domingo, 1 de junho de 2008

ÚLTIMO BEIJO

Como queria poder abafar meu coração
que não pára de gritar em tom grave
que não posso sem ti viver!

Mas não consigo, pois sua presença é real
e imprescindível para mim como o oxigênio
que alimenta e faz crescer a flor de beleza natural.

Depois de você em meu existir
não mais consigo andar por ai
por que a cada rosto que abre um riso,
é como sentir sua boca dando-me o último beijo.

Como queria ser amnésico agora!
assim não lembraria de quando foi embora,
deixando para trás as lembranças e dor do amor
que por falta de oxigênio infartou!

Robério Pereira Barreto.
Domingo, dias dos pais, 13 de agosto de 2006, 18h9’

VESTÍGIOS

Nunca meu coração esteve tão célere como agora,
Porque aumenta a pulsação ao aproximar-me de ti,
O corpo esquenta igual a um vulcão prestes a explodir.

E nas entranhas d’minha alma
Nascem desejos tão ardentes que me dominam;
O sangue ao calor da paixão ferve,
Derretendo quaisquer que sejam os esforços racionais

Para manter-me equilibrado diante de sua beleza alva.
Digo a mim: Controle seu impulsos e decline por ela seu fervor,
Mas me falta energia para lhe declara meu amor,
Sua compleição me consome
Qual a luz da manhã afasta os vestígios da noite escura.

Robério Pereira Barreto, 11 de agosto de 2006.

DEVIR

Nasci na geração da rebeldia
por isso vivo em busca de um novo dia
no qual possa ser livre e amar sem garantia
e obrigação de ser o que desejam para mim.

Agora sei que em todo amanhecer
posso contar com você,
porque a vida real é horrenda
e se não tiver um pouco de seu ser em mim
posso não resistir, venho a morrer.

Vindo a morrer sem que você
tenha sido minha na intimidade d”alma,
irei padecer nos infortúnios da solidão
e o espírito eternamente vai sofrer na escuridão.

Negrume que antes de lhe encontrar
vivia pensando que estava no fim
e que a vida era para mim um deserto
no qual se anda e tem a morte por certo.

Robério Pereira Barreto,
02 de julho de 2006.

RESSURREIÇÃO

Ano de 20013 e lá estava o relógio na parede, cujo marasmo dos ponteiros denunciava como o tempo naquela casa acontecia. Sustentava-se por um fio que de tanto estar ali, naquela mesma posição mostra-se indiferente a tudo à sua volta. Em seu formato cilíndrico e cores medievais fazia o movimento contrário aos acontecimentos da casa. Ali, vidas, amores, desamores, alegrias e tristezas ocorriam à velocidade da luz, porém não eram suficientes para abalar a sua existência enquanto membro ausente da família. Entretanto, eis que alguém olha para a parede e percebe que os ponteiros do relógio tinham parado à zero (00h). Naquele instante foi uma surpresa, susto geral como se uma tragédia tivesse abatido sobre todos. Daí surgiu os maiores lamentos:
- Nossa! Que houve? Que horrível? Com parcimônia, a matriarca da família, sentada em sua cadeira de fios a laser; indagou.
- Certamente, acabou o fluído atômico. Vociferou uma
mocinha com roupas de néon e cabelos coloridos cheio de luzes.
- Imagina! Que houve com todos? Devem estar loucos. Faz anos que esse relógio encontra-se nessa posição. É como se pedisse para que alguém lhe desse um pouco de atenção – entretanto, passaram por esta sala gerações, e ali estava ele, imóvel, jogado ao limpo da indiferença. Certamente, cansou da inércia daqueles que deveriam ao menos considerá-lo com alguém da família e morreu. Agora é preciso acontecer o milagre da ressuscitação!

