quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

TRAMAS NA IMAGEM NA HIPERMÍDIA IMPRESSA

Fique nu... mas seja magro, bonito, bronzeado[1]


As tramas[2] que as imagens[3] representam no cotidiano têm nos acompanhado há algum tempo, e por isso adentramos ao universo teórico da semiótica, buscando dialogar com as asserções feita por Lucia Santaella a respeito dos usos das imagens na mídia. Fato este que nos possibilita, trabalhar com alguns conceitos de imagem, signo e símbolo na grande imprensa. Com efeito, nossa intenção é desenvolver nesse curso discussões que levem à leitura e, talvez, à compreensão dos elementos discursivos que compõem as imagens na hipermídia.[4] Para tanto, estudaremos as mensagens imagéticas como algo interdisciplinar porque nesse processo a imagem segundo Lucia Santaella e Winfried Nöth (2001), está presente no cotidiano independente de nossas vontades.

Imagens têm sido meios de expressão da cultura humana desde as pinturas pré-históricas das cavernas, milênios antes do aparecimento do registro da palavra pela escritura. Todavia, enquanto a propagação da palavra humana começou a adquirir dimensões galáticas já no século XV de Gutenberg, a galáxia imagética teria de esperar até o século XX para se desenvolver. Hoje, na idade vídeo e infográfica, nossa vida cotidiana – desde a publicidade televisiva ao café da manhã até as últimas notícias no telejornal da meia-noite – está permeada de mensagens visuais, de uma maneira tal que tem levado os apocalípticos da cultura ocidental a deplorar o declínio das mídias verbais.[5]

O visual e o verbal compõem a díade da comunicação contemporânea, tendo no discurso verbal a possibilidade da compreensão das teorias da imagem. Na verdade, o texto visual tem sua sustentação naquilo que Pierce chamou de iconicidade. Para Canevacci (2001), estudar a significação que o visual (imagem e sua dramaticidade) desenvolve na comunicação é, sem dúvida, relacionar o modo de ver a produção ideológica da sociedade contemporânea, partindo do uso plural das tecnologias de comunicação de massa. Além disso, assegura ainda que tudo isso só está sendo possível graças à expansão da semiótica nos territórios visuais circundantes da informação oriunda no texto visual.

Focalizar o visual da comunicação significa, pois, selecionar esse espaço da cultura contemporânea, enquanto em seu interior se concentram o poder e o conflito, a tradição e a mudança, a experimentação e o hábito, o global e o local, o homologado e o sincrético. [...] o visual refere-se às muitas linguagens que ele veicula: a montagem, o enquadramento, o comentário, o enredo, o primeiro plano, as cores, o ruído, as linguagens verbal, corporal e musical. Ao mesmo tempo, o visual refere-se também aos diferentes gêneros que podem utilizar as mesmas linguagens ou inventar outras: o cinema (ficção ou documentário), a televisão, a fotografia, a videomusic, a publicidade, a videoarte, o ciberespaço.[6]

Entendemos, portanto, que nas imagens da grande mídia há certos níveis de dramaticidade que conduzem à subjetividade das idéias nelas propostas. O discurso visual torna-se uma metalinguagem por que têm em sua essência fragmentos das culturas regionais nas quais são agregados novos significados e, por isso, conduzem o espectador[7] à busca da intertextualidade do discurso[8].
À maneira de Canevacci (2001) compreendemos que a imagem – texto visual – é produzida em contextos: social, cultura, econômico e ideológico que visa envolver todos os agentes sociais da comunidade em que ela se propaga, construindo dessa maneira os significados que a faz importante para a compreensão das relações interpessoais. Nesse processo, entendemos que há em tal narrativa imagética algo complexo que transforma conceitos e ideais dos agentes (criador, mensagem e receptor) principalmente no plano da comunicação ideológica em que participam sistemas de consumo dinâmicos. Assim, varias significações são negociadas com o leitor para que ele possa se situar na linguagem, deixando vir à baila seus anseios e angústias que o levaram a um continuum dramático. Nessa perspectiva, “A comunicação é um sistema de múltiplos canais nos quais o ator social participa a cada instante, querendo ou não: com seus gestos, seu olhar, seu silêncio, até com sua ausência...”[9]
O emprego das imagens na mídia contemporânea volta-se para o atendimento das ideologias da industrial cultural[10], consagrando o homem – leitor – como eterno consumidor de mensagens publicitárias que evocam dramas individuais e coletivos. Tais imagens se tornam instrumento de alienação e conduzem o espectador à crise de interpretação, pois, a cada instante ele é bombardeado por textos visuais com formas e sentidos diferentes, e que buscam no cidadão da polis um espaço para transformá-lo em consumidor. Não obstante, este sujeito, na maioria das vezes, não possui conhecimentos suficientes para apreender os significados existentes no texto visual. Na realidade, é ai que surgem os dramas dos receptores, pois, são vítimas de um sistema sócio-cultural que privilegia fetiches individuais e econômicos em detrimento do bem estar coletivo e do social.

