domingo, 16 de maio de 2010

CIBERCULTURA E A PUBLICIDADE

Jornal da Unicamp 178 - Páginas 12, 24 a 30 de junho de 2002


A arte que sai da tela: Publicitária mergulha nos espaços de criação da Internet



Roberto Costa



A seqüência de um mesmo rosto feminino, com a boca pressionada por uma mão (http://www.totalmuseum.org/webproject8/muzzle/); pictogramas de obras de arte famosas (http://www.ljudmila.org/~vuk/ascii/blind/); relógios exóticos e não-convencionais (http://massaclocks.com); sexo a distância (http://www.fu-fme.com/). A diversidade demonstra como artistas desenvolvem, na Internet, a chamada Net-Arte e a forma como designers se utilizam diferentemente da web como espaço de criação. O resultado dessas observações resultou na dissertação de mestrado da publicitária Hélia Vannucchi junto ao Departamento de Multimeios do Instituto de Artes (IA). “Os artistas trabalham com ‘maior liberdade’, enquanto os designers têm um problema a resolver, uma mensagem a comunicar”, resume Hélia.
Para chegar à conclusão, a pesquisadora “navegou” meses por sites de artistas e de designers (veja abaixo) escolhidos na web. Alguns deles foram indicados pelo professor Gilberto Prado, do IA, orientador da dissertação. Hélia queria conhecer a web como espaço de criação e fazer um contraponto entre sites de artistas e designers. Para isso trocou e-mails com suas fontes e permaneceu horas à frente de páginas que aparentemente não queriam dizer nada. Num destes enigmas aparecia a seguinte frase: “Seu número é 79. Por favor, espere”. Logo a seguir estava em destaque o número 77 (os números são aleatórios e mudam conforme a hora de acesso). Hélia conta que o site sempre larga o usuário esperando, até que vem a mensagem: “Perdeu a sua vez” e a proposta de um novo número para espera. A publicitária passou uma tarde à frente do computador. “Eu abri html, cgi, tentando descobrir se havia alguma coisa por trás”, explica Vannucchi. Isso porque em um outro trabalho, apenas citado na dissertação, da dupla Jodi – Joan Heemskerk e Dick Paesmanns (http://www.jodi.org)-, existiam elementos escondidos no código fonte, no html do site, só visível para aqueles que realmente exploravam o trabalho.
O gesto da mão na boca representa para o artista russo Alexei Shulgin uma crítica à censura que oprime homens e mulheres em diversos países. Os pictogramas de Vuk Cosic, artista esloveno, fazem uma crítica à forma como a história da arte, da net-arte, assim como a história de modo geral é contada de acordo com os interesses da classe dominante. Cosic é arqueólogo por formação e diz que existe uma semelhança entre o que ele faz agora, com a arte, e o que fazia como arqueólogo, já que ele continua construindo narrativas. O designer Roger Los fez o site para a Massa Clocks, que fabrica os relógios. Hélia analisou a construção visual e a navegação do site.
Sexo a distância? Para Alexei, o autor do trabalho, trata-se de uma crítica às pessoas que trocam as relações pessoais por relações mediadas pela máquina, fazendo uma alusão ao programa de videoconferência CU-SeeMe. A publicitária Hélia Vannucchi incluiu entre suas fontes uma brasileira, a designer Verônica D’Orey, de São Paulo, autora do site da cantora Marisa Monte. Conforme Hélia, seus trabalhos em geral têm um design limpo, com áreas de descanso para os olhos.
Das conclusões do trabalho de Hélia há informações de que Alexei Shulgin imprime críticas sociais em seus trabalhos, que Vulk Cosic atualiza a linguagem ASCII, enquanto Holger Friese trabalha a negação de elementos habituais de navegação em suas obras. A dissertação defendida no Instituto de Artes está disponível em http://www.actualis.com.br/mestrado.
Galeria on-line
Alexei Shulgin é russo, mora e trabalha em Moscou. É artista e curador de diversos projetos na Internet e já participou de mais de 60 mostras e inúmeros simpósios sobre fotografia, arte contemporânea, novas mídias e comunicação.
Vuk Cosic nasceu em Belgrado, Iugoslávia. Vive em Ljubljana, Eslovênia. Formado em arqueologia, é, também, um dos pioneiros da arte on-line.
Verônica D’Orey é designer e tem seu próprio escritório em São Paulo. Na exposição Design Ritmo, apresentou o trabalho daquipralá delápracá, realizado com a colaboração de Carolina Jabor e com música de Naná Vasconcelos.
Roger Los é autodidata. Em 1992 começou a trabalhar para a Microsoft em projetos multimídia. Em 1995 começou a trabalhar com a Internet e em setembro de 1997 abriu seu estúdio, Roger Los Studio, em Seattle.
Holger Friese é alemão. Estudou fotografia, trabalhou para uma gravadora de jazz e estudou design gráfico de 1993 a 1997, em Aachen, Alemanha.

CIBERDISCURSO: UMA PERSPECTIVA DE LINGUAGEM

Pretende-se nesta comunicação, apresentar algumas questões relativas às linguagens do ciberdiscurso ancoradas pelas tecnologias da informação e comunicação – TICs – na perspectiva de que elas têm na internet uma ferramenta de divulgação e, portanto, são permeadas de elementos de sentidos e de significação de linguagem.

Assim sendo, reconhece-se que a tecnologia tem crescido tão rapidamente que se torna difícil designar, classificar e ou acompanhar suas variações técnicas e, sobretudo, pontuar qual a linguagem que será a ela anexada pelos usuários, sobremaneira aqueles que se vinculam à internet. A cada dia, novos equipamentos surgem no mercado e, em pouco tempo, o que era de última geração passa a ser obsoleto, em nome do conforto e da rapidez.

Uma das áreas que mais tem avançado e se difundido em praticamente todas as classes sociais, é a internet. E, juntamente com esse desenvolvimento, cresce a preocupação de pais e professores com a linguagem que se praticam nesse ciberespaço. Essa linguagem tem até vários conceitos, ciberdiscurso (Barreto; Baldinotti, 2005) internetês (Araújo, 2004, Bisognin 2009).

A internet tem proporcionado um espaço no qual os internautas exploram suas capacidades cognitivas, comunicacionais e a criatividade linguística de maneira a caracterizá-los como seres humanos facultados de ação de linguagem.

Isso sem dúvida tem levado à interação social dos mesmos, se tornando cada vez mais rica em virtude das práticas socioculturais que levam à subversão da ordem instituída pela linguagem canônica da escola, visto que essa reconhece apenas a escrita como tecnologia estática empregada ao suporte do papel.

Para Bisognin (2009) o suporte tecnológico da internet tem facilitado o uso variado da linguagem no Chat, Orkut, Weblog, Msn, etc. de modo tal que os apologetas da variante canônica da língua chegam a considerar a linguagem da web como um empobrecimento. Por outro lado, reconhece na linguagem do ciberdiscurso e ou internetês uma forma de enriquecimento do idioma, visto que nesse particular exerce-se a liberdade e a democracia linguisticas.

Para compreender o que acontece com a linguagem quando cibernauta se comunica por meio, por exemplo, do Msn – que é um programa de bate-papo que permite conversas instantâneas – temos de considera a internet como um meio muito rápido de comunicação. Assim, isto revela que o texto usado no Msn é muito próximo da língua falada e, portanto, tem sua pertinência enquanto linguagem no suporte tecnológico que veicula e não há motivos para alarmes.

Destaca-se que, nesse caso, há uma economia na escrita das palavras, isto é, fazem-se corruptelas de algumas letras para evidenciar a emergência da escrita e, com isso, novos significados são atribuídos às conversações. Lembra-se, pois, que isso não é novo, visto que há muito tempo se praticava a corrupção e ou codificação do texto nos telegramas, sendo tal economia articulada na perspectiva de sintetizar a mensagem e assim diminuir o preço do serviço.

Sabe-se ainda que essas modificações levem à alteração dos sentidos da mensagem, uma vez que a linguagem passa a ter outro significado. Este de acordo com Coseriu (1979b) é o conteúdo de um signo linguístico em sentido estrito, é a configuração das possibilidades de designação.

No que se refere aos sentidos articulados nas mensagens postadas e trocadas na web pelos cibernautas, os sentidos passam a assumir destaque quando seu conteúdo especialmente é postos no próprio texto, isto é, só existe sentido no plano do texto, no ato da fala de um falante numa determinada situação, e não no falar em geral ou nas línguas. Coseriu (1979b)

Assim, tomando a produção de linguagem escrita no internet como ato comunicativo que se aproxima da fala, tem-se, na verdade, uma produção de significado e sentido efetivados por meio de uma variante de linguagem além da ideia canônica de escrita.

Ao se utilizar programas como o Msn, a comunicação ocorre através de um meio escrito, no entanto, o texto é oral. Sendo a internet um meio que exige agilidade e rapidez, a escrita por meio de abreviaturas faz com que a comunicação seja mais rápida, simulando assim a mesma rapidez da fala.

Então pais, professores que ainda não estão articulados sobre a produção de linguagem por meio das redes sociais e comunicacionais – Chat, Orkut, Weblog, Msn, etc. acalmem-se! Essa forma de escrita já faz parte do cotidiano virtual de todos nós e não tem mais como ignorá-la, tampouco impedi-la.

A língua à maneira de Bakhtin é dinâmica quando do ato real de comunicação e, portanto, se adequa às situações de comunicação. Isso não significa dizer que agora "pode-se escrever de qualquer forma na web.". As abreviações são permitidas no Msn, no Orkut, nos e-mails informais, nos chats (e até nesses textos existem regras! Caso contrário, nem mesmo os internautas se entenderiam), não cabe usá-las em outros gêneros textuais.

O ciberdiscurso ou internetês não prejudica o bom português, porque os comunicantes dessa modalidade sabem que se trata de uma linguagem de uso específico no ambiente virtual. Por outro lado, se sabe que os acessos a livros jornais e revistas da web compõem seus espaços de leitura. A nós professores, cabe o papel de ampliar a capacidade de recepção e produção textual dos alunos, priorizando a formação de escritores e leitores competentes, que saibam usar a língua nas diversas situações de interação.



sexta-feira, 14 de maio de 2010

"POLICIA, QUEM PRECISA DE POLÍCIA"

Embora este espaço não tenha sido criado com objetivo de se fazer comentários além do propósito de discutir a arte, a linguagem e a literatura, foram noticiados dois absurdos na grande mídia - televisão - aos quais gostaria de me deter um pouco. Vamos a eles: primeiro foi o assalto ocorrido dentro de uma delegacia de policia numa cidade do interior do Estado de São Paulo. Atrelado a esse caos está a defesa do delegado aos agentes, dizendo que os policiais não tiveram tempo para entender a ocorrência. Eita que povo lerdo! A outra questão foi a prisão de imagens de santas recheadas de maconha. Parafraseado o adágio popular "Santa de pau oco", diz-se-ia: Santa, mas doidona, aê! É incrivel como cada dia as Instituições do Estado mostram-se falidas e, nós, pobres cidadão somos achacados cotidianamente pela voracidade do próprio Estado em cobrar impostos altissimos sobre tudo que fazemos. Agora,  nem a delegacia e santa são respeitadas. Quem poderá nos salvar? Chapolin, Kiku 

AFORISMO DO BARRETO

Quando a noite vai embora novo amanhecer anuncia a vida em suas loucuras... Viver cada manhã é estar pronto para o aborrecimento e o amor.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

AFORISMA DO BARRETO

O mais imperfeito que pode existir no ser humano, é ser humano!

