quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

TRASPASO

Planeando entre flores del campo
Mi corazón búscate en el perfume
Despegado de rosas rojas
En el jardín de la pasión
Tal polilla en metamorfosis
Desacoplando sus partes la tierra.

Otro hombre, pienso remontarme
De los pedazos salidos de mi alma
Cuando se negó a sosegarme
En su corazón deliciosamente fragante.

Reuniendo mis restos en nuevo ser,
Voy volar al infinito al encuentro
Del jardín celeste, donde mi alma
Jamás separarse del corazón
Y juntos surgirán fuertes
Para posar en otro jardín.

15 de enero de 2009, 22h32min.
Robério Pereira Barreto

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

OLOR DEL AMOR

No fue accidental que nuestras
Almas se juntaran…
Hoy pintan bello cuadro
Con recónditas imágenes y sueños.

Alrededor de nosotros
Paz, amor y alegría
Constituyen la red de caminos
Donde despegados después de amar
Somos seducidos en la fogosidad
Volamos como pluma suelta al viento.

Cansados de amar fijamos los ojos
Silenciosamente al cielo
Procurando por estrellas
Que esfumándose aclaraban
Pensamientos aún llenos de placer.

Reducidos a nubes sueltas
En cielo repleto de encantos
Cuando aún en el catre celeste,
Fijábamos nuestro olor de placer
En el alma e corazón…

13 de enero de 2009, 21h26min
Robério Pereira Barreto

SONRISA DEL LUNA

La luna en cielo tiene ahora
Como compañeras estrellas
Radiantes tal su sonrisa
En su bello semblante.

El reflejo de esa alegría
Mancha mi espirito de paz
Y corazón de desierto.

Mirar la luna lleva el alma
Al escapismo con fuerza
Del viento tardío en la tarde.

El albor de la luna
Confundirse con irradiación
De su carisma cuando juntos
Habemos otra noche
De luna harta en cielo.

13 de enero de 2009 20h05
Robério Pereira Barreto

EN FINAL

Mírate el cielo, una luz en Gaza
Y un clarín llámate diciendo:
Es el final de los tiempos
Están queriendo matar todos
Con sus bombas Israelitas.
¿Hacen eso por qué?
Somos hijos de mismo Dios.

13 de enero de 2009. 09h05min
Robério Pereira Barreto

domingo, 11 de janeiro de 2009

FORO ÍNTIMO

À Porta de seu coração bati
E, não tendo a chave para abri-lo
Naquele momento, à espera fiquei.

Passados tempos, a li fiquei
Com a firmeza da alma e coração
Ficados na esteira da paixão
A ti dedicada, esperei dar-me
A chave da porta de teu coração.

Chave à mão e coração pulsante
Penetro-te com a leveza da pluma
E a firmeza de um punhal sua alma
Em busca de mim mesmo...

Estanque frente à porta de sua alma,
Perdido na espera...
Esqueci-me de mim.

Na latente calmaria da esperança
De que para mim entregaria a chave
De sua porta sem permissão
Seu íntimo invadi.

11 de janeiro de 2009, 22h04min
Robério Pereira Barreto
Foro íntimo

AFOGADIÇO

No suor de nosso amor
Nos afogamos em prazer
E, ardendo em chamas,
Queimamos corpos e almas
Na lareira da paixão.

No abafadiço da alcova
Respirando boca a boca
Revivemos em longos beijos
O calor de alegrias...

Salvos das chamas de tão
Fumegante vulcão, nosso tesão.
Ainda em compulsão do deleite
Preguiçoso nas carícias quentes
Deleitamos-nos em paixão.


11 de janeiro de 2009. 19h55
Robério Pereira Barreto

sábado, 10 de janeiro de 2009

SIGLO XXI: ¿POR QUÉ EL EXPIRACIÓN DE LOS HERMANOS PALESTINOS?

