quinta-feira, 16 de agosto de 2007

QUIS ASSIM...


QUIS ASSIM...

Fui eu quem quis assim:
Você lindamente sorriu
E meu ser partiu
Tal terremoto faz
Com a terra deixando
Seu imo exposto,
Com medo e frio.

Logo me apaixonei
Por sua beleza
Enigmática e sem fim.

Amar-te é minha sina
E o que posso fazer?
Se seu sorriso é a luz
Alumia o meu amanhecer.

Fui eu quem quis assim:
Ter a solidão de ti
A judiar-me tal fogo
No cerrado queimando
Lentamente o frágil capim.

16 de agosto de 2007, 20h25min

(Robério Pereira Barreto)

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

PROTESTO DE PAIXÃO

Sua beleza alumia
Tal fosse luz dia
A me guiar
No escuro da solidão
Que coração judia.

Seu sorriso chameja
Tal farol que
Na tempestade
Orienta o náufrago
Quando lampeja.

Sua boca sibila
Hinos de amor
Qual Calipso encantou
O herói navegante,
Fazendo-o seu adorador.

Suas mãos ameigam
A alma tal colcha
De veludo que o corpo
Cansado acolhe
E serena aconchega.

Seu amor queima
Tal vulcão que acorda
De letargo torpor
E loucamente declara
A ti todo seu amor.
15 de agosto de 2007, 21h06min
(Robério Pereira Barreto)

terça-feira, 14 de agosto de 2007

ENIGMA

ENIGMA
(Robério Pereira Barreto)
Coração, universo
Que nos protege das maldades
Do mundo perverso

Braços, quentes e macios
Guardam-nos das perversidades
E inquietudes do que está perto.

Boca, nascente de água pura
Banha-nos com juras
De amor eterno.

Mãos, fórceps de aço
Que nos puxa dos momentos
Difíceis e próximos do fracasso.

Pés, máquinas potentes
Que limpam os caminhos da vida
Para nossas às andanças mundo a fora.

Olhos, Faróis de luz potente
Que iluminam as alamedas
Escuras da noite-mundo
Guiando-nos ao encontro da aurora.

domingo, 12 de agosto de 2007

AUSENTE ENCANTO


AUSENTE ENCANTO
(Robério Pereira Barreto)

Na solidão da vida
Aparecestes...
Com luz nos olhos
Maciez na voz
Calor no beijo
Fazendo-me feliz.

Nesse jogo de amor
E veneração me fez
Seu adorador.

Sem juízo
Ficou louco
Por não ter você
Para, em carícias,
Deleitar-nos com
As chamas quentes
De amor de fogo.

12 de agosto de 2007, manhã de ausência...

AFLIÇÃO

AFLIÇÃO
(Robério Pereira Barreto)
Tal meteoro em noite negra
riscastes o meu céu
com a luz de vida,
Alegria....

Descortinados,
meus olhos
que eram tristes
e cobertos por negro véu,
agora, irradia luz
nas manhas ensolaradas
como se rissem ao leu.

Quando me deixou partir
cobriu meu coração de luto
aceitando tal absurdo.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

AVANTESMA


AVANTESMA
(Robério Pereira Barreto)

Do negro manto da noite
Desenrola-se em rito triunfal
Rosa de pétalas lívidas
E perfume catedral...

Embriagados, os sentidos
Perdem o rumo...

O coração alvoroçado
Lamenta em gemidos...

Os olhos dilatados
Apreciar nascimento
De rara beleza em noite
De carregado céu...

As mãos trêmulas
Relutam tocar em fina pele
De tão belo e frágil ser...

Impávidos e desalinho
Os pés movem-se
Procurando levar
Especial ser
À luz do amanhecer...

Ante a estúpida formosura
Esmaece cai em torpor,
Loucura!

