terça-feira, 23 de outubro de 2007
sábado, 20 de outubro de 2007
MORTE COMO SIGNO DA SOLIDÃO
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poetadasolidão
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10/20/2007 07:57:00 PM
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QUANDO AS PORTAS SE FECHAM...
estranha magia...
guardam segredos,
sonhos,
emoções,
sorrisos,
lágrimas,
descobertas,
a alma se revela
sussurros e gemidos
por detrás das portas
indicam que há vida,
corpos e almas
se fundem em único ser.
No segredo da alcova
o cheiro de estar vivo
na atmosfera escoa
como que dizendo:
quando as portas se fecham
porque ali tudo é magia
Salvador-Irecê – BA, 20 de outubro de 2007, 11h58min.
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poetadasolidão
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10/20/2007 12:04:00 PM
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segunda-feira, 15 de outubro de 2007
DRAMA NUM ENCONTRO AMOROSO
A sinfonia dos passarinhos, as borboletas multicores pousando de flor em flor, o murmúrio das águas do riacho, o balançar das folhas quando tocadas suavemente pelo vento, o reflexo dos raios dourados do sol caidos sobre o penhasco, faziam daquela paisagem um cenário ideal para um encontro amoroso. De repente...! No meio de toda essa beleza, surge alguém uma jovem de lindos cabelos pretos, olhar apaixonado... ela anda sem pressa, parece querer usufruir daquela beleza oferecida pela natureza. Andava com graça e elegância. Os raios do sol refletidos em seus cabelos faziam brilhar com maior intensidade. Ela seguia ao encontro do seu amado. O vento soprando delicadamente brincava com os seus cabelos, pouco antes arrumados para o encontro tão esperado.
Mas, ao aproximar-se do local, pára. Falta-lhe o fôlego! Não acredita no que os seus olhos estavam vendo. Um pouco mais adiante, no meio daquelas árvores onde seria o local do seu encontro, ela avista o seu amado nos braços de outra. Sem pronunciar nenhuma palavra, cabisbaixa, perambula sem rumo e sem entender o que estava acontecendo. Depois de alguns minutos, volta ao seu estado normal. E, de sua garganta, sai um grito cheio de dor, lamento e decepção...
__NÃOOOOOO!!!...NÃOOOOOOOO!!!! Ingraaato!!! eu não merecia isso!!!
Pobre jovem apaixonada! Ele não escutava os seus lamentos. Estava bastante entretido com a troca de beijos e abraços com a nova companheira. Repentinamente, no auge do desespero, ela encontra uma solução. Encontra o remédio para curar a sua dor. Atira-se do penhasco. Penhasco esse, que por muitas vezes foi o palco onde vivera muitas das suas cenas de amor.
Os pássaros que sobrevoavam nas copas das árvores silenciaram. A beleza daquela tarde desapareceu como por encanto. Contam certas pessoas que passam por ali, que sempre às sextas-feiras, ao cair da tarde, quando o sol começa a declinar no horizonte, soltando os seus raios sobre a terra, aparece uma jovem vestida de branco gritando:
__NÃOOOOOOO!!!!.... NÃOOOOOOO!!!!...... Ingraaato!!! eu não merecia isso!!
Assim que os raios do sol vão desaparecendo, ela vai desaparecendo junto com eles, deixando atrás de si um eco melancólico e sofrido!
__NÃOOOOOOOO!!!....NÃOOOOOOO!!!.....Ingraaaato! eu não merecia isso!....NÃOOOO!!!.....NÃOOOO!!!....NÃOOOO!!!!
Autoria: Reini Cardoso; Robério Pereira Barreto. et ali., Irecê [BA], 2007. (prelo)
Escrita e revisão: Reini Cardoso; Robério Pereira Barreto
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10/15/2007 03:29:00 PM
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Marcadores: a considero como produção coletiva., Atividade realizada com estudantes do 6º semestre de Pedagogia, câmpus XVI, da Uneb, em seguida retextualizado por Reini Cardoso e Eu. Todavia, sendo
sexta-feira, 12 de outubro de 2007
LAB RINTO
No labirinto de mim mesmo
Desço em todas as ruas a esmo
Em busca de algo e me perco,
Porque nada vejo tampouco conheço.
Na intrépida descida cambaleio
E vejo serenidade na face da morte
E a faceira alegria no espelho da vida.
Assustado, não me acho
Sinto que sou capacho
Desse destino que vadia
Pesando em mim.
Voltar a mim é um alvitre
Nunca estou livre...
À superfície não posso emergir
Sucumbo nas garras do Minotauro;
Solidão!