Hace siglos que tenemos noticia de que nuestros hermanos palestinos son víctimas de los ataques violentos de parte de Israelí. Ahora, nos presentan una guerra sin ninguna razón clara, victimando así niños e niñas que aunque non tiene condiciones de defenderse de los ataques militares de Israelí.
En realidad, el pueblo palestino que vive en Gaza, es victima de su condición miserable y también geográfica. En esto todo hay una cuestión compleja: La resolución de la ONU no ha sido respectada por los comandantes de Israelí, ¿Cual será la razón de existir tal órgano se no se sieguen lo que determinan su comando? Pero no creo que esta sea preocupación sólo de mi parte. Sin hablar en cuestiones humanitarias, puesto que jamás el pueblo palestino fue respectado en todos los sentidos.
Si se deseara señalar una fecha al cambio que sobrevino en el campo de la historia del pueblo palestino en este siglo, no sería del todo desacertado decidirse por 2009, el año en que niños e niños fueran muertos por acciones del ejército de Israelí. Hay también que decir que los motivos para esta tragedia no son clarificados en los jornales internacionales de televisión.
Es verdad que una guerra no puede ser vista como un hecho bueno, pero hay sospechas que se trata de un extermine étnico, todavía es más difícil sin tener ocurrido investigaciones bastante sencilla. Hay también que protestar porque Banda de Gaza ha sido utilizada por equipos no buena intencionadas, y esto lleva Israelí hacer ataques donde niños e niñas inocentes mueren todos los días. Creo que no exista algo que puede justificarse las muertes del pueblo palestino, resulta obvio que esta guerra es desigual, en Palestina inocentes son victimas de ataques militares tecnológicamente organizados, entonces es masacre no guerra.
Nosotros, brasileños ciertamente tenemos dificultad de comprender las muchas razones de esos acontecimientos, una vez que somos pueblos pacíficos y convivimos respectando los hermanos que aquí llegan con sus tradiciones religiosas, política y cultural.
Quién sabe lleguen en los corazones de los jefes palestinos e israelitas la luz de esperanza para que el pueblo tenga paz y lejos de problemas caminen por las calles sin medo y los niños e niñas abran sonrisas bellos como la claridad de la sol de mañanas del Oriente.
De hecho, esta es mis deseos para que la paz sea real para palestinos e Irealistas, puesto que la guerra es la forma más miserable para la resolución de conflictos entre naciones. ¡Paz en el Oriente!

10 de enero de 2009, 18h
Robério Pereira Barreto

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Posted by Picasa

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

FLAMEJANTES LÁBIOS

O chamejar do seu baton
Ao ser umedecido por sua língua
Que ao passear sobre lindos lábios
Despertam a minha boca;
A desejar beijos seus.

Beijos que há tempos quis
Para alimentar a alma
Que, moribunda esteve escondida
E agora com seu ósculo
Renasce para vida...

Renovado pelo toque mágico
Que há no brilho desses lábios,
Caminho nas manhãs como se
A procura estivesse do chamejar
De sua boca para em beijos ímpios
Essa alma libertar.

08 de janeiro de 2009, 23h25min
Robério Pereira Barreto

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

PASSEIO DE DOMINGO

Foi um sonho a gente andar juntos
Mesmo com o sol queimando nossas faces,
Caminhamos abraçados como se no inverno fosse.

Aquilo parecia o sonho que meu coração quis;
Arrepiado no calor daquele abraço
Sentiu-se imensamente feliz.

Hoje, parece que tudo se perdeu
E meu coração sofrendo não esqueceu
De que tudo foi sonho...
Como gelo no calor derreteu.

Passear sem você não dá
E meu coração não é forte
Para sem você caminhar.

07 de janeiro de 2009, 22h04min
Robério Pereira Barreto

FERIDAS

Suas marcas ficaram em mim
Como pegadas na praia
Feitas depois da onda caminhar
Sobre a areia molhada.

Marcado, o coração sente...
E, lembrando o que aconteceu
Entre nós; chora toda vez
Que a memória o trai;
Lembrando dos momentos de amor.

Cada lembrança é brasa
A tocar nas cicatrizes que seu
Carinho e prazer deixaram...

O remédio a curar essa dor
É o bálsamo do tempo
Que tal a onda que volta, apaga
O seu nome que desenhei na areia.

07 de janeiro de 2009, 17h30min.
Robério Pereira Barreto

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

ENSINO-APRENDIZAGEM DE LE E A EDUCAÇÃO PROGRESSIVA DE PAULO FREIRE


Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprender ensina ao aprender. FREIRE

Resumo: Este texto nasce de inferências iniciais da leitura de Pedagogia da autonomia. 30. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2004, de Paulo Freire. Freire, na verdade, é na opinião da maioria dos educadores brasileiros o maior e, talvez, o mais humano dos intelectuais de sua época, pois dizia ele acreditar e gostar de “gentes”. Assim sendo, far-se-á um diálogo inicial com Freire à medida que se direciona as compreensões de sua pedagogia à práxis docente em LE nas escolas públicas, tendo com sujeito dessa reflexão, o estudante-estágiário.

Palavras-chave: Educação; Ensino-Aprendizagem de LE; Paulo Freire.