sábado, 31 de maio de 2008

IDENTIDADE COMO DISCURSO PUBLICITÁRIO



A publicidade é um requisito importante para a comunicação no sistema de moda. Desde muito tempo até hoje são variadas as maneiras para se registrar e difundir as interações sociais por meio da moda.
Para isso se justapõem inúmeras linguagens – verbal e não verbal entre outras. Estes discursos se interpenetram, objetivando garantir e atender aos desejos básicos de preservação da cultura e do consumo na sociedade contemporânea. Entre estes discursos destaca-se a produção publicitária relativa à moda. Assim sendo, neste ensaio intenta-se construir argumentos sobre a importância do discurso na construção de uma marca e, por seu turno, a fixação desta no inconsciente coletivo, promovendo assim uma espécie de identidade comum aos usuários de determinados tipos de serviços e produtos.
Para tanto, se elege como corpus a peça publicitário de uma empresa do ramo de confecções situada na cidade de Irecê- BA, veiculada em outdoors, rádio e espaços públicos (lixeiras, painéis, placas, etc.) com a mensagem: “FABIANO É AQUI moda com identidade.” que segundo informações prestadas pela gerente da loja, tal texto foi produzido por uma empresa de publicidade da capital.
Busca-se, portanto, entender ainda os processos semio-ideológicos presentes em tal texto. Para isso, se utilizará como suporte teórico-metodológico os fundamentos da semiótica, uma vez que tal ciência possibilita o desvelamento dos signos usados na constituição do discurso em questão.
Sabe-se a priori que a publicidade traz em sua essência e, por conseguinte, aglutina em si vários expedientes das linguagens, transformando suas mensagens em signos artísticos na medida em que se juntam variadas imagens para formatar o texto num único signo. Neste instante, privilegia-se a publicidade como gênero discursivo[1] e que tem uma significância para a comunicação na sociedade contemporânea, sobremodo quando a mensagem se dirige à moda como construto da identidade individual ou coletiva.
Conforme estudiosos, o fato de a publicidade traduzir uma concepção de linguagem de arte visual e meio de expressão narrativo não se refere as apreciações gratuitas, constata-se, portanto, a facilidade que tal discurso tem em transcender às barreiras da comunicação interpessoal, pois o signo do proprietário é a marca que identifica e promove a regra do negócio.

Desvelando conceitos
Sabe-se, portanto que à primeira vista a publicidade é um sistema de signos lingüísticos e semiológicos que formam e dão significados à mensagem. Entretanto, é necessário que se conheça o canal por meio do qual o texto será veiculado. Fala-se ainda que a publicidade tenha a sua origem na Babilônia, onde foi encontrada por arqueólogos uma espécie de tabuleta em cerâmica contendo mensagens promovendo a venda de gado e alimentos.
Dessa forma, a publicidade passa-se a ser empregada aqui como uma comunicação de caráter persuasivo que visa defender os interesses econômicos de uma indústria ou empresa, bem como mecanismo que possibilita a fixação de uma marca ou produto na mente do consumidor, levando-o a criação e ou aceitação da identidade proposta por ela.
No que se refere a identidade neste sistema, Charaudeau (2006, p.72) fala de indentidade como sendo instâncias de informação e considera que todo ato de comunicação coloca em relação as instância de produção e recepção para que possa surtir os efeitos significados pelos enunciados. Para ele, a instancia de produção é ampla e porque além de fornecedor de informação propulsiona o desejo de consumir, levando seu público à captação de recursos socioculturais para inferir à mensagem proposta pelo discurso publicitário. Já a instância de recepção está o prazer em ser visto na pela identidade criada pela informação.

Assim, a instância de produção deve se considerada de modo diferente, ora como organizadora do conjunto do sistema de produção, num lugar externo, ora como organizadora da enunciação discursiva da informação. A instância de recepção também dever ser desdobrada: de um ponto de vista interno à instância midiática, [...] a instância de recepção propriamente dita, com uma atividade própria de consumo, é deisgnada como “instância-publico””. (Charaudeau, 2006, p.72).


