sexta-feira, 28 de novembro de 2008

A DOCILIZAÇÃO DO CORPO FEMININO EM TERRA FRIA, DE NIKI CARO

A DOCILIZAÇÃO DO CORPO FEMININO EM TERRA FRIA, DE NIKI CARO
Robério Pereira Barreto*


RESUMO: Este texto faz a discussão sobre a não violência contra a mulher, promovida da Universidade do Estado da Bahia – UNEB – em todos os seus campi, tendo sido intitulado 16 de dia da não violência contra a mulher. Nesse sentido, recortou-se como tese o processo de docilização do corpo feminino no social. Para tanto, teve como corpus a narrativa fílmica Terra fria (2005), de Niki Caro. Que tem como protagonista Josey Aimes a qual é agredida em casa pelo marido e mais tarde, ela passa a ser discriminada e sofre assédio sexual dos colegas de trabalho na mina onde consegue emprego. Caro capta esse ponto de maneira eficiente ao mostrar parte do rito de iniciação por que passa Josey, isto é, ela tem seu corpo invadido simbolicamente no ato da admissão – passa por exame ginecológico. Mais tarde, Para reaver os direitos ignorados pelos integrantes do quadro de funcionários da mina, ela vai à procura a Justiça.

Palavras-chave: Assédio sexual; Docilização do corpo; Violência; Mulher.