Este texto nasce de inferências iniciais da leitura de Pedagogia da autonomia. 30. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2004, de Paulo Freire. Na verdade, Freire é na opinião da maioria dos educadores brasileiros, o maior e, talvez, o mais humano dos intelectuais de sua época, pois dizia ele acreditar e gostar de “gentes”.
Acredita-se, antes de qualquer coisa que a obra de Freire é um legado e, portanto, conhecê-lo é uma obrigação. Dessa maneira, inicia-se aqui tal ideário, visando, com isso, entender os por quês de nossa sociedade ser tão complexa e desigual no que se refere aos problemas enfrentados pelos profissionais da educação para assegurar o acesso e a permanência dos sujeitos das classes subalternas à escola, lugar de aprendizado e relações entre mundo social, político e cultura de cada um dos atores educacionais.
Nesse viés, faz-se um recorte rápido para o ensino de línguas materna e estrangeira, destacando a LE, pois esta é considerada pela maiorias dos professores uma questão complexa, posto que os estudantes não se interessam muito pelos saberes possíveis de se adquirir à medida que se aprende uma segunda língua. Assim sendo, far-se-á um diálogo inicial com Freire à medida que se direciona as compreensões de sua pedagogia à práxis docente em LE nas escolas públicas, tendo com sujeito dessa reflexão, o estudante-estágiário.
Para Freire (2004, p. 38) “é fundamental na prática da formação docente, o aprendiz de educador assumir que o indispensável é pensar certo...” Ainda segundo Freire “é preciso, sobretudo, e ai já vai um destes saberes indispensáveis que o formando, desde o princípio mesmo de sua experiência formadora, assumindo-se como sujeito também da produção do saber, se convença definitivamente de que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção.” (FREIRE, 2004, p. 22).
O ensino de língua coloca problemas específicos ao docente, de modo que sua resolução se dá de acordo com o lócus e sujeitos envolvidos na aprendizagem. Dessa maneira, o estudante-estágiário localiza-se diante de cada situação de ensino-aprendizagem requerido pela comunidade na qual ele pretende atuar com sujeito transformador da práxis existente.
Nesse sentido, o ensino de línguas estrangeiras é um dos domínios do vasto campo das ciências da linguagem que enfrenta, ainda hoje, um problema de identidade. Embora o PCN-LE deixe claro sua importância para o desenvolvimento sócio- lingüístico dos estudantes, uma vez que é a partir da aquisição de uma segunda língua que os aprendizes ampliam seus horizontes culturais nesse mundo contemporâneo cheio de diálogos entre as múltiplas linguagens das culturas globalizadas; ainda há resistência por parte do alunado das escolas públicas. Portanto, nas palavras de Freire, conforme seguem o estudante – estagiário que pretende atuar de maneira transformadora deve sempre levar em conta que:

Nenhuma formação docente verdadeira pode fazer-se alheada, de um lado, do exercício da criticidade que implica a promoção da curiosidade ingênua à curiosidade epistemológica, e de outro, sem o reconhecimento do valor das emoções da sensibilidade, da afetividade, da intuição ou adivinhação. (FREIRE, 2004, p. 45).

Por isso é que, na formação permanente dos professores, o momento fundamental é o da reflexão crítica sobre a prática. (FREIRE, 2004, p. 39). Logo, o estudante-estágiário precisa se convencer de que sua ação pedagógica pauta-se na reflexão de que o ensino de LE nas escolas brasileiras tem enfrentado grandes dilemas, posto que se trate de uma disciplina na qual os saberes até então têm se pautado na transmissão do conhecimento gramatical, o qual vem sendo apresentado no ensino-aprendizagem de LE na atualidade como a principal maneira de se aprender LE.
Isso sem dúvida contraria o pensamento de Freire: “A força criadora do aprender de que fazem parte a comparação, a repetição, a constatação, a dúvida rebelde, a curiosidade não facilmente satisfeitas, que supera os efeitos negativos do falso ensinar. (FREIRE, 2004, p. 25). Isso ocorre segundo Freire (20004) numa perspectiva progressista de educação, na qual o aprendiz é levado a construir em conjunto os demais atores educacionais seus saberes. Nesse sentido há razões ideológicas que perfilam os saberes na sociedade contemporânea e os promovem ao status de segregação, posto que, o conhecimento quando se é imposto, logo ocorre à fissura dos sujeitos sociais que o realizaram.
Em realidade, é assim que tem sido a práxis dos professores de LE, sobremodo, nas escolas públicas brasileiras que, só recentemente, passou a receber livros didáticos de língua inglesa.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia. 30. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2004.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

CASA DEL AMOR.

