domingo, 15 de novembro de 2009

DISCURSIVIDADE E NOMADISMO NA WEB

A contemporaneidade tem sido marcada por divergências conceituais e teóricas entre os estudiosos das ciências humanas. Ao mesmo tempo em que a reconhece o rompimento das fronteiras fixadas a detratam-na por ter em si elementos da modernidade ainda não terminada.

Nesse contínuo fluxo encontram-se e deslocam-se os conhecimentos em várias vertentes, dentre as quais o discurso da ciência é posto em destaque devido à crise da hegemonia pretendida pela ciência moderna.

Por outro lado, uma nova ordem discursiva tem se instituído, isto é, na contemporaneidade há novos meios de propagação das ocorrências sociais, políticas, culturais e científicas, a web que suporta as tecnologias de informação e comunicação – TICs.

A web com sua força motriz tem posto a baila a crise e a correlação de forças existentes entre “conhecimento cientifico e o conhecimento vulgar tenderá a desaparecer e a prática será o fazer e o dizer da filosofia da prática” (SANTOS, 2006, p.20).

Quanto à outra vertente do discurso, sobressai o saber, a da sua metodologia de transmissão, ou seja, o discurso acerca do saber tornou-se facilmente descrito à maneira pela qual tem prevalecido a mutação dos critérios que nomeia o desempenho, bem com aqueles que os afetam.

Assim se questiona: que tem autoridade para transmitir e legitimar as informações veiculadas na web? O que é transmitido e de que lugar nasce? A quem interessa tal produção? E de que forma é trasmitido? Nesse contexto de discursividade nômade e, sobretudo, potencial o mais provável é que se reconheça a presença e a legitimação dos experts em discursos, as mídias.

Desse ponto de vista é importante dizer que por meio da web tem havido a formação de uma nova forma de se produzir saberes e, consequentemente, conhecimentos. É significativo ainda afirma que há uma geração de jovens produzindo e postando na web questões fundamentais do cotidiano, isto é, desde fotos e scraps no orkut até informações sigilosas que promovem o caos nas organizações consideradas ortodoxas.
Nesse conjunto de ações ficam prementes os movimentos de pensamento e seus deslocamentos discursivos, visto que seus autores não podem ser considerados a partir de um lugar fixo, ao contrário, todos se movimentam na velocidade da rede, construindo e dando significado para suas atividades e linguagens próprias da web.











domingo, 8 de novembro de 2009

EDUCAÇÃO E TECNOLOGIAS INTELECTUAIS: NOVO CONTRATO SOCIAL

Anuncia-se neste ensaio o pensamento que hora se constrói a respeito do binômio contemporaneo: educação e tecnologias intelectuais o qual pode se tornar um novo contrato social para a sociedade que se apresenta cada vez mais tecnológica, contrariando assim à expectativa da escola que, convencionalmente está atrasada em relação ao uso das tecnologias intelectuais, embora o Estado insista na publicidade da escola informatizada.
Pensar em educação, hoje, pressupoe quase que automaticamente em pensar em tecnologias intelectuais, uma vez que a sociedade esta imersa em processo ciberculturais, exigindo assim uma nova maneira de olhar a pluraridade em que se transformam as ações educativas da sociedade tomada pelo novo espírito e cultura do capitalismo.
Diante dessa novo movimento uma nova concepção de educação se faz necessária, isto é, a educação do cidadão, hoje, solicita e introduz no contexto educacional brasileiro elementos complexos circunstanciais de um coletivo pautada na perspectiva de uma vida suportada pela mais valia intelectual e que ao mesmo tempo reclama por saberes locais, nacional e planetário de modo que as tecnologias passam a fazer essa papel edificando as redes sociais do conhecimento.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

CIBERDISCURSO: UMA PERSPECTIVA DE LINGUAGEM


 

    Pretende-se neste subtópico apresentar algumas questões relativas às linguagens do ciberdiscurso ancoradas pelas tecnologias da informação e comunicação – TICs – na perspectiva de que elas têm na internet uma ferramenta de divulgação e, portanto, são permeadas de elementos e sentidos e significação de linguagem.

    Assim sendo, reconhece-se que
tecnologia tem crescido tão rapidamente que se torna difícil designar, classificar e ou acompanhar suas variações técnicas e, sobretudo, pontuar qual a linguagem que será a ela anexada pelos usuários, sobremaneira aqueles que se vinculam à internet. A cada dia, novos equipamentos surgem no mercado e, em pouco tempo, o que era de última geração passa a ser obsoleto, em nome do conforto e da rapidez.

    Uma das áreas que mais tem avançado e se difundido em praticamente todas as classes sociais, é a internet. E, juntamente com esse desenvolvimento, cresce a preocupação de pais e professores com a linguagem que se praticam nesse ciberespaço. Essa linguagem tem até vários conceitos, ciberdiscurso (Barreto; Baldinotti, 2005) internetês (Araújo, 2004, Bisognin 2009).

    A internet tem proporcionado um espaço no qual os internautas exploram suas capacidades cognitivas, comunicacionais e a criatividade linguística de maneira a caracterizá-los como seres humanos facultados de ação de linguagem. Isso sem dúvida tem levado à interação social dos mesmos, se tornando cada vez mais rica em virtude das práticas socioculturais que levam à subversão da ordem instituída pela linguagem canônica da escola, visto que essa reconhece apenas a escrita como tecnologia estática empregada ao suporte do papel.

    Para Bisognin (2009) o suporte tecnológico da internet tem facilitado o uso variado da linguagem na web, inclusive no chat, Orkut, weblog, Msn, etc. de modo tal que os apologetas da variante canônica da língua chegam a considerar a linguagem da web como um empobrecimento. Por outro lado, reconhece na linguagem do ciberdiscurso e ou internetês uma forma de enriquecimento do idioma, visto que nesse particular exerce-se a liberdade e a democracia linguisticas.

    Para compreender o que acontece com a linguagem quando cibernauta se comunica por meio, por exemplo, do msn – que é um programa de bate-papo que permite conversas instantâneas – temos de considera-se a internet como um meio muito rápido de comunicação. Assim, isto revela que o texto usado no msn é muito próximo da língua falada e, portanto, tem sua pertinência enquanto linguagem no suporte tecnológico que veicula e não há motivos para alarmes.
    Destaca-se que, nesse caso, há uma economia na escrita das palavras, isto é faz-se corruptelas de algumas letras para evidenciar a emergência da escrita e com isso novos significados são atribuídas às conversações. Lembra-se, pois, que isso não é novo, visto que há muito tempo se praticava a corrupção e ou codificação do texto nos telegramas, sendo tal economia articulada na perspectiva de sintetizar a mensagem e assim diminuir o preço do serviço.

    Sabe-se ainda que essas modificações levem à alteração dos sentidos da mensagem, uma vez que a linguagem passa a ter outro significado. Este de acordo com Coseriu (1979b) é o conteúdo de um signo lingüístico em sentido estrito, é a configuração das possibilidades de designação.

    No que se refere aos sentidos articulados nas mensagens postadas e trocada na web pelos cibernautas, os sentidos passam a assumir destaque quando seu conteúdo especialmente é postos no próprio texto, isto é só existe sentido no plano do texto, no ato da fala de um falante numa determinada situação, e não no falar em geral ou nas línguas. Coseriu (1979b)

    Assim, tomando a produção de linguagem escrita no internet como ato comunicativo que se aproxima da fala, tem-se, na verdade, uma produção de significado e sentido efetivados por meio de uma variante de linguagem além da ideia canônica de escrita.

    Ao se utilizarem programas como o msn, a comunicação ocorre através de um meio escrito, no entanto o texto é oral. Sendo a internet um meio que exige agilidade e rapidez, a escrita por meio de abreviaturas faz com que a comunicação seja mais rápida, simulando assim a mesma rapidez da fala.

    Então pais, professores que ainda não foram articulados sobre a produção de linguagem por meio das farramentas da internet – chat, orkut, weblog, msn, etc acalmem-se. Essa forma de escrita já faz parte do cotidiano virtual de todos nós e não tem mais como ignorá-la, tampouco impedi-la.

