terça-feira, 11 de novembro de 2008

ANÁLISE DO DISCURSO E OS AMBIENTES VIRTUAIS

Para a Análise do Discurso, não se focaliza o indivíduo falante, compreendido como um sujeito empírico, ou seja, como alguém que tem uma existência individualizada no mundo. Importa o sujeito inserido em uma conjuntura social, tomado em um lugar social, histórica e ideologicamente marcado; um sujeito que não é homogêneo, e sim heterogêneo, constituído por um conjunto de diferentes vozes. Assim as noções de polifonia e heretogeneidade também constituem objeto de reflexão e são necessárias para se compreender o que chamamos sujeito discursivo. (FERNANDES, 2007, p.11).
Aplicada a teoria do sujeito discursivo nos ambientes virtuais, onde os internautas atuam em nível heterogêneo de fala e sentido, tem-se, pois nessas reflexões necessárias para inferir que; a formação discursiva e o interdiscurso compõem o universo lingüístico-discursivo promovido por estes enunciadores sociais, uma que neles são realizados explanações que variam de acordo com o lugar social de cada sujeito do discurso.
Nos Chat e Weblog há entrecruzamentos dos aspectos sociais, históricos e, sobretudo, ideológicos da linguagem, conforme as vozes dos sujeitos discursivos se constituem como ponto de partida para a negociação dos sentidos por eles pretendidos nos contextos comunicativos em que se lançam no tempo e no espaço sociais elementos socioideológicos, tendo como meio de materialização destes, a linguagem, uma que os discursos realizados nos ambientes virtuais precisam da estrutura da língua (gem) para existirem, seja de modo virtual ou real.
Diante disso, a escolha do léxico e seu uso expõem os princípios ideológicos com os quais lidam em determinadas posições dos grupos sobre um determinado tema. É, portanto, necessário compreender ainda que seja nesse espaço que se manifestam os sentidos dos discursos, isto é, os sujeitos ao se pronunciarem em determinados lugares sociais por meio da linguagem levam ao nível máximo seus pronunciamentos.
Para a teoria da Análise do Discurso, os sentidos são produzidos em decorrência da ideologia dos seus enunciadores, de forma que cada um, de seu lugar de os compreende a partir de sua realidade política, social e cultural a que estão submetidos no momento da interlocução.
Assim, afiança-se que os discursos praticados pelos sujeitos discursivos, usuários de Chat e Weblog não são fixos, “estão sempre se movendo e sofrem transformações, acompanham as transformações, sociais e políticas de toda natureza que integram a vida humana.” (FERNANDES, 2007, p.20).
Sobre a natureza social do discurso Orlandi (1999, p.15) afirma: “a palavra discurso, etimologicamente, tem em si a idéia de curso, de percurso, de correr por, de movimento. O discurso é assim palavra em movimento, prática de linguagem: com o estudo do discurso observa-se o homem falando.” Ao fazer isso ele [homem] se movimenta no tempo e nos espaços sociais e, com isso provoca no outro e no grupo social, inquietações que levam às reminiscências de questões até então vistas através neblina homogeneidade.
Dessa forma, quando se observa a produção lingüístico-discursiva dos internautas nos ambientes virtuais, busca-se a compreensão dos sujeitos no conjunto social, uma vez que AD sugere que a tal interpretação se levará em conta os sentidos atribuídos pelos falantes aos elementos socioideológicos presentes nas atividades sociais realizadas no contexto do discurso. Dessa maneira, crê-se que nos ambientes virtuais “A ideologia materializa-se no discurso de cada um dos participantes na medida em que se articulam acerca de uma temática específica. Para isso tem como suporte material a linguagem a qual se configura na forma de escrita-fala, uma espécie de código secreto por eles criado para manter suas informações restritas ao grupo, cuja ideologia determina o significado de cada fragmento de discurso realizado pela comunidade virtual.
Por isso, se diz que a produção de sentidos num discurso depende, exclusivamente, dos lugares ocupados pelos sujeitos no momento da interlocução. Em outras palavras, a depender do ponto de vista socioideológicos do falante as palavras podem ganhar significados diferentes, levando inclusive, a graves problemas de comunicação.
O estudo do discurso toma a língua materializada em forma de texto, fora lingüística-histórica, tendo o discurso como o objeto. A análise destina-se a evidenciar os sentidos do discurso tendo em vista suas condições sócio-históricas e ideológicas de produção. As condições de produção compreendem fundamentalmente os sujeitos e a situação social. As palavras têm sentido em conformidade com as formações ideológicas em que os sujeitos (interlocutores) se inscrevem. (FERNANDES, 2007, p.22).

