segunda-feira, 29 de outubro de 2007

NOSSO OLHAR

CONTRASTE NO OLHAR
(Robério Pereira Barreto)


Lábios esboçam risos
Em simétricos e nacarados
Lábios, que, sedentos de ti
Regalam-se ao relento.
Contrastes da alma!

Olhar sereno e profundidade
Além da flecha de Aquiles
Denunciam um peito riscos;
Coração agitado
A ponto de o peito partir.
Contrastes da alma!
O corpo submerso
Na água a fria agita-se
Desejando lhe possuir
Todavia, pára...
Contrastes da alma!


28-29 de outubro de 2007.

POEMA À BELEZA CANDIDA...


DETRÁS DA MONTANHA
(Robério Pereira Barreto)

Do outro lado da montanha
De altivos picos,
Arremessa-te ao infinito
Cujo grito de luz
Ilumina e me seduz.

Seduzido, suspiro
Na longa e doce
Espera de ti.

Oh, lua que, ao longe,
Por detrás da montanha
Forma uma cortina
De prata para enfeitar
Esta noite em que minha
Se encantam diante de ti.

No ar,
a paixão toma conta de mim
E na espera da lua
Posso sentir a textura
De seus lábios carmim.

Confundido, meu espírito
Sobeja ante tão cândida beleza
Realçada pela complacência da luz
Da lua que, totalmente nua
Expõe-se a nós na imensidão
Do vale...
27 de outubro de 2007,

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

ODE VIGÍLIA

Quando a solidão adentra a alma a noite é amiga...ela e a lua, ambas silenciosas em seu percurso são testemunhas mudas...Nada além do sonho de ter um amor presente é substituível... nada acalma o coração solitário que chora conflitante a ausência da amada...nadasubstitui o momento do encontro... noite e lua silenciosas sublimam o calor da paixão e a espera... Com o tempo ,e através do tempo, dia após dia, saudade, amor e ansiedade se mesclam entres sombras e o sabor noturno da vigilia... vigilia...vigilia sempre...

terça-feira, 23 de outubro de 2007

VIGILIA


VIGILIA
(Robério Pereira Barreto)

Seria uma noite qualquer,
Como todas que a lua
Inspirada faz de minha
Janela palco para sua
Serena e calma jornada
Ao encontro do sol
Na madrugada.

Porém, tua ausência
Entretece minha alma,
Transformando o fulgor da lua
Em fogo queimando
A pele com se estivesse nua.

Perco a calma...
Por que me mata lentamente
Se essa é a noite de nosso
Amor complacente?

Oh, noite não sois mais
Minha amiga como antigamente;
Tenho a ti e a lua
Porém, me falta dela
Abraço, carícia e beijo caliente!

Então, noite adiante-se,
Encontre o dia e
Acabe com essa vigília.

23 de outubro de 2007. 19h06min

LUZ DO SEU OLHAR


LUZ DO SEU OLHAR
(Robério Pereira Barreto)

O teu olhar é raio de luz
Que minha cega alma
Ao infinito prazer conduz.

Guiado pelos seus olhos,
Renovo meu espírito,
Banhando-o na cascata
De sabor magia
Que deles sai.

Ai, só levado a banhar-me
Nesses raios fanais
Como se fosse
Instantes finais.

Irecê-BA, 21h

sábado, 20 de outubro de 2007

MORTE COMO SIGNO DA SOLIDÃO

Webleitora discorre minha poética afirmando que a morte é signo de sustentação para o tema solidão. Vejam o que a leitora:
"A expressão da morte concentra-se na sua poesia como refúgio de solidão. Fantástica e solitária revela-se amena e melancólica exalando de certa forma uma fuga desconhecida, madura quase sentida plemamente com referência a uma escolha... Preserva essa poesia um efeito de embelezamento triste com carícias inigualáveis pelas mãos da morte que sutilmente adentra o peito até o mais profundo sono, o do descanso sem mais sofrer... sofrer a indiferença, a solidão, o descaso, o abanida real é aqui dura, porém a morte vem alentando e introduzindo a paz desejada! Sua poetica contagia e embriaga o leitor delicadamente a imaginar o fim, o auge, o belo, a emoção,por fim a solidão e não estar mais aqui...

QUANDO AS PORTAS SE FECHAM...


Portas fechadas têm
estranha magia...
guardam segredos,
sonhos,
emoções,
sorrisos,
lágrimas,
descobertas,
prazeres...
Quando as portas se fecham
amores acontecem
máscaras caem
sonhos se revelam
palavras se libertam
Quando as portas se fecham
a vida se abre...
a alma se revela
sussurros e gemidos
por detrás das portas
indicam que há vida,
corpos e almas
se fundem em único ser.

