quarta-feira, 12 de novembro de 2008

FICÇÃO CONTEMPORÂNEA (1970 AOS NOSSOS DIAS)

A partir da década de 1970, a ficção brasileira de temática urbana foi condicionada por uma série de novos fatores econômicos, políticos e sociais, a saber:
- A ditadura militar prolongou-se por muito mais tempo que os oposicionistas imaginavam. O que era visto apenas como um golpe, condenado a curto prazo ao fracasso, consolidou-se como um longo regime com significativo apoio popular. Contudo, a crise do petróleo de 1973, os altos custos de empreendimentos estatais e as graves dificuldades do capitalismo internacional em fins dos anos 70 e início dos 80, fizeram com que a inflação se tornasse incontrolável. Só então a ditadura conheceu a impopularidade.
- Obrigados a entregar o poder à oposição confiável (Tancredo Neves-1985), os militares retiraram-se discretamente da política brasileira para não mais voltar. Uma democracia ampla e bastante liberal estabeleceu-se no país. A censura foi abolida, o habea-corpus restabelecido e as diversas formas de controle social foram completamente abrandadas. No entanto, a redemocratização não trouxe nem o controle da espiral inflacionária nem o retorno ao desenvolvimento. A derrubada da inflação viria ocorrer apenas com o Plano Real, em 1993.
- Os ideais esquerdistas-autoritários que imperavam entre a intelectualidade brasileira foram golpeados pelo desmantelamento da guerrilha (1969-1972) e, mais tarde, pela queda do Muro de Berlim e pelo colapso geral do socialismo. Muitos artistas e escritores viraram então "órfãos da utopia". Também o chamado "radicalismo democrático" da esquerda mais recente tem sido bastante abalado com a tendência centrista do governo Lula, o primeiro presidente a ser eleito por forças progressistas no país. Por isso, a "intelligentzia" parece ter perdido todos os seus referenciais utópicos, o que ajuda explicar um certo ceticismo generalizado que percorre a produção cultural contemporânea.- Por outro lado, de 1970 para cá o Brasil configurou-se definitivamente como uma nação capitalista e moderna, ainda que cheia de desigualdades sociais. O espetacular crescimento econômico da década de 1970 (em média quase 10% ao ano) atraiu milhões de trabalhadores rurais para as cidades. Muitos se integraram satisfatoriamente à vida urbana; outros foram sobreviver em favelas que brotaram aos magotes. Hoje elas circundam as principais metrópoles do país. Nas décadas de 1980 e 1990, as taxas de crescimento da economia baixaram significativamente, não permitindo uma efetiva integração das camadas pobres ao establishement nacional.
- Ainda que o êxodo rural e o pífio desenvolvimento econômico dos últimos anos expliquem a ampliação do número de miseráveis, outra circunstância tem peso decisivo neste processo. A ilimitada liberação sexual, que estimulou a gravidez sobremodo entre adolescentes, fez com que, entre a população marginal (ao contrário de outros setores) o aumento da natalidade tivesse uma progressão geométrica, criando um problema praticamente insolúvel: como integrar ao sistema econômico os mais de cem milhões de brasileiros gerados nas últimas décadas?
- Ao mesmo tempo, no plano dos valores, assistiu-se à derrocada final dos códigos de existência da sociedade patriarcal/agrária, substituídos por novos comportamentos e novas expectativas, todos correspondendo a princípios urbanos e capitalistas. O domínio do individualismo, a busca da felicidade pessoal, tanto em seus aspectos emocionais quanto sexuais, o culto ao dinheiro e à fruição de bens de consumo constituíram, a partir de então, os pilares éticos da nova sociedade brasileira.
Face a tais transformações – vertiginosas e radicais – os escritores tiveram uma experiência coletiva de esfacelamento e pulverização da realidade, quando não de caos. A velha ordem desabava e um mundo instável, frenético e aparentemente irracional ocupava o seu lugar*.Todas estas mudanças influenciaram decisivamente a prosa de ficção de temática urbana das últimas décadas. Apesar da proximidade histórica do período, podemos apontar algumas das tendências essenciais que configuram a atual produção ficcional brasileira:
1) Desintegração das formas realistas tradicionais, que haviam predominado (com as exceções de Clarice Lispector, Murilo Rubião e João Guimarães) até o fim da década de 1960. A partir dos 70, rompe-se com a linearidade narrativa e abandona-se toda a pretensão de uma concepção totalizante e lógica do mundo. Em admirável ensaio, José Hildebrando Dacanal fixou o caráter desta decomposição do realismo:
O mundo está destroçado e não há como remontar seus estilhaços. Os personagens padecem de total desorientação, sendo incapazes de organizar-se a si próprios e, muito menos, ordenar o universo à sua volta. Desesperados, buscam uma verdade, sem saber se há possibilidades de encontrá-la. Ou nem mesmo a buscam, limitando-se a sofrer ou a protagonizar a desordem, a violência física e moral e a destruição das formas de convivência social. (...) À desintegração ética corresponde à desintegração técnica, com a estrutura narrativa revelando-se desordenada, fragmentada e geralmente sem um foco narrativo, ou ponto de vista único ou claramente definido.
Entre os autores que expressam esta tendência encontramos Rubem Fonseca (O caso Morel, Lúcia Mcartney); Ivan Ângelo (A festa); Roberto Drummond ( D.J. em Paris); Antonio Torres (Os homens de pés redondos, Um cão uivando para a lua e Essa terra); Lygia Fagundes Telles (As meninas); Márcio Souza (Galvez, o Imperador do Acre); e Sergio Sant´Ana (Confissões de Ralfo). Contudo, quem condensou mais radicalmente as inovações técnicas e expressou mais fielmente a natureza caótica da época foi Ignácio de Loyola Brandão com o polêmico romance Zero.
Não se pode subestimar tampouco a poderosa influência exercida sobre estes autores pelos ficcionistas do chamado “boom latino-americano”: García Márquez, Alejo Carpentier, Mario Vargas Llosa e Carlos Fuentes, entre outros, já tinham equacionado o problema da construção de um mundo romanesco, valendo-se de procedimentos narrativos revolucionários e ao mesmo tempo sendo capazes de apresentar sugestivas totalizações da realidade. Eram, portanto, modelos insuperáveis da nova ficção que aqui se procurava fazer.
Ressalte-se, por fim, que já no final da década de 1970 e nas décadas seguintes, esta força de desintegração, que parecia arrastar a prosa brasileira para o caos, recuou, dando lugar a uma razoável síntese entre ruptura e tradição, fragmentação e criação de mundo. Esta síntese poderia ser designada como uma nova forma de realismo. Quem melhor a elaborou nos últimos trinta anos foi Rubem Fonseca, especialmente em seus contos. Entre os autores recentes cabe papel de destaque a Miltom Hatoum com os excelentes romances Relato de um certo Oriente e Dois Irmãos.
2) A impossibilidade de uma visão totalizante da nova realidade – a busca da totalização é uma das características principais do romance – pode ser a causa do triunfo do conto, que se tornou o gênero mais praticado no país a partir dos anos 70. Lidando com o relato breve, o registro de um flagrante da existência, o conto passa mais ou menos incólume pela desintegração de sentido de uma época. Daí a quantidade de bons contistas que surgiram então. Entre eles destacam-se Sérgio Sant’Anna (Confissões de Ralfo); Deonísio da Silva (Exposição de motivos); Luís Vilela (Tremor de terra); Sérgio Faraco (Hombre); Domingos Pelegrini (O homem vermelho).
3)Paradoxalmente, nos mesmos idos de 1970, ressurgiu uma espécie de realismo social à moda antiga, traduzido por relatos que representavam de maneira direta os dramas das camadas subalternas, sem muitas preocupações com a linguagem.Era uma resposta à censura imposta pelo regime militar que proibia a imprensa de noticiar os aspectos negativos do país. Era também uma forma de solapar a idéia do "milagre econômico", então dominante nos meios de comunicação, através do registro dos excluídos, das prostitutas, dos operários, dos camponeses, da gente sem eira nem beira, todos sonegados da visão ufanista do governo. Muitas destas obras não passavam de reportagens ficcionalizadas, escritas por jornalistas que se utilizavam da ficção para driblar a censura. O expoente do grupo, contudo, era um bom escritor, João Antônio, que tinha produzido os seus melhores contos nos anos de 1960 e que agora, como um cavaleiro andante, lutava para que os pobres do Brasil encontrassem seu lugar na literatura. No prefácio de Malditos escritores, João Antônio defende a arte como “um corpo-a-corpo com a vida”:
Estes escritos cometem (intencionalmente) quase todas as heresias diante de alguns conceitos tradicionais do purismo do fazer literário. (...) Desse corpo-a-corpo nasce uma escritura descarnada.(...) a refletir sem floreio, impostura ou retoques, um mundo de suores, amordaçamentos, pelejas e medos. Nesta linhagem do realismo social explícito figuram Wander Pirolli, Domingos Pellegrini Jr.Mais recentemente a obra de Paulo Lins, Cidade de Deus poderia ser enquadrada na referida tendência, com a vantagem de apresentar uma "visão de dentro" do universo semi-marginal urbano.
4) Neste período, a ficção introspectiva, à maneira de Clarice Lispector, foi reafirmada nas obras de Caio Fernando de Abreu, Morangos mofados, João Gilberto Noll, Hotel Atlântico e Lya Luft, As parceiras, entre outros. De certa forma, a exploração da subjetividade e a procura da identidade mais profunda dos seres era produto do grau maior de complexidade alcançado pela sociedade brasileira.
5) A partir da década de 1980, possivelmente como uma reação à desintegração das formas tradicionais de narrativa, ganhou espaço o romance histórico, isto é, aquele que evoca fatos e/ou personagens do passado reinterpretados por meio de uma visão crítica e desmistificadora. Normalmente este tipo de romance mantém-se dentro de um código mais ou menos acadêmico de narrar, contrariado experiências similares realizadas por ficcionistas do "boom hispano-americano", na mesma época, marcadas por densa invenção formal. Ana de Miranda, Boca do Inferno, A divina quimera e Luiz Antonio de Assis Brasil, Videiras de cristal e Concerto campestre são os principais representantes do romance histórico. Mas observe-se que escritores de outra linhagem, a exemplo de Rubem Fonseca, O selvagem da ópera, de Nélida Piñon, República dos sonhos, de Deonísio da Silva, A cidade dos padres e de Moacyr Scliar Sonhos tropicais, também se aventuraram neste terreno com resultados estéticos diversos.
6) Nos últimos anos assistiu-se, por fim, a uma crescente propensão de inúmeros escritores à fabricação de "best sellers", sob encomenda de editores ou não. São romances e novelas que atendem a presumíveis exigências do mercado: temas leves e pitorescos, reconstituições históricas convencionais, registro superficial dos costumes e da psicologia dos protagonistas e completa banalidade estilística. Trata-se de uma ficção descartável e freqüentemente idiota. Com muita propriedade o crítico Flávio Khote designou esses relatos como integrantes de uma nova categoria literária, a da narrativa trivial.