Para Pêcheux, (1977b, p.190) a noção de sentido deve ser construída a partir das proposições sócio-históricas que as palavras carregam em virtude da coletividade ter dado à elas um lugar de destaque em determinado momento de sua existência. Nas palavras de Pêcheux “o sentido de uma palavra, de uma expressão, de uma proposição, etc., não existe “em si mesmo” (...) mas, ao contrário, é determinado pelas posições ideológicas colocadas em jogo no processo sócio-histórico no qual as palavras, expressões e proposições são produzidas.” (PÊCHEUX, 1977b, p.190 apud FERNANDES, 2007, p.22).
Mister se faz dizer que o ponto central do discurso é a compreensão da ideologia na qual ele é produzido, visto que ambos se complementam para demonstrar o lugar de onde o sujeito do discurso enuncia, isto é, o falante ao se pronunciar ocupa um lugar de fala, e com isso inscreve-se em um espaço socioideológico e assim sua voz emana e reflete seus pontos de vistas histórico e social.

SEMANTICA E SEUS LIMITES NO TEXTO

Tratar das maneiras como a linguagem se articula na língua natural construindo sistemas de significação tal como ocorre no português e no inglês, é considerar que sistemas de signos são importantes para a comunicação. Por isso, “a referência a outros sistemas de signos acontecerá ocasionalmente e terá por objetivo a compreensão da estrutura das línguas naturais”[1]
No português, essas abordagens se dão a partir do entendimento de que há termos lingüísticos e semanticamente diferentes, no entanto, se aproximam quando abordados no plano da significação.

Por símbolo ou expressão, entendemos qualquer objeto físico (uma seqüência de sons, sinais gráficos, ou qualquer outra coisa) que, na consciência da comunidade que a utiliza, está associado, ou “está por”, alguma outra coisa. Já um signo é a associação convencional de um símbolo ou expressão com alguma outra coisa. Por exemplo, a seqüência de letras que formam o nome próprio Luciano Pavarotti é uma expressão; essa expressão junto com o célebre tenor que ela nomeia constituem um signo. As palavras e as sentenças das línguas são exatamente isto, signos[2].

É interessante perceber no texto de Chierchia a representação que os símbolos têm e desempenham na comunicação e na interpretação da linguagem. Assim, quando usamos um signo para informar algo a alguém, sem dúvida, precisamos empregar signos que sejam compreensivos tanto pelo emissor quanto pelo receptor. O contexto, normalmente define os atos elocutivos dos agentes da comunicação.

O contexto pode ser subdividido em contexto linguístico (o discurso no qual o ato lingüístico está inserido) e contexto extralingüístico (os fatos não-linguisticos que caracterizam o ambiente no qual a comunicação acontece (...) Uma língua fundamenta-se numa gramática, o sistema de regras e/ou princípios que governam o uso dos signos da lingua.[3]

Aqui, entendemos à maneira do semanticista citado que, linguagem dar-se a partir do uso que a sociedade faz da língua e sua significação, empregando de uma maneira ou de outra sua “gramática na vida de uma comunidade de usuários. Logo, Chierchia diz que: “A sintaxe estuda o aparato combinatório de uma língua; a semântica, seu aparato interpretativo. A pragmática trata da maneira pela qual a gramática como um todo pode ser usada em situações comunicativas concretas.”[4]
Diante disso, referência, denotação, significado ou sentido de um signo são elementos que contribuem para o entendimento das mensagens na comunicação cotidiana do grupos sociais.

Semântica e semiótica: uma aproximação empírica

Para a ciência do signo – Semiótica – o homem se diferencia do animal face a sua capacidade de comunicação simbólica. Por isso, a estrutura da semântica leva o sujeito a conformação do ser em seu universo ideológico e, principalmente o subjetivo.
A partir disso, se toma o termo; Semântica cuja perspectiva é de avizinhar-se, atualmente, de semiologia e semiótica. Contudo, nessas disciplinas há elementos conceituais e práticos que as diferenciam.
Para os filósofos empiristas da linguagem, tendo nesse quadro J. Locke como representante, a Semiótica – ciência dos signos -. Já na concepção do filósofo estado-unidense Ch. S. Pierce existem distinções acerca do icônico, indicial e, sobretudo o simbólico. Nesse sentido, ele compreendeu e havia confessado que: o que estudara até aquele momento, tudo era base na teoria semiótica na qual o símbolo possibilita e, conseqüentemente, se torna a marca distintiva do homem ante ao animal, constituindo assim, o ponto central comum ao estudo do mito, da religião, da arte e da ciência, que por seu turno são linguagens.
Na década de 60, os estudos de semântica junto com os marxistas, ocorreram na ótica da ideologia e da subjetividade, sendo que, Adam Schaff defendia a conciliação entre o pensamento marxista e a semântica, dado que a semântica passa a ser entendida como a “parte da lingüística que se ocupa da significação das palavras e da evolução dos seus sentidos”.
A linguagem no plano comunicativo foi entendida por Schaff como instrumento de socialização de ideologias. Portanto, para ele a função comunicativa se desenvolve a partir dos sentidos que o sujeitos atribuem aos objetos e coisas que usam para se expressarem.
Para o semanticista polonês, a função comunicativa da linguagem é desenvolvida a partir de:

O processo de comunicação e a relacionada situação-signo, isto é, a situação em que objetos e processos materiais se tornam signos no processo social da semiose, têm-nos servido de base à analise das categorias semânticas signo e significação. Tal análise, porém, mostra que, para entender o processo de comunicação e também o que é signo e significação, é necessário fazer referencias à linguagem por plano social e dentro da qual objetos e processos materiais podem, sob circunstâncias definidas, funcionar como signos, isto é, adquirir significações definidas. Eis por que a linguagem e a fala são elevadas ao papel de categorias fundamentais, em todas as pesquisas semânticas. Além disso, o lingüista, o lógico, o psicólogo, o antropólogo, etc., todos eles se referem à linguagem e a fala. (SCHAFF, 1968, pp. 355-6).

Embora tenha sido demasiado longa a assertiva mencionada acima, e cuja autoria é de Schaff, abre-se espaço para um horizonte de expectativa, isto é, há nessa discussão a tentativa de promover no sujeito uma série de possibilidades de leitura dos objetos que compõe o meio social em que se ele atua. Por isso, nosso estudioso assegura que a linguagem é “um sistema de signos verbais que serve para formular pensamentos no processo de reflexão da realidade objetiva pela cognição subjetiva e para comunicação socialmente esses pensamentos sobre a realidade, bem como as expectativas emocionais, estéticas, volitivas, etc., a esta relacionada”.
O objeto da semântica tem sido compreendido e delimitado pelos especialistas, embora se tenham notícias de vários semanticistas que expõem suas opiniões em defesa da ampliação do seu campo e objeto de investigação. Para melhor didatizar a discussão, deve se entender, grosso modo, que ela é.

Semântica é o estudo do significado em linguagem, semântica é a disciplina lingüística que estuda o sentido dos elementos formais da língua, ai incluídos morfemas, vocábulos, locuções e sentenças (= estruturas sintaticamente completas ou lingüisticamente gramaticais), ou, ainda, semântica é o estudo da significação das formas lingüísticas.
Estas, pois, são as palavras de Marques (1990:15), as quais afirmam que os significados das palavras, segundo os princípios da lingüística se dão em três níveis: semântica lexical, semântica da sentença – independentemente de condicionamentos contextuais ou situacionais – e o da semântica do texto – relativo ao uso concreto da língua em textos falados ou escritos, contextual e/ou situacionalmente condicionados.
Além disso, existem afirmações que dão conta de que a melhor maneira de se conceituar a semântica é conhecer que estamos diante de uma ciência que trata de significados. Portanto, a melhor forma de se amenizar as discussões sobre tal conceito é, sem dúvida, aceitar que se trata de um estudo heterogêneo dos sentidos. Para Fodor e Katz (1964, p. 417) apud Marques (2000:17) o lugar-comum entre lingüística e semântica é“... a única maneira que se tem de descrever de modo preciso a atual situação da semântica é mostrar parte de sua heterogeneidade.” Assim, tais palavras corroboram idéia de que se tem um ciência aberta à múltiplas aplicações quando se busca entender os sentidos das palavras em textos e contextos específicos.
Nesse quadro é importante que se tenha em mente o conceito de comunicação, pois é a partir dela que os seres realizam seus sentidos, ou seja, é por meio do ato de comunicar que se faz saber conhecimentos de várias formas. Segundo conceitua Ducrot “Comunicar seria, antes de tudo, fazer saber, pôr o interlocutor na posse de conhecimentos de que antes ele não dispunha: não haveria informaçao a não ser que, e na medida em que, houvesse comunicação de alguma coisa.” (Ducrot, 1972, p. 10).
Assim, tem se a possibilidade de verificar através dos princípios da semântica a intersubjetividade dos falantes. Tal perspectiva, segundo Benveniste é apontada no uso dos pronomes EU e TU, ambos com característica de próxima. Sendo que, Eu “é uma maneira mais rápida o próprio nome), têm, na realidade, uma função mais complexa.”

O que é texto na perspectiva semântica e semiótica?

Para a semiótica contemporânea as contribuições de C.S.Pierce e Saussure possibilitaram ao estudioso, sobretudo, ao leitor comum observar e analisar os significados que as palavras têm tanto na cultura quanto na sociedade em geral, tendo obviamente a língua particular como código e, portanto, os signos constituem sistemas de significação complexos.

Uma conseqüência da substituição do signo – conceito histórico, artefato analítico (e inclusive ideológico), como gostava de afirmar Barthes (1980:1074) – pelos sistemas de significação foi a de centrar a mirada semiótica (Fabbri, 1973) no texto (ou discurso) que produz sentido, considerado num primeiro momento como sequencia de signos. (LOZANO, 2002, p. 2).