Para Dichter a publicidade faz com as coisas ganhem alma, isto é, os produtos aos serem adquiridos pelo consumidor, automaticamente, influenciam muitas vezes as reações de outras pessoas de maneira específica, por que a ele foi dada uma identidade. Então, a imagem e personalidade da marca fazem com que o usuário se veja valorizado entre os grupos sociais a que pertence.

Referências
BAKHTIN, Mikhail M. Estética da criação verbal (trad. do francês Maria E. G.G. Pereira). São Paulo: Martins Fontes, 1992.
BARBOSA, Ivan Santo.Os sentidos da publicidade:estudos interdisciplinares. São Paulo: Thompson Learning, 2005.
JAKOBSON, Roman. Lingüística e comunicação (trad. I.Blinkstein e José P. Paes). São Paulo: Cultrix, 1971.
LOTMAN, I. A estrutura do texto artístico (trad. M.C.V. Raposo e A. Raposo). Lisboa: Estampa, 1978.
MARANHÃO, J. A arte da publicidade, estética, crítica e kitsch. Campinas: Papirus, 1988.
RANDAZZO, Sal. A criação de mitos na publicidade: como os publicitários usam o poder do mito e do simbolismo para criar marcas de sucesso. Rio de Janeiro: Rocco, 1996.
[1] Entendido aqui como espaço comunicacional amplo onde se justapõem linguagens de arte visual e verbal e meio de expressão narrativo em que princípios semiológicos e lingüísticos adquirem valor significativo, seja como arte; seja como instrumento cultural e político.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

PAIXÃO TELEPÁTICA

Sua ausência-presença é a energia
Que move a máquina dessa paixão,
Transformando a dor da separação
Na doce magia da combustão.

Quero-te todo hora e dia
Com a força do pensamento;
Faço amor contigo todo momento
Em que sua face invade minha mente.

Neste prazer independente
Desejo ti minha amante
Austera e complacente.

30 de maio de 2008, 19h33min
Robério Pereira Barreto

TAVERNA DA PAIXÃO

A noite está ficando fria
E com ela vem uma gélida
Sensação de que estou
Numa taverna dostoiéskiana
Onde tudo a alma espia.

Desorientado, tudo se move
E aos poucos uma imagem de ti
Nas paredes úmidas surgi,
Daí tento fitá-la, logo foge.

Embriagado com a frieza da aparição
Derramo à mesa lágrimas de saudade
E tenho vontade de aquecer
Corpo e a alma nas chamas
Desse suave e belicosa boca...

30 de maio de 2008, 19h08
Robério Pereira Barreto

quarta-feira, 28 de maio de 2008

A MISÉRIA INTELECTUAL CONTEMPORÂNEA: CULTURA DO CONTROL “C” E CONTROL “V”