10 de agosto de 2007, 21h 11min

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

CONVERSAÇÃO: A (RE) COMPOSIÇÃO DA IDENTIDADE SOCIAL

A produção intelectual e cientifica na/da Universidade precisa ser vista como um apêndice da vida cotidiana. Assim sendo, O dicionário oral lingüístico da microrregião de Irecê vem ao encontro da necessidade de se ter um registro das expressões lingüísticas, no qual fiquem anotados os resultados das atividades de pesquisas e ensino e extensão, desenvolvidos por docentes e discentes no âmbito regional, uma vez que a Universidade tem em seu quadro docente e discente uma heterogeneidade de pensamentos e culturas advindas de várias cidades da região de Irecê, podendo realizar por meio de produções escritas, o mapeamento lingüístico e semântico dos discursos proferidos pelas comunidades locais, uma vez que estas diuturnamente recriam novas expressões a partir de vocábulos extraídas das experiências de fala cotidiana, dando-lhes conotações que se ajustam aos seus processos comunicativos, determinando ainda os lócus para seus devidos usos.
Em verdade, O dicionário oral lingüístico da microrregião de Irecê surge como espaço de divulgação do saber empiricamente construído pelos falantes da microrregião de Irecê. A partir de agora se torna saber científico, pois estudantes e professores do Colegiado de Letras do Câmpus XVI, o concretiza com intuito de auxiliar os profissionais da educação engajados em melhorar suas práticas educativas e lingüísticas, entretanto, não dispunham de meios que pudessem lhes orientar na discussão uso de idéias inovadoras no ensino de linguagem no cotidiano de sala de aula.
Dessa maneira, esta obra técnico-lingüística justificar-se-á ao devir, isto é, conhecer-se-á o que de fato O dicionário oral lingüístico da microrregião de Irecê representa para a comunidade acadêmica e educacional quando os conteúdos de seus verbetes forem discutidos pelos professores e, conseqüentemente colocados em prática na sala de aula e no diário das estudantes do ensino básico numa tentativa de melhorar a qualidade da educação lingüística do povo que a realiza livre mente, sem, contudo, entender a importância de tais vocábulos na (re)composição da identidade da sociedade, a qual, por seu turno, é resultante da “diáspora da diáspora”, isto é, sertanejos que migraram de outras partes do nordeste, chegaram a Irecê e tiveram a oportunidade de se fixar por algum, outros fizeram dessa região apenas ponto de paragem para, mais tarde, seguirem seu curso migratório, conquanto neste ínterim, deixaram como herança, expressões regionais que passaram a compor o repertório lingüístico e semântico da comunidade local.
Como se sabe, a produção lingüística de um povo é “bem simbólico”, assim como os são: a cultura, a literatura e as artes. Portanto, a elaboração desta obra os estudantes-pesquisadores partiram da perspectiva teórico-metodológica de que a compreensão da linguagem produzida e exercitada por determinada comunidade é a referência que a comunidade científica tem para compreender a gênese de seu usuário. Então, O dicionário oral lingüístico da microrregião de Irecê se insinua neste objetivo; mostrar aos profissionais da educação básica, profissionais das letras, da cultura e pesquisadores interessados no assunto que “língua é uma capacidade inata do homem, que lhe permite reconhecer as sentenças, atribuindo-lhes uma interpretação semântica, ou produzir um número infinito de sentenças, atribuindo-lhes uma representação fonológica.” (Castilho, 2004, p.11).
O glossário em questão faz-se científico, à medida que traz expressões do falar sertanejo para o espaço da escrita. Em seguida, faz dos turnos conversacionais correntes no sistema lingüístico local, marcadores da identidade desse povo, cuja tradição e cultura são passadas por meio da oralidade, isto é, o homem do agreste ao longo dos séculos garantiu a sobrevivência estilística e estética de sua linguagem usando a conversação como tecnologia para informar aos seus a respeito dos acontecimentos que o trouxe até aqui. “A conversação é uma atividade lingüística básica. Ela integra as práticas diárias de qualquer cidadão, independentemente de seu nível sócio-cultural. A conversação representa o intercurso verbal em que dois ou mais participantes se alternam, discorrendo livremente sobre tópicos propiciados pela vida diária.” (Castilho, 2004, p.29). Ainda seguindo este raciocínio, é interessante que se veja a importância desse trabalho sob inferência que do valor que a oralidade tem na vida do “homem do povo”, porque a “conversação é a primeira das formas da linguagem a que estamos expostos e provavelmente a única da qual nunca abdicamos pela vida a fora” (Marcuschi, 1986, p.14).
A partir desta tese e, sabendo que os elementos conversacionais são intermináveis e, melhor ainda, gratuitos; os organizadores de O dicionário oral lingüístico da microrregião de Irecê verificaram também como os verbetes são segmentados conforme mapeamento feito durante a pesquisa. No município de Barra do Mendes, os falantes dão sentidos diferenciados para os mesmos vocábulos usados pelo povo da cidade de Central, visto que ambos são resultantes de processos de colonização diferenciados. Diante disso, o leitor terá oportunidade de compreender o porquê das pessoas usarem as mesmas palavras com sentidos diferentes em contextos conversacionais também distintos.
Com a publicação desta obra, os profissionais da linguagem e estudantes de letras e interessados no assunto passam a ter uma referência científica para edificarem suas opiniões sobre a produção lingüística do homem do sertão, o qual em sua complexidade é “antes de tudo um artesão da linguagem” dando à língua nacional beleza estética que a faz diferente das demais vertentes praticadas no território brasileiro. Portanto, a despeito de sua natureza acadêmica O dicionário oral lingüístico da microrregião de Irecê apresenta poeticidade em seus verbetes, em virtude da autoria das expressões advirem dos “homens do povo” o qual transformou e adapto lingüístico e semanticamente procedimentos complexos da língua, em matéria de “saber popular” através dos quais, a sociedade indistintamente se delicia em longos e demorados banquetes conversacionais em meio à apreciação da vida simples e bela do sertão.
Robério Pereira Barreto
Professor-Poeta e escritor
Em Crepúsculo frio de 08 de agosto de 2007.