No segredo da alcova
o cheiro de estar vivo
na atmosfera escoa
como que dizendo:
quando as portas se fecham
vive-se a vida em demasiada alegria
porque ali tudo é magia
e não há nenhum vigia.

Salvador-Irecê – BA, 20 de outubro de 2007, 11h58min.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

DRAMA NUM ENCONTRO AMOROSO

O sol derramava os seus raios sobre a terra. A tarde estava linda. Dourada, calma e convidativa. O barulho que se ouvia era o canto dos pássaros que faziam a festa de galho em galho, como crianças em período de férias escolares, saltitavam, cantavam, transformando aquele local em um cenário que deixava deslumbrado o maior admirador da natureza, o "Poeta".
A sinfonia dos passarinhos, as borboletas multicores pousando de flor em flor, o murmúrio das águas do riacho, o balançar das folhas quando tocadas suavemente pelo vento, o reflexo dos raios dourados do sol caidos sobre o penhasco, faziam daquela paisagem um cenário ideal para um encontro amoroso. De repente...! No meio de toda essa beleza, surge alguém uma jovem de lindos cabelos pretos, olhar apaixonado... ela anda sem pressa, parece querer usufruir daquela beleza oferecida pela natureza. Andava com graça e elegância. Os raios do sol refletidos em seus cabelos faziam brilhar com maior intensidade. Ela seguia ao encontro do seu amado. O vento soprando delicadamente brincava com os seus cabelos, pouco antes arrumados para o encontro tão esperado.
Mas, ao aproximar-se do local, pára. Falta-lhe o fôlego! Não acredita no que os seus olhos estavam vendo. Um pouco mais adiante, no meio daquelas árvores onde seria o local do seu encontro, ela avista o seu amado nos braços de outra. Sem pronunciar nenhuma palavra, cabisbaixa, perambula sem rumo e sem entender o que estava acontecendo. Depois de alguns minutos, volta ao seu estado normal. E, de sua garganta, sai um grito cheio de dor, lamento e decepção...
__NÃOOOOOO!!!...NÃOOOOOOOO!!!! Ingraaato!!! eu não merecia isso!!!
Pobre jovem apaixonada! Ele não escutava os seus lamentos. Estava bastante entretido com a troca de beijos e abraços com a nova companheira. Repentinamente, no auge do desespero, ela encontra uma solução. Encontra o remédio para curar a sua dor. Atira-se do penhasco. Penhasco esse, que por muitas vezes foi o palco onde vivera muitas das suas cenas de amor.
Os pássaros que sobrevoavam nas copas das árvores silenciaram. A beleza daquela tarde desapareceu como por encanto. Contam certas pessoas que passam por ali, que sempre às sextas-feiras, ao cair da tarde, quando o sol começa a declinar no horizonte, soltando os seus raios sobre a terra, aparece uma jovem vestida de branco gritando:
__NÃOOOOOOO!!!!.... NÃOOOOOOO!!!!...... Ingraaato!!! eu não merecia isso!!
Assim que os raios do sol vão desaparecendo, ela vai desaparecendo junto com eles, deixando atrás de si um eco melancólico e sofrido!
__NÃOOOOOOOO!!!....NÃOOOOOOO!!!.....Ingraaaato! eu não merecia isso!....NÃOOOO!!!.....NÃOOOO!!!....NÃOOOO!!!!

Autoria: Reini Cardoso; Robério Pereira Barreto. et ali., Irecê [BA], 2007. (prelo)
Escrita e revisão: Reini Cardoso; Robério Pereira Barreto
Narração: Estudantes do 6º semestre de pedagogia - Uneb

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

LAB RINTO

LAB RINTO
(Robério Pereira Barreto)

No labirinto de mim mesmo
Desço em todas as ruas a esmo
Em busca de algo e me perco,
Porque nada vejo tampouco conheço.

Na intrépida descida cambaleio
E vejo serenidade na face da morte
E a faceira alegria no espelho da vida.

Assustado, não me acho
Sinto que sou capacho
Desse destino que vadia
Pesando em mim.

Voltar a mim é um alvitre
Nunca estou livre...
À superfície não posso emergir
Sucumbo nas garras do Minotauro;
Solidão!

12 de outubro de 2007, 23h51min

WEBLEITORA DELICIA-SE COM POEMA "CORPO"

"CORPO"
Pleine Lune disse...
Imponderável é o prazer de fazer amor na rede poética de Robério Pereira Barreto... Irresistível sedução...Penetrar nas entrelinhas do seu discurso proporciona um orgasmo múltiplo...a poesia seduz por traduzir o intraduzível com sensualidade, sensibilidade...o desejo de saborear os versos começa com um toque arrepiante das metáforas do poeta...um mergulho profundo nos enigmáticos olhos das conotações...Beijar sua língua(gem) com sabor de erotismo, temperado com chocolate e pimenta...inigualável...Leves mordidinhas na nuca da métrica mais que perfeita... entre gemidos e suspiros as rimas se encaixam...voluptuosamente... Languidamente descansar sobre o ponto final...tesão insaciável...que começa n’O Corpo e só findanapróxima poesia...napróximapoesianapróximapoesianapróximapoesianapróximapoesia napróximapoesianapróximapoesianapróximapoesia napróximapoesianapróximapoesia...