Então os fetiches visuais, que proliferam na comunicação de alta tecnologia, são de tal forma incorporados pelas novas mercadorias que o próprio método de observação deve levar isso em conta. [...] “Ler” um texto visual – uma mercadoria ou um filme – é também uma tentativa de dissolver seus fetiches.[11]

No campo do visual e do cognitivo, a imagem é dividida a partir de domínios que, segundo Santaella, partem das representações visuais até a imaterialidade das imagens em nossas mentes. Assim os elementos visuais presentes em desenhos, gravuras, fotografias, imagens de cinema, televisão compõem o domínio visual. Enquanto no plano da abstração, as mensagens visuais são transformadas em visões, fantasias, imaginações e modelos que se caracterizam como pertencentes à categoria mental.

Ambos os domínios da imagem não existem separados, pois estão inextricavelmente ligados já na sua gênese. Não há imagens como representações visuais que não tenham surgido de imagens na mente daqueles que as produziram, do mesmo modo que não há imagens mentais que não tenham alguma origem no mundo concreto dos objetos virtuais[12].
A sociedade contemporânea se encontra em evolução política, lingüística, tecnológica e cultural, e por isso as imagens constituem a paisagem das pessoas, principalmente, no universo virtual em que a mídia eletrônica, devido à correria impossibilita o homem de ler textos longos e complexos, buscando assim, a emergência da imagem dos objetos.
As imagens que forma o “corpo social” segundo Bachelard têm valores que só podem ser medidos pela da ampliação do universo imaginativo do receptor. Assim, entendemos que a relação entre corpo e imagem se estabelece a partir das experiências humanas, sendo isso fruto do psiquismo. Por isso acreditamos que a junção das imagens captadas pela percepção humana no ato de leitura produz remissões que levam o leitor a divagações e, conseqüentemente, à ativação de seu “baú” imaginário.
No contexto da psicanálise, as imagens são tidas como elementos especificadores do psiquismo humano de tal modo que William Blake criou uma máxima para essa questão: “A imaginação não é um estado, é a própria existência humana.”[13] Pelo que ficou expresso até agora, e para compreendermos a real importância da imagem na vida do homem contemporâneo é, portanto, pertinente aceitar que imaginar é criar novas perspectiva para a vida, porque vivemos no mundo das imagens, ou seja, estamos sempre diante de objetos lingüísticos: a poesia e a arte que são construídos sob a premissa de que estamos diante de uma imagem a ser desconstruída pela imaginação através da interpretação de seus referentes textuais.

Para bem sentir o papel imaginante da linguagem, é preciso procurar pacientemente, a propósito de todas as palavras, os desejos de alteridade, os desejos de duplo sentido, os desejos de metáfora. De um modo mais geral, é preciso recensear todos os desejos de abandonar o que se vê e o que se diz em favor do que se imagina. Assim, teremos a oportunidade de devolver à imaginação seu papel de sedução. Pela imaginação abandonamos o curso ordinário das coisas. [...] Imaginar é ausentar-se, é lançar-se a uma vida nova.[14]

A sociedade contemporânea é, sem dúvida, um oceano de imagens no qual estamos navegando, e isso nos tem criado uma série de problemas, pois, à produção de novos significados para nossa cultura colocam em discussão os tramas e dramas que as imagens provocam em nosso inconsciente coletivo, fato que direto ou indiretamente fortalece cada vez mais a “Industria Cultural” devido a sua capacidade de incorporação no nosso cotidiano de narrativas imagéticas que atingem nossos desejos e vontades. Todos esses signos são promovidos à categoria de representação, a qual é tributária do sistema cognitivo do sujeito. Dessa forma, Santaella nos adverte que as representações visuais e mentais existentes nas leituras das imagens são objetos de investigação tanto da semiótica quanto da ciência cognitiva.
Para este estudo, no qual estudaremos os tramas e dramas da imagem na hipermídia, prioritariamente, nos pautaremos nos princípios da semiótica, devido a compreensão daquilo que Pierce chamou em 1865, de “teoria geral das representações”. Seguindo esse plano, representação para Santaella deve ser apreendida nas perspectivas pierceanas, embora ela apresente o conceito de representação defendido por Spencer (1985:77). Para representar é fundamental o uso da linguagem, esta, pois, transmite ao receptor os princípios da inventividade tanto na imagem quanto no texto. Assim, “Com a linguagem podemos inventar, cada sentença é uma nova invenção, produzida pela combinação de elementos familiares; a perfeição da inventividade humana está ligada à perfeição da linguagem humana.”[15]
Historicamente, toda a cultura ocidental transmitiu seus conhecimentos morais, religiosos e, principalmente artísticos através de textos mistos, ou seja, sempre houve a presença do visual e do verbal nessas produções, cujo caráter ideológico, às vezes, está implícito e, portanto, não é de fácil acesso ao leitor comum. Atualmente, a ciência da imagem [imagologia se é que podemos chamá-la assim, tem atendido basicamente aos métodos da tecnologia]. Em outros termos, os recursos tecnológicos cujos princípios comunicadores estão centrados na dissecação de imagens. E por isso veiculam com maior amplitude e atingem um número amplo de cidadãos.Portanto, é nesse plano que a hipermídia atua e a cada dia conseguem maior inserção e adesão para suas mensagens.