domingo, 5 de agosto de 2007

VERSOS PALINDRÓMICOS


ANDE...
(Robério Pereira Barreto)

odnçaor zov evaus auA
sodviou suem soaA
zeicam a ritnes é
odulev orbur od
em-odnaiciraca
adasnac amla a.

Sua suave voz roçando
Aos meus ouvidos
é sentir a maciez
do rubro veludo
acariciando-me
a alma cansada.

Seu caloroso carinho
incendeia minha pele
é meteoro que cai na campina,
iluminando o céu
com chamas colossais.

Seu perfume embriaga
meus sentidos
é alfazema espalhando
sua presença no ar,
causando suspiros
faz-me viajar no
além do mundo...
daí fico mudo
aos poucos me desnudo
porque levo na viagem
sabor de beijos impuro.


05 de agosto de 2007, 21h 44min.

SEIVA DA PAIXÃO

SEIVA DA SOLIDÃO
(Robério Pereira Barreto)

A solidão é água de ribeirão
Que ao ser presa na concha da mão
Da um jeitinho e foge entre os dedos
Procurando juntar-se ao mar;
Para isso quebras as barreiras que há.

A prisão da alma por um amor
Que no caminho malfadou é tentativa vã;
Porque controlar a vontade da alma
É sufocar grito do vulcão roncador.

Então, a solidão que há aqui
Tornar-se-á um furacão no devir,
Bastando isso você surgir diante mim
Com sorriso maroto no rosto
E balançar faceiros nos quadris.

Isso me torna seu prisioneiro
À espera do encontro verdadeiro
Nem que para isso tenha que viver
Na masmorra solidão onde a alma
É regada como se fosse jasmim.

Portanto, eu não vivi até aqui
Para deixar evadir-se de mim,
Por entre os dedos como seiva capim
Que ao ser esmagado nas mãos
Geme sufocado até o fim.

13 de setembro de 2006, 22h24’


VENDEDOR DE PAIXÃO
(Robério Pereira Barreto)

Solitário nas esquinas e avenidas,
ou acompanhando na multidão de bares,
está o vendedor de flores,
trazendo nos braços vários amores;
perfeitos e, às vezes mais que perfeitos
são lírios e margaridas.

As flores com seus perfumes e cores se misturam
entre os sabores das paixões reais
e aquelas cuja formosura será despertada
no desabrochar de um copo de leite.

Os corações afloram diante da poesia
aveludada da rosa vermelha
e lírio cor de aquarela
que toca alma dos amantes
mesmo em momento de querela.

Oh, preciso comprar uma paixão
Para alegra meu coração!
Cadê o vendedor de flores
Que traz nos braços novos amores?

Quero o amor mais perfeito
Que dê a esse peito o pulsar
De infante diante da emoção primeira.

