sábado, 4 de outubro de 2008

MACABEA: HEROÍNA TRÁGICA NA METRÓPOLE


Robério Pereira Barreto©
Aquiles – Assim falou a águia, ao perceber as penas na flecha que a perfurava: Então somos abatidas por nossas próprias asas. Ésquilo*

Clarice Lispector publicou A Hora da Estrela em 1977. A narrativa é edificada sob o olhar do narrador Rodrigo S.M. que aos poucos demonstra como o sujeito clareceano é justaposto no meio social, cujo drama é corroborado pela falta de sentimento de pertença, ou seja, a protagonista Macabea vive as mazelas e vicissitudes da nova realidade sociocultural, Rio de Janeiro. Devido a isso, ela passa por grandes dificuldades em virtude da falta de intelecto e personalidade suficientemente fortes para lidar com os novos desafios que lhes foram impostos pelo novo lócus social. Restam-lhes duas saídas: i) negar sua origem e construir imaginariamente uma nova identidade; ii) atribuir suas incompetências e desgraças ao destino, tornando-se vítima da tragédia. Com isso Rodrigo S.M posiciona tragicamente Macabea, elevando-a ao panteão das vítimas da modernidade. O que se tem a partir daí é o drama interior do personagem em meio à busca e à fuga de sua verdade.
Para Aristóteles em sua Poética, a tragédia se caracteriza por ser:
... imitação de uma ação de caráter elevado, completa e de certa extensão, em linguagem ornamentada e com várias espécies de ornamentos distribuídas pelas diversas partes (do drama), (imitação que se efetua) não por narrativa, mas mediante atores, e que, suscitando o terror e a piedade, tem por efeito a purificação dessas emoções. (ARISTÓTELES, 1973:447).
Estudiosos da obra de Lispector afiançam que A hora da estrela, de Clarice Lispector tem como base as influências da tradição do teatro grego no romance moderno, e por esse motivo é possível vislumbrar alguns pontos de contato com o texto trágico, não só no que concerne à transposição de recursos dramáticos para o gênero narrativo, como também no que diz respeito à proximidade de temas entre o texto clariceano e a obra Édipo Rei, de Sófocles, já que os dois textos tratam da angústia dos protagonistas em desvelar de si mesmo e do próprio destino.
A realidade trágica manifestada em A hora da estrela é dotada de extremo subjetivismo, não sendo uma essência, mas sim uma estrutura plurissignificativa que depende de uma determinada ótica para se manifestar sob uma forma distinta. Ou seja, na narrativa clariceana é comum o multiperspectivismo, isto é, coexistem o olhar do narrador e o olhar dos personagens, no qual só se pode falar em realidades plurais, uma vez que a protagonista se torna “fantoche”, sendo manipulada pelos fatos sócio-psicológicos que a acerca.
Para Aristóteles, neste tipo de discurso está presente a epifania, ou seja, é o medo de si e dos demais que Macabea apresenta ao estar em seu quarto ouvindo o radio-relógio; imaginando coisas que poderiam acontecer-lhe na mundo além do quarto. Isto a leva ao prazer trágico, o qual evocar a catarse, provocando alívio de emoções, através da purgação. A catarse aristotélica, de acordo com o Antônio Freire (1985), consiste na purificação, na moderação, na sublimação dos dois sentimentos mais característicos da tragédia: a compaixão e o terror. Portanto, a protagonista é uma mulher comum, para quem ninguém olharia, ou melhor, a quem qualquer um desprezaria: corpo franzino, doente, feia, maus hábitos de higiene. Além disso, era alvo fácil da propaganda e da indústria cultural (para exemplificar; seu desejo maior era ser igual à Marilyn Monroe, símbolo sexual da época). Nossa personagem não sabe quem é, o que a torna incapaz de impor-se frente a qualquer um, portanto é epifânica em essência.
Dessa forma, Macabea caracteriza-se como sujeito trágico, pois ao longo da narrativa, ela segue de maneira linear seu próprio esvaziamento enquanto sujeito, perdendo inclusive sua autonomia, devido à obediência aos ditames do destino. Se na tradição trágica se diz que o personagem sucumbe devido a um erro cometido por ignorância. Infere-se com isso que Macabea ao nascer cometera seu primeiro erro, passando a ter sua vida definida pelo poder metafísico.
Eu também acho esquisito, mas minha mãe botou ele por promessa a Nossa Senhora da Boa Morte se eu não vingasse, até um ano de idade eu não era chamada porque não tinha nome, eu preferia continuar a nunca ser chamada em vez de ter um nome que ninguém tem mas parece que deu certo. (LISPECTOR, 1998:43)
O trágico não reside na noção do aniquilamento, mas na idéia de que a própria salvação torna-se o aniquilamento. Não é na degradação da heroína que se cumpre a tragicidade, mas no fato de ela sucumbir no caminho que tomou justamente para fugir da ruína. Deste modo, ao tentar escapar de seu destino, fugindo da casa da tia, Macabea encontra em figuras desconhecidas uma possibilidade se compreende enquanto sujeito. Triste, nossa personagem busca consolo numa cartomante, que prevê que ela seria finalmente feliz: “a felicidade viria do "estrangeiro".
Segundo Nietzsche (s/d), em A origem da tragédia, existem dois elementos essenciais na fundação da tragédia: o espírito apolíneo e o instinto dionisíaco. Nascido como conflito, o encontro destes dois estados, através de um milagre metafísico, harmonicamente, dá origem à tragédia àtica. Preso a um destino, o heroína trágica precisa cumprir seu percurso de desnudamento da aparência, o que ocorre através da extinção da individuação apolínea pelo êxtase dionisíaco. Reintegrado ao coletivo, Macabea receberá a gratidão da comunidade, pela qual doou seu sacrifício. Para haver tragédia é necessário o conflito, que irá se instaurar na medida em que os personagens buscam sua autonomia, desafiando os deuses e as leis da polis.
Em A hora da estrela, os acontecimentos – assumidos como história inventada e mediada pelo narrador – se materializam no decorrer da própria escrita: “Pergunto-me se eu deveria caminhar à frente do tempo e esboçar logo um final. Acontece, porém que eu mesmo ainda não sei bem como esse isto terminará”. Aqui, o narrador prefere se concentrar no interior da personagem Macabéa, pois é a partir dele que as reflexões e os conflitos se estabelecem. A heroína de Clarice é apenas mais um dos rostos sofridos dos que imigram para os grandes centros urbanos.
O pathos de Macabéa se relaciona com valores interiores; seu destino em nada influi na vida da cidade: “Como a nordestina, há milhares de moças espalhadas por cortiços, vagas de cama num quarto, atrás dos balcões trabalhando até a estafa. Não notam sequer que são facilmente substituíveis e que tanto existiriam como não existiriam”. Macabéa é a anti-heroína, cuja história tem o valor questionado pelo próprio narrador.
Macabéa também não tem noção de si mesma: “Se tivesse a tolice de se perguntar ‘quem sou eu?' cairia estatelada e em cheio no chão. É que ‘quem sou eu?' provoca necessidade. E como satisfazer a necessidade? Quem se indaga é incompleto.” Macabéa não se questiona; sua ignorância é total. Também não busca nenhuma verdade, não tem esperança no amanhã e no seu destino. O desvendar de sua verdade, que acontece por acaso na fatalidade de seu atropelamento, só lhe é possível na iminência da morte: “Hoje, pensou ela, hoje é o primeiro dia de minha vida: nasci.” É preciso ainda mencionar que Macabéa também encontra no final trágico sua forma de redenção – finalmente ela “é”, como personagem central de sua própria história, tornando-se a estrela de sua própria morte.
Para Derrida citado por Hutcheon “o sujeito é absolutamente indispensável. Eu não destruo o sujeito; eu o situo” (Hutcheon, 1991, p. 204). Dessa forma, podemos situar Macabea, conforme ensinamento do pós-modernismo é reconhecer e situá-la nas diferenças das ideologias e subjetividades do sistema, o qual a envolve e absorve nas teias dos sistemas culturais pelos quais ela passou.
Por fim, Macabea, esse sujeito feminino produto da espetacularização da fêmea desprovida de corpo e mente é consumida pela sua própria insignificância diante da grandiosidade do sistema. Mesmo na modernidade o, sujeito, às vezes, nem sempre suporta toda essa superposição de choques, essa impessoalização das relações e a falta de espiritualidade. Tampouco Macabéa o suportou, sobretudo ela que “era à-toa na cidade inconquistável”. O Rio de Janeiro era a cidade incompreensível, inatingível e impossível para Macabéa, na qual não consegui se situar na linguagem simbólica e cifrada da metrópole carioca, a qual acabou a “engolida”.
Referências
ARISTÓTELES. Poética. In: Os pensadores . Vol IV. São Paulo: Abril Cultural, 1973. BORELLI, Olga. Clarice Lispector – Esboço para um possível retrato. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981.
CANDIDO, Antonio. No Raiar de Clarice Lispector. In Vários Escritos. São Paulo: Duas Cidades, 1970.
ÉSQUILO. In: SZONDI, Peter. Ensaio sobre o trágico. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2004.
FREITAG, Barbara. O Mito da Megalópole na Literatura Brasileira. Revista do Tempo Brasileiro, nº 132, Rio de Janeiro: 1998.
FREIRE, Antônio. O teatro grego . Braga: Pub. Da Faculdade de Filosofia, 1985.
HUTCHEON, Linda. Poética do Pós-modernismo. Rio de Janeiro: Imago, 1991.
LISPECTOR, Clarice. A hora da estrela . Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
NIETZSCHE, Frederich. A origem da tragédia. /s.l./: Guimarães Ed., /s.d. b/.
NUNES, Benedito. O Drama da Linguagem – Uma Leitura de Clarice Lispector. 2. ed., São Paulo: Editora Ática, 1995.
SÓFOCLES. Édipo-Rei . São Paulo: Abril Cultiral, 1980.
SÁ, Olga de. A Escritura de Clarice Lispector. Petrópolis: Vozes, 1993. WALDMAN, Berta. Clarice Lispector: a paixão segundo C.L. São Paulo: Escuta, 1992.

© Professor de Linguagens e Literatura do DCHT- UNEB, câmpus XVI, - Irecê –BA. Poeta e escritor. Endereços eletrônicos: jpgbarreto@hotmail.com e jpgbarreto@gmail.com; diário eletrônico: www.poetadasolidao.blogspot.com

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

LUAR DE SAUDADE

A lua banha de magia o universo
E irradia o brilho de seus olhos
Enchendo o céu de alegria.

As estrelas cortam firmamento
E as ondas do mar gemem
Como se sentissem o sofrimento
Que parte esse peito...

O que fazer para acalmar o coração?
Não há nada a fazer.
Porque ele ver a dor que sente
A alma ao lembrar-se de ti.

Daí, olhar a lua nessa noite
É sentir sua presença em mim
E não tem para onde fugir;
É saudade sentir até não resistir
E esvanecer em lágrimas
cada gota de mim no oceano
da saudade...

16 de setembro de 2008, 23h58min
Robério Pereira Barreto

domingo, 14 de setembro de 2008

POR VOCÊ...

Por você subirei a serra
E no cimo dela respirei puro ar,
Correndo descerei para lhe entregar.

Por você mergulharei ao fundo do oceano
E de duras ostras extrairei lindas pérolas
Para com elas lhe enfeitar o colo
Com pedras belas.

Por você peregrinarei no meu deserto
Na busca de um sol que aponte
O jeito certo de lhe guardar
Com esse coração modesto.

Por você acordarei na madrugada fria
Para cobrir e aquecer lhes as partes
Que ficaram fora do cobertor,
Evitando ficarem geladas...

Por você descerei ao inferno
Para lhe salvar se preciso for...

Por você empenharei minha alma
Para que tenha felicidade...

Por você não importarei em tornar eterno devedor,
Porque, um dia, serei recompensado;
Terei o seu amor.