PRA QUÊ TER RAZÃO

Se já é manhã e a solidão
Congela a alma
Como frio vento que,
Soprando da cordilheira
Judia da planície...

Chorar não é possível,
Frieza da solidão
É tão irresistível que
A dor do coração,
Sucumbe a caminho do chão,
A lágrima congela.

Para quê existe a razão?
Ficar com ela é se perder
Na dor e na solidão
Em meio à felicidade
Que a insanidade poderia ter.



06 de maio de 2010.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

O VAGABUNDANTE

Os dias quentes de outono causam-lhe fadigas imensas e corpo pede clemência tamanho desejo... vagando pelas ruas entre multidões sente na alma clamor efervescente diante de corpos esculturais que ao calor do sol despem-se a cada olhar.
Em sua vagabundância os pensamentos voam e sem limites imagina: Quão lindas és tu, oh desfilas... Ufá! São devaneios de uma vagabundante?!
Tomba o dia e a noite prostrando-se mansamente traz consigo a brisa que, envolvendo o corpo em manto de frescor... deixa o coração em latência maior. Daí querendo alguém para traçar energias corporais debruça e sufoca-se em prantos.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

UMA ESCOLA EM REDE: CONSTRUINDO EDUCAÇÃO E INTELIGÊNCIA COLETIVAS

Este ensaio pretende anunciar a nova discussão que se inicia sobre as escola que, caracteristicamente está no basilada nos principios de analógico, enquanto a ação de produzir, socializar e aprender dos estudantes esta além, isto é, os estudantes atuam na perspectiva digital oferecida pelo ciberespaço.
Para todos os lados que se olhar, depara-se com mensagens midiáticas que revelam uma sociedade da escrita e, como tal, constitui-se num ecossistema de informação ao qual todos são submetidos.

A partir dessa premissa é que se vão destacando alguns pontos de confluência e contrastes que a escola em rede pode trazer para a educação numa perspectiva de inteligência coletiva. Por um lado as cenas midiáticas assumem o cotidiano da escola e, por isso tem ostentado espaços até então ocupados pelos processos sociotécnicos e unilaterais de aprendizagem, uso do livro didático.
Por outro, lembra-se que a escola há milhares de anos constitui-se como espaço de formação centrada na ideia de que dito do professor era a “verdade”. Tem-se ai a presença da tecnologia intelectual primária – oralidade – a serviço de uma educação baseada na comunicação – um – todos –. Ainda nesse raciocínio reconhece-se que a aproximadamente a 5 séculos, a tecnologia intelectual secundária – escrita – passou a existir entre professores e alunos, configurando-se em elemento mediador na comunicação um – todos – todos.
Dessa maneira, torna-se compreensível a permanência de ideias em que a escola ainda é pensada para atender modelos centralizados no saber do profissional da educação, evitando-se com isso a presença de saberes que a rede digital potencializa ao oferecer acesso a informações até então privilegiada.
Com isso, “as próprias bases do funcionamento social e das atividades cognitivas modificam-se a uma velocidade que todos podem perceber diretamente” (LÉVY, 1993, p. 8), porém há um distanciamento da pratica escolar dessa realidade, haja vista as quantias direcionadas pelos programas de governo à informatização das escolas.
É judicioso que a mudança seja lenta e gradual, mas quanto à formação dos indivíduos que atuam nesse contexto, limita-se ao simples manuseio de sistemas operacionais e aplicativos que nem sempre possibilitam a ampliação de acessos aos mundos do conhecimento latentes nas redes.
Assim sendo, a compreensão de que se vive, hoje, numa sociedade contemporânea em que as perplexidades se acentuam cada vez mais, em virtude da ampliação dos saberes disponíveis nas redes sociais. Então, a escola não pode se furtar a essa realidade. Mas para isso necessita de projeto políticos e pedagógicos que lhe assegure um fazer proativo, face às descobertas cotidianas dos estudantes ao acessarem as redes sociais e digitais do ciberespaço.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Padecência...

Ao teu olhar me derreto
e aos seus jugos submento
e nego as vontades...

Solitário,vivo as contradições
que me tomam o peito
sem piedade e...

Na querência de você
Nem vejo quanto
doi o meu padecer...

Daí, simplesmente entrego
As ocorrências da vida
em solidão comum; desejo a ti.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

CANÇOES DE NINAR:  ENTRE ANJOS E FERAS☻




Antes de adentramos no elemento temático deste trabalho – A manipulação do corpo infantil a partir das canções de ninar – façamos, pois, um passeio pelos usos que pais e babás fazem das canções de ninar. Normalmente, as canções selecionadas por eles para embalar o sono das crianças são culturalmente formatadas a partir do poder dos seres sobrenaturais (Cucas, Boi da cara-preta, Bicho do mato, Bicho papão, etc.) existentes nos textos que as compõem. Portanto, isso parece demonstrar que eles [pais] perderam o controle sobre as vontades das crianças e (in)conscientemente apelam para esse tipo de discurso, cujo ritmo e sonoridade fixam na mente dos pequenos algo paradoxal: a possibilidade de ter um sono tranqüilo conquanto anjos se mistura com as feras mostradas por aqueles que deveriam os proteger. Com efeito, compreendemos que, a todo o momento, há nessa atividade o resgate de elementos que historicamente cristalizam o poder do adulto, fixando assim, nos seres humanos em desenvolvimento a disciplina, usando a figura do medo. Isso nos remete ao pensamento foucaulteano que discorre sobre os corpos dóceis. As crianças por essência são corpos manipuláveis, e assim os protetores têm nas canções de ninar o instrumento perfeito para tanto. Parafraseando Michel Foucalt diríamos que, o corpo e a mente da criança são postos num esquema em que o poder dos adultos os esquadrinham de tal sorte que ela torna-se disciplinada. “Esses métodos que permitem o controle minucioso das operações do corpo, que realizam a sujeiçao constante de suas forças e lhes impõem uma relação de docilidade-utilidade, são o que podemos chamar as disciplinas. ”Para exemplificar o que estamos discutindo, seguem fragmentos de canções de ninar mais conhecidas na cultura popular brasileira: Boi, boi, boi/Boi da cara preta,/pega essa criança/Que tem medo de careta.(Boi da cara-preta); Bicho do mato,/que come mandubi ,/ pega essa criança/que não quer dormir. (Bicho do mato); Dorme nenen,/Que a cuca vem pegar,/Papai foi na roça, Mamãe foi passear .(Cuca). Conforme já mencionamos, este tipo de atitude apenas reforça o poder que os adultos exercem sobre os corpos infantis, causando neles marcas psicológicas que os acompanharão por toda a vida. Entendendo que a palavra em sua essência busca a imagem, logo vimos que tais textos estão carregados de imagens negativas e, por isso, as crianças que ouvem essas canções rotineiramente terão sua imaginação voltada para tendências maniqueístas, ou seja, aquelas que seguirem os ensinamentos pré-estabelecidos pelo corpo social, ora representado pelos pais ou babás [dormir na hora certa sem chorar ou protestar quando estiver sentido algo] terão a companhia dos anjos. Já as que se recusarem terão em seus sonhos a presença de feras e monstros. Com efeito, nesses discursos a significação poética visa à fixação das imagens a partir do ritmo e da sonoridade das palavras. Nessa perspectiva é importante destacarmos que, as canções de ninar são cantadas em horários fixos, indicando que desde cedo o ser humano tem regras para seguir. Portanto, eis aí os primeiros elementos que indicam que “o tempo penetra o corpo, e com ele todos os controles minuciosos do poder .” Concluindo provisoriamente, esta receita tradicional [embalar o sono sob som de cantigas de ninar] é manter ações coercitivas sobre o corpo e a mente da criança, a pretexto de que; a arte e música a mantêm calma. Entretanto, o uso dessa técnica, disciplinará a criança para a execução dos desejos dos adultos [pais e babás ocupados com a correria da vida moderna] e, que precisa estar livre o maior tempo possível, aplica-lhe tais regras sob o pretexto da iniciação ao conhecimento artístico e popularmente aceito.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