    A língua à maneira de Saussure é um sistema vivo e, portanto, adequa-se às situações de comunicação. Isso não significa dizer que agora "pode-se escrever de qualquer forma na web.". As abreviações são permitidas no msn, no orkut, nos e-mails informais, nos chats (e até nesses textos existem regras! Caso contrário, nem mesmo os internautas se entenderiam), não cabe usá-las em outros gêneros textuais.

    O ciberdiscurso ou internetês não prejudica o bom português, porque os comunicantes dessa modalidade sabem que se trata de uma linguagem de uso específico no ambiente virtual. Por outro lado, sabem que o acesso livros, jornais e revistas da web compõem seus espaços de leitura. A nós professores, cabe o papel de ampliar a capacidade de recepção e produção textual dos alunos, priorizando a formação de escritores e leitores competentes, que saibam usar a língua nas diversas situações de interação.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

SIMPLESMENTE À LUA...

Olha para céu e vejo a lua

Passeando pela rua

Lindamente nua...


 

A falta que sinto no peito

É a ausência sua...


 

Percebendo o meu desânimo,

Ela [lua] se envolve na nuvem branca

Que a rodeia escondendo seu ânimo

No véu que passeia por seu corpo

Cálido e misterioso me faz invejoso.


 

03 de novembro de 2009, SSA, 20h50min.

Robério Pereira Barreto

O SILÊNCIO E A REIFICAÇÃO DO CORPO FEMININO

    

Este trabalho tem como objetivo visualizar o silêncio e a reificação do corpo feminino, em 234 contos – Dalton Trevisan -, buscando destacar o poder masculino empreendido no discurso direto dos personagens masculinos

Escrever sobre o silêncio é uma tarefa que apresenta de imediato dificuldades, sobretudo, quando a escrita está relacionada com o texto literário, sendo que a linguagem literária, sustenta-se num sistema semiótico secundário, o qual busca afirmação para o significante no sistema lingüístico. Logo, é licito dizer que é a partir desse entendimento que se constrói os discursos literários numa perspectiva de conotação. Se entendermos que o silêncio, também é um tipo de expressão/discurso e que tem certo grau de conotação, sem dúvida, a contribuição de Lefebvre sobre o conceito de conotação corrobora de maneira magistral para a compreensão das nuances que subjazem o silêncio que torna o corpo feminino das personagens de Trevisan algo reificado no texto literário.

Uma verdadeira conotação só se manifesta quando a palavra é empregada precisamente por oposição à palavra corrente'flingue' é calão e reenvia, por isso, a um certo meio social. Parece, pois, que o termo conotação deve ser reservado para sentidos de uma palavra ou de uma expressão que podem existir virtualmente na experiência que temos da coisa designada por essa palavra, ou nas associações que nascem do uso que se faz dessa palavra (ou expressão) na linguagem em geral, ma que só se actualizam pelo seu emprego particular num certo discurso. A conotação é um sentido que só advém à palavra numa dada situação e por referência a um certo contexto (de linguagem ou vivido).


 

    Dessa maneira, convém deixar claro que, tomo o silencio como uma forma de discurso que, certamente provoca reflexão, de qualquer maneira, crê que seja interessante dizer já de imediato que a premissa básica para o desenvolvimento desse trabalho é a observação das marcas que o silencio deixa no discurso do texto literário moderno. Todavia, convém afirmar que tal procedimento será realizado a partir da análise dos contos de 234, de Dalton Trevisan, que em seu bojo tem uma série de expressões discursivas que conotam ideologias que não são completadas pela linguagem verbal.

há uma dimensão do silêncio que remete ao caráter de incompletude da linguagem: todo dizer é uma relação fundamental como não dizer. O silêncio é assim a "respiração" (o fôlego) da significação; um lugar de recuo necessário para que se possa significar, para que o sentido faça sentido. Reduto do possível, do múltiplo, o silêncio abre espaço para o que não é "um", para o que permite o movimento. O silêncio como horizonte, como iminência do sentido..." (ORLANDI, 1997, 12-13).


 

    As relações discursivas criadas na narrativa de ficção contemporâneas têm movimentado uma série de estudos, despertando assim o interesse da crítica e dos estudiosos. Todavia, isso não é gratuito, pois os debates atinentes, a questão sígnica do silencio no discurso literário, tem de tal modo considerado esta marca lingüística como uma forma de expressão.

No plano lingüístico, este evento leva-nos a velha polêmica da filiação teórica, isto é, o signo lingüístico é interpretado de maneiras diferentes, de forma que a Semiótica e a Analise do Discurso tem realizado ações conflitivas quando das observações das marcas que configuram o silencio. Se aceitarmos a idéia de que a teoria da análise do discurso, certamente parte para o porto que leva a inferência de que somos resultado dos discursos apreendidos ao longo de nossa existência, em contrapartida temos a Semiótica e o Estruturalismo Lingüístico que nos remete ao pensamento de que todo signo tem uma função ideologia, estando implícita ou não na construção discursiva.

Entendendo que este estudo deve pauta-se numa teoria, elegemos para tal fim a teoria de Bakhtin, destacando a linha que dá conta da interação verbal, cujo cerne é o pensamento filosófico - linguístico que liga os discursos literários.

Este trabalho visa argumentar e colocar em discussão alguns pontos que marcam o processo narrativo de Dalton Trevisan, de maneira que a eleição da obra 234, dar-se em virtude da configuração do espaço discursivo empreendido na narrativa, de tal maneira que o autor realiza o discurso em uma linha seqüencial, possibilitando assim a diluição do silencio num contexto altamente contrastivo, isto é, de um lado a cultura machista – poderosa, imponente - de outro a feminina, submissa e quase imperceptível na fala do narrador, concretizando assim o pensamento bahktiniano que afirma:


 

O subjetivismo individualista apóia-se também sobre a enunciação monológica como ponto de partida da sua reflexão sobre a língua. É verdade que seus representantes não abordaram a enunciação monológica do ponto de vista do filólogo de compreensão passiva, mas sim de dentro, do ponto de vista da pessoa que fala, exprimindo-se.


 


 

    Assim sendo, busca-se sustentação teórica nas observações dos estudos semiológicos realizados pelos membros do círculo de Bakhtin, o que conseqüentemente, levará aos estudos da análise do discurso, pois o texto de Trevisan está carregado de símbolos, inclusive o silêncio, que está configurado nas marcas lingüísticas. Dessa maneira, é lícito que se transite também nas idéias de Roland Barthes y Pêcheux, que certamente nos orientará sobre os processos lingüísticos que subjazem a questão do silencio no discurso literário.

    Entende-se que o silêncio é uma forma de expressão, de modo que o discurso empreendido por Trevisan na obra em questão, situa-se num ponto nefrálgico deste trabalho, de tal maneira que o texto em estudos está repleto de pontos em que se apresenta a submissão da mulher. Com efeito, registra-se isso com maior vigor nos contos em que as personagens femininas ouvem os discursos dos personagens masculinas sem fazer contestação.

    No plano filosófico e, sobretudo, ideológico da linguagem Bakhtin (1997:31-38) corrobora ao afirma que "um produto ideológico faz parte de uma realidade (natural ou social) como todo corpo físico, instrumento de produção ou produto de consumo; mas, ao contrário destes, ele também reflete e refrata outra realidade, que lhe é exterior. Tudo que é ideológico possui um significado e remete a algo situado fora de si mesmo. [...] tudo que é ideológico é um signo. Sem signo não existe ideologia."

Neste caso, é possível perceber que o silêncio em um discurso carregado de pausa como o existente em 234 leva-nos a inferir que tal atitude narrativa é uma forma ideológica, em que está implícito todo poder de uma cultura baseada nos mandamentos machistas. Todavia, as personagens femininas agem de maneira silenciosa, possibilitando uma ação dissimulada dos episódios que estão presentes na estrutura discursiva dos personagens masculinas.