Dando continuidade ao entendimento do que é o texto Derrida e Kristeva de forma particular, segundo Lozano, sustentam que os textos são o lugar em que o sentido se produz e produza (prática significante).
O objeto da semântica e da semiótica é o texto. A semiótica visa mostrar através da metalinguagem os discursos produzidos pela sociedade, e conseqüentemente explicar o que e para que servem seus sentidos.
Bakhtin (1977: 179), afirmou Onde não há texto, tampouco há objeto de investigação e de pensamento. É a partir desse momento que ele situou suas observações de pesquisa, situando o papel e o limite do texto nas disciplinas que utilizam o texto como objeto de análise: filosofia, lingüística, a chamada crítica literária.
O lócus de Bakhtin é sem dúvida o espaço do texto. Por isso ele dizia que o texto escrito e oral é dado primário de todas as disciplinas e, em geral, de todo o pensamento teológico e filosófico em suas origens. Nesse sentido, apontava que o “texto é aquela realidade imediata (realidade de pensamento e de emoções) sobre a qual só podem fundar-se estas disciplinas e este pensamento.” (BAKHTIN, 1997, p.197).
Essa idéia fundante de texto nos permite entender que o texto é o objeto que permite, em função de um interesse comum, a convergência de disciplinas distintas. Tanto a sociologia como a sociolingüística, a psicologia social a teoria da informação e a teoria da comunicação e muitas outras têm em comum o fato de trabalhar com textos. (LOZANO, 2002, p. 2).

[1]CHIERCHIA, Gennaro. Semântica. São Paulo: EDUEL, 2003, p. 25.
[2] Idem.
[3] ib idem. p. 25
[4] op. cit, p. 26.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

VASTIDÃO

Pela janela do quarto escuro
Miro a vastidão do mundo
Com seus braços abertos
Para qualquer um receber.

Vasto mundo que a todos
Acolhe em abraços mudos
Porém, com o calor dos amantes.

Mundo, imenso mundo...
Na sua imensidão abriga os filhos
De quem vive na ilusão...

Ilusão que alimenta os sonhos
Nas mentes a viver em contínua
Esperança de que a alma se engane
Na eterna busca pela salvação do amor.

22 de outubro de 2008, 10h32min
Robério Pereira Barreto

domingo, 19 de outubro de 2008

CARÊNCIA...

Na espera há sempre presença.
Presença da saudade que atrofia
O peito de tanta a carência.

Carência que precipita a alma
Ao abismo da agonia e que
Alerta o corpo pedindo a ele
Que deixe o tempo trazer para
Junto de si um pouco de calma.

Calma que se traduz em silêncio
Por que a noite meneia os segredos
Percorridos na imensidão de te querer...

Querer-te nessa imensa ausência
É penitência que se paga com prazer
E que beira a demência.

19 de outubro de 2008, 21h26
Robério Pereira Barreto

terça-feira, 14 de outubro de 2008

SENTIDOS...

Nesta noite a lua ofuscou
O brilho de sua beleza
Ao despejar sobre a terra
Um clarão de alegria singela.

O que conforta é saber
Que tal formosura é finita,
Dura somente um noite,
Enquanto seu encanto é infinito
É sinto que é somente meu.

Então, não há mais medo
Em dizer que o meu coração
Está aberto e você pode
Penetrá-lo sem pedir licença
Nem fazer discrição;

Ao tocá-lo sinta-se como a lua,
Iluminando de alegria os mais
Negros recantos dos seres...
E, despindo-se lindamente
Mostra-se a todos sem pudor.

Agora, é difícil encontrar
A palavra para descrever
O quanto sinto sua presença
Desde a madrugada até o amanhecer.


15 de junho de 2008, 10h59min.
Robério Pereira Barreto

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

ESPELHO...

Sou ser ambulante a mercê
Da vontade do vento
A qual me adormece com veneno.

Caído como anjo em noite escura
Nada sou ante ao destino que
Minh’alma enclausura.

Serei mais um...?
Não, não!
Apenas estou nas mãos
Do destino que me faz
Fantoche à revelia.

09 de outubro de 2008, 18h30
Robério Pereira Barreto

CACOS DE HUMANIDADE


A produção que apresento ao webleitor é uma daquelas pérolas que nos chegam por acaso. Trata-se de um poema sem título escrito pela poetisa Reiniza Teixeira dos Santos, a qual tem produções poéticas simplesmente enigmáticas que nos fazem a exemplo desse escrito recorrermos à memória imagética e afetiva e, portanto, perceber elementos da filosofia nietscheneana, bem como influênica dos poetas ultra-românticos. A exemplo de Augustos do Anjos, Reinila traz à tona toda miserabilidade do ser humano em palavras cujas intuições são inponderáveis ante as agonias da reissureição da alma a viver em desenganos.