Este texto faz a discussão do processo de docilização do corpo feminino no social. Isso há muito é presente na cultura humana e, que a mulher é um ser inferior e, portanto, deve ser submetida às vontades dos homens que fazem parte de suas vidas – pai, irmão, filho, professor, chefe, etc. Para se verificar isso se toma como recorte à narrativa filmica Terra fria (2005), de Niki Caro. Para tanto se usam como fundamentação teórico-metodológica os estudos pós-estruturalistas de Michael Foucault (1999) e Irving Goffman (2005). Por se tratar de uma temática de caráter socialmente relevante.
Entretanto, esclarece-se a priori que e, até por força de formação acadêmica; não se pode considerar esse estudo como um olha jurídico ou algo assim. Ao contrário, trata-se, na verdade, de uma análise sobre o discurso e o contexto em que se realizam as cenas do filme. Por outro lado, busca-se fazer uma relação com os acontecimentos e realidades noticiadas pela mídia local e nacional, no que se refere à violência empregada contra as mulheres na sociedade atual.
Com efeito, a docilização do corpo social, sobretudo, do corpo feminino é fruto de uma cultura que advém de tempos remotos e, inclusive, há registros na Bíblia que dão a seus exegetas a condição de tratar a mulher como meros receptáculos de suas necessidades, gerando assim, as condições ideais para que elas [mulheres] sejam profanadas em seus direitos civis e individuais.
Em Terra fria, Niki Caro mostra de maneira significativa por meio de uma adaptação de acontecimento real, ocorrido no tribunal de Minissota, EUA, em 1998, aquilo que Foucault considera a mudança de comportamento do corpo social e individual. “O suplício tornou-se rapidamente intolerável. Revoltante, visto da perspectiva do povo, onde ele revela a tirania, o excesso, à sede de vingança e o cruel prazer de punir” (FOUCAULT, 1987, p. 69).
Dessa forma, ver-se que essa questão são resquícios de uma sociedade em que os conceitos de masculinidade sobrepõem a vontades e direitos femininos, deixando a mulher ainda em desvantagens com relação aos lugares sociais de fala e produção com relação homem. Tem-se, prova disso, a demora em se criar uma legislação adequada para atender a esses casos. Somente em agosto de 2006, o Governo federal sancionou a norma que criou mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, a Lei 11.340, conhecida como Lei Maria da Penha.
O preconceito e a imposição dos direitos exclusivamente masculinos ainda são presentes até nas sociedades que declaram ser democráticas. O filme Terra Fria, da diretora Niki Caro, mostra como, nos Estados Unidos da década de 80, as mulheres ainda não tinham seus direitos igualmente respeitados pelos homens. Na história, Josey Aimes sai de casa por causa das agressões do marido e volta para sua cidade natal para morar com os pais. (A novela A Favorita – Rede Globo – retratada por meio da personagem Catarina, obscuridade das agressões físicas e psicológicas promovida por maridos e companheiros de trabalho às mulheres, através da figura dramática do marido Catarina; violento e canalha, Leo).
No caso de Josey Aimes, no entanto, seu pai não concorda com a decisão da filha e a acusa de ser a culpada pelo fim do casamento ao ver as marcas de agressão no seu rosto, mantém-se a favor do agressor, pois acredita que Aimes traiu o marido e, portanto, mereceu tal “correção”. Além disso, Hank ver na filhas e netos aumenta as despesas domésticas.
O filme, que, em sua maioria, apresenta uma narrativa não linear, começa com cenas de Josey arrumando suas coisas e as de seus dois filhos para abandonar a casa. A seqüência é montada com cenas em que a personagem principal apanha. Em nenhum momento, mostra-se o agressor, que de certa forma é uma maneira de retratar a realidade, uma vez que a maioria dos casos de agressão e assédio sexual os agressões submetem às vítimas a pressões psicológicas paralisantes, de modo que algumas adquirirem a síndrome de Stocolmo – que segundo especialistas é quando a vítima sofre tanto na mão do algoz que acaba se apegando a ele. No caso da narrativa de Niki Caro, a violência domiciliar é subentendida pelo cenário do crime, cozinha de uma casa destruída, indicando que houve lutar e agressão ali.
Em seguida, ver-se Josey sair correndo de sua residência com os dois filhos: uma menina de aparentando 8 anos, e um adolescente de 14 anos. Eles pegam o carro e vão para a estrada em busca da cidade natal de Josey, no norte do estado de Minnesota (EUA). Interessante é notar que, na recepção familiar, os três são bem recebidos pela mãe da protagonista. Entretanto o pai não concorda com a mudança da família. Ao ver que Josey tinha marcas de agressão no rosto, conclui que ela tinha traído ou feito algo contra o marido e que, merecidamente, havia apanhado. A protagonista promete que não ficará na casa dos pais e que, por conseguinte, não trará despesas. Ela afirma que quer arrumar um emprego. O pai não acredita que ela vá conseguir. Porque talvez por ele faça parte e conheça os ritos de iniciação pelos quais as mulheres passam. O que de acordo com Goffman (2007) é normal em instituições, mesmo que não sejam consideradas totais, mas são dominadas por um grupo cujo poder é mantido pela força. Nesse caso, a mina é dominada pela perspectiva de poder dos homens que, seguindo seus instintos disputam o lugar à força. E, portanto, ver na mulher uma ameaça tanto seus postos de trabalho quanto à legitimidade de sua força.
Josey, aconselhada por uma amiga, arruma um emprego em uma mineradora, onde a maioria dos funcionários são homens. Lá, ela passa a ser discriminada e sofre assédio sexual dos colegas. Segundo Goffman (2007, p. 49) “a tensão psicológica frequentemente criada por ataques ao eu pode também ser provocada por questões não-percebidas como ligadas aos territórios do eu [...]” levando o indivíduo à aceitação de princípios que levam à docilização do seu eu e corpo devido a uma necessidade individual o coletiva.
Caro capta esse ponto de maneira eficiente ao mostrar parte do rito de iniciação por que passa Josey, isto é, Josey tem seu corpo invadido simbolicamente no ato da admissão. É submetida a exame genicológicos e, em seguida, é alvo de comentários infames por parte do chefe quando este diz que o médico lhe afirmou que, Josey é muito bonita nua.
Tratando da problemática que envolve o ingresso dos indivíduos em instituições totais, Goffman corrobora dizendo que: “Os processo de admissão, que tiram do novato os seus apoios anteriores, podem ser visto como a forma de a instituição prepará-lo para começar a viver de acordo com as regras da casa” (GOFFMAN, 2007, p. 50).
Para reaver os direitos ignorados pelos integrantes do quadro de funcionários da mina, ela vai à procura a Justiça. Porém, essa ação é vistos pelos colegas como uma afronta e por isso passam a ameaça e física e psicologicamente.
Ao chegar ao local, ela e outras mulheres escolhidas no processo seletivo são apresentadas ao trabalho e vão conhecer a mina. Ao voltarem ao vestiário, têm as primeiras provas do preconceito e da agressão moral: os homens picham xingamentos nas paredes do local.
Nesse sentido Goffman (2007) afirma que: “os castigos e privilégios são modos de organização peculiares às instituições totais. Qualquer que seja a sua severidade, os castigos são em grande parte conhecidos, no mundo externo do internado, como algo aplicado a animais e crianças;” (GOFFMANN, 2007, p. 51). Durante os dias, ela e as colegas são motivos de brincadeiras de mau gosto e assédio sexual dos colegas. Josey passa a ser alvo dos ataques de um ex-namorado, que faz questão de lhe “passar cantadas” e chamá-la de nomes de baixo calão.
Ela reclama com o chefe do departamento, mas ele diz que ela é quem está no lugar errado e, que se quiser permanecer no emprego tem que aceitar o que os outros fazem com ela. A personagem principal do filme tenta mobilizar as colegas para evitar novas agressões. No entanto, elas demonstram que são conformadas com a situação e que não acreditam que as coisas possam ser mudadas.