14 de setembro de 2008, 23h42min.
Robério Pereira Barreto

CHARME

O mel dos seus olhos
Mistura-se ao marfim
Do seu sorriso e faz de ti
Uma beleza capaz de me seduzir.

O cheiro de jambo de sua pele
Ao mais involuntário toque
Incendeia a mente e fere
Os mais castos anseios
Que ora devoto a ti.

O carmim de seus lábios me atrai;
Como as flores convidam
O ousado beija-flor para invadi-las
Com malicioso toque de amor,
Porém, ainda me sinto distante
Por causa de seu véu protetor.

13 de setembro de 2008, 19h55
Robério Pereira Barreto

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

APLAUSOS

Quando vejo a luz da lua
Nela sua sombra insinua
E sinto vontade de ter você...

Quando a lua se deita
Na madrugada,
Os meus olhos rejeitam
A luz do dia; por que ela [lua] os seduz.

Impaciente, na lucidez da lua
Sua pele de brancura nua
Desfila na minha mente
Como se passeasse na rua
Aos aplausos do meu coração.

12 de setembro de 2008, 19h39min.
Robério Pereira Barreto

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

OLHOS FECHADOS

É madrugada e meus olhos não querem o dia,
Fechados eles contemplam-te
Lindamente na beleza no primeiro encontro.

Naquele dia meus pés acariciavam o chão
E o coração apanhava mais do que batia
De tanto querer ter você depois da fantasia.

Mas e agora? Depois de tudo vai embora?
Simplesmente deixando para trás
Um rastro de nós diluído no ar

Ainda há tempo, venha...
Para os meus braços que,
Abraçados a escuridão da noite
Enfrentaremos sem pensar!

Venha, venha, venha...
E ria para mim trazendo
A luz a clarear a passagem
A caminho do mar...

05 de setembro de 2008, 12h13min.
Robério Pereira Barreto

ABRAÇO PÚBERE

Sussurros teus levam
Ao encontro do eu perdido
Entre dor e prazer
Na escuridão do destino.

A claridade desse olhar
Mareante guiando o pulsar
Do peito em descompasso...

Agora, derreado em púbere regaço
O amor preso a laço
Se solta para viver sem lastro
E achar a felicidade noutros braços.

05 de setembro de 2008, 01h45min
Robério Pereira Barreto

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

O QUE QUERIA AGORA...?

Sabe o que queria agora, minha flor...
Sentir seu perfume diluindo no calor
Das gentes que passeiam sob a luz da lua.

Sabe o que queria ouvir, minha flor...?
Pessoas falando de ti como que
Embriagadas pelo seu fresco.

Sabe o que gostaria de diz-te
Nessa hora de alegria...?
Muito obrigado!

Deixaria vir de lá de fora
Toda a energia para alegrar-nos
Nessa imensidão de horas!

04 de setembro de 2008, 23h05min
Robério Pereira Barreto

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

POR QUÊ?

Quando todos ensurdecerem
E não conseguirem mais
Ouvir os gemidos do mundo
Seremos todos zumbis
A procura de si...

Quando todos queimarem
O último pau da arara
E vê-la pousando na terra
Ressequida e escaldante
Onde havia verde de montão
Veremos quão egoísta fomos.

Quando todos contaminarem
Com próprio sangue a
Última fonte de vida humana
Aceitaremos nossa condição
Impiedosamente de seres infernais.

Quando todos sentirem os corpos mortos
Respirando sua própria indignação
Saberemos quão impuros fomos
Com a natureza, matando-a sem compaixão.

03 de setembro de 2008, 21h34
Robério Pereira Barreto

ODISSÉIA

Pela estrada do mundo
É preciso se desvencilhar
De pedra e espinhos
Que nos levam abismos.

Por esses caminhos
Desejos se transformam
Em encruzilhadas
E, às vezes, elas nos desviam
Ao encontro do Minotauro.

Depois dos primeiros passos
No escuro e labirinto ambiente
Resta nos escolher; segurar
No fio de Ariadne ou lutar até
A morte diante da fera.

03 de setembro de 2008, 00h27
Robério Pereira Barreto

domingo, 31 de agosto de 2008

FULGOR...

Nem tudo que lhe digo é amor
Mas tudo o que lhe faço o tem;
A cada beijo que lhe dou
Entrego-me sem pudor.

Dizer isso é um risco...
Porém, querer-te me faz bem
Então, saiba que sem ti não
Quero ser ninguém!

Não há escuro nem espinho
Capazes de fechar o caminho
Por onde contigo hei de passear,
Porque sóis minha luz e lança
Que me permitem ao mundo desafiar.


31 de agosto de 2008, 00h15
Robério Pereira Barreto

sábado, 30 de agosto de 2008

DELIRANTE PAIXÃO


A vida é mesmo apaixonante e o que ela nos reserva é mais ainda. Passavam-se dias e noites e o marasmo contaminava-me em demasiada agonia. Ei-me diante de uma questão; continuaria a negar minha existência humana, ou, deixaria vir à tona travessuras e paixões loucas!
Entretanto, faltava-me o elo para que essa corrente ganhasse impulso e, com isso despertar os mais insanos e incontroláveis desejos humanos, paixão. Subitamente, encontrei-me diante de uma das mais belas ninfas de Calipso. Tal Ulisses tentou resistir a seus encantos da Ilha, não consegui, fui pretensioso demais e seus encantos fizeram-me seu escravo e agora lhe sirvo em adoração.
Contato físico não há, porém na minha imaginação já nos demos aos mais lascivos desejo aperte-lhe solenemente suas macias e belas mãos de princesa, beije-lhe os pés cuja sensibilidade supera a menina do conto de fada... Tudo isso foi tão rápido que voou e está registrado no livro do infinito.
Numa noite em que lua e estrelas como brilhantes enfeitam de luzes a face do universo, sentamos juntos na abóbada celestial para nos entregarmos ao devir a procura de nós!
Entremeadas de medos nossas vozes joviais tremulavam por entre sorrisos abertos e falas metaforizadas as quais não buscavam sentido algum, demonstrando os sintomas de nossa desvairada paixão. Poderia ser tudo isso apenas um sintoma de nossa grave doença, paixão! Que se manifestava aos poucos numa noite de muita luz e alegria...
30 de agosto de 2008, 22h
Robério Pereira Barreto

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

O SABICHÃO

Se me dá licença uma prosa vou contá
Não é caso de trancoso
Nem besouro mangangá
Foi acontecido comigo
No sertão coisa e tá.

Havia lá um cabra metido a sabido,
E que por todos era temido,
Conhecido como Alberto
Mas, quando tinha bajulador perto
Queria ser chamado Berto.

Veja só que engranzia
Pois, não é que teve um dia,
Parecendo até coisa feita ou magia;
Nossos caminhos num se foram cruzá.

O cabra era afamado
E dizia o povo que era o tá
Era home das leis cheio de tarará.
Acredite, não era nada disso
Tinha mais era fuá.

Prosa séria cum ele tive de ter
E, logo, humildemente vi
Que o cabra que arrotava sabedoria
De sabido nada tinha,
Porque tudo que dizia, falsa romaria.

Desequilibrado o cabra se mostrou
Porque alguém lhe perguntou
Se ele ainda era o menino do Jumento?
Embrutecido tá gambá na moita
Logo despreparado se mostrou...

Achando-se mais sabido do que tudo
Já falando arto que nem o diabo
Palavras feia retrucou...

E me adiscurpe o meu senhô
Mas não falo o que ele disse,
Cabra desbocado, sem pudor.

Vendo que o tá era só fuá
Dei-lhe corta até se enforcá
Com suas falácias nada dizia,
Povo na platéia dele ri
Porque a cada discurso
Sua própria armadia construía.

Bruto que nem canção
O branco dos oio ficou vermeio
E acalmá o tá não houve meio
Falou sozinho tempo todo
O infeliz, nem tomava forgo.

Como todos puderam ver
Quereria ser sabichão no sertão
E passou o pior dos aperreio
Quando se acha que é sabido
Há de lembrar que não tem ninguém
Que possa perto de si ter um iguá.

Aí, senhô, meu avô há muito diz:
Quando tu escutá muito trovão
É siná de pouca chuva.
E todo sabichão é um mofino
Na hora da discussão.

29 de agosto de 2008, 20h
Robério Pereira Barreto

terça-feira, 26 de agosto de 2008

COBIÇA

A fraqueza do coração é a dor
Não uma expiação qualquer,
Mas sim, a aflição de sentir
Saudades de ti.

A dor é parte de mim,
E a cada amanhecer
Ao contar horas pare lhe ter
Nos brancos e boca nem
Que seja por um instante,
faz-me um cobiça-dor.

O encontro físico, clímax
Porque já a tenho em pensamento
E nele desnudo-te e enredo-te
Em mais alta adoração,
Para possuí-la sem moderação.


26 de agosto de 2006, 10h08
Robério Pereira Barreto

domingo, 24 de agosto de 2008

PROVERBIALIDADE NA COMUNICAÇÃO DO HOMEM DO POVO

Robério Pereira Barreto*

Ouve-se constantemente que o português que se fala nas ruas é diferente daquele que a escola ensina, bem como o que se pretende como instrumento de inclusão. Todavia, isso ganha novo entendimento a partir da aprovação da lei que estabelece o novo tratado de unificação da ortografia nos países lusófonos. Com isso, a língua portuguesa passa a ganhar e ocupar espaços nos fóruns internacionais, porque haverá maior intercambio de informações e textos nesse idioma.
Numa perspectiva prática, ganha espaço o idioma falado no Brasil e com ele vem à tona a comunicação do homem do povo, a qual é constituída por expressões populares, provérbios e frases feitas.
Sabe-se que, além disso, há corrente de lingüistas que sustenta que a fala é a forma fundamental e básica da linguagem e a escrita é apenas uma representação da fala em termos gráficos. E há também a tese contrária que afirma: “(...) a escrita é muito mais do que uma representação gráfica da fala. Há diferenças profundas entre a linguagem que utilizamos ao falar e a que utilizamos ao escrever: algumas dessas diferenças são de caráter gramatical, mas as mais importantes têm a ver com a maneira como estruturamos o próprio texto ao falar e ao escrever.” (Perini, 2004).
Para José Américo de Almeida em seu clássico A bagaceira, “não há quem não tenha seu pedaço de mau caminho. Há gente que anda de capas encouradas; quando menos se pensa, bota as mangas de fora.” É com base nesses comentários do escritor e do lingüista que se inicia a discussão sobre o folclore lingüístico que permeia nosso cotidiano de elementos que dinamizam a nossa comunicação.
Dessa maneira, pensar o folclore lingüístico conforme Herbert Palhano é reconhecer que existe dinamicidade na comunicação do povo, porque vivem nela elementos fundamentais para que se identifique o estágio evolutivo da língua na comunidade em que se produz tal idioma.

E não se diga, por isso, que o povo sempre fala mal. Muitas passagens há na sua parlenga que precisam ser vistas, não como simples erros, porém como estágios evolutivos do idioma; outras existem que, pela sua candura, avivam em nossa imaginação e lembrança do passado. Os escritores não as empregam hoje, mas o povo as conserva com as mesmas roupagens do período medieval.[1]

A partir dessa afirmativa, considera-se, portanto, que o folclore lingüístico é uma instituição abrangente e tem múltiplas facetas da linguagem popular. Isso demonstra que o homem do povo por meio de sua experiência vem perpetuando a cada geração a sobrevivência de elementos lingüísticos que o representa e mantém fixo sua identidade. Exemplo, provérbios e frases feitas que denotem “as lições de sabedoria” popular por meio da imaginação e espírito crítico do povo.
Relacionado a isso há ainda outro tipo de linguagem que acompanha esses saberes; gestos que nesse meio de comunicação do ser humano, seja qual for o seu grau de civilização e forma de sua cultura, pondera Weitzel.
É interessante lembrar que dentro desse quadro de compreensão do folclore lingüístico surge, portanto, a paremiologia popular na qual se evidenciam os saberes advindos da fala do povo. Trata-se na verdade de uma espécie de classificação na qual se agregam os ditados populares, os quais por sua vez se estruturam a partir de frases sentenciosas, concisa e que tem sua verdade assegurada na secular experiência do povo, e que tem como estrutura discursiva a poeticidade através da qual se garante a fixação no inconsciente coletivo.
Para Weitzel, o que assegura a permanência desse tipo de comunicação no meio social popular, são a simplicidade das palavras e a força rítmica do texto.