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terça-feira, 7 de outubro de 2008

VISÃO

Nos jardins das praças nascem flores
E seus olhos reluzem cores
Na imensidão da cidade solitária
Que não tem mais amores à moda tropicália.

Daí, essa lâmina ferina corta meu ser canalha
Que anima meu corpo a viver à sombra da muralha
Da tristeza e da indiferença que hão de me matar.

Seu olhar penetra o corpo,
E dilacera a alma diante de tanta falsidade,
E faz o coração render-se a sua desumanidade
Mas, sou sombrio e refaço-me.

Prisioneiro e sob a luz de seu contemplar,
Sinto me condenado às poucas cores
Da cidade-cemitério, onde os olhares
Portam dores e mistérios.

Robério Pereira Barreto
07 de novembro de 2008, 21h40

sábado, 4 de outubro de 2008

MACABEA: HEROÍNA TRÁGICA NA METRÓPOLE


Robério Pereira Barreto©
Aquiles – Assim falou a águia, ao perceber as penas na flecha que a perfurava: Então somos abatidas por nossas próprias asas. Ésquilo*

Clarice Lispector publicou A Hora da Estrela em 1977. A narrativa é edificada sob o olhar do narrador Rodrigo S.M. que aos poucos demonstra como o sujeito clareceano é justaposto no meio social, cujo drama é corroborado pela falta de sentimento de pertença, ou seja, a protagonista Macabea vive as mazelas e vicissitudes da nova realidade sociocultural, Rio de Janeiro. Devido a isso, ela passa por grandes dificuldades em virtude da falta de intelecto e personalidade suficientemente fortes para lidar com os novos desafios que lhes foram impostos pelo novo lócus social. Restam-lhes duas saídas: i) negar sua origem e construir imaginariamente uma nova identidade; ii) atribuir suas incompetências e desgraças ao destino, tornando-se vítima da tragédia. Com isso Rodrigo S.M posiciona tragicamente Macabea, elevando-a ao panteão das vítimas da modernidade. O que se tem a partir daí é o drama interior do personagem em meio à busca e à fuga de sua verdade.
Para Aristóteles em sua Poética, a tragédia se caracteriza por ser:
... imitação de uma ação de caráter elevado, completa e de certa extensão, em linguagem ornamentada e com várias espécies de ornamentos distribuídas pelas diversas partes (do drama), (imitação que se efetua) não por narrativa, mas mediante atores, e que, suscitando o terror e a piedade, tem por efeito a purificação dessas emoções. (ARISTÓTELES, 1973:447).
Estudiosos da obra de Lispector afiançam que A hora da estrela, de Clarice Lispector tem como base as influências da tradição do teatro grego no romance moderno, e por esse motivo é possível vislumbrar alguns pontos de contato com o texto trágico, não só no que concerne à transposição de recursos dramáticos para o gênero narrativo, como também no que diz respeito à proximidade de temas entre o texto clariceano e a obra Édipo Rei, de Sófocles, já que os dois textos tratam da angústia dos protagonistas em desvelar de si mesmo e do próprio destino.
A realidade trágica manifestada em A hora da estrela é dotada de extremo subjetivismo, não sendo uma essência, mas sim uma estrutura plurissignificativa que depende de uma determinada ótica para se manifestar sob uma forma distinta. Ou seja, na narrativa clariceana é comum o multiperspectivismo, isto é, coexistem o olhar do narrador e o olhar dos personagens, no qual só se pode falar em realidades plurais, uma vez que a protagonista se torna “fantoche”, sendo manipulada pelos fatos sócio-psicológicos que a acerca.
Para Aristóteles, neste tipo de discurso está presente a epifania, ou seja, é o medo de si e dos demais que Macabea apresenta ao estar em seu quarto ouvindo o radio-relógio; imaginando coisas que poderiam acontecer-lhe na mundo além do quarto. Isto a leva ao prazer trágico, o qual evocar a catarse, provocando alívio de emoções, através da purgação. A catarse aristotélica, de acordo com o Antônio Freire (1985), consiste na purificação, na moderação, na sublimação dos dois sentimentos mais característicos da tragédia: a compaixão e o terror. Portanto, a protagonista é uma mulher comum, para quem ninguém olharia, ou melhor, a quem qualquer um desprezaria: corpo franzino, doente, feia, maus hábitos de higiene. Além disso, era alvo fácil da propaganda e da indústria cultural (para exemplificar; seu desejo maior era ser igual à Marilyn Monroe, símbolo sexual da época). Nossa personagem não sabe quem é, o que a torna incapaz de impor-se frente a qualquer um, portanto é epifânica em essência.
Dessa forma, Macabea caracteriza-se como sujeito trágico, pois ao longo da narrativa, ela segue de maneira linear seu próprio esvaziamento enquanto sujeito, perdendo inclusive sua autonomia, devido à obediência aos ditames do destino. Se na tradição trágica se diz que o personagem sucumbe devido a um erro cometido por ignorância. Infere-se com isso que Macabea ao nascer cometera seu primeiro erro, passando a ter sua vida definida pelo poder metafísico.
Eu também acho esquisito, mas minha mãe botou ele por promessa a Nossa Senhora da Boa Morte se eu não vingasse, até um ano de idade eu não era chamada porque não tinha nome, eu preferia continuar a nunca ser chamada em vez de ter um nome que ninguém tem mas parece que deu certo. (LISPECTOR, 1998:43)