Partindo de um pressuposto filosófico, sobretudo no que se refere ao processo condenativo empreendido pelos personagens masculinos contras as femininas dos contos em estudos, poder-se-ia dizer que Foucault (1987), estabelece este tipo de castigo como sendo o resultado de um no código corretivo, no qual "as punições estão menos diretamente físicas, certa discrição na arte de fazer sofrer, um arranjo de sofrimento mais sutis, mais velados e despojados de ostentanção."


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

BACCEGA, Aparecida Maria. Palavra e discurso: história e literatura. 2. ed. São Paulo, Ática, 2000.

FOUCAULT, M. História da sexualidade I: vontade de saber. Trad. Maria Thereza da Costa Albuquerque e J. A Guilhon Albuquerque. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1990.

LEFEBVE, Jean-Maurice. Estrutura do discurso da poesia e da narrativa. Coimbra, Livraria Almedina, 1980.

ORLANDI, Eni Puccinelli. As formas do silêncio: no movimento dos sentidos. 4. ed. Campinas, Editora da UNICAMP, 1997.

TREVISAN, Dalton. 234 contos, Rio de Janeiro: Record, 1997.

WALDMAN, Berta. Do vampiro ao cafajeste: uma leitura da obra de Dalton Trevisan. 2. ed., São Paulo, Hucitec, 1989.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

SIMPLESMENTE POESIA A...

AMENIDADES


 

Quando estou triste

Pequeno e me sentido

Imerso no mundo no qual

A solidão me toma a alma,

Lembro de seu sorriso que,

Feliz e reluzente tal a lua cheia,

Faz me reagir.


 

Enxugando as lágrimas que

Banham-me a alma nessa hora

Entrego o meu ser em seus braços

Para viver intensamente essa paixão.


 

No seu colo deitarei meu calor

Para nos seus seios beber a seiva do amor

Que escorrendo de nossas bocas

Iguala-se ao rio que sai do imo da serra

E desliza mansamente leito a fora...


 

29 de outubro de 2009, 19h30min

Salvador -BA

 

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Ampliando possibilidades de comunicação

CIBERESPAÇO: LIBERALIDADE LINGUÍSTICO-COMUNICACIONAL

                    

                                Robério Pereira BarretoL


 

Introdução

Ferreiro

    Após as descobertas de Saussure, é normal ver-se em grandes compêndios a afirmação de que o papel fundamental da língua é a comunicação. Não havendo, portanto, muito que se obstar a isso, se aceita que a comunicação só se realiza com êxito quando os agentes do ato comunicativo compreendem bem o que ambos dizem. Por isso é necessário que os interlocutores estejam aptos a decodificarem as mensagens e códigos lingüísticos usados no sistema (fala e escrita) para, assim, interagirem de maneira significativa.

    Nesse processo, os comunicadores, os quais, segundo a teoria da comunicação são as pessoas que participam do processo de interação comunicativa e, portanto, os responsáveis pela continuidade da língua como mecanismo de interação sócio-cultural. Com efeito, nesse arcabouço lingüístico comunicativo se estabelece de fato à comunicação, porque os sujeitos do enunciado e da enunciação fazem uso da linguagem comum, à qual se dá no processo de interação que, a partir da construção e negociação dos sentidos propostos se define como mensagem inteligível.

Portanto, a linguagem abre aos comunicadores várias possibilidades de interação quando apreendem os sentidos por ela veiculada, uma vez que é formada pelo verbal e não-verbal. Sendo que a verbal tem como sua unidade básica a "palavra". Já não-verbal tem como meio de transmissão de sentidos a imagem, o gesto, a música, etc. além dessas, há também as chamadas linguagens mistas que, segundo teóricos da comunicação, estas se dão por meio da junção de imagens e palavras. Por exemplo, nas histórias em quadrinhos, no cinema, na publicidade, etc.

No que se refere à capacidade comunicativa promovida pelas linguagens da web, afirma-se que, devido à unicidade da palavra, a linguagem verbal é mais eficaz, porque transmite a informação com mais objetividade, inclusive dá aos interlocutores, maior poder na atribuição de sentido à mensagem.

A linguagem visual, contudo, é a mais econômica, porque veicula a informação com maior rapidez. Assim, há quem considere este tipo de mensagem mais complexa, posto que exija dos agentes comunicativos um nível maior de conhecimento, por isso, às vezes, não atinge o objetivo desejado durante a comunicação.

    Nessa perspectiva, é pertinente lembrar que além da palavra (oral e escrita) há também os códigos convencionalmente articulados, como por exemplo, os emoticons - :), ): - e as omonomatopeias – kkkkk, hehehe, rsrsrsr – da comunicação via chat e scraps.

    Historicamente, a sociedades se compõem de sujeitos que através do assujeitamento lingüístico, ideológico e cultural vivem as contradições: liberdade e submissão. Isto, segundo Orlandi (2003:50) significa dizer que os naturais e os migrantes convivem num espaço no qual são livres e submissos uns aos outros ao mesmo tempo; submisso às suas tradições – colocando-as como superiores às locais - e livres quando às praticam como sendo uma inovação na cultura do local. "[...] o assujeitamento se faz de modo que o discurso apareça como instrumento (límpido) do pensamento e um reflexo (justo) da realidade."(Orlandi, 2003, p. 50).

    Ainda segundo Orlandi é possível compreender que:


 

Ao dizer, o sujeito significa em condições determinadas, impelido, de um lado, pela língua e, de outro, pelo mundo pela sua experiência, por fatos que reclamam sentidos, também por sua memória discursiva, por um saber/poder/ deve dizer, em que os fatos fazem sentido por se inscreverem em formações discursivas que representam no discurso as injunções ideológicas. (Orlandi, 2003, p. 50).

    

    Em verdade, o sujeito discursivo, ser da memória ideologicamente formada na enunciação, está de algum modo, submetido às regras da língua, à história em quando discurso realizado, fazendo, portanto, parte da materialidade da histórica. Em que a representação simbólica da realidade está no cotidiano da linguagem, levando estes falantes a mostrarem por meio dos sentidos, as evidências de sua ideologia. "A evidência, produzida pela ideologia, representa a saturação dos sentidos e dos sujeitos produzida pelo apagamento de sua materialidade, ou seja, pela sua des-historicização" (Orlandi, 2003, p. 55).

A interação verbal é a comunicação realizada a partir do pensamento saussureano de que a língua é um sistema ao qual estão ligadas a fala e língua, sendo que está última é colocada em movimento através da relação direta entre falante e destinatário.

Tais usuários desempenham papéis importantes no processo de comunicação pois, o falante tem em sua fala informação cujo paradigma é resultado de suas experiências sócio-culturais, bem como o destinatário, também os tem. Assim, o falante ao dirigir seus enunciados ao destinatário deseja realizar algum tipo de mudança no paradigma deste.

    Através da intenção, tenta antecipar o grau de modificação promovido no ouvinte; perspectiva igual é esperada pelo ouvinte ao interpretar a mensagem a ele proposta, reconstruíndo-a por meio de seus paradigmas.

    Dessa maneira, a competência que o ser humano tem em manter relações comunicativas com o outro, é devido à mediação proposta pela sociedade, de maneira que os símbolos, gestos, cores, figuras e palavras se organizam em sistemas cuja complexidade é singular. Isso se torna meios de interação verbal e é o único meio de expressão que traduz os sentimentos e desejos dos agentes envolvidos na comunicação: emissor e receptor em conversa por telefone na qual se empregam os mais variados recursos interação verbal.

        A interação verbal – que é a interação social estabelecida por meio da linguagem – constitui uma forma de atividade cooperativa estruturada: "estruturada", porque é governada por regras e convenções, e "cooperativa", porque necessita de, pelo menos, dois participantes para atingir seus objetivos.