12 de outubro de 2007, 23h51min
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10/12/2007 11:55:00 PM
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WEBLEITORA DELICIA-SE COM POEMA "CORPO"
"CORPO"
Pleine Lune disse...
Imponderável é o prazer de fazer amor na rede poética de Robério Pereira Barreto... Irresistível sedução...Penetrar nas entrelinhas do seu discurso proporciona um orgasmo múltiplo...a poesia seduz por traduzir o intraduzível com sensualidade, sensibilidade...o desejo de saborear os versos começa com um toque arrepiante das metáforas do poeta...um mergulho profundo nos enigmáticos olhos das conotações...Beijar sua língua(gem) com sabor de erotismo, temperado com chocolate e pimenta...inigualável...Leves mordidinhas na nuca da métrica mais que perfeita... entre gemidos e suspiros as rimas se encaixam...voluptuosamente... Languidamente descansar sobre o ponto final...tesão insaciável...que começa n’O Corpo e só findanapróxima poesia...napróximapoesianapróximapoesianapróximapoesianapróximapoesia napróximapoesianapróximapoesianapróximapoesia napróximapoesianapróximapoesia...
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10/12/2007 04:13:00 PM
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URUBU E O GAVIÃO
Na caatinga sombria e pálida num galho seco de angico, o urubu de bico baixo refletindo sobre sua condição de mensageiro dos moribundos diz:- Nossa! Neste lugar nada acontece. E isso tem trazido pra mim prejuízos. Vejam como estou magrinho e sem ânimo para voar e procurar comida.
Condoído com a condição de seu parente pobre, o gavião aproxima-se faceiro e cordialmente fala:
- Bom dia, Urubu! Que passa com tão ilustre e temida figura da caatinga?
- Estou triste porque não tenho encontrado comida mesmo neste cenário de seca. Não se morre mais como antigamente. Na caatinga de hoje já não encontro mais esquifes!
- Amigo Urubu, veja que coisa! Eu não tenho passado fome. Sabe por quê? Gosto de comida quente, isto é, sou trabalhador vou atrás. Já você...!
- Pois é gavião, cada um faz o que pode e a vida segue né? De fato, realmente adoro comer um prato frio, ou seja, mortinho da silva!
- Veja aquela Juriti voando vou almoçar agora mesmo veja como se faz!
O gavião em debandada persegue de modo implacável a frágil ave. Aos gritos e velozes batidas de asas, a esperta Juriti voa entre galhos e espinhos pontudos, desvencilhando-se do insensível e faminto gavião. Eis que numa esquina da avenida caatinga, um espigão de mandacaru adianta-se à manobra do pássaro assassino, cravando-lhe o peito. Agonizante clama por socorro:
- Urubu? Urubu? Urubu acorde seu depressivo de uma figa!
- Que houve, Juriti?
- Vai salvar seu amigo gavião.
- Por quê?
- Ele se acidentou na avenida mandacaru e está precisando de você.
- Ok. Vou lá.
Aproveitando a corrente de vento norte plaina no ar do sertão, chegando ao local, ver seu amigo gavião em má situação e se aproxima dizendo:
- O que posso fazer amigão.
- Tire-me daqui Urubu!
- Tiro não... ah... ah não tiro mesmo.
- Faça isso não. Preciso viver e pegar aquela Juriti e mostrar a você como é bom almoçar uma comida quentinha.
- Ai é que está o xis da questão, campeão. Se lhe tirar daí, perco a chance de fazer a única refeição que vejo neste cruel e triste sertão. Gavião, sem ressentimento. Mas sou paciente e sempre espero meu almoço esfria. E, tem mais; quanto mais gelado melhor. Então fique frio, por favor.
12 de outubro de 2007.
Robério Pereira Barreto
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10/12/2007 03:10:00 PM
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sábado, 22 de setembro de 2007
PAIXÃO DA MADRUGADA
PAIXÃO DA MADRUGADA(Robério Pereira Barreto)
Madrugada:
Frio...
E a noite chora baixinho,
Deixando sobre a campina
Sua lágrima;
Jóia rara e fina.
No quarto:
Calor...
Nossos corpos
Em transe aquecem-se
Um sobre outro.
Na fissura:
Suor...
Entre peles
Mina agridoce líquido
Exalado em vapor
A essência do amor.
22 de setembro de 2007, 18h27min.
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9/22/2007 06:16:00 PM
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CORPO
CORPO(Robério Pereira Barreto)
Dia nubiloso e triste:
Seu riso riscou meu céu
E a chama da vida
Queimou o negro véu
Que até então cobria-me a vista.