“O que faz a sua força e explica sua persistência no meio do povo é sua concisão, a profundeza do conceito, a construção quase sempre binominal, ritmada, e preferencialmente rimada, funcionando a rima como elemento embelezador e mnemônico.” (WEITZEL, 1995, p.118).

Nos ditados populares encontram-se questões de sentido que vão desde laconicidade até dogmatismo. O homem do povo, às vezes é descriminado linguisticamente em sua fala em virtude dela ser lacônica e desprovida de elementos de ação; verbo e ou vocábulos desnecessários. Ex. Doce quente, barriga doente; Perdido por um, perdido por mil.
Tais falas demonstram qual lacônica é a comunicação popular, entretanto, os usuários contínuos desse modo de expressão encontram seu lugar de fala e de escutar com a pertinência necessária para o entendimento do assunto tratado no grupo. Portanto, o laconismo na fala popular se traduz por ditos curtos e frases nominais conforme citado acima.
Além disso, tem aqueles ditados populares que ganham notoriedade devido ampla divulgação e aceitação pelo grupo, tendo inclusive, o poder de surpreender o ouvinte, pois parece que pronunciado pela primeira vez. Ex. Quem avisa amigo é. Quem com ferro ferre, com ferro será ferido. Antes só, que mal acompanhado.
Em continuidade à classificação do dito popular, existem aqueles que parece ter sido traduzido de outras línguas, todavia eles são conhecidos por povos de línguas diferentes, mas mantém sua significação e estrutura gramatical quando usado noutro idioma. Em português: Voz do povo, voz de Deus; em Latim: Vox populi, vox Dei; Espanhol: Voz del pueblo, voz del cielo. Francês: La voix du peuple est la voix de Deiu. Italiano : Voce di popolo, voc di Dio; Inglês : The people’s voice, God’s voice.
Estes exemplos demonstram a universalidade dos provérbios na produção discursiva do homem comum, bem como daqueles que se sentem diferentes social e culturalmente, porque os provérbios fazem parte da cultura oral das sociedades humanas.
Ainda nesse viés, ditados populares apresentam em sua constituição densidade semântica, exigindo dos interlocutores, interação e conhecimento sistemáticos, uma vez que são edificados em poucas palavras cuja profundidade de sentido leva a uma espécie de lição de vida, pois advém da longa experiência de quem os proferem. Ex. Diz-me com quem andas e te direi quem és; Quem com porcos se mistura, farelos come. Águas passadas não tocam moinho. Ver-se ai todo aprofundamento moral advindo dos saberes adquiridos pela observação e a vivências dos enunciadores.
Nesse contexto espraiam-se elementos afirmativos diante da autoridade que o adágio tem no meio social onde é enunciado. Então, a veracidade nele contida não carece de maiores explicações. Então, veja-se conforme segue: Quem chora não mama. Pede galinha não mata pinto. Um erro não justifica outro. Aqui, é fundamental que se busque a compreensão a partir do contexto, uma vez que se trata de mensagens carregadas de polissemia.
Em se tratando de elemento polifônico, é interessante a recorrência da generalização para garantir ao provérbio exatidão conforme as variadas circunstâncias em que se aplica. Ex. O cavaco não cai longe do pau. Quem cospe o caroço é que é dono da fruta. Filho criado trabalho dobrado.
Aos provérbios se aplicam as sabedorias populares e, com isso eles assumem um lugar prático na comunicação popular, evitando assim uso de retóricas. “Quando o citamos numa circunstância qualquer, temos a impressão de tê-lo inventado naquela hora, para atendermos àquela situação específica de fala.” (WEITZEL,1995, p.121). Ex. Quem vai na frente bebe água limpa.Chumbo trocado não dói. Achado não é roubado. Combinado não é caro.
Às vezes, quando se usa os provérbios em ocasião diferentes, colocando-os frente a frente pode ocorre contradição. Ex. Em boca fechada não entra mosquito./Quem cala consente. Os grandes venenos estão nos frascos pequenos./Os maiores perfumes estão nos menores frascos.
Além disso, os ditos populares vão além e buscam estabelecer parâmetros e, sobretudo, realçarem regras de conduta definidas ao longo dos séculos pela sabedoria humana, tendo seu maior suporte na questão da religiosidade. Conforme segue: Não se fala em corda em casa de enforcado. Boa romaria faz, quem em casa fica em paz. Não ria do mal vizinho, que o seu está a caminho. Há de se reconhecer que nem sempre na mensagem proverbial existe intenção moral. Às vezes, apenas enunciam um fato, apresentam uma verdade experimental, como: A cana só dá açúcar, depois de passar por muitos apertos. A formiga quando quer se perder, cria asas. Barata sabida não atravessa galinheiro.
No que se refere ao plano estético, tem se ai um ponto importante a ser considerando neste tipo de produção enunciativa; a forma. Esta, por sua vez traz em si elementos literários importantes, ou seja, nos ditados populares a forma é basicamente suportada por rima de sucessão regular, tendo tempos fortes e fracos. Ex. QUEM tem Boca, VAI a Roma. Água Mole em Pedra Dura/TANto Bate atÉ que Fura. Também há que se destacar a forma rimada na qual se evidencia a identidade de sons, ao final de cada verso, sendo este um poderoso recurso mnemônico. Grande gabador/Pequeno fazedor. Quem guarda como fome/O gato come/Segredo contado/É logo espalhado. Dando continuidade à forma, o adágio popular constantemente é construído com binômios. Ex. Casa de ferreiro, espeto de pau. Quem vai ao vento, perde o assento. Quem não tem cão, caça com gato. Porém, há provérbios que não tem binômio. Ex. Santo, quando vê muita esmola, desconfia. O uso do cachimbo põe a boca torta. Macaco velho não mete a mão em cumbuca.
Nesse percurso, tentou-se evidencia a importância paremiologia na comunicação do homem a partir da compreensão do Folclore lingüístico, sem, contudo, adentrar as questões de análise semântica ou pragmática, visto que se trata apenas de uma demonstração do poder da linguagem, quando esta é manipulada pelo o homem do povo em suas ações comunicativas.
Bibliografias consultadas:
BASSO, Renato; ILARI, Rodolfo. O português da gente: a língua que estudamos a língua que falamos. São Paulo: Contexto, 2006.
BURKE, Peter; PORTER, Roy. Línguas e jargões: contribuições para uma história social da linguagem. São Paulo: UNESP, 1997.
WEITZEL, Antônio Henrique. Folclore literário e lingüístico; pesquisa de literatura oral e de linguagem popular. 2 ed. EDUFJF, Juiz de Fora, 1995.
* Professor de Lingüística e linguagens – UNEB – Campus XVI – Irecê-BA.
[1] Herbert Palhano – A língua Popular.

sábado, 23 de agosto de 2008

TECHONOLOGÊS: A REALIDADE DO MUNDO VIRTUAL

A linguagem do mundo é virtual conforme é definida por Phillipe Quéau (1993) se apresenta como uma base onde se encontra a dicotomia digital 0 e 1, isto é, é nesse binarismo em dados e imagens se transformam em informações a disposição dos usuários de equipamentos eletrônicos e digitais na sociedade contemporânea.
Em se tratando dessa questão Prado (2003) afirma que, segundo Quéau a “linguagem do virtual não é simplesmente técnica a mais na história das representações, é, literalmente, o surgimento de uma nova escrita comparável à invenção da imprensa ou ao surgimento do alfabeto”, por que se trata de “uma escrita interativa e imersiva que emerge nas comunidades virtuais, nas cidades e mundos virtuais, na realidade virtual onde se apresenta necessário penetrar nessa escrita, dominar sua gramática e seu estilo.” (Prado, 2003, p.207).
Entretanto, a realidade desse discurso é mais ampla e complexa, visto que os criadores dessa linguagem passam a deter o domínio de seus vocabulários e jargões. O exemplo, WWW, HTML e VRML siglas que a maioria das pessoas ouve falar e até as citam sem, de fato conhecerem seus significados. A partir disso, esta discussão busca simplificar traduzindo para a linguagem comum o que de fato são essas nomenclaturas e onde elas estão fixadas.
É importante de dizer que o sistema WWW é fruto de estudos e pesquisas feitas em laboratórios de física nuclear e seu autor é o inglês TIM Bernes-Lee, que definiu como um protocolo de comunicação que faz a transferência de imagens, sons e textos pela rede, internet. Já HTML (Hipertext Markup Language) neste contexto se tem amplitude da leitura das informações, porque nesse protocolo os dados ganham sentidos bidimensionais e dão sentidos diferenciados às páginas virtuais. A linguagem HTML permite a criação de locais de informações onde grandes textos contendo imagens, som e dados provocando várias formas de comunicação entre os usuários do sistema, com isso gera diversas possibilidade e análise e questionamentos, um “imenso hipertexto planetário, um espaço rizomático e visitável”. Além disso, surgiu VRML (Virtual Reality Modeling Language) criado por Dave Ragget da Hewlett-Packard com a intenção de aproximar e aumentar “a interatividade e interconexão assicrônica em tempo real de múltiplos participantes” Prado (2003).
Com esse modelo de linguagem digital é possível se criar, interagir e manipular objetos e cenas, bem como examiná-los sob vários pontos de vistas. “No caso de mundos de VRML, estes podem ser animados e permite-se ao usuário criar condições para interatuar com outros usuários em 3D.
Crê-se, que depois dessa reflexão teórica mais complexa é hora de começa a simplificar a linguagem usada nos meios digitais, para isso continua-se no campo da internet. Para isso se explica as diferença entre bit e Byte, uma vez que ambos são unidades de medidas do espaço cibernético. Sendo os dois unidades de medida digital (1Byte = 8 bits), mas são usados de formas distintas: Quando falamos em velocidade de conexão, usamos bits (600kps significa uma velocidade de 600 mil bit em um segundo), já quando falamos em “tamanho de arquivo”, usamos Bytes. Exemplo, uma música tem, mais ou menos, 5 Bytes de “tamanho”.
Agora, pode-se falar de internet e suas tipologias: Dial-up normalmente é aquela usada pelo acesso discado, ou seja, o acesso se dá via linha telefônica convencional. (você liga o computador direto à linha telefônica); Banda Larga é o termo usado para definir qualquer conexão à internet com alta velocidade. Numa conexão banda larga, os dados trafegam de forma mais rápida do que no acesso discado.
Outro ponto que precisa ser simplificado é a expressão 3G segundo especialista em tecnologias digitais esta é a geração de telefonia com acesso em alta velocidade. Assim você pode acessar a internet tanto do computador de casa como do computador portátil. Atrelado a este conceito vem WAP (Wireless Application Protocol (Protocolo de Aplicações sem Fio) Isso permite o acesso a internet por meio de equipamentos móveis, celular, computador portátil, etc.
Dessa maneira acredita-se que a linguagem no mundo digital é restrita aos iniciados, todavia esteve cada vez mais na boca do povo, como se estes fosse apenas reprodutores de falas que, de algum modo, lhes conferem lugar de destaque no meio social onde situam seus discursos.


MASIP, Fernando García. Signos em desconstrução. In. DIAS, Antônio Nascimento et ali. Desenvolvimento sustentável e tecnologias da informação e comunicação. Salvador: EDUFBA, 2007, pp.19-30.
PRADO, Gilberto. Ambientes virtuais multiusuários. In. DOMINGUES, D. Arte e vida no século XXI: tecnologia, ciência e criatividade. São Paulo: UNESP, 2003, pp.207-224.