O trágico não reside na noção do aniquilamento, mas na idéia de que a própria salvação torna-se o aniquilamento. Não é na degradação da heroína que se cumpre a tragicidade, mas no fato de ela sucumbir no caminho que tomou justamente para fugir da ruína. Deste modo, ao tentar escapar de seu destino, fugindo da casa da tia, Macabea encontra em figuras desconhecidas uma possibilidade se compreende enquanto sujeito. Triste, nossa personagem busca consolo numa cartomante, que prevê que ela seria finalmente feliz: “a felicidade viria do "estrangeiro".
Segundo Nietzsche (s/d), em A origem da tragédia, existem dois elementos essenciais na fundação da tragédia: o espírito apolíneo e o instinto dionisíaco. Nascido como conflito, o encontro destes dois estados, através de um milagre metafísico, harmonicamente, dá origem à tragédia àtica. Preso a um destino, o heroína trágica precisa cumprir seu percurso de desnudamento da aparência, o que ocorre através da extinção da individuação apolínea pelo êxtase dionisíaco. Reintegrado ao coletivo, Macabea receberá a gratidão da comunidade, pela qual doou seu sacrifício. Para haver tragédia é necessário o conflito, que irá se instaurar na medida em que os personagens buscam sua autonomia, desafiando os deuses e as leis da polis.
Em A hora da estrela, os acontecimentos – assumidos como história inventada e mediada pelo narrador – se materializam no decorrer da própria escrita: “Pergunto-me se eu deveria caminhar à frente do tempo e esboçar logo um final. Acontece, porém que eu mesmo ainda não sei bem como esse isto terminará”. Aqui, o narrador prefere se concentrar no interior da personagem Macabéa, pois é a partir dele que as reflexões e os conflitos se estabelecem. A heroína de Clarice é apenas mais um dos rostos sofridos dos que imigram para os grandes centros urbanos.
O pathos de Macabéa se relaciona com valores interiores; seu destino em nada influi na vida da cidade: “Como a nordestina, há milhares de moças espalhadas por cortiços, vagas de cama num quarto, atrás dos balcões trabalhando até a estafa. Não notam sequer que são facilmente substituíveis e que tanto existiriam como não existiriam”. Macabéa é a anti-heroína, cuja história tem o valor questionado pelo próprio narrador.
Macabéa também não tem noção de si mesma: “Se tivesse a tolice de se perguntar ‘quem sou eu?' cairia estatelada e em cheio no chão. É que ‘quem sou eu?' provoca necessidade. E como satisfazer a necessidade? Quem se indaga é incompleto.” Macabéa não se questiona; sua ignorância é total. Também não busca nenhuma verdade, não tem esperança no amanhã e no seu destino. O desvendar de sua verdade, que acontece por acaso na fatalidade de seu atropelamento, só lhe é possível na iminência da morte: “Hoje, pensou ela, hoje é o primeiro dia de minha vida: nasci.” É preciso ainda mencionar que Macabéa também encontra no final trágico sua forma de redenção – finalmente ela “é”, como personagem central de sua própria história, tornando-se a estrela de sua própria morte.
Para Derrida citado por Hutcheon “o sujeito é absolutamente indispensável. Eu não destruo o sujeito; eu o situo” (Hutcheon, 1991, p. 204). Dessa forma, podemos situar Macabea, conforme ensinamento do pós-modernismo é reconhecer e situá-la nas diferenças das ideologias e subjetividades do sistema, o qual a envolve e absorve nas teias dos sistemas culturais pelos quais ela passou.
Por fim, Macabea, esse sujeito feminino produto da espetacularização da fêmea desprovida de corpo e mente é consumida pela sua própria insignificância diante da grandiosidade do sistema. Mesmo na modernidade o, sujeito, às vezes, nem sempre suporta toda essa superposição de choques, essa impessoalização das relações e a falta de espiritualidade. Tampouco Macabéa o suportou, sobretudo ela que “era à-toa na cidade inconquistável”. O Rio de Janeiro era a cidade incompreensível, inatingível e impossível para Macabéa, na qual não consegui se situar na linguagem simbólica e cifrada da metrópole carioca, a qual acabou a “engolida”.
Referências
ARISTÓTELES. Poética. In: Os pensadores . Vol IV. São Paulo: Abril Cultural, 1973. BORELLI, Olga. Clarice Lispector – Esboço para um possível retrato. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981.
CANDIDO, Antonio. No Raiar de Clarice Lispector. In Vários Escritos. São Paulo: Duas Cidades, 1970.
ÉSQUILO. In: SZONDI, Peter. Ensaio sobre o trágico. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2004.
FREITAG, Barbara. O Mito da Megalópole na Literatura Brasileira. Revista do Tempo Brasileiro, nº 132, Rio de Janeiro: 1998.
FREIRE, Antônio. O teatro grego . Braga: Pub. Da Faculdade de Filosofia, 1985.
HUTCHEON, Linda. Poética do Pós-modernismo. Rio de Janeiro: Imago, 1991.
LISPECTOR, Clarice. A hora da estrela . Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
NIETZSCHE, Frederich. A origem da tragédia. /s.l./: Guimarães Ed., /s.d. b/.
NUNES, Benedito. O Drama da Linguagem – Uma Leitura de Clarice Lispector. 2. ed., São Paulo: Editora Ática, 1995.
SÓFOCLES. Édipo-Rei . São Paulo: Abril Cultiral, 1980.
SÁ, Olga de. A Escritura de Clarice Lispector. Petrópolis: Vozes, 1993. WALDMAN, Berta. Clarice Lispector: a paixão segundo C.L. São Paulo: Escuta, 1992.

