terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

DA ABSTRAÇÃO AO ESPESSAMENTO DO SENTIDO


A linguagem e a comunicação precisam de agentes para sua efetivação. Portanto, tal processo se dá quando os interlocutores (pessoas que participam do processo de ação comunicativa) interagem usando como meio a linguagem, a qual, por seu turno se constitui a partir da construção dos sentidos atribuídos, tanto pelo emissor quanto pelo receptor. Esta negociação se realiza porque os agentes comunicativos seguem regras efetivadas social e culturalmente em suas comunidades lingüísticas, facilitando assim o uso das mensagens que têm como construto a língua que, no nosso caso, é a língua portuguesa. Então, o domínio da língua faz se necessário para que haja a interação comunicativa. Dizendo de outro modo, conhecer a língua em suas variações (fala e escrita) é ter condições de transitar entre o universo cultural proposto pela sociedade lingüística.
Assim sendo, definir-se-á a língua como um tipo de código formado por sentidos diversos tirados do conjunto se palavras veiculadas no espessamento dos sentidos sociais, políticos e ideológicos da comunidade. Nesse sentido, Bréal (1992) considera que a riqueza das línguas se dá devido à existência de uma gama de abstrações advindas do latim, pois “uma palavra abstrata, em lugar de guardar seu sentido abstrato, em vez de permanecer o expositor de uma ação, de uma qualidade, de um estado torna-se o nome de um objeto material.”
Dessa forma, há que se considerar a existência da Lei da repartição na qual se tem o sentimento de que a linguagem é feita para servir à troca de idéias, à expressão dos sentimentos, à discussão dos interesses, ele se recusa a crer em uma sinonímia que seria útil e perigosa. Ora, como o povo é, ao mesmo tempo, o depositário e o fabricante da linguagem, sua opinião de que não há sinônimos faz com que, em verdade, os sinônimos não existam por muito tempo: ou ele se diferenciam, ou um dos dois termos desaparece.
Para Bréal (1992) o objeto da semântica é o sentido e por isso ele a considera como um sinal de civilização porque uma nova acepção equivale a uma palavra nova. O interessante nesse processo é que, novos sentidos, quaisquer que sejam eles, não acabam com o antigo. Ao contrário, enriquece e embeleza a língua, dando-nos a oportunidade de vê-los justapostos. Assim, “o mesmo termo pode empregar-se alternativamente no sentido próprio ou no sentido metafórico, no sentido restrito ou sentido amplo, no sentido abstrato ou no sentido concreto.” (Bréal,1992 p. 103).
No campo da comunicação a polissemia[1] possibilita uma série de inovações, uma vez que à medida que uma significação nova é dada à palavra, parece multiplicar-se e produzir exemplares novos, semelhantes na forma, mas diferente no valor.
Dentro desse quadro de tradição conceitual poderíamos encaixar vários conceitos, os quais preencheriam nossas necessidades, por outro lado, ficaríamos carentes em definições mais práticas e, portanto, continuaríamos no vazio dos conceitos. Todavia, adotaremos mecanismos que nos conduzam à compreensão de que há uma semântica formal a qual se ocupa e tem como objeto de estudo o sentido.
[1] Segundo semanticistas, o fenômeno da multiplicação de palavras e sentidos denomina-se polissemia. Na realidade todas as nações civilizadas participam desse fenômeno; quanto mais um termo acumulou significações mais se deve supor que ele represente aspectos diversos da atividade intelectual e social. Ainda segundo esses estudiosos, Frederico II via na multiplicidade das acepções uma das superioridades da língua francesa. Com isso, pode-se dizer que, a língua portuguesa em sua heterogeneidade de palavras de sentidos múltiplos é a demonstração da mais elevada cultura lingüística, tendo inclusive incorporado ao seu léxico paráfrase de expressões do rei Frederico II.

HONRA À LUA

Pela grade da janela
Vejo a lua, está tão bela
Que chego a confundi-la;
Com seu sorriso, uma aquarela.

Sua cor e gosto são espalhados
No meu corpo como a luz da lua
Espraia-se por detrás da nuvem
Como quando fazemos amor,
Nosso prazer esconde em nossas almas.

Gosto do gemido infinito
Sussurrado aos ouvidos
Na convulsão de prazer
Na cama que divididos...

Ainda deitados e sorrindo
Em companhia do luar;
Gosto do cintilar de sua pele suada.
Que, reluzindo na imensidade,
Mostra beleza navegada
Na fragata que corta
A maré enluarada, gata.

09/02/2009, 23h45min.
Robério Pereira Barreto

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

DIBUJO DE AMOR

Miro la luna en la inmensidad
Del universo y te deseo
Con gana y voluntad insana.

Pero la luminosidad serena
De ella mi quedo sano,
Y su imagen pone en paz
Los pensamientos calientes
Que arrebata la alma.

Dibujando su semblante con estrellas
Que caen del cielo luminoso,
Encuentro a los pocos
Una manera de calar el corazón;
Besote en la inmensidad…

Deseando-te aún,
Permanezco en la soledad
Porque no la tengo para amar
Debajo del manto refulgente
De la noche de luna bella.