    Para Bakhtin, na verdade, é na categoria de expressão que verifica a interação verbal. Através dela inferimos o seguinte esquema:


 


 

    Ainda conforme discute Bakhtin, é possível ver no esquema acima que a categoria de expressão, mantém em si as características sociais e ideológicas para que haja comunicação entre os sujeitos da enunciação. Para autor russo, "tudo que é essencial é interior, o que é exterior só se torna essencial a título de receptáculo do conteúdo interior, de meio de expressão do espírito." (Bakhtin, 2000, p. 111). Com efeito, diz-se que a enunciação é o produto da interação de dois indivíduos socialmente organizados em um dado sistema lingüístico e, mesmo que não haja interlocutor real, este pode ser substituído pelo representante médio do grupo social ao qual pertence o locutor. Em síntese, o pensamento bakhtineano pode assim entendido:


 


 

    

    A interação verbal sob esse enfoque, leva-nos a crer que; o mundo interior e a reflexão de cada indivíduo tenham determinado espaço social, o qual deve ser bem apropriado. Por isso, não haverá interlocutor abstrato ou neutro. Porque a palavra é, segundo Bakhtin produto da interação do locutor e do ouvinte. Configurando assim numa espécie de ponte a qual que está ligado aos seres na/da comunicação. "Se ela se apóia sobre mim numa extremidade, na outra se apóia sobre o meu interlocutor."

    Dessa maneira, o contexto social imediato determina quais serão os ouvintes possíveis, amigos ou inimigos para os quais serão orientados a algum tipo de consciência individual ou coletiva, quando da interação de ambos. Cumpre-se, então, o círculo ideológico da interação verbal. O qual, segundo Bakhtin, ocorre por que "a enunciação enquanto tal é um puro produto da interação social, quer se trate de um ato de fala determinado pela situação imediata ou pelo contexto mais amplo que constitui o conjunto das condições de vida de uma determina comunidade lingüística." (Bakhtin, 2000, p. 121).


 


 

domingo, 25 de outubro de 2009

AE... TC NA WEB EH D+ M SINTO

CHATTERS : DA PERTENÇA À LINGUAGEM


Robério Pereira Barreto*

Uma língua é um sistema de relacionamentos entre formas e significados.


Mario Alberto Perini, 2006, p. 45

O objetivo deste ensaio é colocar em destaque alguns pontos que levam à compreensão do que significa a linguagem praticada na internet, chat e scraps e weblog a qual se passa a denominar de ciberdiscurso (Barreto, 2005). Sem recorrer a exaustivos exemplos práticos.

A fim de melhor elucidar a maneira como o chatters se posicionam na rede, como produtores sócio-discursivos na web, desde o chat aos scraps postados no Orkut, vai-se destacando as categorias de sujeitos, linguagem e sentido.

Os sujeitos do ciberespaço criam ações e denominações específicas, entre elas, teclar significando assim, ato de conversação. Isso leva à inferência de que há uma novidade na maneira pela qual os sujeitos se relacionam com o mundo, posto que esteja incluso no meio.



(...) o sujeito navegador se encontra em relação com o ambiente internetiano, ele precisa arregimentar e manter relações com os outros sujeitos que também estão no mesmo ambiente. Além dessas, o internauta mantém relações consigo mesmo e com uma escrita que lhe exige um nível sofisticado de letramento digital para compreender seus pares e se fazer entender por eles. É nessa teia de relações que ele se constrói como sujeitos e que a escrita digital se manifesta como atividade, desenvolvendo-se à luz da criatividade dos internautas, conforme mostra a ilustração acima. (ARAUJO, 2009, p. 126)



Nesse sentido, os chatters atuam no plano da escrita a partir de uma perspectiva estética da escrita, a qual é tomada por uma tecnologia intelectual manuseada por um grupo amplo de sujeitos que desejam ir além da produção de linguagem comunicação, pretendem ainda, se relacionarem com outros sujeitos. Para isso é necessário o domínio do código lingüístico o qual é minimamente exigido, isto é, os sujeitos precisam estar letrados digitalmente , pois dialogaram com outras pessoas que já detêm com certa desenvoltura essa atividade de escrita.

Do contrato sócio-comunicacional

É sabido que todo ato comunicativo é suportado pela interação entre os comunicantes. Desse ponto de vista discute-se o contrato sócio-comunicacional do chatters em virtude destes serem sujeitos sociais e comunicativos em ambiente digital.

Dessa maneira, entre o chatters há uma conveniência na qual se articulam sentimentos de pertença linguística e comunicacional. Dizendo de outro modo, os comunicantes do chat estabelecem entre si um contrato social no qual ficam estabelecidas normas lingüísticas e, que, portanto, não será permitido o descumprimento, visto que todos estão cientes de que o ambiente digital é constituído por ações lúdicas permitidas pela perversão da ordem linguistica canônica.

Isso ocorre por que chatters já apreenderam o sentido da atividade no ambiente digital. Por isso a natureza da tecnologia intelectual usada, escrita no chat é de outra ordem e que, se fosse ao ambiente canônico da escrita, seriam feitas outras escolhas lingüísticas.

Desse ponto de vista, a relação e o sentido estabelecidos e engendrados pelos chatters constituem saberes que levam a novas relações com a linguagem as quais são mediadas pela escrita, levando os comunicantes à compreensão de que o contrato sócio-comunicativo entre eles vai além da simples modificação vocabular. Ou seja, considera-se que, sob a ótica da sociolingüística esta prática comunicativa está embasada na perspectiva de variedade linguística e como tal materializa nos enunciados dos cibernautas em chat, weblog, scraps, etc.

Nesse sentido não é preciso à escola pensar em fazer a alfabetização de seus estudantes, estes já tem o domínio da linguagem digital e, portanto, são autônomos em suas práticas sócio-comunicativas. Cabe sim, a escola repensar seu lugar no contexto lingüístico atual, isto é, abolir de suas salas de aula a ciberfobia e, assim, agregar para seus contextos essa nova variante linguística como saber institucionalizado pela comunidade virtual.

Nas palavras de Araújo (2009) postula-se que a escola faça uma leitura positiva do contexto linguístico comunicacional ofertado pela web, posto que assim, ter-se-ia na linguagem digital um espaço de ampliação do conceito de língua como sendo tecnologia de interação sócio-cultural dos falantes, posto que esteja se afirmando em trocas linguísticas constantes, ou melhor, nas economias das trocas linguísticas.

Assim sendo, conclui-se temporariamente que a escola ainda não está situada e/ou preparada para assimilar a produção orkuteira, chateana e blogueiro como aliada para estimular seus estudantes a produzirem textos e leituras além da prevista pelo canônico educacional.

Outro aspecto importante nesse contexto são as contribuições da ciberdiscurso ou internetês para uma nova história social e comunicacional da linguagem. Isso pode ser configurado devido à inserção do computador no cotidiano das pessoas, sejam crianças e jovens que, pervertendo a ordem linguística criam para se códigos e mecanismos que reafirme seus sentimentos de pertença por meio da linguagem praticada na rede. Portanto, ouve-se a opinião de um chatter sobre a linguagem e a prática comunicativa na web. “ae... pra tc vc teim q ser fera ¡ s naum mata chat! Aqui naum teim freskura pq u tp naum paraaaaaaaa! :-) ae prof... nois fla do jto q eh bm pra gente, s vc naum sabe o nosso vcb eh freskura sua pq acentua d+. ae naum tc speed. Ta forahhhhhhhhhhhhhhh! :-) net eh d+ ea tc eh tdb!

Bibliografias consultadas

ARAUJO, Júlio César. “pra tc c a galera vc tem q abrevira muito”: o internetês e as novas relações com a escrita. In. DIEB, Messias. Relações e saberes na escola: os sentidos do aprender e do ensinar. Belo Horizonte: Autêntica, 2008. pp. 119-137.

BARRETO, Robério Pereira. Ciberdiscurso e interculturalidade na web. Tangará da Serra [MT], Chances Editora, 2005.




quinta-feira, 22 de outubro de 2009

ALENTO

Estar em seu pensamento

É sentir passeando no firmamento.


 

É nesse momento que sinto

Estando dentro de minha essência.

Por dentro de

Mesmo na distancia não tenho arrependimento

E encontro nisso todo meu alento.