A imagem do século XX é determinada por milagres tecnológicos como o cinema, a TV em cores, o computador e, mais tarde, as tecnologias relacionadas à internet. [...] É fundamental que a relação entre as novas mídias e as mídias antigas se desenvolva como uma coevolução, mas sob uma nova perspectiva em que natureza e máquinas se unem formando uma coisa só. De alguma maneira, isso significará que não se encontrará nenhuma diferença importante entre as experiências reais e virtuais.[16]

O espaço e a tensão estabelecidos entre a criação e propagação das imagens nos meios de comunicação, os tornam homogêneos e, conseqüentemente, estabelecem um jogo dramático tanto no espaço exterior quanto no valor intrínseco da peça publicitária para o receptor. Dessa forma, a imagem para Bosi é:

(...) um modo da presença que tende a suprir contato direto e a manter juntas, a realidade do objeto em si e sua existência em nós. O ato de ver apanha não só a aparência da coisa, mas alguma relação entre nós e essa aparência. (...) imagem amada, e temida, tende a perpetuar-se:vira ídolo ou tabu. E a sua forma nos ronda com doce ou pungente obsessão. (...) Toda imagem pode fascinar como uma aparição capaz de perseguir. O enlevo ou o mal-estar suscitado pelo outro, que impõe a sua presença, deixa a possibilidade, sempre reaberta, da evocação[17].

É importante visualizarmos que na mídia os signos têm o papel de representar, ou melhor, parecer real a existência da coisa que se pretende fixar no cognitivo de cada um que consome a imagem. Com efeito, esse processo corrobora singularmente para a reificação das ideologias implantadas pela burguesia capitalista. Ou seja, as representações que a Industria cultural, os meios de comunicação de massa e a cultura de massa usam para manipular as vontades e desejos cidadão - seus possíveis consumidores – pautam-se na fixação de ideais homogeneizadores, colocando todos independentemente de sua condição sócio-cultural e econômica, merecedores dos mesmos objetos.
Nesse contexto, inferimos a importante participação dos veículos de comunicação de massa na propagação das imagens, destacando dessa maneira o pensamento de Pignatari que diz: “Os poderosos meios de comunicação de massas tornam anacrônicos os métodos tradicionais de ensino; esses próprios meios, sendo ou tendendo a ser antiverbais[18]...” Assim, temos a perspectiva que cada vez mais somos e tornamos os outros em sujeitos alienados diante das imagens e dos textos que trazem em sua essência o fetichismo das mensagens publicitárias, as quais nos induzem ao consumismo.
Concluindo rapidamente esta discussão, acreditamos que a Industria cultural tem transformado o homem contemporâneo em simples receptáculo de suas ideologias mercadológicas e consumistas, tendo a seu favor os meios de comunicação de massa que, por sua vez, constroem tramas de dramas que envolvem todos os cidadãos, criando neles, ou melhor, em nós necessidades imediatas.

Representação e fetichismo da imagem na hipermídia

Nas peças publicitárias os elementos que formatam a comunicação a partir da definição de gênero e poder e que constituem as imagens que persuadem e seduzem o leitor. São assim, centro da discussão e a análise da grande estrutura argumentativa existentes em imagens de bebidas, cosméticos e carros são necessárias para a vida moderna.
A publicidade no contemporâneo se torna cada vez mais persuasiva e leva o leitor-consumidor à alienação. Isso acontece em virtude do uso continuum de imagens que, de acordo com especialistas, criam necessidades instantâneas no sujeitos, fazendo vir à baila desejos recalcados que através da imagem ganham vida e, assim, os levará ao consumo. Por isso, podemos afirmar que as imagens possibilitam a interatividade com o leitor, produzindo no seu cognitivo uma revolução a respeito das representações que a linguagem imagética apresenta.

