quarta-feira, 30 de abril de 2008

ANOITECI EM VOCÊ

Naquela noite...

O amor tomou conta do meu céu
Ao tê-la em mim por instantes mil,
Quando deixamos cair o véu
Que nos cegava a paixão.

Sem ti em aqui
Cerro os olhos
Para voltar àquele momento;
Quando em gritos éramos
Levado ao prazer infinito...

Livres, porém distantes
Retorno aos instantes
Em que sua boca suave
Deliciava a mim como...

30 de abril de 2008, 12h19
Robério Pereira Barreto

domingo, 27 de abril de 2008

RASTRO DE MIM

Como a aranha que deixa
Nos fios da teia
Parte de sua vida...

Este ser deixa no caminho
Por onde passa rastro
Pensando em retornar um dia
À paixão cheia de galardia,
.

Então, o coração em arritmia
Descompassadamente marca
A hora do reencontro...



27 de abril de 2008, 20h41
Robério Pereira Barreto

DEPOIS DA PARTIDA

Qual beija-flor na primavera
Saboreia a vida da flor
Osculei sua boca
E trago comigo seu sabor...

Entre as muralhas da separação
Há em mim um pouco de ti
Porque insone fecho os olhos
E a tenho no fundo na memória.

Agora, restam-me as horas
Que nos separam do crepúsculo
Nevoento à brilhante e cheirosa aurora.

Boca e olhos fechados degustam
Nossos últimos momentos,
Quando entre medo e volúpia
Éramos apenas almas juntas.

27 de abril de 2008, 10h55
Robério Pereira Barreto

sábado, 26 de abril de 2008

MÓRBIDO DESEJO

Moribundo e perdido na (in)maginação,
O silêncio ecoa gemidos fúnebres da alma,
Levando o corpo à contrição.

(Des) pedaçado pelo vento do devir
Que sopra labaredas fumegantes;
O cadáver nu é chamuscado pela
Indiferença da in(decisão)
Impossibilitado não reage, chora.

No relento da solidão
Queima-se em lágrimas
Como se fosse vulcão
Chorando a dor da seperação.

A maresia que cai aumenta
As chamas da (dês) ilusão.

Mórbido desejo, ou dor da separação?

26 de abril de 2008, 00h31
Robério Pereira Barreto

sexta-feira, 25 de abril de 2008

PRECARIEDADE...


Por detrás de clara lua
Escondem-se fantasmas
Que flutuam na escuridão...

No labirinto da mente
Voam cacos de mim...

Solto no espaço negro
De esse meu singelo existir,
Fios de negrura do devir
Reluzem na imensidão...


25 de abril de 2008, 22h56min
Robério Pereira Barreto

quinta-feira, 24 de abril de 2008

FIOS DE NOITE

FIOS DE NOITE

No lugar da letargia
Depois de mais um dia
Em que a dura lida
Era suportada na
Esperança de te encontrar
Com sorriso manhoso...

Tenho uma vigília constante
Acompanhada de imagens,
Sabores e cheiros seus,
Fazem de o coração ser pulsante.

Agora, estremecido na cobiça
De seu carinho e aconchego,
Os fios da escuridão são
De mim mesmo minha comiseração.

Entorpecido pelo negrume da noite
Reclamo a mim mesmo a falta de ti
Pedindo: aplacar minha insone ilusão
Com sua meiguice consideração;
Beije-me até a exaustão.

24 de abril de 2008, 00h10min.
Robério Pereira Barreto

quarta-feira, 23 de abril de 2008

SONO INVADIDO

INVASÃO

Nesse momento, enquanto vejo no rosto
As marcas da noite anterior,
No espelho sua imagem toma meu espelho
Como se me dissesse: Eis me aqui novamente.

Não, não é verdade...
Você continua a me seguir
Essa noite não me deixou dormir
Invadiu meus pensamentos
Fazendo-me um zumbi...

Dê-me uma razão para estar assim
Ou melhor, me diga qual mal lhe fiz
Porque quero nesse momento apenas ser feliz.

