sexta-feira, 15 de agosto de 2008

LIVRO VIDA

No livro da vida muitas
Histórias lindas escrevi...

Porém, houve uma página
Onde a nódoa da lágrima marca
O branco do papel...

Tal página do livro vida
Arranquei e ao vento
Para sempre atirei.

Livro vida falta uma folha
É melhor o vazio do que
Uma página manchada pela
Tinta da dor.

13 de agosto de 2008, 21h19min.
Robério Pereira Barreto

DIZER...

Está aqui é dizer
Que a alma está fria
Porém o corpo sente que...

Magnífico é saborear alegria
À noite sentindo saudade
Mesmo numa cama vazia...

Delirante é sentir a carícia
Sedutora da brisa maliciosa
Que passeia suas mãos macias
Fazendo a pele arrepiar...

Palpitante é o pulsar das veias
Estremecendo o coração
Em compulsão a desejar
Ter você para amar em...

15 de agosto de 2008, 22h04
Robério Pereira Barreto

ENTRE O SER HUMANO E CONSUMO

A NOVA ORDEM: CONSUMIR É PRECISO, TER PAZ NÃO!
Robério Pereira Barreto*
O homem contemporâneo assume a ordem do dia, consumir. Importa iniciar perguntando: Você possui MP8, Ipod, TV de Plasma, Playstation e Notebook com internet movem? Se a resposta for sim. Bem-vindo ao mundo do conectados, cidadãos do mundo! Agora, se ainda está ouvido rádio Am/Fm, vendo TV de 21 polegadas, usando cartão telefônico e manda carta por fax, infelizmente, considere-se na era analógica, porque a nova ordem é se linkar aos novos recursos tecnológicos e, simplesmente, ser um consumidor e cidadão dos bits.
Então, preste bastante atenção, porque este é o recado que a mídia, sobretudo, a televisão deixa para nós todos os dias em nossas casas. Seja um consumidor! Há nessas publicidades uma espécie de sedução, isto é, tudo é bonito, funcional e fácil de comprar. (os aparelhos de ginásticas, emagrecedores, eletro-eletrônicos e produtos de limpeza que “facilitam” a vida da dona de casa).
Isso cria vontades e desejos de consumo e até, alterar o padrão de comportamento das pessoas, pois aqueles que não dispõem de recurso financeiros para a realização de tais sonhos, colocam em risco a paz e a tranqüilidade da família, uma vez que suprimi as necessidades básicas – alimentação, saúde e moradia – em busca da aquisição de bens de consumo que os façam ser vistos como cidadãos pertencentes a um grupo social que, na maioria das vezes não podem faz parte, porque apenas é mais uma vítima do desejo desenfreado de comprar tudo que lhe ofertado pela mídia.
Em um nível mais elevando de consumo, há pessoas que desde cedo são incentivadas pelos pais ao consumismo e, com isso, tornam-se compulsivos e até vivem atormentados pelo fantasma da futilidade, compram por comprar! Isto tem criado vários problemas nas sociedades, sobretudo nas famílias pobres que na maioria das vezes se submetem às situações de risco em virtude de querer dar tudo que seus filhos pedem, principalmente, objetos que estão na moda e são mostrados diariamente na mídia como sendo símbolo de status social.
Nesse contexto, trata-se de questões em que a violência psicológica é presente e, às vezes, é transformada em agressão física, ou seja, o desejo de consumir determinados produtos é tão intenso que pais e filhos se agridem mutuamente. Para refletir: Você prefere viver em paz com o mínimo necessário, ou com a casa cheia de futilidades e em guerra interior?
* Professor da UNEB – Campus XVI, pesquisador de Linguagens em mídias digitais e Literatura e Cultura Populares.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

REIFICAÇÃO DE ESTERIOTIPO EM “MEU SER DE MIM”