PINGOS DO MEU EU

Cada lágrima que nego a estes olhos,
Profundas voçorocas nascem a cada gota
Que retorna ao peito,
Fazendo dele um Missipi de dor.

Assim, estes rasos olhos
Mostram quanto recolhi de mim
Para não mostrar a ti que sofria

E há em mim uma mina que
Goteja noite e dia
Deixando escorrer sobre a face
Alguns pingos de meu eu.

23 de agosto de 2008
Robério Pereira Barreto

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

ONDE TE CONHECI

Embora tivéssemos na primavera,
Levantava naquele sertão
Nuvens vermelhas a colorir a imensidão.

Ao longe se ouve o pulsar de um coração
Que buscava entre cortina carmim da poeira
Identificar uma flor de voz menina...

Em meios a gritos,
Abre-se o véu
E a ansiedade domina
Olhares e corações...

Segundos tornam-se eternidade
E eles se cruzam em surpreendente
E silenciosa admiração.

Eis que no meio do "nada"
Almas se encontram para
Viverem intensamente....

21 de agosto de 2008, 19h
Robério Pereira Barreto

domingo, 17 de agosto de 2008

A LINGÜÍÇA NÃO TERÁ TREMA E ETC E TAL

Devido aos constantes questionamentos sobre o novo acordo ortográfico que a mim são feitos diariamente, resolvi então resgatar o referido acordo e mostrar que não se muda os elementos de uma língua tão importante como a nossa repentinamente.
Dessa maneira, vejamos que o acordo está prestes à maioridade conforme segue:

Considerando que o projecto de texto de ortografia unificada de língua portuguesa aprovado em Lisboa, em 12 de Outubro de 1990, pela Academia das Ciências de Lisboa, Academia Brasileira de Letras e delegações de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, com a adesão da delegação de observadores da Galiza, constitui um passo importante para a defesa da unidade essencial da língua portuguesa e para o seu prestígio internacional;
Considerando que o texto do Acordo que ora se aprova resulta de um aprofundado debate nos países signatários: a República Popular de Angola, a República Federativa do Brasil, a República de Cabo Verde, a República da Guiné-Bissau, a República de Moçambique, a República Portuguesa e a República Democrática de São Tomé e Príncipe acordam no seguinte:
Artigo 1.º
É aprovado o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que consta como anexo I ao presente instrumento de aprovação, sob a designação de Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1990), e vai acompanhado da respectiva nota explicativa, que consta como anexo II ao mesmo instrumento de aprovação, sob a designação de Nota Explicativa do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1990).
Artigo 2.º
Os Estados signatários tomarão, através das instituições e órgãos competentes, as providências necessárias com vista à elaboração, até 1 de Janeiro de 1993, de um vocabulário ortográfico comum da língua portuguesa, tão completo quanto desejável e tão normalizador quanto possível, no que se refere às terminologias científicas e técnicas.
Artigo 3.º
O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa entrará em vigor em 1 de Janeiro de 1994, após depositados os instrumentos de ratificação de todos os Estados junto do Governo da República Portuguesa.
Artigo 4.º
Os Estados signatários adoptarão as medidas que entenderem adequadas ao efectivo respeito da data da entrada em vigor estabelecida no artigo 3.º
Em fé do que os abaixo assinados, devidamente credenciados para o efeito, aprovam o presente Acordo, redigido em língua portuguesa, em sete exemplares, todos igualmente autênticos. Assinado em Lisboa, em 16 de Dezembro de 1990.
Pela República Popular de Angola:
José Mateus de Adelino Peixoto, Secretário de Estado da Cultura.
Pela República Federativa do Brasil:
Carlos Alberto Gomes Chiarelli, Ministro da Educação.
Pela República de Cabo Verde:
David Hopffer Almada, Ministro da Informação, Cultura e Desportos.
Pela República da Guiné-Bissau:
Alexandre Brito Ribeiro Furtado, Secretário de Estado da Cultura.
Pela República de Moçambique:
Luís Bernardo Honwana, Ministro da Cultura.
Pela República Portuguesa:
Pedro Miguel Santana Lopes, Secretário de Estado da Cultura.
Pela República Democrática de São Tomé e Príncipe:
Lígia Silva Graça do Espírito Santo Costa, Ministra da Educação e Cultura.
BASE I: DO ALFABETO E DOS NOMES PRÓPRIOS ESTRANGEIROS E SEUS DERIVADOS
O alfabeto da língua portuguesa é formado por vinte e seis letras, cada uma delas com uma forma minúscula e outra maiúscula:

a A (á)
j J (jota)
s S (esse)
b B (bê)
k K (capa ou cá)
t T (tê)
c C (cê)
l L (ele)
u U (u)
d D (dê)
m M (eme)
v V (vê)
e E (é)
n N (ene)
w W (dáblio)
f F (efe)
o O (ó)
x X (xis)
g G (gê ou guê)
p P (pê)
y Y (ípsilon)
h H (agá)
q Q (quê)
z Z (zê)
i I (i)
r R (erre)

Obs.: 1. Além destas letras, usam-se o ç (cê cedilhado) e os seguintes dígrafos: rr (erre duplo), ss (esse duplo), ch (cê-agá), lh (ele-agá), nh (ene-agá), gu (guê-u) e qu (quê-u).
2. Os nomes das letras acima sugeridos não excluem outras formas de as designar: As letras k, w e y usam-se nos seguintes casos especiais:
a) Em antropónimos/antropônimos originários de outras línguas e seus deriva­dos: Franklin, frankliniano; Kant, kantismo; Darwin, darwinismo; Wagner, wagneriano; Byron, byroniano; Taylor, taylorista;
b) Em topónimos/topônimos originários de outras línguas e seus derivados: Kwanza, Kuwait, kuwaitiano; Malawi, malawiano;
c) Em siglas, símbolos e mesmo em palavras adotadas como unidades de medida de curso internacional: TWA, KLM; K-potássio (de kalium), W-oeste (West); kg-quilograma, km-quilómetro, kW-kilowatt, yd-jarda (yard); Watt.
Em congruência com o número anterior, mantém-se nos vocábulos derivados eruditamente de nomes próprios estrangeiros quaisquer combinações gráficas ou sinais diacríticos não peculiares à nossa escrita que figurem nesses nomes: comtista, de Comte; garrettiano, de Garrett; jeffersónia/ jeffersônia, de Jefferson; mülleriano, de Müller; shakesperiano, de Shakespeare.
Os vocábulos autorizados registarão grafias alternativas admissíveis, em casos de divulgação de certas palavras de tal tipo de origem (a exemplo de fúcsia/ fúchsia e derivados, bungavília/ bunganvílea/ bougainvíllea).
Os dígrafos finais de origem hebraica ch, ph e th podem conservar-se em formas onomásticas da tradição bíblica, como Baruch, Loth, Moloch, Ziph, ou então simplificar-se: Baruc, Lot, Moloc, Zif. Se qualquer um destes dígrafos, em formas do mesmo tipo, é invariavelmente mudo, elimina-se: José, Nazaré, em vez de Joseph, Nazareth; e se algum deles, por força do uso, permite adaptação, substitui-se, recebendo uma adição vocálica: Judite, em vez de Judith.
As consoantes finais grafadas b, c, d, g e h mantêm-se, quer sejam mudas, quer proferidas, nas formas onomásticas em que o uso as consagrou, nomeada­mente antropónimos/antropônimos e topónimos/topônimos da tradição bíblica; Jacob, Job, Moab, Isaac, David, Gad; Gog, Magog; Bensabat, Josafat.
Integram-se também nesta forma: Cid, em que o d é sempre pronunciado; Madrid e Valhadolid, em que o d ora é pronunciado, ora não; e Calecut ou Calicut, em que o t se encontra nas mesmas condições.
Nada impede, entretanto, que dos antropónimos/antropônimos em apreço sejam usados sem a consoante final Jó, Davi e Jacó.
Recomenda-se que os topónimos/topônimos de línguas estrangeiras se substituam, tanto quanto possível, por formas vernáculas, quando estas sejam antigas e ainda vivas em português ou quando entrem, ou possam entrar, no uso corrente. Exemplo: Anvers, substituíndo por Antuérpia; Cherbourg, por Cherburgo; Garonne, por Garona; Genève, por Genebra; Justland, por Jutlândia; Milano, por Milão; München, por Muniche; Torino, por Turim; Zürich, por Zurique, etc.
A partir desse tópico é interessante esclarecer que haverá mais modificações na grafia de usada em Portugal do que na nossa. Todavia, alguns aspectos serão observados no fututo, isto é, a partir do momento em que os livros e dicionários começarem a registrá-los tanto aqui quanto nos países de Língua Portuguesa seremos “obrigados” a seguir tal acordo. Embora saibamos que se refere à língua falada pouco o nada mudará, visto que boa parte dessas questões já é bem resolvida na produção oral. Para saber mais e como estão estas questões visite as fontes abaixo indicadas:
http://www.portaldalinguaportuguesa.org/index.php?action=acordo&version=1991
http://www.portal.mec.gov.br/sesu/index.php?option=content&task=view&id=693&itemid=303 http://www.static.publico.clix.pt/docs/cultura/acordoOrtografico.aspx

“DOIS A DOIS” DE SÓLON BARRETO: REINVINDICANDO A ALTERIDADE

Quais teriam sido os pensamentos e os vieses que permitiram ao ator e diretor de teatro, Sólon Barreto a consolidar num só quadro epistemológico o caos do ser contemporâneo: instabilidades emocionais, vaidades individuais consolidados e legitimados por questões sociais e morais numa perspectiva informal, “um papo comédia” no qual as relações e vaidades masculinas e femininas se acentuam definitivamente?
Ainda que no decorrer do “papo” o ator deixa vir à tona elementos do cotidiano, isto é, piadas e textos correntes na internet, ainda assim houve muita criatividade ao usá-los, de modo que a maioria da platéia deixou-se encantar pelo desempenho do ator, cuja expressão de palco é bastante significativa.
Além disso, é curioso perceber o potencial crítico do ator ao tratar de uma só vez, do pluralismo do dia-a-dia, violência doméstica, individualismos e, sobretudo, o quesito da alteridade, ou seja, ao se travestir nos personagens feminino-masculino reivindicava a alteridade da mulher contemporânea de um ponto de vista no qual se vê de uma forma crescente na platéia, a catarse feminina. Dizendo de outra forma, há em “D IS A D IS” a identificação insistente da presença da voz da mulher como um dos riscos mais assanhados da cultura pós-moderna. Embora fiquem evidências de que na tradição local quem vai predominar de fato é a voz do ideal de macho, isto é, o personagem Chico Navalha é o ponto nefrálgico do “papo”, porque há nele a possibilidade da maioria dos espectadores se identificarem, inclusive os homens tendem a seguir seus pontos de vistas e, as mulheres por sua vez, vêm nesse tipo dupla face da realidade local, pois uma pode estar representada na figura do pai ou do irmão homofóbicos e violentos.
No que se refere à natureza da apresentação é interessante observar como, apesar da experiência explícita do ator não houve interação com a técnica, uma vez que produção não estava atenta as ações do ator no palco, vindo a soltar a trilha sonora fora de tempo de cena. Outra questão intrigante em “D IS A D IS” é a presença de um Banner com foto de celebridades, visto que ator em momento algum fez uso efetivo daquele elemento cênico. (Será que tiveram a devida autorização para fazer o uso de tais imagens?)
A profundidade e a distância existentes entre homens e mulheres são de fato, uma questão importante, todavia o pensamento feminista marca todo o texto e exigiu do ator posicionamento de palco extremamente complexo, uma vez que a relação entre os sexos bem como todas as questões da sociedade contemporânea reivindicam sentidos, sejam, de forma sistemática, particularizada e ou localizada historicamente, opondo-se quaisquer perspectivas ontológicas de conciliação.
É ainda o caos humano que determina a ação do ator no palco. Porém o estilo proposto pela equipe ao invés de debater os assuntos subliminarmente jogados no texto, preferiram carnavalizá-los. Afirmando de outro modo, prefere-se o riso à problematização de temas importantes destacados por meio das personagens construídas ao longo da encenação.
Os sentidos carnavalizador e irônico da peça ficam evidenciados no “vocabulário praça da pública” onde as partes genitais tanto do homem quanto da mulher são ridicularizadas à medida que se coloca em destaque a questão do poder e da força advindas dessas partes (tamanho), sendo delegado ao homem todo faloegocentrismo permitido pela sociedade. Já à mulher lhe é permito apenas os devaneios em relação ao sexo.
Em “D IS A D IS” ficam evidentes tendências contemporâneas, o neorealismo no qual se usa vários elementos da cultura numa mesma perspectiva para denunciar fatos corriqueiros e, que por tanto, serão compreendidos como meras brincadeiras, pois não delimita nem o sujeito tampouco o objeto da ação.
Por fim, um dos efeitos mais importante desse trabalho é o questionamento da legitimidade dos sujeitos e lugares de fala cada um, considerados importantes para a reivindicação e manutenção da alteridade de ambos os sexos.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

LIVRO VIDA

No livro da vida muitas
Histórias lindas escrevi...