Gostaria de poder dizer a partir do meu lugar de fala, professor e pesquisador sobre a produção de linguagens e leituras nos meios digitais, que estamos vivendo um instante paradoxal no que se refere à “produção” do conhecimento, uma vez que ao mesmo tempo em que se reclama da falta de bibliotecas públicas para os estudantes buscarem livros para ler e fazerem pesquisas escolares tem-se dados oficiais mostrando o aumento do número de leitores em todo o país, sobretudo daqueles que lêem e produzem ciberdiscurso, isto é, há uma massa de jovens estudantes dominando a técnica e o código da linguagem das salas virtuais, desprezando com isso, a pesquisa em livros de referências.
Há quem defenda esta questão e existem também aqueles que atacam o uso indiscriminado de qualquer um desses meios de acesso ao saber. Na verdade, o que se pode dizer a respeito disso é que tem havido, sobremodo, no meio escolar, inclusive no espaço universitário uma disposição à lei do menor esforço, ou seja, estudantes desde as séries iniciais até a universidade, conforme tenho notado em trabalhos a que me são destinados; a cultura do “copiar e colar”, caracterizando assim a miséria intelectual dos alunos.
Em alguns casos a pobreza é tão grande que o “analfabeto digital” copia e cola na íntegra as informações, sem ao menos se dá ao trabalho de apagar o endereço do site de onde usurpou as idéias. Entretanto, o mais chocante é que, às vezes, alguns “espertos” ao serem solicitados a explicarem o que supostamente produziu, comentem os mesmos erros de conceitos e até de escrita oriundos do texto de origem.
Queria ainda lembrar que a rede mundial de computadores veio para facilitar a vida em muitos aspectos, conforme foram todas as tecnologias até então. Entretanto há pessoas menos cuidadosas que a usam para meios fraudulentos, principalmente, no que diz respeito as produção de trabalhos escolares, sejam eles elementares ou acadêmicos.
Com isso venho acompanhando dois aspectos imprescindíveis à formação do sujeito no que se refere à formação intelectual: O analfabetismo digital dos professores, bem como sua indisposição para leitura sistemática dos assuntos atualizados de sua área de atuação; a preguiça intelectual dos estudantes em debruçarem-se sobre determinado tema, dessecando-o a partir de inferências, resultado de pesquisas e leituras em fontes mais confiáveis. (pensar dói, não é mesmo?).
Dessa forma estamos criando a pretexto de uma inclusão digital, falsos pesquisadores, ou melhor, forjamos a temperatura de Bytes, especialistas em “copiar e colar” idéias alheias, as quais na maioria das vezes é uma síntese rasa de questões importantes para a vida e a intelectualidade dos estudantes.
No campo da leitura a questão se agrava ainda mais, visto que muitos não têm paciência de ler até o final do texto e acaba por ter uma visão caolha do assunto apresentado pelo “autor” que sintetizou a informação a sua maneira. Tenho observado com muita freqüência estas ocorrência no campo da literatura, uma vez que os estudantes não lêem mais as obras originais, mesmo aquelas disponíveis em site especializados (a exemplo disso é o site: www.domíniopúblico.gov.br) no qual o Ministério da Educação e Cultura – MEC disponibiliza obras dos autores consagrados da literatura nacional e universal o qual vive em vias de sair do ar porque não se tem o acesso desejado, uma vez que se prefere copiar e colar os resumos das obras de sites especializados como se fosse de autoria própria; quanta miséria intelectual neste contemporâneo! Como diriam os pessimistas: pode ficar pior quando chegarem às escolas, se é que vão chegar para todos, os famigerados computadores portáteis com acesso à internete, prometidos pelo governo federal. Imaginemos a situação: aqui no sertão onde não há livros para se formar a base da consciência de leitura e escrita, quão geral será a miséria intelectual dos estudantes ao reproduzirem as idéias e pensamentos advindos dos centros digitais e tecnológicos dos pais e do mundo. Alienação total! E nós, professores mais vez continuaremos reféns de todo esse caos programado, como diria o personagem da Juvenal Antena: justamente porque sempre somos os culpados por todas as desgraças do sistema.

HIC ET NUNC

As folhas no outono
Desfalecem nas carícias do vento.
Sob o olhar apaixonado do pôr do sol
Passeiam pela pele do rio
Como se o acariciasse para acordar.

Assim é meu coração nessas manhãs
Em que o frio da solidão o congela
À espera de sua boca acordando
Com afagos calientes...

Na pele corre um ardor
Que queima a alma sem pudor;
Ai tudo é vazio não a tenho
Como o rio tem as folhas de outono
Acariciando-o em infinita devoção.

Hic et nunc sinto apenas saudades
De ser como outrora;
Sua boca aquiescendo às minhas vontades
Em seu prazer de...