URUBU E O GAVIÃO


Na caatinga sombria e pálida num galho seco de angico, o urubu de bico baixo refletindo sobre sua condição de mensageiro dos moribundos diz:
- Nossa! Neste lugar nada acontece. E isso tem trazido pra mim prejuízos. Vejam como estou magrinho e sem ânimo para voar e procurar comida.
Condoído com a condição de seu parente pobre, o gavião aproxima-se faceiro e cordialmente fala:
- Bom dia, Urubu! Que passa com tão ilustre e temida figura da caatinga?
- Estou triste porque não tenho encontrado comida mesmo neste cenário de seca. Não se morre mais como antigamente. Na caatinga de hoje já não encontro mais esquifes!
- Amigo Urubu, veja que coisa! Eu não tenho passado fome. Sabe por quê? Gosto de comida quente, isto é, sou trabalhador vou atrás. Já você...!
- Pois é gavião, cada um faz o que pode e a vida segue né? De fato, realmente adoro comer um prato frio, ou seja, mortinho da silva!
- Veja aquela Juriti voando vou almoçar agora mesmo veja como se faz!
O gavião em debandada persegue de modo implacável a frágil ave. Aos gritos e velozes batidas de asas, a esperta Juriti voa entre galhos e espinhos pontudos, desvencilhando-se do insensível e faminto gavião. Eis que numa esquina da avenida caatinga, um espigão de mandacaru adianta-se à manobra do pássaro assassino, cravando-lhe o peito. Agonizante clama por socorro:
Juriti, por favor: Tire-me daqui...
A Juriti mesmo ofegante volta e ouve seu pedido e promete: agüente firme gavião, vou chamar seu amigão urubu!
- Nossa! Ele não, não, não...
A Juritir segue para comprir sua palavara. Afinal, palavra de Juriti não pode falhar.
- Urubu? Urubu? Urubu acorde seu depressivo de uma figa!
- Que houve, Juriti?
- Vai salvar seu amigo gavião.
- Por quê?
- Ele se acidentou na avenida mandacaru e está precisando de você.
- Ok. Vou lá.
Aproveitando a corrente de vento norte plaina no ar do sertão, chegando ao local, ver seu amigo gavião em má situação e se aproxima dizendo:
- O que posso fazer amigão.
- Tire-me daqui Urubu!
- Tiro não... ah... ah não tiro mesmo.
- Faça isso não. Preciso viver e pegar aquela Juriti e mostrar a você como é bom almoçar uma comida quentinha.
- Ai é que está o xis da questão, campeão. Se lhe tirar daí, perco a chance de fazer a única refeição que vejo neste cruel e triste sertão. Gavião, sem ressentimento. Mas sou paciente e sempre espero meu almoço esfria. E, tem mais; quanto mais gelado melhor. Então fique frio, por favor.

12 de outubro de 2007.

Robério Pereira Barreto










sábado, 22 de setembro de 2007

PAIXÃO DA MADRUGADA

PAIXÃO DA MADRUGADA
(Robério Pereira Barreto)


Madrugada:
Frio...
E a noite chora baixinho,
Deixando sobre a campina
Sua lágrima;
Jóia rara e fina.


No quarto:
Calor...
Nossos corpos
Em transe aquecem-se
Um sobre outro.


Na fissura:
Suor...
Entre peles
Mina agridoce líquido
Exalado em vapor
A essência do amor.

22 de setembro de 2007, 18h27min.

CORPO

CORPO
(Robério Pereira Barreto)

Dia nubiloso e triste:
Seu riso riscou meu céu
E a chama da vida
Queimou o negro véu
Que até então cobria-me a vista.

Olhos brilhantes:
A paixão faz-me menino
Que brinca traquino
No jardim da existência.

Coração pulsante:
O amor corre
No labirinto corpo
E acalma a alma.

Irecê – BA 15h52min.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

MULAMBO


Ó malvada solidão,
Dilaceras-me o peito,
Mulambeias minh’alma.

Farrapo humano
como estou;
Por ti clamo,
dizendo que triste sou...