Porém, houve uma página
Onde a nódoa da lágrima marca
O branco do papel...

Tal página do livro vida
Arranquei e ao vento
Para sempre atirei.

Livro vida falta uma folha
É melhor o vazio do que
Uma página manchada pela
Tinta da dor.

13 de agosto de 2008, 21h19min.
Robério Pereira Barreto

DIZER...

Está aqui é dizer
Que a alma está fria
Porém o corpo sente que...

Magnífico é saborear alegria
À noite sentindo saudade
Mesmo numa cama vazia...

Delirante é sentir a carícia
Sedutora da brisa maliciosa
Que passeia suas mãos macias
Fazendo a pele arrepiar...

Palpitante é o pulsar das veias
Estremecendo o coração
Em compulsão a desejar
Ter você para amar em...

15 de agosto de 2008, 22h04
Robério Pereira Barreto

ENTRE O SER HUMANO E CONSUMO

A NOVA ORDEM: CONSUMIR É PRECISO, TER PAZ NÃO!
Robério Pereira Barreto*
O homem contemporâneo assume a ordem do dia, consumir. Importa iniciar perguntando: Você possui MP8, Ipod, TV de Plasma, Playstation e Notebook com internet movem? Se a resposta for sim. Bem-vindo ao mundo do conectados, cidadãos do mundo! Agora, se ainda está ouvido rádio Am/Fm, vendo TV de 21 polegadas, usando cartão telefônico e manda carta por fax, infelizmente, considere-se na era analógica, porque a nova ordem é se linkar aos novos recursos tecnológicos e, simplesmente, ser um consumidor e cidadão dos bits.
Então, preste bastante atenção, porque este é o recado que a mídia, sobretudo, a televisão deixa para nós todos os dias em nossas casas. Seja um consumidor! Há nessas publicidades uma espécie de sedução, isto é, tudo é bonito, funcional e fácil de comprar. (os aparelhos de ginásticas, emagrecedores, eletro-eletrônicos e produtos de limpeza que “facilitam” a vida da dona de casa).
Isso cria vontades e desejos de consumo e até, alterar o padrão de comportamento das pessoas, pois aqueles que não dispõem de recurso financeiros para a realização de tais sonhos, colocam em risco a paz e a tranqüilidade da família, uma vez que suprimi as necessidades básicas – alimentação, saúde e moradia – em busca da aquisição de bens de consumo que os façam ser vistos como cidadãos pertencentes a um grupo social que, na maioria das vezes não podem faz parte, porque apenas é mais uma vítima do desejo desenfreado de comprar tudo que lhe ofertado pela mídia.
Em um nível mais elevando de consumo, há pessoas que desde cedo são incentivadas pelos pais ao consumismo e, com isso, tornam-se compulsivos e até vivem atormentados pelo fantasma da futilidade, compram por comprar! Isto tem criado vários problemas nas sociedades, sobretudo nas famílias pobres que na maioria das vezes se submetem às situações de risco em virtude de querer dar tudo que seus filhos pedem, principalmente, objetos que estão na moda e são mostrados diariamente na mídia como sendo símbolo de status social.
Nesse contexto, trata-se de questões em que a violência psicológica é presente e, às vezes, é transformada em agressão física, ou seja, o desejo de consumir determinados produtos é tão intenso que pais e filhos se agridem mutuamente. Para refletir: Você prefere viver em paz com o mínimo necessário, ou com a casa cheia de futilidades e em guerra interior?
* Professor da UNEB – Campus XVI, pesquisador de Linguagens em mídias digitais e Literatura e Cultura Populares.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

REIFICAÇÃO DE ESTERIOTIPO EM “MEU SER DE MIM”

A sociedade contemporânea tem produzido cada vez mais, sujeitos que procuram a todo custo chegar ao sucesso, o qual na maioria das vezes não é facilmente alcançado, causando assim nesses aspirantes a celebridade sérios problemas psicológicos.
É com essa observação que se iniciam os comentários sobre a peça "Meu ser de mim" adaptação do texto O Ator-mentado, comédia de um ato, escrita por Rodrigo Rangel e Afonso Celso, em 1998.
Na releitura da referida peça, o diretor de teatro, Péricles Barreto manteve a formação do texto fonte, inclusive conservou os mesmos nomes dos personagens originais: Mauro Cristal, ator recém-formado; Antônio Felipe, empresário e amigo de colégio de Mauro; Joaquim, tio de Mauro e dono de um botequim; Lauro Aquino Rêgo, colega de Mauro do curso de teatro; Caio, aluno de Mauro Cristal; Gilbertão, dono de teatro. Quanto ao cenário houve poucas modificações, uma vez que o texto traz em si uma perspectiva do teatro contemporâneo, isto é, está carregado de signos que se movem no tempo e no espaço, dando ao espectador oportunidade de se situar na história, embora a platéia tenha se detido tão somente no caricato, visto que houve exagero nesse quesito, pois o ator que interpretou a personagem Mauro Cristal inflacionou a cena com trejeitos homossexuais (embora Rangel e Celso tenham idealizado esse intérprete, mas não precisava tanto, né!) e, além disso, houve falas preconceituosas quando se referia a um bairro periférico de Irecê, Morro do Urubu, provocando na platéia risos irônicos, fugindo da temática do texto fonte; a crise de identidade do sujeito e a busca pelo sucesso!
De qualquer modo não houve algo que viesse a tirar o mérito do trabalho da equipe, visto que fazer teatro onde as pessoas não foram orientadas a compreenderem tais questões é, na verdade um ato de coragem. Agora, enquanto espectador iniciado crê-se que é interessante lembrar que houve sim sobre elevação dos esteriotipos, inclusive a direção musical reforçou o processo de esteriotipia, ao associar a trilha sonora de Ney Mato Grosso e Luiz Melodia às ações do personagem Mauro Cristal, além claro de ter forçado a montagem do personagem Gilbertão por uma menina que, masculinizada se perdeu em vários pontos da ação dialógica do texto, ou seja, houve vários “cacos” no texto o que não chegar a ser demérito, se é para improvisar falas para que texto?
A despeito de quaisquer que sejam os desvios ocorridos, a equipe de atores e a direção merecem atenção da comunidade e da crítica, visto que ambos rompem com o lugar comum, isto é, se colocam à disposição e fazem arte e a levam àqueles que não têm oportunidade de conhecê-la em outros contextos.
Juízo de valor à parte cabe aqui fazer algumas observações: primeira, a capacidade do ator-interprete da personagem Mauro Cristal em decorar o texto, embora tenha colocado “cacos” importantes para seu desempenho. segunda é a maturidade do ator Carlos, interprete do personagem Joaquim, tio de Mauro Cristal. De qualquer sorte foi um bom espetáculo, podendo, inclusive Barreto explorar melhor esses atores em textos mais densos, isto é, trabalhar questões dramáticas, evitando assim cair no clichê e no caricato da comédia cotidiana.

sábado, 9 de agosto de 2008

PEGADAS

Não sei por que penso em você
Porque até as pedras choram
Ao lembrar-se de quanto
é infinito o meu sofrer.

Não sei por que
Mas, terei uma vida
Para lhe esquecer...

Enquanto isso não ocorrer
Farei de meu coração
A rocha mais dura;
Que não haverá insistência
Ou água que o faça ceder.

Não sei por que
O quanto é difícil
Apagar as pegadas
Deixadas na superfície
Do mármore coração...


09 de agosto de 2008, 11h05mim
Robério Pereira Barreto

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

CICLO DE...

Na corrida das lágrimas,
Vence a que habilmente serpenteia
Ao terreno da face
E transpondo os altiplanos
Dos lábios nacarados
Invadem a boca,
Deixando nela seu sabor
Agridoce da alma
Partida em dor.

Voluntariosa a boca segue
O instinto do coração ferido
E absorve as lágrimas
Recolhendo-as à insignificância...

Nesse ciclo alma e coração
Recolhem-se para o mundo
E para sempre emudecem
na esperança de brotar de novo...

07 de agosto de 2008, 00h42min.
Robério Pereira Barreto

segunda-feira, 28 de julho de 2008

HIDRÓFILA-DOR

Na vagas da solidão surge
Surfando em ziguezague
Vaidosa sensação de dor
Que lentamente afoga
E atira aos recifes um
Coração que já amou.

Sem pulso é levado
Pela arrebentação
Até a praia, onde
Passantes lhe desprezam
Ecoando no silêncio das ondas
A singeleza da indiferença, dor...

Vencido pela apatia
Indeciso está;
Deixo-me morrer na praia,
Ou desapareço na imensidão
Sombria da solidão do mar?
Não, nada disso o farei
sob sol da manhã ressucitarei
e encontrarei a maresia
como amiga e estrela da manhã
a me guiar ao encontro do infinito...

29 de julho de 2008, 23h02min
Robério Pereira Barreto

domingo, 27 de julho de 2008

LE TUE PAROLE

Na madrugada sombria
Em que tudo indicava
Que não raiaria o dia,
Suas palavras de luz
Fizeram me perceber que,
Poderia tardar o amanhecer,
Porém não há noite nem tempestade
Que impeçam um coração límpido
A aurora apreciar...

Le tue parole são para esta
Alma a serenidade e a luz
Que rompem as trevas da ingratidão...
Então, depois do que me dizes
Este coração e alma,
Nos primeiros raios da manhã
Renascerá e gritará:
De hoje em diante não haverá treva ou ingratidão
Que possam ofuscar o brilho desse olhar
Nem o sorriso de minha face tirar;
O paraíso ofereço quem soube me escutar.
Já quem não quis saber
A minha forma de amar
Desejo ódio porque o inferno
é seu lugar!

28 de julho de 2008, 11h43mim
Robério Pereira Barreto

quinta-feira, 24 de julho de 2008

EFÊMERO FULGAZ

Das mãos fugazes do amor
Saem tentáculos sedutores
Que nos apertam com fervor,
Sufocando o peito com grande dor.

Na felicidade efêmera
Tudo se desvencilha ao primeiro
Sacrifício a ser enfrentando...

Nessa mão de mil tentáculos; ilusão
Somos abraçados e, às vezes,
Ainda há quem diga que isso
É parte de paixão.

Na paixão fulgaz da manhã
Sufocam-se os corações
Com falas vãs...

Porém antes de despertarem
São sufocados pela dor
Simples dizem: acabou!