Se lhe falei algo
É porque simplesmente lhe quis
Em meus abraços para beijar...

Mesmo que pareça infantil
Não há razão para seguir
Meus pensamentos
Me deixando assim...

23 de abril de 2008, 09h11
Robério Pereira Barreto

ERROS

FOI ASSIM...


A cada manhã procurando meus erros
Escritos nas linhas amassadas do lençol
Depois de uma noite sem dormir,
Olhando a estrelas e a lua sobre mim.
Foi assim... aqui estou...

No rosto estão as marcas da espera
Todo olhar voltado à porta.
Insone a noite inteira espreitando-te
Não veio, só judiou de mim.

O corpo chamou por ti
E em silêncio latejante,
No mais alto dos gritos infames
Calou o tambor do peito...

Padecendo de carinho toda a noite
Mantive meus pensamentos em ti
Tirando do tecido a maciez
Que queria tira da sua pele.
Não veio, só judiou de mim.

Derrotado, fiz do lençol Confessor
Que na balburdia do meu delírio;
Ouviu-me sonolento fazer promessas
De que se um dia nos encontrarmos
Não haverá razão que me segure
Amar-te-ei sem reservas seja
Onde estivermos...
Foi assim... aqui estou...
Não veio, só judiou de mim.

23 de abril de 2008, 00h44
Robério Pereira Barreto

terça-feira, 22 de abril de 2008

MALINO OLHAR

FULMINANTE OLHAR

Ao seu lado sinto medo
Porque desejo seu beijo
Em demasiada alegria.

O coração em arritmia
Se derrete ante este olhar
Ingênuo e fulminante...

Em volúpias mil
Sinto-me infantil a cobiçar
Um afago nesse regaço...

Em transe engulo ar ardil
E sigo vagante na aspiração
De tê-la ao menos num instante
Nem que para isso fique febril.

22 de abril de 2008, 16h43.
Robério Pereira Barreto

BELEZAD DE...

SINTO APENAS...

Neste imenso lugar
Sinto a falta de ti
Com esse matreiro olhar
Esgarçando-me em desejos...

E, por detrás da cortina branca
A cair do céu cobrindo-lhes
Ombros e cândida face,
Sobressai uma beleza deslumbrante.

Com formosura vibrante
A desabrochar naturalmente,
Amanhã se esforça na sua lindeza
Para alinhar-se a ti.

Tristeza e felicidade me fazem
Acordar olhando para o céu,
Esperando a caída do véu
Que cobre sua face e lábios de mel.

22 de abril de 2008, 13h
Robério Pereira Barreto

domingo, 20 de abril de 2008

AMOR NAS ALTURAS...

CAMA DE LUA.

Gosto de sentir os fios da lua
Roçando minha face como
Suas mãos suavemente nuas
Desciam em frenética maestria
Para encontrar abrigo em meu
Peito ofegantemente sem jeito.

Encabulado, porém gostando
De tamanha ousadia
Deixava a timidez ao vento,
Para tomá-la nos braços
E sob pingos de lua subtrair
Dessa beleza láctea o prazer
Num beijo demorado.

Depois de embebedado por ti
De forma sublime e crua
Desfaleço nos lençóis de cristais
Que cobrem a cama do universo
Na qual esse amor se perpetuará.


20 de abril de 2008, 22h45
Robério Pereira Barreto

COMPLEIÇÃO...

COMPLEIÇÃO
Posso ver e sentir
Seus braços aqui
Acariciando-me a tez
Em chama...

Depois de amá-la
Sonolento, fico sem voz,
Ouvindo sua aveludada
Fala acalentando esse exausto corpo.

Como recompensa
Entrego-me às suas mãos
Que enxuga o suor...

Em febre delirante
Convido-lhe a amar
Em paixão vibrante...

20 de abril de 2008, 19h27
Robério Pereira Barreto

SINA GUIA

SINA GUIA

Que a vida me guie
Ao encontro de algo
Ao qual certamente confie.