A sociedade contemporânea tem produzido cada vez mais, sujeitos que procuram a todo custo chegar ao sucesso, o qual na maioria das vezes não é facilmente alcançado, causando assim nesses aspirantes a celebridade sérios problemas psicológicos.
É com essa observação que se iniciam os comentários sobre a peça "Meu ser de mim" adaptação do texto O Ator-mentado, comédia de um ato, escrita por Rodrigo Rangel e Afonso Celso, em 1998.
Na releitura da referida peça, o diretor de teatro, Péricles Barreto manteve a formação do texto fonte, inclusive conservou os mesmos nomes dos personagens originais: Mauro Cristal, ator recém-formado; Antônio Felipe, empresário e amigo de colégio de Mauro; Joaquim, tio de Mauro e dono de um botequim; Lauro Aquino Rêgo, colega de Mauro do curso de teatro; Caio, aluno de Mauro Cristal; Gilbertão, dono de teatro. Quanto ao cenário houve poucas modificações, uma vez que o texto traz em si uma perspectiva do teatro contemporâneo, isto é, está carregado de signos que se movem no tempo e no espaço, dando ao espectador oportunidade de se situar na história, embora a platéia tenha se detido tão somente no caricato, visto que houve exagero nesse quesito, pois o ator que interpretou a personagem Mauro Cristal inflacionou a cena com trejeitos homossexuais (embora Rangel e Celso tenham idealizado esse intérprete, mas não precisava tanto, né!) e, além disso, houve falas preconceituosas quando se referia a um bairro periférico de Irecê, Morro do Urubu, provocando na platéia risos irônicos, fugindo da temática do texto fonte; a crise de identidade do sujeito e a busca pelo sucesso!
De qualquer modo não houve algo que viesse a tirar o mérito do trabalho da equipe, visto que fazer teatro onde as pessoas não foram orientadas a compreenderem tais questões é, na verdade um ato de coragem. Agora, enquanto espectador iniciado crê-se que é interessante lembrar que houve sim sobre elevação dos esteriotipos, inclusive a direção musical reforçou o processo de esteriotipia, ao associar a trilha sonora de Ney Mato Grosso e Luiz Melodia às ações do personagem Mauro Cristal, além claro de ter forçado a montagem do personagem Gilbertão por uma menina que, masculinizada se perdeu em vários pontos da ação dialógica do texto, ou seja, houve vários “cacos” no texto o que não chegar a ser demérito, se é para improvisar falas para que texto?
A despeito de quaisquer que sejam os desvios ocorridos, a equipe de atores e a direção merecem atenção da comunidade e da crítica, visto que ambos rompem com o lugar comum, isto é, se colocam à disposição e fazem arte e a levam àqueles que não têm oportunidade de conhecê-la em outros contextos.
Juízo de valor à parte cabe aqui fazer algumas observações: primeira, a capacidade do ator-interprete da personagem Mauro Cristal em decorar o texto, embora tenha colocado “cacos” importantes para seu desempenho. segunda é a maturidade do ator Carlos, interprete do personagem Joaquim, tio de Mauro Cristal. De qualquer sorte foi um bom espetáculo, podendo, inclusive Barreto explorar melhor esses atores em textos mais densos, isto é, trabalhar questões dramáticas, evitando assim cair no clichê e no caricato da comédia cotidiana.

sábado, 9 de agosto de 2008

PEGADAS

Não sei por que penso em você
Porque até as pedras choram
Ao lembrar-se de quanto
é infinito o meu sofrer.

Não sei por que
Mas, terei uma vida
Para lhe esquecer...

Enquanto isso não ocorrer
Farei de meu coração
A rocha mais dura;
Que não haverá insistência
Ou água que o faça ceder.

Não sei por que
O quanto é difícil
Apagar as pegadas
Deixadas na superfície
Do mármore coração...


09 de agosto de 2008, 11h05mim
Robério Pereira Barreto

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

CICLO DE...

Na corrida das lágrimas,
Vence a que habilmente serpenteia
Ao terreno da face
E transpondo os altiplanos
Dos lábios nacarados
Invadem a boca,
Deixando nela seu sabor
Agridoce da alma
Partida em dor.