© Professor de Linguagens e Literatura do DCHT- UNEB, câmpus XVI, - Irecê –BA. Poeta e escritor. Endereços eletrônicos: jpgbarreto@hotmail.com e jpgbarreto@gmail.com; diário eletrônico: www.poetadasolidao.blogspot.com

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

LUAR DE SAUDADE

A lua banha de magia o universo
E irradia o brilho de seus olhos
Enchendo o céu de alegria.

As estrelas cortam firmamento
E as ondas do mar gemem
Como se sentissem o sofrimento
Que parte esse peito...

O que fazer para acalmar o coração?
Não há nada a fazer.
Porque ele ver a dor que sente
A alma ao lembrar-se de ti.

Daí, olhar a lua nessa noite
É sentir sua presença em mim
E não tem para onde fugir;
É saudade sentir até não resistir
E esvanecer em lágrimas
cada gota de mim no oceano
da saudade...

16 de setembro de 2008, 23h58min
Robério Pereira Barreto

domingo, 14 de setembro de 2008

POR VOCÊ...

Por você subirei a serra
E no cimo dela respirei puro ar,
Correndo descerei para lhe entregar.

Por você mergulharei ao fundo do oceano
E de duras ostras extrairei lindas pérolas
Para com elas lhe enfeitar o colo
Com pedras belas.

Por você peregrinarei no meu deserto
Na busca de um sol que aponte
O jeito certo de lhe guardar
Com esse coração modesto.

Por você acordarei na madrugada fria
Para cobrir e aquecer lhes as partes
Que ficaram fora do cobertor,
Evitando ficarem geladas...

Por você descerei ao inferno
Para lhe salvar se preciso for...

Por você empenharei minha alma
Para que tenha felicidade...

Por você não importarei em tornar eterno devedor,
Porque, um dia, serei recompensado;
Terei o seu amor.

14 de setembro de 2008, 23h42min.
Robério Pereira Barreto

CHARME

O mel dos seus olhos
Mistura-se ao marfim
Do seu sorriso e faz de ti
Uma beleza capaz de me seduzir.

O cheiro de jambo de sua pele
Ao mais involuntário toque
Incendeia a mente e fere
Os mais castos anseios
Que ora devoto a ti.

O carmim de seus lábios me atrai;
Como as flores convidam
O ousado beija-flor para invadi-las
Com malicioso toque de amor,
Porém, ainda me sinto distante
Por causa de seu véu protetor.

13 de setembro de 2008, 19h55
Robério Pereira Barreto

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

APLAUSOS

Quando vejo a luz da lua
Nela sua sombra insinua
E sinto vontade de ter você...

Quando a lua se deita
Na madrugada,
Os meus olhos rejeitam
A luz do dia; por que ela [lua] os seduz.

Impaciente, na lucidez da lua
Sua pele de brancura nua
Desfila na minha mente
Como se passeasse na rua
Aos aplausos do meu coração.

12 de setembro de 2008, 19h39min.
Robério Pereira Barreto

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

OLHOS FECHADOS

É madrugada e meus olhos não querem o dia,
Fechados eles contemplam-te
Lindamente na beleza no primeiro encontro.

Naquele dia meus pés acariciavam o chão
E o coração apanhava mais do que batia
De tanto querer ter você depois da fantasia.