Aos prantos me refaço
No afago da vida,
Que piedosa
Acolhe-me no seu regaço.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

IRECÊ: CIDADE CIBERNÉTICA


A título de introdução faz-se necessário informar quais foram os critérios usados para se chegar a essa conclusão. São, na verdade dois os referentes dessa discussão: i) há algum tempo desenvolvem-se observações com vistas à sistematização de tese sobre o ensino de língua materna – escrita – na sociedade de tradição oral. Isto é, Irecê – BA, conforme já dito em outros ensaios é uma comunidade de tradição oral, de modo que sua cultura de letramento é restrita; a ponto de sua história ainda estar sendo contada por aqueles que ainda retêm os fatos e imagens na memória individual e coletiva; ii) Existe também uma interferência direta dos meios de comunicação de massa, representados pelas mídias eletrônicas – rádio e televisão – sendo que este última transmite ao povo local, costumes e comportamentos cuja matriz é do sudeste. Isto ocorre por que a maioria das televisões (99,99%) é ligada à antena parabólicas. Por isso a maioria dos desejos e fetiches sociais, consumistas e culturais tem sua fonte na cultura do sul e sudestes do país.

Por um lado, a questão se alarga quando se percebe que neste lócus não há imprensa escrita com a qualidade necessária para se mudar este quadro de abandono literário e cultural, o qual é carente de produção escrita que valorizem tanto as tradições quanto às necessidades imanentes no que se refere formação de leitores e escritores, conforme se apregoam as políticas nacionais de formação escolástica. Dizendo de outro modo, em Irecê há uma predominância de oralidade acima dos índices nacionais o que o caracteriza com cidade de fala.

Por outro lado, há se tem conhecimento amplo de políticas públicas que incentive a produção escrita e a prática de leitura. Então, eis ai que surgem o espaço para a mídia digital – internete – na qual crianças e adolescentes se fazem usuários efetivos dos ciberespaços e ciberdiscurso, chegando a ocupar, em média 2 horas de seu dia com acessos a sítios eletrônicos e salas de bate-papo que nem sempre levam à pesquisa e muito menos a construção do conhecimento sistemático, uma vez que estes cidadãos cibernéticos já não mais aceitam as mensagens estáticas e conservadoras das mídias televisivas e radiofônicas, comumente encontradas em casa. Isto, sem dúvida tem possibilitado o comércio da informação digital, de maneira que em pesquisa recente verificamos que nesta cidade existem 25 casas de internete – Lan House –, oferecendo acessos digitais a quem quer que seja sem muito controle, isto é, poucas casas digitais realizam o protocolo legal, ou seja, conforme pede a legislação federal; faz-se o registro do usuário de forma correta.

Neste universo digital tem algo muito particular e significativo: os usuários da web estão divididos em conformidade com horário que se dispõe a usá-la. Conforme pesquisado, no período matutino as casas de internete passam a ter movimento a partir das 9 horas da manhã, momento em que boa parte dos usuários, estudantes deixa a escola para irem a tal local para conectarem-se com seus amigos virtuais. No vespertino a lógica se inverte os usuários na maioria das vezes vêm direto a Lan house, permanecendo por lá até fim do horário escolar. O curioso nisso é que tais enunciadores e enunciatários digitais ao serem inquiridos sobre os sítios eletrônicos e quais as finalidades que os acessavam, uníssonos ao afirmaram: acessamos sites de jogos, orkut e menssager para conversarmos com nossos amigos e jogar com eles. Então, por este depoimento pode-se perceber quão a mídia digital está promovendo uma espécie de interação á distância com pessoas que nem sempre terão condições de se encontrarem pessoalmente.

Diante disso há ainda que se destacar a questão do acesso. O mercado da Internet segue o principio o da livre concorrência, isto é, devido à demanda foram se expandindo a rede. Hoje, Irecê – BA tem conforme já mencionado 25 estabelecimentos comerciais oferecendo esses serviços, bem como há alguns espaços públicos com internete pública, porém, estes não correspondem a 10% do mercado privado. Em tamanha vantagem, a iniciativa privada, tem promovido promoções interessantes: Há 4 meses a maioria das casas de internete está com uma promoção tentadora: “acesso por 0,99 a hora” com isso aqueles crianças e adolescentes que compraria lanche na escola por esse valor passaram a gastá-lo com a compra de uma hora de acesso à web, tempo em que lhe possibilita navegar por vários mundos, inclusive lendo informações que jamais a escola e os livros didáticos lhe possibilitariam, sobretudo num rede ensino onde não há bibliotecas com acervos atrativos, além de conhecer pessoas de vária partes do mundo e, assim, trocar informações sobre suas culturas.

Numa dessas visitas de pesquisa ocorreu um fato curioso; uma internauta inquiriu-me:
- Professor, o senhor saber falar estrangeiro?
- Sei inglês e espanhol, por quê?
- É que tenho uma francesa e estou aprendendo a falar com ela. Puts é uma língua massa!”