Olhos brilhantes:
A paixão faz-me menino
Que brinca traquino
No jardim da existência.
Coração pulsante:
O amor corre
No labirinto corpo
E acalma a alma.
Irecê – BA 15h52min.
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9/22/2007 06:08:00 PM
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sexta-feira, 7 de setembro de 2007
MULAMBO
Dilaceras-me o peito,
Mulambeias minh’alma.
Farrapo humano
Por ti clamo,
Aos prantos me refaço
No afago da vida,
Que piedosa
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9/07/2007 05:22:00 PM
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terça-feira, 4 de setembro de 2007
IRECÊ: CIDADE CIBERNÉTICA
A título de introdução faz-se necessário informar quais foram os critérios usados para se chegar a essa conclusão. São, na verdade dois os referentes dessa discussão: i) há algum tempo desenvolvem-se observações com vistas à sistematização de tese sobre o ensino de língua materna – escrita – na sociedade de tradição oral. Isto é, Irecê – BA, conforme já dito em outros ensaios é uma comunidade de tradição oral, de modo que sua cultura de letramento é restrita; a ponto de sua história ainda estar sendo contada por aqueles que ainda retêm os fatos e imagens na memória individual e coletiva; ii) Existe também uma interferência direta dos meios de comunicação de massa, representados pelas mídias eletrônicas – rádio e televisão – sendo que este última transmite ao povo local, costumes e comportamentos cuja matriz é do sudeste. Isto ocorre por que a maioria das televisões (99,99%) é ligada à antena parabólicas. Por isso a maioria dos desejos e fetiches sociais, consumistas e culturais tem sua fonte na cultura do sul e sudestes do país.
Por um lado, a questão se alarga quando se percebe que neste lócus não há imprensa escrita com a qualidade necessária para se mudar este quadro de abandono literário e cultural, o qual é carente de produção escrita que valorizem tanto as tradições quanto às necessidades imanentes no que se refere formação de leitores e escritores, conforme se apregoam as políticas nacionais de formação escolástica. Dizendo de outro modo, em Irecê há uma predominância de oralidade acima dos índices nacionais o que o caracteriza com cidade de fala.
Por outro lado, há se tem conhecimento amplo de políticas públicas que incentive a produção escrita e a prática de leitura. Então, eis ai que surgem o espaço para a mídia digital – internete – na qual crianças e adolescentes se fazem usuários efetivos dos ciberespaços e ciberdiscurso, chegando a ocupar, em média 2 horas de seu dia com acessos a sítios eletrônicos e salas de bate-papo que nem sempre levam à pesquisa e muito menos a construção do conhecimento sistemático, uma vez que estes cidadãos cibernéticos já não mais aceitam as mensagens estáticas e conservadoras das mídias televisivas e radiofônicas, comumente encontradas em casa. Isto, sem dúvida tem possibilitado o comércio da informação digital, de maneira que em pesquisa recente verificamos que nesta cidade existem 25 casas de internete – Lan House –, oferecendo acessos digitais a quem quer que seja sem muito controle, isto é, poucas casas digitais realizam o protocolo legal, ou seja, conforme pede a legislação federal; faz-se o registro do usuário de forma correta.
Neste universo digital tem algo muito particular e significativo: os usuários da web estão divididos em conformidade com horário que se dispõe a usá-la. Conforme pesquisado, no período matutino as casas de internete passam a ter movimento a partir das 9 horas da manhã, momento em que boa parte dos usuários, estudantes deixa a escola para irem a tal local para conectarem-se com seus amigos virtuais. No vespertino a lógica se inverte os usuários na maioria das vezes vêm direto a Lan house, permanecendo por lá até fim do horário escolar. O curioso nisso é que tais enunciadores e enunciatários digitais ao serem inquiridos sobre os sítios eletrônicos e quais as finalidades que os acessavam, uníssonos ao afirmaram: acessamos sites de jogos, orkut e menssager para conversarmos com nossos amigos e jogar com eles. Então, por este depoimento pode-se perceber quão a mídia digital está promovendo uma espécie de interação á distância com pessoas que nem sempre terão condições de se encontrarem pessoalmente.
