quinta-feira, 2 de agosto de 2007
quarta-feira, 1 de agosto de 2007
VEREDAS DA VIDA
No meu sertão solidão
ando em desatino
A cada novo passo
sou espetado pelas
onde o dia se confunde
dando me a morte por certo.
Eis que surgiu você
lá estão as veredas
de onde brota do seio da natureza
a sangue que dá vida
As palmeiras da esperança,
as dores e feridas sofridas na caminhada,
sempre há veredas no deserto da solidão.
Robério Pereira Barreto
01 de agosto de 2007. 22h48min.
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8/01/2007 10:37:00 PM
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MORIBUNDO

MORIBUNDO
(Robério Pereira Barreto)
Que os raios amenos
dessa última aurora de primavera
aqueçam-me meu rosto;
Tal o beijo do amante
na face rubra da donzela
ao ser surpreendida na janela;
Que o sol dessa manhã
Mantenha-me vivo,
embora meu semblante
sinta-se morto
e meu espírito moribundo;
Que o torpor do meio dia
dispa-me o corpo com galhardia,
deixando-me exposto às feridas...;
Que as margaridas
no canteiro solitário da avenida
exponham-me sem medo;
O precipitar da tarde
leve-me ao encontrar da liberdade...
entretanto é no crepúsculo
que mais final maldito se anuncia.
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8/01/2007 10:30:00 PM
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PRA TODA VIDA
PRA TODA VIDA
(Robério Pereira Barreto)
Seus beijos?
jóias impossíveis de comprar...
prêmio o qual
fui feliz em conquistar
Seu corpo?
Monumento que pude
Sem pressa escalar.
Sua voz?
Hino que meus ouvidos
Aprenderam a apreciar
Seus passos?
Avenida pela qual
Segui a caminhar.
Seu amor?
Tesouro que aos poucos
Aprendiz a conquistar.
Você?
Mulher que todas
noite busca feliz
para amar.
01 de agosto de 2007, 22h16min
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8/01/2007 10:17:00 PM
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JANGADA
(Robério Pereira Barreto)
O coração?
uma jangada
lançada ao mar revolto da paixão
a cada amanhecer...
As ondas furiosas
lhe faz sofrer
a dor da separação.
Forte resiste às procelas...
quase incólume
volta à praia da razão.
Porém traga consigo as cicatrizes
Da solidão e instantes sem amor.
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8/01/2007 09:57:00 PM
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A INVASÃO DOS SILICONES
Se pudesse seria mais um a maltratá-los, dando lhes esbarrões e amassos nas concentrações dos blocos e escolas de... Em minha direção surgem com tanta exuberância que parecem me convidar a cair na folia, Resisto!
Eis que penso: Puxa! Como seria o carnaval, ou melhor, as mulheres sem o “amigo do peito e bundas” modernas, silicone? Nossa! Não quero nem pensar. Certamente seria “depressão” total. Talvez isso fosse bom para os “pênis-espectadores” solitários, pois o “Estado democrático de direito” não seria desrespeitado e não teríamos em apartamentos e casas-cemitérios justiça feita pelas próprias em nome de uma representação ideal de mulher. E a manhã como vou olhar para as minhas vizinhas cujas partes siliconizáveis não são mais aquelas coisas? Socorro! Meu “pênis-espectador” carregará um trauma que nem Freud poderá salvá-lo. Socorro! Eles estão em toda parte! Que poderá salva meu “pênis espectador” da invasão dos silicones rebeldes?
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8/01/2007 09:45:00 PM
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INFLA DOR
(Robério Pereira Barreto)
No meu peito
o coração infla,
causando-me dor infernal
ao recordar do instante nupcial
que entre as juras...
o amor nos fez únicos
em nossa latitude de prazer.
Agora, sinto dores
tentando dizer:
tudo se passou
não quero mais sofrer.
cada pulsar do peito
faz-me sombrio
entre dores mil;
minha alma escorre no vazio.
