quarta-feira, 28 de maio de 2008

A MISÉRIA INTELECTUAL CONTEMPORÂNEA: CULTURA DO CONTROL “C” E CONTROL “V”

Gostaria de poder dizer a partir do meu lugar de fala, professor e pesquisador sobre a produção de linguagens e leituras nos meios digitais, que estamos vivendo um instante paradoxal no que se refere à “produção” do conhecimento, uma vez que ao mesmo tempo em que se reclama da falta de bibliotecas públicas para os estudantes buscarem livros para ler e fazerem pesquisas escolares tem-se dados oficiais mostrando o aumento do número de leitores em todo o país, sobretudo daqueles que lêem e produzem ciberdiscurso, isto é, há uma massa de jovens estudantes dominando a técnica e o código da linguagem das salas virtuais, desprezando com isso, a pesquisa em livros de referências.
Há quem defenda esta questão e existem também aqueles que atacam o uso indiscriminado de qualquer um desses meios de acesso ao saber. Na verdade, o que se pode dizer a respeito disso é que tem havido, sobremodo, no meio escolar, inclusive no espaço universitário uma disposição à lei do menor esforço, ou seja, estudantes desde as séries iniciais até a universidade, conforme tenho notado em trabalhos a que me são destinados; a cultura do “copiar e colar”, caracterizando assim a miséria intelectual dos alunos.
Em alguns casos a pobreza é tão grande que o “analfabeto digital” copia e cola na íntegra as informações, sem ao menos se dá ao trabalho de apagar o endereço do site de onde usurpou as idéias. Entretanto, o mais chocante é que, às vezes, alguns “espertos” ao serem solicitados a explicarem o que supostamente produziu, comentem os mesmos erros de conceitos e até de escrita oriundos do texto de origem.
Queria ainda lembrar que a rede mundial de computadores veio para facilitar a vida em muitos aspectos, conforme foram todas as tecnologias até então. Entretanto há pessoas menos cuidadosas que a usam para meios fraudulentos, principalmente, no que diz respeito as produção de trabalhos escolares, sejam eles elementares ou acadêmicos.
Com isso venho acompanhando dois aspectos imprescindíveis à formação do sujeito no que se refere à formação intelectual: O analfabetismo digital dos professores, bem como sua indisposição para leitura sistemática dos assuntos atualizados de sua área de atuação; a preguiça intelectual dos estudantes em debruçarem-se sobre determinado tema, dessecando-o a partir de inferências, resultado de pesquisas e leituras em fontes mais confiáveis. (pensar dói, não é mesmo?).
Dessa forma estamos criando a pretexto de uma inclusão digital, falsos pesquisadores, ou melhor, forjamos a temperatura de Bytes, especialistas em “copiar e colar” idéias alheias, as quais na maioria das vezes é uma síntese rasa de questões importantes para a vida e a intelectualidade dos estudantes.
No campo da leitura a questão se agrava ainda mais, visto que muitos não têm paciência de ler até o final do texto e acaba por ter uma visão caolha do assunto apresentado pelo “autor” que sintetizou a informação a sua maneira. Tenho observado com muita freqüência estas ocorrência no campo da literatura, uma vez que os estudantes não lêem mais as obras originais, mesmo aquelas disponíveis em site especializados (a exemplo disso é o site: www.domíniopúblico.gov.br) no qual o Ministério da Educação e Cultura – MEC disponibiliza obras dos autores consagrados da literatura nacional e universal o qual vive em vias de sair do ar porque não se tem o acesso desejado, uma vez que se prefere copiar e colar os resumos das obras de sites especializados como se fosse de autoria própria; quanta miséria intelectual neste contemporâneo! Como diriam os pessimistas: pode ficar pior quando chegarem às escolas, se é que vão chegar para todos, os famigerados computadores portáteis com acesso à internete, prometidos pelo governo federal. Imaginemos a situação: aqui no sertão onde não há livros para se formar a base da consciência de leitura e escrita, quão geral será a miséria intelectual dos estudantes ao reproduzirem as idéias e pensamentos advindos dos centros digitais e tecnológicos dos pais e do mundo. Alienação total! E nós, professores mais vez continuaremos reféns de todo esse caos programado, como diria o personagem da Juvenal Antena: justamente porque sempre somos os culpados por todas as desgraças do sistema.

HIC ET NUNC

As folhas no outono
Desfalecem nas carícias do vento.
Sob o olhar apaixonado do pôr do sol
Passeiam pela pele do rio
Como se o acariciasse para acordar.

Assim é meu coração nessas manhãs
Em que o frio da solidão o congela
À espera de sua boca acordando
Com afagos calientes...

Na pele corre um ardor
Que queima a alma sem pudor;
Ai tudo é vazio não a tenho
Como o rio tem as folhas de outono
Acariciando-o em infinita devoção.

Hic et nunc sinto apenas saudades
De ser como outrora;
Sua boca aquiescendo às minhas vontades
Em seu prazer de...

28 de maio de 2008, 13h25min
Robério Pereira Barreto