A prosa de ficção
No campo da ficção, em relação aos mundos narrados, duas tendências gerais predominaram no período:
Obras de temática rural
Obras de temática urbana
A narrativa de temática urbana
A ficção urbana brasileira, produzida entre os anos de 1945 e 1960, tem alguns elementos definidores do ponto de vista estrutural, lingüístico e temático:
A questão estrutural:
A par do romance, que continua sendo praticado, o conto começa a ganhar cada vez mais espaço.
A formulação narrativa da maioria dos autores do período ainda está próxima do modelo neo-realista. Surge um desvio neste modelo tradicional de narrar através da obra revolucionária de Clarice Lispector, marcada por inovações técnicas e sobretudo pelo uso intenso do monólogo interior.
Outra linha de ruptura com o procedimento realista ocorre com a publicação, em 1947, do livro de contos O ex-mágico, do autor mineiro Murilo Rubião. Os seus relatos são alegóricos, ou seja, centram-se em situações inverossímeis ou simplesmente fantásticas que possuem um caráter simbólico.
A questão lingüística:
 Sedimenta-se a aproximação - desencadeada pelos modernistas de 1922 - entre a linguagem literária e a linguagem coloquial urbana, conforme se pode verificar, entre outros, nas obras ficcionais de Fernando Sabino e de Carlos Heitor Cony.
A questão temática:
O neo-realismo explicitamente social continua sendo cultivado, sobremodo na década de 60. Sua tradução mais qualificada dá-se na obra de Antônio Callado, que busca registrar de modo amplo e totalizante dos dramas coletivos do país.
Há também um neo-realismo timbrado pela tentativa de síntese entre a realidade objetiva e uma densa subjetividade. Os romances de Lúcio Cardoso, Fernando Sabino, Autran Dourado, Carlos Heitor Cony e os contos de Lygia Fagundes Telles, por exemplo, expressam a dissolução do engajamento ideológico dos anos 30 e 40 e sua substituição por sensações de angústia e náusea, revelando influências do pensamento de Freud e de Sartre.
Absolutamente originais no contexto de sua época são as obras de Clarice Lispector e de Dalton Trevisan, cujos livros inaugurais vieram à luz respectivamente de 1944 e de 1954. Clarice cria no Brasil um tipo de ficção introspectiva em que o mundo concreto se torna quase opaco e pastoso, e os personagens mergulham em um grande vazio. Já Trevisan renova a linguagem do conto e disseca sem compaixão o pequeno universo da classes médias urbanas.
Não devemos esquecer, por outro lado, que alguns dos maiores romancistas de 1930 ainda estavam em plena atividade. Erico Verissimo, por exemplo, escreve nesta época sua obra-prima: O tempo e o vento. Também Jorge Amado produz alguns de seus textos mais apreciados como Gabriela, cravo e canela e Os velhos marinheiros.
A NOVA NARRATIVA DE TEMÁTICA AGRÁRIA
Um fenômeno novo marcou a ficção brasileira, a partir dos anos de 1950: um conjunto de relatos centrados no mundo rural, mas distantes dos padrões convencionais de realismo, que se encontravam, por exemplo, no chamado romance de 30.
O crítico José Hildebrando Dacanal designou esses textos como "nova narrativa épica brasileira". São obras que fixam o "desaparecimento do interior caboclo-sertanejo, face o avanço vertiginoso da civilização racionalista, capitalista e urbana." Esta civilização, nascida no litoral, e que avançava rumo ao oeste, era o fruto da expansão burguesa ocorrida, principalmente, durante a Era Vargas e a Era JK.
Outros críticos referem-se a tais obras como integrantes de um ciclo de "realismo mágico", pois eventos extraordinários ( e inverossímeis do ponto de vista do racionalismo urbano) ocorrem nas mesmas. Os personagens dos relatos vivem esses acontecimentos estranhos sem que isso os surpreenda. Ou seja, a sua consciência de mundo admite como real e natural o que julgamos inconcebível.
Basicamente esta tendência compõe-se de seis romances: Grande sertão: veredas, de João Guimarães Rosa, - o mais significativo de todos - e que, ao ser publicado em 1956, abriu caminho para a criação de um novo modelo narrativo no país; O coronel e o lobisomem, de José Cândido de Carvalho, que veio à luz em 1964; Chapadão do Bugre, de Mário Palmério, lançado em 1965; A pedra e o reino, de Ariano Suassuna, que é de 1970; Os guaianãs(em quatro volumes saídos entre1962 e1970), de Benito Barreto; e Sargento Getúlio, de João Ubaldo Ribeiro, publicado em 1971.
As características mais ou menos comuns a todas essas obras são de natureza lingüística, estrutural e temática:
Lingüisticamente, há uma forte presença, ainda que as vezes residual da variante caboclo-sertaneja da língua portuguesa, transfigurada do ponto de vista do estilo por cada autor.
Estruturalmente, a verossimilhança, típica do romance tradicional, não é respeitada, com protagonistas relatando a própria morte, presença de demônios e outras entidades míticas.
Tematicamente, todas as obras possuem um traço comum: a ação se desenvolve, preponderantemente, no interior, no sertão, em regiões de pequena propriedade ou de criação de gado, surgindo não raro um conflito entre este mundo agrário - e os protagonistas dele procedentes - e a civilização urbana. Além disso, como já frisamos, é também freqüente a presença de seres superiores, como Deus e o Diabo, ou entes mitológicos, como a sereia, o lobisomem, etc.
Em termos gerais, pode-se dizer, que estes romances se ligam, no plano do assunto, ao Brasil antigo, pré-industrial, marcado por uma cultura rural e religiosa, de raízes ibéricas, transformada ao longo dos séculos.

Referências

BOSI, Alfredo. História concisa da Literatura Brasileira. 38. ed. São Paulo: Cultrix, 2002.
JAKOBSON, Roman. Lingüística, poética, cinema.São Paulo: Perspectiva, 1970.
__________ Lingüística e comunicação. São Paulo: Cultrix, (s.d).
Literatura contemporânea. In.:http://educaterra.terra.com.br/literatura/litcont/litcont_4.

TRAMAS NA REPRESENTAÇÃO DA IMAGEM NA HIPERMÍDIA IMPRESSA

Fique nu... mas seja magro, bonito, bronzeado[1]
Robério Pereira Barreto*

As tramas[2] que as imagens[3] representam no cotidiano têm nos acompanhado há algum tempo, e por isso adentramos ao universo teórico da semiótica, buscando dialogar com as asserções feita por Lucia Santaella a respeito dos usos das imagens na mídia. Fato este que nos possibilita, trabalhar com alguns conceitos de imagem, signo e símbolo na grande imprensa. Com efeito, nossa intenção é desenvolver nesse curso discussões que levem à leitura e, talvez, à compreensão dos elementos discursivos que compõem as imagens na hipermídia.[4] Para tanto, estudaremos as mensagens imagéticas como algo interdisciplinar porque nesse processo a imagem segundo Lucia Santaella e Winfried Nöth (2001), está presente no cotidiano independente de nossas vontades.

Imagens têm sido meios de expressão da cultura humana desde as pinturas pré-históricas das cavernas, milênios antes do aparecimento do registro da palavra pela escritura. Todavia, enquanto a propagação da palavra humana começou a adquirir dimensões galáticas já no século XV de Gutenberg, a galáxia imagética teria de esperar até o século XX para se desenvolver. Hoje, na idade vídeo e infográfica, nossa vida cotidiana – desde a publicidade televisiva ao café da manhã até as últimas notícias no telejornal da meia-noite – está permeada de mensagens visuais, de uma maneira tal que tem levado os apocalípticos da cultura ocidental a deplorar o declínio das mídias verbais.[5]

O visual e o verbal compõem a díade da comunicação contemporânea, tendo no discurso verbal a possibilidade da compreensão das teorias da imagem. Na verdade, o texto visual tem sua sustentação naquilo que Pierce chamou de iconicidade. Para Canevacci (2001), estudar a significação que o visual (imagem e sua dramaticidade) desenvolve na comunicação é, sem dúvida, relacionar o modo de ver a produção ideológica da sociedade contemporânea, partindo do uso plural das tecnologias de comunicação de massa. Além disso, assegura ainda que tudo isso só está sendo possível graças à expansão da semiótica nos territórios visuais circundantes da informação oriunda no texto visual.

Focalizar o visual da comunicação significa, pois, selecionar esse espaço da cultura contemporânea, enquanto em seu interior se concentram o poder e o conflito, a tradição e a mudança, a experimentação e o hábito, o global e o local, o homologado e o sincrético. [...] o visual refere-se às muitas linguagens que ele veicula: a montagem, o enquadramento, o comentário, o enredo, o primeiro plano, as cores, o ruído, as linguagens verbal, corporal e musical. Ao mesmo tempo, o visual refere-se também aos diferentes gêneros que podem utilizar as mesmas linguagens ou inventar outras: o cinema (ficção ou documentário), a televisão, a fotografia, a videomusic, a publicidade, a videoarte, o ciberespaço.[6]

Entendemos, portanto, que nas imagens da grande mídia há certos níveis de dramaticidade que conduzem à subjetividade das idéias nelas propostas. O discurso visual torna-se uma metalinguagem por que têm em sua essência fragmentos das culturas regionais nas quais são agregados novos significados e, por isso, conduzem o espectador[7] à busca da intertextualidade do discurso[8].
À maneira de Canevacci (2001) compreendemos que a imagem – texto visual – é produzida em contextos: social, cultura, econômico e ideológico que visa envolver todos os agentes sociais da comunidade em que ela se propaga, construindo dessa maneira os significados que a faz importante para a compreensão das relações interpessoais. Nesse processo, entendemos que há em tal narrativa imagética algo complexo que transforma conceitos e ideais dos agentes (criador, mensagem e receptor) principalmente no plano da comunicação ideológica em que participam sistemas de consumo dinâmicos. Assim, varias significações são negociadas com o leitor para que ele possa se situar na linguagem, deixando vir à baila seus anseios e angústias que o levaram a um continuum dramático. Nessa perspectiva, “A comunicação é um sistema de múltiplos canais nos quais o ator social participa a cada instante, querendo ou não: com seus gestos, seu olhar, seu silêncio, até com sua ausência...”[9]
O emprego das imagens na mídia contemporânea volta-se para o atendimento das ideologias da industrial cultural[10], consagrando o homem – leitor – como eterno consumidor de mensagens publicitárias que evocam dramas individuais e coletivos. Tais imagens se tornam instrumento de alienação e conduzem o espectador à crise de interpretação, pois, a cada instante ele é bombardeado por textos visuais com formas e sentidos diferentes, e que buscam no cidadão da polis um espaço para transformá-lo em consumidor. Não obstante, este sujeito, na maioria das vezes, não possui conhecimentos suficientes para apreender os significados existentes no texto visual. Na realidade, é ai que surgem os dramas dos receptores, pois, são vítimas de um sistema sócio-cultural que privilegia fetiches individuais e econômicos em detrimento do bem estar coletivo e do social.

Então os fetiches visuais, que proliferam na comunicação de alta tecnologia, são de tal forma incorporados pelas novas mercadorias que o próprio método de observação deve levar isso em conta. [...] “Ler” um texto visual – uma mercadoria ou um filme – é também uma tentativa de dissolver seus fetiches.[11]

No campo do visual e do cognitivo, a imagem é dividida a partir de domínios que, segundo Santaella, partem das representações visuais até a imaterialidade das imagens em nossas mentes. Assim os elementos visuais presentes em desenhos, gravuras, fotografias, imagens de cinema, televisão compõem o domínio visual. Enquanto no plano da abstração, as mensagens visuais são transformadas em visões, fantasias, imaginações e modelos que se caracterizam como pertencentes à categoria mental.

Ambos os domínios da imagem não existem separados, pois estão inextricavelmente ligados já na sua gênese. Não há imagens como representações visuais que não tenham surgido de imagens na mente daqueles que as produziram, do mesmo modo que não há imagens mentais que não tenham alguma origem no mundo concreto dos objetos virtuais[12].
A sociedade contemporânea se encontra em evolução política, lingüística, tecnológica e cultural, e por isso as imagens constituem a paisagem das pessoas, principalmente, no universo virtual em que a mídia eletrônica, devido à correria impossibilita o homem de ler textos longos e complexos, buscando assim, a emergência da imagem dos objetos.
As imagens que forma o “corpo social” segundo Bachelard têm valores que só podem ser medidos pela da ampliação do universo imaginativo do receptor. Assim, entendemos que a relação entre corpo e imagem se estabelece a partir das experiências humanas, sendo isso fruto do psiquismo. Por isso acreditamos que a junção das imagens captadas pela percepção humana no ato de leitura produz remissões que levam o leitor a divagações e, conseqüentemente, à ativação de seu “baú” imaginário.
No contexto da psicanálise, as imagens são tidas como elementos especificadores do psiquismo humano de tal modo que William Blake criou uma máxima para essa questão: “A imaginação não é um estado, é a própria existência humana.”[13] Pelo que ficou expresso até agora, e para compreendermos a real importância da imagem na vida do homem contemporâneo é, portanto, pertinente aceitar que imaginar é criar novas perspectiva para a vida, porque vivemos no mundo das imagens, ou seja, estamos sempre diante de objetos lingüísticos: a poesia e a arte que são construídos sob a premissa de que estamos diante de uma imagem a ser desconstruída pela imaginação através da interpretação de seus referentes textuais.