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8/01/2007 09:31:00 PM
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DO COLO À CIVILIS: “DIALÉTICA DA COLONIZAÇÃO”
O conceito de cultura é usado com acepções múltiplas, desde a mais simples e abstrata até a mais complexa e abrangente. O mesmo ocorre com termo identidade, sobretudo quando é levado ao plano cultural e lingüístico.
Nesse ensaio, busca-se discutir o primado da cultura a partir da ótica da colonização, tendo como recorte os acontecimentos ocorridos nas três últimas décadas na sociedade mato-grossense. Para isso, toma-se como referência o pensamento de Alfredo Bosi, em Dialética da colonização, através do qual se toma conhecimento a respeito dos conceitos de cultura empregados para designar as relações do homem com a sociedade atual.
Toma-se aqui de empréstimo do latim, colo que, segundo Bosi (1996, p.11), na língua de Roma, “eu moro, eu ocupo a terra, eu trabalho, eu cultivo o campo” o que se aplica à nossa realidade representa bem o movimento dialético ocorrido na comunidade mato-grossense nos últimos decênios. Ou seja, viemos para cá sob perspectiva do colo no sentido literal do termo.
Os fatos e a história do Estado dão-nos conta de que houve de maneira seqüencial “o deslocamento que os agentes sociais fazem do seu mundo de vida para outro onde irão exercer a capacidade de lavrar ou fazer o solo alheio. O íncola que emigra torna-se colonus”, pondera Bosi. Isso é um continuum no Estado porque há um crescimento da economia o qual é noticiado pela a imprensa nacional, atraindo assim a cada dia, centenas de migrantes em busca de melhores condições de vida, muito embora tragam pouco a oferecer (mão de obra nem sempre especializada) à sociedade local em termos culturais, artísticos, sociais e humanos, uma vez que o conhecimento acumulado que trazem consigo, já vem a serviço da exploração. Entretanto, “A colonização dá um ar de recomeço e de arranque a culturas seculares”. (Bosi, 1992, p.12).
Para Ferreira Gullar “o novo é para nós, contraditoriamente, a liberdade e a submissão” se se quer entender isso como iniciação ao processo dialético da colonização, observa-se, então como os nativos têm reagido às interferências das correntes migratórias no processo cultural do Estado; são indiferentes num primeiro momento, noutro agressivos. Contudo, não resistem às pressões sócio-econômicas dos migrantes e acabam deixando-se suplantar, até porque a força da corrente migratória é hibrida e, portanto, dilui-se, evitando ser atacada em suas bases.
É por isso que “a colonização não pode ser tratada como uma simples corrente migratória: ela é a resolução de carência e conflitos da matriz e uma tentativa de retomar, sob novas condições, o domínio sobre a natureza e o semelhante que tem acompanhado universalmente o chamado processo civilizatório”. (Bosi, 1992, p. 13)
Na verdade, a colonização vai aos poucos se construindo através das forças simbólicas, as quais são mediadas pelo Estado com o apoio dos meios de comunicação de massa. No caso específico de Mato Grosso, essa força foi mediada pelo próprio sistema, ou seja, foi a partir da década de setenta, que o Governo Federal incentivou a migração para o centro-oeste. Com isso, teve-se uma “invasão de íncolas” cujo objetivo era fazer a dominação dos naturais e, consequentemente, empregar tanto na terra quando na sociedade locais; hábitos e costumes advindos de suas origens. (veja-se o exemplos dos gaúchos, paulistas, paranaenses e nordestinos) que tomaram posse em diversas regiões do Estado, transformando-as em colônias para de modo simbólico manter suas tradições e origem. Portanto, “A colonização é um projeto totalizante cujas forças motrizes poderão sempre buscar-se no nível do colo: ocupar um novo chão, explorar os seus bens, submeter os seus naturais.” (Bosi, 1992, p. 15) tem razão em afiançar isso de maneira sistemática.