28 de maio de 2008, 13h25min
Robério Pereira Barreto

domingo, 25 de maio de 2008

NEOREALISMO DAS RUAS: JORGE AMADO E NABIL AYOUCH

Este ensaio parte do princípio de que as linguagens artísticas sejam literárias, ou cinematográficas têm em suas essências elementos da realidade os quais são transformados pela abstração da arte. Em outros termos, o cinema como expressão artística oferece ao espectador-leitor uma linguagem híbrida em que se justapõem vários signos: imagético, sonoro e verbal. Com isso, a mensagem fílmica ganha relevância artística e social à medida que se projetam possibilidades de interpretação a respeito de dada realidade.
Pensa-se, portanto, que o uso das matrizes de linguagem conforme quer Santaella em seu matrizes de linguagem e pensamento: sonoro, visual e verbal (2001) no discurso cinematográfico, sobretudo, quando este é comparado ao outras alocuções, por exemplo, à literatura; tem-se assim um mecanismo de interpretação significativo no que se refere ao posicionamento de cada matriz nos espaços narrativos promovidos por cada um desses gêneros textuais.
Mediante esta questão, toma-se como referência para comparação e a análise as narrativas As ruas de casablanca (2000), de Nabil Ayouch e Capitães da areia (1967), de Jorge Amado, buscando nelas os elementos centrais que configuram a dramaticidade das obras, destacando assim os signos que compõem as “realidades” narradas em cada uma delas. Até por que, a temática de ambas as obras, embora tenha surgidas em momentos diferentes diz respeito à vida na sociedade contemporânea; o abando e violência a que são submetidos os meninos de rua no mundo inteiro, independentemente de suas origens religiosas.
Com isso, tomam-se o cinema e a literatura como instrumentos que ocupam lugares centrais na comunicação quando se refere à representação da realidade, possibilitando inclusive, a interpretação da história dos povos e, por conseguinte os seus costumes através dos quais são demonstrados culturas e identidades. Assim, não há dúvida de que os filmes e as obras literárias são ricos mecanismos para a compreensão de outros aspectos e de como as sociedades e outras instâncias os utilizam como meio de difusão de idéias e comportamentos até então não realizados pelo Estado. Nesse texto, serão destacadas as matrizes de linguagem que estruturam os discursos das obras já mencionadas anteriormente; narratividade, constituição das personagens, espaço e tempo da narração, etc.
A questão que orientará as discussões a seguir é a seguinte: Quais os pontos de confluência entre as narrativas As ruas de casablanca (2000), de Nabil Ayouch e Capitães da areia (1967), de Jorge Amado que podem ser analisadas sob o prisma da semiótica? Porém, antes de ir direto a esta resposta, faz-se necessário uma reflexão sobre o significado e importância do cinema para a sociedade. Para tanto, realizar-se-á uma incurssão pelos caminhos da narrativa e, sobretudo, do cinema, na tentativa de promover uma discussão clarificadora a respeito das matrizes de linguagem que asseguram a estética do gênero.
Sabe-se que a literatura e o cinema nos dão certamente alguns dos instrumentos mais eficazes para a compreensão dos processos culturais e ideológicos ocorridos em dados momentos numa dada sociedade, por isso analisar-se-á a relações entre as narrativas filmicas, destacando os princípios estéticos de cada uma delas. Sabe-se ainda que a narrativa literária representa algo para além da metafísica, porque é estrategicamente elaborada a partir de uma representação de um pensamento. Na mesma perspectiva encontra-se o cinema, entretanto, a narrativa cinematográfica tem sido amplamente recebida pelo espectador-leitor devido à hibridização da linguagem, isto é, no filme se justapõem as matrizes sonora, visual e verbal com objetivo de fornece elementos estéticos para a interpretação da temática proposta pela narração. Espera-se, portanto que ao longo dessa análise estes pontos sejam elucidados, facilitando assim a compreensão dos objetos em estudos, filmes.