Diante disso há ainda que se destacar a questão do acesso. O mercado da Internet segue o principio o da livre concorrência, isto é, devido à demanda foram se expandindo a rede. Hoje, Irecê – BA tem conforme já mencionado 25 estabelecimentos comerciais oferecendo esses serviços, bem como há alguns espaços públicos com internete pública, porém, estes não correspondem a 10% do mercado privado. Em tamanha vantagem, a iniciativa privada, tem promovido promoções interessantes: Há 4 meses a maioria das casas de internete está com uma promoção tentadora: “acesso por 0,99 a hora” com isso aqueles crianças e adolescentes que compraria lanche na escola por esse valor passaram a gastá-lo com a compra de uma hora de acesso à web, tempo em que lhe possibilita navegar por vários mundos, inclusive lendo informações que jamais a escola e os livros didáticos lhe possibilitariam, sobretudo num rede ensino onde não há bibliotecas com acervos atrativos, além de conhecer pessoas de vária partes do mundo e, assim, trocar informações sobre suas culturas.
Numa dessas visitas de pesquisa ocorreu um fato curioso; uma internauta inquiriu-me:
- Professor, o senhor saber falar estrangeiro?
- Sei inglês e espanhol, por quê?
- É que tenho uma francesa e estou aprendendo a falar com ela. Puts é uma língua massa!”
Neste diálogo, orgulhosa, a internauta continuou a conversa com sua amiga digital, com enunciado lingüístico extremamente híbrido, porém compreensível a ambas. (Em respeito ao sigilo da conversa da minha entrevistada não puder ter acesso aos diálogos, bem como me comprometi em não divulgar nem seu nickname tampouco de sua amiga).
Diante deste contexto, surgem algumas questões importantes a serem discutidas em foros específicos. Ver-se, portanto ai, a necessidade de promover políticas públicas e educacionais nas quais se democratizem os acessos públicos a internete nas escolas, bem como se preparem professores e alunos desde as séries iniciais para que todos possam usufruir os benefícios que a rede oferece.
Assim, todos passariam atuar como cidadãos capazes de lidar com os códigos e mensagens digitais. Nesta primeira faze deste trabalho temos percebido que as crianças e adolescentes tem mais afinidade com a tecnologia do que a escola, isto é, a maioria dos profissionais da educação são ciberfóbicos e, portanto, isso tem dificultado seu trabalho diante da tarefa de ensinar a ler e escrever no mundo das mídias digitais.É diante desses fatos aqui resenhados, se infere que esta comuna está se tornando cibernética á medida que não se têm bibliotecas públicas estruturas, onde estudantes e professores podem pesquisar tanto em livros de referências quanto em sitio eletrônicos especializados. Além disso, aqui e em todo país políticas públicas que favorecem a formação do professor(a) para que estes tenham o domínio das linguagens e mídias digitais, com objetivo de auxiliar na melhoria da qualidade de vida dos estudantes, “cidadãos do mundo!”
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poetadasolidão
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9/04/2007 08:57:00 PM
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domingo, 2 de setembro de 2007
PÓS-MODERNIDADE: A DILATAÇÃO DAS RAIAS IDENTITÁRIAS
Sabe-se que há séculos as culturas foram sendo transplantadas na medida em que os povos foram expandindo seus domínios territoriais. O exemplo típico desse processo é a cultura brasileira, na qual se registram vários elementos das culturas colonizadoras, tendo isto começado com a chegada dos portugueses no litoral brasileiro no século XVI. A despeito de quaisquer discursos xenófobos, é interessante no notar ai a questão da expansão da fronteira cultural e identitária, uma vez que Portugal era visto naquele momento e ainda o é; como cultura fronteiriça, conforme que Santos (2006) ao mostrar que a cultura portuguesa é fruto de uma justaposição de elementos sócio-culturais europeus.
Quanto às identidades, Santos informa que na modernidade elas têm caráter transitório e fugaz, uma vez que não é forte o suficiente para se garantirem no singular, além disso, é importante ainda perceber a semificção na qual se constituem os paradigmas das identidades, até porque quem indaga a identidade se põe em subordinação, colocando-se no lugar do outro na tentativa de encontrar respostas que leve à inferência e ideologia seminecessárias.
Nesse contexto, pode-se citar a poética de Oswald de Andrade a qual surge numa perspectiva irônica e inteligente, desconstruindo os alicerces da hegemonia cultural, deixando expostas às vísceras da ideologia simplista de que seria necessário negar as culturais estrangeiras em nome de uma identidade cultural brasileira. Andrade, artisticamente mostra a necessidade de um canibalismo cultural, chegando a ponto de sugerir um processo de deglutição dos fundamentos das identidades estrangeiras.
Oswald de Andrade demonstrou no Manifesto Pau-Brasil que a mais profunda maneira de se descobrir cultural e identitariamente é por meio da autodescoberta “implicando em presentificar o outro e conhecer a posição de poder a partir do qual é possível a apropriação selectiva (sic) e transformadora dele”. (Santos, 2006, p. 136).