Nessa caminhada quero a luz
Que, como a paixão me leve
Me ceguei diante dessa beleza
Magistral de seu espírito flui.

Afogar-me-ei na secura da ilusão
De um pode ter a ti
Ofegante sobre o meu coração
Depois de amar-te de montão.

Lânguidos, olhos brilham
Como se fosse derreter
A escuridão...

20 de abril de 2008, 00h47
Robério Pereira Barreto

sábado, 19 de abril de 2008

Seria a Iracema do sertão?

BELA DO SERTÃO

Negros e belos olhos
Enfeitam-lhe a face cor de jambo
Emoldurada por essa boca
De lábios carnudos, macios
E doces tal caju colhido no pé.

Cabelos negríssimos
Cobrem-lhes delicado
E perfumoso pescoço
Por onde deslizo desfaço-me
Em maliciosas carícias...

Embriagado na simplicidade
De sua beleza coração pulsa
Porque a desejo...

Em desatino peço
Mais que carinho, Você!

19 de abril de 2008, 23h52min.

LIED

NARCÍSEA

Envolta na teia cristalina da lua
Caminhas pela noite iluminada,
Levando na bagagem mente
As saudades da gente.

Na aresta da avenida infinita
Há figuras desenhadas a pincel
Na tela da escuridão vibrante.

Coberta pelo globo de néon
Mimetiza-se na escultura fria
De luzes a confundir os passantes
A fitarem lhe de olhos vibrantes.

Perdida na vasta beleza de si
Como Narciso, passeia a esmo
Admirando-se no devir.

20 de abril de 2008. 22h32min
Robério Pereira Barreto

quinta-feira, 17 de abril de 2008

OBTUSA LUCIDEZ

Nos fios de lua
A mente vaga na rua.

A procura de si
Perambula na imensidão,
Carente isola-se na claridade
Que a faz demente.

Ofuscada pela lucidez da vida,
Entregar-se a leviandade
E Renegar a verdade:
Ora, chegou-se ao fim.

17 de abril de 2008, 08h08
Robério Pereira Barreto

quarta-feira, 16 de abril de 2008

BANQUETE

Em noite de amor em babylon
Corpos desfiam em suas peles
Carinhos que provocam arrepios
Como se fossem nylon.

Em movimentos frêmitos,
Bocas e braços entrelaçam-se
Em energia contagiante.

Absortos no prazer do encontro
Recolhem-se aos desejos,
De outrora escondidos na inocência.

Livres, a ingenuidade perde-se
Em meio aos sabores do banquete
Oferecido pela noite em que
O prazer suplanta saudade e dor.

Robério Pereira Barreto

POEMA NO VALE

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POEMA NO JORNAL

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domingo, 13 de abril de 2008