En la casa del amor, corazón
Han vivido sensaciones extrañas
E tan diferentes que ha partido
El cuerpo en dos seres.

Cada uno se exilias en su cuarto
En la casa del amor, corazón
Haciéndome solo en mi propio ser.

En la noche es más espinoso
Caminar, hace oscuridad,
Mis ojos sieguen disolutos,
Sin rumbo cierto los pasos…

Así tengo recelo de hundir
Na penumbra de la alma
Y morir de desolación
Sin su amor…

28 de diciembre de 2008, 19h
Robério Pereira Barreto

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

FELICITAÇÕES NATALINAS

Caros webloggers,

Quero agradecê-los pelos acessos a este nosso espaço, bem como as leituras feitas e comentários aos textos aqui postados. Aproveito a oportunidade para reafirmar o propósito desse diário eletrônico dizendo: Aqui são postados poemas, idéias, ensaios e artigos que considero na minha ainda incipiente trajetória de pensador, singelas contribuições para a reflexão sobre o fazer cotidiano dos estudantes e profissionais da linguagem que buscam interação com o mundo e as realidades pensadas a partir dos uso das linguagens, as quais têm nas tecnologias intelectuais (escrita, internet, rádio, televisão, etc.) espaço de mediação tecnopedagógica. Ainda nesse espírito de confraternização, desejos a todos que visitam esse espaço um FELIZ NATAL e, que, em 2009, todos os sonhos sejam realizados, fazendo-nos cada vez mais pessoas humanas e felizes de acordo com aquilo que somos e temos.
FELIZ NATAL
NATAL FELIZ
É ENCONTRAR EM NÓS MESMOS
O ESPÍRITO DA PAZ E A ALEGRIA
DE VIVER EM HARMONIA
COM OS IGUAIS E DIFERENTES.

IRA

Chegou à casa da alma
E não a tenho...
O coração não disfarça...
Disparando pulsar galopante
Desperta a ira da alma.

Angustiada a alma
Reclama tamanha ilusão
Por que não achar isso
Simples capricho
OU
Ira do malvado destino
Que faz desse amor;
Ínfima chama?

Qualquer seja não tens
O direito de apagá-la
Num simples vento;
Aceno e do adeus!

19 de dezembro de 2008. 14h51min
Robério Pereira Barreto

sábado, 29 de novembro de 2008

DESCONFIANÇA

Há na alma a dor e a angustia
Que espreitam o peito
Como a ave de rapina
Vigia sua presa por entre
As frestas dos galhos.

Oh tempo, tu que sois
Demiurgo do mundo
E agora é nosso aliado e algoz.

Na hora certa falará por nós
E, Quiçá na sua sentença
Defenda-nos e nos faça
Alma una.

29 de novembro de 2008, 23h04min.
Robério Pereira Barreto

CAIXA DO TEMPO

A cada morte da noite
Nasce uma manhã
Que também pouco
Viverá entre a dúvida
Do amor e da dor do medo.

Nesse lapso de tempo
Vivemos entre o tempo
De ter medo e o desejo de amar
Como se ao final de cada hora
Tudo fosse terminar.

Emergente, a alma se lança
Ao mundo dos sonhos a recuperar
O tempo na gangorra: amor e medo...

29 de novembro de 2008, 21h37min
Robério Pereira Barreto

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

A DOCILIZAÇÃO DO CORPO FEMININO EM TERRA FRIA, DE NIKI CARO

A DOCILIZAÇÃO DO CORPO FEMININO EM TERRA FRIA, DE NIKI CARO
Robério Pereira Barreto*


RESUMO: Este texto faz a discussão sobre a não violência contra a mulher, promovida da Universidade do Estado da Bahia – UNEB – em todos os seus campi, tendo sido intitulado 16 de dia da não violência contra a mulher. Nesse sentido, recortou-se como tese o processo de docilização do corpo feminino no social. Para tanto, teve como corpus a narrativa fílmica Terra fria (2005), de Niki Caro. Que tem como protagonista Josey Aimes a qual é agredida em casa pelo marido e mais tarde, ela passa a ser discriminada e sofre assédio sexual dos colegas de trabalho na mina onde consegue emprego. Caro capta esse ponto de maneira eficiente ao mostrar parte do rito de iniciação por que passa Josey, isto é, ela tem seu corpo invadido simbolicamente no ato da admissão – passa por exame ginecológico. Mais tarde, Para reaver os direitos ignorados pelos integrantes do quadro de funcionários da mina, ela vai à procura a Justiça.