O colonizador vê o nativo como sujeito incapaz de promover as mudanças que ele supostamente as fariam se no seu lugar estivesse. Ainda no plano do empréstimo do latim, mudando-se, portanto de categoria gramatical; supino de colo chaga-se a culturus aqui tomado com significado amplo: Cultura é o conjunto das práticas, das técnicas dos símbolos e dos valores que se devem transmitir às novas gerações para garantir a reprodução de um estado de coexistência social. A educação é o momento institucional marcado do processo. (Bosi, 1992, p. 15) Encontra-se no pensamento do autor, algo importante a ser dissecado antes de continuar a discussão, trata-se da “reprodução de um estado de coexistência social.” Isso bem entendido leva-se à percepção do por que de haver tantos centros de tradição espalhados por ai. Na realidade, esses centros tentam em sua manifestação, a busca de sua identidade, a qual já esta hibridizada e, por isso, é buscada por meio de símbolos que revelem seu poder de dominação; saber é poder, conforme dizia Francis Bacon. Será isso um reflexo da civilização cultural pós-modernidade?
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8/01/2007 09:26:00 PM
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“É NÓIS NA FITA!”: DA CADEIA À MÍDIA
Sabe-se que a papel da fala é a comunicação; através da qual se faz a difusão de idéias entre sujeitos da comunidade lingüística; a expressão mediadora da linguagem verbal por meio da qual se institui um sistema de significações usado pelos falantes em determinado contexto para expressarem suas identidades. Portanto, a comunicação é, de fato, o critério básico a vivencia em sociedade.Desde tempos mais remotos até hoje foram variadas as maneiras de interações sociais promovidas diálogo. Essas formas coligiram inúmeras manifestações de linguagens, sejam verbais ou artísticas, sendo que ambas se interligaram para garantir a manutenção da cultura e das ideologias construídas em determinados momentos, garantindo assim o continuum raciona e intencional das experiências humanas.
Vygotsky (1993) ao trabalhar com a linguagem produzida pelas crianças; percebeu que desde tenra idade constrói e requer significado para sua produção lingüística, uma vez que elas atuam no plano da simplicidade. Assim, “o mundo da experiência precisa ser simplificado a fim de que a comunicação torne-se, de fato, possível, pois a experiência do indivíduo encontra-se apenas em sua própria consciência e é, estritamente falando que o sujeito é aceito e reconhecido pelo grupo. (grifo meu).
O pensamento identitário presente no discurso das massas da periferia há rompeu com as barreiras sociais e culturais das classes média e rica do país. Exemplo disso foi música (samba, funk e hip hop) que desceu o morro para fazer sucesso no asfalto. Agora, tem-se nas casas de todo país, programas de televisão que, ideologicamente, transformou a alocução do “homem do povo” em produto consumo, bem como a forma de falar e vestir, antes marginal, agora moda na novela “Vidas opostas” da Rede Record de Televisão, exibida semanalmente no horário “nobre” das famílias brasileira.
A novela sugere no título as oposições vividas por pessoas de classes sociais diferentes, incluindo-se ai ainda a questão étnica muito presente nos discursos dos personagens. É interessante destacar que, no núcleo pobre da novela estão subliminarmente discutidos problemas reais os quais fazem parte do cotidiano dos moradores das favelas cariocas e, por conseguinte, do país. Então é ai que começa a disseminação de uma produção lingüística que, para muitos se tornou uma afronta aos princípios da língua nacional, gírias.
Assim sendo, é a partir disto que se verifica a migração das gírias tanto da periferia para a classe média quanto das ruas para a mídia; o inverso também é verdadeiro. Para tanto é interessante que se veja com maior atenção um capítulo de “vidas opostas” para se perceber como a mídia vem reificando o discurso da marginalidade como se este fosse o código genético de todos os moradores das periferias brasileiras.
A metonímia do cidadão marginal da periferia é o personagem Jackson da referida novela, que mantêm sob seu controle uma favela inteira, denotando ai o poder da organização criminosa na periferia brasileira. (Pena que a população não consegue ver que em Brasília tem vários Jacksons praticando crime, porém usando outro vocabulário).