Voluntariosa a boca segue
O instinto do coração ferido
E absorve as lágrimas
Recolhendo-as à insignificância...

Nesse ciclo alma e coração
Recolhem-se para o mundo
E para sempre emudecem
na esperança de brotar de novo...

07 de agosto de 2008, 00h42min.
Robério Pereira Barreto

segunda-feira, 28 de julho de 2008

HIDRÓFILA-DOR

Na vagas da solidão surge
Surfando em ziguezague
Vaidosa sensação de dor
Que lentamente afoga
E atira aos recifes um
Coração que já amou.

Sem pulso é levado
Pela arrebentação
Até a praia, onde
Passantes lhe desprezam
Ecoando no silêncio das ondas
A singeleza da indiferença, dor...

Vencido pela apatia
Indeciso está;
Deixo-me morrer na praia,
Ou desapareço na imensidão
Sombria da solidão do mar?
Não, nada disso o farei
sob sol da manhã ressucitarei
e encontrarei a maresia
como amiga e estrela da manhã
a me guiar ao encontro do infinito...

29 de julho de 2008, 23h02min
Robério Pereira Barreto

domingo, 27 de julho de 2008

LE TUE PAROLE

Na madrugada sombria
Em que tudo indicava
Que não raiaria o dia,
Suas palavras de luz
Fizeram me perceber que,
Poderia tardar o amanhecer,
Porém não há noite nem tempestade
Que impeçam um coração límpido
A aurora apreciar...

Le tue parole são para esta
Alma a serenidade e a luz
Que rompem as trevas da ingratidão...
Então, depois do que me dizes
Este coração e alma,
Nos primeiros raios da manhã
Renascerá e gritará:
De hoje em diante não haverá treva ou ingratidão
Que possam ofuscar o brilho desse olhar
Nem o sorriso de minha face tirar;
O paraíso ofereço quem soube me escutar.
Já quem não quis saber
A minha forma de amar
Desejo ódio porque o inferno
é seu lugar!

28 de julho de 2008, 11h43mim
Robério Pereira Barreto

quinta-feira, 24 de julho de 2008

EFÊMERO FULGAZ

Das mãos fugazes do amor
Saem tentáculos sedutores
Que nos apertam com fervor,
Sufocando o peito com grande dor.

Na felicidade efêmera
Tudo se desvencilha ao primeiro
Sacrifício a ser enfrentando...

Nessa mão de mil tentáculos; ilusão
Somos abraçados e, às vezes,
Ainda há quem diga que isso
É parte de paixão.

Na paixão fulgaz da manhã
Sufocam-se os corações
Com falas vãs...

Porém antes de despertarem
São sufocados pela dor
Simples dizem: acabou!