05 de febrero de 2009, 19h53min.
Robério Pereira Barreto

SEMIÓTICA DA CORRUPÇÃO POLÍTICA NO BRASIL XXI

A sociedade brasileira ao longo das últimas décadas do século passado viveu uma série de acontecimentos que a levou à condição de nação democrática. No entanto, isso não a fez menos problemática no plano político. Ao contrário, vieram à tona questões de ordem política, social e cultural, nas quais se centra a principal, a corrupção no meio público. A partir dessa ordem de coisas, este trabalho toma como objeto de estudo - pesquisa -, os textos verbais e não-verbais que formatam as capas das principais revistas de circulação nacional, nesses primeiros anos do século XXI. Ademais, tentar-se-á descrever e argumentar sobre os elementos; semióticos e discursivos dos referidos textos. Para tanto, toma-se como base teórica às contribuições da semiótica e das teorias da linguagem. Com efeito, delimita-se como corpus de pesquisa principal revista de circulação nacional, Veja que traz em suas capas, signos e textos que narram ou indicam a presença de discursos que se voltam para exposição de ocorrência de corrupção no meio público do país, nos últimos anos. No Brasil, o problema da corrupção não é somente uma questão de herança histórica que durante muito tempo ficou escondida nos redutos regionais, onde os coronéis se mantinham no poder, ditando aos veículos de comunicação as notícias que seria ou não veiculadas – se lembrem da ditadura! A política de arranjos e conchavos partidários é, na verdade, resultado da inépcia da sociedade e, principalmente, do Estado. Este que, por sua vez, esteve sempre sob o comando de elites que, sem nenhum pudor controlaram (e continua a fazê-lo) nos meios de comunicação. Por que será que em todo o país, os meios de comunicação estão nas mãos de algum grupo político local? Em verdade, na resposta para esta questão, há toda uma semântica política, econômica e cultural do poder. E é nisto que se argumentará aqui: o político é um estelionatário visto que o povo depositou nele suas esperanças, no entanto, não foram respeitados. Portanto, há veiculado na mídia impressa nacional, nos últimos anos, uma série de reportagens que chamou atenção para o submundo da política, a corrupção. Nesse sentido, podem-se fazer duas leituras. A primeira é a de caráter mercantil. Ou seja, a revista como qualquer objeto comercializável, precisa atrair consumidores, neste caso, leitores. Então, expõem em sua capa elementos simbólicos que agregam valores lingüísticos e semiológicos para o texto que seguirá no corpo da revista. Já na segunda leitura, estão impregnados elementos políticos ideológicos que fazem da reportagem um mosaico de idéias, no qual o leitor menos avisado – leitor primário -, decodificador de signos – não consegue refletir e posicionar-se diante da informação apresentada: Corrupção! No Brasil, atualmente, o crescimento da corrupção, ou melhor, a veiculação de notícias que o expõem nas formas; ativa e passiva no meio político, é também herdeira da violência desenvolvida a partir das ações realizadas pelos políticos aliados e/ou integrantes dos governos. Daí pode-se afirmar que, a corrupção e o crime se tornaram de vez, a pauta da mídia impressa e, conseqüentemente, televisiva. Nesse contexto, Sant’Anna Afirma: “A violência entrou de vez para o texto de nosso cotidiano. Na interessa tanto se ela penetrou pela porta da direita ou da esquerda ou pela estupidez de ambos. O fato é que o cidadão acostumo-se (perplexo) a que uma “autoridade” ou uma “ideologia” pode dispor de seu corpo, objetos, família e vida.” (SANT”ANNA, 1987, p. 28). Mediante a argumentação do cronista, a violência é algo que se incorporou à mídia brasileira nos últimos tempos, especialmente, da última década do século XX ao dias atuais. Assim, a mídia impressa – Veja–, objeto desse estudo; após eleição do governo do PT, teve suas tiragens, vendas aumentadas devido à publicação de reportagens que sugeriam atos de corrupção tanto no governo federal, quanto nos governos estaduais e municipais. Assim, ficou entendido que tal processo se deu com edições da revista que traziam na capa símbolos, gravuras e ícones que reforçavam o texto sobre o tema: corrupção! Diante desse quadro de leituras semiológicas, surgiram várias possibilidades de interpretações, contudo, há uma que chamou atenção. Já são quase 20 anos, que o país entrou no processo de democratização, no qual a impressa se “libertou” das amarras da censura e dos Atos Institucionais. Não obstante, foi mais de uma década de governos mistos, isto é, nos governos antecessores ao do PT não se tinha claro que tipo de governante estava na presidência - de Sarney a FHC -. Com os quais os escândalos não se sabem o porquê, eram abafados pela mídia. Ou será que não existiam?! Segundo Sant’Anna, é por tudo isso que a democracia é a mais difícil das formas de Governo. Ele discorre ainda sobre o processo democrático instalado no Brasil, argumentando que: “Democracia deveria ser o regime que desse mais oportunidade para todos desempenharem seus papéis de sedução e conquista. No regime democrático maduro, deveria estar no poder aquele partido que propõe e realiza o discurso mais sedutor esperado pela coletividade.” (SANT”ANNA, 1987, p. 28). Na atualidade, pode-se afirma que o pensamento de Sant’Anna está concretizado, pelo menos no sentido do desejo da coletividade. Eis que, Lula estar no poder. A publicidade da corrupção Nos últimos anos, a linguagem da propaganda tem empregado recursos que vão além do universo conceitual dos signos. Para Barthes (2003:86), “a linguagem é encarregada de dar crédito, com as suas figuras, com sua própria sintaxe, a essa moral da réplica.” Dessa forma, entender o grau de veracidade que a imprensa tem dedicado à narração da corrupção no país, é, pois significativo, dando a entender que na maioria das vezes, tais fatos ocorrem em virtude de processos ideologicamente levantados pelo sistema político que deixou o poder. O que talvez não deixa de ser uma verdade. Ainda Segundo Barthes (2003:127) “O jornalismo está, hoje em dia, totalmente voltado para a tecnocracia, e a nossa imprensa semanal transformou-se no centro de uma verdadeira magistratura da consciência e do conselho, como na época áurea dos jesuítas”. Embora o texto do semioticista francês tenha sido escrito na década de 70, é atual. Em outras palavras, ao ler qualquer notícia da imprensa escrita, o leitor percebe que, na verdade, há uma exposição direta de símbolos que atentam a respeito da corrupção que está diluída na sociedade contemporânea brasileira. Naturalmente, a publicidade no contemporâneo se tornou um mito pequeno burguês visto que muitos elementos ideológicos são colocados a seu dispor. Discordar disso seria, portanto, de forma ilusória, tentar discriminar de maneira significativa o que está no inconsciente coletivo. Assim, entendê-la é a melhor forma de visualizar como se fala a respeito da corrupção no meio político brasileiro. Na formação semiológica da corrupção expressa pela revista, Veja em suas respectivas capas, é visível um subtexto no qual a mensagem escrita tem um caráter de fala. Logo, o discurso é representacional, porque se apóia em mitos, que direto ou indiretamente justifica a endemia brasileira; a corrupção no meio público. Segundo afirma Barthes (2003:200), “Esta fala é uma mensagem. Pode, portanto, não ser oral; pode ser formada por escritas ou representações: o discurso escrito, assim como a fotografia, o cinema, a reportagem, o esporte, os espetáculos, a publicidade, tudo isso pode servir de apoio à fala mítica” a qual elevou a níveis muitos altos a corrupção no país. As formas e sentidos da corrupção, segundo a Veja A partir dos símbolos e signos que permeia a corrupção, a qual é oferecida ao leitor às vezes por metáforas que caracterizam a subjetividade do assunto. Lembra-se, portanto, que os sentidos atribuídos a tais signos são de ordem significativa, pois o significante que se aplica nesse processo, é para saber e, sobretudo, estabelecer associações com os sentidos já realizados nos signos lingüísticos e semiológicos da mensagem publicitária. Barthes ao tratar das formas e dos sentidos que são apresentados pelas mensagens, cujo significante ganha aspecto mitológico diz que: “Enquanto sentido, o significante já postula uma leitura, apreendo-o com os olhos, pois ele tem uma realidade sensorial (ao contrário do significante lingüístico que é de ordem puramente psíquica) e uma riqueza: [...] O sentido já está completo, postula um saber, um passado, uma memória, uma ordem comparativa de fatos, de idéias, de decisões.” (BARTHES, 2003, p. 208). No entendimento da questão sígnica que se instala nas reportagens da revista Veja, especificamente sobre a corrupção, alguns ícones são inseridos para que o leitor estabeleça associações e sentidos, os quais levarão à compreensão da mensagem jornalística. Nesse contexto, Barthes ao tratar dos elementos de semiológicos nos informa que tudo isso é resultado da representação psíquica, na qual se fixam os espectadores. No sistema de comunicação em que se constitui a imprensa escrita – Veja – a liberdade em que se apresentam os textos ao combinar de maneira livre, porém harmoniosa, faz com que a informação contida na peça jornalística se transforme em paradigma, diluindo assim, as ideologias que permeiam a questão, neste caso, a corrupção. “... a criação das palavras, a liberdade de combinar “palavras” em frase é real, embora circunscrita pela sintaxe e, eventualmente, pela sujeição a esteriotipos; (...) as pressões de coerência mental do discurso que podem subsistir não são mais de ordem lingüística”, são, na realidade de ordem ideológica. (BARTHES, s.d. p, 74). A corrupção como sociedade anônima No material de pesquisa – revista Veja -, na qual foram estudados textos verbais e não verbais que narraram à corrupção nas instituições públicas do país nesses primeiros anos do século XXI, foi possível através da análise semiótica do significante e do significado entender como a corrupção foi transformada em uma sociedade anônima, cujas ações eram valorizadas de acordo com o humor dos negociadores – políticos e seus assessores -. A linguagem com a qual o narrador, jornalista se encarregou de apresentar e representar o real da informação – denúncia – foi preciso impor uma visão na qual a crítica dilui-se, deixando ao leitor a responsabilidade de julgar os envolvidos nos processos. Diante disso, podemos, pois, levantar que a historia política do país tem condicionado a corrupção e, conseqüentemente, a impunidade como práticas de uma elite política que oscila entre a burguesia e a oligarquia política. Isso leva ao entendimento da afirmação de Barthes, quando este criticou a burguesia francesa, chamando-a de sociedade anônima, disse: “quaisquer que sejam os acidentes, os compromissos, as concessões e as aventuras políticas e sejam quais forem as modificações técnicas, econômicas ou mesmo sociais que a história nos traga, a nossa sociedade ainda é uma sociedade burguesa.” (BARTHES, 2003, p, 229). A corrupção veiculada pela mídia impressa – Veja – determina uma ordem de coisas que se transformou em fenômeno social, isto é, ver a corrupção sob a ótica da noticia sem se deixar envolver pela ideologia que a burguesia utiliza como justificativa para tal atitude, sem dúvida, é fundamental um exame detalhado dos signos e, conseqüentemente, das significações que lhes impõem os textos verbais e não verbais. Hoje, a corrupção se dissolve na nação de tal forma que, simbolicamente, tem a representação de poder de mando, ou seja, àqueles que se integraram a algum esquema, estarão seguros em cargos eletivos. A partir disso, foi acrescido ao vocabulário político do país, expressões lingüísticas e códigos que representam a corrupção; a qual foi incorporado segundo textos de Veja, uma representação, cuja simbologia é um estrato do desejo que lava a ideologia de para chegar ao poder é preciso corromper, extorquir tanto proletários quanto burgueses.
Conforme apresenta o conjunto de signos expressos no texto na figura acima, tem-se como elemento representacional da avareza, segundo os textos de La Fontaine, a formiga.
Segundo o que relata dicionário de símbolos, várias sociedades usam a formiga como elementos simbólicos em seus rituais. Contundo, nenhuma a apresenta como distúrbios da sociedade, tal qual apresenta o conjunto textual acima mencionado.
Nessa ordem de discursos, toma-se a formiga como símbolo de uma organizada sociedade, na qual as atitudes são distribuídas de hierarquizada. Logo, se percebe no texto não verbal da reportagem – imagem da formiga cortando a cédula de cinqüenta reais-, que representa de maneira sígnica a corrupção do país.
Os discursos presentes na figura 1 evidenciam, de imediato, a grande complexidade que cerca a noção de corrupção na sociedade brasileira, especialmente, na atualidade. Dizendo de outra forma: há no universo discursivo apresentado pela capa da revista Veja, uma enorme gama de variações que leva à compreensão da corrupção como objeto de uma ação socialmente anônima, visto que aqueles ora representados pela formiga, estão, na verdade, escondidos na multidão de “formigas”.
Sem querer que estes argumentos andem pelo universo da contradição teórica. Então, assegura-se que é propositada a referência à semiótica americana, isto é, tomam-se nessa parte, as considerações de Lúcia Santaella, a qual é discípula do filosofo e lógico americano Charles Sanders Pierce.
Para Santaella há uma função para o signo, segundo a capacidade de comunicação que ele estabelece como o leitor. Assim, disse Pierce: “ O signo cria algo na mente do intérprete, algo esse que foi também, de maneira relativa e mediada, criada pelo Objeto do Signo, embora o Objeto seja algo essencialmente diverso do Signo. (2.231).