Para bem sentir o papel imaginante da linguagem, é preciso procurar pacientemente, a propósito de todas as palavras, os desejos de alteridade, os desejos de duplo sentido, os desejos de metáfora. De um modo mais geral, é preciso recensear todos os desejos de abandonar o que se vê e o que se diz em favor do que se imagina. Assim, teremos a oportunidade de devolver à imaginação seu papel de sedução. Pela imaginação abandonamos o curso ordinário das coisas. [...] Imaginar é ausentar-se, é lançar-se a uma vida nova.[14]

A sociedade contemporânea é, sem dúvida, um oceano de imagens no qual estamos navegando, e isso nos tem criado uma série de problemas, pois, à produção de novos significados para nossa cultura colocam em discussão os tramas e dramas que as imagens provocam em nosso inconsciente coletivo, fato que direto ou indiretamente fortalece cada vez mais a “Industria Cultural” devido a sua capacidade de incorporação no nosso cotidiano de narrativas imagéticas que atingem nossos desejos e vontades. Todos esses signos são promovidos à categoria de representação, a qual é tributária do sistema cognitivo do sujeito. Dessa forma, Santaella nos adverte que as representações visuais e mentais existentes nas leituras das imagens são objetos de inestigação tanto da semiótica quanto da ciência cognitiva.
Para este estudo, no qual estudaremos os tramas e dramas da imagem na hipermídia, prioritariamente, nos pautaremos nos princípios da semiótica, devido a compreensão daquilo que Pierce chamou em 1865, de “teoria geral das representações”. Seguindo esse plano, representação para Santaella deve ser apreendida nas perspectivas pierceanas, embora ela apresente o conceito de representação defendido por Spencer (1985:77). Para representar é fundamental o uso da linguagem, esta, pois, transmite ao receptor os princípios da inventividade tanto na imagem quanto no texto. Assim, “Com a linguagem podemos inventar, cada sentença é uma nova invenção, produzida pela combinação de elementos familiares; a perfeição da inventividade humana está ligada à perfeição da linguagem humana.”[15]
Historicamente, toda a cultura ocidental transmitiu seus conhecimentos morais, religiosos e, principalmente artísticos através de textos mistos, ou seja, sempre houve a presença do visual e do verbal nessas produções, cujo caráter ideológico, às vezes, está implícito e, portanto, não é de fácil acesso ao leitor comum. Atualmente, a ciência da imagem [imagologia se é que podemos chamá-la assim, tem atendido basicamente aos métodos da tecnologia]. Em outros termos, os recursos tecnológicos cujos princípios comunicadores estão centrados na dissecação de imagens. E por isso veiculam com maior amplitude e atingem um número amplo de cidadãos.Portanto, é nesse plano que a hipermídia atua e a cada dia conseguem maior inserção e adesão para suas mensagens.

A imagem do século XX é determinada por milagres tecnológicos como o cinema, a TV em cores, o computador e, mais tarde, as tecnologias relacionadas à internet. [...] É fundamental que a relação entre as novas mídias e as mídias antigas se desenvolva como uma coevolução, mas sob uma nova perspectiva em que natureza e máquinas se unem formando uma coisa só. De alguma maneira, isso significará que não se encontrará nenhuma diferença importante entre as experiências reais e virtuais.[16]

O espaço e a tensão estabelecidos entre a criação e propagação das imagens nos meios de comunicação, os tornam homogêneos e, conseqüentemente, estabelecem um jogo dramático tanto no espaço exterior quanto no valor intrínseco da peça publicitária para o receptor. Dessa forma, a imagem para Bosi é:

(...) um modo da presença que tende a suprir contato direto e a manter juntas, a realidade do objeto em si e sua existência em nós. O ato de ver apanha não só a aparência da coisa, mas alguma relação entre nós e essa aparência. (...) imagem amada, e temida, tende a perpetuar-se:vira ídolo ou tabu. E a sua forma nos ronda com doce ou pungente obsessão. (...) Toda imagem pode fascinar como uma aparição capaz de perseguir. O enlevo ou o mal-estar suscitado pelo outro, que impõe a sua presença, deixa a possibilidade, sempre reaberta, da evocação[17].

É importante visualizarmos que na mídia os signos têm o papel de representar, ou melhor, parecer real a existência da coisa que se pretende fixar no cognitivo de cada um que consome a imagem. Com efeito, esse processo corrobora singularmente para a reificação das ideologias implantadas pela burguesia capitalista. Ou seja, as representações que a Industria cultural, os meios de comunicação de massa e a cultura de massa usam para manipular as vontades e desejos cidadão - seus possíveis consumidores – pautam-se na fixação de ideais homogeneizadores, colocando todos independentemente de sua condição sócio-cultural e econômica, merecedores dos mesmos objetos.
Nesse contexto, inferimos a importante participação dos veículos de comunicação de massa na propagação das imagens, destacando dessa maneira o pensamento de Pignatari que diz: “Os poderosos meios de comunicação de massas tornam anacrônicos os métodos tradicionais de ensino; esses próprios meios, sendo ou tendendo a ser antiverbais[18]...” Assim, temos a perspectiva que cada vez mais somos e tornamos os outros em sujeitos alienados diante das imagens e dos textos que trazem em sua essência o fetichismo das mensagens publicitárias, as quais nos induzem ao consumismo.
Concluindo rapidamente esta discussão, acreditamos que a Industria cultural tem transformado o homem contemporâneo em simples receptáculo de suas ideologias mercadológicas e consumistas, tendo a seu favor os meios de comunicação de massa que, por sua vez, constroem tramas de dramas que envolvem todos os cidadãos, criando neles, ou melhor, em nós necessidades imediatas.

Representação e fetichismo da imagem na hipermídia

Nas peças publicitárias os elementos que formatam a comunicação a partir da definição de gênero e poder e que constituem as imagens que persuadem e seduzem o leitor. São assim, centro da discussão e a análise da grande estrutura argumentativa existentes em imagens de bebidas, cosméticos e carros são necessárias para a vida moderna.
A publicidade no contemporâneo se torna cada vez mais persuasiva e leva o leitor-consumidor à alienação. Isso acontece em virtude do uso continuum de imagens que, de acordo com especialistas, criam necessidades instantâneas no sujeitos, fazendo vir à baila desejos recalcados que através da imagem ganham vida e, assim, os levará ao consumo. Por isso, podemos afirmar que as imagens possibilitam a interatividade com o leitor, produzindo no seu cognitivo uma revolução a respeito das representações que a linguagem imagética apresenta.

(...) o visual refere-se às muitas linguagens que ele veicula: a montagem, o enquadramento, o comentário, o enredo, o primeiro plano, as cores, o ruído, as linguagens verbal, corporal e musical. (...) o visual envolve também diferentes tipos de subjetividade que estão aprendendo a empregar esses gêneros e essas linguagem: não só ocidentais (em sentido amplo), mas também das populações nativas.[19]

Nessa perspectiva, os elementos imagéticos que compõem a publicidade moderna buscam mediante a subjetividade do visual persuadir seus leitores, transformando os em consumidores em potencial. Assim, contemporaneamente, a cultura imagética da mídia estabelece padrões de comportamento e de consumo que criam fetiches[20] no inconsciente dos cidadãos. Com efeito, é importante destacarmos a busca por imagens que associem e, conseqüentemente, tornem ambíguas as leituras dos objetos, dando a eles, às vezes, certo grau de erotização. Embora estes aspectos fiquem ao nível do implícito entendemos que, a multiplicidade e a polifonia, tanto de imagem, quanto de discurso, são os responsáveis pela naturalização das vontades imediatas de objetos e serviços. Logo, estes eventos são o ponto nevrálgico da grande mídia, uma vez que a polifonia[21] toma conta de todo o processo textual, no qual imagem e discurso se entrelaçam para formatar mensagem midiática.
Nesse espaço intersemióitco estão elementos sócio-culturais que precisam ser ressignificados, ou seja, a mídia contemporânea encontra matéria-prima para suas publicidades no resgate das tradições populares[22], conseqüentemente as tornam vivas. Isso para o consumidor incauto é positivo porque traz à baila velhos paradigmas da identidade que estava esquecido, possibilitando assim, uma nova leitura da questão local, regional. (ver propaganda da pepsi em que se representam as figuras mitológicas do carnaval).
A propósito da questão de polifonia nas mensagens publicitárias acreditamos que, isso se dar porque é uma conseqüência natural da vida em sociedade, a polifonia reflete a interação do homem, como ser social, na troca de informações, nas tomadas de posição, enquanto sujeito ativo no processo de negociação de sentidos com os elementos textuais e visuais que formam sua cultura no decorrer de sua existência.

Sabe-se que a imprensa tem se caracterizado por exercer grande influencia sobre a sociedade. É a responsável pela constituição do imaginário social, já que é por meio dela que os grandes fatos são postos em debate e que se constituem os pontos vista. Pode-se dizer que ela é um dos pilares do universo midiático contemporâneo[23].

No mundo contemporâneo, estamos submetidos a uma gama de produtos, que pouco significaria para o cidadão comum se não fosse o glamour que a publicidade confere as imagens. Com isso ela vale-se do poder das palavras e das imagens para assegurar aos objetos um caráter especial de tal modo que os mitificam. Não obstante, entendemos que a linguagem da publicidade é eminentemente metafórica. Assim sendo, as imagens na publicidade ampliam seu campo de significação a partir do desenvolvimento de sentidos conotativos que valorizam a subjetividade.

Sendo a publicidade superlativa, os termos com semas positivos são altamente freqüentes nos anúncios, as palavras com traços negativos aparecendo, apenas, para estabelecer o famoso contraste do “antes” e do “depois”, pois a linguagem publicitária, de certa forma, escamoteia a realidade concreta, ou melhor, direciona a atenção do público-alvo apenas para o que lhe interessa, não revelado o que possa prejudicar a imagem do produto[24].

As artes visuais da propaganda são relacionadas à educação visual imposta pela grande mídia. Logo, é de fundamental importância que se realize uma alfabetização visual a partir de textos não verbais do cotidiano.

Alfabetização Visual

Na sociedade da comunicação por imagem, a invenção da câmera digital e dos computadores trouxe à propaganda um continuum da arte de desenhar que, historicamente, é considerada como a capacidade natural de todos os seres humanos. Recordemos, então as ações dos homens primitivos, os quais tinham em suas mentes as representações dos animais que caçava. Nessa perspectiva histórica, a arte e o significado da imagem por ela representada, conduzem à forma e à função do visual na expressão e na comunicação, porque nela se dar transformação das mensagens publicitárias em códigos estéticos que ampliam a fruição do leitor.
Dondis considera que a revolução tecnológica e os meios de comunicação de massa têm contribuído para uma educação imagética do leitor. Enquanto a arte tornou-se inerte às mudanças da sociedade consumidora de mensagens visuais. Embora sua fala seja demasiado funcionalista, faz-se pertinente citá-la:

Arte e o significado da arte, a forma e a função do componente visual da expressão e da comunicação, passaram por uma profunda transformação na era tecnológica, sem que se tenha verificado uma modificação correspondente na estética da arte. Enquanto o caráter das artes visuais e de suas relações com a sociedade e da educação sofreram transformações radicais, a estética da arte permaneceu inalterara, anacronicamente pressa à idéia de que a influência fundamental para o entendimento e a conformação de qualquer nível da mensagem visual deve basear-se na inspiração não-cerebral. (...) A expressão visual significa muitas coisas, em muitas circunstancia e para muitas pessoas.