24 de julho de 2008, 22h
Robério Pereira Barreto

sábado, 19 de julho de 2008

A DOUTRINA DEMAGÓGICA PARA AS MASSAS: MÚSICA CLÁSSICA NO SERTÃO

Estive pensando qual seria o assunto a ser tratado ao voltar minha prática de escrita neste espaço. Ei-la a seguir para reflexão: Hoje, fui surpreendido com a notícia de que teríamos um concerto em praça pública com um dos maiores nomes da área; Arthur Moreira Lima, solista de respeito nacional e internacional. Então, fui apreciar tal evento, surpresa maior foi ver na primeira fila, sentado em um banco simples, o governador do Estado. Então pensei: Nossa, Ele veio só para assistir a tão ilustre músico. Quanta honra, não é mesmo?
Sabemos que na sociedade atual, o comportamento dos homens é em grande parte determinado pela intenção e a integração de sua memória às suas experiências passadas, então estar sentado num banco simples na praça pública e assistindo a concerto ao piano, no qual o “cavalo de batalha” do solista era as composições Chopin, tenha sido um momento paradoxal para todos nós, inclusive para o Governador e as autoridades que o acompanharam, porque certamente esses não tiveram como a maioria da audiência, em sua comunidade a presença dessa cultura musical.
Mas, afinal quem era mesmo Chopin? Isso talvez tenha ficado na mente da maioria das pessoas que ouviam e assistia Arthur Moreira Lima interpretar belamente aquelas composições. (Frederic Chopin era filho do professor francês Nicolas Chopin, que dava aulas de língua e literatura francesas, e da pianista polonesa Justina Krazizanovska. Dez meses após o seu nascimento, a família foi morar em Varsóvia, onde transitava entre os nobres e a burguesia.Chopin teve uma infância culta. Aos seis anos passou a ter um professor de piano, Adalbert Zwini, que lhe apresentou as obras de Bach e Mozart.Seu primeiro concerto público ocorreu quando ele tinha oito anos. Na mesma época viu publicada sua primeira obra, uma polonaise. Prosseguiu conciliando seus estudos no Liceu de Varsóvia com as aulas de piano. Em 1825, apresentou-se para o czar Alexandre I. No ano seguinte ingressou no Conservatório de Varsóvia, onde iniciou seus estudos com o compositor Joseph Elsner. Em 1830, dias antes de eclodir a Revolução Polonesa contra a ocupação russa, Chpin resolveu deixar Varsóvia e partir para Viena, que vivia sob o regime autoritário de Metternich. Em julho do ano seguinte, Chopin seguiu para Paris, onde logo integrou-se à elite local, passando a ser requisitado como concertista e como professor. Nessa época conheceu músicos consagrados, como Rossini e Cherubini, e outros de sua geração, como Mendelssohn, Berlioz, Liszt e Schumann. Em uma de suas viagens pela Europa, em 1835, reencontrou Maria Wodzinska, que conhecera ainda criança em Varsóvia. Chopin apaixonou-se, mas, apresentando já os primeiros sinais de tuberculose, acabou rompendo o noivado por pressão da família de Maria. Em 1838 Chopin uniu-se à controvertida escritora Aurore Dupin, que usava o pseudônimo masculino de George Sand. O casal resolveu passar um tempo em Maiorca, mas o clima úmido da ilha piorou o estado de saúde do compositor. Em 1839, os dois voltaram para a França e em 1847 romperam definitivamente o relacionamento.No dia 17 de outubro de 1849, Frederic Chopin faleceu, aos 39 anos. Foi sepultado no cemitério de Père Lachaise, em Paris. Seu coração foi colocadodentro de um dos pilares da igreja de Santa Cruz, em Varsóvia, conforme o seu pedido.Chopin dedicou toda sua obra ao piano, com exceção de apenas algumas peças. Várias de suas obras têm influência do folclore polonês, como é o caso das mazurcas e das polonaises.)
Não dizer o que foi Chopin para música ou à humanidade não faz diferença diriam alguns, uma vez que a audiência ali se restringia a uma minoria escolarizada e que estava interessada não em contemplar aquele momento único na vida de muitos de nós, mas sim, de estar perto do poder e aproveitar a oportunidade para ser visto em alguma foto.
Isso, sem dúvida, torna o valor e a cultura clássica apenas um pano de fundo no qual se projetam interesses alheios à própria inserção das classes populares à cultura de elite.
Por fim, fica ao leitor a reflexão... Por que só agora Arthur Moreira Lima um piano na estrada, chegou a Irecê se o projeto é antigo?
Talvez a resposta esteja além da imaginação, porém Abraham A. Moles diz que todo item, todo átomo de cultura, é assimilável pelo ser humano em razão exclusivamente de sua importância fundamental e não em razão de sua dificuldade de apreensão;” (Moles, 2000, p. 86). então apreender o significado de tão importante evento em plena campanha eleitoral não será tão díficil! não é mesmo?