MÍDIA DE MASSA: O CORO DA TRAGÉDIA MODERNA

Neste ensaio, discute-se brevemente o poder da mídia de massa em fabricar consenso, adiantar-se a seu modo aos episódios, criando juízos de valores diante de acontecimentos cotidianos das metrópoles, crimes. Isto é, refere-se nas linhas a seguir a cobertura que a mídia, sobretudo, a imprensa televisiva de massa tem dado ao "Caso Isabella" – criança que morreu após ser encontrada no jardim do prédio onde morava com o pai e madrasta - ocorrido recentemente em São Paulo.
Sabe-se, portanto, que o papel da mídia na sociedade contemporânea é informar, pois estamos numa democracia cujo princípio é fazer com que o público, por meio dos meios de comunicação tenha acesso aos acontecimentos de maneira livre e imparcial. Entretanto, o que se viu nestes últimos dias nos telejornais foi um verdadeiro coro trágico, isto é, fez-se do ocorrido uma comoção nacional, (quantas Isabellas não morrem diariamente de fome, doença, miséria,etc., inclusive quantas não se foram recetemente de dengue no Rio de Janeiro) devido às interpretações e entrevistas controvertidas, ou seja, cada agente de fala ao se posicionar de seu lugar de discurso (polícia, promotor, advogados de defesa) contradiziam-se e neste labirinto de discursos a mídia de “grande consumo” acabou fabricando um consenso para o telespectador; a criança foi assassinada... a partir da fala da autoridade - promotor de justiça - tudo já está esclarecido, porém este discurso é desfeito pela fala da policia técnica quando afirma que ainda falta concluir os exames e laudos.
Destarte, estas contradições discursivas levaram a mídia de massa à exaltação de tal modo que, num processo catártico as pessoas nas ruas reproduzem a opinião dos apresentadores de telejornais como se estes fossem autoridades, levando ao acontecido tom de tragédia. Para Charaudeau, desse tipo de fato resulta que, “por efeito de retorno, as mídias são levadas a tomar posição sobre o que deve ser a informação, sobre a maneira de tratá-la” (CHARAUDEAU, 2006, P. 13).
Para Aristóteles em sua Poética, a tragédia se caracteriza por ser:
“... imitação de uma ação de caráter elevado, completa e de certa extensão, em linguagem ornamentada e com várias espécies de ornamentos distribuídas pelas diversas partes (do drama), (imitação que se efetua) não por narrativa, mas mediante atores, e que, suscitando o terror e a piedade, tem por efeito a purificação dessas emoções.” (ARISTÓTELES, 1973:447).
Desse modo, há no discurso da mídia a promoção intencional da catarse aristotélica, a qual consiste na purificação, na moderação, na sublimação dos dois sentimentos mais característicos da tragédia: a compaixão e o terror. Sendo que, estes elementos são introduzidos no inconsciente coletivo pelos apresentadores de jornais de “grande consumo” de tal maneira que, mesmo sendo, ou não culpados pelo ocorrido, os “pais” já foram julgados e condenados pelo tribunal popular.
Evidencia-se assim o que Foucault considerou em seu livro Ordem do discurso (1971) de possibilidades de se atingir “o núcleo interior e oculto” do receptor por meio de um discurso, no qual existem probabilidades para que, neste lugar de fala se posicione o manipulador ante as deficiências do manipulado, espectador.
Este tipo de mídia conforme Charaudeau (2006, p.18) há o intento “em declarar sua intenção, a qual é somente através da vítimação e do engodo que se pode concluir que existe uma manipulação”. Isto mostra o quanto à imprensa de massa tem poder sobre aqueles cuja ignorância é marca de sua identidade, uma que vez o papel da imprensa é transmitir e informar um saber a quem supostamente não o possui e não aproveitar desse expediente para promover a catarse, levando a uma espécie de prazer trágico por meio da massificação das controvérsias das falas, as quais são produzidas por sujeitos que se posicionam apenas de seu lugar de fala, jornalistas interessados em vender notícias.
Para Charaudeau isto acontece por que a informação ganha status de produto de consumo e que ofertar primeiro no mercado da comunicação, o torno
“... mais forte quanto maior é o grau de ignorância, por parte do alvo, a respeito do saber que lhe é transmitido. Assim sendo, a informação midiática está diante de uma contradição: se escolhe dirigir-se a um alvo constituído pelo maior número de receptores possível, deve basear-se no que se chama de “hipótese fraca” sobre o grau de saber desse alvo e, logo, considerar que ele é pouco esclarecido. (Idem).
Para atingir esse nível, os agentes de comunicação usam linguagem afetiva, visando um retorno, porque elas não transmitem o que ocorre na realidade, são suposições, porém, se o fizessem não asseguraria a atenção dos espectadores. Assim sendo, pode-se afiançar que o “Caso Isabella” se tornou mais um espetáculo na mídia de grande consumo, colocando em xeque a capacidade das instituições do estado em se posicionar em tempo real do que reportar de um acontecimento estarrecedor.
Referências
FOUCAULT, M. Ordem do discurso. São Paulo: Graal, 2000.
CHAREAUDEAU, Patrick. Discurso das mídias. São Paulo: Contexto, 2006.