(...) o visual refere-se às muitas linguagens que ele veicula: a montagem, o enquadramento, o comentário, o enredo, o primeiro plano, as cores, o ruído, as linguagens verbal, corporal e musical. (...) o visual envolve também diferentes tipos de subjetividade que estão aprendendo a empregar esses gêneros e essas linguagens: não só ocidentais (em sentido amplo), mas também das populações nativas.[19]

Nessa perspectiva, os elementos imagéticos que compõem a publicidade moderna buscam mediante a subjetividade do visual, persuadir seus leitores, transformando os em consumidores em potencial. Assim, contemporaneamente, a cultura imagética da mídia estabelece padrões de comportamento e de consumo que criam fetiches[20] no inconsciente dos cidadãos. Com efeito, é importante destacarmos a busca por imagens que associem e, conseqüentemente, tornem ambíguas as leituras dos objetos, dando a eles, às vezes, certo grau de erotização. Embora estes aspectos fiquem ao nível do implícito entendemos que, a multiplicidade e a polifonia, tanto de imagem, quanto de discurso, são os responsáveis pela naturalização das vontades imediatas de objetos e serviços. Logo, estes eventos são o ponto nevrálgico da grande mídia, uma vez que a polifonia[21] toma conta de todo o processo textual, no qual imagem e discurso se entrelaçam para formatar mensagem midiática.
Nesse espaço intersemiótico estão elementos sócio-culturais que precisam ser ressignificados, ou seja, a mídia contemporânea encontra matéria-prima para suas publicidades no resgate das tradições populares[22], conseqüentemente as tornam vivas. Isso para o consumidor incauto é positivo porque traz à baila velhos paradigmas da identidade que estava esquecido, possibilitando assim, uma nova leitura da questão local, regional. (ver propaganda da pepsi em que se representam as figuras mitológicas do carnaval).
A propósito da questão de polifonia nas mensagens publicitárias acreditamos que, isso se dar porque é uma conseqüência natural da vida em sociedade, a polifonia reflete a interação do homem, como ser social, na troca de informações, nas tomadas de posição, enquanto sujeito ativo no processo de negociação de sentidos com os elementos textuais e visuais que formam sua cultura no decorrer de sua existência.

Sabe-se que a imprensa tem se caracterizado por exercer grande influencia sobre a sociedade. É a responsável pela constituição do imaginário social, já que é por meio dela que os grandes fatos são postos em debate e que se constituem os pontos vista. Pode-se dizer que ela é um dos pilares do universo midiático contemporâneo[23].

No mundo contemporâneo, estamos submetidos a uma gama de produtos, que pouco significaria para o cidadão comum se não fosse o glamour que a publicidade confere as imagens. Com isso ela vale-se do poder das palavras e das imagens para assegurar aos objetos um caráter especial de tal modo que os mitificam. Não obstante, entendemos que a linguagem da publicidade é eminentemente metafórica. Assim sendo, as imagens na publicidade ampliam seu campo de significação a partir do desenvolvimento de sentidos conotativos que valorizam a subjetividade.

Sendo a publicidade superlativa, os termos com semas positivos são altamente freqüentes nos anúncios, as palavras com traços negativos aparecendo, apenas, para estabelecer o famoso contraste do “antes” e do “depois”, pois a linguagem publicitária, de certa forma, escamoteia a realidade concreta, ou melhor, direciona a atenção do público-alvo apenas para o que lhe interessa, não revelado o que possa prejudicar a imagem do produto[24].

As artes visuais da propaganda são relacionadas à educação visual imposta pela grande mídia. Logo, é de fundamental importância que se realize uma alfabetização visual a partir de textos não verbais do cotidiano.

Alfabetização Visual

Na sociedade da comunicação por imagem, a invenção da câmera digital e dos computadores trouxe à propaganda um continuum da arte de desenhar que, historicamente, é considerada como a capacidade natural de todos os seres humanos. Recordemos, então as ações dos homens primitivos, os quais tinham em suas mentes as representações dos animais que caçava. Nessa perspectiva histórica, a arte e o significado da imagem por ela representada, conduzem à forma e à função do visual na expressão e na comunicação, porque nela se dar transformação das mensagens publicitárias em códigos estéticos que ampliam a fruição do leitor.
Dondis considera que a revolução tecnológica e os meios de comunicação de massa têm contribuído para uma educação imagética do leitor. Enquanto a arte tornou-se inerte às mudanças da sociedade consumidora de mensagens visuais. Embora sua fala seja demasiado funcionalista, faz-se pertinente citá-la:

Arte e o significado da arte, a forma e a função do componente visual da expressão e da comunicação, passaram por uma profunda transformação na era tecnológica, sem que se tenha verificado uma modificação correspondente na estética da arte. Enquanto o caráter das artes visuais e de suas relações com a sociedade e da educação sofreram transformações radicais, a estética da arte permaneceu inalterada, anacronicamente pressa à idéia de que a influência fundamental para o entendimento e a conformação de qualquer nível da mensagem visual deve basear-se na inspiração não-cerebral. (...) A expressão visual significa muitas coisas, em muitas circunstancia e para muitas pessoas.