Tem-se neste recorte, a exposição da gíria (fr. argot) no cotidiano graças ao alcance da mídia televisiva através da qual se estigmatiza palavras do falar restrito a determinados grupos sociais promovendo assim à rejeição das identidades dos que convivem no mesmo ambiente, e por alguma razão não as usa como freqüência. Para Dino Preti “as gírias são resultantes da agressividade natural desses vocábulos às instituições.” Nesse plano de hostilidades estão crianças e adolescentes de todas as partes do país, inclusive daqui, sertão baiano, reproduzindo discursos apreendidos através das falas do personagem traficante “Jackson” sem ao menos saberem que se trata de expressões marginais cujo ambiente é a cadeia. Então, seria interessante que os pais percebessem isso para evitar que seus filhos usassem expressões que não correspondem a sua identidade cultural tampouco lingüística. Eis mais “agá” da mídia de comunicação de massa! “Já é”! “vou pegar o cabrito pra da um rolé porque como meu era nenhum enquadro a cavala.
Com essas e outras expressões é que a novela “Vidas opostas” segue seu curso, promovendo a disseminação de palavras cujo usuário é oriundo da cadeia. Portanto, é interessante não afirmar que nas periferias do país é assim que se fala, porque não é verdade.
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8/01/2007 02:10:00 PM
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sábado, 28 de julho de 2007
“ABENÇOADO” HORIZONTE DA FÉ ELETRÔNICA
As linhas que se seguem, buscam o entendimento da expansão da fé por meio da mídia televisiva, a qual ocupar lugar privilegiado em várias grades televisivas, sobretudo, nas veiculadas nas manhãs de sábado. É interessante notar ainda que, neste dia, das 7 às 10 horas da manhã, há acerca de 10 emissoras de televisão com programa religioso ou afim, o olhar aqui presente é seguindo a programação distribuída por emissoras abertas; via antena parabólica ou não.
Dessa maneira, parte-se do pressuposto de que a televisão transformou o modo de como o homem comum tem visto a cultura, a sociedade e, sobretudo, a fé. Esta é oferecida além templo, ou melhor, o mundo transformou-se em santuário graças ao alcance dos satélites que, associados a elementos retóricos e psicológicos presentes nos discursos dos pastores, verdadeiros animadores de auditório, consegue conduzir uma massa ignorante ao um universo cheio de fantasia e sedução no mercado competitivo da fé. (veja-se a aberta concorrência por fiéis).
Por um lado, tal questão é compreensível quando vista sob a ótica da modernização das igrejas tanto no plano da evangelização quanto nas inovações das metodologias usadas pelos pastores, os quais evoluíram ao epíteto de "pastores eletrônicos", com discurso e estratégias de convencimento próximas à publicidade. Por outro, se tem ai a subjetividade divina que vai ao encontro da “estupidez das massas, vítimas da mídia” (Baudrillard, 2005, p. 42) de consumo que transforma a crença do povo em produto de degustação a qualquer preço e hora.
No mercado religioso, esta prática há muito ultrapassou o limite do bom senso, uma vez que se criou um “hiperespaço” no qual tudo parece mais verdadeiro que a própria “verdade” da fé.
Para Baudrillard (2005) é através da tela que se promove o falso ao status de verdadeiro, tamanha a evolução realizada pelos meios de massa. Assim é possível compreender o porquê de tudo que é levado à tela religiosa ganha credibilidade instantânea, isto é, “a informação é mais verdadeira que o verdadeiro por ser verdadeira em tempo real”. (idem, p. 45).
O filósofo francês ainda adverte sobre as variadas dimensões que informações religiosas podem tomar no hiperespaço construído pela mídia devota. “as coisas não têm mais uma, duas ou três dimensões: flutuam numa dimensão intermediária. Logo nada mais de critérios de verdade ou de objetividade, mas uma escola de verossimilhança.” (op. cit.).