A linguagem visual no contemporâneo é um processo cristalizado. Portanto, as imagens que a compõe têm em seu processo criativo algo que vai além do código verbal. exigindo do observador um nível mais acurado de percepção. Aqui, Dondis sugere que se faça uma alfabetização visual através de textos publicitários verbais e não-verbais.
Nessa linha de raciocínio MchLuhan comenta a papel da imagem na formação de uma consciência alfabetizadora a partir da câmera, a qual, segundo seus argumentos, têm importância tal qual o livro nos séculos XIII e XVI.

(...) a ordenação das palavras substitui a inflexão das palavras como principio da sintaxe gramatical. A mesma tendência se deu com a formação das palavras. Com o surgimento da imprensa, ambas as tendências passaram por um processo de aceleração, e houve um deslocamente dos meios auditivos para os meios visuais da sintaxe[25].

Segundo os princípios escolásticos, para que sejamos considerados alfabetizados é preciso conhecer e dominarmos os elementos básicos da linguagem escrita: as letras, palavras, frases, ortografia, gramática e sintaxe, isso é alfabetismo[26]. No mundo das imagens é fundamental que tenhamos uma percepção bastante arguta, ou seja, passemos a compreender os elementos culturais que nos cercam quando do ato de leitura das peças publicitárias. Eis aí uma perspectiva para uma educação visual.

Referências bibliográficas e notas explicativas

ARISTÓTELES (s/d). Arte retórica e Arte poética.Rio de Janeiro: Ediouro.
FOUCAULT, Michel, Microfísica do poder. 19.ed. Rio de Janeiro: Graal, 2004, p.147.
SANTAELLA, Lucia; NOTH, Winfried. Imagem: Cognição, semiótica, mídia. 3. ed. São Paulo: Iluminuras, 2001, p. 13.
CANEVACCI, Massimo. Antropologia comunicação visual. Rio Janeiro: DP&A, 2001, pp.7-8.
[1] FOUCAULT, Michel, Microfísica do poder. 19.ed. Rio de Janeiro: Graal, 2004, p.147.
* Professor de Literatura e outras artes e Semióitca do Curso de Letras, e Linguagens e educação – Uneb – Campus XVI - Irecê - BA
[2]S.f. Fio que se conduz com a lançadeira por entre os fios da urdidura; fios de seda grossa; fio grosso e dobrado, com que se fazem certos estofos; fio grosso; tecido; textura; (fig) sustentáculo; (bras) barganha; permuta; negócio; (Do lat. Trama).
[3] Tal termo é aqui tomado sob a ótica semiótica que, segundo Santaella e Nöth “são um sistema semiótico ao qual falta uma metassemiótica: enquanto a língua, no seu caráter metalingüístico, pode servir, ela própria, como meio de comunicação sobre si mesma, transformando-se assim num discurso auto-reflexivo, imagens não podem servir como meios de reflexão sobre imagens”.
[4] Tomamos como hipermídia os textos imagéticos que circulam nas revistas impressas e eletrônicas, bem como na TV e na Internet.
[5] SANTAELLA, Lucia; NOTH, Winfried. Imagem: Cognição, semiótica, mídia. 3. ed. São Paulo: Iluminuras, 2001, p. 13.
[6] CANEVACCI, Massimo. Antropologia comunicação visual. Rio Janeiro: DP&A, 2001, pp.7-8.
[7] Empregamos tal termo a partir do entendimento de que na comunicação os espectadores são sujeitos ativos no processo de construção de significado para o texto visual que aprecia.
[8]Laurent Jenny. A estratégia da forma. In: Intertextualidade. Coimbra, Almedina 1979, p. 6. comenta que a intertextualidade se apresenta além do código e vai até ao nível do conteúdo formal da obra, buscando a sensibilidade dos leitores o que pode variar de acordo com cultura e a memória imagética de cada um.
[9] Winkin, 1981, p. 7 citado por CANEVACCI, Massimo. Antropologia comunicação visual. Rio Janeiro: DP&A, 2001, p. 9.
[10] Termo usado à maneira de Adorno, pois entendemos que a hipermídia está a serviço da Industria Cultural que, por sua vez, cria condições cada vez mais alienantes para o leitor-consumidor na tentativa de implantar e aperfeiçoar o campo de atuação do comercio de bens e serviço, criando em nós, consumidores, uma sensação de impotência, visto que a todo instante somos enganados pelas imagens que criam novos desejos e necessidades em nosso subconsciente.
[11] CANEVACCI, Massimo. 2001, pp. 13-14.
[12] SANTAELLA, Lucia; NOTH, Winfried. 2001, p. 15.
[13] BLAKE, William. Second livre prophétique, trad. fr. Berger, p. 143. apud. BACHELARD, Gaston. O Ar e os Sonhos:Ensaio sobre a imaginação do movimento. São Paulo: Martins Fontes, 1990, p. 1.
[14] BACHELARD, Gaston., 1990, p.1
[15] MARIÁTEGUI, José-Carlos. Sobre o futuro da arte e da ciência através da inventividade humana. In: Arte e vida no século XXI (org.) Diana Domingues. São Paulo: Editora da UNESP, 2003, p.161.
[16] Ïdem, 2003, p. 162.
[17] BOSI, Alfredo, 2003, pp. 19-21.
[18] PIGNATARI, Décio. Informação Linguagem Comunicação. 2. ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003. p. 93.
[19] CANEVACCI, Massimo. 2001, pp.7-8.
[20] S.m. (1873 cf. DV) 1 objeto a que se atribui poder sobrenatural ou mágico e se presta culto. 2 PSICOP objeto inanimado ou parte do corpo considerada como possuidora de qualidades mágicas ou eróticas. HOUAISS. A. Dicionário Houais da língua portuguesa . Rio de Janeiro, Objetiva, 2001, p. 1333.
[21] Tomamos polifonia aqui, à maneira de Bahktin, a qual sugere a multiplicidade de vozes e de sujeitos responsáveis por vários pontos de vistas das falas, em um texto.
[22] As peças publicitárias dos refrigerantes (coca-cola e pepsi) têm explorado as festas e tradições populares do Brasil.
[23] RIBEIRO, Patrícia Ferreira Neves. Estratégias de persuasão e de sedução na mídia impressa. In: Texto e discurso: mídia, literatura e ensino. Rio Janeiro: Lucena, 2003. p. 121.
[24] MONNERAT, Rosane Santos Mauro. Processos de intensificação no discurso publicitário e a construção do ethos. In: Texto e discurso: mídia, literatura e ensino. Rio Janeiro: Lucena, 2003. p. 97.
[25] MCLUHAN, M. 1960 apud Dondis, 1997, p. 3.
[26] Tomamos o termo alfabetismo como o aprendizado que é compartilhado por uma comunidade de usuários de um código comunicativo para a realização de suas ações sociais.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

CURSO EXTENSÃO: RESSIGNICAÇÃO DO GOSTO POPULAR E O DISCURSO MÍDIA DE MASSA

Acontecerá em breve as inscrições para a segunda etapa do curso Comunicação de massa e a reorganização do gosto popular pela mídia. Nesta nova etapa o curso ganha nova roupagem devido às novas necessidades que surgiram durante a primeira parte, vindo, portanto, a receber novo título, conforme epigrafado no título. Todavia, seguem-se os mesmo referências teórico-meotodológicos com destaque para os novos recortes feitos nos corpus de análise. Leiam os anuncios nos murais!

TEMPO DE LEMBRAR...”: RESSIGNIFICANDO DO SABER DO IDOSO



Acudid a mis venas y a mi boca.
Hablad por mis palabras y mi sangre
Pablo Neruda, Canto general


Este artigo traz à baila observações feitas por meio de estudo de caso realizado na turma da Melhor idade, participante da Universidade Aberta à Terceira Idade – UATI – do DCHT, Campus XVI, Irecê – BA, da Universidade do Estado da Bahia. Nesse espaço há predomínio de saberes femininos, isto é, dos mais de trinta matriculados, há apenas dois senhores participantes ativos, os demais, senhoras.
Assim sendo, pôde-se perceber que os discursos se voltam para as atividades relativas às suas vivências de mulher, mãe, dona de casa, etc. lugares de fala que determinam origens e culturas que revelam as grandezas de cada uma, como sujeitos de suas histórias.
Nesse contexto aplicaram-se como metodologia os princípios da etnopesquisa porque se acreditou que seria necessário criam uma ambiente de confiança entre pesquisador e pesquisado. O que de fato ocorreu. Com efeito, recorreu-se também aos fundamentos da psicologia social, visto que se tratava de um grupo de sujeitos que ali estavam para se fazerem ouvi como agentes ativos da/na história e cultura locais.
Preferiu-se, portanto, partir do pressuposto de que os observados mais teriam para ensinar do que para aprender. Então, se seguiu o ideal de que, por se tratar de indivíduos situados social e historicamente numa comunidade de tradição oral, seria coerente atiçar suas memórias individuais e coletivas por meio de discurso dessa natureza; por isso o uso da música como instrumento instigação. “todo o edifício cultural está fundado sobre as lembranças dos indivíduos. A inteligência, nestas sociedades, encontra-se muitas vezes identificada cm a memória, sobretudo com a auditiva.” (LÉVY, 1993, p. 77).
Em seguida, vieram as associações de signos armazenados na memória de cada um dos observados. Desse modo, o contexto tornou-se o próprio meio e alvo da interação comunicativa.
Ainda seguindo a perspectiva de que os idosos são sujeitos que carregam consigo significativa bagagem de signos socioculturais e que precisam de ocasiões excepcionais para se expressarem; lembrando que, um dos objetivos da UATI é proporcionar domínios comunicativos nos quais, cada participante interpreta a sua maneira signos propostos pela ecologia cognitiva do meio discursivo. Assim sendo, segundo Lévy (1993)
O sentido emerge e se constrói no contexto, é sempre local, datado, transitório. A cada instante, um novo comentário, uma nova interpretação, um novo desenvolvimento podem modificar o sentido que havíamos dado a uma proposição.” [...] Quando ouço uma palavra, isto ativa imediatamente em minha mente uma rede de outras palavras, de conceitos, de modelos, mas também de imagens, sons, odores, sensações proprioceptivas, lembranças, afetos, etc. (LÉVY, 1993, p. 23).

Por isso os atores comunicativos ao se pronunciarem desse lugar de fala, deixavam vir à tona toda sua existência

Através de seus atos, seu comportamento, suas palavras, cada pessoa que participa de uma situação estabiliza ou reorienta a representação que dela fazem os outros protagonistas. Sob este aspecto, ação e comunicação são quase sinônimas. A comunicação só se distingue da ação em geral porque visa mais diretamente ao plano das representações. (LÉVY, 1993, p. 21).

O sentido atribuído pelo desenvolvimento sistemático das palavras em determinados instantes leva-as ao dialógico, isto é, ao se disponibilizar as canções Asa branca, de Luiz Gonzaga para audição dos idosos, percebeu-se que todos ativaram suas redes semânticas, buscando reorganizar suas imagens e sentidos no tempo e espaço da enunciação. Por isso, nas palavras de Lévy (1993)

O objetivo de todo texto (neste caso a música Asa Branca) é o de provocar em seu leitor um certo estado de excitação da grande rede heterogênea de sua memória, ou então orientar sua atenção para uma certa zona de seu mundo interior, ou ainda disparar a projeção de um espetáculo multimídia na tela de sua imaginação. (LÉVY, 1993, p. 21).

Com efeito, viu-se com essa atividade a revalidação do conceito de memória de longo prazo,os indivíduos a serem solicitados a associar objetos a título de música o fizeram significativamente, chegando inclusive discorrer sobre suas vidas quando, pela primeira vez ouviram as referidas canções. “Era menina nem me lembro quantos anos tinha, lá na roça e escutei no rádio do vizinho passando essa música, era bem no mês de agosto, estava tudo seco e feio.”[1]
Sabe-se que a capacidade de conhecer e reconhecer signos e domínios sociais se constrói na interação entre os sujeitos e os meios de comunicação, esse pertencimento serve para que cada um que participe dessa interação seja colocado como ser humano, antes de qualquer coisa. “A inteligência é um aspecto da totalidade do sujeito que, como os outros, assim irá se desenvolver. [...] sua interação dar-se-á com objetos, formas de agir e pensar diferentes.” (FAGUNDES, 1991, p. 175).
Viu-se, portanto, que as memórias dos participantes do curso foram avivadas a partir daquilo que Lèvy chama de inteligência coletiva, na qual todos se ajudam na compreensão dos significados dos signos que lhes foram propostos.