A linguagem visual no contemporâneo é um processo cristalizado. Portanto, as imagens que a compõe têm em seu processo criativo algo que vai além do código verbal, exigindo do observador um nível mais acurado de percepção. Aqui, Dondis sugere que se faça uma alfabetização visual através de textos publicitários verbais e não-verbais.
Nessa linha de raciocínio MchLuhan comenta a papel da imagem na formação de uma consciência alfabetizadora a partir da câmera, a qual, segundo seus argumentos, têm importância tal qual o livro nos séculos XIII e XVI.

(...) a ordenação das palavras substitui a inflexão das palavras como principio da sintaxe gramatical. A mesma tendência se deu com a formação das palavras. Com o surgimento da imprensa, ambas as tendências passaram por um processo de aceleração, e houve um deslocamento dos meios auditivos para os meios visuais da sintaxe[25].

Segundo os princípios escolásticos, para que sejamos considerados alfabetizados é preciso conhecer e dominarmos os elementos básicos da linguagem escrita: as letras, palavras, frases, ortografia, gramática e sintaxe, isso é alfabetismo[26]. No mundo das imagens é fundamental que tenhamos uma percepção bastante arguta, ou seja, passemos a compreender os elementos culturais que nos cercam quando do ato de leitura das peças publicitárias. Eis aí uma perspectiva para uma educação visual.