Concluindo temporariamente

A face oculta da corrupção é colocada ao público por um veículo de comunicação de massa, cuja ideologia é, sem dúvida, discutível. A despeito de quaisquer pensamentos apologéticos a partidos políticos, sabemos que isso é de caráter social significativo, até porque essa foi uma maneira de se ficar conhecendo os bastidores da política nacional, onde tudo é possível de acontecer, desde que se tenha algum acordo sendo feito em beneficio de pequenos grupos políticos.

Referências
BAKHTIN, M. Marxismo e filosofia da linguagem. 10. ed. São Paulo: Hucitec, 2002.
BARTHES, Roland. Crítica e verdade. Lisboa, Edições 70, 1996.
_________, Elementos de semiologia. 14. ed. São Paulo: Cultrix. S.d.
_________, Mitologias. Rio de Janeiro: Difel, 2003.

Bibliografias
Veja, ano 33, nº 29, junho de 2000, pp. 41-7 (“Os rastros do ex-assessor”).
Veja, ano 33, nº 27, julho de 2000, pp. 40-4 (“O poderoso foi dormir na cadeia: principal peça do escândalo que desviou 169 milhões de reais, Luiz Estevão é cassado e preso”)
Veja, ano 33, nº 31, agosto de 2000, pp. 38-43. (“ A anatomia do crime:
Veja, ano 33, nº 35, agosto de 2000, pp. 38-40. (“A lei dos honestos: códigos de conduta não evita os crimes, mas dá aos bons funcionários limites ente o que pode e o que não pode”).
Veja, ano 34, nº 10, março de 2001. pp. 44-53 (“na alma e no bolso tucano; O custo econômico da corrupção: mais cruel que o imposto inflacionário, a roubalheira de dinheiro público atrasa e empobrece os países.”).
Veja, ano 35, nº 31, agosto de 2002. pp.40-51 (“As pedreiras de Ciro:O candidato perde seu coordenador, engolfado por suas traficâncias com PC Farias, e vive a ameaça de ter de trocar o vice”).
Veja, ano 37, nº 10, março de 2004, pp. 43-49 (“A crise rouba a cena).
* Professor da Uneb – Campus XVI Irecê - BA.

TRAMAS NA IMAGEM NA HIPERMÍDIA IMPRESSA

Fique nu... mas seja magro, bonito, bronzeado[1]


As tramas[2] que as imagens[3] representam no cotidiano têm nos acompanhado há algum tempo, e por isso adentramos ao universo teórico da semiótica, buscando dialogar com as asserções feita por Lucia Santaella a respeito dos usos das imagens na mídia. Fato este que nos possibilita, trabalhar com alguns conceitos de imagem, signo e símbolo na grande imprensa. Com efeito, nossa intenção é desenvolver nesse curso discussões que levem à leitura e, talvez, à compreensão dos elementos discursivos que compõem as imagens na hipermídia.[4] Para tanto, estudaremos as mensagens imagéticas como algo interdisciplinar porque nesse processo a imagem segundo Lucia Santaella e Winfried Nöth (2001), está presente no cotidiano independente de nossas vontades.

Imagens têm sido meios de expressão da cultura humana desde as pinturas pré-históricas das cavernas, milênios antes do aparecimento do registro da palavra pela escritura. Todavia, enquanto a propagação da palavra humana começou a adquirir dimensões galáticas já no século XV de Gutenberg, a galáxia imagética teria de esperar até o século XX para se desenvolver. Hoje, na idade vídeo e infográfica, nossa vida cotidiana – desde a publicidade televisiva ao café da manhã até as últimas notícias no telejornal da meia-noite – está permeada de mensagens visuais, de uma maneira tal que tem levado os apocalípticos da cultura ocidental a deplorar o declínio das mídias verbais.[5]

O visual e o verbal compõem a díade da comunicação contemporânea, tendo no discurso verbal a possibilidade da compreensão das teorias da imagem. Na verdade, o texto visual tem sua sustentação naquilo que Pierce chamou de iconicidade. Para Canevacci (2001), estudar a significação que o visual (imagem e sua dramaticidade) desenvolve na comunicação é, sem dúvida, relacionar o modo de ver a produção ideológica da sociedade contemporânea, partindo do uso plural das tecnologias de comunicação de massa. Além disso, assegura ainda que tudo isso só está sendo possível graças à expansão da semiótica nos territórios visuais circundantes da informação oriunda no texto visual.

Focalizar o visual da comunicação significa, pois, selecionar esse espaço da cultura contemporânea, enquanto em seu interior se concentram o poder e o conflito, a tradição e a mudança, a experimentação e o hábito, o global e o local, o homologado e o sincrético. [...] o visual refere-se às muitas linguagens que ele veicula: a montagem, o enquadramento, o comentário, o enredo, o primeiro plano, as cores, o ruído, as linguagens verbal, corporal e musical. Ao mesmo tempo, o visual refere-se também aos diferentes gêneros que podem utilizar as mesmas linguagens ou inventar outras: o cinema (ficção ou documentário), a televisão, a fotografia, a videomusic, a publicidade, a videoarte, o ciberespaço.[6]

Entendemos, portanto, que nas imagens da grande mídia há certos níveis de dramaticidade que conduzem à subjetividade das idéias nelas propostas. O discurso visual torna-se uma metalinguagem por que têm em sua essência fragmentos das culturas regionais nas quais são agregados novos significados e, por isso, conduzem o espectador[7] à busca da intertextualidade do discurso[8].
À maneira de Canevacci (2001) compreendemos que a imagem – texto visual – é produzida em contextos: social, cultura, econômico e ideológico que visa envolver todos os agentes sociais da comunidade em que ela se propaga, construindo dessa maneira os significados que a faz importante para a compreensão das relações interpessoais. Nesse processo, entendemos que há em tal narrativa imagética algo complexo que transforma conceitos e ideais dos agentes (criador, mensagem e receptor) principalmente no plano da comunicação ideológica em que participam sistemas de consumo dinâmicos. Assim, varias significações são negociadas com o leitor para que ele possa se situar na linguagem, deixando vir à baila seus anseios e angústias que o levaram a um continuum dramático. Nessa perspectiva, “A comunicação é um sistema de múltiplos canais nos quais o ator social participa a cada instante, querendo ou não: com seus gestos, seu olhar, seu silêncio, até com sua ausência...”[9]
O emprego das imagens na mídia contemporânea volta-se para o atendimento das ideologias da industrial cultural[10], consagrando o homem – leitor – como eterno consumidor de mensagens publicitárias que evocam dramas individuais e coletivos. Tais imagens se tornam instrumento de alienação e conduzem o espectador à crise de interpretação, pois, a cada instante ele é bombardeado por textos visuais com formas e sentidos diferentes, e que buscam no cidadão da polis um espaço para transformá-lo em consumidor. Não obstante, este sujeito, na maioria das vezes, não possui conhecimentos suficientes para apreender os significados existentes no texto visual. Na realidade, é ai que surgem os dramas dos receptores, pois, são vítimas de um sistema sócio-cultural que privilegia fetiches individuais e econômicos em detrimento do bem estar coletivo e do social.

Então os fetiches visuais, que proliferam na comunicação de alta tecnologia, são de tal forma incorporados pelas novas mercadorias que o próprio método de observação deve levar isso em conta. [...] “Ler” um texto visual – uma mercadoria ou um filme – é também uma tentativa de dissolver seus fetiches.[11]

No campo do visual e do cognitivo, a imagem é dividida a partir de domínios que, segundo Santaella, partem das representações visuais até a imaterialidade das imagens em nossas mentes. Assim os elementos visuais presentes em desenhos, gravuras, fotografias, imagens de cinema, televisão compõem o domínio visual. Enquanto no plano da abstração, as mensagens visuais são transformadas em visões, fantasias, imaginações e modelos que se caracterizam como pertencentes à categoria mental.

Ambos os domínios da imagem não existem separados, pois estão inextricavelmente ligados já na sua gênese. Não há imagens como representações visuais que não tenham surgido de imagens na mente daqueles que as produziram, do mesmo modo que não há imagens mentais que não tenham alguma origem no mundo concreto dos objetos virtuais[12].
A sociedade contemporânea se encontra em evolução política, lingüística, tecnológica e cultural, e por isso as imagens constituem a paisagem das pessoas, principalmente, no universo virtual em que a mídia eletrônica, devido à correria impossibilita o homem de ler textos longos e complexos, buscando assim, a emergência da imagem dos objetos.
As imagens que forma o “corpo social” segundo Bachelard têm valores que só podem ser medidos pela da ampliação do universo imaginativo do receptor. Assim, entendemos que a relação entre corpo e imagem se estabelece a partir das experiências humanas, sendo isso fruto do psiquismo. Por isso acreditamos que a junção das imagens captadas pela percepção humana no ato de leitura produz remissões que levam o leitor a divagações e, conseqüentemente, à ativação de seu “baú” imaginário.
No contexto da psicanálise, as imagens são tidas como elementos especificadores do psiquismo humano de tal modo que William Blake criou uma máxima para essa questão: “A imaginação não é um estado, é a própria existência humana.”[13] Pelo que ficou expresso até agora, e para compreendermos a real importância da imagem na vida do homem contemporâneo é, portanto, pertinente aceitar que imaginar é criar novas perspectiva para a vida, porque vivemos no mundo das imagens, ou seja, estamos sempre diante de objetos lingüísticos: a poesia e a arte que são construídos sob a premissa de que estamos diante de uma imagem a ser desconstruída pela imaginação através da interpretação de seus referentes textuais.