Bibligrafias consultadas

http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u761.jhtm

MOLES, ABRAHAM A. doutrinas sobre a comunicação de massa. In. LIMA, Luiz Costa. Teoria da cultura de massa. São Paulo: Paz e Terra, 2000, pp. 75-102.

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terça-feira, 15 de julho de 2008

NOTA AOS WEBLEITORES DESSE ESPAÇO

Prezados leitores,

Dirigo neste instante a todos aqueles que me dão a felicidade de acessar esse espaço e compartilhar comigo todos os escritos até então postados (mesmo que, às vezes, tenha me empolgado e cometido desvio da norma padrão, embora este espaço tenha si tornado um veículo público, quero lembrá-los que se trata de um diário, no qual publico todas as minhas idéias e opiniões). Então, em respeito a todos que me ouve-lêem quero avisar que estou passando por problemas estranhos as minhas vontades e, acima de minhas forças, portanto, informo a todos que em breve, poderei retormar minhas atividades normais e publicar poesia e textos que possam provocar reflexões a todos. Obrigado pela compreensão.

sábado, 12 de julho de 2008

NAS NUVENS...

Na grandeza da lua
Vejo a beleza sua
Desfilar aos meus olhos,
Que lânguidos apreciam-te.

Sob o orbe lunar passeias
Por entre sonhos infantes
A me guiar pelos campos
De lascívia a te desejar.

Nua flui entre minhas mãos
Como água que evapora
Sob o calor de verão.

Em desejo mil
Prendo-te em mim
Tal a nuvem que colhe para si
A última gotícula que insiste em fugir.


11 de julho de 2008, 00h19min.
Robério Pereira Barreto

sexta-feira, 11 de julho de 2008

O VALOR DAS COISAS E DA ARTE NO CONTEMPORÂNEO

O que se segue é um experiência realizada pelo jornal The Washington Post cujo objetivo era colocar em evidencia o que de fato é a arte para o homem contemporâneo, que na correria do dia-a-dia não se dá ao trabalho de perceber a arte fora do espaço formal, isto é, para ser apreciada por ele, a arte deve estar tutelada pelas instituições formais, museu, teatro, galeria, etc. nem que para isso tenha que desembolsar fortunas por um instante de prazer. Entretanto, isso o fará diferente dos demais, pois poderá dizer nas reuniões socais que desembolsou uma pequena fortuna para assistir a este ou aquele artistas. Mas, se este artista estiver apresentando sua arte no espaço público e grátis, não será apreciado pois não lhe assegurará nenhum status. Então confiram o vídeo com apresentação de Joshua Bell no metrô de Nova York veiculado no YouTube: Joshua Bell insubway L'Enfant Plaza in Washington, D.C. In. http://www.youtube.com/watch?v=sn6KMSq_vaE e vejam como temos visto a arte de um ponto de vista tubular, isto é, valorizamos a arte que nos é oferecida pela grande mídia, mesmo que sua qualidade seja discutível. Assim concluímos que, para ser arte e darmos valor a ela, deverá está num contexto e, sobretudo, numa bela moldura.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

POR QUE NÃO DIZER A VERDADE?

Mais uma noite na escuridão
A mente não pára de pensar:
Por que não dizer a verdade
Se nosso mundo foi construído
Sobre os pilares da sinceridade?

Diz-me, agora a verdade
E deixarei de pensar em ti!
Para, assim libertaremos
Nossos corações dessa crueldade

Por que não diz a verdade?
Do jeito que tudo mal acabou,
Sinto que jamais a verdade gritou
Quando, no leito dizia
Que era todo meu amor.

Por que não diz a verdade?
Por quê?

10 de julho de 2008, 12h35min
Robério Pereira Barreto

terça-feira, 8 de julho de 2008

CONCUPISCÊNCIA

Ouço nos seus olhos um silêncio
cujo grito é agudo, porém cônscio
de que seu brado atinge-me o íntimo do ser.

Porque a fragrância de seu corpo inunda
meus olhos de desejo cuja lascívia
faz-me violentá-la com olhos impuros.