(...)

Sei que se não encontrar o vendedor
Posso ficar para sempre com a dor
De um amor que aos poucos se acabou.

LUAR DE AGOSTO


LUAR DE AGOSTO

Quem averbou que a lua
não é uma artista se enganou
porque o luar de agosto se superou
e entre os galhos e folhas do bambuzal
eximia escultora se declarou;
seu rosto esculpiu
com brilhos com de anil.

Agora, fico sozinho a contemplar-te
até que a lua se canse de expor
sua a obra maior, sua beleza.

Como espectador
amante de tal arte
Espero que as portas do museu
da noite se fechem
E a lua como boa anfitriã
me convide a sair,
Prometendo que amanhã tudo irá repetir.

11 de agosto de 2006, 00h 01’
Robério Pereira Barreto

sábado, 4 de agosto de 2007

ESCADA

ESCADA...

A cada passo no degrau da vida,
Sinto que aos poucos me distancio do começo
Mas, não me aproximo do fim.

A escalada para futuro é incerta...
tem início mas
impossivel enxerga o término
de tão impreciso.

A cada degrau vencido,
novos e aos milhares vão surgindo,
tornando-me estático...
Voltar não posso
todos os caminhos foram destruídos,
seguir para o topo é meu destino
não me tenho forças para vencer
os incansáveis
jovens degraus da caminho.

BÁLSAMO DA SOLIDÃO


BÁLSAMO DA SOLIDÃO
(Robério Pereira Barreto)

É noite...
O aroma da escuridão
Toma minh’alma
Como se pedisse perdão
Por invadi-la sem permissão.

Em prantos e lamento
Recolho minha abantesma.
À clausura de meu imo
Tal perseguido menino
Pelo fantasma da noite.

É madrugada...
O eco da aurora
Acorda-me com o cheiro da manhã
Penetrando em minh’alma
Lança pagã.

O aroma da solidão escorre
Nas ventas e entre os dedos
O sumo do prazer
Liquefaz e morre...

Martirizando-me em cobiço
A ti e vejo nosso amor esvair-se
Nos caprichos de...

O aroma da solidão
Entranha meu espírito.

Seu cheiro sacrifica-me
Alma tamanho desespero
De manter pulsando esse
Coração condenado ao desterro.

04 de agosto de 2007, 22h35min

DESVAIRO


DESVAIRO
(Robério Pereira Barreto)

É noite de lua clara
E tudo se parece
Em alvas sombras.

A luz afiada da paixão
Atravessa-me tal raio
Que corta as negras nuvens
Em tarde tempestades

O alvitre de nosso amor
Nasce sob a cortina de vapor
Imenso que conduz ao frenesi
De bocas e toques cheios de ardor

(...)

Nossos corpos em atrito
Levam as almas ao infinito
Tamanho os encantos
E união de corpo e espírito,
Ser uno e límpido.

Irecê – BA, 04 de agosto de 2007.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

WEBLEITORA COMENTA: "GOSTEI DO SILICONE"

...ESSE SILICONE QUE VEM SERVINDO DE ANTI DEPRESSIVO, UMA ESPÉCIE DE "ENGANA BOBO", A ILUSÓRIA FELICIDADE DA PERFEIÇÃO, UM CONTENTAMENTO " PALHACÉTICO" DE QUEM SABE NA REALIDADE COMO É NA VERDADE POR DEBAIXO DOS PANOS, OU SEM PANOS!!!! E A CONCORRÊNCIA PELOS PEITOS E BUNDAS ARREDONDADOS, PONTIAGUDOS E PERFEITOS É A BOLA DA VEZ!!!! QUE NÃO TEM TÁ POR FORA!!!!! É A MODA DO PAÍS DAS BUNDAS! EU PARTICULARMENTE PREFIRO MEU CORPO NATURAL COM OS CUIDADOS SAUDÁVEIS QUE ELE MERECE. PREFIRO 'SILICONAR" MINHA MENTE, MEUS CONHECIMENTOS, MEU SER COMO ALGUÉM QUE BUSCA FELICIDADE E SATISFAÇÃO COM OUTROS PREENCHIMENTOS... ISSO SIM DÁ PRAZER!!!!!! BJOS ROBÉRIO, GOSTEI DO SEU TEXTO!