Para bem sentir o papel imaginante da linguagem, é preciso procurar pacientemente, a propósito de todas as palavras, os desejos de alteridade, os desejos de duplo sentido, os desejos de metáfora. De um modo mais geral, é preciso recensear todos os desejos de abandonar o que se vê e o que se diz em favor do que se imagina. Assim, teremos a oportunidade de devolver à imaginação seu papel de sedução. Pela imaginação abandonamos o curso ordinário das coisas. [...] Imaginar é ausentar-se, é lançar-se a uma vida nova.[14]

A sociedade contemporânea é, sem dúvida, um oceano de imagens no qual estamos navegando, e isso nos tem criado uma série de problemas, pois, à produção de novos significados para nossa cultura colocam em discussão os tramas e dramas que as imagens provocam em nosso inconsciente coletivo, fato que direto ou indiretamente fortalece cada vez mais a “Industria Cultural” devido a sua capacidade de incorporação no nosso cotidiano de narrativas imagéticas que atingem nossos desejos e vontades. Todos esses signos são promovidos à categoria de representação, a qual é tributária do sistema cognitivo do sujeito. Dessa forma, Santaella nos adverte que as representações visuais e mentais existentes nas leituras das imagens são objetos de investigação tanto da semiótica quanto da ciência cognitiva.
Para este estudo, no qual estudaremos os tramas e dramas da imagem na hipermídia, prioritariamente, nos pautaremos nos princípios da semiótica, devido a compreensão daquilo que Pierce chamou em 1865, de “teoria geral das representações”. Seguindo esse plano, representação para Santaella deve ser apreendida nas perspectivas pierceanas, embora ela apresente o conceito de representação defendido por Spencer (1985:77). Para representar é fundamental o uso da linguagem, esta, pois, transmite ao receptor os princípios da inventividade tanto na imagem quanto no texto. Assim, “Com a linguagem podemos inventar, cada sentença é uma nova invenção, produzida pela combinação de elementos familiares; a perfeição da inventividade humana está ligada à perfeição da linguagem humana.”[15]
Historicamente, toda a cultura ocidental transmitiu seus conhecimentos morais, religiosos e, principalmente artísticos através de textos mistos, ou seja, sempre houve a presença do visual e do verbal nessas produções, cujo caráter ideológico, às vezes, está implícito e, portanto, não é de fácil acesso ao leitor comum. Atualmente, a ciência da imagem [imagologia se é que podemos chamá-la assim, tem atendido basicamente aos métodos da tecnologia]. Em outros termos, os recursos tecnológicos cujos princípios comunicadores estão centrados na dissecação de imagens. E por isso veiculam com maior amplitude e atingem um número amplo de cidadãos.Portanto, é nesse plano que a hipermídia atua e a cada dia conseguem maior inserção e adesão para suas mensagens.

A imagem do século XX é determinada por milagres tecnológicos como o cinema, a TV em cores, o computador e, mais tarde, as tecnologias relacionadas à internet. [...] É fundamental que a relação entre as novas mídias e as mídias antigas se desenvolva como uma coevolução, mas sob uma nova perspectiva em que natureza e máquinas se unem formando uma coisa só. De alguma maneira, isso significará que não se encontrará nenhuma diferença importante entre as experiências reais e virtuais.[16]

O espaço e a tensão estabelecidos entre a criação e propagação das imagens nos meios de comunicação, os tornam homogêneos e, conseqüentemente, estabelecem um jogo dramático tanto no espaço exterior quanto no valor intrínseco da peça publicitária para o receptor. Dessa forma, a imagem para Bosi é:

(...) um modo da presença que tende a suprir contato direto e a manter juntas, a realidade do objeto em si e sua existência em nós. O ato de ver apanha não só a aparência da coisa, mas alguma relação entre nós e essa aparência. (...) imagem amada, e temida, tende a perpetuar-se:vira ídolo ou tabu. E a sua forma nos ronda com doce ou pungente obsessão. (...) Toda imagem pode fascinar como uma aparição capaz de perseguir. O enlevo ou o mal-estar suscitado pelo outro, que impõe a sua presença, deixa a possibilidade, sempre reaberta, da evocação[17].

É importante visualizarmos que na mídia os signos têm o papel de representar, ou melhor, parecer real a existência da coisa que se pretende fixar no cognitivo de cada um que consome a imagem. Com efeito, esse processo corrobora singularmente para a reificação das ideologias implantadas pela burguesia capitalista. Ou seja, as representações que a Industria cultural, os meios de comunicação de massa e a cultura de massa usam para manipular as vontades e desejos cidadão - seus possíveis consumidores – pautam-se na fixação de ideais homogeneizadores, colocando todos independentemente de sua condição sócio-cultural e econômica, merecedores dos mesmos objetos.
Nesse contexto, inferimos a importante participação dos veículos de comunicação de massa na propagação das imagens, destacando dessa maneira o pensamento de Pignatari que diz: “Os poderosos meios de comunicação de massas tornam anacrônicos os métodos tradicionais de ensino; esses próprios meios, sendo ou tendendo a ser antiverbais[18]...” Assim, temos a perspectiva que cada vez mais somos e tornamos os outros em sujeitos alienados diante das imagens e dos textos que trazem em sua essência o fetichismo das mensagens publicitárias, as quais nos induzem ao consumismo.
Concluindo rapidamente esta discussão, acreditamos que a Industria cultural tem transformado o homem contemporâneo em simples receptáculo de suas ideologias mercadológicas e consumistas, tendo a seu favor os meios de comunicação de massa que, por sua vez, constroem tramas de dramas que envolvem todos os cidadãos, criando neles, ou melhor, em nós necessidades imediatas.

Representação e fetichismo da imagem na hipermídia

Nas peças publicitárias os elementos que formatam a comunicação a partir da definição de gênero e poder e que constituem as imagens que persuadem e seduzem o leitor. São assim, centro da discussão e a análise da grande estrutura argumentativa existentes em imagens de bebidas, cosméticos e carros são necessárias para a vida moderna.
A publicidade no contemporâneo se torna cada vez mais persuasiva e leva o leitor-consumidor à alienação. Isso acontece em virtude do uso continuum de imagens que, de acordo com especialistas, criam necessidades instantâneas no sujeitos, fazendo vir à baila desejos recalcados que através da imagem ganham vida e, assim, os levará ao consumo. Por isso, podemos afirmar que as imagens possibilitam a interatividade com o leitor, produzindo no seu cognitivo uma revolução a respeito das representações que a linguagem imagética apresenta.

(...) o visual refere-se às muitas linguagens que ele veicula: a montagem, o enquadramento, o comentário, o enredo, o primeiro plano, as cores, o ruído, as linguagens verbal, corporal e musical. (...) o visual envolve também diferentes tipos de subjetividade que estão aprendendo a empregar esses gêneros e essas linguagens: não só ocidentais (em sentido amplo), mas também das populações nativas.[19]

Nessa perspectiva, os elementos imagéticos que compõem a publicidade moderna buscam mediante a subjetividade do visual, persuadir seus leitores, transformando os em consumidores em potencial. Assim, contemporaneamente, a cultura imagética da mídia estabelece padrões de comportamento e de consumo que criam fetiches[20] no inconsciente dos cidadãos. Com efeito, é importante destacarmos a busca por imagens que associem e, conseqüentemente, tornem ambíguas as leituras dos objetos, dando a eles, às vezes, certo grau de erotização. Embora estes aspectos fiquem ao nível do implícito entendemos que, a multiplicidade e a polifonia, tanto de imagem, quanto de discurso, são os responsáveis pela naturalização das vontades imediatas de objetos e serviços. Logo, estes eventos são o ponto nevrálgico da grande mídia, uma vez que a polifonia[21] toma conta de todo o processo textual, no qual imagem e discurso se entrelaçam para formatar mensagem midiática.
Nesse espaço intersemiótico estão elementos sócio-culturais que precisam ser ressignificados, ou seja, a mídia contemporânea encontra matéria-prima para suas publicidades no resgate das tradições populares[22], conseqüentemente as tornam vivas. Isso para o consumidor incauto é positivo porque traz à baila velhos paradigmas da identidade que estava esquecido, possibilitando assim, uma nova leitura da questão local, regional. (ver propaganda da pepsi em que se representam as figuras mitológicas do carnaval).
A propósito da questão de polifonia nas mensagens publicitárias acreditamos que, isso se dar porque é uma conseqüência natural da vida em sociedade, a polifonia reflete a interação do homem, como ser social, na troca de informações, nas tomadas de posição, enquanto sujeito ativo no processo de negociação de sentidos com os elementos textuais e visuais que formam sua cultura no decorrer de sua existência.

Sabe-se que a imprensa tem se caracterizado por exercer grande influencia sobre a sociedade. É a responsável pela constituição do imaginário social, já que é por meio dela que os grandes fatos são postos em debate e que se constituem os pontos vista. Pode-se dizer que ela é um dos pilares do universo midiático contemporâneo[23].