Com mãos cuja maciez lhe faz carícias
e, consequentemente, submerge-nos à lubricidade
do desejo conflituoso, porém nos conduz ao confronto final;
em que nossos corpos ruborizados se entregam ao incêndio da paixão.

Assim, derretem-se ao som de brados infinitos
em que à união de dor e prazer soma um só corpo,
fazendo com que os fluidos da vida escorram
graciosos e voluntariamente entre os últimos suspiros de amor.

O POETA NO CEMITÉRIO CIDADE

Madrugada Silêncio...
a cidade repousa
e seus moradores dormem
em suas tumbas modernas
preparando se para o dia seguinte
no qual se protegerão de si mesmos
dentro de seus caixões blindados e motorizados.

Enquanto isso seres se dilaceram
em compasso de espera
nas esquinas e avenidas da vida
procurando guarida nos braços do mundo
que em um segundo podem lhes tirar o direito
de respirar porque ao invés de prazer sentiu dor
levando à quebra do contrato regido por olhares
perdidos em meio ao desprezo
daqueles que buscam no dinheiro o valor
da vida e também do amor
medido e pago sem nenhum rancor.

A madrugada muda inerte
testemunha ocular
não quer tais segredos revelar
pois se falasse ninguém ia acreditar
porque no cemitério-cidade
os protegidos nas tumbas e caixões blindados
se preocupam em preservarem-se da maldade
posta à rua fruto da desigualdade.

OLHOS DA ALMA

Os olhos da alma são infinitamente fundos
E por isso ao mirar-te fico tonto,
Sentindo-me confuso ante as coisas mundo.

A luz dos seus olhos, oh alma límpida!
Apresenta-se para mim
Como as cores do arco-íris
Por detrás da nuvem
De chuva na tarde de outono.


Sou um louco
Que vive
As desventuras da vida;
Sou menino
Cuja inocência revela a carência;
Homem cuja maldade
Revela ao mundo a verdade
De quão duro é estar vivo
Na selva de hipocrisia
E mais valia!

La luz
la vida sin te
no tiene sentido para mí
y…
Por eso ayunque estoy aquí!

Mis ojos mareados
soy las marcas
de la ambición!

Mas sin ti
no voy conseguí
Vivir aquí.

Ahora voy buscarte
no infinito mismo que tenga
que encuentra la oscuridad.

SEIVA DA SOLIDÃO

A solidão é água de ribeirão
Que ao ser presa na concha da mão
Dá um jeitinho e foge entre os dedos
Procurando juntar-se ao mar;
Quebras as barreiras que há.

A prisão da alma por um amor
Malfadado é tentativa vã;
Controlar a vontade da alma
É sufocar o grito do vulcão roncador.

A solidão que há aqui
Tornar-se-á um furacão no devir,
Esperando você surgir diante mim
Com sorriso maroto no rosto
E balançar faceiros nos quadris.

Isso me tornará seu prisioneiro
À espera do encontro verdadeiro
Nem que tenha que viver na masmorra,
Onde a alma alimenta a solidão
Como se rega um jasmim.

Portanto, eu não vivi até aqui
Para deixar evadir-se de mim,
Por entre os dedos como seiva de capim
Que ao ser esmagado nas mãos
Geme sufocado até o fim.

VENDEDOR DE PAIXÃO

Solitário nas esquinas e avenidas,
ou acompanhado na multidão de bares,
está o vendedor de flores,
trazendo nos braços vários amores;
perfeitos e, às vezes mais que perfeitos
são lírios e margaridas.

As flores com seus perfumes
e cores se misturam
entre os sabores das paixões reais
e aquelas cuja formosura será despertada
no desabrochar de um copo de leite.

Os corações afloram diante da poesia
aveludada da rosa vermelha
e lírio cor de aquarela
que toca alma dos amantes
mesmo em momento de querela.

Oh, preciso comprar uma paixão
Para alegra meu coração!
Cadê o vendedor de flores
Que traz nos braços novos amores?