Referências bibliográficas e notas explicativas

ARISTÓTELES (s/d). Arte retórica e Arte poética.Rio de Janeiro: Ediouro. (s.d)
FOUCAULT, Michel, Microfísica do poder. 19.ed. Rio de Janeiro: Graal, 2004.
SANTAELLA, Lucia; NOTH, Winfried. Imagem: Cognição, semiótica, mídia. 3. ed. São Paulo: Iluminuras, 2001.
CANEVACCI, Massimo. Antropologia comunicação visual. Rio Janeiro: DP&A, 2001.
[1] FOUCAULT, Michel, Microfísica do poder. 19.ed. Rio de Janeiro: Graal, 2004, p.147.
* Professor de Literatura Brasileira e Semântica do Curso de Letras – Unemat – Campus Tangará da Serra-MT., Coordenador do Núcleo Pedagógico da Unemat – Sapezal-MT. (Letras e Contábeis).
[2]S.f. Fio que se conduz com a lançadeira por entre os fios da urdidura; fios de seda grossa; fio grosso e dobrado, com que se fazem certos estofos; fio grosso; tecido; textura; (fig) sustentáculo; (bras) barganha; permuta; negócio; (Do lat. Trama).
[3] Tal termo é aqui tomado sob a ótica semiótica que, segundo Santaella e Nöth “são um sistema semiótico ao qual falta uma metassemiótica: enquanto a língua, no seu caráter metalingüístico, pode servir, ela própria, como meio de comunicação sobre si mesma, transformando-se assim num discurso auto-reflexivo, imagens não podem servir como meios de reflexão sobre imagens”.
[4] Tomamos como hipermídia os textos imagéticos que circulam nas revistas impressas e eletrônicas, bem como na TV e na Internet.
[5] SANTAELLA, Lucia; NOTH, Winfried. Imagem: Cognição, semiótica, mídia. 3. ed. São Paulo: Iluminuras, 2001, p. 13.
[6] CANEVACCI, Massimo. Antropologia comunicação visual. Rio Janeiro: DP&A, 2001, pp.7-8.
[7] Empregamos tal termo a partir do entendimento de que na comunicação os espectadores são sujeitos ativos no processo de construção de significado para o texto visual que aprecia.
[8]Laurent Jenny. A estratégia da forma. In: Intertextualidade. Coimbra, Almedina 1979, p. 6. comenta que a intertextualidade se apresenta além do código e vai até ao nível do conteúdo formal da obra, buscando a sensibilidade dos leitores o que pode variar de acordo com cultura e a memória imagética de cada um.
[9] Winkin, 1981, p. 7 citado por CANEVACCI, Massimo. Antropologia comunicação visual. Rio Janeiro: DP&A, 2001, p. 9.
[10] Termo usado à maneira de Adorno, pois entendemos que a hipermídia está a serviço da Industria Cultural que, por sua vez, cria condições cada vez mais alienantes para o leitor-consumidor na tentativa de implantar e aperfeiçoar o campo de atuação do comercio de bens e serviço, criando em nós, consumidores, uma sensação de impotência, visto que a todo instante somos enganados pelas imagens que criam novos desejos e necessidades em nosso subconsciente.
[11] CANEVACCI, Massimo. 2001, pp. 13-14.
[12] SANTAELLA, Lucia; NOTH, Winfried. 2001, p. 15.
[13] BLAKE, William. Second livre prophétique, trad. fr. Berger, p. 143. apud. BACHELARD, Gaston. O Ar e os Sonhos:Ensaio sobre a imaginação do movimento. São Paulo: Martins Fontes, 1990, p. 1.
[14] BACHELARD, Gaston., 1990, p.1
[15] MARIÁTEGUI, José-Carlos. Sobre o futuro da arte e da ciência através da inventividade humana. In: Arte e vida no século XXI (org.) Diana Domingues. São Paulo: Editora da UNESP, 2003, p.161.
[16] Ïdem, 2003, p. 162.
[17] BOSI, Alfredo, 2003, pp. 19-21.
[18] PIGNATARI, Décio. Informação Linguagem Comunicação. 2. ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003. p. 93.
[19] CANEVACCI, Massimo. 2001, pp.7-8.
[20] S.m. (1873 cf. DV) 1 objeto a que se atribui poder sobrenatural ou mágico e se presta culto. 2 PSICOP objeto inanimado ou parte do corpo considerada como possuidora de qualidades mágicas ou eróticas. HOUAISS. A. Dicionário Houais da língua portuguesa . Rio de Janeiro, Objetiva, 2001, p. 1333.
[21] Tomamos polifonia aqui, à maneira de Bakhtin, a qual sugere a multiplicidade de vozes e de sujeitos responsáveis por vários pontos de vistas das falas, em um texto.
[22] As peças publicitárias dos refrigerantes (coca-cola e pepsi) têm explorado as festas e tradições populares do Brasil.
[23] RIBEIRO, Patrícia Ferreira Neves. Estratégias de persuasão e de sedução na mídia impressa. In: Texto e discurso: mídia, literatura e ensino. Rio Janeiro: Lucena, 2003. p. 121.
[24] MONNERAT, Rosane Santos Mauro. Processos de intensificação no discurso publicitário e a construção do ethos. In: Texto e discurso: mídia, literatura e ensino. Rio Janeiro: Lucena, 2003. p. 97.
[25] MCLUHAN, M. 1960 apud Dondis, 1997, p. 3.
[26] Tomamos o termo alfabetismo como o aprendizado que é compartilhado por uma comunidade de usuários de um código comunicativo para a realização de suas ações sociais.

SENSUALIDADES

Pulsam nossos peitos...
Encontram-se nossas bocas
E delas sussurros...

Mina suor de cútis brilhante
E lágrimas de prazer escorrem
Aos gritos entre dentes...

Erodidos nas chamas de paixão,
Nossos corpos em brasa,
Queima-nos o ego em prazer
Tal o sol bronzeia a praia
Na tarde de verão.

05 de fevereiro de 2009, 09h55min.
Robério Pereira Barreto

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

ENCUENTRO DE AMOR

Sus gemidos en mis oídos
Es como sentir el toque
Del rubro velludo en la alma,
Que desnuda al placer.

Sus calientes cariños
Arde me piel como
El meteoro quema
E ilumina el cielo.

Su perfume arrebata
Mis sentidos tal la mirra
Que deja en el aire el olor…

Embriagado en su silueta
Camino a quererte desnuda
En mis brazos e cama
Como fue en nuestro primero
Encuentro de amor.
.