No mundo contemporâneo, estamos submetidos a uma gama de produtos, que pouco significaria para o cidadão comum se não fosse o glamour que a publicidade confere as imagens. Com isso ela vale-se do poder das palavras e das imagens para assegurar aos objetos um caráter especial de tal modo que os mitificam. Não obstante, entendemos que a linguagem da publicidade é eminentemente metafórica. Assim sendo, as imagens na publicidade ampliam seu campo de significação a partir do desenvolvimento de sentidos conotativos que valorizam a subjetividade.

Sendo a publicidade superlativa, os termos com semas positivos são altamente freqüentes nos anúncios, as palavras com traços negativos aparecendo, apenas, para estabelecer o famoso contraste do “antes” e do “depois”, pois a linguagem publicitária, de certa forma, escamoteia a realidade concreta, ou melhor, direciona a atenção do público-alvo apenas para o que lhe interessa, não revelado o que possa prejudicar a imagem do produto[24].

As artes visuais da propaganda são relacionadas à educação visual imposta pela grande mídia. Logo, é de fundamental importância que se realize uma alfabetização visual a partir de textos não verbais do cotidiano.

Alfabetização Visual

Na sociedade da comunicação por imagem, a invenção da câmera digital e dos computadores trouxe à propaganda um continuum da arte de desenhar que, historicamente, é considerada como a capacidade natural de todos os seres humanos. Recordemos, então as ações dos homens primitivos, os quais tinham em suas mentes as representações dos animais que caçava. Nessa perspectiva histórica, a arte e o significado da imagem por ela representada, conduzem à forma e à função do visual na expressão e na comunicação, porque nela se dar transformação das mensagens publicitárias em códigos estéticos que ampliam a fruição do leitor.
Dondis considera que a revolução tecnológica e os meios de comunicação de massa têm contribuído para uma educação imagética do leitor. Enquanto a arte tornou-se inerte às mudanças da sociedade consumidora de mensagens visuais. Embora sua fala seja demasiado funcionalista, faz-se pertinente citá-la:

Arte e o significado da arte, a forma e a função do componente visual da expressão e da comunicação, passaram por uma profunda transformação na era tecnológica, sem que se tenha verificado uma modificação correspondente na estética da arte. Enquanto o caráter das artes visuais e de suas relações com a sociedade e da educação sofreram transformações radicais, a estética da arte permaneceu inalterada, anacronicamente pressa à idéia de que a influência fundamental para o entendimento e a conformação de qualquer nível da mensagem visual deve basear-se na inspiração não-cerebral. (...) A expressão visual significa muitas coisas, em muitas circunstancia e para muitas pessoas.

A linguagem visual no contemporâneo é um processo cristalizado. Portanto, as imagens que a compõe têm em seu processo criativo algo que vai além do código verbal, exigindo do observador um nível mais acurado de percepção. Aqui, Dondis sugere que se faça uma alfabetização visual através de textos publicitários verbais e não-verbais.
Nessa linha de raciocínio MchLuhan comenta a papel da imagem na formação de uma consciência alfabetizadora a partir da câmera, a qual, segundo seus argumentos, têm importância tal qual o livro nos séculos XIII e XVI.

(...) a ordenação das palavras substitui a inflexão das palavras como principio da sintaxe gramatical. A mesma tendência se deu com a formação das palavras. Com o surgimento da imprensa, ambas as tendências passaram por um processo de aceleração, e houve um deslocamento dos meios auditivos para os meios visuais da sintaxe[25].

Segundo os princípios escolásticos, para que sejamos considerados alfabetizados é preciso conhecer e dominarmos os elementos básicos da linguagem escrita: as letras, palavras, frases, ortografia, gramática e sintaxe, isso é alfabetismo[26]. No mundo das imagens é fundamental que tenhamos uma percepção bastante arguta, ou seja, passemos a compreender os elementos culturais que nos cercam quando do ato de leitura das peças publicitárias. Eis aí uma perspectiva para uma educação visual.

Referências bibliográficas e notas explicativas

ARISTÓTELES (s/d). Arte retórica e Arte poética.Rio de Janeiro: Ediouro. (s.d)
FOUCAULT, Michel, Microfísica do poder. 19.ed. Rio de Janeiro: Graal, 2004.
SANTAELLA, Lucia; NOTH, Winfried. Imagem: Cognição, semiótica, mídia. 3. ed. São Paulo: Iluminuras, 2001.
CANEVACCI, Massimo. Antropologia comunicação visual. Rio Janeiro: DP&A, 2001.
[1] FOUCAULT, Michel, Microfísica do poder. 19.ed. Rio de Janeiro: Graal, 2004, p.147.
* Professor de Literatura Brasileira e Semântica do Curso de Letras – Unemat – Campus Tangará da Serra-MT., Coordenador do Núcleo Pedagógico da Unemat – Sapezal-MT. (Letras e Contábeis).
[2]S.f. Fio que se conduz com a lançadeira por entre os fios da urdidura; fios de seda grossa; fio grosso e dobrado, com que se fazem certos estofos; fio grosso; tecido; textura; (fig) sustentáculo; (bras) barganha; permuta; negócio; (Do lat. Trama).
[3] Tal termo é aqui tomado sob a ótica semiótica que, segundo Santaella e Nöth “são um sistema semiótico ao qual falta uma metassemiótica: enquanto a língua, no seu caráter metalingüístico, pode servir, ela própria, como meio de comunicação sobre si mesma, transformando-se assim num discurso auto-reflexivo, imagens não podem servir como meios de reflexão sobre imagens”.
[4] Tomamos como hipermídia os textos imagéticos que circulam nas revistas impressas e eletrônicas, bem como na TV e na Internet.
[5] SANTAELLA, Lucia; NOTH, Winfried. Imagem: Cognição, semiótica, mídia. 3. ed. São Paulo: Iluminuras, 2001, p. 13.
[6] CANEVACCI, Massimo. Antropologia comunicação visual. Rio Janeiro: DP&A, 2001, pp.7-8.
[7] Empregamos tal termo a partir do entendimento de que na comunicação os espectadores são sujeitos ativos no processo de construção de significado para o texto visual que aprecia.
[8]Laurent Jenny. A estratégia da forma. In: Intertextualidade. Coimbra, Almedina 1979, p. 6. comenta que a intertextualidade se apresenta além do código e vai até ao nível do conteúdo formal da obra, buscando a sensibilidade dos leitores o que pode variar de acordo com cultura e a memória imagética de cada um.
[9] Winkin, 1981, p. 7 citado por CANEVACCI, Massimo. Antropologia comunicação visual. Rio Janeiro: DP&A, 2001, p. 9.
[10] Termo usado à maneira de Adorno, pois entendemos que a hipermídia está a serviço da Industria Cultural que, por sua vez, cria condições cada vez mais alienantes para o leitor-consumidor na tentativa de implantar e aperfeiçoar o campo de atuação do comercio de bens e serviço, criando em nós, consumidores, uma sensação de impotência, visto que a todo instante somos enganados pelas imagens que criam novos desejos e necessidades em nosso subconsciente.
[11] CANEVACCI, Massimo. 2001, pp. 13-14.
[12] SANTAELLA, Lucia; NOTH, Winfried. 2001, p. 15.
[13] BLAKE, William. Second livre prophétique, trad. fr. Berger, p. 143. apud. BACHELARD, Gaston. O Ar e os Sonhos:Ensaio sobre a imaginação do movimento. São Paulo: Martins Fontes, 1990, p. 1.
[14] BACHELARD, Gaston., 1990, p.1
[15] MARIÁTEGUI, José-Carlos. Sobre o futuro da arte e da ciência através da inventividade humana. In: Arte e vida no século XXI (org.) Diana Domingues. São Paulo: Editora da UNESP, 2003, p.161.
[16] Ïdem, 2003, p. 162.
[17] BOSI, Alfredo, 2003, pp. 19-21.
[18] PIGNATARI, Décio. Informação Linguagem Comunicação. 2. ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003. p. 93.
[19] CANEVACCI, Massimo. 2001, pp.7-8.
[20] S.m. (1873 cf. DV) 1 objeto a que se atribui poder sobrenatural ou mágico e se presta culto. 2 PSICOP objeto inanimado ou parte do corpo considerada como possuidora de qualidades mágicas ou eróticas. HOUAISS. A. Dicionário Houais da língua portuguesa . Rio de Janeiro, Objetiva, 2001, p. 1333.
[21] Tomamos polifonia aqui, à maneira de Bakhtin, a qual sugere a multiplicidade de vozes e de sujeitos responsáveis por vários pontos de vistas das falas, em um texto.
[22] As peças publicitárias dos refrigerantes (coca-cola e pepsi) têm explorado as festas e tradições populares do Brasil.
[23] RIBEIRO, Patrícia Ferreira Neves. Estratégias de persuasão e de sedução na mídia impressa. In: Texto e discurso: mídia, literatura e ensino. Rio Janeiro: Lucena, 2003. p. 121.
[24] MONNERAT, Rosane Santos Mauro. Processos de intensificação no discurso publicitário e a construção do ethos. In: Texto e discurso: mídia, literatura e ensino. Rio Janeiro: Lucena, 2003. p. 97.
[25] MCLUHAN, M. 1960 apud Dondis, 1997, p. 3.
[26] Tomamos o termo alfabetismo como o aprendizado que é compartilhado por uma comunidade de usuários de um código comunicativo para a realização de suas ações sociais.