24 de julho de 2008, 22h
Robério Pereira Barreto

sábado, 19 de julho de 2008

A DOUTRINA DEMAGÓGICA PARA AS MASSAS: MÚSICA CLÁSSICA NO SERTÃO

Estive pensando qual seria o assunto a ser tratado ao voltar minha prática de escrita neste espaço. Ei-la a seguir para reflexão: Hoje, fui surpreendido com a notícia de que teríamos um concerto em praça pública com um dos maiores nomes da área; Arthur Moreira Lima, solista de respeito nacional e internacional. Então, fui apreciar tal evento, surpresa maior foi ver na primeira fila, sentado em um banco simples, o governador do Estado. Então pensei: Nossa, Ele veio só para assistir a tão ilustre músico. Quanta honra, não é mesmo?
Sabemos que na sociedade atual, o comportamento dos homens é em grande parte determinado pela intenção e a integração de sua memória às suas experiências passadas, então estar sentado num banco simples na praça pública e assistindo a concerto ao piano, no qual o “cavalo de batalha” do solista era as composições Chopin, tenha sido um momento paradoxal para todos nós, inclusive para o Governador e as autoridades que o acompanharam, porque certamente esses não tiveram como a maioria da audiência, em sua comunidade a presença dessa cultura musical.
Mas, afinal quem era mesmo Chopin? Isso talvez tenha ficado na mente da maioria das pessoas que ouviam e assistia Arthur Moreira Lima interpretar belamente aquelas composições. (Frederic Chopin era filho do professor francês Nicolas Chopin, que dava aulas de língua e literatura francesas, e da pianista polonesa Justina Krazizanovska. Dez meses após o seu nascimento, a família foi morar em Varsóvia, onde transitava entre os nobres e a burguesia.Chopin teve uma infância culta. Aos seis anos passou a ter um professor de piano, Adalbert Zwini, que lhe apresentou as obras de Bach e Mozart.Seu primeiro concerto público ocorreu quando ele tinha oito anos. Na mesma época viu publicada sua primeira obra, uma polonaise. Prosseguiu conciliando seus estudos no Liceu de Varsóvia com as aulas de piano. Em 1825, apresentou-se para o czar Alexandre I. No ano seguinte ingressou no Conservatório de Varsóvia, onde iniciou seus estudos com o compositor Joseph Elsner. Em 1830, dias antes de eclodir a Revolução Polonesa contra a ocupação russa, Chpin resolveu deixar Varsóvia e partir para Viena, que vivia sob o regime autoritário de Metternich. Em julho do ano seguinte, Chopin seguiu para Paris, onde logo integrou-se à elite local, passando a ser requisitado como concertista e como professor. Nessa época conheceu músicos consagrados, como Rossini e Cherubini, e outros de sua geração, como Mendelssohn, Berlioz, Liszt e Schumann. Em uma de suas viagens pela Europa, em 1835, reencontrou Maria Wodzinska, que conhecera ainda criança em Varsóvia. Chopin apaixonou-se, mas, apresentando já os primeiros sinais de tuberculose, acabou rompendo o noivado por pressão da família de Maria. Em 1838 Chopin uniu-se à controvertida escritora Aurore Dupin, que usava o pseudônimo masculino de George Sand. O casal resolveu passar um tempo em Maiorca, mas o clima úmido da ilha piorou o estado de saúde do compositor. Em 1839, os dois voltaram para a França e em 1847 romperam definitivamente o relacionamento.No dia 17 de outubro de 1849, Frederic Chopin faleceu, aos 39 anos. Foi sepultado no cemitério de Père Lachaise, em Paris. Seu coração foi colocadodentro de um dos pilares da igreja de Santa Cruz, em Varsóvia, conforme o seu pedido.Chopin dedicou toda sua obra ao piano, com exceção de apenas algumas peças. Várias de suas obras têm influência do folclore polonês, como é o caso das mazurcas e das polonaises.)
Não dizer o que foi Chopin para música ou à humanidade não faz diferença diriam alguns, uma vez que a audiência ali se restringia a uma minoria escolarizada e que estava interessada não em contemplar aquele momento único na vida de muitos de nós, mas sim, de estar perto do poder e aproveitar a oportunidade para ser visto em alguma foto.
Isso, sem dúvida, torna o valor e a cultura clássica apenas um pano de fundo no qual se projetam interesses alheios à própria inserção das classes populares à cultura de elite.
Por fim, fica ao leitor a reflexão... Por que só agora Arthur Moreira Lima um piano na estrada, chegou a Irecê se o projeto é antigo?
Talvez a resposta esteja além da imaginação, porém Abraham A. Moles diz que todo item, todo átomo de cultura, é assimilável pelo ser humano em razão exclusivamente de sua importância fundamental e não em razão de sua dificuldade de apreensão;” (Moles, 2000, p. 86). então apreender o significado de tão importante evento em plena campanha eleitoral não será tão díficil! não é mesmo?

Bibligrafias consultadas

http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u761.jhtm

MOLES, ABRAHAM A. doutrinas sobre a comunicação de massa. In. LIMA, Luiz Costa. Teoria da cultura de massa. São Paulo: Paz e Terra, 2000, pp. 75-102.

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terça-feira, 15 de julho de 2008

NOTA AOS WEBLEITORES DESSE ESPAÇO

Prezados leitores,

Dirigo neste instante a todos aqueles que me dão a felicidade de acessar esse espaço e compartilhar comigo todos os escritos até então postados (mesmo que, às vezes, tenha me empolgado e cometido desvio da norma padrão, embora este espaço tenha si tornado um veículo público, quero lembrá-los que se trata de um diário, no qual publico todas as minhas idéias e opiniões). Então, em respeito a todos que me ouve-lêem quero avisar que estou passando por problemas estranhos as minhas vontades e, acima de minhas forças, portanto, informo a todos que em breve, poderei retormar minhas atividades normais e publicar poesia e textos que possam provocar reflexões a todos. Obrigado pela compreensão.

sábado, 12 de julho de 2008

NAS NUVENS...

Na grandeza da lua
Vejo a beleza sua
Desfilar aos meus olhos,
Que lânguidos apreciam-te.

Sob o orbe lunar passeias
Por entre sonhos infantes
A me guiar pelos campos
De lascívia a te desejar.

Nua flui entre minhas mãos
Como água que evapora
Sob o calor de verão.

Em desejo mil
Prendo-te em mim
Tal a nuvem que colhe para si
A última gotícula que insiste em fugir.


11 de julho de 2008, 00h19min.
Robério Pereira Barreto

sexta-feira, 11 de julho de 2008

O VALOR DAS COISAS E DA ARTE NO CONTEMPORÂNEO

O que se segue é um experiência realizada pelo jornal The Washington Post cujo objetivo era colocar em evidencia o que de fato é a arte para o homem contemporâneo, que na correria do dia-a-dia não se dá ao trabalho de perceber a arte fora do espaço formal, isto é, para ser apreciada por ele, a arte deve estar tutelada pelas instituições formais, museu, teatro, galeria, etc. nem que para isso tenha que desembolsar fortunas por um instante de prazer. Entretanto, isso o fará diferente dos demais, pois poderá dizer nas reuniões socais que desembolsou uma pequena fortuna para assistir a este ou aquele artistas. Mas, se este artista estiver apresentando sua arte no espaço público e grátis, não será apreciado pois não lhe assegurará nenhum status. Então confiram o vídeo com apresentação de Joshua Bell no metrô de Nova York veiculado no YouTube: Joshua Bell insubway L'Enfant Plaza in Washington, D.C. In. http://www.youtube.com/watch?v=sn6KMSq_vaE e vejam como temos visto a arte de um ponto de vista tubular, isto é, valorizamos a arte que nos é oferecida pela grande mídia, mesmo que sua qualidade seja discutível. Assim concluímos que, para ser arte e darmos valor a ela, deverá está num contexto e, sobretudo, numa bela moldura.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

POR QUE NÃO DIZER A VERDADE?

Mais uma noite na escuridão
A mente não pára de pensar:
Por que não dizer a verdade
Se nosso mundo foi construído
Sobre os pilares da sinceridade?

Diz-me, agora a verdade
E deixarei de pensar em ti!
Para, assim libertaremos
Nossos corações dessa crueldade

Por que não diz a verdade?
Do jeito que tudo mal acabou,
Sinto que jamais a verdade gritou
Quando, no leito dizia
Que era todo meu amor.

Por que não diz a verdade?
Por quê?

10 de julho de 2008, 12h35min
Robério Pereira Barreto

terça-feira, 8 de julho de 2008

CONCUPISCÊNCIA

Ouço nos seus olhos um silêncio
cujo grito é agudo, porém cônscio
de que seu brado atinge-me o íntimo do ser.

Porque a fragrância de seu corpo inunda
meus olhos de desejo cuja lascívia
faz-me violentá-la com olhos impuros.

Com mãos cuja maciez lhe faz carícias
e, consequentemente, submerge-nos à lubricidade
do desejo conflituoso, porém nos conduz ao confronto final;
em que nossos corpos ruborizados se entregam ao incêndio da paixão.

Assim, derretem-se ao som de brados infinitos
em que à união de dor e prazer soma um só corpo,
fazendo com que os fluidos da vida escorram
graciosos e voluntariamente entre os últimos suspiros de amor.

O POETA NO CEMITÉRIO CIDADE

Madrugada Silêncio...
a cidade repousa
e seus moradores dormem
em suas tumbas modernas
preparando se para o dia seguinte
no qual se protegerão de si mesmos
dentro de seus caixões blindados e motorizados.

Enquanto isso seres se dilaceram
em compasso de espera
nas esquinas e avenidas da vida
procurando guarida nos braços do mundo
que em um segundo podem lhes tirar o direito
de respirar porque ao invés de prazer sentiu dor
levando à quebra do contrato regido por olhares
perdidos em meio ao desprezo
daqueles que buscam no dinheiro o valor
da vida e também do amor
medido e pago sem nenhum rancor.

A madrugada muda inerte
testemunha ocular
não quer tais segredos revelar
pois se falasse ninguém ia acreditar
porque no cemitério-cidade
os protegidos nas tumbas e caixões blindados
se preocupam em preservarem-se da maldade
posta à rua fruto da desigualdade.

OLHOS DA ALMA

Os olhos da alma são infinitamente fundos
E por isso ao mirar-te fico tonto,
Sentindo-me confuso ante as coisas mundo.

A luz dos seus olhos, oh alma límpida!
Apresenta-se para mim
Como as cores do arco-íris
Por detrás da nuvem
De chuva na tarde de outono.


Sou um louco
Que vive
As desventuras da vida;
Sou menino
Cuja inocência revela a carência;
Homem cuja maldade
Revela ao mundo a verdade
De quão duro é estar vivo
Na selva de hipocrisia
E mais valia!

La luz
la vida sin te
no tiene sentido para mí
y…
Por eso ayunque estoy aquí!

Mis ojos mareados
soy las marcas
de la ambición!

Mas sin ti
no voy conseguí
Vivir aquí.

Ahora voy buscarte
no infinito mismo que tenga
que encuentra la oscuridad.

SEIVA DA SOLIDÃO

A solidão é água de ribeirão
Que ao ser presa na concha da mão
Dá um jeitinho e foge entre os dedos
Procurando juntar-se ao mar;
Quebras as barreiras que há.

A prisão da alma por um amor
Malfadado é tentativa vã;
Controlar a vontade da alma
É sufocar o grito do vulcão roncador.

A solidão que há aqui
Tornar-se-á um furacão no devir,
Esperando você surgir diante mim
Com sorriso maroto no rosto
E balançar faceiros nos quadris.

Isso me tornará seu prisioneiro
À espera do encontro verdadeiro
Nem que tenha que viver na masmorra,
Onde a alma alimenta a solidão
Como se rega um jasmim.

Portanto, eu não vivi até aqui
Para deixar evadir-se de mim,
Por entre os dedos como seiva de capim
Que ao ser esmagado nas mãos
Geme sufocado até o fim.

VENDEDOR DE PAIXÃO

Solitário nas esquinas e avenidas,
ou acompanhado na multidão de bares,
está o vendedor de flores,
trazendo nos braços vários amores;
perfeitos e, às vezes mais que perfeitos
são lírios e margaridas.