Nesta perspectiva, o pensamento de Baudrillard materializa-se nos testemunhos dos fiéis diante das câmeras, às vezes, chegam a forçar uma situação no sentido de se fazerem presentes e, por conseguinte, ter seu momento de fama, integrando a partir disso, o grupo das “celebridades de Deus”. Então, não é por acaso que a fé é colocada à mostra; transforma-se num produto em promoção à qual a maioria das pessoas não teria acesso senão através da intervenção da mídia. Com isso, se percebe a existência de uma realidade econômica nas pregações dos “pastores e padres eletrônicos”, uma vez que nos intervalos comerciais dos cultos, os responsáveis apresentam seus cardápios de produtos religiosos – livros, revistas, Cds e Dvds além do tradicional dízimo – é tudo em nome e graças ao Senhor. Então, ninguém que deseje alcançar os píncaros da fama-salvação – testemunho ao vivo – pode se furtar de oferecer uma quantia significativa, ou uma história de fracassos pessoais e econômicos para servir como “tragédia na tela da fé” que será simulada por atores cujo desempenho dramático e estético é bastante questionável. Resta, pois, à massa ignara deixar-se seduzir por discursos verossímeis ideologicamente preparados por equipes especializadas em marketing e publicidade do Senhor.
Bibliografia consultada.
BAUDRILLARD, Jean. Tela total: mito-ironias da era virtual e da imagem. 4. ed. Porto Alegre: Sulina, 2005.
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7/28/2007 11:25:00 PM
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CICATRIZES
(Robério Pereira Barreto)
O amor é ferro em brasa
ao tocar o coração fere-o,
deixando marcas na alma para sempre.
Sempre feridas ficam abertas;
indeléveis ou latejantes
por mais que tente,
a gente jamais as esquece.
O tempo se encarrega de aos poucos
transformá-las em cicatrizes
Que do corpo saltam à alma
sem pedir licença...
A cada toque involuntário,
sem clemência
doe como se fosse à primeira vez.
Infinitamente, há na gente
as cicatrizes do amor
que por algum motivo não vingou...
Agora, a constância de um coração teimoso
pulsando insiste em dar prova de que ainda está vivo.
Faz-se duro como o aço,
mas derrete-se ao ser lançado
às brasas da paixão de outrora.
em 01 de agosto de 2006, 22h 15min
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7/28/2007 03:11:00 PM
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ARQUEIRO DO AMOR

ARQUEIRO DO AMOR
Ao dardejar o olhar na sua direção
a tua indiferença dá sinal de que
a sua vaidade só aumenta o meu desejo
e, assim, me esmero para acertar-lhe o alvo,
para não lhe dar chance de proteger o coração.
Como arqueiro do amor
busco na penumbra de seu olhar
um fio de luz que me guie
entre os meandros de sua alma obscura,
para que, com a precisão de um cirurgião
possa o alvo de sua paixão acertar.
Ah! Certamente não resistirá
e num sorriso largo se entregará aos meus acalantos,
esmaecendo-se com o perfume que trago guardado no meu ser
Que há muito tempo é exclusivamente para você.
Ao me aproximar de teus lábios
e contagiar-me com o cinábrio deles
que, tal qual fruta madura e sumosa,
implora para ser abocanha em seu estado natura.
Dai no meu peito sinto o coração em disritmia
como criança fagueira que corre alegre
depois de se recompensado ao final da aventura
e como o prêmio tem um sorriso cuja magia
o torna um vencedor, embora seu corpo ainda
persista as marcas e dores símbolo de vencedor.
Robério Pereira Barreto, em manhã de agosto de 2006.
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7/28/2007 02:55:00 PM
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BOLHA DE SABÃO
(Robério Pereira Barreto)
Por detrás do muro vejo a vida passar
Imaginando como seria viver do lado de lá
E como bolha de sabão que foge por cima do muro
Depois que escorre entre as mãos
Procuro a liberdade no azul interminável do céu.