Palavras-chave: Assédio sexual; Docilização do corpo; Violência; Mulher.


Este texto faz a discussão do processo de docilização do corpo feminino no social. Isso há muito é presente na cultura humana e, que a mulher é um ser inferior e, portanto, deve ser submetida às vontades dos homens que fazem parte de suas vidas – pai, irmão, filho, professor, chefe, etc. Para se verificar isso se toma como recorte à narrativa filmica Terra fria (2005), de Niki Caro. Para tanto se usam como fundamentação teórico-metodológica os estudos pós-estruturalistas de Michael Foucault (1999) e Irving Goffman (2005). Por se tratar de uma temática de caráter socialmente relevante.
Entretanto, esclarece-se a priori que e, até por força de formação acadêmica; não se pode considerar esse estudo como um olha jurídico ou algo assim. Ao contrário, trata-se, na verdade, de uma análise sobre o discurso e o contexto em que se realizam as cenas do filme. Por outro lado, busca-se fazer uma relação com os acontecimentos e realidades noticiadas pela mídia local e nacional, no que se refere à violência empregada contra as mulheres na sociedade atual.
Com efeito, a docilização do corpo social, sobretudo, do corpo feminino é fruto de uma cultura que advém de tempos remotos e, inclusive, há registros na Bíblia que dão a seus exegetas a condição de tratar a mulher como meros receptáculos de suas necessidades, gerando assim, as condições ideais para que elas [mulheres] sejam profanadas em seus direitos civis e individuais.
Em Terra fria, Niki Caro mostra de maneira significativa por meio de uma adaptação de acontecimento real, ocorrido no tribunal de Minissota, EUA, em 1998, aquilo que Foucault considera a mudança de comportamento do corpo social e individual. “O suplício tornou-se rapidamente intolerável. Revoltante, visto da perspectiva do povo, onde ele revela a tirania, o excesso, à sede de vingança e o cruel prazer de punir” (FOUCAULT, 1987, p. 69).
Dessa forma, ver-se que essa questão são resquícios de uma sociedade em que os conceitos de masculinidade sobrepõem a vontades e direitos femininos, deixando a mulher ainda em desvantagens com relação aos lugares sociais de fala e produção com relação homem. Tem-se, prova disso, a demora em se criar uma legislação adequada para atender a esses casos. Somente em agosto de 2006, o Governo federal sancionou a norma que criou mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, a Lei 11.340, conhecida como Lei Maria da Penha.
O preconceito e a imposição dos direitos exclusivamente masculinos ainda são presentes até nas sociedades que declaram ser democráticas. O filme Terra Fria, da diretora Niki Caro, mostra como, nos Estados Unidos da década de 80, as mulheres ainda não tinham seus direitos igualmente respeitados pelos homens. Na história, Josey Aimes sai de casa por causa das agressões do marido e volta para sua cidade natal para morar com os pais. (A novela A Favorita – Rede Globo – retratada por meio da personagem Catarina, obscuridade das agressões físicas e psicológicas promovida por maridos e companheiros de trabalho às mulheres, através da figura dramática do marido Catarina; violento e canalha, Leo).
No caso de Josey Aimes, no entanto, seu pai não concorda com a decisão da filha e a acusa de ser a culpada pelo fim do casamento ao ver as marcas de agressão no seu rosto, mantém-se a favor do agressor, pois acredita que Aimes traiu o marido e, portanto, mereceu tal “correção”. Além disso, Hank ver na filhas e netos aumenta as despesas domésticas.
O filme, que, em sua maioria, apresenta uma narrativa não linear, começa com cenas de Josey arrumando suas coisas e as de seus dois filhos para abandonar a casa. A seqüência é montada com cenas em que a personagem principal apanha. Em nenhum momento, mostra-se o agressor, que de certa forma é uma maneira de retratar a realidade, uma vez que a maioria dos casos de agressão e assédio sexual os agressões submetem às vítimas a pressões psicológicas paralisantes, de modo que algumas adquirirem a síndrome de Stocolmo – que segundo especialistas é quando a vítima sofre tanto na mão do algoz que acaba se apegando a ele. No caso da narrativa de Niki Caro, a violência domiciliar é subentendida pelo cenário do crime, cozinha de uma casa destruída, indicando que houve lutar e agressão ali.
Em seguida, ver-se Josey sair correndo de sua residência com os dois filhos: uma menina de aparentando 8 anos, e um adolescente de 14 anos. Eles pegam o carro e vão para a estrada em busca da cidade natal de Josey, no norte do estado de Minnesota (EUA). Interessante é notar que, na recepção familiar, os três são bem recebidos pela mãe da protagonista. Entretanto o pai não concorda com a mudança da família. Ao ver que Josey tinha marcas de agressão no rosto, conclui que ela tinha traído ou feito algo contra o marido e que, merecidamente, havia apanhado. A protagonista promete que não ficará na casa dos pais e que, por conseguinte, não trará despesas. Ela afirma que quer arrumar um emprego. O pai não acredita que ela vá conseguir. Porque talvez por ele faça parte e conheça os ritos de iniciação pelos quais as mulheres passam. O que de acordo com Goffman (2007) é normal em instituições, mesmo que não sejam consideradas totais, mas são dominadas por um grupo cujo poder é mantido pela força. Nesse caso, a mina é dominada pela perspectiva de poder dos homens que, seguindo seus instintos disputam o lugar à força. E, portanto, ver na mulher uma ameaça tanto seus postos de trabalho quanto à legitimidade de sua força.
Josey, aconselhada por uma amiga, arruma um emprego em uma mineradora, onde a maioria dos funcionários são homens. Lá, ela passa a ser discriminada e sofre assédio sexual dos colegas. Segundo Goffman (2007, p. 49) “a tensão psicológica frequentemente criada por ataques ao eu pode também ser provocada por questões não-percebidas como ligadas aos territórios do eu [...]” levando o indivíduo à aceitação de princípios que levam à docilização do seu eu e corpo devido a uma necessidade individual o coletiva.
Caro capta esse ponto de maneira eficiente ao mostrar parte do rito de iniciação por que passa Josey, isto é, Josey tem seu corpo invadido simbolicamente no ato da admissão. É submetida a exame genicológicos e, em seguida, é alvo de comentários infames por parte do chefe quando este diz que o médico lhe afirmou que, Josey é muito bonita nua.
Tratando da problemática que envolve o ingresso dos indivíduos em instituições totais, Goffman corrobora dizendo que: “Os processo de admissão, que tiram do novato os seus apoios anteriores, podem ser visto como a forma de a instituição prepará-lo para começar a viver de acordo com as regras da casa” (GOFFMAN, 2007, p. 50).
Para reaver os direitos ignorados pelos integrantes do quadro de funcionários da mina, ela vai à procura a Justiça. Porém, essa ação é vistos pelos colegas como uma afronta e por isso passam a ameaça e física e psicologicamente.
Ao chegar ao local, ela e outras mulheres escolhidas no processo seletivo são apresentadas ao trabalho e vão conhecer a mina. Ao voltarem ao vestiário, têm as primeiras provas do preconceito e da agressão moral: os homens picham xingamentos nas paredes do local.
Nesse sentido Goffman (2007) afirma que: “os castigos e privilégios são modos de organização peculiares às instituições totais. Qualquer que seja a sua severidade, os castigos são em grande parte conhecidos, no mundo externo do internado, como algo aplicado a animais e crianças;” (GOFFMANN, 2007, p. 51). Durante os dias, ela e as colegas são motivos de brincadeiras de mau gosto e assédio sexual dos colegas. Josey passa a ser alvo dos ataques de um ex-namorado, que faz questão de lhe “passar cantadas” e chamá-la de nomes de baixo calão.
Ela reclama com o chefe do departamento, mas ele diz que ela é quem está no lugar errado e, que se quiser permanecer no emprego tem que aceitar o que os outros fazem com ela. A personagem principal do filme tenta mobilizar as colegas para evitar novas agressões. No entanto, elas demonstram que são conformadas com a situação e que não acreditam que as coisas possam ser mudadas.