Quero o amor mais perfeito
Que dê a esse peito o pulsar
De infante diante da emoção primeira.

(...)

Sei que se não encontrar o vendedor
Posso ficar para sempre com a dor
De um amor que aos poucos se acabou.

A LITERATURA DE MATO GROSSO NO LIMIAR DA GLOBALIZAÇÃO

“Os sábios geralmente morrem como insensatos. Os tolos, ao contrário, morrem fartados de conselhos. Morre-se de idiotice quando se pensa demais. (...) Alguns sucubem por entender tudo, e outros vivem por não entenderem nada.” (GRACIÁN, Baltasar. Não morrer de ataque de idiotice in: Arte da Prudência, 2001. 57)


Sabe-se que a literatura em Mato Grosso tem dois momentos; antes e depois da divisão do Estado. Portanto, perguntar se existe literatura em nesse Estado é uma questão importante e que precisa de discussão ampla.
Segundo o que os estudiosos têm dito a quantidade de obras produzidas antes da divisão política-administrativa volta-se, sem dúvida, para o relato historiográfico no qual destacam-se os trabalhos de Rubens de Mendonça, História da literatura mato-grossense (1970), e Lenine Povoas, História da cultura mato-grossense (1982).
Para Magalhães (2001:15) este textos são, na verdade, fruto de uma compilação historiográfica do Estado. Portanto, qualquer pesquisador que queira entender os acontecimentos na literatura de Mato-Grosso deve lê-los, pois o mérito a eles atribuído é em virtude de fazerem uma relação minuciosa das produções literárias dos séculos XVIII e XIX.
A estudiosa ainda afirma que a História da cultura moto-grossense fornece informações sobre manifestações culturais que, certamente, conduzirá o pesquisador ao conhecimento da vida na sociedade da época.
Dessa maneira, pode-se dizer que a produção literária de Mato-Grosso, antes da divisão política (1977), e o Decreto que legalizou a separação é de 1979, era um misto de arte da palavra com história. “A nós interessa compilar a história da literatura de Mato Grosso buscando enfatizar as características estruturais e conteudísticas que a legitamam enquanto diferença no cenário literário nacional.” Afirma Hilda Magalhães.

Afinal, o qual é a posição da literatura de Mato Grosso no cenário literário nacional?

Antes de responder tal inquérito, faz se necessário esclarecer qual é a concepção que se tem sobre a literatura de Mato Grosso. Para tanto, empresta-se de Hilda Magalhães o discurso que afirma que é “literatura mato-grossense os textos escritos por autores que nasceram em Mato Grosso ou que nele residem (ou tenham residido), contribuindo para o enriquecimento da cultura do Estado.” (Magalhães, 2001, p. 18).
Com efeito, lembra-se que o pensamento da pesquisadora ao falar de literatura mato-grossense está baseando ainda no Estado indiviso, isto é, o Mato Grosso anterior à década de setenta.
A produção literária mato-grossense ainda não tem se mostrado suficiente para faz parte do cânone nacional. Contudo, tem se mostrado como elemento de compreensão das transformações da(s) cultura(s) do Estado. “(...) Quanto à variedade da produção literária mato-grossense, evidenciando a sua importância, enquanto diferença, no contexto literário nacional” pode-se dizer que responde às expectativas regionais.
De sorte que temos hoje, nomes que representam os Estado em concursos nacionais, tendo sido ganhador de prêmios importantes autores como: Hilda Magalhães Dutra, Aclyse de Matos, Lucinda Persona, etc.
Numa tentativa de responder a pergunta desse tópico, afirma-se que, a partir de 1970, foram desenvolvidas ações governamentais, cujo objetivo era criar e intensificar políticas que visassem o crescimento econômico do Estado. Dessa maneira, viu-se em um grande movimento migratório, destacando nesse contexto, o fluxo migratório do Sul, especialmente, sulistas.
No que se refere à cultura, comentar-se-ia que, nesse período a literatura e a cultura em geral tiveram grandes produções, porém foram suplantadas pela questão econômica, a qual deu ao Estado destaque no âmbito nacional. Tudo isso pode ser tributado ao “maciço investimento nos latifúndios, ao mesmo em que pequenos proprietários, sem acesso a financiamento, foram condenados ao empobrecimento” (Siqueira. 1990:196 apud Magalhães, 2001, p. 225).
Para Magalhães (2001:226), após a divisão, o Estado viu um momento de efervescência cultural, tendo no teatro um instrumento de divulgação social. Assevera-se ainda que nesse período surgiu também a criação da literatura infanto-juvenil. Ademais, apareceram produções poéticas que tinham, ou melhor, tem preocupações com os temas que universalizam a questão fundiária. (ver Matrinchã do Teles Pires, de Luiz Renato Pinto), bem como temáticas universais, por exemplo; o erotismo, a metalinguagem e os emblemas da pós-modernidade.