O corpo, do qual se requer que seja dócil até em suas mínimas operações, opõe e mostra as condições de funcionamento próprias a um organismo. O poder disciplinar tem por correlato uma individualidade não só analítica e celular, mas também natural e orgânica.” (FOUCAULT, 1987, p. 141).

Além de enfrentar problemas no trabalho, Josey ainda é obrigada a encarar o preconceito tanto do pai quanto do filho dentro de casa. No desencadear da história, descobre se que o menino, Sammy, não é fruto do relacionamento dela com o ex-marido. Em cenas de flashback, apresentam-se imagens de Hank conversando com Josey ainda adolescente e a garota afirmando estar grávida e não saber quem é o pai. Em outras cenas, personagens secundários fazem comentários sobre a fama de Josey quando era mais nova, falando que ela teria tido relacionamentos com diversos homens. O ápice dos problemas familiares de Josey acontece durante uma partida de hokey da qual Sammy participava.
Não obstante de o garoto ser um bom jogador, os colegas de time dizem que não fariam com que Sammy participasse das jogadas devido à fama ruim da mãe dele. Durante o intervalo do jogo, ela e um amigo vão comprar um lanche. Neste momento, Josey escuta alguém chamando seu nome. Uma mulher que se identifica como esposa de um dos mineradores a xinga e afirma que Josey se insinua para os homens com quem trabalha. Todas as pessoas que estão no ginásio escutam a discussão, inclusive Sammy. Ao terminar a partida, o garoto pede para que sua namorada avise Josey que ele não voltaria para casa. Desesperada, a mãe arranca o filho à força do carro da namorada. É neste momento que ela se dá conta de que o preconceito e a violência não estão somente em seu ambiente de trabalho. Ela percebe que não consegue respaldo nem nos homens de uma nova geração, que é o caso do filho, nem mesmo nas colegas que se conformam com a realidade vivida por muitas mulheres da cidade.
No entanto, surge a partir daí, um contraponto. Bill White é um amigo de Glory e seu marido e aparece em cena pouco antes do desenvolvimento das confusões vividas por Josye. Mas é no instante da briga com seu filho que ele ganha importância na seqüência cinematográfica. Bill é um advogado e ex-jogador de hokey conhecido na cidade. Ele se torna o ponto de apoio da protagonista e é a prova de que nem todos os homens a tratariam mal e que ela poderia contar com a Justiça para reaver seus direitos.
No início do filme, Josey está em uma lanchonete com os filhos quando é reconhecida pelo dono da mina. O homem se apresenta a ela e diz que, quando precisar, pode procurá-lo. Após observar o comportamento dos colegas de trabalho, ela decide marcar uma reunião com o proprietário da mina para contar-lhe o que acontece lá. No entanto, ao chegar ao escritório é surpreendida com a presença do chefe de departamento na sala da diretoria.
Durante a conversa, os dois falam que ela quer assinar a demissão. Ao negar o fato, a mulher é acusada de subverter os colegas. Os dois dizem que ela só permanecerá no emprego se passar a se comportar.
Josey volta para sua cidade e procura Bill pedindo para que ele a represente judicialmente, já que quer abrir um processo de assédio sexual contra a empresa e seus colegas. Apesar de recusar a causa no primeiro instante por ser algo inédito, ele decide ajudar a amiga. Josey procura as colegas de trabalho e pede para que elas concordem com o processo e façam uma ação de classe. Mas, não consegue o apoio. A mãe de Josey resolve ficar ao lado da filha e, cansada dos comentários maldosos do marido, sai de casa.
Josey não se cansa e age mais uma vez. Durante a reunião do sindicato, pede a palavra e diz que todos ali deveriam ter respeito pelas mulheres. Vaiada, ela tenta continuar o discurso. Hank não suporta ver a filha ser humilhada e pede silêncio. Ele afirma que ela tem direito de falar já que é sindicalizada como os outros presentes. Este é o momento em que o pai muda de lado e passa a apoiar a filha.
Todo o filme é entremeado com cenas de um tribunal. Mas é, no final que o local torna-se o principal cenário. Durante o julgamento, os advogados de acusação afirmam que