O corpo, do qual se requer que seja dócil até em suas mínimas operações, opõe e mostra as condições de funcionamento próprias a um organismo. O poder disciplinar tem por correlato uma individualidade não só analítica e celular, mas também natural e orgânica.” (FOUCAULT, 1987, p. 141).

Além de enfrentar problemas no trabalho, Josey ainda é obrigada a encarar o preconceito tanto do pai quanto do filho dentro de casa. No desencadear da história, descobre se que o menino, Sammy, não é fruto do relacionamento dela com o ex-marido. Em cenas de flashback, apresentam-se imagens de Hank conversando com Josey ainda adolescente e a garota afirmando estar grávida e não saber quem é o pai. Em outras cenas, personagens secundários fazem comentários sobre a fama de Josey quando era mais nova, falando que ela teria tido relacionamentos com diversos homens. O ápice dos problemas familiares de Josey acontece durante uma partida de hokey da qual Sammy participava.
Não obstante de o garoto ser um bom jogador, os colegas de time dizem que não fariam com que Sammy participasse das jogadas devido à fama ruim da mãe dele. Durante o intervalo do jogo, ela e um amigo vão comprar um lanche. Neste momento, Josey escuta alguém chamando seu nome. Uma mulher que se identifica como esposa de um dos mineradores a xinga e afirma que Josey se insinua para os homens com quem trabalha. Todas as pessoas que estão no ginásio escutam a discussão, inclusive Sammy. Ao terminar a partida, o garoto pede para que sua namorada avise Josey que ele não voltaria para casa. Desesperada, a mãe arranca o filho à força do carro da namorada. É neste momento que ela se dá conta de que o preconceito e a violência não estão somente em seu ambiente de trabalho. Ela percebe que não consegue respaldo nem nos homens de uma nova geração, que é o caso do filho, nem mesmo nas colegas que se conformam com a realidade vivida por muitas mulheres da cidade.
No entanto, surge a partir daí, um contraponto. Bill White é um amigo de Glory e seu marido e aparece em cena pouco antes do desenvolvimento das confusões vividas por Josye. Mas é no instante da briga com seu filho que ele ganha importância na seqüência cinematográfica. Bill é um advogado e ex-jogador de hokey conhecido na cidade. Ele se torna o ponto de apoio da protagonista e é a prova de que nem todos os homens a tratariam mal e que ela poderia contar com a Justiça para reaver seus direitos.
No início do filme, Josey está em uma lanchonete com os filhos quando é reconhecida pelo dono da mina. O homem se apresenta a ela e diz que, quando precisar, pode procurá-lo. Após observar o comportamento dos colegas de trabalho, ela decide marcar uma reunião com o proprietário da mina para contar-lhe o que acontece lá. No entanto, ao chegar ao escritório é surpreendida com a presença do chefe de departamento na sala da diretoria.
Durante a conversa, os dois falam que ela quer assinar a demissão. Ao negar o fato, a mulher é acusada de subverter os colegas. Os dois dizem que ela só permanecerá no emprego se passar a se comportar.
Josey volta para sua cidade e procura Bill pedindo para que ele a represente judicialmente, já que quer abrir um processo de assédio sexual contra a empresa e seus colegas. Apesar de recusar a causa no primeiro instante por ser algo inédito, ele decide ajudar a amiga. Josey procura as colegas de trabalho e pede para que elas concordem com o processo e façam uma ação de classe. Mas, não consegue o apoio. A mãe de Josey resolve ficar ao lado da filha e, cansada dos comentários maldosos do marido, sai de casa.
Josey não se cansa e age mais uma vez. Durante a reunião do sindicato, pede a palavra e diz que todos ali deveriam ter respeito pelas mulheres. Vaiada, ela tenta continuar o discurso. Hank não suporta ver a filha ser humilhada e pede silêncio. Ele afirma que ela tem direito de falar já que é sindicalizada como os outros presentes. Este é o momento em que o pai muda de lado e passa a apoiar a filha.
Todo o filme é entremeado com cenas de um tribunal. Mas é, no final que o local torna-se o principal cenário. Durante o julgamento, os advogados de acusação afirmam que