Neste diálogo, orgulhosa, a internauta continuou a conversa com sua amiga digital, com enunciado lingüístico extremamente híbrido, porém compreensível a ambas. (Em respeito ao sigilo da conversa da minha entrevistada não puder ter acesso aos diálogos, bem como me comprometi em não divulgar nem seu nickname tampouco de sua amiga).

Diante deste contexto, surgem algumas questões importantes a serem discutidas em foros específicos. Ver-se, portanto ai, a necessidade de promover políticas públicas e educacionais nas quais se democratizem os acessos públicos a internete nas escolas, bem como se preparem professores e alunos desde as séries iniciais para que todos possam usufruir os benefícios que a rede oferece.

Assim, todos passariam atuar como cidadãos capazes de lidar com os códigos e mensagens digitais. Nesta primeira faze deste trabalho temos percebido que as crianças e adolescentes tem mais afinidade com a tecnologia do que a escola, isto é, a maioria dos profissionais da educação são ciberfóbicos e, portanto, isso tem dificultado seu trabalho diante da tarefa de ensinar a ler e escrever no mundo das mídias digitais.É diante desses fatos aqui resenhados, se infere que esta comuna está se tornando cibernética á medida que não se têm bibliotecas públicas estruturas, onde estudantes e professores podem pesquisar tanto em livros de referências quanto em sitio eletrônicos especializados. Além disso, aqui e em todo país políticas públicas que favorecem a formação do professor(a) para que estes tenham o domínio das linguagens e mídias digitais, com objetivo de auxiliar na melhoria da qualidade de vida dos estudantes, “cidadãos do mundo!”

domingo, 2 de setembro de 2007

PÓS-MODERNIDADE: A DILATAÇÃO DAS RAIAS IDENTITÁRIAS




Sabe-se que há séculos as culturas foram sendo transplantadas na medida em que os povos foram expandindo seus domínios territoriais. O exemplo típico desse processo é a cultura brasileira, na qual se registram vários elementos das culturas colonizadoras, tendo isto começado com a chegada dos portugueses no litoral brasileiro no século XVI. A despeito de quaisquer discursos xenófobos, é interessante no notar ai a questão da expansão da fronteira cultural e identitária, uma vez que Portugal era visto naquele momento e ainda o é; como cultura fronteiriça, conforme que Santos (2006) ao mostrar que a cultura portuguesa é fruto de uma justaposição de elementos sócio-culturais europeus.

Quanto às identidades, Santos informa que na modernidade elas têm caráter transitório e fugaz, uma vez que não é forte o suficiente para se garantirem no singular, além disso, é importante ainda perceber a semificção na qual se constituem os paradigmas das identidades, até porque quem indaga a identidade se põe em subordinação, colocando-se no lugar do outro na tentativa de encontrar respostas que leve à inferência e ideologia seminecessárias.

Nesse contexto, pode-se citar a poética de Oswald de Andrade a qual surge numa perspectiva irônica e inteligente, desconstruindo os alicerces da hegemonia cultural, deixando expostas às vísceras da ideologia simplista de que seria necessário negar as culturais estrangeiras em nome de uma identidade cultural brasileira. Andrade, artisticamente mostra a necessidade de um canibalismo cultural, chegando a ponto de sugerir um processo de deglutição dos fundamentos das identidades estrangeiras.

Oswald de Andrade demonstrou no Manifesto Pau-Brasil que a mais profunda maneira de se descobrir cultural e identitariamente é por meio da autodescoberta “implicando em presentificar o outro e conhecer a posição de poder a partir do qual é possível a apropriação selectiva (sic) e transformadora dele”. (Santos, 2006, p. 136).

Para Santos (2006) há uma excessiva preocupação sobre lugar da identidade nas ciências sociais, de modo que isto tende a se tornar à pedra de toque de algumas correntes, sobretudo, no que se refere à tentativa de justificar acontecimentos ideológicos e dominantes em determinadas culturas, até porque as identidades nasceram com a modernidade justamente para classificar quem e a qual grupos sociais e culturais pertenciam determinados sujeitos. Eis que ai está o cerne da identidade; a subjetividade. Então, é preciso conceber que é na modernidade que se evidenciam a discussão sobre identidade, visto que é a partir daí que o sujeito se esfacela, perdendo, portanto seus referenciais e, estando, só não lhes outra coisa se não questionar a sua origem. “O conceito de imigração substitui o de raça e dissolve a consciência de classe.” Santos (2006, p. 145). O autor ainda considera importante saber que “as lutas locais e as identidades contextuais tendem a privilegiar o pensamento táctico em detrimento do pensamento estratégico.”