Josey estaria mentindo em relação às tentativas de estupro e assédio sexual, justificando que, no passado, ela já teria se relacionado com diversos homens. Tanto que ninguém saberia quem era o pai de seu filho mais velho. Bill utiliza o argumento e a presença de um dos acusados de ter assediado Josey para reverter o caso. Ele faz com que o colega da protagonista, que também fora namorado da mesma no passado, confirmasse a declaração de que Josey teria sido estuprada por um professor, quando ainda era adolescente. Ele confirma que viu o fato, mas sempre acreditou na versão de que ela teria um “caso” com o ex-professor.
Nesta relação, ela ficou grávida. Bill só conseguiu a confirmação do homem após chamá-lo de covarde, por não ter ajudado a garota enquanto ela era violentada. O fato despertou a atenção de outros presentes ao julgamento. Apesar das revelações, Josey ainda não tinha alcançado seus objetivos. O juiz disse que se ela conseguisse arrumar três testemunhas que confirmassem o assédio dentro da empresa, venceria a ação. Ela já tinha conseguido o apoio do pai e de Glory que, apesar de estar doente e não poder falar sem a ajuda de aparelhos, fez questão de estar presente ao tribunal para ajudar a amiga. Após mexer com o brio dos presentes, Bill faz com que as colegas de trabalho assumam que também passaram por problemas dentro da empresa. Outros homens confirmam o fato. Josey vence a ação e abre precedente para que se crie uma política contra assédio sexual.
Fatos como o de Josey são freqüentes em nossa sociedade até hoje. Diariamente, mulheres procuram a delegacia especializada para relatar as agressões que sofrem dentro de casa. No entanto, algumas não agem contra a violência domiciliar. Muitas aceitam a situação por dependência financeira, outras por medo de que as agressões se tornem mais fortes. No entanto, a polícia tem buscado conscientizar essas mulheres de que é preciso denunciar, em especial agora em que há uma legislação específica para os crimes cometidos
dentro de casa e nos locais de trabalho contra a dignidade física, moral e psicológica das mulheres
Mas vale ressaltar que não é somente a violência física que deve ser denunciada pela
mulher. Josey é um exemplo de que a violência ocorre em todos os níveis. Quando jovem, ela foi estuprada e, após começar a trabalhar na mina, foi “agarrada” por um de seus colegas. No entanto, não foi somente isso que fez com que ela entrasse na Justiça contra os funcionários e a empresa. Xingamentos e insinuações contra a moral de Josey é a prova de que as mulheres ainda enfrentam problemas relacionados à moral.
O Estado tem consciência de que a mulher ainda tem dificuldade de exercer seu papel na sociedade, em especial pelo preconceito. Tanto é que, em 13 de setembro de 2002, o Governo promulgou o decreto nº 4.377 em que afirma saber que “a discriminação contra a mulher viola os princípios da igualdade de direitos e do respeito da dignidade humana, dificulta a participação da mulher, nas mesmas condições que o homem, na vida política, social, econômica e cultural de seu país, constitui um obstáculo ao aumento do bem-estar da sociedade e da família e dificulta o pleno desenvolvimento das potencialidades da mulher para prestar serviço a seu país e à humanidade”
Durante a palestra, Tereza afirmou que “ser feminista é ser contra a cultura estabelecida”, em que os conceitos machistas se sobrepõem. Não é necessário conhecer os conceitos feministas ou ser adepta deles para se defender os direitos. O que as mulheres querem é que a regras sejam seguidas, com o cumprimento do inciso I e do caput do art. 5º da Constituição Federal em que “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer
natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade” e onde “homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações”.
Assim sendo, o respeito à pessoa dever ser uma prática cotidiana na vida de todos sem distinção. Todavia, a realidade tem mostrado o contrário e os indivíduos têm se apoderado do poder, inclusive nas instituições onde deveriam combater tais práticas. Nesse sentido, Niki Caro com sua narrativa dramática coloca à descoberta todo um processo de subjugação do corpo feminino no social, em nome de uma hegemonia masculina cuja cultura tem mostrado que a cada dia vem perdendo espaços devido à percepção de que determinadas funções que até então eram masculinas tem sido muito bem exercidas por mulheres.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir. Petrópolis, Vozes, 1987.
GOFFMAN, Erving. Manicômios, prisões e conventos. São Paulo: Perspectiva, 2007.CARO, Niki. Terra fria. 2005.
* Professor de Lingüística, Linguagens e Literatura da UNEB – Campus XVI – Irecê – BA.