Arte de representar o real
Em linhas gerais, diz-se que o filme é fruto de uma ordem físico-química, tendo sido reconhecido mais amplamente a partir do instante em que se verificou a disposição e retenção das imagens pelo olho humano no campo visual, tornando possível que as imagens fossem registradas em movimento com a percepção igual do olho humano, que viria a concretizar o desejo de muitos povos, registro do cotidiano em movimento, cores e sons. Para leite (2003, p.12) o primeiro fruto da invenção do cinema “foi a captação de cenas do cotidiano”, justapondo-se às outras artes de narrar o cotidiano, uma vez que até então os acontecimentos eram garantidos pelas narrativas históricas e literárias, bem como pela fotografia. “Com o cinematografo, o mundo natural e o mundo criado pelo homem poderiam ser fixados em imagens animadas e os primeiros filmes produzidos nada mais foram do que se poderia chamar de fotografias animadas” (Leite, 2001, p.12). Todavia, há de se lembrar que o filme tem sua essência na composição e estética narrativas e, portanto, este é um dos elementos que o liga à literatura.
Nesse contexto, inferi-se que o filme por ser um gênero narrativo agrega a si várias técnicas e linguagens, tornando-se hibrido por natureza e ação, uma vez que “o cinema é resultante do aperfeiçoamento da linguagem e técnica da pintura e da fotografia. Com isso, configura-se a premissa de que se trata de um discurso cuja hibridização dilui-se dando a entender que estamos diante de uma criação em que o real é transformado em mágica, pois se aglutinam matrizes sonoro, visual e verbal ao acontecimento a ser narrado.

Referências
NAZÁRIO, Luiz. As sombras móveis. Belo Horizonte, UFMG, 1999.
SANTAELLA, Lúcia. Matrizes da linguagem e pensamento: Sonora visual verbal. São Paulo: Iluminuras, 2001.
MACIEL, Kátia. Transcinema e a estética da interrupção. In. FATORELLI, Antônio. , BRUNO, Fernanda (orgs.) Limiares da imagem:tecnologia e estética na cultura contemporânea. Rio de Janeiro: MauadX, 2006, p. 71.
JAGUARIBE, Beatriz. Realismo sujo e experiência autobiográfica. In. FATORELLI, Antônio. , BRUNO, Fernanda (orgs.) Limiares da imagem:tecnologia e estética na cultura contemporânea. Rio de Janeiro: MauadX, 2006, p. 109.
TEIXEIRA, Francisco Elinaldo. Documentário moderno. In. MASCARELO, Fernando. História do cinema mundial. Campinas-SP, Papirus, 2006, p. 253.
FRANÇA, Andréa. Cinema de Terras e fronteiras. In. MASCARELO, Fernando. História do cinema mundial. Campinas-SP, Papirus, 2006, p. 395.

FARRAPOS

Noite enluarada, enluarada...
Ruas movimentadas
Onde passeiam fantasmas
De olhos fitos a procura de si.

Olhar vibrante, vibrante olhar...
Na escuridão reconhece em faces
As vagas de sua exaustão.

O pincelo da insignificância
Preenchem as lacunas da infância;
Os farrapos humanos
Nascem nas sombras da ilusão.

24 de maio de 2008, 16h25min
Robério Pereira Barreto

sexta-feira, 23 de maio de 2008

CONLUIO...


Na conspiração de astros e estrelas
Sou vítima de primeira,
Quando a perco de vista
E fico chorando a desdita.

Na busca por um aconchego
Lanço ao universo um grito
Sufocado cheio de apelo:
Não me faça viver nesse
Ingrato desmazelo!

Seu silêncio eloqüente
Machuca com lança de fogo
Esse coração plangente.

22 de maio de 2008, 16h53min
Robério Pereira Barreto

terça-feira, 20 de maio de 2008

DELÍRIO

É manhã noturna
E sob essa luz turva
Quero amar-te
Com toda a minha ternura.

Num abraço seguro
Quero envolver-te
Até desfalecer-nos
Num prazer obtuso.

Jubiloso, a ti cantarei
A canção infinita da paixão:
Amar-te nessa manhã noturna
É saltitar de alegria na vias
Sublimes da adoração.