Referências

LÈVY, Pierre. Inteligência coletiva:por uma antropologia do ciberespaço. 5. ed. São Paulo: Loyola, 2007.
GUATTARI, F. As três ecologias. 4. ed. Campinas: Papirus, 1993.

* Professor de Linguagens e Lingüística da Universidade do Estado da Bahia – UNEB – DCHT – campus XVI – Irecê-BA.
[1] Depoimento de uma senhora participante das atividades realizadas na oficina Recordar é viver..., ministrada pelos universitários do 5° semestre de pedagogia que, por questões de preservação de identidade não será divulgado o nome.

LINGUAGEM COMO INSTRUMENTO CONTROLADOR DO PENSAMENTO MODERNO


A experiência não é nem formadora nem produtora. É a reflexão sobre a experiência que pode provocar a produção do saber e formação.
A. Novoa, 1996.

Apresentação

Este trabalho se apresenta em formato de comunicação, visto que foi construído numa perspectiva de levar os graduandos em Pedagogia, da Faculdade de Educação de Tangara da Serra, refletirem sobre os paradigmas[2] que cercam o uso da língua, nas vertentes escrita e oral, com destaque para o uso da linguagem eletrônica instituída pelo desenvolvimento da comunicação em alta velocidade. (computador, internet etc.).
Com efeito, este ponto de vista visa, trazer à luz episódios que estão sendo utilizados por instituições que trabalham com formação de professores comprometidos com a busca e o aperfeiçoamento intelectual, através de instrumentos didáticos que melhorem o nível sócio-cultural dos seus estudantes.
Embora seja evidente a falta de capacitação técnica de nossos sujeitos, acreditamos que a escola é o espaço que deve proporcionar discussões atinentes ao uso da linguagem e suas tecnologias.

A tecnologia e suas simbologias comunicativas

Ao longo dos séculos o homem ocidental baseio seus costumes e ações em processos comunicativos, de forma que sentiu pressionado a utilizar conhecimentos lingüísticos e, sobretudo, inventar instrumentos para sua propagação. Não obstante, este processo resultou na confecção de símbolos que tinham como objetivo registrar todos os eventos produzidos por determinados grupos humanos.
Eis, grosso modo, a criação da imprensa, que a partir renascimento foi muito importante para o desenvolvimento e aperfeiçoamento das ideologias cristã no mundo ocidental, de tal maneira que os jesuístas construíram um império na América em virtude da tecnologia advinda da criação da imprensa, cujo veiculo principal de propagação das ideais do catolicismo estava registrados no livro doutrinários..
Dessa forma, o semioticista Barthes (1978), diz que a linguagem é uma legislação, a língua é seu código. Não vemos o poder que reside na língua, porque esquecemos que toda língua é uma classificação, e que toda classificação é opressiva.
Referindo-se ao idioma o lingüista estruturalista Roman Jakobson provou que um idioma se define menos pelo que ele permite dizer, do que por aquilo que ele obriga dizer. A exemplo disso, o francês figura no todo deste discurso.
Dessa forma, fica claro que a estrutura da língua por natureza possibilita a língua criar uma relação entre a fala e alienação. Assim, falar significa, de acordo com os pensamentos dos estudiosos, não é necessariamente comunicar, pois a língua nada mais é do que uma reição generalizada.
Sabemos ainda que, o domínio da língua em sua vertente mais significativa – escrita – existe a serviço do poder, de modo que Barthes classifica este episódio em dois pontos de vista importante: a Autoridade da asserção, o gregarismo da repetição.
Para o semioticista, isso ocorre em virtude de que “a língua é imediatamente assertiva: a negação, a dúvida, a possibilidade, a suspensão de julgamento, requerem operadores particulares que são eles próprios retomados num jogo de máscaras linguageiras”;
Neste contexto, pode-se afirmar que a língua em sua essência cria uma relação dialética entre o poder e a servidão, ou seja, a utilização massificante e repetida de determinados tipos de discursos produzem em seu interior uma série de relações, as quais delineiam e, até confundem entre si, oferecendo ao leitor/ouvinte um verdadeiro labirinto.
Diante disso, pode-se estabelecer que a língua visa o real da linguagem, de maneira que ela reconhece em sua essência as implicações que formam o paradigma da língua como simbologia de um fenômeno controlador da realidade escrita.
Para Sánchez, os meios de comunicação e a sociedade estão articulados em um processo comunicativo em que a linguagem ganha uma amplitude sem igual. Não obstante, este fenômeno atingiu diretamente os professores em seu fazer diário, pois para se comunicar estes profissionais necessitam empregar terminologias que geram uma situação comunicacional, isto é, utiliza-se do que se dispõem no momento.
Neste plano, ainda há de se destacar que comunicar é, segundo, Schramm (1973) citado por Sánchez (1999: 55) é um ato voluntário, uma ação que envolve vontade entre os interlocutores, pois, é a partir da vontade que os comunicadores elegem seus instrumentos de comunicação.

A transformação do pensamento educacional pela tecnologia


É senso comum que os textos que aborda os problemas da educação, chamem atenção para o episódio da transformação do estudante por meio de novas teorias e o uso de instrumentos tecnológicos que facilitam tal atitude educativa.
Para os investigadores educacionais, transformar significa perceber os resultados de trabalhos complexos e árduos que ao longo das ações foram se organizando de tal maneira, que as práticas se interligam com os pressupostos teóricos levantados em busca da concretização da mudança. “Transformação também é um conjunto de atividades que podem alterar estruturalmente uma pessoa, que mudam a forma da psique e do corpo[3]”.
Este argumento sintetiza as ideologias empregadas pelos sistemas comunicativos instruído pelo sistema dominante – capitalismo – o qual tem como nervo central à dominação do sujeito de corpo e alma, criando assim um alienado.

O boom tecnológico: euforia no uso de tecnologias computacionais

Sabe-se que nos últimos anos criou-se uma corrida vertiginosa em busca de inovações socioculturais e, sobretudo tecnológicas que possibilitasse a manipulação do sistema educacional e formativo de nossa sociedade.
Neste contexto, está o computador como ferramenta que possibilita a criação de episódios e mundos simbólicos, ao mesmo tempo em que introduz diferentes formas de atuação e de interação entre as pessoas que circulam ao seu redor, motivando a inovações muitas vezes vazias.
Para Almeida (2000:12-17), o clima de euforia em relação à utilização de tecnologias em todos os ramos da atividade humana coincide com um momento de questionamento e de reconhecimento da inconsistência do sistema educacional. Embora a tecnologia informática não seja autônoma para provocar transformações, o uso de computadores em educação coloca novas questões ao sistema e explicita inúmera inconsistência.”“.
No plano histórico, lembremos que o inicio de uso e/ou invenção de tecnologia voltada para o ensino foi provocado por Comenius (1592-1670), ao usar o livro impresso como instrumento de trabalho, o qual estava baseado no pensamento de universalização da equação ensino-aprendizagem. Assim, compreendemos que o homem sempre buscou instrumento que possibilitasse a universalização do saber através de um processo didático, cujo objetivo é tão somente a massificação da informação.
Em suma, não é possível pensar em educação sem fazer uma referencias aos processos tecnológicos que são criados com intuito de “facilitar” a fixação do conhecimento. Não obstante, não devemos esquecer que para que esta atividade se de maneira concreta é necessário, antes de tudo a formação de profissionais engajados com desenvolvimento da sociedade de informação em alta velocidade.
Seguindo o pressuposto do sistema, é inevitável um inquérito; como agir o professor que está no meio desse fogo cruzado? De um lado analfabetismo e miséria, do outro e tecnologias futuristas, porém inalcançáveis.
Em se tratando das evoluções no sistema educacional é licito refletirmos sobre o discurso de Paulo Freire a este respeito, de maneira que este corrobora chamando atenção para o evento da integralização dos esforços para a facilitação do acesso ao conhecimento, de maneira que asssoma-se isso ao desenvolvimento técnico-cientifico presente nas discussões educacionais dos últimos 20 anos do século XX.
No que se refere à inclusão de tecnologias computacionais no ambiente educacional, é licito entender o paralelismo criado por esta ideologia de modernidade. Em outras palavras; ao mesmo tempo em que há uma busca incessante para a implantação de computadores nas escolas como meio de garantir a qualidade do ensino, visto que deparamos com uma deficiência básica, isto é, temos milhares de crianças fora da sala de aula, aquela tradicional (quadro de giz, professor) a qual oferece os primeiros passos para a construção da aprendizagem.
Todavia, temos que compreender que cerca de 40% dos professores que compõe o quadro de nossas escolas não tem habilitação em nível superior. Além disso, a maioria dos profissionais da educação tem conhecimento básico de informática. Então perguntamos mais uma vez; porque não qualificamos nosso corpo docente conhecimentos voltados para os paradigmas educacionais que funcionem de acordo com as nossas possibilidades e depois pensem no uso de tecnologias? A resposta para esta questão esta centrada simplesmente nos ideais americanizados de educação, onde a tecnologias é parte do cotidiano de uma sociedade industrializada, a qual possibilita altos investimentos em equipamentos tecnológicos para laboratórios e, sobretudo, na formação de professores.
Para Dowbor (1994:122), este procedimento deve ser visto de maneira ampla, pois “frente à existência paralela deste atraso e da modernização é que temos que trabalhar em ‘dois tempos’”, fazendo melhor possível no universo preterido que constitui a nossa educação, mas criando rapidamente as condições para uma utilização ‘nova’ dos novos potenciais que surgem “.
Assim sendo, abre-se possibilidades que levam-nos a compreender os discursos dos estudiosos que questionam o uso do computador, como sendo a salvação da falência da educação. Ao contrário, o computador e suas simbologias tecnológicas são apenas ferramentas de trabalho.

A panacéia[4] dos males da educação moderna: o computador

O uso da informática como projeto de desenvolvimento pedagógico tem suscitado uma série de discussões no meio educacional e acadêmico. Segundo a crítica especializada este fenômeno ocorre em todo mundo, visto que as tecnologias informática se desenvolvem em alta velocidade tal qual a veiculação das informações através delas. Como não poderia ser diferente numa sociedade globalizada, o Brasil não está do centro das discussões.
No ambiente acadêmico construí-se um pensamento extremamente complexo, isto é, há em sua essência pontos não esclarecidos, todavia, existe uma credibilidade aqueles que dizem que “a tecnologia informática não é a característica fundamental da transformação educacional, não obstante, deve ser usada como instigadora de reflexões que levem a concepção dialética do processo educativo do individuo”.
Percebendo toda falácia que existe em torno do computador, que suas funções e seu uso apresentam-se como salvadores dos problemas da educação, o investigador Drucker (1993:153), assevera que “a tecnologia está ‘engolindo as escolas’ e enfatiza ainda que é necessário ‘repensar o papel e a função da educação escolar – seu foco, sua finalidade, seus valores... A tecnologia será importante, mas principalmente porque irá nos forçar a fazer coisas novas, e não porque irá permitir que façamos melhor as velhas”.
Aparentemente, temos um debate, o qual pode ser compreendido a partir do discurso de LOJKINE ( 127), que diz que o computador possibilita novos níveis de interpretação e entendimentos dos eventos educacionais, de maneira que os sistemas inteligentes criados pelo homem levam uma exigência maior por parte do profissional da educação que ministra conteúdos soltos e desconexos.
Diante disso, uma questão é inevitável, afinal, os computadores, na estrutura da escola e da sociedade , estão a serviço de quem e com que objetivos, uma vez que a escola não tem pessoa e equipamentos que atendam as necessidades básicas do conjunto?
Segundo Simon (1980) “a autonomatização dos processos de produção é a conseqüência lógica e o prolongamento da revolução industrial, que seguramente da continuidade ao processo de substituição da energia humana pela energia mecânica e digitalizada. Fato este que em virtude de sua velocidade não deixa tempo suficiente para que haja o processamento da informação, que conseqüentemente deveria se transformada em conhecimento.