No plano da cultura, impõem-se aspectos dos grupos sociais de uma sociedade, sobretudo, no que se refere à autocriação, pois estes sujeitos buscam em meio às estruturas culturais nas quais, eles construíram suas teias sócio-culturais. “é que a cultura de dado grupo social não é uma essência. É uma autocriação, uma negociação de sentidos que ocorre no sistema mundial e que, como tal, não é compreensível sem a análise da trajectória (sic) histórica e da posição desse grupo no sistema mundial.” (Santos, 2006, p. 148).

Assim, conclui-se que na pós-modernidade tanto os sujeitos quanto as raias que demarcam as identidades são flexíveis e, portanto, instáveis o suficiente para garantir a justaposição de elementos locais e globais quase que simultâneos. Então, falar em identidades é aceitar os paradoxos impostos às comunidades mundiais, uma vez que à medida que se quer global, se reclama as tradições locais na tentativa de auto-afirmação. Dessa forma, poder-se-ia inferir que a pós-modernidade é ponto nefrálgico da humanidade tardia, isto é, há no homem moderno elevado grau de instabilidade quanto a seu desejo de identidade. Nas Américas isto se acentua de maneira sistemática, visto que o processo de colonização cumpriu o papel de miscigenação das culturas. Os fluxos migratórios a sentar às terras de Colombo tornaram-se ponto de discussão sobre identidades por que estes foram resultantes de diásporas, tendo na Europa o epicentro desse processo conflituoso no quais nações supostamente mais desenvolvidas política, cultural, religiosa e economicamente oprimiram àqueles que se mostram resistentes as tais transformações.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

LÁGRIMAS DA PARTIDA



Nas trilhas da solidão
Desfaço meu coração
Em milhões de mim

Tal o vento faz
Com a seca semente
De capim gordura,
Na lonjura do sertão afora.

No meu existir...
Nas veredas da solidão
Derramo meu coração.

Nos carreiros da vida
A alma sozinha...
Aflita colhe margaridas
Nos banhandos das lágrimas
Derramadas na partida.

27 de agosto de 2007, 23h 04min



Robério Pereira Barreto

INTERAÇÃO SÓCIO-CULTURAL ATRAVÉS DO TELEFICÇÃO*

*
Este trabalho discute as interações sócio-culturais criadas pelo consumo na sociedade contemporânea. Portanto, o fulcro é a homogeneização dos sentidos promovida pela teleficção brasileira quando, nelas, são apresentados ícones de beleza e comportamento com intuito de transformá-los em paradigmas e, assim, corporificá-los no cognitivo social, levando ao desejo e à fixação por determinadas condutas, nas quais não se tem estrutura cultural nem política.
Sabe-se que a teleficção produzida no Brasil nos últimos anos, especificamente, a partir da segunda metade da década de 90, perdeu seu fio estético-narrativo. Os autores e diretores passaram a atender às especulações do mercado, isto é, incluíram e ou deixaram espaços em suas tramas novelísticas para a publicidade, na qual os patrocinadores metaforicamente vendem seus produtos ao público, o qual, às vezes, se obriga a adquirir-los para se fazer reconhecido na/pela comunidade à qual pertence. Tem-se, pois, as publicidades de cosméticos e carros cujas mensagens têm públicos específicos.
Conforme afiançam os sociólogos e antropólogos contemporâneos, a Mídia, na atualidade, é o principal elemento de mediação sócio-cultural nos países latino-americanos, tendo na teleficção – novela – seu principal mecanismo homogeneizante das culturas, uma vez que todas as classes e sexos assistem a este programa.
A conglobação das culturas via teleficção é fruto de ações conjuntas entre o Estado e Instituições Privadas que promovem o alargamento das fronteiras dos desejos, isto é, as empresas de mídias, sobretudo, a televisão situam e expandem ideologias do mercado, em contrapartida elevam imagens e soberania dos governos. Para Barbero (2003, p. 141) isto acontece porque há uma substituição na qual se “possibilita a passagem da unidade de mercado à unidade política”, integrando de modo sistemático as culturas consumistas criadas pela teledramaturgia nacional.


Embora sejam recentes as preocupações da academia a respeito homogeneização da cultura novelística brasileira, no que se referem aos padrões de consumo ofertados através de merchandising nos intervalos dos capítulos diários dos folhetins, cuja mensagem publicitária tem levado à massificação de elementos culturais e, às vezes, ao resgate de princípios da cultura subalterna, transformando-os em produto da moda. (Veja-se, pois, o exemplo da personagem Bebel, de Paraíso Tropical, da rede Globo de Televisão, exibida de segunda a sábado às 21 horas, por meio da qual se vende padrões sócio-comportamentais a preços módicos a uma massa de espectadores incultos. Subliminarmente estão ai, intenções consumistas promovidas pelas imagens de espaços que, jamais serão ocupados pela maioria dos consumidores normais. Entretanto, estes construirão no seu imaginário modelos de consumo relativos aos apresentados na teleficção. Imagina-se, pois, que vários espectadores – homens – desejariam ser nem que fosse por um dia um Olavo da vida, ou uma espectadora ser uma Bebel nas calçadas da Copacabana – Rio, uma vez que a representação do espaço é legitimando pelas imagens e o glamour do Rio de Janeiro – Cidade Maravilhosa.