SURTO


 

Queria viver num mundo

Que apaixonasse como

A luz do dia impulsiona

A flor a ter perfume

Mesmo nascida no munturo.


 

Queria amar como as mães

Amam incondicionalmente suas crias,

Acordando manhãs frias.


 

22 de outubro de 2009.

Robério Pereira Barreto


 


 

VONTADE

Na vontade de querer-te
Sempre lembro de nós
em momentos de...

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

SINITROS E VAZIOS

Hoje, segunda à noite
Nos bares da vida
Misturam-se cheiros
E sabores da vida...
Aos vazios de homens
E mulheres vazias.



No cavo humano à noite
Todos se preenchem na falta
De si e todos ao mesmo tempo.



Acelerados ou lentos sob a alquimia
Da noite repleta de vazios
Homens e mulheres vazias
Entopem-se de sinistros vasilhames
Existenciais...



19 de outubro de 2009, 23h33min.
Robério Pereira Barreto

DUPLO QUERER

No desejo de tê-la

E no espaço nós

Nossos corpos e olhares

Esmagam-nos no querer...



Nossas bocas a distâncias

Devoram-se com a volúpia

Da escuridão que, voluptuosamente

Envolve no manto da noite

Os raios do dia.



18 de outubro de 2009, 22h



Robério Pereira Barreto

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

CONTIGO

Quando estou contigo
seja onde for rio de tudo
sentido seguro qual menino
que, segurando a mão firme
se diverte sem tem o escuro.

Com você em meu colo
e mente tono-me valente,
gritando o quão emocionante
é sentir seu corpo quente
tocando o meu lentamente.

16 outubro de 2009.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

DO DIZER AO FAZER

Software Livre como Política Estruturante do Governo Federal.


Ministro José Dirceu afirma que o Software Livre faz parte do conjunto de políticas estruturantes do Governo Federal



Durante a realização do IV Fórum do Planalto, cujo tema desta edição era Desenvolvimento com Distribuição de Renda, realizado nas dependências do Palácio do Planalto, o Ministro José Dirceu, ao responder pergunta sobre a política e critérios de utilização de Software Livre no Governo Federal como forma de desenvolvimento e independência, afirmou que o tema Sofwtare Livre faz parte do conjunto de políticas estruturantes do Governo Federal e não se corre o risco de deixar de fazer parte dessas políticas ou o Governo se afastar das mesmas.



O Ministro disse ainda que no momento da elaboração dessas políticas o pensamento é direcionado para a maioria da sociedade e quando o Governo não age assim os resultados não são satisfatórios.



Sobre Software Livre, destacou ainda o Ministro, existe a consonância com a Câmara de Deputados e o Senado Federal pois os presidentes daquelas casas, Deputado João Paulo e Senador José Sarney, respectivamente, são defensores e entendem a importância da adoção do Software Livre como política governamental, seja no uso, na pesquisa e no desenvolvimento.

fonte: http://www.softwarelivre.gov.br/noticias/declaracao/view

SOFTWARE LIVRE: EXPECTATIVAS E FALÁCIAS

A discussão sobre a presença do software livre no cotidiano do ciberespaço tem sido uma constante. Entratanto, a realidade é outra. No Território de Identidade de Irecê -, onde há mais de 390 mil pessoas, tendo nesse contexto vários CDCs e liboratórios de informática em instituições públicas de ensino. Nestes espaços públicos a realidade é outra. Isto é, no laboratório da universidade do Estado da Bahia, do 24 computadores ligados a internet, apenas 10 funcionam com Linux, os outros são software proprietário - Windows. Verificou-se questão parecida em é no Centro de informática da Universidade Aberta do Brasil - UAB. No ambiente privado há domínio da software proprietário.
Em entrevista com o coordenador de um laboratório sobre o uso de software livre, ele nos informou que o linux roda na plantaforma, mas os estudantes preferem o pacote do software proprietário porque tem mais recursos e, além disso, os alunos não conseguem transitar nas liberdades do software livre.
Disso inferimos que é necessário uma maior conscientização para que o software seja de fato uma realidade. Por outro lado, é fundamental reconhecer que nem todos os usuários estão autorizados a fazer as modificações no código fonte do software livre, uma vez que necessita de conhecimentos tecnicos sobre sintaxe de programação.
P.S este texto será ampliado e fundamentado teórico e cientificamente a posteriori. Aguardem!

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

AÇÃO E DISCURSO: UMA CONCEPÇÃO POLÍTICA

    Para Aristóteles a cidade é constituída a partir da associação e, como tal se forma acerca de algo e bens comuns. Assim sendo, no que se refere ao governo político e real, dizem que quando um homem governa só e com autoridade própria, o governo é real; e sendo, pelos termos da constituição do Estado, alternadamente, senhor e súdito, o governo é político. (ARISTÓTELES, 2006, p. 10).

    Nesse contexto, Hannah (2009) propõe que a díade "ação e discurso são as atividades políticas por excelência, diferença e igualdade são dois elementos constitutivos dos corpos políticos. (HANNAH, 2009, p. 109).

domingo, 20 de setembro de 2009

DISCURSIVIDADE E NOMADISMO NA WEB

A contemporaneidade tem sido marcada por divergências conceituais e teóricas entre os estudiosos das ciências humanas que, ao mesmo tempo em que a reconhece como os rompimentos das fronteiras fixadas detratam-na por ter em si elementos da modernidade ainda não terminada.

Nesse contínuo fluxo encontram-se e deslocam-se os conhecimentos em várias vertentes dentre as quais o discurso da ciência é posto em destaque devido à crise da hegemonia pretendida pela ciência moderna.

Por outro lado, uma nova ordem discursiva tem se instituído, isto é, na contemporaneidade há novos meios de propagação das ocorrências sociais, políticas, culturais e científicas.

Dentre estes se destaca a web que, com sua força motriz tem posto a baila a crise e a correlação de forças existentes entre “conhecimento cientifico e o conhecimento vulgar tenderá a desaparecer e a prática será o fazer e o dizer da filosofia da prática” (SANTOS, 2006, p.20).

Quanto à outra vertente do discurso, sobressai o saber, a da sua metodologia de transmissão, ou seja, o discurso acerca do saber tornou-se facilmente descrito à maneira pela qual tem prevalecido a mutação dos critérios que nomeia o desempenho, bem com aqueles que os afetam.

Assim se questiona: que tem autoridade para transmitir e legitimar as informações veiculadas na web? o que é transmitido e de que lugar nasce? a quem interessa tal produção? e de que forma é trasmitido? Nesse contexto de discursividade nômade e, sobretudo, potencial o mais provável é que se reconheça a presença e a legitimação dos experts em discursos, as mídias.


quarta-feira, 16 de setembro de 2009

OS SIGNOS EM BARTHES & PEIRCE: A SEMIÓTICA NA MODA

Elis Caroline Nunes Rodrigues Santos 1

Ana Paula Maciel

Cíntia Sancho Paiva

Denise de Castro Dourado Ferreira Braga

Mara Batista Carvalho

Robério Pereira Barreto


 

Um signo é uma coisa que, além da espécie ingerida pelos sentidos, faz vir ao pensamento, por si mesma, qualquer outra coisa.

Santo Agostinho

Resumo:

O presente artigo faz um passeio semiótico nas visões de Barthes e Peirce mostrando o que é o signo para cada um deles e posteriormente fazendo um diálogo com a teoria semiótica na moda usando o corpo como fonte de legitimação.


 

Palavras-chave: Signo, Semiótica, Moda.


 

Reflexão sobre os fundamentos semânticos e semióticos

 
 

Tendo em vista o estudo das teorias do signo e suas significações em Bhartes e Peirce, faz-se necessária uma reflexão prévia sobre os fundamentos da Semântica e da Semiótica.

O método semiótico tem por conceito fundamental o estudo do signo que, conforme Saussure (2001) apresenta um primeiro elemento chamado significante, caracterizado não por sua natureza material, mas como a imagem acústica, a impressão psíquica do som, que pode desencadear outro fenômeno psico-semiológico, o significado, o segundo elemento constituinte do signo.