Mas e agora? Depois de tudo vai embora?
Simplesmente deixando para trás
Um rastro de nós diluído no ar

Ainda há tempo, venha...
Para os meus braços que,
Abraçados a escuridão da noite
Enfrentaremos sem pensar!

Venha, venha, venha...
E ria para mim trazendo
A luz a clarear a passagem
A caminho do mar...

05 de setembro de 2008, 12h13min.
Robério Pereira Barreto

ABRAÇO PÚBERE

Sussurros teus levam
Ao encontro do eu perdido
Entre dor e prazer
Na escuridão do destino.

A claridade desse olhar
Mareante guiando o pulsar
Do peito em descompasso...

Agora, derreado em púbere regaço
O amor preso a laço
Se solta para viver sem lastro
E achar a felicidade noutros braços.

05 de setembro de 2008, 01h45min
Robério Pereira Barreto

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

O QUE QUERIA AGORA...?

Sabe o que queria agora, minha flor...
Sentir seu perfume diluindo no calor
Das gentes que passeiam sob a luz da lua.

Sabe o que queria ouvir, minha flor...?
Pessoas falando de ti como que
Embriagadas pelo seu fresco.

Sabe o que gostaria de diz-te
Nessa hora de alegria...?
Muito obrigado!

Deixaria vir de lá de fora
Toda a energia para alegrar-nos
Nessa imensidão de horas!

04 de setembro de 2008, 23h05min
Robério Pereira Barreto

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

POR QUÊ?

Quando todos ensurdecerem
E não conseguirem mais
Ouvir os gemidos do mundo
Seremos todos zumbis
A procura de si...

Quando todos queimarem
O último pau da arara
E vê-la pousando na terra
Ressequida e escaldante
Onde havia verde de montão
Veremos quão egoísta fomos.

Quando todos contaminarem
Com próprio sangue a
Última fonte de vida humana
Aceitaremos nossa condição
Impiedosamente de seres infernais.

Quando todos sentirem os corpos mortos
Respirando sua própria indignação
Saberemos quão impuros fomos
Com a natureza, matando-a sem compaixão.

03 de setembro de 2008, 21h34
Robério Pereira Barreto

ODISSÉIA

Pela estrada do mundo
É preciso se desvencilhar
De pedra e espinhos
Que nos levam abismos.

Por esses caminhos
Desejos se transformam
Em encruzilhadas
E, às vezes, elas nos desviam
Ao encontro do Minotauro.

Depois dos primeiros passos
No escuro e labirinto ambiente
Resta nos escolher; segurar
No fio de Ariadne ou lutar até
A morte diante da fera.

03 de setembro de 2008, 00h27
Robério Pereira Barreto

domingo, 31 de agosto de 2008

FULGOR...

Nem tudo que lhe digo é amor
Mas tudo o que lhe faço o tem;
A cada beijo que lhe dou
Entrego-me sem pudor.

Dizer isso é um risco...
Porém, querer-te me faz bem
Então, saiba que sem ti não
Quero ser ninguém!

Não há escuro nem espinho
Capazes de fechar o caminho
Por onde contigo hei de passear,
Porque sóis minha luz e lança
Que me permitem ao mundo desafiar.


31 de agosto de 2008, 00h15
Robério Pereira Barreto

sábado, 30 de agosto de 2008

DELIRANTE PAIXÃO


A vida é mesmo apaixonante e o que ela nos reserva é mais ainda. Passavam-se dias e noites e o marasmo contaminava-me em demasiada agonia. Ei-me diante de uma questão; continuaria a negar minha existência humana, ou, deixaria vir à tona travessuras e paixões loucas!
Entretanto, faltava-me o elo para que essa corrente ganhasse impulso e, com isso despertar os mais insanos e incontroláveis desejos humanos, paixão. Subitamente, encontrei-me diante de uma das mais belas ninfas de Calipso. Tal Ulisses tentou resistir a seus encantos da Ilha, não consegui, fui pretensioso demais e seus encantos fizeram-me seu escravo e agora lhe sirvo em adoração.
Contato físico não há, porém na minha imaginação já nos demos aos mais lascivos desejo aperte-lhe solenemente suas macias e belas mãos de princesa, beije-lhe os pés cuja sensibilidade supera a menina do conto de fada... Tudo isso foi tão rápido que voou e está registrado no livro do infinito.
Numa noite em que lua e estrelas como brilhantes enfeitam de luzes a face do universo, sentamos juntos na abóbada celestial para nos entregarmos ao devir a procura de nós!
Entremeadas de medos nossas vozes joviais tremulavam por entre sorrisos abertos e falas metaforizadas as quais não buscavam sentido algum, demonstrando os sintomas de nossa desvairada paixão. Poderia ser tudo isso apenas um sintoma de nossa grave doença, paixão! Que se manifestava aos poucos numa noite de muita luz e alegria...
30 de agosto de 2008, 22h
Robério Pereira Barreto