Referências

BARTHES, Roland. Aula (trad. Leyla Perrone –Moisés) São Paulo: Cultrix, 1978.
Mediatamente! Televisão, Cultura e educação. Brasília: Ministério da Educação, SEED, 1999.
Proinfo: Informática e formação de professores. Brasília: Ministério da Educação, SEED, 2000, v. 1.
Proinfo: Informática e formação de professores. Brasília: Ministério da Educação, SEED, 2000, v. 2.
LOJKINE, Jean. A revolução informacional (trad. José Paulo Netto) - 2. ed. – São Paulo: Cortez, 1999.
FIGUEREDO, José Carlos. Comunicação sem fronteiras: da Pré-História à era da informação. São Paulo: Editora Gente, 1999.
TILBURG, João Luís Van. A televisão e o mundo do trabalho: o poder de barganha do cidadão-telespectador. São Paulo: Paulinas, 1990.
GUARESCHI, A. Pedrinho. Comunicação & controle social. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 2000.
MORAES, M.C. Informática educativa: dimensões e propriedade pedagógica, MACEIÓ, 1993.
[1] Texto apresentado no 2º encontro de orientação e debate sobre os paradigmas e temas atinentes ao Provão – 2002.
· Especialista em Metodologia do Ensino de Língua Estrangeira: Inglês – UNEMAT, professor de Língua Portuguesa da Faculdade de Educação de Tangará da Serra e Literatura da Universidade do Estado de Mato Grosso – Campus Tangará da Serra.
[2] De acordo com etimologia paradigma (do grego paradeigma: padrão, modelo) esta empregada em sua essência, pois estes veículos de comunicação criaram seus próprios padrões comunicativos e simbológicos, cabendo ao profissional da educação adaptá-los ao seu uso em sala de aula, visto que seu o objetivo é melhora o nível de conhecimento dos estudantes.
[3] SADEK, José Roberto. Educação, Movimento e escolha in: Mediatamente! Televisão, Cultura e educação. Brasília: Ministério da Educação, SEED, 1999.
[4] S.f. - Planta imaginária, a que os antigos atribuíam a virtude de curar todas as doenças.

ANÁLISE DO DISCURSO E OS AMBIENTES VIRTUAIS

Para a Análise do Discurso, não se focaliza o indivíduo falante, compreendido como um sujeito empírico, ou seja, como alguém que tem uma existência individualizada no mundo. Importa o sujeito inserido em uma conjuntura social, tomado em um lugar social, histórica e ideologicamente marcado; um sujeito que não é homogêneo, e sim heterogêneo, constituído por um conjunto de diferentes vozes. Assim as noções de polifonia e heretogeneidade também constituem objeto de reflexão e são necessárias para se compreender o que chamamos sujeito discursivo. (FERNANDES, 2007, p.11).
Aplicada a teoria do sujeito discursivo nos ambientes virtuais, onde os internautas atuam em nível heterogêneo de fala e sentido, tem-se, pois nessas reflexões necessárias para inferir que; a formação discursiva e o interdiscurso compõem o universo lingüístico-discursivo promovido por estes enunciadores sociais, uma que neles são realizados explanações que variam de acordo com o lugar social de cada sujeito do discurso.
Nos Chat e Weblog há entrecruzamentos dos aspectos sociais, históricos e, sobretudo, ideológicos da linguagem, conforme as vozes dos sujeitos discursivos se constituem como ponto de partida para a negociação dos sentidos por eles pretendidos nos contextos comunicativos em que se lançam no tempo e no espaço sociais elementos socioideológicos, tendo como meio de materialização destes, a linguagem, uma que os discursos realizados nos ambientes virtuais precisam da estrutura da língua (gem) para existirem, seja de modo virtual ou real.
Diante disso, a escolha do léxico e seu uso expõem os princípios ideológicos com os quais lidam em determinadas posições dos grupos sobre um determinado tema. É, portanto, necessário compreender ainda que seja nesse espaço que se manifestam os sentidos dos discursos, isto é, os sujeitos ao se pronunciarem em determinados lugares sociais por meio da linguagem levam ao nível máximo seus pronunciamentos.
Para a teoria da Análise do Discurso, os sentidos são produzidos em decorrência da ideologia dos seus enunciadores, de forma que cada um, de seu lugar de os compreende a partir de sua realidade política, social e cultural a que estão submetidos no momento da interlocução.
Assim, afiança-se que os discursos praticados pelos sujeitos discursivos, usuários de Chat e Weblog não são fixos, “estão sempre se movendo e sofrem transformações, acompanham as transformações, sociais e políticas de toda natureza que integram a vida humana.” (FERNANDES, 2007, p.20).
Sobre a natureza social do discurso Orlandi (1999, p.15) afirma: “a palavra discurso, etimologicamente, tem em si a idéia de curso, de percurso, de correr por, de movimento. O discurso é assim palavra em movimento, prática de linguagem: com o estudo do discurso observa-se o homem falando.” Ao fazer isso ele [homem] se movimenta no tempo e nos espaços sociais e, com isso provoca no outro e no grupo social, inquietações que levam às reminiscências de questões até então vistas através neblina homogeneidade.
Dessa forma, quando se observa a produção lingüístico-discursiva dos internautas nos ambientes virtuais, busca-se a compreensão dos sujeitos no conjunto social, uma vez que AD sugere que a tal interpretação se levará em conta os sentidos atribuídos pelos falantes aos elementos socioideológicos presentes nas atividades sociais realizadas no contexto do discurso. Dessa maneira, crê-se que nos ambientes virtuais “A ideologia materializa-se no discurso de cada um dos participantes na medida em que se articulam acerca de uma temática específica. Para isso tem como suporte material a linguagem a qual se configura na forma de escrita-fala, uma espécie de código secreto por eles criado para manter suas informações restritas ao grupo, cuja ideologia determina o significado de cada fragmento de discurso realizado pela comunidade virtual.
Por isso, se diz que a produção de sentidos num discurso depende, exclusivamente, dos lugares ocupados pelos sujeitos no momento da interlocução. Em outras palavras, a depender do ponto de vista socioideológicos do falante as palavras podem ganhar significados diferentes, levando inclusive, a graves problemas de comunicação.
O estudo do discurso toma a língua materializada em forma de texto, fora lingüística-histórica, tendo o discurso como o objeto. A análise destina-se a evidenciar os sentidos do discurso tendo em vista suas condições sócio-históricas e ideológicas de produção. As condições de produção compreendem fundamentalmente os sujeitos e a situação social. As palavras têm sentido em conformidade com as formações ideológicas em que os sujeitos (interlocutores) se inscrevem. (FERNANDES, 2007, p.22).

Para Pêcheux, (1977b, p.190) a noção de sentido deve ser construída a partir das proposições sócio-históricas que as palavras carregam em virtude da coletividade ter dado à elas um lugar de destaque em determinado momento de sua existência. Nas palavras de Pêcheux “o sentido de uma palavra, de uma expressão, de uma proposição, etc., não existe “em si mesmo” (...) mas, ao contrário, é determinado pelas posições ideológicas colocadas em jogo no processo sócio-histórico no qual as palavras, expressões e proposições são produzidas.” (PÊCHEUX, 1977b, p.190 apud FERNANDES, 2007, p.22).
Mister se faz dizer que o ponto central do discurso é a compreensão da ideologia na qual ele é produzido, visto que ambos se complementam para demonstrar o lugar de onde o sujeito do discurso enuncia, isto é, o falante ao se pronunciar ocupa um lugar de fala, e com isso inscreve-se em um espaço socioideológico e assim sua voz emana e reflete seus pontos de vistas histórico e social.

SEMANTICA E SEUS LIMITES NO TEXTO

Tratar das maneiras como a linguagem se articula na língua natural construindo sistemas de significação tal como ocorre no português e no inglês, é considerar que sistemas de signos são importantes para a comunicação. Por isso, “a referência a outros sistemas de signos acontecerá ocasionalmente e terá por objetivo a compreensão da estrutura das línguas naturais”[1]
No português, essas abordagens se dão a partir do entendimento de que há termos lingüísticos e semanticamente diferentes, no entanto, se aproximam quando abordados no plano da significação.

Por símbolo ou expressão, entendemos qualquer objeto físico (uma seqüência de sons, sinais gráficos, ou qualquer outra coisa) que, na consciência da comunidade que a utiliza, está associado, ou “está por”, alguma outra coisa. Já um signo é a associação convencional de um símbolo ou expressão com alguma outra coisa. Por exemplo, a seqüência de letras que formam o nome próprio Luciano Pavarotti é uma expressão; essa expressão junto com o célebre tenor que ela nomeia constituem um signo. As palavras e as sentenças das línguas são exatamente isto, signos[2].

É interessante perceber no texto de Chierchia a representação que os símbolos têm e desempenham na comunicação e na interpretação da linguagem. Assim, quando usamos um signo para informar algo a alguém, sem dúvida, precisamos empregar signos que sejam compreensivos tanto pelo emissor quanto pelo receptor. O contexto, normalmente define os atos elocutivos dos agentes da comunicação.

O contexto pode ser subdividido em contexto linguístico (o discurso no qual o ato lingüístico está inserido) e contexto extralingüístico (os fatos não-linguisticos que caracterizam o ambiente no qual a comunicação acontece (...) Uma língua fundamenta-se numa gramática, o sistema de regras e/ou princípios que governam o uso dos signos da lingua.[3]

Aqui, entendemos à maneira do semanticista citado que, linguagem dar-se a partir do uso que a sociedade faz da língua e sua significação, empregando de uma maneira ou de outra sua “gramática na vida de uma comunidade de usuários. Logo, Chierchia diz que: “A sintaxe estuda o aparato combinatório de uma língua; a semântica, seu aparato interpretativo. A pragmática trata da maneira pela qual a gramática como um todo pode ser usada em situações comunicativas concretas.”[4]
Diante disso, referência, denotação, significado ou sentido de um signo são elementos que contribuem para o entendimento das mensagens na comunicação cotidiana do grupos sociais.

Semântica e semiótica: uma aproximação empírica

Para a ciência do signo – Semiótica – o homem se diferencia do animal face a sua capacidade de comunicação simbólica. Por isso, a estrutura da semântica leva o sujeito a conformação do ser em seu universo ideológico e, principalmente o subjetivo.
A partir disso, se toma o termo; Semântica cuja perspectiva é de avizinhar-se, atualmente, de semiologia e semiótica. Contudo, nessas disciplinas há elementos conceituais e práticos que as diferenciam.
Para os filósofos empiristas da linguagem, tendo nesse quadro J. Locke como representante, a Semiótica – ciência dos signos -. Já na concepção do filósofo estado-unidense Ch. S. Pierce existem distinções acerca do icônico, indicial e, sobretudo o simbólico. Nesse sentido, ele compreendeu e havia confessado que: o que estudara até aquele momento, tudo era base na teoria semiótica na qual o símbolo possibilita e, conseqüentemente, se torna a marca distintiva do homem ante ao animal, constituindo assim, o ponto central comum ao estudo do mito, da religião, da arte e da ciência, que por seu turno são linguagens.
Na década de 60, os estudos de semântica junto com os marxistas, ocorreram na ótica da ideologia e da subjetividade, sendo que, Adam Schaff defendia a conciliação entre o pensamento marxista e a semântica, dado que a semântica passa a ser entendida como a “parte da lingüística que se ocupa da significação das palavras e da evolução dos seus sentidos”.
A linguagem no plano comunicativo foi entendida por Schaff como instrumento de socialização de ideologias. Portanto, para ele a função comunicativa se desenvolve a partir dos sentidos que o sujeitos atribuem aos objetos e coisas que usam para se expressarem.
Para o semanticista polonês, a função comunicativa da linguagem é desenvolvida a partir de:

O processo de comunicação e a relacionada situação-signo, isto é, a situação em que objetos e processos materiais se tornam signos no processo social da semiose, têm-nos servido de base à analise das categorias semânticas signo e significação. Tal análise, porém, mostra que, para entender o processo de comunicação e também o que é signo e significação, é necessário fazer referencias à linguagem por plano social e dentro da qual objetos e processos materiais podem, sob circunstâncias definidas, funcionar como signos, isto é, adquirir significações definidas. Eis por que a linguagem e a fala são elevadas ao papel de categorias fundamentais, em todas as pesquisas semânticas. Além disso, o lingüista, o lógico, o psicólogo, o antropólogo, etc., todos eles se referem à linguagem e a fala. (SCHAFF, 1968, pp. 355-6).