Depois de alcançar o infinito desfaço-me no ar
E de mansinho retorno ao meu lar,
Enchendo os meus olhos de emoção,
Deixo parte de meu eu ir ao encontro do mar.
Depois de estar na presença de tão alta sensibilidade
Clamo em silêncio ao olimpo por um instante de liberdade,
Porque viver sem ela é estar numa bolha de sabão
De onde vejo tudo com boa impressão,
Mas ao rompê-la sinto-me sem noção da realidade.
Então, saio dessa pseudo-proteção
Para ver a vida do outro lado do muro
Onde há dores, gemidos em noite fria
E medo em meio ao escuro.
Por isso, receio às vezes em romper tal proteção
Porque sei que do lado de lá a morte está
Que aos pouco faço a minha consorte
E assim dividimos as feridas da falta de sorte.
Contudo, advenho daquele “que é antes de tudo um forte”
não lastimo o motivo que me levantou das terras do norte
para estar aqui e porque nunca contei muito com a sorte,
foi aí onde criei laços e montei meu leito de morte.
29 de agosto de 2006, 21h 33min
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7/28/2007 02:45:00 PM
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sexta-feira, 27 de julho de 2007
NECRÓPOLE
NECRÓPOLEMadrugada Silêncio...
a cidade repousa
e seus moradores dormem
em suas tumbas modernas
preparando se para o dia seguinte
no qual se protegerão de si mesmos
dentro de seus caixões blindados e motorizados.
Enquanto isso, seres se dilaceram
em compasso de espera...
nas esquinas e avenidas da vida,
procurando guarida nos braços do mundo...
que em um segundo podem lhes tirar o direito
de respirar, por que, ao invés de prazer sente dor,
levando à quebra do contrato regido por olhares
perdidos em meio ao desprezo
daqueles que buscam no dinheiro,
o valor da vida e também do amor
medido e pago sem nenhum rancor.
A madrugada muda inerte,
testemunha ocular
não quer tais segredos revelar,
pois se falasse ninguém ia acreditar...
no cemitério-cidade
os protegidos nas tumbas e caixões blindados
preocupam-se em se preservar da maldade da rua,
atmosfera onde miseráveis e despossuídos flutuam
na suspensão da desigualdade pura e crua.
Tangará da Serra - MT, 23/4/2006 01h55min
Robério Barreto
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7/27/2007 04:38:00 PM
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LUA CHEIA
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7/27/2007 04:29:00 PM
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SILÊNCIO MEU...

SILÊNCIO MEU...
O meu silêncio se encontra
Com a frieza da lua que,
De mansinho ilumina a rua...
O meu silêncio faz sombra
À noite mórbida e impura
Na qual circulam idéias vãs
Que me empurram à tristeza
De viver vida insana e dura.
No meu silêncio gritos
Sufocam-me o peito,
Deixando-me um ser sem jeito
Que tem no sossego uma rebeldia
Selvagem maior que a Guerra Fria.
No meu silêncio...
No meu silêncio...
No meu silêncio...
Morro a cada instante...
Em meu silêncio morro
Com meu silêncio peço socorro,
Com ele sei que definho e sofro...
No meu silêncio...
No meu silêncio...
No meu silêncio...
Há um grito forte, porém rouco
Rouco, porém um grito morto,
Morto, mas um grito;
Meu silêncio!
Robério Pereira Barreto
02 de junho de 2006, 3h 45min, em companhia da insônia.
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7/27/2007 04:18:00 PM
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VAGANTE CORAÇÃO
(Robério Pereira Barreto)
Oh, coração peregrino!
Andas pelas veredas da vida
Como alma penada
Agora, escorres pelos vales vazios
Onde tem a companhia de flores
Cujas belezas da cores
levam-te à desdita
Dos rigores dos espinhos!
Sofres em expressiva demasia,
Porém sorrir em meio à agonia
De caminhar louco,
Movendo a dinastia
Do destino.