Josey estaria mentindo em relação às tentativas de estupro e assédio sexual, justificando que, no passado, ela já teria se relacionado com diversos homens. Tanto que ninguém saberia quem era o pai de seu filho mais velho. Bill utiliza o argumento e a presença de um dos acusados de ter assediado Josey para reverter o caso. Ele faz com que o colega da protagonista, que também fora namorado da mesma no passado, confirmasse a declaração de que Josey teria sido estuprada por um professor, quando ainda era adolescente. Ele confirma que viu o fato, mas sempre acreditou na versão de que ela teria um “caso” com o ex-professor.
Nesta relação, ela ficou grávida. Bill só conseguiu a confirmação do homem após chamá-lo de covarde, por não ter ajudado a garota enquanto ela era violentada. O fato despertou a atenção de outros presentes ao julgamento. Apesar das revelações, Josey ainda não tinha alcançado seus objetivos. O juiz disse que se ela conseguisse arrumar três testemunhas que confirmassem o assédio dentro da empresa, venceria a ação. Ela já tinha conseguido o apoio do pai e de Glory que, apesar de estar doente e não poder falar sem a ajuda de aparelhos, fez questão de estar presente ao tribunal para ajudar a amiga. Após mexer com o brio dos presentes, Bill faz com que as colegas de trabalho assumam que também passaram por problemas dentro da empresa. Outros homens confirmam o fato. Josey vence a ação e abre precedente para que se crie uma política contra assédio sexual.
Fatos como o de Josey são freqüentes em nossa sociedade até hoje. Diariamente, mulheres procuram a delegacia especializada para relatar as agressões que sofrem dentro de casa. No entanto, algumas não agem contra a violência domiciliar. Muitas aceitam a situação por dependência financeira, outras por medo de que as agressões se tornem mais fortes. No entanto, a polícia tem buscado conscientizar essas mulheres de que é preciso denunciar, em especial agora em que há uma legislação específica para os crimes cometidos
dentro de casa e nos locais de trabalho contra a dignidade física, moral e psicológica das mulheres
Mas vale ressaltar que não é somente a violência física que deve ser denunciada pela
mulher. Josey é um exemplo de que a violência ocorre em todos os níveis. Quando jovem, ela foi estuprada e, após começar a trabalhar na mina, foi “agarrada” por um de seus colegas. No entanto, não foi somente isso que fez com que ela entrasse na Justiça contra os funcionários e a empresa. Xingamentos e insinuações contra a moral de Josey é a prova de que as mulheres ainda enfrentam problemas relacionados à moral.
O Estado tem consciência de que a mulher ainda tem dificuldade de exercer seu papel na sociedade, em especial pelo preconceito. Tanto é que, em 13 de setembro de 2002, o Governo promulgou o decreto nº 4.377 em que afirma saber que “a discriminação contra a mulher viola os princípios da igualdade de direitos e do respeito da dignidade humana, dificulta a participação da mulher, nas mesmas condições que o homem, na vida política, social, econômica e cultural de seu país, constitui um obstáculo ao aumento do bem-estar da sociedade e da família e dificulta o pleno desenvolvimento das potencialidades da mulher para prestar serviço a seu país e à humanidade”
Durante a palestra, Tereza afirmou que “ser feminista é ser contra a cultura estabelecida”, em que os conceitos machistas se sobrepõem. Não é necessário conhecer os conceitos feministas ou ser adepta deles para se defender os direitos. O que as mulheres querem é que a regras sejam seguidas, com o cumprimento do inciso I e do caput do art. 5º da Constituição Federal em que “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer
natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade” e onde “homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações”.
Assim sendo, o respeito à pessoa dever ser uma prática cotidiana na vida de todos sem distinção. Todavia, a realidade tem mostrado o contrário e os indivíduos têm se apoderado do poder, inclusive nas instituições onde deveriam combater tais práticas. Nesse sentido, Niki Caro com sua narrativa dramática coloca à descoberta todo um processo de subjugação do corpo feminino no social, em nome de uma hegemonia masculina cuja cultura tem mostrado que a cada dia vem perdendo espaços devido à percepção de que determinadas funções que até então eram masculinas tem sido muito bem exercidas por mulheres.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir. Petrópolis, Vozes, 1987.
GOFFMAN, Erving. Manicômios, prisões e conventos. São Paulo: Perspectiva, 2007.CARO, Niki. Terra fria. 2005.
* Professor de Lingüística, Linguagens e Literatura da UNEB – Campus XVI – Irecê – BA.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