CIBERDISCURSO: UMA PERSPECTIVA DE LINGUAGEM

Pretende-se nesta comunicação, apresentar algumas questões relativas às linguagens do ciberdiscurso ancoradas pelas tecnologias da informação e comunicação – TICs – na perspectiva de que elas têm na internet uma ferramenta de divulgação e, portanto, são permeadas de elementos de sentidos e de significação de linguagem.
Assim sendo, reconhece-se que a tecnologia tem crescido tão rapidamente que se torna difícil designar, classificar e ou acompanhar suas variações técnicas e, sobretudo, pontuar qual a linguagem que será a ela anexada pelos usuários, sobremaneira aqueles que se vinculam à internet. A cada dia, novos equipamentos surgem no mercado e, em pouco tempo, o que era de última geração passa a ser obsoleto, em nome do conforto e da rapidez.
Uma das áreas que mais tem avançado e se difundido em praticamente todas as classes sociais, é a internet. E, juntamente com esse desenvolvimento, cresce a preocupação de pais e professores com a linguagem que se praticam nesse ciberespaço. Essa linguagem tem até vários conceitos, ciberdiscurso (Barreto; Baldinotti, 2005) internetês (Araújo, 2004, Bisognin 2009).
A internet tem proporcionado um espaço no qual os internautas exploram suas capacidades cognitivas, comunicacionais e a criatividade linguística de maneira a caracterizá-los como seres humanos facultados de ação de linguagem.
Isso sem dúvida tem levado à interação social dos mesmos, se tornando cada vez mais rica em virtude das práticas socioculturais que levam à subversão da ordem instituída pela linguagem canônica da escola, visto que essa reconhece apenas a escrita como tecnologia estática empregada ao suporte do papel.
Para Bisognin (2009) o suporte tecnológico da internet tem facilitado o uso variado da linguagem no Chat, Orkut, Weblog, Msn, etc. de modo tal que os apologetas da variante canônica da língua chegam a considerar a linguagem da web como um empobrecimento. Por outro lado, reconhece na linguagem do ciberdiscurso e ou internetês uma forma de enriquecimento do idioma, visto que nesse particular exerce-se a liberdade e a democracia linguisticas.
Para compreender o que acontece com a linguagem quando cibernauta se comunica por meio, por exemplo, do Msn – que é um programa de bate-papo que permite conversas instantâneas – temos de considera a internet como um meio muito rápido de comunicação. Assim, isto revela que o texto usado no Msn é muito próximo da língua falada e, portanto, tem sua pertinência enquanto linguagem no suporte tecnológico que veicula e não há motivos para alarmes.
Destaca-se que, nesse caso, há uma economia na escrita das palavras, isto é, fazem-se corruptelas de algumas letras para evidenciar a emergência da escrita e, com isso, novos significados são atribuídos às conversações. Lembra-se, pois, que isso não é novo, visto que há muito tempo se praticava a corrupção e ou codificação do texto nos telegramas, sendo tal economia articulada na perspectiva de sintetizar a mensagem e assim diminuir o preço do serviço.
Sabe-se ainda que essas modificações levem à alteração dos sentidos da mensagem, uma vez que a linguagem passa a ter outro significado. Este de acordo com Coseriu (1979b) é o conteúdo de um signo linguístico em sentido estrito, é a configuração das possibilidades de designação.
No que se refere aos sentidos articulados nas mensagens postadas e trocadas na web pelos cibernautas, os sentidos passam a assumir destaque quando seu conteúdo especialmente é postos no próprio texto, isto é, só existe sentido no plano do texto, no ato da fala de um falante numa determinada situação, e não no falar em geral ou nas línguas. Coseriu (1979b)
Assim, tomando a produção de linguagem escrita no internet como ato comunicativo que se aproxima da fala, tem-se, na verdade, uma produção de significado e sentido efetivados por meio de uma variante de linguagem além da ideia canônica de escrita.
Ao se utilizar programas como o Msn, a comunicação ocorre através de um meio escrito, no entanto, o texto é oral. Sendo a internet um meio que exige agilidade e rapidez, a escrita por meio de abreviaturas faz com que a comunicação seja mais rápida, simulando assim a mesma rapidez da fala.
Então pais, professores que ainda não estão articulados sobre a produção de linguagem por meio das redes sociais e comunicacionais – Chat, Orkut, Weblog, Msn, etc. acalmem-se! Essa forma de escrita já faz parte do cotidiano virtual de todos nós e não tem mais como ignorá-la, tampouco impedi-la.
A língua à maneira de Bakhtin é dinâmica quando do ato real de comunicação e, portanto, se adequa às situações de comunicação. Isso não significa dizer que agora "pode-se escrever de qualquer forma na web.". As abreviações são permitidas no Msn, no Orkut, nos e-mails informais, nos chats (e até nesses textos existem regras! Caso contrário, nem mesmo os internautas se entenderiam), não cabe usá-las em outros gêneros textuais.
O ciberdiscurso ou internetês não prejudica o bom português, porque os comunicantes dessa modalidade sabem que se trata de uma linguagem de uso específico no ambiente virtual. Por outro lado, se sabe que os acessos a livros jornais e revistas da web compõem seus espaços de leitura. A nós professores, cabe o papel de ampliar a capacidade de recepção e produção textual dos alunos, priorizando a formação de escritores e leitores competentes, que saibam usar a língua nas diversas situações de interação.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

LAN HOUSE: DO UNIVERSO PARALELO AO ACESSO À CULTURA DIGITAL

Sabe-se que as lan houses surgem a partir do modelo fliperama, onde se dizia que ali era um local de desvio de crianças e adolescente e que, portanto, não poderia ficar próxima a escola. Entretanto, o tempo mostrou que aqueles que o freqüentavam para diversão e lazer, se mantiveram ajustados social e culturalmente.

Diante disso, há que ainda tenha e defenda com tacanha percepção da realidade que as lan houses são locais de desvio e perdição, visto que ali não há controle ao sitio eletrônico ao qual o cibernauta vai se conectar. Em verdade, as lan houses são espaços livres e, talvez por isso, tenha mais possibilidade de os sujeitos buscarem e terem acessos a informações que levem à cobrança por seus direitos.

È sabido ainda que em todos os espaços e instituições sociais há aqueles que praticam ações paralelas. Então, não é por essa ótica que se deve perceber a lan house, mas ao contrário, este espaço de conexão com o mundo e a cultura digitais é a única forma que a maioria da população jovem de classe sócio-econômica tem para se conectar a internet e por meio dela sair e socializar através das infovias seus saberes e culturas até então desconhecidos.

Nesse contexto, pode-se dizer que no Território de Irecê as lan houses têm desempenhado papel importantíssimo na constituição de uma nova mentalidade das crianças e jovens que, por meio das redes sociais disponíveis na Internet vem se alfabetizando digitalmente, de modo que, cada um dá sua contribuição ao assumir a autoria das informações através de up-loads vindo conforme Tofller se chegaria a uma época em que todos se tornariam prosummer – produtores e consumidores – digitais.

Esta realidade se concretiza cada vez mais na medida em que os cidadãos atuam na produção de audiovisual e suas postagens nos sítios de relacionamento. Exemplo disso são os vídeos produzidos pelos jovens a partir de aparelhos de celular e que são publicados no Youtube. Isso só reforça a ideia de que esses jovens estão se alfabetizando de maneira autodidata, posto que em redes consigam trocar experiências, vindo a desenvolver técnicas de produção e publicação na internet que, infelizmente a escola ainda não dispõe de disciplina especifica para isso. Ao contrário, a escola em sua pseudo-ortodoxia tenta a custos altos descaracterizar as práticas social, cultural e, sobretudo, linguística desses sujeitos sob a premissa de ali se produz na informalidade.

Mediante este quadro está evidente a necessidade de políticas públicas que valorem o acesso a web seja em lan houses – isso já acontece porque os micro-empresários, sobretudo, das cidades do interior do Brasil já praticam esse comércio algum tempo – que mesmo sendo a preços consideráveis está fazendo a inclusão digital, a qual deveria ter sido efeito pelo governo.

Há que se dizer que o Governo a partir do Programa computadores para todos tem papel fundamental no processo de inclusão digital - ainda incipiente -, visto que com isso houve o barateamento dos equipamentos. Os grandes varejistas percebendo esse nicho de mercado, passaram a vender computadores a preços e prazos acessíveis. Nem tudo está perdido! Mas a iniciativa privada continua levando vantagens. Para variar!

Dessa maneira, os acessos a lan house vem caindo acentuadamente nos últimos anos, conforme pesquisas divulgadas recentemente as pessoas passaram a acessar a internet de casa e do trabalho. De qualquer modo, as lan houses deve ser vistas como possibilidades acesso à cultura digital e à formação cultural além da que a escola pode oferecer.

domingo, 11 de abril de 2010

"SORDADE MATADEIRA"

A Saudade é abstrata?

Deveria ser,
Mas quando invade a alma
Parece tão real
Que faz o coração sofrer



A Saudade dói tanto
Que parece ser letal
E não há coração que
Segure tão grande mal
Sem sangrar o coração

A Saudade é real
E não que fuja dela
Porque não importa
Do que se sente falta,
Simplesmente a Saudade dói

terça-feira, 6 de abril de 2010

INESPERADAMENTE

Se me vir caminhar a esmo
Tome meu braço,
E no seu abraço me guie.


Se me vir a ficar bobo,
Dizendo que te quero
Tome minha boca
E no seu beijo me sufoque.


Se por isso me vir a ficar louco
Tome para si um pouco
E me ame como se tivesse
Num mundo novo.


Se eu não resistir e vir a morrer
Tome em suas mãos o meu corpo
E me mate de ti
Para viver o que vier de novo.



06 de março de 2010, 13h50
Robério Pereira Barreto

segunda-feira, 5 de abril de 2010

NO SILÊNCIO HA QUERER

No silêncio de minha dor
Sinto o peito queimando
Em demasiado fervor.

Assim posso viver esse clamor:
Quero poder ter você e seu riso
Na minha presença como o calor
Da chama que silenciosamente
Queima e me doi o peito.

LULA: "O CARA" É MESMO "BAGRE ENSABOADO"

Veicula agora., 04 de abril 2010, 23h, na Band, a entrevista de Lula aos Dinossauros da impressa Brasileira: Teles, Boris, Betting, etc. e o fanfarrão Datena, os quais fizeram ao Presidente perguntas sobre diversos temas, da economia e relações internacionais à questão da infra-estrutura de transporte, quando foi citado os casos dos motoboys 6.000,000 de trabalhadores das 2 rodas e, que Datena chamou a atenção para o fato de que morre um desses trabalhores por dia, vítima do trânsito e, o Presidente saiu pela tangente dizendo ter assistido a um filme sobre a questão que o deixou estarrecido. Sabe-se que a Bande vai aproveitar para comercializar essa entrevista que será gravada em dvd- HD - alta definição. Mas, o mais interessante em tudo isso é que se via nas expressões dos entrevistadores o olhar de admiração pelo "O Lula", "O Cara" que saia com esmeradas escorregadas do foco das perguntas sobre as quais não tinha retórica suficiente para mostrar quão o governo dele tem sido "bom" para os banqueiros e empresários, ao mesmo tempo em que os "pobres" o idolatram por ter implantado os programas sociais que os tiraram da miséria abosulta. Será que foi mais beneficiado? Bom o certo é que "O Cara" é mesmo um "bagre ensaboado" que, tendo aprendido as nuances da política por dentro..., pedia para não ser crucificado por não ter feito a Reforma Tributária, transferindo, elegantemente a responsabilidade ao Senado e à Câmara, posto que tentou por meio de acordo duas infrutíferas vezes a mal fadada reforma. Lula é ou não é o Cara?

segunda-feira, 29 de março de 2010

AFORISMO DO BARRETO

Descobrir a si mesmo
é desnudar-se diante
de sua própria plateia crítica
que, por dever moral,
deve ser muitíssima severa.

domingo, 28 de março de 2010

SEPARAÇÃO

DISTANTE MEIA LUA


O sol em sono esplêndido
E acordo pensando em você
Que a meia lua distante
Aumenta meu querer.

Agitado sonho te perder
Mas a meia lua distante
Não sei como proceder.


A meia lua distante
Sempre estou sem você
Essa distancia insana
Nos separa para valer.


28/03/2010 3h27min

Robério

sábado, 27 de março de 2010

AFORISMO DO BARRETO

A melhor coisa de ser humano é vivênciar
as nossas próprias mediocridades
sem mutilarmos a nossa alma.

MORTE DO SOL

Amanheceu e sol foi sacrificado

O dia está embrulhado em cinzento

E gélido manto...


