro lado, Tivemos a oportunidade de refletir sobre uma coisa muito; a presença da prostituição masculina, fato que até então, viu-se à presença feminina nesse papel. Enfim, caro espectador de novela, tente ver o que está alem das imagens de lugares, rostos e corpos nus, refletindo sobre o cotidiano no qual a novela real é muito mais interessante do que está “mentira” que nos absorve durante horas diante da televisão. Preferi à discussão com seus familiares dos temas propostos pela teledramaturgia à alienação por produtos ou padrões de beleza e comportamentos morais, sócias e sexuais. Seja um leitor competente e crie para si e seus familiares momentos de descontração nos diálogos reais entre todos! Até porque ao termino da novela tudo que foi discutido sai da moda! Ou será que alguma madame, na sociedade na qual vivemos teria coragem de assumir publicamente uso de serviço amorosos pagos e que preferem meninos ao invés de relacionamentos conservadores? Por fim e discordando de um articulista que publicou num site renomado, um texto o qual traz o título: novela tem o final sem vergonha da história. Digo: talvez esse tenha sido o final de novela, no qual, algumas personagens retrataram realisticamente aquilo que a sociedade pretendia, sobretudo no plano da justiça, dos comportamentos pessoais e sexuais. Convenhamos; qual o quarentão que não fantasiaria tem em seus braços uma ninfeta como as que tiveram o personagem Alberto e seu (sogro e genro); qual a mulher que não têm dentro de si uma Safira da vida, e deseja sempre um Pascoal? Qual a vovô que não sonha de vez enquando com Matheus na sua cama sem complexidade? Conforme anunciei no título, a novela é retrato em cores do cotidiano, porém, somos daltônicos e não identificamos as cores nela contidas. Robério Pereira Barreto, em 08 de julho de 2006.