Para Santos (2006) há uma excessiva preocupação sobre lugar da identidade nas ciências sociais, de modo que isto tende a se tornar à pedra de toque de algumas correntes, sobretudo, no que se refere à tentativa de justificar acontecimentos ideológicos e dominantes em determinadas culturas, até porque as identidades nasceram com a modernidade justamente para classificar quem e a qual grupos sociais e culturais pertenciam determinados sujeitos. Eis que ai está o cerne da identidade; a subjetividade. Então, é preciso conceber que é na modernidade que se evidenciam a discussão sobre identidade, visto que é a partir daí que o sujeito se esfacela, perdendo, portanto seus referenciais e, estando, só não lhes outra coisa se não questionar a sua origem. “O conceito de imigração substitui o de raça e dissolve a consciência de classe.” Santos (2006, p. 145). O autor ainda considera importante saber que “as lutas locais e as identidades contextuais tendem a privilegiar o pensamento táctico em detrimento do pensamento estratégico.”
No plano da cultura, impõem-se aspectos dos grupos sociais de uma sociedade, sobretudo, no que se refere à autocriação, pois estes sujeitos buscam em meio às estruturas culturais nas quais, eles construíram suas teias sócio-culturais. “é que a cultura de dado grupo social não é uma essência. É uma autocriação, uma negociação de sentidos que ocorre no sistema mundial e que, como tal, não é compreensível sem a análise da trajectória (sic) histórica e da posição desse grupo no sistema mundial.” (Santos, 2006, p. 148).
Assim, conclui-se que na pós-modernidade tanto os sujeitos quanto as raias que demarcam as identidades são flexíveis e, portanto, instáveis o suficiente para garantir a justaposição de elementos locais e globais quase que simultâneos. Então, falar em identidades é aceitar os paradoxos impostos às comunidades mundiais, uma vez que à medida que se quer global, se reclama as tradições locais na tentativa de auto-afirmação. Dessa forma, poder-se-ia inferir que a pós-modernidade é ponto nefrálgico da humanidade tardia, isto é, há no homem moderno elevado grau de instabilidade quanto a seu desejo de identidade. Nas Américas isto se acentua de maneira sistemática, visto que o processo de colonização cumpriu o papel de miscigenação das culturas. Os fluxos migratórios a sentar às terras de Colombo tornaram-se ponto de discussão sobre identidades por que estes foram resultantes de diásporas, tendo na Europa o epicentro desse processo conflituoso no quais nações supostamente mais desenvolvidas política, cultural, religiosa e economicamente oprimiram àqueles que se mostram resistentes as tais transformações.
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poetadasolidão
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9/02/2007 02:42:00 PM
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segunda-feira, 27 de agosto de 2007
LÁGRIMAS DA PARTIDA

Desfaço meu coração
Em milhões de mim
Tal o vento faz
Com a seca semente
De capim gordura,
Na lonjura do sertão afora.
No meu existir...
Nas veredas da solidão
Derramo meu coração.
Nos carreiros da vida
A alma sozinha...
Aflita colhe margaridas
Nos banhandos das lágrimas
Derramadas na partida.
27 de agosto de 2007, 23h 04min
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poetadasolidão
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8/27/2007 11:09:00 PM
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INTERAÇÃO SÓCIO-CULTURAL ATRAVÉS DO TELEFICÇÃO*
*Este trabalho discute as interações sócio-culturais criadas pelo consumo na sociedade contemporânea. Portanto, o fulcro é a homogeneização dos sentidos promovida pela teleficção brasileira quando, nelas, são apresentados ícones de beleza e comportamento com intuito de transformá-los em paradigmas e, assim, corporificá-los no cognitivo social, levando ao desejo e à fixação por determinadas condutas, nas quais não se tem estrutura cultural nem política.
Conforme afiançam os sociólogos e antropólogos contemporâneos, a Mídia, na atualidade, é o principal elemento de mediação sócio-cultural nos países latino-americanos, tendo na teleficção – novela – seu principal mecanismo homogeneizante das culturas, uma vez que todas as classes e sexos assistem a este programa.
A conglobação das culturas via teleficção é fruto de ações conjuntas entre o Estado e Instituições Privadas que promovem o alargamento das fronteiras dos desejos, isto é, as empresas de mídias, sobretudo, a televisão situam e expandem ideologias do mercado, em contrapartida elevam imagens e soberania dos governos. Para Barbero (2003, p. 141) isto acontece porque há uma substituição na qual se “possibilita a passagem da unidade de mercado à unidade política”, integrando de modo sistemático as culturas consumistas criadas pela teledramaturgia nacional.