    Para Charles Sanders Peirce (2000), a semiótica é constituída em três níveis: o sintático, o semântico e o pragmático. O primeiro revela a relação que o signo tem com o seu interpretante, o segundo diz respeito à relação existente entre o signo e o seu referente (objeto) e o último se importa com a relação do signo com ele mesmo e com outros signos.

É perfeitamente perceptível que a sociedade atual organiza-se em torno de um grande e poderoso universo de signos, diga-se de passagem, bastante complexo. De igual modo, é também perceptível o estado absoluto em que se portam a linguagem humana e seus signos de valor incondicional. Conforme Barthes (1991), nenhum outro sistema com a mesma complexidade e grandeza foi observado em nosso espaço e tempo.

    Dada a complexidade da linguagem humana, seus signos e respectivas significações, Barthes, além de definir a semiótica como sendo a ciência que se ocupa do estudo de qualquer sistema de signo, considerando suas substâncias e/ou limites, também refuta Saussure, quando diz que: "A Lingüística não é uma parte, mesmo privilegiada, da ciência dos signos: a Semiologia é que é uma parte da Lingüística; mais precisamente, a parte que se encarregaria das grandes unidades significantes do discurso" (BARTHES, 1991, p. 13).

    Embora acreditando que possa ser muito maior o universo do método semiológico, tomaremos como suporte os elementos de Roland Barthes, como sendo bastantes, a priori, para subtraírem da Lingüística cada uma das substâncias básicas e necessárias "para permitir a preparação da pesquisa semiológica" (BARTHES, 1991, p. 13). Os Elementos de Semiologia foram agrupados por Barthes da seguinte maneira: I. Língua e Fala; II. Significante e Significado; III. Sintagma e Sistema e IV. Denotação e Conotação.

    Assim sendo, torna-se possível perceber que o referido método de análise semiótica é binário e trabalha com a idéia dicotômica dos elementos que, aparentemente distintos, completam-se para formar o todo discursivo, dada a natureza dialética existente entre eles.

     

O Signo

É possível dizer que qualquer objeto, som, palavra capaz de representar outra coisa constitui signo. Na vida moderna, todos nós dependemos do signo para vivermos e interagirmos com o meio no qual estamos inseridos. Para o homem comum, a noção de signo e suas relações não são importantes do ponto de vista teórico, mas ele os entende de maneira prática e precisa. A utilidade do signo vai além do que imaginamos: ao dirigirmos, por exemplo, precisamos constantemente ler e analisar discursos transmitidos pelas placas de trânsito, pelas luzes do semáforo, pelas reações do veículo ao meio ambiente etc. O homem intelectualizado não vive sem o signo, precisa dele para entender o mundo, a si mesmo e às pessoas com as quais mantém relações humanas. As noções de signo são muito mais amplas e discutíveis do que podemos imaginar.


 

O signo em Roland Barthes

     

    Inicialmente, para Barthes, o signo é composto de um significante e de um significado, conforme prenunciou Saussure, e ele acrescentam que "o plano dos significantes constitui o plano de expressão e o dos significados o plano de conteúdo" (BARTHES, 1991, p. 43).

Barthes (1991) define o significado como a representação psíquica de uma "coisa" e não a "coisa" em si. Para fundamentar isso ele retoma Saussure, que este chamou primeiramente o significado de conceito, reconhecendo aí o valor psíquico que ele intrinsecamente carrega. Para clarear ainda mais o raciocínio de Barthes, tomaremos como exemplo da figura de uma bola:


 


 

A figura da bola de fato não é uma bola. A mente pode trair os que não lêem os signos como devem ser lidos. O significado da palavra bola não é o objeto bola, mas a representação gráfica do objeto, sua imagem psíquica. O significado expresso da figura pode ser lido e segmentado de várias maneiras, conforme as diferenças culturais de um dado leitor. Com base nisso, tomaremos Barthes novamente quando diz que "vários corpos de significados podem coexistir num mesmo indivíduo, determinando, em cada um, leituras mais ou menos 'profundas'". (BARTHES, 1991, p. 47).

Para Barthes (1991), o significante pode ser analisado com as mesmas observações que ele coloca para o significado, apenas com a diferença de ser o significante um elemento mediador que se comporta como gerador, ou seja, materializador da figura do objeto, o significado.

Por fim, Barthes diz que "a significação pode ser concebida como um processo; é o ato que une o significante e o significado, ato cujo produto é o signo" (BHARTES, 1991, p. 52). A significação, como elo de ligação entre o significante e o significado, não constitui uma teoria nova, ou seja, quando Barthes discute o assunto embasa-se em autores que o discutiram anteriormente, a exemplo de Hjelmslev, Lacan, etc.

    Assim como o significado é o conceito do signo e o significante a sua representação acústica, a significação é, em tese, o fator psico-sindético entre eles. Todo significante pode ter o seu significado prognosticado, de modo falso e/ou verdadeiro; todavia, isso não pode constituir exatidão, pois a perfeita relação entre o significante e o significado só será verificada em parte pelo contexto, em parte porque outros fatores deverão ser levados em conta, tais como as relações extralingüísticas espaço/tempo e sintonia entre interlocutores. 

Podemos dizer que a significação é o elo de ligação entre o significante e o significado, ou que a significação é a fusão do significante ao significado por meio de um contexto bem definido.

 
 

O signo tricotômico de Peirce

 
 

O signo e suas relações triádicas

 
 

    Para Peirce: "Um signo, ou representâmen, é aquilo que, sob certo aspecto ou modo, representa algo para alguém." (PEIRCE, 2000, p. 46)

    A teoria do signo em Peirce é uma renovação de tudo o quanto já foi discutido e teorizado em relação ao assunto. A idéia do signo pelo signo e do significante que tem um certo significado fica obsoleta quando Peirce analisa o representâmen segundo as suas relações triádicas: o representâmen, o objeto e o interpretante.

    Conforme Peirce (2000), o representâmen é o signo primeiro, pode-se dizer que é o signo como tal, o objeto é a representação do signo e o interpretante a consciência intérprete do signo, ou seja, o seu significado. Todo signo gera um outro signo fruto da mente e é isto que Peirce chama de interpretante.

    

A primeira tricotomia do signo

 
 

Peirce divide o estudo dos signos em ramos diferentes para fins de análise: a primeira tricotomia trata do signo em si mesmo, a segunda refere-se às relações que o signo tem com o seu objeto e a terceira apresenta as relações entre o signo e o seu interpretante.

A primeira tricotomia é aquela em que o signo funciona com referência ao meio e está dividida seqüencialmente em três partes chamadas por Peirce de quali-signo, sin-signo e legi-signo.

O quali-signo (qualidade), segundo Peirce (2000), refere-se aos aspetos qualitativos do signo. Cada estado material do signo ou cada fenômeno, que nele tem a função de apresentar um caráter, é um quali-signo. Quando mudamos a dimensão, a cor, o volume de um dado signo, o quali-signo nunca é o mesmo, o que podemos deduzir: com a mudança de um quali-signo, o signo sofre alterações e passa a ser um signo novo, ou seja, semelhante ao primeiro e não ele mesmo. Para clarear, tomemos como exemplo as cores: o preto, na maioria das vezes, indica luto, assim como o branco representa a paz. O quali-signo possui aspetos sensoriais, pois pode ser percebido gustativa, olfativa, tátil, auditiva e visualmente. Vejamos um outro exemplo: uma maçã vermelha e aparentemente cheia de viço é um fruto próprio para o consumo; já a mesma maçã murcha e de tonalidade escurecida não deixa de ser maçã, mas é uma maçã podre e imprópria para o consumo. Este fenômeno pode ser percebido olfativa e visualmente.

O sin-signo (singularidade) está, conforme Peirce (2000), relacionado com a permanência do signo no espaço e no tempo. Todo signo é particular, é autônomo, porque goza de leis próprias para a sua organização e potencial de significação.