4 comentários:

Karina Justino disse...

Nos estudos referentes à "suposta" ascenção da voz feminina na poesia, percebo o quanto o preconceito advindo de um paternalismo desmedido ainda faz parte do mundo atual. Parece-me que a mulher ainda está na classificação de "estátua nua" (referência à ela submetida no parnasiano por escritores masculinos),ou seja, ainda cabe à ela o silêncio, o recolhimento, a condição de procriação, a imobilidade, enfim... tudo o que já sabemos... Isso significa dizer que além de escritoras, mulheres em todos os âmbitos ainda anseiam e buscam seu espaço numa trajetória de séculos , pois as precursoras pelo direito à palavra autêntica são de 1800 e alguma coisa...e fugir às regras impostas seria subversão e não direito.Digo isso apenas como pequeno complemento e ao contexto referente ao filme e ao preconceito fortemente atrelado ainda em nossa sociedade.A ruptura ainda se busca... é pequena...distante de nossos anseios... confesso que sinto o preconceito de alguns puristas ( ??) a cerca de alguns poemas meus... Estamos ainda subjugadas ao masculino?

Anônimo disse...

As palavras de Karina Justino vem ao encontro daquilo que o professor Barreto captou muito bem no filme. E digo mais, depois desse texto ficou para mim mais evidente a capacidade que ele tem em lidar com a semiótica e fazer leituras ds signos sejam eles nas narrativas fílmicas, romanesca, poéticas e, sobretudo, de mensagens publicitárias. Em exagero talvez, o vejo como um virutose, autoditada, não sei defini-lo,pois não estamos diante de um simples operado de linguagem e signos alheios, mas sim, de um criado de signos cuja capacidade de seu interpretante é, no mínimo singular.É certo que vários pessoas ao virem Terra fria perceberam e até podem ter escrito as mesmas coisas que ele, porém, creio que ambos atuaram no mesmo nível semiológico e, portanto, seus textos e palavras caracterizam em intertextualidades intersuportes, resultantes de análises em que os signos se relacionam ao serem veiculados no canal a partir do mesmo gênero textual.

Rejane Tach disse...

Nos estudos referentes à "suposta" ascenção da voz feminina na poesia, percebo o quanto o preconceito advindo de um paternalismo desmedido ainda faz parte do mundo atual. Parece-me que a mulher ainda está na classificação de "estátua nua" (referência à ela submetida no parnasiano por escritores masculinos),ou seja, ainda cabe à ela o silêncio, o recolhimento, a condição de procriação, a imobilidade, enfim... tudo o que já sabemos... Isso significa dizer que além de escritoras, mulheres em todos os âmbitos ainda anseiam e buscam seu espaço numa trajetória de séculos , pois as precursoras pelo direito à palavra autêntica são de 1800 e alguma coisa...e fugir às regras impostas seria subversão e não direito.Digo isso apenas como pequeno complemento e ao contexto referente ao filme e ao preconceito fortemente atrelado ainda em nossa sociedade.A ruptura ainda se busca... é pequena...distante de nossos anseios... confesso que sinto o preconceito de alguns puristas ( ??) a cerca de alguns poemas meus... Estamos ainda subjugadas ao masculino?

Anônimo disse...

Não sou muito de internete, mas depois que descobri a escrita do professor Robério, passei a frequentar seu blog, no qual há uma séria produção artística e crítica na qual são analisados linguagens contemporâneas de maneira significativa e, melhor de tudo, tem rigor acadêmico. Esse tipo de espaço virtual vale a pena acessar.