As flores com seus perfumes
e cores se misturam
entre os sabores das paixões reais
e aquelas cuja formosura será despertada
no desabrochar de um copo de leite.

Os corações afloram diante da poesia
aveludada da rosa vermelha
e lírio cor de aquarela
que toca alma dos amantes
mesmo em momento de querela.

Oh, preciso comprar uma paixão
Para alegra meu coração!
Cadê o vendedor de flores
Que traz nos braços novos amores?

Quero o amor mais perfeito
Que dê a esse peito o pulsar
De infante diante da emoção primeira.

(...)

Sei que se não encontrar o vendedor
Posso ficar para sempre com a dor
De um amor que aos poucos se acabou.

A LITERATURA DE MATO GROSSO NO LIMIAR DA GLOBALIZAÇÃO

“Os sábios geralmente morrem como insensatos. Os tolos, ao contrário, morrem fartados de conselhos. Morre-se de idiotice quando se pensa demais. (...) Alguns sucubem por entender tudo, e outros vivem por não entenderem nada.” (GRACIÁN, Baltasar. Não morrer de ataque de idiotice in: Arte da Prudência, 2001. 57)


Sabe-se que a literatura em Mato Grosso tem dois momentos; antes e depois da divisão do Estado. Portanto, perguntar se existe literatura em nesse Estado é uma questão importante e que precisa de discussão ampla.
Segundo o que os estudiosos têm dito a quantidade de obras produzidas antes da divisão política-administrativa volta-se, sem dúvida, para o relato historiográfico no qual destacam-se os trabalhos de Rubens de Mendonça, História da literatura mato-grossense (1970), e Lenine Povoas, História da cultura mato-grossense (1982).
Para Magalhães (2001:15) este textos são, na verdade, fruto de uma compilação historiográfica do Estado. Portanto, qualquer pesquisador que queira entender os acontecimentos na literatura de Mato-Grosso deve lê-los, pois o mérito a eles atribuído é em virtude de fazerem uma relação minuciosa das produções literárias dos séculos XVIII e XIX.
A estudiosa ainda afirma que a História da cultura moto-grossense fornece informações sobre manifestações culturais que, certamente, conduzirá o pesquisador ao conhecimento da vida na sociedade da época.
Dessa maneira, pode-se dizer que a produção literária de Mato-Grosso, antes da divisão política (1977), e o Decreto que legalizou a separação é de 1979, era um misto de arte da palavra com história. “A nós interessa compilar a história da literatura de Mato Grosso buscando enfatizar as características estruturais e conteudísticas que a legitamam enquanto diferença no cenário literário nacional.” Afirma Hilda Magalhães.

Afinal, o qual é a posição da literatura de Mato Grosso no cenário literário nacional?

Antes de responder tal inquérito, faz se necessário esclarecer qual é a concepção que se tem sobre a literatura de Mato Grosso. Para tanto, empresta-se de Hilda Magalhães o discurso que afirma que é “literatura mato-grossense os textos escritos por autores que nasceram em Mato Grosso ou que nele residem (ou tenham residido), contribuindo para o enriquecimento da cultura do Estado.” (Magalhães, 2001, p. 18).
Com efeito, lembra-se que o pensamento da pesquisadora ao falar de literatura mato-grossense está baseando ainda no Estado indiviso, isto é, o Mato Grosso anterior à década de setenta.
A produção literária mato-grossense ainda não tem se mostrado suficiente para faz parte do cânone nacional. Contudo, tem se mostrado como elemento de compreensão das transformações da(s) cultura(s) do Estado. “(...) Quanto à variedade da produção literária mato-grossense, evidenciando a sua importância, enquanto diferença, no contexto literário nacional” pode-se dizer que responde às expectativas regionais.
De sorte que temos hoje, nomes que representam os Estado em concursos nacionais, tendo sido ganhador de prêmios importantes autores como: Hilda Magalhães Dutra, Aclyse de Matos, Lucinda Persona, etc.
Numa tentativa de responder a pergunta desse tópico, afirma-se que, a partir de 1970, foram desenvolvidas ações governamentais, cujo objetivo era criar e intensificar políticas que visassem o crescimento econômico do Estado. Dessa maneira, viu-se em um grande movimento migratório, destacando nesse contexto, o fluxo migratório do Sul, especialmente, sulistas.
No que se refere à cultura, comentar-se-ia que, nesse período a literatura e a cultura em geral tiveram grandes produções, porém foram suplantadas pela questão econômica, a qual deu ao Estado destaque no âmbito nacional. Tudo isso pode ser tributado ao “maciço investimento nos latifúndios, ao mesmo em que pequenos proprietários, sem acesso a financiamento, foram condenados ao empobrecimento” (Siqueira. 1990:196 apud Magalhães, 2001, p. 225).
Para Magalhães (2001:226), após a divisão, o Estado viu um momento de efervescência cultural, tendo no teatro um instrumento de divulgação social. Assevera-se ainda que nesse período surgiu também a criação da literatura infanto-juvenil. Ademais, apareceram produções poéticas que tinham, ou melhor, tem preocupações com os temas que universalizam a questão fundiária. (ver Matrinchã do Teles Pires, de Luiz Renato Pinto), bem como temáticas universais, por exemplo; o erotismo, a metalinguagem e os emblemas da pós-modernidade.

A arte regional na pós-modernidade

Na era digitação e na globalização, ainda é possível se pensar em arte regional? Bem, isso é uma questão reconhecidamente complexa, mas é passível de um consenso. Pois, José Nogueira de Moraes afirma que o termo regional é inadequado para a produção artística, visto que o significado que a arte e a literatura transmitem tem caráter universal.
Nesse mister, Nelson Brissac corrobora ao dizer que:

“Para artistas brasileiros contemporâneos, vivendo em metrópoles onde as arritmias da produção industrial e dos sistemas de comunicação são mais gritantes, nacional não se define pelo que se tenha de mais brasileirinho. Mas pela capacidade de tirar partido de uma condição especifica no concerto das contradições internacionais, operando as diferenças, os intervalos e as desproporções no interior do sistema, que às vezes aqui se fazem mais evidentes. (Brissac, 1996: 5-7) Apud Souza, 2001, p. 107).

O quadro poético de Mato Grosso, basicamente, está centrado nas questões apresentadas pelo articulista, sendo que o elemento responsável por isso, pode se dizer que ainda é e está relacionado com os acontecimentos políticos do fim da década de setenta – investimentos na construção de estradas e meios de comunicação fizeram a ligação das regiões do Estado e, também com o centro sul do país.
Para Bissac (1996:5-7), Os artistas ao produzirem suas poemáticas atuam como sujeitos ativos, que conseguem mesmo que deslocado do centro, produzem temas de caráter universais. Então, ouve-se o que ele nos disserta sobre a questão:

“Esses artistas indicam como alguém, embora localizado, conseguem ser universal. Situação que nada tem a ver com o apego a um lugar, a raízes provincianas. Trata-se de uma posição geográfica, uma inserção no mapa dos blocos e fluxos mundiais. Aqui, a geografia substitui a história, que fundava a tradição. No mundo da circulação generaliza, do predomínio da informação, não se tem mais passado. Apenas uma pontuação geométrica num campo sem profundidade. Onde tudo é movimento. Dinâmica que tende a abolir toda posição referencial, a convenciona relação centro periferia.” (Brissac, 1996: 5-7) Apud Souza, 2001, pp. 107-8).

A literatura de Mato Grosso absorveu nas últimas décadas alguns aspectos da pós-modernidade. Em uma palavra, temos em nossa produção poética; temas que tratam desde a epifânia (Lucinda Persona – Sopa Escaldante) até poema processo (Aclyse de Matos), que os coloca em posição de vanguarda na arte local.

Bibliografias

MAGALHÃES DUTRA, Hilda Gomes. História da Literatura de Mato Grosso: Século XX. Cuiabá: Unicen Publicações, 2001.
PEIXOTO, Brissac Nelson. Arte brasileira na era da globalização. In: Cultura Brasileira figuras de alteridade. Org. SOUZA MELO, Elaina Maria de. São Paulo, Hucitec, 1996, pp 107-12

segunda-feira, 7 de julho de 2008

AMBÍGUO CORAÇÃO

A cada manhã
Sinto que será
Mais uma luta para
O coração longe de você.

Ando pela casa e rua
E nelas há lembranças...

Levanto com pé direito
Para achar um jeito
De acabar com esse defeito;
Ainda lembrar-me de ti.

Esse ardor na alma
Parte em dois:
Um sente alegria na dor,
Outro brinda à liberdade...

07 de julho de 2008, 21h01min.
Robério Pereira Barreto

domingo, 6 de julho de 2008

RITUALIZAÇÃO DA CULTURA CONTEMPORÂNEA

No meio acadêmico o estudo da cultura brasileira passou a ser uma preocupação contemporânea. Tal procedimento se tornou uma atividade para entender os muitos motivos e caminhos que conduzem os grupos humanos às suas relações presentes e suas perspectivas de futuro.

“O desenvolvimento da humanidade está marcado por contatos e conflitos entre modos diferentes de organizar a vida social, de se apropriar dos recursos naturais e transforma-los, de conceber a realidade e expressá-la. A história registra com abundância as transformações por que passam as culturas, seja movidas por suas forças internas, seja em conseqüência desses contatos e conflitos, mais freqüentemente por ambos os motivos. (SANTOS, 1994, p. 7).

Pode-se ver que, atualmente, estudar as culturas brasileiras em suas peculiaridades é, sem dúvida, uma questão de construir as identidades nacionais. Em uma palavra, entender as culturas e literaturas mato-grossenses é, na verdade, uma necessidade imanente das sociedades pós-modernas.
Então, não se pode negligenciar que há traços e riquezas que a cultura brasileira pode nos revelar, pois, o Brasil é uma sociedade multicultural.

“A riqueza de formas das culturas e suas relações falam bem de perto a cada um de nós, já que convidam a que nos vejamos como seres sociais, nos fazem pensar na natureza dos todos sociais de que fazemos parte, nos fazem indagar das razões da realidade social de que partilhamos e das forças que as mantêm e as transformam. Ao trazermos a discussão para tão perto de nós, a questão da cultura torna-se tanto mais concreta quanto adquire novos contornos. (SANTOS, 1994, p. 9).

Com efeito, relacionar e, até mesmo, compreender as manifestações sócio-culturais com as várias classes e grupos que as constituem como cultura, é uma necessidade urgente, visto que nos queremos sujeitos ativos no processo cultural vigente. Então, sabe-se que a cultura de um povo constitui-se, principalmente, de sua arte e suas representações simbólicas.

Concepção básica de cultura

Segundo Santos (1994) a cultura pode ser entendida como a preocupação que os sujeitos têm com as existências sociais de suas realizações artísticas, econômicas e políticas. Entretanto, é importante destacar que estes processos nascem a partir da construção do conhecimento que indivíduos constroem ao longo de sua existência social.
Aqui, não se pode esquecer o papel que a culturas alternativas (literatura, música, artes, etc.) deram e dão à sociedade, contribuindo assim para o pensar a vida e as sociedades como um todo, visto que a vida e as ações dos sujeitos são enfatizadas, e que, segundo Santos (1994: 25) “tem por temas principais a ecologia, a alimentação, o corpo, as relações pessoais e a espiritualidade.”