 

Em igual mantilha também o foi

Envolta a alegria que, fugindo aos poucos

Daqui fez a alma perder a luz...


 

Mas, longe daqui há um sorriso,

Voz, corpo, e boca que animam

E fazem crer que a chama da vida

Deve reascender num simples riso,

Que tira descobre e liberta o dia e a alma

Do coberto insolete da cinzas do tempo.

27 de março de 2010, 12h35min.

sexta-feira, 26 de março de 2010

REDES SOCIAIS NA WEB: LOCUS DE PRODUÇÃO DE LINGUAGEM E INTERAÇÃO VERBAL

AFORISMA DO BARRETO

Não acredite nos homens nem em suas promessas;
ambas são apenas vãs e voluvéis filosofias.

quarta-feira, 24 de março de 2010

DESLUMBRE...

DESPERTAR...

Estava eu moribundo a ver tudo cinza

Eis, pois que na minha frente surges

A imagem inspiradora para o pecar,

Então, não me contive e pequei;

Simplesmente te quis.


 

Esse querer é só meu

E não divido com ninguém

A não ser com você a noite

Que, pedido silentemente

Diz deleta-me imediatamente...


 

Impossível, não tem mais jeito

Esta gravada como a tatuagem

Feita no medo e dor cravada no peito.


 


 

 

segunda-feira, 22 de março de 2010

OH SOLIDÃO, TE DEDICO!

A vida a quem dedico esta solidão

Tem corpo e boca belos
E cada vez que a ela me dedico
Sinto no peito um grande flagelo;
Desejo e todo instante...



Aquela a quem me dedico
Não está no altar nem é santa,
Mas cultuo e a carrego no meu
Corpo, mente e coração onde
Estão luxurias e alegrias...

22 de março de 2009. 20h20min.

Robério

Linguistica textual

domingo, 21 de março de 2010

DESENHANDO-TE

À mão que escorre entre os dedos a tinta

que desenha mesmo que desfigurando a imagem
é a mesma que lhe acaricia a face desenjando-te


a amor: sou pura  e louca luxuria
a desenha na mente seu corpo e bocas
belamente desenhados pelo meu desejo.



Robério

sexta-feira, 19 de março de 2010

CHOQUE DE IMAGINAÇÃO

Envolvida no labor rotineiro de sua casa, no qual o corpo suado demonstra o quanto era sentenciado, por ter pensamentos que, em liberdade inconteste, viajava a desejar mundos ainda não vividos.
Ouve-se o barulho da campanhia. Blim blom, blim blom...
Espantada pergunta a si mesma:
- Quem será? O que houve?
- Espera um pouco!
Olha-se no espelho e arruma os cabelos falando consigo mesma: a essa hora não deve ser ninguém importante, será mais um vendedor porta a porta ou...
Pasma-se ao olhar pelo olho mágico e ver do outro lado.
- E agora, o que faço...
- não vou abrir... deixa tocar vai desistir.
Por um minuto mil coisas lhes vêm a cabeça.
- Essa é minha oportunidade de tê-lo na minha casa...
- Como vai reagir ao me ver assim, toda descabelada, suada...
Blim blom, blim blom, blim, blom
Num misto de euforia e surpresa abre o portão.
- Nossa, você?! Entra.
O silêncio dos amantes toma conta do ambiente. Ambos se admiram e numa lance de frenesi bocas e corpos se encontram em êxtase e...
Os desejos que até então confinados em suas mentes permaneciam, são liberados com a euforia de prisioneiros que recebem indulto para a liberdade.
Sem receio fazem-se amantes por intensos instantes.
Saciados, olharam-se displicentemente e se despendiram num silêncio que dizia: Aguarde! Que sabe um dia outra vez...

quarta-feira, 17 de março de 2010

SONHO IMPOSSÍVEL

Dormia o mais dos profundos sonos, quando, de repente sentiu escorre-lhe entre as entranhas da alma o calor da vida que se esvaia no mais sórdido e profano ataque; fora golpeado por insanos pensamentos: descobriu em sonhos que tinha sido tomado pelos tentáculos sedutores que ela trazia no corpo quente e lascinante como o fogo da paixão e que esses braços levam-no ao abismo inifinito... Ao descer em aspiral êxtase de dor e prazer percebeu: era somente um sonho impossível. 

sexta-feira, 12 de março de 2010

AFORISMO DO BARRETO

A paixão é inimiga da alma
E carrasca do coração,
a ponto de dissolvê-lo
e esparramá-lo pela face
através dos olhos.

12/03/2010

AFORISMO DO BARRETO

Discutir consigo mesmo
é maltra-se com convadia,
porque o silêncio sempre
tortura em sua completa razão.

A CERTEZA DA MORTE É GARANTIA DA LUTA PELA SOBREVIVÊNCIA

quarta-feira, 10 de março de 2010

AFORISMAS DO BARRETO

Prefiro a felicidade

À dureza solitária da razão.

Com essa fala acima cita, inicia-se nesse nosso espaço uma nova maneira de vivenciar o cotidiano, o qual denomino de Aforismas do Barreto, pois se trata de momentos efusivamente alucinantes de poder ter percebido no rosto homem simples do povo, suas manifestações de sabedoria e cultura populares. Hoje, ao deixar os muros do templo da ciência e do conhecimento sistematizado - Universidade do Estado da Bahia - Campus XVI - Irecê - BA, deparei me com um casal cujo rosto e vestes suados denunciavam a longa caminhada que fazia em silêncio, à margem de uma rodovia estadual - BA 052 - antiga estrada do feijão - revesando entre si o peso do carinho de mão que, em gemidos continuos transportavam o alimento da família que os esperavam em casa.
Então, a me aproximar cumprimentei-os. Prontamente e com um sorriso banguela me respondera com imensa alegria. Amizade feita, perguntei-lhes de maneira curiosa: de onde vocês vem com tamanha coragem mesmo carregando tanto peso? A essa altura da amizade jé me encontrava tropego e cansando ao empurrar aquela carroça cujo peso parecia a imensidão do mundo. Singelamente veio a resposta:
- Meu filho vimos de tão longe que nem falando o nome do lugar vai saber. Mas, lhe digo a quanto tempo estamos na estrada saiu da roça faltavam 15 minutos para o meio dia. Você sabe dizer que horas são agora?
- 17 horas ou melhor 5 horas da tarde, respondia na sofreguidão de quem não está acostumado ao peso da vida.
- Então meu filho, são mais de 5 horas empurrando essa carinho com o pouco de milho e feijão de corda - Feijão fradinho - que nos restou da seca. E também antes que os espertos peguem para eles. Porque antes a gente achava que os vizinhos eram pessoas que não precisavam 'bulir' nas roças dos outros, mas o pior é que estavam nos roubando o pouco que tínhamos e nós só na confiança, você acredita nisso? Longamente me explicou a senhora ao tomar aos braços o comando do carrinho de mão.
Está aí fonte desse aforisma.  

A VARIAÇÃO LINGUISTICA TAMBÉM HÁ NA MÚSICA II

A VARIAÇÃO LINGUISTICA ESTÁ TAMBÉM NA MÚSICA

segunda-feira, 8 de março de 2010

RESUMO DE PALESTRAR FEITA NO SEMINÁRIO INTERDICIPLINAR DE PESQUISA E ESTÁGIO - UNEB - CAMPUS XVI

TECNOLOGIAS INTELECTUAIS E LINGUAGENS NA CULTURA DO NOVO CAPITALISMO☻




Robério Pereira Barreto*

Resumo: este artigo discute as tecnologias intelectuais e as linguagens a partir da cultura do novo capitalismo, a qual tem nas informações o elemento potencializador das decisões. Apresentam-se à maneira de Lévy (2000) as concepções de tecnologias inteligentes e, em seguida, os conceitos de linguagem no âmbito da cultura do novo capitalismo que, segundo Sennet (2008) constitui-se em virtude do sistema social e econômico centralizar suas ações no universo da informação. (Barreto, 2009) Sabe-se que isso consitui apenas retórica e discurso da elite detentora dos meios de formação – escolas e universidades – que têm na tecnologia da informação e comunicação – TICs – um novo hetero social agregador de uma sociedade do tempo e emprego flexíveis. A escola contemporânea vive a crise do currículo, da linguagem e das tecnologias por que há profissionais que desejam ainda a estrutura educacional pautada na formação humanística e cultural. O conhecimento institucional das tecnologias e da linguagem está relacionado à possibilidade de aumentar cada vez mais o controle panóptico do estado sobre o fazer do educacional.



Palavras-chave: Tecnologias intelectuais, Novo capitalismo, Linguagens

domingo, 7 de março de 2010

ÀS MULHERES

Traz em ti algo soberbo, divino
A beleza que carrega
Suplanta nossas tristezas
E nos faz sempre meninos
Que, a qualquer tropeço
Corremos a seus meigos braços
E os tomamos como nosso berço.

Só vocês, Mulheres são capazes
De nos fazer entender
Que a vida, o mundo e nós mesmos
Sem as suas antinomias,
Tudo uma desgraça seria.
Obrigado!



07/03/2010

Robério Barreto

quinta-feira, 4 de março de 2010

LABAREDAS...

Seu cheiro embriagando o quarto,
onde ebrio do odor saliente
deixado pelo devasso amor
desmaiva em profundo torpor.

Hipnotizado sonhava que
a se entregar em lascivia
aos caprichos e fremindo
às mãos forte em malicia
entregar seu corpo em brasa
às lampejantes labaredas
do amor a dois...

domingo, 28 de fevereiro de 2010

CACOS

Sobre os cacos
Que restou de mim,
Andas com a exação
De quem que castigar.

Mascrado e sem defesa,
sobram cicatrizes ao coração
que, pulsando resisti...

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

RESTOS DE MIM EM VÓS

Sou à sombra de sua alma!
Por isso, estou à flor da pele daquele que um dia aqui existiu., e vi quanto o homem é um ser vil.
Vejam, vejam, vejam! No ar estão espalhados restos de minha vida.
Vida que um dia achei que fosse minha com formosura e alegria. Não era!
Olhem..., olhem e sintam que em cada um de vocês há um pouco de mim!
E sintam quanto o homem é um ser vil!

Por isso e com medo estou no olhar triste de quem vai amar sem ser amado, no riso amarelo de passividade na transa sem preliminares que dá a certeza de que não vai gozar!
Na alma que fica deprimida na abstinência de...,
Na dor de quem vai ser esquecido antes do sol se pôr.