Dito isto, portanto, este trabalho se inscreve numa perspectiva de recensão teórica tanto dos objetos – teleficção nacional – quanto das discussões semiótica e sociológicas que permeiam a cultural televisiva do país.


* Comunicação a ser apresentada no I Encontro de Educação, Marxismo e Emancipação Humana no Território de Irecê, do DCHT, Câmpus XVI, Universidade do Estado da Bahia, Irecê – BA, de 19 a 21 de outubro 2007.
* Imagem captada na internete direto do sitio eletrônico www.diretodoestudio.globolog.com.br

domingo, 26 de agosto de 2007

GÊNEROS TEXTUAIS DAS MÍDIAS, PERSPECTIVAS DE ENSINO DE LEITURA E ESCRITA

Este texto é síntese do projeto homônimo. Com efeito, intui como perspectiva a construção de uma consciência coletiva, na qual os profissionais da linguagem possam de fato, entender que a tecnologia e a mídia fazem parte do novo cenário educativo e processual da aprendizagem. Para tanto, tem nos gêneros textuais sua maior aplicabilidade, de maneira que, tais produções se hibridizam no universo da informação, dando ao leitor maior oportunidade de interpretação.

Antes de se imergir no universo conceitual de gêneros textuais e discursivos que permeiam a mídia, é importante dizer que a sociedade em que se vive hoje, é um espaço de letramento, por isso demanda de novos elementos sintagmáticos e paradigmáticos na compreensão dos processos comunicativos que estão sendo apresentados via mídia de massa aos estudantes em espaços não escolares.

A escola enquanto meio de formação de leitores e produtores de texto não pode desprezar a riqueza dos gêneros discursivos e midiáticos usados pela imprensa para a manipulação das ideologias capitalista e consumista elaboradas pelo Estado.
Desta forma, este projeto está dividido em duas partes: na primeira apresentar-se o pensamento bakhtineano de gêneros textuais; na outra, discutir-se-á a teoria de estruturação, de Giddens e, também questões de semiótica da cultura, a partir de Culturas das mídias de Lucia Santaella e Mídia e modernidade de John B. Thompson.
A compreensão dos gêneros do discurso é segundo a acepção de Todorov (1980), uma forma de “mergulhar” no oceano de signos existentes na sociedade da escrita, imprensa. Esta é aqui compreendida como mídia de massa e os textos produzidos nessa perspectivas ganham segundo orientação de Bakthin (2002), categoria de gêneros textuais, significando que dessa maneira há uma completude nos dois pensamentos.
Marcondes e Meneses (2003) ponderam que, na atualidade, há uma lacuna a ser preenchida pelo professor em sala de aula; ausência de trabalhos com textos de circulação social – jornal, letra de música, anúncios, outdoors – isso leva à negação do estudante como cidadão, o qual percebe que nos espaços não escolares também há letramento[1]. Diante desse contexto, a ação de leitura e escrita na escola deve ser ampliada através da aquisição de materiais midiáticos, nos quais a discursividade é uma marca estilística.
A escola cada vez mais se afasta da realidade lingüística e cultural do cotidiano, porque, às vezes, concentra seu esforço e metodologias na leitura e produção de gêneros escoláticos, esquecendo que escrever é uma atividade que exige basicamente as habilidades de fazer associações de diálogos com outras escritas. Dessa forma, escrever consiste fazer perguntas a uma gama de textos já armazenados no inconsciente individual e coletivo, sendo que neste último, a polifonia torna-se característica da mídia.
Já a leitura para Marcondes e Meneses (2003) é uma ação que está psicologicamente liga à capacidade de se fazer questionamentos, buscando as respostas tanto nos elementos explícitos quanto implícitos no texto, ideologia. Com isso, a presença de textos sociais tanto no espaço escolar como no ambiente não escolar é uma realidade a ser considerada, enquanto mecanismo de ensino-aprendizagem.
O trabalho de produção e compreensão dos gêneros discursivos nas mídias precisa ser visto pelo professor como uma forma importante de comunicação, na qual se aplicam as metodologias de aprendizagem de língua e linguagem. Considerando que os gêneros discursivos veiculados nas mídias, segundo Todorov (1980) são carregados de magia e que trazem consigo, uma fórmula que atrai o leitor-espectador também para o universo de deleite. É justo, portanto, que a escola estude esse material com o mesmo entusiasmo de seus produtores.
Ainda conforme Todorov (1980, p. 424) a criança ao ser estimulada pela leitura de textos variados, sobretudo os que estão fora do espaço escolar e fazem parte de seu cotidiano, a sensibiliza para ampliação de sua capacidade lingüística, uma vez que ela já maneja a linguagem com destreza e magia. “Ao crescer, ela não é coagida a modificar esse hábito, pois as palavras lhe asseguram sempre o domínio das coisas.”
Para Bakhtin (2002) os gêneros discursivos se caracterizam pela apresentação e construção de tema e estilo específicos. Ainda segundo esse teórico, a comunicação humana se dá com base nos gêneros, os quais são determinados tanto pelo espaço formal; escola, quanto pelo informal; mídia impressa. Considerando a tese bakhtineana de gêneros discursivos como elemento estruturador da comunicação interpessoal, Machado (2005, p.139) defende que:
O ensino de produção e compreensão de textos deve centra-se no ensino de gênero, sendo necessário, para isso, que se construa, previamente, um modelo didático do gênero, que defina, com clareza, tanto para o professor quanto para o aluno, o objeto que está sendo ensinado, guiando, assim as intervenções didáticas.