SENSUALIDADES

Pulsam nossos peitos...
Encontram-se nossas bocas
E delas sussurros...

Mina suor de cútis brilhante
E lágrimas de prazer escorrem
Aos gritos entre dentes...

Erodidos nas chamas de paixão,
Nossos corpos em brasa,
Queima-nos o ego em prazer
Tal o sol bronzeia a praia
Na tarde de verão.

05 de fevereiro de 2009, 09h55min.
Robério Pereira Barreto

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

ENCUENTRO DE AMOR

Sus gemidos en mis oídos
Es como sentir el toque
Del rubro velludo en la alma,
Que desnuda al placer.

Sus calientes cariños
Arde me piel como
El meteoro quema
E ilumina el cielo.

Su perfume arrebata
Mis sentidos tal la mirra
Que deja en el aire el olor…

Embriagado en su silueta
Camino a quererte desnuda
En mis brazos e cama
Como fue en nuestro primero
Encuentro de amor.
.

03 de febrero de 2009, 23h26min.
Robério Pereira Barreto

DA CIBERFOBIA À DIALOGIA

Admitamos, pois, que, o significado de aprendizagem, sobremodo, da língua materna está relacionada às perspectivas com as quais o professor leva o estudante ao encontro de múltiplos textos. Com isso, revela a ele uma série de mecanismos, os quais estão ligados: imagem e texto e, às vezes, um mundo midíatico em que se misturam escritas, figuras, cores e sons, possibilitando assim interação entre o que se diz e o que se faz com a língua no cotidiano das grandes cidades.
Diante desse quadro, segundo afirma Citelli (2002:24), somente um educador com formação nos princípios dialógicos da linguagem é capaz de compreender a complexidade da língua através da mediação entre os sujeitos envolvidos, por meio da aquisição e compreensão dos textos produzidos pela sociedade. “Um professor dialógico e interacionistas olhará com permanente desconfiança o conhecimento conforme formulado pelo livro didático: o horizonte deste tipo de educador deve ser necessariamente mais amplo.”
É na observação dos sistemas midiáticos que professor se pauta ao preparar sua aula, pois seus alunos já vêm a ela com perspectivas e saberes advindos da mídia de massa. A partir daí, é que o docente oferece subsídios para que eles façam, de fato, a interação no processo de produção de sentido com a realidade lingüística em que atuam. Os sistemas multimidiáticos, calcados em formas integrativas e interativas que possibilitam ao aluno construir “programas de aulas” situará o professor noutro patamar, que poderá até ser melhor, a depender da determinação e vontade dos envolvidos. [...] Com novas linguagens, estímulos e formas de conhecimento que vivem à margem do discurso institucional escolar.” (Citelli, 2002:26-7).
É salutar lembrar que, devido às condições inadequadas proporcionadas pelo sistema ao professor, mormente as escolas das redes públicas: estadual e municipal não têm profissionais com orientação didática e pedagógica para responde a contento tal atarefa; quem sabe de nenhuma sorte, percebe que à interação através de diálogos entre as práticas educacionais levam ao conhecimento e, consequentemente, à humanização dos estudantes ao usar de forma correta os princípios da linguagem.
Para Bakhtin (1979) a linguagem não é utilizada apenas para transmitir informações, mas, para firmar interesse, estabelecer níveis de dominação, fazendo do mundo dos signos uma arena onde são travadas as mesmas batalhas encontradas no mundo dos homens. Desse modo, se têm na escola os espaços de interação e dialogismo, pois, nela se encontram várias gerações de conhecimento, tanto pessoais quando institucionais. Com efeito, a função da escola é orientar os estudantes para a produção dos sentidos e ideologias existentes no processo histórico empreendido através da língua, ou seja, é por meio da classificação de certo/errado no uso da língua que os grupos afirmam ou refutam seus princípios de dominação.
Na realidade, este procedimento se dá através de estratégias as quais têm sua base ideológica e semântica nos princípios de persuasão e sedução, segundo as quais os alunos e os leitores têm na mídia, sobremodo, na mídia imprensa e nos livros didáticos seus maiores auxiliares. Entretanto, sabe-se que, às vezes, é preciso desconfiar de tais escritos para que se possa estabelecer o grau de responsabilidade da autoria.
Para Ribeiro (2003:121) o uso da sedução como processo argumentativo na mídia é uma marca, pois, se sabe que a “imprensa tem se caracterizado por exercer grande influência sobre a sociedade.” Além é claro de ser responsável pela constituição do imaginário social, já que é por meio dela que os grandes fatos são postos em debate e que se constituem os pontos de vista. Então, é legítimo que os profissionais da linguagem compreendam que, embora haja problema na constituição – gramatical, semântica e ideológica - de determinados tipos de mídia, estes, certamente, ainda contribuem significativamente para o processo de desburocratização da aprendizagem da língua materna, uma vez que se pode traçar diálogos com várias opiniões e maneiras de usar a estrutura da língua nacional.
Hodiernamente, sabe-se que a língua portuguesa em sua forma “erudita” tem sido maltratada pelos meios de comunicação de massa, bem como pelos profissionais da linguagem. Eles são do mesmo modo vítimas, pois o sistema ao longo de décadas desvalorizou o estilo e uso linguísticos praticados pelos grandes escritores. (quantas vezes ainda ouvimos referência ao estilo Machadiano de organizar as idéias e do bom trato com a língua em seus escritos, inclusive os que saiam na imprensa). Entretanto a sociedade avançou e com isso vieram novas maneiras de expressão. Neste pacote estão os valores éticos, estéticos e ideológicos relacionados à aprendizagem da língua portuguesa que a mudaram sistematicamente. Isso com certeza moveram as bases tradicionais, as quais lutam em vão, parafraseando Drummond: “lutar com as palavras é coisa vã” para manter a tradição gramatical de meados do século passado.
Embora seja uma realidade deprimente, contudo temos que modificá-la trabalhando o idioma em sala de aula, para, no mínimo, orientar o usuário da língua no que se refere à questão dialógica que permeia a comunicação moderna. Entretanto, tal perspectiva é cheia de obstáculo; o primeiro deles está na estrutura da própria escola que não vê e, às vezes com razão, a mídia impressa como subsídio para o melhoramento da qualidade da produção lingüística do estudante, porque algumas não apresentam qualidades suficientes para isso.
Nesse plano dialógico, consoante a dificuldades normais da escola, Chiappni (2002:10) acredita que a escola tem uma parcela de culpa porque burocratiza a linguagem, desistoricizando-a e enrijecendo-a nos rituais que a faz como instituições de controle sócio-educacional. Com efeito, a democratização da escola e avanços dos MCMs[1] deveriam ter melhorado as condições de ensino, aprendizado e uso da língua, devido ao grande alcance social de suas mensagens. Entretanto, isso não ocorreu porque a maioria das instituições de MCMs tinha em suas direções e redações pessoas cujo preparo e conhecimento da língua eram medianos. Por outro lado, os ouvintes, leitores, espectadores viviam em condições piores para compreender a estrutura normativa da língua. Com isso, Viu-se nascer de maneira, quase unilateral um outro idioma, ou seja, as pessoas não deixaram de viver e comunicarem-se porque não tiveram à formação culta da língua. Ao contrário, adaptaram suas habilidades lingüísticas as realidades em atuam de forma dialógica.