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

VEREDAS DA VIDA


No meu sertão solidão
tudo parece em desalinho...
ando em desatino
e busco sozinho abrir caminho
entre os espinhos da vida.

A cada novo passo
em movimento que faço
sou espetado pelas
dores e securas do sertão,
onde o dia se confunde
com calor do deserto,
dando me a morte por certo.

Eis que surgiu você
anunciando ao longe a vida;
lá estão as veredas
em meio a terra seca,
de onde brota do seio da natureza
a sangue que dá vida
ao coração do sertão; água.

As palmeiras da esperança,
da paixão indicam vale a pena viver
as dores e feridas sofridas na caminhada,
sempre há veredas no deserto da solidão.
Robério Pereira Barreto
01 de agosto de 2007. 22h48min.

MORIBUNDO


MORIBUNDO
(Robério Pereira Barreto)

Que os raios amenos
dessa última aurora de primavera
aqueçam-me meu rosto;

Tal o beijo do amante
na face rubra da donzela
ao ser surpreendida na janela;

Que o sol dessa manhã
Mantenha-me vivo,
embora meu semblante
sinta-se morto
e meu espírito moribundo;

Que o torpor do meio dia
dispa-me o corpo com galhardia,
deixando-me exposto às feridas...;

Que as margaridas
no canteiro solitário da avenida
exponham-me sem medo;

O precipitar da tarde
leve-me ao encontrar da liberdade...
entretanto é no crepúsculo
que mais final maldito se anuncia.

PRA TODA VIDA



PRA TODA VIDA
(Robério Pereira Barreto)

Seus beijos?
jóias impossíveis de comprar...
prêmio o qual
fui feliz em conquistar

Seu corpo?
Monumento que pude
Sem pressa escalar.

Sua voz?
Hino que meus ouvidos
Aprenderam a apreciar

Seus passos?
Avenida pela qual
Segui a caminhar.

Seu amor?
Tesouro que aos poucos
Aprendiz a conquistar.

Você?
Mulher que todas
noite busca feliz
para amar.
01 de agosto de 2007, 22h16min

JANGADA


JANGADA
(Robério Pereira Barreto)

O coração?
uma jangada
lançada ao mar revolto da paixão
a cada amanhecer...

As ondas furiosas
lhe faz sofrer
a dor da separação.

Forte resiste às procelas...
quase incólume
volta à praia da razão.

Porém traga consigo as cicatrizes
Da solidão e instantes sem amor.

A INVASÃO DOS SILICONES

A noite parece estar viva e com isso os foliões se acumulam em praças e avenidas com tal alegria que nem percebem quão solitários estão em meio à folia. Nessa cidade-cemitério, eis me aqui a contemplar corpos e belezas artificiais pela televisão, na qual, todos os canais mostram as mesmas caras e bundas. Socorro! Salve-me da invasão dos silicones rebeldes, porque eles parecem querer saltar de peitos e bundas, cujos sacolejos não param de lhes judiarem movendo-oss para lá e para cá! Dá dó, mas meu “pênis espectador” não pode fazer nada se não babar diante de tanta fartura artificial, e deixá-lo sofrer em nome do meu deleite.
Se pudesse seria mais um a maltratá-los, dando lhes esbarrões e amassos nas concentrações dos blocos e escolas de... Em minha direção surgem com tanta exuberância que parecem me convidar a cair na folia, Resisto!
Eis que penso: Puxa! Como seria o carnaval, ou melhor, as mulheres sem o “amigo do peito e bundas” modernas, silicone? Nossa! Não quero nem pensar. Certamente seria “depressão” total. Talvez isso fosse bom para os “pênis-espectadores” solitários, pois o “Estado democrático de direito” não seria desrespeitado e não teríamos em apartamentos e casas-cemitérios justiça feita pelas próprias em nome de uma representação ideal de mulher. E a manhã como vou olhar para as minhas vizinhas cujas partes siliconizáveis não são mais aquelas coisas? Socorro! Meu “pênis-espectador” carregará um trauma que nem Freud poderá salvá-lo. Socorro! Eles estão em toda parte! Que poderá salva meu “pênis espectador” da invasão dos silicones rebeldes?