Agora, quem sou?! Não sei, não sei... Apenas sei que sou restos de mim diluídos em tudo que existe por aí, inclusive em você;
Há um pedaço de mim naquele mendigo caído na praça defronte da Igreja sem poder adentrá-la para seus pecados confessar;
Na criança cuja inocência é poesia sem palavras em meio à confusão da vida;
Na Jovem prostituta parada na esquina que se escondendo atrás de uma espessa maquilagem e que ajuda negar sua idade o que anima os maus intencionados;
No bêbado cuja sabedoria supera as vãs filosofias da academia judaico-cristã;
No ladrão que maquina sua ação sem piedade ou emoção;
No policial que faz cara de mal para achincalhar legal;
No político que pousa de honesto para as câmeras, mas seu pensamento é roubar quando chegar à Câmara;
No coveiro cujo desprezo pela vida a ver descrente e, vive com a morte ver no defunto seu infame futuro: larva, lama, pó e infinito.

O que será de mim se o futuro vir a existir? Nada... naaada!
Oh, como dói minha existência. Que existencia?
Há, há, há...
Será que ainda existo ou existirei?!
Isso não importa! Porta, portão, infernal portal...
Porque sou a parte mais escondida de cada um de vós a viver na jaula de ferro de suas existências.
Não me deixes vir à tona porque os fareis seres infernais!
Mostrando suas contradições interiores: raiva, amor, alegria, tristeza e dor
Porque daí me reconstituirá e será em vós. Restos de mim!

Robério Pereira Barreto

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

ENTRE OS MUROS DA ESCOLA”: MUNDO DE IDIOSSINCRASIAS E LINGUAGENS CONFUSAS

ATIVIDADE DE ESCRITA:


O filme Entre os muros da escola, de Cantet (2008) traz como temática central os conflitos entre pensamento de ensinar de um professor, e as expectativas de aprender dos estudantes. Dessa maneira, discorra sobre as idiossincrasias nas formas de dizer e fazer escrita sob a ótica do professor e do aluno. Para isso tome como referência o texto que segue abaixo:

O longa metragem Entre os muros da escola é baseado em livro homônimo de François Bégaudeau (que interpreta a si próprio no longa), o filme relata as experiências de um professor de língua fracesa que usa a literatura como possibilidade para a aquisição da escrita e do bem dizer, em uma escola da periferia de Paris.

O diretor Laurent Cantet aproxima a câmera em constante movimentos da fisionomias dos atores, como que, querendo afirma que as relações entre os indivíduos ali eram marcadas pelo lugar de mistura étnicossocial, um microcosmo da França contemporânea, no qual há minorias estrangeiras, sobretudo, africanos advindos das antigas colônias francesas que, de certa maneira, não se reconhecem dentro de um sistema educacional pautada nas expectativas do mercado profissionalizante dos colonizadores.

Na narrativa, bem se articula o pensamento de que entre o que pensa e faz a escola e o pensam e querem os estudantes com suas ideias, perspectivas e problemas de várias ordens; sejam elas: sociais, econômicas e comportamentais há uma distancia abissal.

Há uma diferença cultural e social que gera incompreensão e atrito entre ambas as partes, retrato do que seria a França contemporânea. Os muros da escola são metonimicamente reveladores de uma divisão e uma impenetrabilidade entre dois lados. Há também outros muros invisíveis que estão sugeridos no filme. Por exemplo, o conflitos ocorridos na periferia de Paris nos últimos anos, em virtude de a polícia ter assassinado um jovem negro. Do lado de dentro do muro está François Marin, um professor de francês. Do outro, está um grupo de alunos entre 13 e 15 anos composto por negros africanos, asiáticos latino-americanos e franceses.

Nesse contexto, François pode ser visto em um primeiro momento, como um educador bem intencionado que, vislumbrando o crescimento intelectual e pessoal dos estudantes, imprimindo o rigor característico de uma escola rígida e disciplinador, mas também como uma espécie de colonizador.

Nessa esteira, se se quer empreender uma compreensão etimológica de seu sobrenome Marin, que pode ser traduzido ao português como marinheiro, este, por sua vez sugere desbravador dos mares e de novas terras. Por isso, sua luta em fazer com que seus alunos incorporem o idioma francês pode ser explicada como uma espécie de "processo civilizatório" imposto a esses alunos de diferentes etnias.

No estrado da sala de aula, lócus de interlocução e entendimento entre professor e estudantes, pode-se afirma que a linguagem é o grande campo de batalha onde é travado esse conflito cultural. O filme se sustenta basicamente apenas com longos diálogos, e muitos deles trazem a dinâmica do que seria de fato uma sala de aula, onde o improviso de ambas as partes predomina.

Conforme é dito pelo próprio diretor que, a inexistência de um roteiro em mãos, os jovens puderam criar seus próprios diálogos, o que dá a sensação de que a realidade daqueles garotos invadia a ficção de "Entre Muros". A invasão da realidade no filme também ocorre por meio dos nomes dos personagens, que é a mesma dos jovens na vida real. Porém, duas exceções merecem menção. Khoumba, vivida por Rachel Régulier, é uma aluna chamada de insolente por se recusar a atender uma ordem do professor. Souleymane, interpretado por Franck Keïta, é o garoto problemático que se indispõe com o professor e seus colegas.

São os dois personagens "rebeldes" e principais questionadores da autoridade de François. Apresentá-los como personagens fictícios parecem querer desvinculá-los do mundo real. Entretanto, eles se apresentam em todas as escolas, inclusive do Brasil.

É como se a visão deste filme francês fosse apenas capaz de ver o "verdadeiro" outro como o "bom selvagem", aquele personagem de outra etnia que se esforça a assimilar a cultura francesa. Talvez por isso, os professores lamentem a possibilidade de deportação do chinês Wei, um aluno dedicado no estudo do francês e bom moço, mas se reúnam para discutir a expulsão de Souleymane, um personagem que vemos falar outro idioma.

O filme reforça uma visão colonizadora a partir do ponto de vista de alguém que se toma, mesmo que inconscientemente, como a "civilização". Assim, o outro se torna o retrato da rebeldia que deve ser conquistado através da assimilação da cultura da "civilização".

Para o público brasileiro, a imagem de alunos que questionam a autoridade do professor e até mesmo são agressivos, possibilita outra discussão. Discussão saudosista de que os estudantes de hoje são menos respeitosos do que os de gerações passadas. “Na minha época o aluno tinha respeito ao professor”.Trata-se de um retrato que talvez não seja diferente do que vemos em escolas brasileiras, em que é comum o relato de desrespeito ao mestre e o inverso também é verdadeiro. Na realidade, infere-se que “entre os muros da escola” exista uma relação de disputa de poder onde os conflitos, as idiossincrasias de cada indivíduo, sejam colocados às claras e, com isso, os mundos se conflitam de maneira a colocar a realidade de relações pessoais bem definidas. “Manda quem pode e obedece quem tem juízo!”.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Na ausência de mim mesmo

E dialogando com meus demônios
Descobri quão infinito é viver a esmo
A procura de sonhos.



O solitudo traz em ti a beleza
De quem mesmo na ausência
É constante presença, Paixão!

O solitudo, sola beatitudo!


15 de fevereiro de 2010

Robério Pereira Barreto

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

ENCANTAMENTO




Encantei-me pelo seu singelo ser
E a luz que, involuntárias nascem de ti...


Seduzi-me aos seus acalantos sutis
Que ao sorrir me apaixonava
E, sinto a sutileza do seu olhar
Pensava em silencioso encanto:
Quão linda é a paixão e amor juvenis.


Boquiaberto o coração inflama e diz:
O encontro, encanto e acalanto
De seus meigos braços fazem-no
Ser o tão feliz!

Robério Barreto

08/02/10

SONO DO AMOR

Em silencio depois do amor,
Foge a alma dos corpos
E rumo ao infinito voa...


Entregues ao esplendor
Da interminável e letárgica
Sonolência...

07/02/2010

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A VIDA É...

JOGO




Em seu corpo há perdição
E o coração sem razão,
Joga-se em constante
Busca de te amar em fogo.


Na senda do prazer
Você acende meu querer
Ao macio toque na sua pele.


Dos olhos brilhantes
Escorrem cachoeiras,
E o desejo de te querer
Salta às alucinantes
Que sem pudor lhe assalta.

31 de janeiro de 2010.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

PARA SE VIVER É

CONTRARIANDO...




Quando choram os olhos
É porque a alma sente dor
E a alma neste estado
É ruim ao amor.


Se lágrimas banham a face
É como se dissesse:
Ó coração, és enternecido sofredor!

Amam-se de verdade aqueles que
Não permita aos olhos venerados
O desamor de viver a dúvida

E menos ainda, prontos de horror.
Contrarie estampando ao Mundo
Sorrisos alegre e sedutor;
Ser amado sente-se em esplendor.

29 de dezembro de 2009, 22h05min
Robério Barreto.

domingo, 27 de dezembro de 2009

FRENÉTICO AÇOITE




Na alcova ao lado
Convulsos fremidos de amor
Denunciam toda luta de corpos
Em movimentos em majestosa dor.

Na minha (...) há um querer alado
E o desejo em tê-la amado,
Ergue a plano elevado a imagem
De ti em afoita vadiagem.

Pernas, bustos, bocas fremem
Enquanto corações fustigados
Diante de tão efêmera paixão geme e;

Na obscuridade da noite,
Olhos declam poeticidade
Declarando o prazer à eterna
Longevidade do querer-te no acoite; Gozo!


27 de dezembro de 2009. 20h21min.
Robério Barreto

sábado, 26 de dezembro de 2009

ONDAS E SAUDADES...

As ondas banham a praia
Lentamente em maré baixa,
E, igual às lágrimas
Silenciosamente irrigam
As raízes de minha alma;

Que se afogando nessa maré
Traz consigo as vontades de
Estar contigo e sem ressalvas te querer.



26 de dezembro de 2009, 20h58min.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

COP15: O ENCONTRO DE FARSAS

Nunca se viu tanta exibição pública de discursos demagógicos e falsas contendas sobre um tema mais do que óbvio; a temperatura do planeta está aumentando e isso não há que duvide. Por outro lado, se tem os desejos de crescimento econômico e de superação dos limites das bolsas de valores. No caso de Brasil, China e outros que a custa da miserabilidade e exploração humanas de muitos cidadãos, vai-se cada vez mais se construindo uma farsa sobre níveis de poluentes. Aqui no Brasil nosso discurso está centrado no desmatamento ilegal da floresta Amazônica, todavia não se tem visto projetos nem programas governamentais sérios a respeito da caatinga e do cerrado. Este último agoniza sob os grilhões das correntes acopladas aos tratores que o violentam sem piedade, para em seguida serem semeados de sementes de capim, soja, algodão e outros comodities agrícolas. No que se refere à caatinga pouca coisa se ouve falar. Afinal, no sertão não há muito que investir; chove pouco e o retorno seria ínfimo. Então, mata e queima-se a caatinga nos fornos das indústrias, estas sim, com sua fome monstruosa, precisa ser alimentada com carvão e energia elétrica que, por acaso advém de usinas hidroelétricas e nucleares.