[1] Meios de Comunicação de Massa

CIBERFOBIA DE PROFESSORES E O AVANÇO DA LINGUAGEM NA WEB


Amigos leitores, este texto tem como objetivo chamar atenção das pessoas que têm medo de tecnologia, sobretudo o profissionais da educação que, injustificadamente recusa trabalhar com as linguagens tecnológicas provenientes tanto da televisão quanto da internet. Por se tratar de publicação em site, dividirei esta idéia em várias partes. Caso queira lê-la a até o final; aguarde as próximas publicações.
A formação escolar do aluno, no que se refere à linguagem, tem sido alvo de grandes ataques, inclusive por parte dos professores que, às vezes, escondem-se atrás de suas fobias e dizem que os estudantes não interagem com o modelo lingüístico proposto pela escola devido, aos meios de massa. Estes, por sua vez, têm uma linguagem, banal e bestialmente desgramaticalizada, tornando-se impossível a integração de tais enunciados à sugerida pela gramática.
Travaglia (2001:22) considera que a perspectiva assumida pelos professores tem a ver com aquilo que lhes fora ensinado como certo/errado. Entretanto, ele reafirma que: “As normas de bom uso da língua são baseadas no uso consagrado pelos bons escritores e, portanto, ignoram as características próprias da língua oral.” Fato que não ocorre com as tecnologias de comunicação de massa, ou seja, a linguagem mídia é eminentemente oral.
Assim, os professores de língua materna – portuguesa – deve se apropriar do conhecimento oferecido pelos meios tecnológicos, acabando assim com a ciberfobia. Pois, a língua, ensino e aprendizado devem ser visto como algo natural. “língua é considerada um organismo vivo que nasce se desenvolve e pode entrar em decadência, juntamente com a sociedade que dele não cuida adequadamente, não atende à tradição, comete o pecado do erro e juntamente com sua linguagem se deteriora, definha, acaba.” (Travaglia, 2001:26-7).
Mediante sistema de comunicação no qual a tecnologia está presente na vida dos estudantes desde as séries iniciais até a universidade, o professor precisa empreender esforço e buscar ajuda profissional – psicólogo – para, primeiramente, inferir que ele involuntariamente é um agente portador de tecnologia e usuário compulsivo de linguagem cibernética. Todos os professores têm telefones celulares acompanhados de mais alta tecnologia de imagem, som e linguagem. Os estudantes na maioria das vezes os têm. Então por que não explorar esse material tecnolingüístico da realidade dos estudantes e fazê-los refletir sobre suas ações enquanto sujeitos da linguagem?
De acordo com Citelli (2002:19) isso ocorre não porque o professor ter medo de tecnologia, pois os seus alunos têm uma intensa relação com as linguagens e o conhecimento não sistematizado pelo discurso didático-pedagógico e promovem uma circulação que resulta em discussões, trocam de experiências, estratégias de socialização, que, contudo, se obliteram e preferem a zona do silêncio no momento sacralizado da aula e o professor ainda não conhece esse universo e, portanto, sente-se ameaçado em sua autoridade, conhecedor e detentor de saberes
Nessa perspectiva, clama-se por uma (re)qualificação docente na qual, este deveria superar suas deficiências e medos de tecnologia e compreender que, na atualidade o profissional é apenas mediador da aprendizagem, sobretudo, no que se refere à questão lingüística, posto que a linguagem midiática, faz parte de nosso cotidiano. Embora a escola não disponha ainda de total domínio do processo, graças à incompetência das políticas públicas, as quais usam a ciberfobia dos profissionais como mecanismo de defesa. Para Citelli (2002:23) isso ocorre porque é ai que está a “própria dificuldade operacional dos professores com relação àquelas linguagens. Muitas delas lhes são absolutamente desconhecidas, o que torna impossível considera-las tanto para efeito de incorporação a novas práticas didáticas como para submetê-las a qualquer crivo crítico.” Conclui-se que, o problema não está no estudante, mas sim no medo do professor, o qual acredita estar perdendo seu posto de comando quando não é, ou não se faz entender pelos alunos.

ESCRITA: TECNOLOGIA INTELECTUAL

Não é suficiente conceituar ler e escrever, é fundamental desejar e possibilitar sua realização. Barreto, 2004.

Para Lévy (1999), a escrita nos nossos meios de comunicação contemporâneos encerra em si mesma, o poder de registrar acontecimentos e reorganizar o papel das ciências. Por isso, ele considera que a interpretação dos sentidos encontra seus fundamentos na escrita, porque “o alfabeto e a impressão, aperfeiçoamentos da escrita, desempenharam um papel essencial no estabelecimento da ciência como modo de conhecimento dominante”.[1]
As escritas desenvolveram na comunidade instrumentos de significação e símbolos que levaram o homem contemporâneo a questionar a oralidade. Isto é, a comunicação na sociedade era realizada através da oralidade, quando os cidadãos transmitiam seus conhecimentos, mitologias e lendas de “boca a boca”. Logo, precisaram de um instrumento que guardasse física e organicamente as idéias construídas na comunidade. Com isso, a escrita ganha ares de tecnologia. A exemplo disso, está a literatura a qual com o domínio das tecnologias da escrita passou a ocupar lugar significativo na vida social das pessoas. Embora saibamos que nesse período uma parte significativa da população do século XIX, não tinha formação escolástica. Portanto, segundo Lèvy “(...) compreender o lugar fundamental das tecnologias da comunicação e da inteligência na história cultura nos leva a olhar de uma nova maneira a razão, a verdade, e a história, ameaçadas de perder sua preeminência na civilização da televisão e do computador.”[2]
A escrita como tecnologia de comunicação, tornou possível o acesso da massa a conhecimentos que antes eram transmitidos a sociedade por meios de conversas em que as experiências coletivas se mantinham guardadas na memória, formando assim, imagens na ecologia cognitiva do sujeito. Por isso Lévy afirma que a invenção da escrita está relacionada com a invenção da agricultura.
A escrita foi inventada diversas vezes e separadamente nas grandes civilizações agrícolas da Antiguidade. Reproduz, no domínio da comunicação, a relação com o tempo e o espaço que a agricultura havia introduzido na ordem da subsistência alimentar. O escriba vaca sinais na argila de sua tabuinha assim como o trabalhador cava sulcos no barro de seu campo. É a mesma terra, são instrumentos de madeira parecidos, a enxada primitiva e o cálamo distinguindo-se quase que apenas pelo tamanho. (...) A agricultura, pelo contrário, pressupõe uma organização pensada do tempo delimitado, todo um sistema do atraso, uma especulação sobre as estações. Da mesma forma, a escrita, ao intercalar um intervalo de tempo entre a emissão e a recepção da mensagem, instaura a comunicação diferida, com todos os riscos de mal-entendidos, de perdas e erros que isto implica. A escrita aposta no tempo.
De acordo com a ótica do autor, podemos compreender que a escrita dialetiza os conhecimentos, pois se transforma à medida que a comunidade lhe da funcionalidade. Na história mais recente (século XIX) a escrita transformou-se em tecnologia de comunicação avançada a partir da compreensão de que “a arte (literatura) é um sistema simbólico de comunicação inter-humana, e como tal interessa ao sociólogo.”[3] Com isso foi possível que a população tivesse acesso a informações que traduzia suas classes sociais. A exemplo disso, temos os folhetins os quais revolucionaram a atividade literária e escrita na França e, por conseguinte no Brasil romântico.
Associar a escrita à burguesia é, sem dúvida, correr o risco de ser redundante. Por isso, acreditamos que a escrita como todos os instrumentos tecnológicos de comunicação serviu mais diretamente aos ideais dominantes do que às necessidades da massa. Corroborando conosco Lèvy argumenta que a escrita e o Estado mantiveram relações íntimas. O Estado serviu-se dos princípios orientadores e misteriosos da escrita para manter a ordem de seu discurso sem que houvesse questionamentos (lembremo-nos que a maioria da população ainda não domina a escrita e a leitura. Portanto, absorvem os discursos orais e imagéticos produzidos por aqueles que conhecem o universo da escrita. Por isso, talvez, a televisão ocupe cada vez mais o espaço do livro em nossa sociedade).
Através da escrita, o poder estatal comanda tanto os signos quanto os homens, fixando-os em uma função, designando-os para um território, ordenado-os sobre uma superfície unificada. Através dos anais, arquivos administrativos, leis, regulamentos e contas, o Estado tenta de todas as maneiras congelar, programar, represar ou estocar seu futuro e seu passado. (...) A escrita permite uma situação prática de comunicação radicalmente nova. Pela primeira vez os discursos podem ser separados das circunstancias particulares em que foram produzidos.

Para concluir temporariamente, entendemos que a escrita se tornou na sociedade contemporânea mais que instrumento tecnológico é, portanto, ferramenta social, ideológica que permite, embora de forma unilateral a participação da comunidade no registro de seus feitos.
[1] PIERRE, LÈVY. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. São Paulo: Editora34, 2000, p. 87.
[2] Idem.
[3] CANDIDO, Antonio. Literatura e sociedade. 8. ed. São Paulo: T.A. Queiroz, 2000. p. 21.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

DISCRECIÓN

En su sonrisa tiene el albor
Y discreción de la luna
En noche de negritud…

El espejo de su alma
Refleja en ti la sensibilidad
Que as veces es traducida
En fuerte falta de calma.

Eso irradia en mi corazón
Y lo hace lleno de deseo
Que te quiero sin razón;
Y con los ojos cerrados
Quedo-me ávido de place,
Al sentir su estampa.