Pluralidade e dialética na cultura

Para Bosi (2003:7), “a admissão do seu caráter plural é um passo decisivo para compreendê-la como um efeito de sentido”, cujo resultado é uma multissignificação; alterações e oposições no tempo e no espaço.
Nesse contexto, o indivíduo é o sujeito do código culturalmente instituído, uma que o seu raio de ação é delimitado pelas regras e, principalmente, pelas repressões criadas pelo grupo a que pertence.
Da Matta (1997: 219), corrobora ao afirmar que, numa cidade pequena não se usa essa forma de fuga ao mesmo ocorre em sociedades tribais, em que a posição numa se pertencer a determinada linhagem já definem a pessoa como possuidora de certas prerrogativas sociais”

As características entre indivíduos e pessoas na cultura contemporânea segundo Roberto Damatta:

Indivíduo
Pessoa
Livre, tem direito a um espaço próprio.
Presa à tonalidade social à qual se vincula de modo necessário.
Igual a todos os outros.
Complementar aos outros.
Tem escolhas, que são vistas como seus direitos fundamentais.
Não tem escolhas.
Tem emoções particulares.
A consciência é individual.
A consciência é social (isto é, a totalidade tem precedência).
A amizade é básica no relacionamento = escolhas.
A amizade é residual e juridicamente definida.
O romance e a novela íntima, individualistas (obra do autor), são essências.
A mitologia, as fromulações paradigmáticas do mundo são básicas como formas de expressa.

Bibliografias consultadas

BOSI, Alfredo. Cultura brasileira: temas e situações. 4. ed. São Paulo: Ática, 2002.
DAMATTA, Roberto. Carnavais, malandros e heróis: Para uma sociologia do dilema Brasileiro. 6. ed. Rio de Janeiro: Rocco, 1997.
SANTOS, José Luiz dos. O que é cultura. 14. ed. São Paulo: Brasiliense, 1994.

RISCO DE PÓS-MODERNIDADE NA LITERATURA DE MATO GROSSO: GEREÇÃO DE 90

RISCO DE PÓS-MODERNIDADE NA LITERATURA DE MATO GROSSO: GEREÇÃO DE 90
Robério Pereira Barreto

O homem nasce bárbaro. Redime-se da condição de besta cultivando-se. A cultura nos transforma em pessoas; e tanto mais, quanto maior for a cultura. [...] Não é apenas a inteligência que devemos apurar, mas também nossos desejos e principalmente nossa conversa.
GRACIÁN, Baltasar. Cultura e esmero in: Arte da Prudência, 2001. 57)

Introdução

Oscilar entre o regional e o universal; esse é o caminho daquele que se interessa pelo estudo da literatura e cultura de modo sistemático, pois o imagético, lingüístico e, até mesmo o social, chega, às vezes, a ser enigmático. Portanto, os conceitos de arte e cultura a partir das teorias da pós-modernidade ganham campo e passam a abordar vários temas, observando é claro, as particularidades e as identidades de cada segmento.
Assim sendo, trata-se de buscar junto à produção literária de Mato Grosso na década de noventa, traços que apontem para o entendimento das teorias da pós-modernidade por parte dos autores – poetas e artistas – regionais, buscando assim, discutir as filiações, influências e tendências. Para tanto, elegrmod, a priori, como base de argumentação os pensamentos de Terry Eagleton, Antônio Candido e Afredo Bosi.
O pós-modernismo na visada de Terry Eagleton
Hoje, o conceito de pós-modernismo praticamente dilui-se em meio à diversidade das discussões acerca de sua aplicabilidade. Mas para fins didáticos, emprestamos aquele apresentado por Eagleton em As ilusões do pós-modernismo, 1998. “A palavra pós-modernismo refere-se em geral a uma forma de cultura contemporânea, enquanto o termo pós-modernidade alude a um período histórico específico.”
A definição do crítico nos remete à produção artística na década de 90, visto que a cultura no último decênio do século passado viveu várias vicissitudes. Nessa perspectiva convém apresentar o que Eagleton conceitua como pós-modernismo e pós-modernidade.

Pós-modernidade é uma linha de pensamento que questiona as nações clássicas de verdade, razão, identidade e objetividade, a idéia de progresso ou emancipação universal, os sistemas únicos, as grandes narrativas ou os fundamentos definitivos de explicação. [...] um conjunto de culturas ou interpretações desunificadas gerando um certo grau de ceticismo em relação à objetividade da verdade, da história e das normas, em relação às idiossincrasias e a coerência de identidades, (EAGLETON, 2001, p. 7).

Dessa forma, Eagleton leva à visualização de que o mundo da pós-modernidade pode ser visto com algo ainda discutível, ou seja, as sociedades ainda estão construindo seus paradigmas tanto sociais quanto culturais. Na verdade, a pós-modernidade caracteriza as culturas em virtude da efemeridade do mundo e da razão – sistemas sólidos.
Eagleton conceitua e discuti o pós-modernismo que, segundo ele pode ser entendido como uma questão híbrida, conforme segue:

um estilo de cultura que reflete um pouco essa mudança memorável por meio de uma arte superficial, descentrada, infundada, auto-reflexiva, divertida, caudatária, eclética e pluralista, que obscurece as fronteiras entre cultura elitista e a cultura popular, bem como entre a arte e a experiência cotidiana. O quão dominante ou disseminada se mostra essa cultura – se tem acolhimento geral ou constitui apenas um campo restrito da vida contemporânea – é objeto de controvérsia. (EAGLETON, 2001, p. 7).

Pode-se chamar dialético a este processo porque ele tem realmente se constituído numa integração progressiva da atividade teórica e filosófica da vida nas sociedades modernas, por meio da tensão entre a questão clássica e o estilo empreendido pela cultura de dada época e região.

Os primórdios da cultura e da literatura em Mato-Grosso
Imagine a força que pode ter um movimento que nasça a partir de uma radical segregação interna. Em uma palavra, pense o que pode se tornar para a cultura literária nacional no momento em que a arte a cultura mato-grossense virem à tona.
Não obstante isso, Antônio Cândido pondera sobre a literatura brasileira e afirma:

A nossa literatura, tomando o termo tanto sentido estrito quanto amplo, tem, sob este aspecto, consistido numa superação constante de obstáculos, entre os quais o sentimento de inferioridade que um país novo, tropical e largamente mestiçado, desenvolve em face de velhos países de composição étnica estabilizada, com uma civilização elaborada em condições geográficas bastante diferentes. (CÂNDIDO, 2000, p. 110)

Se se aplicar o discurso de Cândido à atividade cultura desse estado [Mato Grosso] certamente, encontraremos ressonância na formação da literatura no período pós-democratização, ou seja, atualmente, o estado abraça uma série de identidades, visto que o processo de colonização se deu com a abertura das fronteiras agrícolas.
No que diz respeito à posição geográfica, o Mato Grosso tem se mostrado importante para a economia nacional. Contudo, os investimentos em arte e cultura, ou melhor, na valorização dos aspectos culturais tem sido de maneira fragmentada, até porque, não tem sobrado tempo para se investir em cultura. “A cultura dominada perde os meios materiais de expressar sua originalidade” afirma Ecléa Bosi.
Essas palavras são de profunda reflexão, pois nos remete a uma discussão sobre o conceito de desenraizamento[1] cultural e econômico vivido nos dias atuais pela sociedade mato-grossense.
“[..] Se hoje se luta pela demarcação de territórios, pela autonomia cultural do indígena, é porque não existe um todo social de que ele participaria, mas uma sociedade dividida em antagonismos onde ele entraria fatalmente como presa. Isola-lo do predador é defesa de sua cultura e de sobrevida.” (Bosi, 2002, pp 16-7).

Os aspectos e conseqüências da colonização moderna de Mato-Grosso.

Estamos no início do século e no Mato Grosso e os flashes da imprensa nacional se voltam para divulgar os avanços da questão agrícola, que define paisagem econômica propícia para novos investimentos. Contudo, estes mesmos atos, diretos ou indiretamente relegam os aspectos da cultura do estado ao segundo plano.
Dessa forma, se ganha de brinde a reificação da marginalidade quanto à cultura nacional. Para Beatriz Sarlo (2002:7), este esquema é uma característica das sociedades contemporâneas, nas quais o aspecto econômico torna-se elemento de primeira linha. “(daí o caráter tributário de muitos processos cujos centros de iniciativa se encontram em outro lugar); e a solene indiferença com que o Estado entrega ao mercado a gestão cultural, sem estabelecer para si uma política de contrapeso.”
Como outros estados brasileiros, o Mato Grosso vive um clima do que se chama conseqüência da pós-modernidade, pois há uma fragmentação e certos elementos paradoxais em suas atividades sócio-culturais. Então vejamos: São várias chamadas reificando as ações do estado voltadas para o desenvolvimento econômico. Contudo, não se tem mostrado nenhum projeto nem para o resgate nem para a valorização das artes.
Então, como pensar em identidade cultural em sociedade plural, cujas ações estão voltadas para a exploração e acumulação? Para responder esta questão tomo de empréstimo o discurso de Ecléa Bosi, o qual oferece um entendimento do processo de colonização sofrido pelos Estados de fronteira agrícola, por exemplo; Mato Grosso, Goiás e Rondônia.

A conquista colonial causa desenraizamento e morte com supressão brutal das tradições. A conquista militar, também. Mas a dominação econômica de uma região sobre outra no interior de um país causa a mesma doença. Age como conquista colonial e militar ao mesmo tempo, destruindo raízes, tornando os nativos estrangeiros em sua própria terra. (BOSI, 2002, p 17).

Ela ainda corrobora dizendo: “No campo brasileiro a conquista acontece sob as forma de monocultura e pastagens. O arroz, a soja, a cana provocam tão forte migração de lavradores que constituem genocídio pelo número dos que vêm morrendo no caminho para o Sul.” (BOSI, 2002, p 17).
Sintomaticamente, a escola não tem penetrado nem aos valores culturais populares nem burgueses, visto que usa de paradigmas que não se aplica mais à sociedade pós-moderna, na qual o processo de hibridização tornou-se uma constante e tem conseguido transforma as identidades ao sabor das ideologias do sistema.
A exemplo disso, é o sentimento de culpa quando se discuti a identidade dos sujeitos e suas classes. Para Bosi (2002:21), a escola apela para sentimento de identidade pessoal e, automaticamente, exalta a força individual como sendo a melhor maneira de manter os créditos pelo sucesso – self your self ­-.
Assim sendo, procura despertar no sujeito o convívio com a cultura. Contudo, esta não é a local, mas sim, culturas distantes – outras regiões e até outros paises.
Bibliografias
BOSI, Alfredo. Cultura brasileira: temas e situações. 4. ed. São Paulo: Ática, 2002.
CÂNDIDO, Antônio. Literatura e sociedade. 8. ed. São Paulo: T. A. Quiroz, 2000.
EAGLETON, Terry. As ilusões do pós-modernismo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.
SARLO, Beatriz. Cenas da vida pós-moderna:intelectuais, arte e videocultura na Argentina (trad.) Sérgio Alcides. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 2000.
[1] Conceito usado por Ecléa Bosi no ensaio intitulado: Cultura e desenraizamento.

sábado, 5 de julho de 2008

SOPRO DA MUDANÇA

O vento da mudança
Sopra aos meus ouvidos
Lições de como viver feliz.

O vento da mudança
Canta uma canção de amor
Para minha alma alegrar
Com suave melodia do mar.

O vento da mudança
Traz-me alegria e bonança
Depois daquela tempestade
De orgulho e arrogância
Que feriu meu espírito
Com tamanha ignorância.

Agora, o vento da mudança
Sopra ao meu coração
As delícias da brisa leve
Que vem do horizonte,
E leva-me ao repouso
No leito aquecido; solidão.

05 de julho de 2008, 20h41mim
Robério Pereira Barreto

sexta-feira, 4 de julho de 2008

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ALUCINAÇÃO

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RESPOSTAS...

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quinta-feira, 3 de julho de 2008

ABRAÇANDO O VAZIO

Olhos fitos no céu
A desejar um sinal seu...

Estrelas brincam no universo
E vejo Alfa Centauro ao leu;
Meu pensamento ligado a ti
Prende a alma num mausoléu.

A luz no firmamento
Insiste minha alma iluminar,
Embora à sua abóbada
Não consigo mais enxegar...

Agora, tenho o vazio
E luz celestial para abraçar...


03 de julho de 2008, 22h02min
Robério Pereira Barreto