20 de maio de 2008, 23h
Robério Pereira Barreto

FRÁGIL BELEZA

A lua desce a rua
Sinuosamente tímida
Depois que foi tocada
Pelo manto suave da noite.

Elegantemente bela
Passeia na passarela
Do infinito...

Maliciosos, astros e estrelas
Cochicham uns aos outros
Quão imensa é sua delicadeza.

Inerte em sua frágil frieza
Faz-se senhora de si
E deslumbra a todos
Com infinita beleza...

20 de maio de 2008, 18h39min
Robério Pereira Barreto

quinta-feira, 15 de maio de 2008

ENCARCERADA NO DEVIR

Nas noites de néon
A alma plasmando nas alegorias,
Passeia moribunda em mudez...

Entre luzes violetas
E janelas púrpuras;
Torna-se à obscura
Na claridade impura.

Em espaço-nave ver o devir
Sem ao menos do passado
Ter podido sair.

Embriagada à luz do laser,
Abduz-se pela imortalidade;
Mumifica-se na incerteza...

15 de maio de 2008, 16h43min.
Robério Pereira Barreto

CASINHA DE AMOR

Uma casinha na caatinga
Acabei de desenhar
Para na janela debruçar.

E na matina acordar
Para ver meu amor
Vestida na luz da manhã
Dourada se levantar;
E sob o cheiro da aurora
Pelo sertão juntos caminhar.

Ela, com seu cheiro de flor
O meu dia enche de amor,
Acalentando no peito
A chama de...

15 de maio de 2008, 4h
Robério Pereira Barreto

domingo, 11 de maio de 2008

ESCOLHAS

Tantos livros lidos ao pé da letra
E histórias nas entrelinhas inferidas...

Tantas vivências percorridas
Á duras horas insones;
Quantos saberes adquiridos,
Em meditação, a mente
Por vezes se fez constante.

Face à bela singeleza de ti
Nada, nada do que pensei
Que em sacrifício aprendi
Agora serve a me.

Frágil, quase senil...
Rendo e faço-me
Das coisas do coração,
Infante e simples aprendiz...

11 de maio de 2008, 22h13
Robério Pereira Barreto

TRANSEUNTE

Caminhante nas veredas da alma
Sua luz leva ao peito à calma
Para seguir viagem rumo à paz.

Debruçado nas incertezas
Ante as encruzilhadas do devir
Segui a diante é viver claras
E longas andanças sem perder
A esperança de si.

Sol a pino e noites frias
São desse caminhante
Féis companhias.

Sede, fome agonia
Desbotam a alma,
Deixando-a sem alegria.

11 de maio de 2008, 20h39
Robério Pereira Barreto

sábado, 10 de maio de 2008

DESPEDIDA

Eis que tenho que partir
Mesmo sem saber aonde ir
Peço-te perdão por quaisquer
Erros que cometi.

Juro, todos foram na intenção
De acertar e lhe fazer feliz.

Absorto confesso:
Conhecer você foi entre as coisas
Que vivi neste tempo,
O melhor caminho que fiz.

Perambulo em mim mesmo
Sinto-me frágil;
Sou um arremedo a viver a esmo
Porque não posso fazê-la feliz.


10 de maio de 2008, 00h29min.
Robério Pereira Barreto

sexta-feira, 9 de maio de 2008

DESMEDIDO ARDOR

No fascínio de ti
A vida corre solta na mente;
Tudo é turvo e não consigo
Fazer outra coisa se não
Pensar em amar-te inclemente.

Agora, tudo parece fora de cor,
As flores no buquê se misturam
E a distingo como a mais bela flor.

Nesse jardim dos desejos
Muitas belezas há,
E seu perfume faz o lugar
Onde posso lhe encontrar.

Mesmo na noite escura
Beijo-te na maior loucura
Como se bebesse na mais
Pura das fontes de amor...

09 de maio de 08, 23h18min
Robério Pereira Barreto