PUERIS EFÍGIES

Era manhã e os olhos
Ainda preguiçoso sob o
Resplandecer da alvorada
Viram-te aparecendo do nada.

Coração e mente reviveram
Anos num instante;
Pueris imagens sufocaram
O peito e num ímpeto, lhe quis
Como se antes tivesse sido minha.

Agora, efígies não vividas
Invadem-me a alma que,
Em abastança vazia
Nutre-se do passado
Que nem se quiser existiu.

27 de novembro de 2008, 18h.
Robério Pereira Barreto

ESCRAVO DO AMOR

À alma solitária
E escrava desse amor
Premio-te com o clamor:
Oh, minha senhora;
A cada instante em que se
Lembrar de quem eu sou
Sofra a angústia de ter
Me feito sentir um sofredor;

A esse coração que em queixas se esvai
Dou-lhe a chance de sentir seu algoz
Nos instantes infernais que,
Ao lembra-se de que
A paixão e o amor por ti
O fizeram um ser bestial.

Oh, Escravo do amor...
Cumpras teu destino;
Seguem sem reclame nem dor.

Oh, Escravo do amor...
Sufoque-se em seu soluços...
Mutile sua própria pele...
Afogue-se nas lágrimas vertidas
Na dor de se afastar de sua Senhora,
Mate-se com o punhal da solidão...

BARRETO, R.P. In: BARRETO, R.P. Bramidos da solidão, Irecê [BA] edição do autor, 2007, p.63.