02 de febrero de 2009, 23h20min
Robério Pereira Barreto

domingo, 25 de janeiro de 2009

ENSINO DE HUMANIDADES NA ESCOLA: RESGATE DA CRIATIVIDADE E CIDADANIA


Faz algum tempo que venho discutindo nos bastidores da Universidade e da Escola Publica onde trabalho, que o ensino de linguagem e, principalmente, das questões relacionadas à aprendizagem da leitura e da escrita por parte dos estudantes tanto do nível básico como superior deveria ser através da arte, literatura, pintura e humanidades. É senso comum encontrarmos em todas as salas de professores (inclusive já me flagrei fazendo isso), alguém está sempre falando que os estudantes não estão nem aí para aula, os conhecimentos que lhes transmitimos pouco importam, etc. Então, resolvi aprofundar na reflexão, e eis que cheguei ao seguinte entendimento. (claro que isso não é inédito). Tem-se muito estudante louco por leitura e que produz textos significativos, contudo, não é a tipo de texto reconhecido pela instituição escolástico e, portanto, não é certificado como tal. Por isso, eles não se interessam por tal prática, ou seja, por mais que leiam e produzam não lhes damos os devidos créditos, porque estamos pautados em tipologias e regras de leitura e produção textuais do século de Anchieta, que não mais acompanham a evolução do pensamento do estudante da era digital.
Nesse contexto, surge a pergunta: qual é a sugestão para resolução de tal problema, gênio? De acordo com os ensinamentos que realizamos em relação ao plano da leitura e escrita em todos os níveis educacionais, tanto na “esfera publica” como particular, uma coisa é certa; estamos fadados ao fracasso como professores! Mas nem tudo está tão ruim assim. Porque vejam: a minha idéia (brilhante). Se a filosofia da escola de ensino básico é formar estudantes para o mundo da linguagem e suas complexas relações com a mídia, então, a melhor forma é conduzi-lo a esse universo, usando as “armas” do inimigo onipresente; a mídia, através da exploração da criatividade deles, pois, esses cidadãos têm muito a nos informar e surpreender. Para tanto, basta incentiva-los no que eles têm de melhor, capacidade de invenção. Veja os exemplos da linguagem internética!
Ainda mantendo a provocação inicial, considero uma perda de tempo e dinheiro, a criação inócua dos chamados “cantinhos da leitura” nos quais temos de tudo – almofadas, pufes, paredes decoradas, etc., contudo, tal espaço é guardado a chave e o protagonista nunca está em ação, estudantes escolhendo o que quer ler. Ao contrário, quando os sujeitos têm acesso a esse espaço, estão acompanhados de um professor que, por sua vez, dirige as atividades conforme seu gosto pessoal, ou do programa didático instituído pela escola. Para completar o princípio de discórdia (sei que alguns ao lerem este texto - se é que lerão – encherão minha caixa postal de impropérios, mas não tem problemas, estou acostumado com o rótulo de provocador).
Na verdade, tem-se nas escolas de ensino básico, a famosa prática – estudante que aprender rápido o raciocínio linear do professor e fica “bagunçando” em sala de aula deve ir à biblioteca. Graças a Deus! Feliz daquele que tem como castigo, ficar horas junto a vários pensadores, artística, críticos, etc. seria ótimos os resultados se todos os professores que não conseguisse atenção dos estudantes dessem a esses, o castigo da biblioteca, certamente teria um número maior de leitores competentes e capazes de entender a homem e a sociedade na qual atua.
Diante de tamanha provocação, exponho a seguir a idéia base desse ensaio: minha tese é de que esse modelo educacional arcaico está falido faz um tempo considerável, sobre tudo no que diz respeita ao ensino-aprendizado de língua materna. Os profissionais formados no curso de licenciatura em letras e pedagogia deveriam se interessam em conhecer e dominar a linguagem das grandes obras de arte – literatura, pintura, teatro -, as quais, por sua vez, estão repletas de ensinamentos históricos, linguísticos, literários e culturais.
Para tanto, seria necessário criar mecanismos que acabassem com essa estrutura de aulas segmentadas – Português, Matemática, História – como se cada uma fosse objeto estranho e que após a saída do professor da sala de aula, o estudante deve guardar em sua caixinha as informações que lhe foram oferecidas, para daqui a uma semana resgatá-lo. Calma! Já explico como esses mecanismos seriam criados. Se a idéia da educação básica é formar cidadãos capazes de se relacionarem com seus iguais e produzirem conhecimentos por meio da aquisição da linguagem, tendo como mediador a língua. Então, vejam: pode-se instituir na unidade educacional que, durante o ano letivo, todos os profissionais da educação estarão envolvidos num projeto, o qual tem como objetivo a montagem de uma peça teatral, sendo que para isso, os conteúdos a serem ministrados aos estudantes devem referir-se a tal proposta. Dizendo de outro modo; o professor de língua materna apresentará aos alunos textos fundamentais da literatura dramática universal e os princípios da leitura e escrita da peça teatral, com quais eles desenvolverão suas atividades, tendo na reescritura a consolidação dos princípios da língua em suas variantes culta e popular; o professor de matemática trabalhará de maneira idêntica, adequando os conteúdos da disciplina ao estudo das dimensões do palco, bem como os fundamentos da geometria, criando expectativas para a montagem do palco – calculando área, quantidade de madeira, tinta, assoalho, etc. seriam necessários para tal construção -; a disciplina de Química e Física terão seus programas baseados nas cores e sentidos atribuídos aos elementos que comporão os cenários e; a Educação Física e Artes trabalhar-se-ão as linguagens corporais e níveis de corporeidade, possibilitando assim a comunicação expressiva do estudante com o saberes e colegas quando da produção e montagem da peça.
Ufá! Como seria bom se realmente tivéssemos alguém que comprasse, ou melhor, roubasse essa idéia e colocassem em ação, porém, creio que alguns ortodoxos dirão: essa só mais uma esquisitice, não dará certo. O pior é que haverá quem afirme que essa idéia só aumentará a indisciplina dos estudantes, escola será uma bagunça! Antecipando-me digo: Não será, ao contrário, teremos estudantes mais interessados nas aulas, até porque será uma forma de valorizar o conhecimento e capacidade de criação que eles têm e nós com nossas soberbas e paradigmas arcaicos os impedimos de mostrar.
Para concluir, reafirmo; está na hora da escola se tomar iniciativa e buscar junto com seu quadro docente e discente inovações no campo do ensino-aprendizado, porque se continuar nesse marasmo estará fadado à derrocada total. Acordemos todos para as novas exigências da sociedade contemporânea, na qual a formação do homem moderno está além das recomendações contidas nos manuais de leitura e escrita. Hodiernamente, a comunicação se dá necessariamente por meio das imagens se símbolos convencionalizados pelos sujeitos da linguagem, na qual a comunicação se processa no plano da criatividade lingüístico, histórica e identitária, dando a cada um, perspectivas diferenciadas. Enfim, com a decisão os interessados em mudar esse quadro patético que nos apresentado pelos institutos de pesquisa quando se referem à questão educacional do país. Ah, lembre-se não estou dizendo para se fazer mágica ou pacto de mediocridade, conforme a expressão: vamos fingir que ensinamos, porque eles também fingirão que aprenderam e daí continuamos no mesmo zero a zero.
Bibliografia:
MORIN, Edgar. A religação dos saberes: o desafio do século XIX. 4. ed. São Paulo: Bertrand Brasil. 2004.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

PEGADAS

Sob seus pés macios
Desfilo como a onda
Que acaricia a face
Da praia no luar.

Voluptuoso como ondas
Que vêm do mar ansioso
Beijo-te com fervor.

Sentindo a maciez desse pisar
A alma se entrega ao deleite
De essa amar sem se apressar.

Cada passo suavemente seu
Leva-me ao delírio
E, em compulsão te recebo
Em mim sem pressa, feliz.

23 de janeiro de 2009, 22h04min.
Robério Pereira Barreto

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

SUOR

A seiva desse amor
Espalha-se pelo mundo
No calor e cheiro de suor
Espargido ao vento...

Delirantes no mormaço
Da paixão sem fim...
Faltam palavras e,
O silêncio nos fala
E rimos à toa.

Olhares fitos descortinam
A nudez da alma...

Despidos e exalando odores
Nossos corpos tornam-se
Um só ser derretendo
Nos seus próprios calores.

20 de janeiro de 2009, 23h56min.
Robério Pereira Barreto

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

sábado, 17 de janeiro de 2009

RASCUNHO

Posted by Picasa

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

TRASPASO

Planeando entre flores del campo
Mi corazón búscate en el perfume
Despegado de rosas rojas
En el jardín de la pasión
Tal polilla en metamorfosis
Desacoplando sus partes la tierra.

Otro hombre, pienso remontarme
De los pedazos salidos de mi alma
Cuando se negó a sosegarme
En su corazón deliciosamente fragante.

Reuniendo mis restos en nuevo ser,
Voy volar al infinito al encuentro
Del jardín celeste, donde mi alma
Jamás separarse del corazón
Y juntos surgirán fuertes
Para posar en otro jardín.

15 de enero de 2009, 22h32min.
Robério Pereira Barreto

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

OLOR DEL AMOR

No fue accidental que nuestras
Almas se juntaran…
Hoy pintan bello cuadro
Con recónditas imágenes y sueños.

Alrededor de nosotros
Paz, amor y alegría
Constituyen la red de caminos
Donde despegados después de amar
Somos seducidos en la fogosidad
Volamos como pluma suelta al viento.

Cansados de amar fijamos los ojos
Silenciosamente al cielo
Procurando por estrellas
Que esfumándose aclaraban
Pensamientos aún llenos de placer.

Reducidos a nubes sueltas
En cielo repleto de encantos
Cuando aún en el catre celeste,
Fijábamos nuestro olor de placer
En el alma e corazón…

13 de enero de 2009, 21h26min
Robério Pereira Barreto

SONRISA DEL LUNA

La luna en cielo tiene ahora
Como compañeras estrellas
Radiantes tal su sonrisa
En su bello semblante.

El reflejo de esa alegría
Mancha mi espirito de paz
Y corazón de desierto.

Mirar la luna lleva el alma
Al escapismo con fuerza
Del viento tardío en la tarde.

El albor de la luna
Confundirse con irradiación
De su carisma cuando juntos
Habemos otra noche
De luna harta en cielo.

13 de enero de 2009 20h05
Robério Pereira Barreto

EN FINAL

Mírate el cielo, una luz en Gaza
Y un clarín llámate diciendo:
Es el final de los tiempos
Están queriendo matar todos
Con sus bombas Israelitas.
¿Hacen eso por qué?
Somos hijos de mismo Dios.

13 de enero de 2009. 09h05min
Robério Pereira Barreto