Embora tenha sido demasiado longa a assertiva mencionada acima, e cuja autoria é de Schaff, abre-se espaço para um horizonte de expectativa, isto é, há nessa discussão a tentativa de promover no sujeito uma série de possibilidades de leitura dos objetos que compõe o meio social em que se ele atua. Por isso, nosso estudioso assegura que a linguagem é “um sistema de signos verbais que serve para formular pensamentos no processo de reflexão da realidade objetiva pela cognição subjetiva e para comunicação socialmente esses pensamentos sobre a realidade, bem como as expectativas emocionais, estéticas, volitivas, etc., a esta relacionada”.
O objeto da semântica tem sido compreendido e delimitado pelos especialistas, embora se tenham notícias de vários semanticistas que expõem suas opiniões em defesa da ampliação do seu campo e objeto de investigação. Para melhor didatizar a discussão, deve se entender, grosso modo, que ela é.

Semântica é o estudo do significado em linguagem, semântica é a disciplina lingüística que estuda o sentido dos elementos formais da língua, ai incluídos morfemas, vocábulos, locuções e sentenças (= estruturas sintaticamente completas ou lingüisticamente gramaticais), ou, ainda, semântica é o estudo da significação das formas lingüísticas.
Estas, pois, são as palavras de Marques (1990:15), as quais afirmam que os significados das palavras, segundo os princípios da lingüística se dão em três níveis: semântica lexical, semântica da sentença – independentemente de condicionamentos contextuais ou situacionais – e o da semântica do texto – relativo ao uso concreto da língua em textos falados ou escritos, contextual e/ou situacionalmente condicionados.
Além disso, existem afirmações que dão conta de que a melhor maneira de se conceituar a semântica é conhecer que estamos diante de uma ciência que trata de significados. Portanto, a melhor forma de se amenizar as discussões sobre tal conceito é, sem dúvida, aceitar que se trata de um estudo heterogêneo dos sentidos. Para Fodor e Katz (1964, p. 417) apud Marques (2000:17) o lugar-comum entre lingüística e semântica é“... a única maneira que se tem de descrever de modo preciso a atual situação da semântica é mostrar parte de sua heterogeneidade.” Assim, tais palavras corroboram idéia de que se tem um ciência aberta à múltiplas aplicações quando se busca entender os sentidos das palavras em textos e contextos específicos.
Nesse quadro é importante que se tenha em mente o conceito de comunicação, pois é a partir dela que os seres realizam seus sentidos, ou seja, é por meio do ato de comunicar que se faz saber conhecimentos de várias formas. Segundo conceitua Ducrot “Comunicar seria, antes de tudo, fazer saber, pôr o interlocutor na posse de conhecimentos de que antes ele não dispunha: não haveria informaçao a não ser que, e na medida em que, houvesse comunicação de alguma coisa.” (Ducrot, 1972, p. 10).
Assim, tem se a possibilidade de verificar através dos princípios da semântica a intersubjetividade dos falantes. Tal perspectiva, segundo Benveniste é apontada no uso dos pronomes EU e TU, ambos com característica de próxima. Sendo que, Eu “é uma maneira mais rápida o próprio nome), têm, na realidade, uma função mais complexa.”

O que é texto na perspectiva semântica e semiótica?

Para a semiótica contemporânea as contribuições de C.S.Pierce e Saussure possibilitaram ao estudioso, sobretudo, ao leitor comum observar e analisar os significados que as palavras têm tanto na cultura quanto na sociedade em geral, tendo obviamente a língua particular como código e, portanto, os signos constituem sistemas de significação complexos.

Uma conseqüência da substituição do signo – conceito histórico, artefato analítico (e inclusive ideológico), como gostava de afirmar Barthes (1980:1074) – pelos sistemas de significação foi a de centrar a mirada semiótica (Fabbri, 1973) no texto (ou discurso) que produz sentido, considerado num primeiro momento como sequencia de signos. (LOZANO, 2002, p. 2).

Dando continuidade ao entendimento do que é o texto Derrida e Kristeva de forma particular, segundo Lozano, sustentam que os textos são o lugar em que o sentido se produz e produza (prática significante).
O objeto da semântica e da semiótica é o texto. A semiótica visa mostrar através da metalinguagem os discursos produzidos pela sociedade, e conseqüentemente explicar o que e para que servem seus sentidos.
Bakhtin (1977: 179), afirmou Onde não há texto, tampouco há objeto de investigação e de pensamento. É a partir desse momento que ele situou suas observações de pesquisa, situando o papel e o limite do texto nas disciplinas que utilizam o texto como objeto de análise: filosofia, lingüística, a chamada crítica literária.
O lócus de Bakhtin é sem dúvida o espaço do texto. Por isso ele dizia que o texto escrito e oral é dado primário de todas as disciplinas e, em geral, de todo o pensamento teológico e filosófico em suas origens. Nesse sentido, apontava que o “texto é aquela realidade imediata (realidade de pensamento e de emoções) sobre a qual só podem fundar-se estas disciplinas e este pensamento.” (BAKHTIN, 1997, p.197).
Essa idéia fundante de texto nos permite entender que o texto é o objeto que permite, em função de um interesse comum, a convergência de disciplinas distintas. Tanto a sociologia como a sociolingüística, a psicologia social a teoria da informação e a teoria da comunicação e muitas outras têm em comum o fato de trabalhar com textos. (LOZANO, 2002, p. 2).

[1]CHIERCHIA, Gennaro. Semântica. São Paulo: EDUEL, 2003, p. 25.
[2] Idem.
[3] ib idem. p. 25
[4] op. cit, p. 26.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

VASTIDÃO

Pela janela do quarto escuro
Miro a vastidão do mundo
Com seus braços abertos
Para qualquer um receber.

Vasto mundo que a todos
Acolhe em abraços mudos
Porém, com o calor dos amantes.

Mundo, imenso mundo...
Na sua imensidão abriga os filhos
De quem vive na ilusão...

Ilusão que alimenta os sonhos
Nas mentes a viver em contínua
Esperança de que a alma se engane
Na eterna busca pela salvação do amor.

22 de outubro de 2008, 10h32min
Robério Pereira Barreto

domingo, 19 de outubro de 2008

CARÊNCIA...

Na espera há sempre presença.
Presença da saudade que atrofia
O peito de tanta a carência.

Carência que precipita a alma
Ao abismo da agonia e que
Alerta o corpo pedindo a ele
Que deixe o tempo trazer para
Junto de si um pouco de calma.

Calma que se traduz em silêncio
Por que a noite meneia os segredos
Percorridos na imensidão de te querer...

Querer-te nessa imensa ausência
É penitência que se paga com prazer
E que beira a demência.

19 de outubro de 2008, 21h26
Robério Pereira Barreto

terça-feira, 14 de outubro de 2008

SENTIDOS...

Nesta noite a lua ofuscou
O brilho de sua beleza
Ao despejar sobre a terra
Um clarão de alegria singela.

O que conforta é saber
Que tal formosura é finita,
Dura somente um noite,
Enquanto seu encanto é infinito
É sinto que é somente meu.

Então, não há mais medo
Em dizer que o meu coração
Está aberto e você pode
Penetrá-lo sem pedir licença
Nem fazer discrição;

Ao tocá-lo sinta-se como a lua,
Iluminando de alegria os mais
Negros recantos dos seres...
E, despindo-se lindamente
Mostra-se a todos sem pudor.

Agora, é difícil encontrar
A palavra para descrever
O quanto sinto sua presença
Desde a madrugada até o amanhecer.


15 de junho de 2008, 10h59min.
Robério Pereira Barreto

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

ESPELHO...

Sou ser ambulante a mercê
Da vontade do vento
A qual me adormece com veneno.

Caído como anjo em noite escura
Nada sou ante ao destino que
Minh’alma enclausura.

Serei mais um...?
Não, não!
Apenas estou nas mãos
Do destino que me faz
Fantoche à revelia.

09 de outubro de 2008, 18h30
Robério Pereira Barreto

CACOS DE HUMANIDADE


A produção que apresento ao webleitor é uma daquelas pérolas que nos chegam por acaso. Trata-se de um poema sem título escrito pela poetisa Reiniza Teixeira dos Santos, a qual tem produções poéticas simplesmente enigmáticas que nos fazem a exemplo desse escrito recorrermos à memória imagética e afetiva e, portanto, perceber elementos da filosofia nietscheneana, bem como influênica dos poetas ultra-românticos. A exemplo de Augustos do Anjos, Reinila traz à tona toda miserabilidade do ser humano em palavras cujas intuições são inponderáveis ante as agonias da reissureição da alma a viver em desenganos.



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terça-feira, 7 de outubro de 2008

VISÃO

Nos jardins das praças nascem flores
E seus olhos reluzem cores
Na imensidão da cidade solitária
Que não tem mais amores à moda tropicália.

Daí, essa lâmina ferina corta meu ser canalha
Que anima meu corpo a viver à sombra da muralha
Da tristeza e da indiferença que hão de me matar.

Seu olhar penetra o corpo,
E dilacera a alma diante de tanta falsidade,
E faz o coração render-se a sua desumanidade
Mas, sou sombrio e refaço-me.

Prisioneiro e sob a luz de seu contemplar,
Sinto me condenado às poucas cores
Da cidade-cemitério, onde os olhares
Portam dores e mistérios.

Robério Pereira Barreto
07 de novembro de 2008, 21h40

sábado, 4 de outubro de 2008

MACABEA: HEROÍNA TRÁGICA NA METRÓPOLE


Robério Pereira Barreto©
Aquiles – Assim falou a águia, ao perceber as penas na flecha que a perfurava: Então somos abatidas por nossas próprias asas. Ésquilo*