A arte regional na pós-modernidade

Na era digitação e na globalização, ainda é possível se pensar em arte regional? Bem, isso é uma questão reconhecidamente complexa, mas é passível de um consenso. Pois, José Nogueira de Moraes afirma que o termo regional é inadequado para a produção artística, visto que o significado que a arte e a literatura transmitem tem caráter universal.
Nesse mister, Nelson Brissac corrobora ao dizer que:

“Para artistas brasileiros contemporâneos, vivendo em metrópoles onde as arritmias da produção industrial e dos sistemas de comunicação são mais gritantes, nacional não se define pelo que se tenha de mais brasileirinho. Mas pela capacidade de tirar partido de uma condição especifica no concerto das contradições internacionais, operando as diferenças, os intervalos e as desproporções no interior do sistema, que às vezes aqui se fazem mais evidentes. (Brissac, 1996: 5-7) Apud Souza, 2001, p. 107).

O quadro poético de Mato Grosso, basicamente, está centrado nas questões apresentadas pelo articulista, sendo que o elemento responsável por isso, pode se dizer que ainda é e está relacionado com os acontecimentos políticos do fim da década de setenta – investimentos na construção de estradas e meios de comunicação fizeram a ligação das regiões do Estado e, também com o centro sul do país.
Para Bissac (1996:5-7), Os artistas ao produzirem suas poemáticas atuam como sujeitos ativos, que conseguem mesmo que deslocado do centro, produzem temas de caráter universais. Então, ouve-se o que ele nos disserta sobre a questão:

“Esses artistas indicam como alguém, embora localizado, conseguem ser universal. Situação que nada tem a ver com o apego a um lugar, a raízes provincianas. Trata-se de uma posição geográfica, uma inserção no mapa dos blocos e fluxos mundiais. Aqui, a geografia substitui a história, que fundava a tradição. No mundo da circulação generaliza, do predomínio da informação, não se tem mais passado. Apenas uma pontuação geométrica num campo sem profundidade. Onde tudo é movimento. Dinâmica que tende a abolir toda posição referencial, a convenciona relação centro periferia.” (Brissac, 1996: 5-7) Apud Souza, 2001, pp. 107-8).

A literatura de Mato Grosso absorveu nas últimas décadas alguns aspectos da pós-modernidade. Em uma palavra, temos em nossa produção poética; temas que tratam desde a epifânia (Lucinda Persona – Sopa Escaldante) até poema processo (Aclyse de Matos), que os coloca em posição de vanguarda na arte local.

Bibliografias

MAGALHÃES DUTRA, Hilda Gomes. História da Literatura de Mato Grosso: Século XX. Cuiabá: Unicen Publicações, 2001.
PEIXOTO, Brissac Nelson. Arte brasileira na era da globalização. In: Cultura Brasileira figuras de alteridade. Org. SOUZA MELO, Elaina Maria de. São Paulo, Hucitec, 1996, pp 107-12