Interessante em toda discussão na Cop15 é que tivemos delegações das nações mundiais que, eram meramente figurativas, veja o exemplo da delegação brasileira a qual viveu todo evento em discordância; lembre-se, pois as gafes de Ministra da Casa Civil e Ministro do Meio Ambiente, (que saudades da firmeza de Marina Silva) sem contar que o presidente em sua forma peculiar de se fazer o centro das atenções, se autorizando em nome não se sabe de quem e porque está disposto a aumentar as metas de reduções. Ele esquece o que pensa os plantadores de soja, os mineradores e os industriais que cada projeto amplia seus lucros sem se importar diretamente com questões ambientais.

Diante dessas evidências, não é difícil perceber que mais uma vez fomos enganados e levados a pagar as contas das vontades e do poder do capitalismo verde, amarelo, vermelho e branco, ou seja, cada um da América à África terá que desembolso dinheiro para pagar uma conta que ainda não foi calculada, mas se reconhece como enorme. Por fim, a Cop15 não passou de uma farsa em nome da defesa do planeta. Ate porque não se decidiu absolutamente nada! Ficou na promessa! Nada e coisa nenhuma!

domingo, 20 de dezembro de 2009

CARTA AO LEITOR: O DONO DESSE ESPAÇO

Senhores leitores,

Agradeço a todos pelos vários acessos feitos a esse nosso espaço de produção poética, acadêmica e cultural durante esse ano de 2009. Em pouco mais de 2,5 anos de existência foram publicados textos da diversas ordens e estilos; uns com arroubos acadêmicos, outros com elucubrações poéticas e até com desabafos pessoais. Mas, independentemente do conteúdo vi a cada olhada, o contador registrando que pessoas passaram por aqui, às vezes, comentaram outras só leram.
Diante de tamanha fidelidade, publicamente os convido para que juntos, em 2010, possamos ter forças para produzir novas ideias com a quais todos possam refletir sobre a vida, a arte, a cultura e o amor que existem em cada um de nós. Assim sendo, quero que todos curtam suas famílias e amigos e tenha milhões de alegria nesses dias de festanças. Feliz Natal e ótimo Ano Novo!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

DELEITES

Amanheci com vontade de tê-la nos meus braços

Para amá-la até a exaustão
Tendo meu corpo debraçando sobre o seu
Dizer em brados e em suspiro-te ao infinito:
Gosto de ter você e, vivendo plenamente
Seus delirios de prazer
Deleito em gozos... 
.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O PORTUGUÊS DAS MÍDIAS DE RUAS

RESUMO: Este texto articula-se em torno da temática: desvios das normas nas mídias de rua: cartazes, anúncios e placas que promovem a realização social, econômica e cultural dos usuários do idioma brasileiro. Em tal material – discurso - não se respeita os ditames da gramática normativa e há nele intencionalidade comunicativa de modo que os cidadãos conseguem interagir significativamente no mundo dos negócios. A compreensão destas questões dar-se-á a partir do diálogo da semiótica e os objetos de estudos; textos expostos em placas e letreiros nas vias públicas de Irecê -BA, bem como mensagens coletadas da internet -, levando-se em conta que tais discursos não apresentam autoria definida, por isso, atribuir-se-á tal domínio a empresa onde está estampada a mensagem. O “português do povo” ocupará neste trabalho lugar de conflito para demonstrar que a forma como a escola oferece a língua portuguesa ao estudante, na atualidade, é inócua e impraticável no cotidiano, haja vista a prática das mídias escrita nas ruas: faixa, letreiros, cartazes na qual há consideráveis desvios da norma padrão, porém tal produção lingüística não deixa de ser parte do idioma nacional. Assim sendo, a língua (gem) serve à persuasão do homem, ser político por natureza. Para Aristóteles (384-322 a. C) as palavras são construções dos homens e não uma imitação (mímesis) do objeto nomeado. Nesse sentido, o idioma usado pelo “o homem do povo” em seu cotidiano vai ao encontro de suas necessidades comunicativas. Nesta abordagem procura compreender o surgimento da linguagem em função da vida em sociedade, entendendo, pois que a faculdade da linguagem é uma adaptação complexa, que foi sujeita às leis da seleção natural na história evolutiva humana recente, servindo à função de comunicação com extrema efetividade.

AQUISIÇÃO DE LEGISSIGNOS CULTURAIS

A civilização ocidental tem suas características asseguradas devido aos registros construídos; imagens e signos representacionais realizados pelos homens da caverna (Memórias discursiva, cultural e imagética). Tais procedimentos foram armazenados no inconsciente desses homens e transmitidos às novas gerações através de discursos - fala -, uma vez que, essa comunidade ainda não articulava significados para a formação da palavra escrita, texto. Embora já fizesse usos deles quando desenhava os animais abatidos durante a caça. Essa ação talvez fosse intencional, porque era uma forma de se colocar no papel de herói, dizendo aos demais que se baseassem na informação ali contida e a guardasse em suas memórias individual e coletiva, pois, o futuro e a sobrevivência da comunidade dependiam de tal habilidade; reconhecer os animais a serem capturados através das imagens desenhadas nas cavernas.

A palavra escrita ganha status e é usada com propósitos unilaterais (lembremos-nos do manuscrito de Em nome da rosa, de Umberto Eco), no qual o conhecimento é mantido sob a proteção da Igreja com objetivo de barganhar, pois este privilégio (dominar a leitura e a escrita dos textos bíblicos, doutrinários e artísticos) era reservado a poucos privilegiados, os quais, na maioria das vezes, recebiam da corte uma indicação, mantendo-se assim, a dominação das informações estratégicas da corte.

Diante dessa perspectiva, certamente irá surge uma pergunta crucial, portanto, a antevejo para o leitor: Afinal, onde estará a questão da leitura nesse processo? Implícita! É a resposta. Explicamos então tal assertiva: Caro leitor! Se levarmos em consideração que o sujeito per si é um leitor desde o momento de sua concepção ( junção do óvulo com o espermatozóide) exigindo desses organismos uma leitura das melhores condições do setting de fecundação para encontrar o melhor espaço no útero para o início da vida. Então está ai o motivo pelo qual somos os agentes de nossa própria memória. Sendo esta formada e ligada diretamente com as nossas realidades sócio-histórica e cultural, fazendo nos usuários e produtores contínuos de memórias - textos.

Os historiadores e psicólogos sociais têm mostrado em suas teses a importância da memória para o entendimento da arte e da vida em sociedade por meio de resgate oral e escrito dos textos acumulados na sociedade empírica. De sorte que, na clássica obra Memória e sociedade: lembranças de velhos, de Ecléa Bosi, a autora ressalta a importância do conhecimento e da cultura armazenada pelos idosos ao longo de suas experiências. Tais informações se encontram na memória de cada um, sendo que esses sujeitos da/na linguagem têm suas memórias em estado de inércia, contudo, estão prontas para se movimentarem e, assim, contribuírem para a compreensão do homem contemporâneo.

Assim sendo, é intenção mostrar que ao produzir um texto o enunciador precisa saber quais serão os significados que podem extrair do saber acumulado tanto na comunidade, quanto no meio social em que circulará a informação por ele prestada. Ademais, o sentido de texto aqui ganha maior espaço e passa a ser entendido parte significativa da memória histórica e cultural, configurando assim numa reescritura paráfrase do saber socialmente acumulado pelos indivíduos em suas comunidades. Portanto, produzir texto é uma atividade diária a qual requer do produtor técnica e esforço contínuo no sentido de estabelecer associação entre o que pretende informar e formar com suas mensagens e, consequentemente, possibilitar ao leitor as inferências possíveis do assunto a partir do resgate da memória histórica e cultural nele existente e que pode ser trazida à tona por meu dos significados dos discursos, constituindo assim uma nova memória discursiva.

Para Barthes (1987) é nesse momento que o professor de linguagem deve atuar como mediador das memórias discursivas presentes no ambiente escolar. Assim:“O professor não tem aqui outra atividade senão a de pesquisar e da falar - eu diria prazerosamente de sonhar alto a sua pesquisa - não de julgar, de escolher, ...”os caminhos para os seus alunos produzirem textos, ao contrário; juntos com seus aprendizes busca-se no inconsciente coletivo informações que lhes sejam úteis como exemplos e associações de pensamentos. Por isso, a leitura diária faz questão fundamental no processo de formação da memória discursiva e cultural do cidadão. Parafraseando o famoso dito popular: você é o que come. Diria que sua memória discursiva e cultural é o que você ler. Isso porque à medida que se realiza a leitura a estrutura da língua (léxico, sintaxe, classe gramaticais, etc.) vai se fixando em sua mente, podendo ser solicitada mais tarde quando da escritura de uma mensagem. Logo, “os signos de que a língua é feita, os signos só existem na medida em que são reconhecidos, isto é, na medida em que se repetem; o signo é seguidor, gregário;” Barthes, 1978, p. 15), fazendo com que o leitor recorra às reminiscências sígnicas do texto para se situar no tempo e no espaço do enunciado proposto pelo enunciador do texto.

Leitura: memória discursiva e cultural

O texto é mais que um tecido cujas partes se entrelaçam a partir da organização das sentenças. Na verdade, ele é uma miscelânea de informações na qual estão dispostos elementos históricos, culturais e políticos construídos sob a perspectiva da linguagem que, às vezes, vai além e se traduz em metalinguagem.

Para Kleiman é fundamental que o sujeito adquira o hábito de ler o mundo através da apreensão de “um conhecimento dos aspectos envolvidos na compreensão e das diversas estratégias que compõem os processos”. (p.07) Sendo que tais processos se dão por meio das relações estabelecidas entre o que o texto diz e o que está associado à memória social. Logo, todo procedimento de leitura deve ser associado à releitura dos acontecimentos históricos, sociais e culturais.

O texto enfatiza os aspectos cognitivos da leitura, porque consideramos que a percepção de, bem como a reflexão sobre o conjunto complexo de componentes mentais da compreensão contribuirão, em primeira instância, à formação do leitor e, conseqüentemente, ao enriquecimento de outros aspectos, humanísticos e criativos, do ato de ler. (KLEIMAN, 2000, p. 9).

Dessa maneira, o ato de leitura, sobremodo, de textos literários precisa seguir o processo de metalinguagem, isto é, o leitor se posiciona na leitura conforme os tempos enunciados no discurso, adentrando assim aos universos lingüísticos forma de escrita e construção de sentidos empregados na linguagem da obra ; cultural observar-se-ão os aspectos do cotidiano no qual, o homem e a sociedade são retratados via escrita -; além das questões políticas e ideológicas usadas pelo autor quando da escrituração de sua obra. Essa atividade acontece através de metacognição a qual segundo especialistas é o processo de “reflexão sobre o próprio saber, o que pode tornar esse saber mais acessível a mudanças.” afirma Kleiman.