    O legi-signo
(lei), em Peirce, é o signo empregado consoante as normas que o regem. Trata-se da convenção do signo num dado tempo e espaço. Os signos são usados segundo as normas, por exemplo, as letras do alfabeto de uma língua, as palavras de uma língua, os sinais de trânsito, os graus dos termômetros, etc.

    

A segunda tricotomia do signo


 

Na sua segunda tricotomia, Peirce apresenta o signo que pode ser denominado como ícone, índice ou símbolo

 O ícone segundo Peirce "é um signo que se refere ao objeto que denota apenas em virtude de seus caracteres próprios, caracteres que ele igualmente possui quer um tal objeto realmente exista ou não" (PEIRCE, 2000, p. 52). A palavra ícone vem do grego e quer dizer imagem, por isso, quando representamos algo por meio de uma imagem (desenho), estamos utilizando um ícone. Como exemplo, podemos tomar certas placas de trânsito icônicas, ou seja, aquelas que representam travessia de pedestres (um homem estilizado dando um passo a frete).

O índice, conforme Peirce, "é um signo que se refere ao objeto que denota em virtude de ser realmente afetado por esse objeto" . (PEIRCE, 2000, p. 52) O índice é, portanto, um signo de referência a um dado objeto e/ou objetivo. Um bom exemplo disso é o dedo indicador da mão que é usado para fazer uma referência direta a alguém ou a alguma coisa. Trata-se da indicação de um caminho no espaço e no tempo. O marcador de páginas de um livro é o indicativo da página em que você parou de ler ou marcou para encontrar algo importante, isto é um índice. O índice de uma dada obra é o indicativo dos conteúdos e as páginas em que estão. No tempo, como índices referenciais, podemos fazer menção à importância que têm as datas em relação aos acontecimentos: 22 de abril de 1500 é um índice em relação ao descobrimento do Brasil pelos portugueses.

O símbolo para Peirce "é um signo que se refere ao objeto que denota em virtude de uma lei, normalmente uma associação de idéias gerais que opera no sentido de fazer com que o símbolo seja interpretado como se referindo àquele objeto" (PEIRCE, 2000, p. 52). Vezes e vezes, o objeto não parece com sua representação; a associação do signo ao objeto geralmente é instituída ao longo do tempo, por meio de uma assimilação cultural. Numa rodovia, o motorista, ao ler uma placa de indicação viária, está fazendo a leitura de um índice, mas se ao lado da placa for vista por ele uma cruz, estará fazendo a leitura de um símbolo. A cruz está simbolicamente relacionada à morte. O motorista poderá entender que naquele lugar ocorreu uma morte.

 
 

A terceira tricotomia do signo

 
 

A terceira tricotomia de Peirce diz respeito ao interpretante. Todo signo está para um objeto, assim como todo objeto está interpretante para um intérprete. A última das três tricotomias está em Peirce dividida da seguinte forma: rema, dicente e argumento.

Em Peirce, um "rema (signo singular) é um signo que, para seu interpretante, é um signo de possibilidade qualitativa, ou seja, é entendido como representando esta e aquela espécie de objeto possível" (PEIRCE, 2000, p. 43). Como elemento clareador do rema, podemos dizer que na frase As rosas são vermelhas, o predicativo – são vermelhas – é um rema, pois trata-se da interpretação que o intérprete faz de uma qualidade singular do signo.

Ainda para Peirce, "um signo dicente é um signo que, para seu interpretante, é um signo de existência real" (PEIRCE, 2000, p. 52). O dicente é uma proposição, trata-se de um signo que provoca e desperta uma reação crítica no intérprete. Por fim, pode-se dizer que é a interpretação particular do leitor de um signo, seja ela negativa, seja positiva. Com base nas afirmações anteriores, ainda podemos dizer que uma cerca é um signo dicente, pois ela indica que o transeunte não pode passar daquele ponto. Já uma porta aberta pode ser um convite, ou quem sabe uma armadilha.

Por fim, Peirce apresenta e define o último elemento de sua terceira tricotomia: "Argumento é um signo que, para seu interpretante é signo de lei" (PEIRCE, 2000, p. 53). O argumento é o juízo verdadeiro que o interpretante faz do signo, portanto se dissermos que um elemento "E" é igual a soma de um elemento "X" mais um elemento "Y", ou seja, (E = X + Y), estamos construindo um signo argumento, porque podemos dizer que a soma de X mais Y é igual a E, ou seja, (X.+ Y = E). Com isso, é possível perceber que o argumento que expressa verdades, ou juízos verdadeiros. É possível construir o seguinte exemplo: Pedro está com uma doença "A"; Pedro morrerá porque a doença é mortal e não possui cura. De posse destas informações, podemos deduzir que todas as pessoas com a mesma doença "A" morrerão, porque ela é mortal. Peirce ainda diz: "Um argumento é um signo cujo interpretante representa seu objeto como sendo um signo ulterior através de uma lei, a saber, a lei segundo a qual a passagem dessas premissas para essas conclusões tende a ser verdadeira" (PEIRCE, 2000, p. 57).

A Semiótica na Moda

De acordo com Lúcia Santaella "o estudo da linguagem e dos signos é muito antigo. A preocupação com os problemas da linguagem começam na Grécia. A semiótica implícita compreende todas as investigações sobre a natureza dos signos, da significação e da comunicação, é uma semiótica explícita quando a ciência semiótica propriamente dita começou a se desenvolver" (SANTAELLA, 2002, p. 22).

Para Peirce "a semiótica não é uma ciência especial ou especializada, como são as ciências especiais, a física, a química, a biologia, a sociologia, a economia, etc., quer dizer, ciências que têm um objeto de estudo delimitado e de cujas teorias podem ser extraídas ferramentas empíricas para serem utilizadas em pesquisas aplicadas" (PEIRCE, 1995, p. 5).

A noção de signo é básica na lingüística. Signo é a menor unidade de um código dado. As famílias de signos não cessam de se multiplicar pelo planeta.

O desenvolvimento a partir de raízes estruturalistas foi evidente nos trabalhos de Roland Barthes (1915-1980). Ele foi um estruturalista e propagou o programa semiológico de Saussure. No quadro do paradigma estruturalista atingiu o clímax com o seu sistema da Moda (1967).

Abordando a cultura de massa Barthes analisou e encontrou a chave para as primeiras análises semióticas. Definiu o signo como um sistema constituído de E, uma expressão R em relação e C um conteúdo (ERC).

Tal sistema sígnico primário pode se tornar um elemento de um sistema sígnico mais amplo. Se a extensão é de conteúdo, o signo primário se torna a expressão de um sistema sígnico secundário. Neste caso, o signo primário é de semiótica denotativa, enquanto o signo secundário é de semiótica conotativa.

Na crítica literária e cultural, Barthes empregou o conceito de semiótica conotativa para revelar as mais diversas significações ocultas em textos. No seu estudo Mitologias, ele definiu tais sistemas de significações secundárias como mitos. Os meios de comunicação de massa criam mitologias e ideologias como sistemas conotativos. No nível conotativo, ele esconde significações secundárias e ideológicas e no denotativo elas expressam significações primárias "naturais".

Para Barthes, "o mito é sempre uma linguagem roubada" (BARTHES, 1993, p. 131).
Para J. Lotman, "a arte e a cultura em geral são consideradas como sistemas de modelagem secundárias" (LOTMAN, 1979, p. 7).
Para Pierce, é um significado, que aparece como resultado de um acordo interpretativo dos intérpretes do signo.

Barthes vê uma nova abordagem de semiologia ou a nova mitologia, já não será capaz de separar tão facilmente o significante do significado, o ideológico do fraseológico.

 Uma imagem vale mais do que mil palavras

A teoria semiótica nos habilita a penetrar no movimento interno das mensagens, o que nos dá a possibilidade de empreender os procedimentos e recursos empregados nas palavras, imagens, diagramas, sons, nas relações entre elas, permitindo a análise das mensagens.