Embora sejam recentes as preocupações da academia a respeito homogeneização da cultura novelística brasileira, no que se referem aos padrões de consumo ofertados através de merchandising nos intervalos dos capítulos diários dos folhetins, cuja mensagem publicitária tem levado à massificação de elementos culturais e, às vezes, ao resgate de princípios da cultura subalterna, transformando-os em produto da moda. (Veja-se, pois, o exemplo da personagem Bebel, de Paraíso Tropical, da rede Globo de Televisão, exibida de segunda a sábado às 21 horas, por meio da qual se vende padrões sócio-comportamentais a preços módicos a uma massa de espectadores incultos. Subliminarmente estão ai, intenções consumistas promovidas pelas imagens de espaços que, jamais serão ocupados pela maioria dos consumidores normais. Entretanto, estes construirão no seu imaginário modelos de consumo relativos aos apresentados na teleficção. Imagina-se, pois, que vários espectadores – homens – desejariam ser nem que fosse por um dia um Olavo da vida, ou uma espectadora ser uma Bebel nas calçadas da Copacabana – Rio, uma vez que a representação do espaço é legitimando pelas imagens e o glamour do Rio de Janeiro – Cidade Maravilhosa.
Dito isto, portanto, este trabalho se inscreve numa perspectiva de recensão teórica tanto dos objetos – teleficção nacional – quanto das discussões semiótica e sociológicas que permeiam a cultural televisiva do país.
* Comunicação a ser apresentada no I Encontro de Educação, Marxismo e Emancipação Humana no Território de Irecê, do DCHT, Câmpus XVI, Universidade do Estado da Bahia, Irecê – BA, de 19 a 21 de outubro 2007.
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8/27/2007 03:08:00 PM
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domingo, 26 de agosto de 2007
GÊNEROS TEXTUAIS DAS MÍDIAS, PERSPECTIVAS DE ENSINO DE LEITURA E ESCRITA
Antes de se imergir no universo conceitual de gêneros textuais e discursivos que permeiam a mídia, é importante dizer que a sociedade em que se vive hoje, é um espaço de letramento, por isso demanda de novos elementos sintagmáticos e paradigmáticos na compreensão dos processos comunicativos que estão sendo apresentados via mídia de massa aos estudantes em espaços não escolares.
A escola enquanto meio de formação de leitores e produtores de texto não pode desprezar a riqueza dos gêneros discursivos e midiáticos usados pela imprensa para a manipulação das ideologias capitalista e consumista elaboradas pelo Estado.
Marcondes e Meneses (2003) sopesam que através da observação e uso sistemático dos gêneros textuais nas mídias impressas, na sala de aula como instrumento de construção de sentidos é, sem duvida, uma maneira de atender ao interesse da escola; desenvolvimento da intelectualidade do estudante por meio de seus textos – livros, ensaios científicos -; e outro é de interesse do aluno, que ler o que é recorrente socialmente, bem como produz textos explorando os discursos do ambiente social.
[1] Atualmente, considera-se que, para o indivíduo inserir-se em uma sociedade letrada, ele precisa ser capaz de compreender textos escritos, mesmo que não tenha o domínio do código escrito, isto é, mesmo que não seja alfabetizado. Ser alfabetizado e ser letrado são condições diferentes. O indivíduo alfabetizado é aquele que domina a tecnologia de ler e de escrever. Já o indivíduo letrado é aquele que usa funcionalmente a leitura e a escrita nas práticas sociais cotidianas, de forma a favorecer sua inserção cultural (Soares, 1998).
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8/26/2007 02:58:00 PM
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AMOR CARTÃO DE CRÉDITO

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8/26/2007 12:31:00 AM
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quarta-feira, 22 de agosto de 2007
INTERNETÊS: MEDIADOR PEDAGÓGICO OU INTERFERÊNCIAS LINGÜÍSTICAS?
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poetadasolidão
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8/22/2007 09:09:00 AM
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NOVELA: RETRATO IDEAL DO COTIDIANO
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8/22/2007 09:03:00 AM
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terça-feira, 21 de agosto de 2007
TEXTO: ARQUIVO SÓCIO-CULTURAL
Para Kleiman (2000, p. 07) é fundamental que o sujeito adquira o hábito de ler o mundo através da apreensão de “um conhecimento dos aspectos envolvidos na compreensão e das diversas estratégias que compõem os processos”. Sendo que tais processos se dão por meio das relações estabelecidas entre o que o texto diz e o que está associado à memória social. Logo, todo procedimento de leitura deve ser associado à releitura dos acontecimentos históricos, sociais e culturais onde ele foi originado.