03 de febrero de 2009, 23h26min.
Robério Pereira Barreto

DA CIBERFOBIA À DIALOGIA

Admitamos, pois, que, o significado de aprendizagem, sobremodo, da língua materna está relacionada às perspectivas com as quais o professor leva o estudante ao encontro de múltiplos textos. Com isso, revela a ele uma série de mecanismos, os quais estão ligados: imagem e texto e, às vezes, um mundo midíatico em que se misturam escritas, figuras, cores e sons, possibilitando assim interação entre o que se diz e o que se faz com a língua no cotidiano das grandes cidades.
Diante desse quadro, segundo afirma Citelli (2002:24), somente um educador com formação nos princípios dialógicos da linguagem é capaz de compreender a complexidade da língua através da mediação entre os sujeitos envolvidos, por meio da aquisição e compreensão dos textos produzidos pela sociedade. “Um professor dialógico e interacionistas olhará com permanente desconfiança o conhecimento conforme formulado pelo livro didático: o horizonte deste tipo de educador deve ser necessariamente mais amplo.”
É na observação dos sistemas midiáticos que professor se pauta ao preparar sua aula, pois seus alunos já vêm a ela com perspectivas e saberes advindos da mídia de massa. A partir daí, é que o docente oferece subsídios para que eles façam, de fato, a interação no processo de produção de sentido com a realidade lingüística em que atuam. Os sistemas multimidiáticos, calcados em formas integrativas e interativas que possibilitam ao aluno construir “programas de aulas” situará o professor noutro patamar, que poderá até ser melhor, a depender da determinação e vontade dos envolvidos. [...] Com novas linguagens, estímulos e formas de conhecimento que vivem à margem do discurso institucional escolar.” (Citelli, 2002:26-7).
É salutar lembrar que, devido às condições inadequadas proporcionadas pelo sistema ao professor, mormente as escolas das redes públicas: estadual e municipal não têm profissionais com orientação didática e pedagógica para responde a contento tal atarefa; quem sabe de nenhuma sorte, percebe que à interação através de diálogos entre as práticas educacionais levam ao conhecimento e, consequentemente, à humanização dos estudantes ao usar de forma correta os princípios da linguagem.
Para Bakhtin (1979) a linguagem não é utilizada apenas para transmitir informações, mas, para firmar interesse, estabelecer níveis de dominação, fazendo do mundo dos signos uma arena onde são travadas as mesmas batalhas encontradas no mundo dos homens. Desse modo, se têm na escola os espaços de interação e dialogismo, pois, nela se encontram várias gerações de conhecimento, tanto pessoais quando institucionais. Com efeito, a função da escola é orientar os estudantes para a produção dos sentidos e ideologias existentes no processo histórico empreendido através da língua, ou seja, é por meio da classificação de certo/errado no uso da língua que os grupos afirmam ou refutam seus princípios de dominação.
Na realidade, este procedimento se dá através de estratégias as quais têm sua base ideológica e semântica nos princípios de persuasão e sedução, segundo as quais os alunos e os leitores têm na mídia, sobremodo, na mídia imprensa e nos livros didáticos seus maiores auxiliares. Entretanto, sabe-se que, às vezes, é preciso desconfiar de tais escritos para que se possa estabelecer o grau de responsabilidade da autoria.
Para Ribeiro (2003:121) o uso da sedução como processo argumentativo na mídia é uma marca, pois, se sabe que a “imprensa tem se caracterizado por exercer grande influência sobre a sociedade.” Além é claro de ser responsável pela constituição do imaginário social, já que é por meio dela que os grandes fatos são postos em debate e que se constituem os pontos de vista. Então, é legítimo que os profissionais da linguagem compreendam que, embora haja problema na constituição – gramatical, semântica e ideológica - de determinados tipos de mídia, estes, certamente, ainda contribuem significativamente para o processo de desburocratização da aprendizagem da língua materna, uma vez que se pode traçar diálogos com várias opiniões e maneiras de usar a estrutura da língua nacional.
Hodiernamente, sabe-se que a língua portuguesa em sua forma “erudita” tem sido maltratada pelos meios de comunicação de massa, bem como pelos profissionais da linguagem. Eles são do mesmo modo vítimas, pois o sistema ao longo de décadas desvalorizou o estilo e uso linguísticos praticados pelos grandes escritores. (quantas vezes ainda ouvimos referência ao estilo Machadiano de organizar as idéias e do bom trato com a língua em seus escritos, inclusive os que saiam na imprensa). Entretanto a sociedade avançou e com isso vieram novas maneiras de expressão. Neste pacote estão os valores éticos, estéticos e ideológicos relacionados à aprendizagem da língua portuguesa que a mudaram sistematicamente. Isso com certeza moveram as bases tradicionais, as quais lutam em vão, parafraseando Drummond: “lutar com as palavras é coisa vã” para manter a tradição gramatical de meados do século passado.
Embora seja uma realidade deprimente, contudo temos que modificá-la trabalhando o idioma em sala de aula, para, no mínimo, orientar o usuário da língua no que se refere à questão dialógica que permeia a comunicação moderna. Entretanto, tal perspectiva é cheia de obstáculo; o primeiro deles está na estrutura da própria escola que não vê e, às vezes com razão, a mídia impressa como subsídio para o melhoramento da qualidade da produção lingüística do estudante, porque algumas não apresentam qualidades suficientes para isso.
Nesse plano dialógico, consoante a dificuldades normais da escola, Chiappni (2002:10) acredita que a escola tem uma parcela de culpa porque burocratiza a linguagem, desistoricizando-a e enrijecendo-a nos rituais que a faz como instituições de controle sócio-educacional. Com efeito, a democratização da escola e avanços dos MCMs[1] deveriam ter melhorado as condições de ensino, aprendizado e uso da língua, devido ao grande alcance social de suas mensagens. Entretanto, isso não ocorreu porque a maioria das instituições de MCMs tinha em suas direções e redações pessoas cujo preparo e conhecimento da língua eram medianos. Por outro lado, os ouvintes, leitores, espectadores viviam em condições piores para compreender a estrutura normativa da língua. Com isso, Viu-se nascer de maneira, quase unilateral um outro idioma, ou seja, as pessoas não deixaram de viver e comunicarem-se porque não tiveram à formação culta da língua. Ao contrário, adaptaram suas habilidades lingüísticas as realidades em atuam de forma dialógica.