Com essa perspectiva, o leitor por sua vez é agente histórico da leitura e ao longo de sua existência interage com ambientes sociais e culturais, nos quais sua memória discursiva e cultural vai se construindo de acordo com os estímulos recebido durante a interlocução praticada na comunidade. Então, afirma-se que tal sujeito é detentor de certo grau de conhecimento prévio e, portanto, está apto a produzir sentido ao realizar uma leitura dentro do seu contexto sócio-político e histórico-cultural. Conquanto seja necessária a prática diária de leitura na qual se busca agregar novos conceitos, valores e, consequentemente, a assimilação de vocabulário para melhoria de sua prática lingüística. Isso só acontecerá segundo Kleiman (2000), se o leitor estiver disposto a estender sua capacidade reflexiva, pondo-se em destaque e associação com objeto lido “o conhecimento adquirido ao longo de sua vida.” Então, Dessa forma acontece aquilo que Kleiman considera a:

interação de diversos níveis de conhecimento, como o conhecimento lingüístico, o textual, o conhecimento de mundo, que o leitor consegue construir o sentido do texto. [...] este conhecimento abrange desde o conhecimento sobre como pronunciar português, passando pelo conhecimento de vocabulário e regras da língua, chegando até o conhecimento sobre os usos da língua. (Kleiman, 2000, p. 13).

Mediante essa assertiva, infere-se que na medida em que se ler há assimilação de elementos estruturais do texto e, também, da cultura à qual ele se reporta. Portanto, nesse ato, leitor assume papel importante dando ao texto novos significados, ou seja, atribui-lhe sentidos de acordo com novo setting de leitura, pois se fazem associações do enunciado com o novo ato de enunciação, formando novas expectativas a respeito do assunto tratado no texto.

No que se refere à leitura de peças literárias existem dois modos de se ver a construção do ato de ler: “Leva em conta os leitores na sua diversidade histórica ou social, coletiva ou individual; outro, a imagem do leitor tal como ela se acha representada em alguns textos.” (Todorov, 1994, p. 83). E já Kleiman considera essa questão a partir do conhecimento lingüístico, histórico e cultural do leitor a respeito do texto lido, porque tal saber leva ao processamento das informações presentes no objeto. Assim sendo, o processamento é entendido como: atividade pela qual as palavras, unidades discretas, distintas, são agrupadas em unidades ou fatias maiores, também significativas, chamadas constituintes da frase. À medida que as palavras são percebidas, a nossa mente está ativa, ocupada em construir significados, e um dos primeiros passos nessa atividade é o agrupamento em frase...

A memória discursiva do agente de leitura ao encontrar no texto marcas lingüísticas (tempos verbais, adjetivos e predicação), culturais (eventos, festas religiosas, sociais, personagens e costumes, etc.) faz associação com o presente da leitura, ou seja, transfere para a atualidade os sentidos criados pelo autor quando da enunciação do texto. Por exemplo, ao ler uma passagem bíblica o fiel transfere (às vezes de maneira pessoal) as informações nela contida para sua realidade, dando assim uma conotação de verdade ao evento lido. Esse processo segundo Celso Antunes (2001) ocorre porque o leitor atingiu um nível de maturidade importante, transformando dessa forma, informação em conhecimento.

Há ainda de se destacar o papel dos meios de comunicação na propagação das informações no meio social através do qual se constrói a memória discursiva do homem moderno. Tal questão incentiva nos perspectiva à produção de conhecimento porque à maior parte dos sujeitos estão ligados a vários mecanismos que propagam a informação em tempo real. (Lembramo-nos dos episódios das guerras no Oriente Médio, estas foram transmitidas via satélite para todas as casas do mundo).

Para Celso Antunes tudo isso exige do profissional da linguagem uma nova formação, isto é, além de aprender as questões específicas de sua área de atuação, o professor deve buscar per si, meios com os quais possa agregar sentidos às suas novas descobertas. “o professor precisa ir também se transformando em um analista de símbolos e linguagens, um decodificador de sentidos nas informações e, também, o profissional essencial do despertar das relações interpessoais.” ANTUNES, 2001, p. 13).

Fala: instrumento de concretização de linguagem



Em A linguagem (1980), formada por onze capítulos, nos quais Edward Sapir discutiu os principais pontos que formam a linguagem no seu todo social, cultural e político a partir de uma visão interativa na qual a fala e a escrita se transformam em linguagem de dadas comunidades. O autor adverte no prefácio: “Destina-se este livrinho a dar uma visão de conjunto a respeito da linguagem e não propriamente a coligir fatos da linguagem. Pouco lhe cabe dizer sobre os fundamentos psicológicos últimos de fala, e, dos fatos tanto atuais descritivos como históricos, das várias línguas só ministra o que é suficiente para ilustrar certos princípios. [...] o problema do pensamento, a natureza do processo histórico, a raça, a cultura, a arte.” (SAPIR, 1980, p. 9).

Nesse sentido, a complexidade da linguagem se institui nos elementos linguísticos expressos por meio da oralidade, pois a “fala é uma atividade humana que varia, sem limites previstos, à medida que passamos de um grupo social a outro, porque é uma herança puramente histórica do grupo, produto de um uso social prolongado. [...] falar é uma função não instintiva, uma função adquirida, “cultural”. (idem. p. 12). Logo, o contato com grupos de falantes leva o usuário da linguagem à assimilação das estruturas semântica, gramatical e, sobremodo, fonética das palavras, dando-lhes pronúncias relativas às usadas pela comunidade da qual faz parte.

Para Guatarri e Deleuze (1995) essa questão tem como base o enunciado que, segundo a teoria por eles elaborada, a produção de fala é a base elementar da linguagem e, portanto, “A linguagem não é a vida, ela dá ordens à vida; vida não fala, ela escuta e aguarda.” Concordando com os autores acima mencionados, Sapir (1980, p. 15), considera a fala uma produção complexa a qual demanda de estruturas físicas e culturais uma vez que é necessária ao falante a articulação de idéias. Estas por seu turno devem estar armazenadas na consciência e na memória discursiva de cada ser. “A fala não é uma atividade simples executada por um ou mais órgãos biologicamente a ela destinados. É uma trama extremamente complexa e ondeante de ajustamentos no cérebro, no sistema nervoso, e nos órgãos de articula e audição em direção ao fim colimado, que é a comunicação das idéias.” (Idem). Ainda algumas palavras do lingüista sobre a linguagem: “a linguagem é uma herança imensamente antiga da raça humana, sejam ou não sejam todas as suas variantes desdobramentos históricos de uma única e prístina forma.” (ib.idem, p. 24). Em outras palavras; pode-se considerar que o homem se constitui como tal devido a produção e uso de enunciados lingüisticamente. Assim sendo o estudioso encerra o primeiro capítulo aceitando a linguagem como “instrumento da expressão significativa”. (op. cit.).

Em relação aos elementos constitutivos da fala palavras; Sapir aponta o som em si mesmo como algo subjacente à fala e, por isso, informa que é preciso haver uma seqüência de sons para que a fala ganha status de linguagem.

Os elementos verdadeiramente significativos da linguagem são em geral seqüências de sons, que tanto podem constituir palavras como partes significativas de palavras, ou, ainda, grupos de palavras. O que distingue cada um desses elementos é que ele representa o sinal externo de uma idéia específica, seja um conceito uno, uma imagem uma, ou certo número de conceitos ou imagens nitidamente ligadas num todo. (SAPIR, 1980, p. 27).

Conforme perspectiva acima, a comunicação se estabelece quando o falante produz sons audíveis e o ouvinte os capta transformando-os em significados para si e sua comunidade. No Tratado de semiótico (1980), Umberto Eco diz que esse acontecimento pode ser entendido como ato de “significar e comunicar” e tem função social que, por sua vez, “determina a organização e a evolução cultural, “falar” dos “atos de palavras”, significar a significação ou comunicar a respeito da comunicação não podem deixar de influenciar o universo do falar, do significar, do comunicar.” (ECO, 1980, p. 22).

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O PAPEL PEDAGÓGICO DAS REDES SOCIAS NA ESCOLA CONTEMPORANEA.

Caracteriza-se, pois, a sociedade contemporânea a partir da compreensão de que se está vivendo num acelerado processo de desenvolvimento tecnológico e científico no qual cada vez mais há substituição do fazer humano pela máquina da informação e, sobretudo, no campo educacional.

Nesse sentido, vale ressaltar que a forte presença dos meios de comunicação social – orkut, twitter, facebook menseger nos espaços escolares seja através de inforcentros, ou fora dele, lan houses há crescente descompasso no processo de ensino e aprendizagem no universo da escola públicas do estado da Bahia, de maneira que se reconhece a importância de uma formação voltada para o uso didático e pedagógico dos meios digitais de comunicação social no sistema educacional do estado.

Assim sendo, a crescente proliferação e a inserção da linguagem e dos meios eletrônicos se faz pensar no campo da educação continuada aos profissionais da educação que, é fundamental o domínio teórico e metodológico de jogos eletrônicos, filmes, vídeos, sites de relacionamentos que compõem o dia a dia dos infocentros das unidades educacionais do estado.

Em verdade esses meios digitais estão disseminando novas ideias, hábitos, juízos éticos e, sobremodo, estéticos relacionados aos conhecimentos disponíveis na web. Portanto, interessa nesse caso, oferecer uma possibilidade de formação articulada com esses novos desafios para se enfrentar a nova educação escolar que se instaura nesse panorama em que o virtual cada vez mais é potencializado pela linguagem e imagem da mídia digital.



(...) os desafios que enfrenta a educação escola nesse cenário de intenso desenvolvimento da mídia imagético-eletrônico. Está implícita nessa problematização que a escola não está imune às diversas mudanças sociais. Essas mudanças são provocadas pela nova ordem social e econômica pela qual passa o país (Grifo meu) e ascende à instituição escolar e, ao mesmo tempo, são, de alguma maneira, tocadas por ela. (LOUREIRO, 2003, p. 11).





Dessa maneira surge uma nova perspectiva de pensar a escola e a formação dos profissionais da educação para atuarem de maneira significativa nos espaços onde a tecnologia da informação e comunicação – TICs e as redes sociais se intensificam como presença potencial de aquisição de conhecimento. Por outro lado, a ação pedagógica ora suscitada por essa nova atividade educativa, reclama por formações nessa direção, ou seja, o estado precisa avançar rapidamente nesse direção e criar mecanismos pedagógicos que assegure a formação continuada dos profissionais da educação, visando um processo de formação, que implique escolhas, valores e convenções éticas e concepção de homem e mundo contemporâneos.