O texto enfatiza os aspectos cognitivos da leitura, porque consideramos que a percepção de, bem como a reflexão sobre o conjunto complexo de componentes mentais da compreensão contribuirão, em primeira instância, à formação do leitor e, conseqüentemente, ao enriquecimento de outros aspectos, humanísticos e criativos, do ato de ler. (KLEIMAN, 2000, p. 9).
Dessa maneira, o ato de leitura, sobremodo, de textos literários precisa seguir o processo de metalinguagem, isto é, o leitor se posiciona na leitura conforme os tempos enunciados no discurso, adentrando assim aos universos lingüísticos forma de escrita e construção de sentidos empregados na linguagem da obra; cultural observar-se-ão os aspectos do cotidiano no qual, o homem e a sociedade são retratados via escrita -; além das questões políticas e ideológicas usadas pelo autor quando da escrituração de sua obra. Essa atividade acontece através de metacognição a qual segundo especialistas é o processo de “reflexão sobre o próprio saber, o que pode tornar esse saber mais acessível a mudanças.” afirma Kleiman.
Com essa perspectiva, o leitor por sua vez é agente histórico da leitura e ao longo de sua existência interage com ambientes sociais e culturais, nos quais sua memória discursiva e cultural vai se construindo de acordo com os estímulos recebido durante a interlocução praticada na comunidade. Então, afirma-se que tal sujeito é detentor de certo grau de conhecimento prévio e, portanto, está apto a produzir sentido ao realizar uma leitura dentro do seu contexto sócio-político e histórico-cultural. Conquanto seja necessária a prática diária de leitura na qual se busca agregar novos conceitos, valores e, consequentemente, a assimilação de vocabulário para melhoria de sua prática lingüística. Isso só acontecerá segundo Kleiman (2000), se o leitor estiver disposto a estender sua capacidade reflexiva, pondo-se em destaque e associação com objeto lido “o conhecimento adquirido ao longo de sua vida.” Então, Dessa forma acontece aquilo que Kleiman considera a: interação de diversos níveis de conhecimento, como o conhecimento lingüístico, o textual, o conhecimento de mundo, que o leitor consegue construir o sentido do texto. [...] este conhecimento abrange desde o conhecimento sobre como pronunciar português, passando pelo conhecimento de vocabulário e regras da língua, chegando até o conhecimento sobre os usos da língua. (Kleiman, 2000, p. 13).
Mediante essa assertiva, infere-se que na medida em que se ler há assimilação de elementos estruturais do texto e, também, da cultura à qual ele se reporta. Portanto, nesse ato, leitor assume papel importante dando ao texto novos significados, ou seja, atribui-lhe sentidos de acordo com novo setting de leitura, pois se fazem associações do enunciado com o novo ato de enunciação, formando novas expectativas a respeito do assunto tratado no texto.
No que se refere à leitura de peças literárias existem dois modos de se ver a construção do ato de ler: “Leva em conta os leitores na sua diversidade histórica ou social, coletiva ou individual; outro, a imagem do leitor tal como ela se acha representada em alguns textos.” (Todorov, 1994, p. 83). E já Kleiman considera essa questão a partir do conhecimento lingüístico, histórico e cultural do leitor a respeito do texto lido, porque tal saber leva ao processamento das informações presentes no objeto. Assim sendo, o processamento é entendido como: atividade pela qual as palavras, unidades discretas, distintas, são agrupadas em unidades ou fatias maiores, também significativas, chamadas constituintes da frase. À medida que as palavras são percebidas, a nossa mente está ativa, ocupada em construir significados, e um dos primeiros passos nessa atividade é o agrupamento em frase...
A memória discursiva do agente de leitura ao encontrar no texto marcas lingüísticas (tempos verbais, adjetivos e predicação), culturais (eventos, festas religiosas, sociais, personagens e costumes, etc.) faz associação com o presente da leitura, ou seja, transfere para a atualidade os sentidos criados pelo autor quando da enunciação do texto. Por exemplo, ao ler uma passagem bíblica o fiel transfere (às vezes de maneira pessoal) as informações nela contida para sua realidade, dando assim uma conotação de verdade ao evento lido. Esse processo segundo Celso Antunes (2001) ocorre porque o leitor atingiu um nível de maturidade importante, transformando dessa forma informação em conhecimento.
Há ainda de se destacar o papel dos meios de comunicação na propagação das informações no meio social, através do qual se constrói a memória discursiva do homem moderno. Tal questão incentiva nos à produção de conhecimento, porque à maior parte dos sujeitos estão ligados a vários mecanismos que propagam a informação em tempo real. (Lembramo-nos dos episódios das guerras no Oriente Médio, estas foram transmitidas via satélite para todas as casas do mundo).