Marcondes e Meneses (2003) sopesam que através da observação e uso sistemático dos gêneros textuais nas mídias impressas, na sala de aula como instrumento de construção de sentidos é, sem duvida, uma maneira de atender ao interesse da escola; desenvolvimento da intelectualidade do estudante por meio de seus textos – livros, ensaios científicos -; e outro é de interesse do aluno, que ler o que é recorrente socialmente, bem como produz textos explorando os discursos do ambiente social.
A leitura é, enquanto prática de letramento, um meio de conhecimento e compreensão de uma realidade social que ultrapassa a idéia de simplesmente codificar símbolos gráficos (Bezerra, Loureiro & Maldonado, 2001). É através da leitura que o indivíduo constrói uma visão reflexiva e crítica da realidade na qual está inserido. Essa concepção de leitura é descrita pelos novos Parâmetros Curriculares Nacionais (MEC, 1999) e as Novas Diretrizes Curriculares para o ensino médio, que propõem uma articulação entre as práticas de leitura escolar e as práticas sociais para que o aluno aprenda de forma contextualizada e desenvolva a crítica ao ler o mundo e ao escrever sobre ele. Esse é o grande desafio da escola, que vai além da alfabetização do aluno, ou seja, ensinar o domínio do código escrito. Cabe à escola tornar o aluno um indivíduo letrado, habilitando- o a usar a escrita em atividades comunicativas e culturais e a compreender o mundo de forma crítica e contextualizada. Embora o meio social e familiar sejam ambientes favoráveis ao letramento, a escola é uma grande influente no desenvolvimento de níveis de letramento. Aqui o termo letramento é tomando com elemento que tem despertado amplas discussões e gerado diferentes concepções entre estudiosos das áreas da educação, da lingüística e das ciências sociais. Para Soares (1998) isso funcionar efetivamente no grupo ou na comunidade significa compreender o mundo da escrita no qual o indivíduo está inserido. Na busca de compreender as implicações da escrita no mundo social, surgiu o termo letramento. Trata-se da versão em português da palavra “literacy”, que vem do latim “littera” (letra), com o sufixo “cy” (condição, qualidade) (Soares, 1998; Ribeiro, 2001). Sob a ótica do letramento, a leitura e a escrita são vistas não apenas como a tecnologia de registrar a fala em escrita, de decodificar a escrita em fala, mas enquanto práticas sociais que possibilitam uma melhor inserção cultural do indivíduo (Soares, 1998).

[1] Atualmente, considera-se que, para o indivíduo inserir-se em uma sociedade letrada, ele precisa ser capaz de compreender textos escritos, mesmo que não tenha o domínio do código escrito, isto é, mesmo que não seja alfabetizado. Ser alfabetizado e ser letrado são condições diferentes. O indivíduo alfabetizado é aquele que domina a tecnologia de ler e de escrever. Já o indivíduo letrado é aquele que usa funcionalmente a leitura e a escrita nas práticas sociais cotidianas, de forma a favorecer sua inserção cultural (Soares, 1998).

AMOR CARTÃO DE CRÉDITO








Você diz que me ama
e aos quatro ventos
meu singelo nome chama.


Quando lhe procuro
não a tenho...
Quando a tenho é riscoso
tal andar sobre trilho no escuro.

Dissimulada, não está
nem ai pro meu tesão.
Se rir não é pra mim, sei!
Depois do pseudo-amor
Gargalha ao relento
de olho no meu cartão.
Louca, quer saber se
ainda no banco da emoção
deixo lhe escapar
os últimos miseros tostões.
Devota ao amor medido
e pago em moeda certa,
pede meu cartão de crédito!
26 de agosto alta madrugada.