Na sociedade contemporânea, vem se acentuando o domínio pedagógico dos meios de comunicação e das tecnologias intelectuais atreladas às internet ligada à escola cada vez mais midiatizada. “A mídia concretiza práticas pedagógicas à medida que se ocupa, intencionalmente, da transmissão e assimilação de sensibilidades e saberes hegemonicamente vinculados ao consumo. (LOREIRO, 2003, p. 13).

Nessa perspectiva, a educação na contemporaneidade deve seguir ao princípio de que “o saber muda de estatuto ao mesmo tempo em que as sociedades entram na idade pós-industrial e a cultura na idade pós-moderna” (LYOTARD, 2000, p. xv). Não há dúvida de que a educação está sendo levada à incorporar elementos da contemporaneidade, posto que as mudanças tecnológicas, culturais, políticas e econômicas, na maioria das vezes sintetizadas no surgimento de uma forma socio-educacional pautada na velocidade da informação e criação instantânea de conhecimentos.



terça-feira, 17 de novembro de 2009

ASSIM QUE NOS VIMOS NO COTIDIANO

EU, REFLUXO DE MIM


 

Estou na cidade e ando pelas ruas

Entre carros, gentes passantes,

Luzes, cores e sons esvoaçantes

Mas não me sinto aqui;

Ninguém sabe ou se importa com

O meu existir.


 

Entre caneletas esgotos correm

Como rios desviando de carros

Apressados que me banham

Do fétido suco humano liberado

Das casas lindas e infames.


 

Grita com todo meu pulmão,

Mas não me ouve o cidadão

Que, protegido pelo terno cinza

Nem olhar para mim se anima.


 

Na clara escuridão da vida

Sou mais uma luz que não mais cintila:

Sou refluxo de mim!


 

Robério Pereira Barreto


 

domingo, 15 de novembro de 2009

DISCURSIVIDADE E NOMADISMO NA WEB

A contemporaneidade tem sido marcada por divergências conceituais e teóricas entre os estudiosos das ciências humanas. Ao mesmo tempo em que a reconhece o rompimento das fronteiras fixadas a detratam-na por ter em si elementos da modernidade ainda não terminada.

Nesse contínuo fluxo encontram-se e deslocam-se os conhecimentos em várias vertentes, dentre as quais o discurso da ciência é posto em destaque devido à crise da hegemonia pretendida pela ciência moderna.

Por outro lado, uma nova ordem discursiva tem se instituído, isto é, na contemporaneidade há novos meios de propagação das ocorrências sociais, políticas, culturais e científicas, a web que suporta as tecnologias de informação e comunicação – TICs.

A web com sua força motriz tem posto a baila a crise e a correlação de forças existentes entre “conhecimento cientifico e o conhecimento vulgar tenderá a desaparecer e a prática será o fazer e o dizer da filosofia da prática” (SANTOS, 2006, p.20).

Quanto à outra vertente do discurso, sobressai o saber, a da sua metodologia de transmissão, ou seja, o discurso acerca do saber tornou-se facilmente descrito à maneira pela qual tem prevalecido a mutação dos critérios que nomeia o desempenho, bem com aqueles que os afetam.

Assim se questiona: que tem autoridade para transmitir e legitimar as informações veiculadas na web? O que é transmitido e de que lugar nasce? A quem interessa tal produção? E de que forma é trasmitido? Nesse contexto de discursividade nômade e, sobretudo, potencial o mais provável é que se reconheça a presença e a legitimação dos experts em discursos, as mídias.

Desse ponto de vista é importante dizer que por meio da web tem havido a formação de uma nova forma de se produzir saberes e, consequentemente, conhecimentos. É significativo ainda afirma que há uma geração de jovens produzindo e postando na web questões fundamentais do cotidiano, isto é, desde fotos e scraps no orkut até informações sigilosas que promovem o caos nas organizações consideradas ortodoxas.
Nesse conjunto de ações ficam prementes os movimentos de pensamento e seus deslocamentos discursivos, visto que seus autores não podem ser considerados a partir de um lugar fixo, ao contrário, todos se movimentam na velocidade da rede, construindo e dando significado para suas atividades e linguagens próprias da web.











domingo, 8 de novembro de 2009

EDUCAÇÃO E TECNOLOGIAS INTELECTUAIS: NOVO CONTRATO SOCIAL

Anuncia-se neste ensaio o pensamento que hora se constrói a respeito do binômio contemporaneo: educação e tecnologias intelectuais o qual pode se tornar um novo contrato social para a sociedade que se apresenta cada vez mais tecnológica, contrariando assim à expectativa da escola que, convencionalmente está atrasada em relação ao uso das tecnologias intelectuais, embora o Estado insista na publicidade da escola informatizada.
Pensar em educação, hoje, pressupoe quase que automaticamente em pensar em tecnologias intelectuais, uma vez que a sociedade esta imersa em processo ciberculturais, exigindo assim uma nova maneira de olhar a pluraridade em que se transformam as ações educativas da sociedade tomada pelo novo espírito e cultura do capitalismo.
Diante dessa novo movimento uma nova concepção de educação se faz necessária, isto é, a educação do cidadão, hoje, solicita e introduz no contexto educacional brasileiro elementos complexos circunstanciais de um coletivo pautada na perspectiva de uma vida suportada pela mais valia intelectual e que ao mesmo tempo reclama por saberes locais, nacional e planetário de modo que as tecnologias passam a fazer essa papel edificando as redes sociais do conhecimento.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

CIBERDISCURSO: UMA PERSPECTIVA DE LINGUAGEM


 

    Pretende-se neste subtópico apresentar algumas questões relativas às linguagens do ciberdiscurso ancoradas pelas tecnologias da informação e comunicação – TICs – na perspectiva de que elas têm na internet uma ferramenta de divulgação e, portanto, são permeadas de elementos e sentidos e significação de linguagem.

    Assim sendo, reconhece-se que
tecnologia tem crescido tão rapidamente que se torna difícil designar, classificar e ou acompanhar suas variações técnicas e, sobretudo, pontuar qual a linguagem que será a ela anexada pelos usuários, sobremaneira aqueles que se vinculam à internet. A cada dia, novos equipamentos surgem no mercado e, em pouco tempo, o que era de última geração passa a ser obsoleto, em nome do conforto e da rapidez.

    Uma das áreas que mais tem avançado e se difundido em praticamente todas as classes sociais, é a internet. E, juntamente com esse desenvolvimento, cresce a preocupação de pais e professores com a linguagem que se praticam nesse ciberespaço. Essa linguagem tem até vários conceitos, ciberdiscurso (Barreto; Baldinotti, 2005) internetês (Araújo, 2004, Bisognin 2009).

    A internet tem proporcionado um espaço no qual os internautas exploram suas capacidades cognitivas, comunicacionais e a criatividade linguística de maneira a caracterizá-los como seres humanos facultados de ação de linguagem. Isso sem dúvida tem levado à interação social dos mesmos, se tornando cada vez mais rica em virtude das práticas socioculturais que levam à subversão da ordem instituída pela linguagem canônica da escola, visto que essa reconhece apenas a escrita como tecnologia estática empregada ao suporte do papel.

    Para Bisognin (2009) o suporte tecnológico da internet tem facilitado o uso variado da linguagem na web, inclusive no chat, Orkut, weblog, Msn, etc. de modo tal que os apologetas da variante canônica da língua chegam a considerar a linguagem da web como um empobrecimento. Por outro lado, reconhece na linguagem do ciberdiscurso e ou internetês uma forma de enriquecimento do idioma, visto que nesse particular exerce-se a liberdade e a democracia linguisticas.

    Para compreender o que acontece com a linguagem quando cibernauta se comunica por meio, por exemplo, do msn – que é um programa de bate-papo que permite conversas instantâneas – temos de considera-se a internet como um meio muito rápido de comunicação. Assim, isto revela que o texto usado no msn é muito próximo da língua falada e, portanto, tem sua pertinência enquanto linguagem no suporte tecnológico que veicula e não há motivos para alarmes.
    Destaca-se que, nesse caso, há uma economia na escrita das palavras, isto é faz-se corruptelas de algumas letras para evidenciar a emergência da escrita e com isso novos significados são atribuídas às conversações. Lembra-se, pois, que isso não é novo, visto que há muito tempo se praticava a corrupção e ou codificação do texto nos telegramas, sendo tal economia articulada na perspectiva de sintetizar a mensagem e assim diminuir o preço do serviço.

    Sabe-se ainda que essas modificações levem à alteração dos sentidos da mensagem, uma vez que a linguagem passa a ter outro significado. Este de acordo com Coseriu (1979b) é o conteúdo de um signo lingüístico em sentido estrito, é a configuração das possibilidades de designação.

    No que se refere aos sentidos articulados nas mensagens postadas e trocada na web pelos cibernautas, os sentidos passam a assumir destaque quando seu conteúdo especialmente é postos no próprio texto, isto é só existe sentido no plano do texto, no ato da fala de um falante numa determinada situação, e não no falar em geral ou nas línguas. Coseriu (1979b)

    Assim, tomando a produção de linguagem escrita no internet como ato comunicativo que se aproxima da fala, tem-se, na verdade, uma produção de significado e sentido efetivados por meio de uma variante de linguagem além da ideia canônica de escrita.

    Ao se utilizarem programas como o msn, a comunicação ocorre através de um meio escrito, no entanto o texto é oral. Sendo a internet um meio que exige agilidade e rapidez, a escrita por meio de abreviaturas faz com que a comunicação seja mais rápida, simulando assim a mesma rapidez da fala.

    Então pais, professores que ainda não foram articulados sobre a produção de linguagem por meio das farramentas da internet – chat, orkut, weblog, msn, etc acalmem-se. Essa forma de escrita já faz parte do cotidiano virtual de todos nós e não tem mais como ignorá-la, tampouco impedi-la.

    A língua à maneira de Saussure é um sistema vivo e, portanto, adequa-se às situações de comunicação. Isso não significa dizer que agora "pode-se escrever de qualquer forma na web.". As abreviações são permitidas no msn, no orkut, nos e-mails informais, nos chats (e até nesses textos existem regras! Caso contrário, nem mesmo os internautas se entenderiam), não cabe usá-las em outros gêneros textuais.

    O ciberdiscurso ou internetês não prejudica o bom português, porque os comunicantes dessa modalidade sabem que se trata de uma linguagem de uso específico no ambiente virtual. Por outro lado, sabem que o acesso livros, jornais e revistas da web compõem seus espaços de leitura. A nós professores, cabe o papel de ampliar a capacidade de recepção e produção textual dos alunos, priorizando a formação de escritores e leitores competentes, que saibam usar a língua nas diversas situações de interação.