As mensagens podem ser analisadas em si mesmas, nas suas propriedades internas, quer dizer, nos seus aspectos qualitativos, sensórios, tais como, na linguagem visual, por exemplo, as cores, linhas, formas, volumes, movimento, dinâmica, quando, em terminologia semiótica, analisa-se os quali-signos das mensagens.

Para Embacher, citado por Maria Luiza Feitosa "o vestuário participa da constituição da identidade e é por ela constituído, e verifica também a possibilidade do indivíduo, ao construir seu próprio estilo, ser capaz de tornar-se representante de si mesmo, criando uma identidade, que articula as igualdades e as diferenças que constituem e são constituídas pela história desse mesmo indivíduo"
(FEITOSA, 2003)

.     Isto porque, "a grande realização humana na conquista da identidade pessoal é conseguir adequar os papéis sociais que é obrigada a desempenhar, à capacidade de pautar essa identidade pelo seu desejo."
(Idem, Ibidem)

E sintetiza mostrando ser esta situação "uma autonomia que emancipa o sujeito proporcionando-lhe, entre outras coisas, um estilo próprio de vestir. Um estilo capaz de expressar o que ele está–sendo e o que ele é sem-estar-sendo, coerente com o movimento contínuo de concretização que lhe permite ser representante de si, com autonomia, na busca da mesmidade."  (Idem, Ibidem)

Ana Paula Celso de Miranda e Maria Carolina Garcia, afirmam que "atitudes levam as pessoas a gostarem ou não das coisas, aproximarem-se ou afastarem-se delas. Esses gostos e desgostos são chamados atitudes."
(MIRANDA e GRACIA, 2003)

Estas mesmas autoras, citando Eco, afirmam que "sendo a moda símbolo na essência, parece certo afirmar que à ela se aplica perfeitamente transferência de significados, visando a comunicação integrante de sociedades, onde tudo comunica, sendo assim, o vestuário é comunicação."
(MIRANDA, e GARCIA, 2003)

O indivíduo possui tendência psicológica a imitação e proporciona a satisfação de não estar sozinho. Imitar não só transfere a atividade criativa, mas responsabilidade sobre a ação dele para o outro. A necessidade de imitação vem da necessidade de similaridade. Daí a moda é a imitação de modelo estabelecido que satisfaça a demanda por adaptação social, diferenciação e mudança, que é adotada por um grupo social.

A moda, dentre outras, possui, duas vertentes singulares: uma é a individualidade e a outra a necessidade de integração social. Salomon, a nós trazido por Ana Paula Celso de Miranda e Maria Carolina Garcia ensina que "moda é processo muito complexo que opera níveis. Em um extremo, está o macro, fenômeno que afeta muitas pessoas simultaneamente, ela exerce efeito muito pessoal no comportamento individual. As decisões de compra do consumidor freqüentemente motivadas pelo desejo de estar na moda." (MIRANDA e GARCIA, 2003)

As mencionadas autoras, agora com substrato em Freyre registram que "a moda se impõe (...) é a pressão, sobre esse gosto de um consenso coletivo." (MIRANDA e GARCIA, 2003)

Dos muitos símbolos e expressões, a roupa é uma das mais importantes linguagens não verbalizadas do "eu" que passa de controle social. Por ela as pessoas procuram comunicar para os outros, esta percepção de si, que demandam a integração social mediante o que é culturalmente aceito. A moda é um dispositivo social, portanto o comportamento orientado pela moda é fenômeno do comportamento humano generalizado e está presente na sua interação com o mundo. Nesse sentido afirma Baudrillard que "se modernidade define-se pela hegemonia do código, a moda, enquanto dimensão total dos signos é sua instância emblemática. A moda constitui uma ruptura profunda no pensamento discursivo, mergulhando-o na irreverência absoluta, ela desarticula o esquema tradicional da representação". (BAUDRILLARD, 1996). Que nos impõe profundamente à moda é a ruptura com uma ordem imaginária: a da Razão sobre a todas as formas...

Os modelos regem o campo da moda. Existe, uma diferença fundamental entre a função totalizante da moda na modernidade e a função do ritual na ordem primitiva, à qual escapa o efeito estético da ostentação pelos signos que caracteriza o sistema da moda. A moda assume diante da funcionalidade econômica o aspecto de festa e de gratuidade. Exerce uma fascínio que advém dos aspectos de inutilidade e de arbitrariedade que lhes são próprios.

O sistema da moda é paradoxal e enquanto código absoluto ela está acima de qualquer valor. O design na moda nos possibilita entender a semiótica, que é como uma embalagem, um rótulo que é utilizado na moda para despertar sensações. São elementos comuns do design: o brilho, que são sinais visuais, que pontilham a rastro da roupa. Esse rastro marca com uma clareza a oposição entre brilho e não–brilho. Essa opção marcante entre duas qualidades, a de brilhar e a de não-brilhar dá essa alternativa uma predominância qualitativa e icônica.

Para Santaella o signo está apto a provocar em um intérprete sentimentos, isto é, um interpretante emocional. Ícones tendem a produzir esse tipo de interpretante com mais intensidade. Os interpretantes emocionais estão sempre presentes em quaisquer interpretações, mesmo quando não nos damos conta deles. (SANTAELLA, 2002, p. 24)

As palavras também se relacionam com as imagens, predominando também a complementaridade. Quer dizer, as mensagens são organizadas de modo que o visual seja capaz de transmitir a informação. Os padrões são especificados pelas diferentes cores, diferentes matizes, diferentes desenhos, que as roupas trazem formando assim uma distinção de padrões dentro da moda.

Padrões esses que dizem respeitos aos elementos culturais, as convenções de época que a moda incorpora. Os elementos culturais e convenções só  funcionam  simbolicamente  para  um interpretante. Dependendo do tipo de intérprete, dependendo especialmente do repertório cultural que o intérprete internalizou, alguns significados simbólicos se atualizarão, outros não.

A moda atende cegamente aos ditames do consumo. Se uma imagem é um bom produto, se vende bem, essa imagem será perseguida sem tréguas e sem limites.

A conclusão a que se chega é no sentido de que emoções são signos e, como tais a moda nos causa emoções. Nesse ponto, o caminho parece estar aberto para a nossa análise semiótica da moda como uma emoção, em pecado emocional que é um signo.

Qualquer signo, todo signo, mesmo um signo mental, deve estar corporificado. Estando corporificado, o signo tem qualidades materiais que lhe são peculiares como uma entidade ou evento que ele é, independente de sua função representativa.

Em conclusão, citam-se Barthes, para quem "o signo é, pois, composto de um significante e um significado. O plano dos significantes constitui o plano de expressão e dos significados o plano de conteúdo". (BARTHES, 1997, p. 43).


 

Referências:

BARTHES, Roland. Aula. São Paulo: Cultrix, 1978

___________. Elementos de semiologia. 17ª ed. São Paulo: Cultrix, 1997

___________. O sistema da moda. São Paulo: Nacional, 1979

___________. Mitologias. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1993.

BAUDRILLARD, Jean. A troca semiótica e morte. São Paulo: Loyola. 1996.

LOTMAN, I. M. et al. Semiótica de la cultura Madri: Cátedra, 1979.

MIRANDA, Ana Paula Celso de. e GARCIA, Maria Carolina. Influenciadores e hábitos de mídia no comportamento do consumo de moda – parte 3.
Disponível em
www.recmoda.com.br/bazar/008.html
.


 

PEIRCE, Charles S. Semiótica. 3. ed. São Paulo: Perspectiva, 2000.


 

PEIRCE, Charles S. Semiótica e Filosofia. 9. ed. São Paulo: Cultrix, 1993.

SANTAELLA, Lúcia. Semiótica aplicada. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2002.

SAUSSURE, Ferdinand de. Curso de lingüística geral. 30. ed. São Paulo: Cultrix. 2001.

SOUZA, Maria Luiza Feitosa de. Resenha sobre o livro: Moda e identidade – a construção de um estilo próprio – Airton Embacher – Anhembi Morumbi, publicado no Jornal da Tarde – julho de 1999. Disponível em: www.pucsp.br/pos/cos/moda/resenhal.htm.