Para Celso Antunes tudo isso exige do profissional da linguagem uma nova formação, isto é, além de aprender as questões específicas de sua área de atuação, o professor deve buscar per si, meios com os quais possa agregar sentidos às suas novas descobertas. “o professor precisa ir também se transformando em um analista de símbolos e linguagens, um decodificador de sentidos nas informações e, também, o profissional essencial do despertar das relações interpessoais.” (ANTUNES, 2001, p. 13).
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poetadasolidão
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8/21/2007 10:05:00 AM
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REALIDADE-FICÇÃO NAS MÍDIAS INTEGRADAS
A imagem na sociedade segundo nos apresentou Mikail Bakhtin nos idos de 20, é uma duplicidade da realidade, pois faz dela um (re)apresentação da realidade através do signo, o qual foi definido pelo pensador russo como espelho, o qual reflete e refrata a qualidade do corpo nele projeto. Todo signo é, em maior ou menor medida, uma espécie de imagem especular: o signo não é apenas um corpo físico que habita a realidade, mas também é capaz de refletir essa realidade de que ele é parte e que está fora dele.A realidade refletida nesse espelho, leva nos à compreensão de que há uma valorização da imagem em detrimento do corpo real. Assim, há um tipo de fissura que, às vezes, não é preenchida pela interpretação do leitor.
Por isso, é que se aperfeiçoa cada vez mais a comunicação via tela, ou seja, as imagens produzidas e reproduzidas na televisão, no cinema e, principalmente, na internete seguem um padrão técnico cujo paradigma é preencher os espaços entre o signo e o objeto representado por meio de cores em que se destacam a definição e a roupagem do objeto. (Basta-se ver as matérias dos programas sensacionalistas, as quais seguem a máxima: uma imagem fala por mil palavras, por isso são apresentados ao espectador/leitor imagens em tempo real, fazendo com que as tragédias do cotidiano se tornem elementos comuns, impedindo qualquer ato de indignação).
Para Baudrillard (2005, p. 40) esse tipo de acontecimento leva a sociedade real a desinteressar-se pelas ações da classe política e das instituições. Contudo eles não deixam de desfrutar o espetáculo que, direto ou indiretamente promovem diante das câmaras, após as tragédias cotidianas. Dessa forma, ainda segundo o filósofo francês, a mídia serve enfim para alguma coisa e a “sociedade do espetáculo” tira todo o seu sentido dessa feroz ironia: as massas concedendo-se os riscos da corrupção das instituições e Estado mantêm se atentas aos acontecimentos, dando audiência à representação social e política criada pelos signos televisivos.
A realidade (re)apresentada na mídia é quase ficcional, pois a forma como os fatos são expostos em suas grades televisivas, de algum modo, trouxeram benefícios à classe política à qual, embora apareça em todos os cantos do país em tempo real, conforme Thompson (1998, p. 19), o desenvolvimento da mídia transformou a natureza da produção e do intercâmbio simbólicos no mundo moderno. Portanto, os meios de comunicação de massa têm uma dimensão simbólica irredutível e, por isso, o homem é um animal suspenso em teias de significado que ele mesmo teceu.
Simbolicamente, estas teias são emaranhadas de significações possíveis, apresentados ao leitor-espectador, o qual deve, a seu modo, interpretar a gama de “realidades” a ele apresentada através dos meios que, segundo, havia asseverado MacLuhan (1962), embora tenha sido constestadamente pelos pares; “que o meio é a mensagem.” Se se quer tomar esta questão sob a ótica da amplitude tomada pelos meios de comunicação de massa, ver-se, portanto, nesta afirmação o grande poder de persuasão que a televisão tem sobre os espectadores incautos, o qual aceito de forma passiva semi-realidades que lhe chega a casa com dia e hora marcados.
Dessa maneira, a realidade transforma-se em ficção e vice-versa justamente para atender às necessidades do momento televisivo. Como exemplo, tem-se as coberturas ao vivo das ações policiais transmitidas pela imprensa digital em tem real, criando no espectador-leitor infinitas possibilidades de inferência. Contudo, na verdade, esta se dar pela via mais sangrenta, ou seja, platéia parece se deliciar com imagens e discursos que primam pela polêmica e, sobretudo por aqueles que formam o coro da tragédia, isto é através de um apresentador cuja intenção é discutível se chora em uníssono uma nação inteira.
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poetadasolidão
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8/21/2007 12:26:00 AM
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