Clarice Lispector publicou A Hora da Estrela em 1977. A narrativa é edificada sob o olhar do narrador Rodrigo S.M. que aos poucos demonstra como o sujeito clareceano é justaposto no meio social, cujo drama é corroborado pela falta de sentimento de pertença, ou seja, a protagonista Macabea vive as mazelas e vicissitudes da nova realidade sociocultural, Rio de Janeiro. Devido a isso, ela passa por grandes dificuldades em virtude da falta de intelecto e personalidade suficientemente fortes para lidar com os novos desafios que lhes foram impostos pelo novo lócus social. Restam-lhes duas saídas: i) negar sua origem e construir imaginariamente uma nova identidade; ii) atribuir suas incompetências e desgraças ao destino, tornando-se vítima da tragédia. Com isso Rodrigo S.M posiciona tragicamente Macabea, elevando-a ao panteão das vítimas da modernidade. O que se tem a partir daí é o drama interior do personagem em meio à busca e à fuga de sua verdade.
Para Aristóteles em sua Poética, a tragédia se caracteriza por ser:
... imitação de uma ação de caráter elevado, completa e de certa extensão, em linguagem ornamentada e com várias espécies de ornamentos distribuídas pelas diversas partes (do drama), (imitação que se efetua) não por narrativa, mas mediante atores, e que, suscitando o terror e a piedade, tem por efeito a purificação dessas emoções. (ARISTÓTELES, 1973:447).
Estudiosos da obra de Lispector afiançam que A hora da estrela, de Clarice Lispector tem como base as influências da tradição do teatro grego no romance moderno, e por esse motivo é possível vislumbrar alguns pontos de contato com o texto trágico, não só no que concerne à transposição de recursos dramáticos para o gênero narrativo, como também no que diz respeito à proximidade de temas entre o texto clariceano e a obra Édipo Rei, de Sófocles, já que os dois textos tratam da angústia dos protagonistas em desvelar de si mesmo e do próprio destino.
A realidade trágica manifestada em A hora da estrela é dotada de extremo subjetivismo, não sendo uma essência, mas sim uma estrutura plurissignificativa que depende de uma determinada ótica para se manifestar sob uma forma distinta. Ou seja, na narrativa clariceana é comum o multiperspectivismo, isto é, coexistem o olhar do narrador e o olhar dos personagens, no qual só se pode falar em realidades plurais, uma vez que a protagonista se torna “fantoche”, sendo manipulada pelos fatos sócio-psicológicos que a acerca.
Para Aristóteles, neste tipo de discurso está presente a epifania, ou seja, é o medo de si e dos demais que Macabea apresenta ao estar em seu quarto ouvindo o radio-relógio; imaginando coisas que poderiam acontecer-lhe na mundo além do quarto. Isto a leva ao prazer trágico, o qual evocar a catarse, provocando alívio de emoções, através da purgação. A catarse aristotélica, de acordo com o Antônio Freire (1985), consiste na purificação, na moderação, na sublimação dos dois sentimentos mais característicos da tragédia: a compaixão e o terror. Portanto, a protagonista é uma mulher comum, para quem ninguém olharia, ou melhor, a quem qualquer um desprezaria: corpo franzino, doente, feia, maus hábitos de higiene. Além disso, era alvo fácil da propaganda e da indústria cultural (para exemplificar; seu desejo maior era ser igual à Marilyn Monroe, símbolo sexual da época). Nossa personagem não sabe quem é, o que a torna incapaz de impor-se frente a qualquer um, portanto é epifânica em essência.
Dessa forma, Macabea caracteriza-se como sujeito trágico, pois ao longo da narrativa, ela segue de maneira linear seu próprio esvaziamento enquanto sujeito, perdendo inclusive sua autonomia, devido à obediência aos ditames do destino. Se na tradição trágica se diz que o personagem sucumbe devido a um erro cometido por ignorância. Infere-se com isso que Macabea ao nascer cometera seu primeiro erro, passando a ter sua vida definida pelo poder metafísico.
Eu também acho esquisito, mas minha mãe botou ele por promessa a Nossa Senhora da Boa Morte se eu não vingasse, até um ano de idade eu não era chamada porque não tinha nome, eu preferia continuar a nunca ser chamada em vez de ter um nome que ninguém tem mas parece que deu certo. (LISPECTOR, 1998:43)
O trágico não reside na noção do aniquilamento, mas na idéia de que a própria salvação torna-se o aniquilamento. Não é na degradação da heroína que se cumpre a tragicidade, mas no fato de ela sucumbir no caminho que tomou justamente para fugir da ruína. Deste modo, ao tentar escapar de seu destino, fugindo da casa da tia, Macabea encontra em figuras desconhecidas uma possibilidade se compreende enquanto sujeito. Triste, nossa personagem busca consolo numa cartomante, que prevê que ela seria finalmente feliz: “a felicidade viria do "estrangeiro".
Segundo Nietzsche (s/d), em A origem da tragédia, existem dois elementos essenciais na fundação da tragédia: o espírito apolíneo e o instinto dionisíaco. Nascido como conflito, o encontro destes dois estados, através de um milagre metafísico, harmonicamente, dá origem à tragédia àtica. Preso a um destino, o heroína trágica precisa cumprir seu percurso de desnudamento da aparência, o que ocorre através da extinção da individuação apolínea pelo êxtase dionisíaco. Reintegrado ao coletivo, Macabea receberá a gratidão da comunidade, pela qual doou seu sacrifício. Para haver tragédia é necessário o conflito, que irá se instaurar na medida em que os personagens buscam sua autonomia, desafiando os deuses e as leis da polis.
Em A hora da estrela, os acontecimentos – assumidos como história inventada e mediada pelo narrador – se materializam no decorrer da própria escrita: “Pergunto-me se eu deveria caminhar à frente do tempo e esboçar logo um final. Acontece, porém que eu mesmo ainda não sei bem como esse isto terminará”. Aqui, o narrador prefere se concentrar no interior da personagem Macabéa, pois é a partir dele que as reflexões e os conflitos se estabelecem. A heroína de Clarice é apenas mais um dos rostos sofridos dos que imigram para os grandes centros urbanos.
O pathos de Macabéa se relaciona com valores interiores; seu destino em nada influi na vida da cidade: “Como a nordestina, há milhares de moças espalhadas por cortiços, vagas de cama num quarto, atrás dos balcões trabalhando até a estafa. Não notam sequer que são facilmente substituíveis e que tanto existiriam como não existiriam”. Macabéa é a anti-heroína, cuja história tem o valor questionado pelo próprio narrador.
Macabéa também não tem noção de si mesma: “Se tivesse a tolice de se perguntar ‘quem sou eu?' cairia estatelada e em cheio no chão. É que ‘quem sou eu?' provoca necessidade. E como satisfazer a necessidade? Quem se indaga é incompleto.” Macabéa não se questiona; sua ignorância é total. Também não busca nenhuma verdade, não tem esperança no amanhã e no seu destino. O desvendar de sua verdade, que acontece por acaso na fatalidade de seu atropelamento, só lhe é possível na iminência da morte: “Hoje, pensou ela, hoje é o primeiro dia de minha vida: nasci.” É preciso ainda mencionar que Macabéa também encontra no final trágico sua forma de redenção – finalmente ela “é”, como personagem central de sua própria história, tornando-se a estrela de sua própria morte.
Para Derrida citado por Hutcheon “o sujeito é absolutamente indispensável. Eu não destruo o sujeito; eu o situo” (Hutcheon, 1991, p. 204). Dessa forma, podemos situar Macabea, conforme ensinamento do pós-modernismo é reconhecer e situá-la nas diferenças das ideologias e subjetividades do sistema, o qual a envolve e absorve nas teias dos sistemas culturais pelos quais ela passou.
Por fim, Macabea, esse sujeito feminino produto da espetacularização da fêmea desprovida de corpo e mente é consumida pela sua própria insignificância diante da grandiosidade do sistema. Mesmo na modernidade o, sujeito, às vezes, nem sempre suporta toda essa superposição de choques, essa impessoalização das relações e a falta de espiritualidade. Tampouco Macabéa o suportou, sobretudo ela que “era à-toa na cidade inconquistável”. O Rio de Janeiro era a cidade incompreensível, inatingível e impossível para Macabéa, na qual não consegui se situar na linguagem simbólica e cifrada da metrópole carioca, a qual acabou a “engolida”.
Referências
ARISTÓTELES. Poética. In: Os pensadores . Vol IV. São Paulo: Abril Cultural, 1973. BORELLI, Olga. Clarice Lispector – Esboço para um possível retrato. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981.
CANDIDO, Antonio. No Raiar de Clarice Lispector. In Vários Escritos. São Paulo: Duas Cidades, 1970.
ÉSQUILO. In: SZONDI, Peter. Ensaio sobre o trágico. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2004.
FREITAG, Barbara. O Mito da Megalópole na Literatura Brasileira. Revista do Tempo Brasileiro, nº 132, Rio de Janeiro: 1998.
FREIRE, Antônio. O teatro grego . Braga: Pub. Da Faculdade de Filosofia, 1985.
HUTCHEON, Linda. Poética do Pós-modernismo. Rio de Janeiro: Imago, 1991.
LISPECTOR, Clarice. A hora da estrela . Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
NIETZSCHE, Frederich. A origem da tragédia. /s.l./: Guimarães Ed., /s.d. b/.
NUNES, Benedito. O Drama da Linguagem – Uma Leitura de Clarice Lispector. 2. ed., São Paulo: Editora Ática, 1995.
SÓFOCLES. Édipo-Rei . São Paulo: Abril Cultiral, 1980.
SÁ, Olga de. A Escritura de Clarice Lispector. Petrópolis: Vozes, 1993. WALDMAN, Berta. Clarice Lispector: a paixão segundo C.L. São Paulo: Escuta, 1992.

© Professor de Linguagens e Literatura do DCHT- UNEB, câmpus XVI, - Irecê –BA. Poeta e escritor. Endereços eletrônicos: jpgbarreto@hotmail.com e jpgbarreto@gmail.com; diário eletrônico: www.poetadasolidao.blogspot.com

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

LUAR DE SAUDADE

A lua banha de magia o universo
E irradia o brilho de seus olhos
Enchendo o céu de alegria.

As estrelas cortam firmamento
E as ondas do mar gemem
Como se sentissem o sofrimento
Que parte esse peito...

O que fazer para acalmar o coração?
Não há nada a fazer.
Porque ele ver a dor que sente
A alma ao lembrar-se de ti.

Daí, olhar a lua nessa noite
É sentir sua presença em mim
E não tem para onde fugir;
É saudade sentir até não resistir
E esvanecer em lágrimas
cada gota de mim no oceano
da saudade...

16 de setembro de 2008, 23h58min
Robério Pereira Barreto

domingo, 14 de setembro de 2008

POR VOCÊ...

Por você subirei a serra
E no cimo dela respirei puro ar,
Correndo descerei para lhe entregar.

Por você mergulharei ao fundo do oceano
E de duras ostras extrairei lindas pérolas
Para com elas lhe enfeitar o colo
Com pedras belas.

Por você peregrinarei no meu deserto
Na busca de um sol que aponte
O jeito certo de lhe guardar
Com esse coração modesto.

Por você acordarei na madrugada fria
Para cobrir e aquecer lhes as partes
Que ficaram fora do cobertor,
Evitando ficarem geladas...

Por você descerei ao inferno
Para lhe salvar se preciso for...

Por você empenharei minha alma
Para que tenha felicidade...

Por você não importarei em tornar eterno devedor,
Porque, um dia, serei recompensado;
Terei o seu amor.

14 de setembro de 2008, 23h42min.
Robério Pereira Barreto

CHARME

O mel dos seus olhos
Mistura-se ao marfim
Do seu sorriso e faz de ti
Uma beleza capaz de me seduzir.

O cheiro de jambo de sua pele
Ao mais involuntário toque
Incendeia a mente e fere
Os mais castos anseios
Que ora devoto a ti.

O carmim de seus lábios me atrai;
Como as flores convidam
O ousado beija-flor para invadi-las
Com malicioso toque de amor,
Porém, ainda me sinto distante
Por causa de seu véu protetor.

13 de setembro de 2008, 19h55
Robério Pereira Barreto

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

APLAUSOS

Quando vejo a luz da lua
Nela sua sombra insinua
E sinto vontade de ter você...

Quando a lua se deita
Na madrugada,
Os meus olhos rejeitam
A luz do dia; por que ela [lua] os seduz.

Impaciente, na lucidez da lua
Sua pele de brancura nua
Desfila na minha mente
Como se passeasse na rua
Aos aplausos do meu coração.

12 de setembro de 2008, 19h39min.
Robério Pereira Barreto

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

OLHOS FECHADOS

É madrugada e meus olhos não querem o dia,
Fechados eles contemplam-te
Lindamente na beleza no primeiro encontro.

Naquele dia meus pés acariciavam o chão
E o coração apanhava mais do que batia
De tanto querer ter você depois da fantasia.

Mas e agora? Depois de tudo vai embora?
Simplesmente deixando para trás
Um rastro de nós diluído no ar

Ainda há tempo, venha...
Para os meus braços que,
Abraçados a escuridão da noite
Enfrentaremos sem pensar!

Venha, venha, venha...
E ria para mim trazendo
A luz a clarear a passagem
A caminho do mar...

05 de setembro de 2008, 12h13min.
Robério Pereira Barreto

ABRAÇO PÚBERE

Sussurros teus levam
Ao encontro do eu perdido
Entre dor e prazer
Na escuridão do destino.

A claridade desse olhar
Mareante guiando o pulsar
Do peito em descompasso...

Agora, derreado em púbere regaço
O amor preso a laço
Se solta para viver sem lastro
E achar a felicidade noutros braços.

05 de setembro de 2008, 01h45min
Robério Pereira Barreto