Solícito abres caminhos na serra fria
Para encontrar num simples olhar,
A luz da amanhã que vos alumia
Com sabor da maresia nos lábios
Cumpres o dito da profecia:
Louco à vontade do destino
Segues o vale da sombra;
Cai nos braços da paixão
Que se foi sem
Deixar mapa,
Restando a ti,
Coração Peregrino
O perfume dela como guia!
27 de julho de 2007, 15h58’
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7/27/2007 03:52:00 PM
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SANAS LOUCURAS: PARADOXO E BELEZA
Sanas loucuras (2007), de Rejane Tach e Maykson de Souza constitui-se de conjunto poético no qual há vicissitudes paradoxais, às quais serviram os autores para nos oferecer uma produção esteticamente contemporânea. A obra que, na verdade, são quatro, - trata-se de dois livros que se complementam em suas diferenças, ficando tais questões sobressaltadas mais ainda quando são lidas na versão em espanhol, constituindo-se assim em duas novas criações quase independentes, tamanha a fluidez da linguagem poética.
De maneira abstrata, porém concisa, os autores dizem muito em poucas palavras, de modo que o leitor de Sanas loucuras deve se preparar para buscar o sentido dos versos através de lentes intimistas, isto é, não será possível compreender a mensagem poética de Rejane e Maykson sem, antes se debruçar sobre seu próprio existir.
Em Sanas loucuras (2007) há uma concisão retórica a qual é resultante de uma reciclagem dos princípios Aristotélicos. Para Leyla Perrone-Moisés (1998) estas novas poéticas embora apareçam estilisticamente modernas não o são, por que: “Na modernidade, esse valor está ligado à rapidez, à objetividade e à eficácia requeridas pela vida em nosso século; mas também uma resistência oposta à tagarelice generalizada dos discursos sociais.” (Perrone-Moisés, 1998, p. 156).
No que se refere ao plano estético de Sanas loucuras (2007), Rejane e Maykson atuam no campo intimista, ou seja, eles tentam representar metaforicamente as agonias e possível morte do espírito do homem moderno, através de um olhar cismado e incrédulo sobre a infinita existência do ser.
Meus olhos
Encontraram o céu...
Enquanto choro de alegria
E abraço-me em espanto
Embora os versos sejam vazados numa perspectiva da retórica abstrata moderna, a obra confirma a influência da estética romântica, à qual, segundo Octávio Paz deveria ser retomada pelos escritores modernos a fim de reatarmos com a tradição da grande literatura do século XX. Dessa forma, Sanas loucuras (2007) não tem propósito de fazer um revival de princípios estéticos do passado, mas, sim, de mostrar que é possível levar o leitor a questionar a si mesmo enquanto ser de e no mundo de inquietudes e individualismos.
Os escritores inspiram seus leitores ao remate de que as relações na sociedade contemporânea alteraram os princípios e modos de existência de cada, sobretudo, no que se refere às questões existências. Então, resta ao leitor refinado, encontrar nesta obra os elementos estéticos que a constitui em paradoxo e beleza contemporâneas singulares, pois tem nos seus poemas vaivens de linguagens as quais se confundem com o pensamento da estética pós-moderna, embora não seja possível classificá-la como tal, por que sua composição é altamente abstrata e simbólica.
Bibliografia consultada
PERRONE-MOISÉS, Leyla. Altas literaturas: escolha e valor na obra crítica de escritores modernos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.
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poetadasolidão
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7/27/2007 01:07:00 PM
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segunda-feira, 23 de julho de 2007
FELICITACIONES
(Robério Pereira Barreto)
La noche esta fría
Pero me dispuse
A repartirte uno
Poco de alegría.
Mandándote besos
Calientes con pesos
De mí corazón
En mí alma calido
Sangre trae sabor
De nuestro amor.
23 de julio de 2007, 23 h
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7/23/2007 11:00:00 PM
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7/23/2007 10:06:00 PM
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