[1] Meios de Comunicação de Massa

CIBERFOBIA DE PROFESSORES E O AVANÇO DA LINGUAGEM NA WEB


Amigos leitores, este texto tem como objetivo chamar atenção das pessoas que têm medo de tecnologia, sobretudo o profissionais da educação que, injustificadamente recusa trabalhar com as linguagens tecnológicas provenientes tanto da televisão quanto da internet. Por se tratar de publicação em site, dividirei esta idéia em várias partes. Caso queira lê-la a até o final; aguarde as próximas publicações.
A formação escolar do aluno, no que se refere à linguagem, tem sido alvo de grandes ataques, inclusive por parte dos professores que, às vezes, escondem-se atrás de suas fobias e dizem que os estudantes não interagem com o modelo lingüístico proposto pela escola devido, aos meios de massa. Estes, por sua vez, têm uma linguagem, banal e bestialmente desgramaticalizada, tornando-se impossível a integração de tais enunciados à sugerida pela gramática.
Travaglia (2001:22) considera que a perspectiva assumida pelos professores tem a ver com aquilo que lhes fora ensinado como certo/errado. Entretanto, ele reafirma que: “As normas de bom uso da língua são baseadas no uso consagrado pelos bons escritores e, portanto, ignoram as características próprias da língua oral.” Fato que não ocorre com as tecnologias de comunicação de massa, ou seja, a linguagem mídia é eminentemente oral.
Assim, os professores de língua materna – portuguesa – deve se apropriar do conhecimento oferecido pelos meios tecnológicos, acabando assim com a ciberfobia. Pois, a língua, ensino e aprendizado devem ser visto como algo natural. “língua é considerada um organismo vivo que nasce se desenvolve e pode entrar em decadência, juntamente com a sociedade que dele não cuida adequadamente, não atende à tradição, comete o pecado do erro e juntamente com sua linguagem se deteriora, definha, acaba.” (Travaglia, 2001:26-7).
Mediante sistema de comunicação no qual a tecnologia está presente na vida dos estudantes desde as séries iniciais até a universidade, o professor precisa empreender esforço e buscar ajuda profissional – psicólogo – para, primeiramente, inferir que ele involuntariamente é um agente portador de tecnologia e usuário compulsivo de linguagem cibernética. Todos os professores têm telefones celulares acompanhados de mais alta tecnologia de imagem, som e linguagem. Os estudantes na maioria das vezes os têm. Então por que não explorar esse material tecnolingüístico da realidade dos estudantes e fazê-los refletir sobre suas ações enquanto sujeitos da linguagem?
De acordo com Citelli (2002:19) isso ocorre não porque o professor ter medo de tecnologia, pois os seus alunos têm uma intensa relação com as linguagens e o conhecimento não sistematizado pelo discurso didático-pedagógico e promovem uma circulação que resulta em discussões, trocam de experiências, estratégias de socialização, que, contudo, se obliteram e preferem a zona do silêncio no momento sacralizado da aula e o professor ainda não conhece esse universo e, portanto, sente-se ameaçado em sua autoridade, conhecedor e detentor de saberes
Nessa perspectiva, clama-se por uma (re)qualificação docente na qual, este deveria superar suas deficiências e medos de tecnologia e compreender que, na atualidade o profissional é apenas mediador da aprendizagem, sobretudo, no que se refere à questão lingüística, posto que a linguagem midiática, faz parte de nosso cotidiano. Embora a escola não disponha ainda de total domínio do processo, graças à incompetência das políticas públicas, as quais usam a ciberfobia dos profissionais como mecanismo de defesa. Para Citelli (2002:23) isso ocorre porque é ai que está a “própria dificuldade operacional dos professores com relação àquelas linguagens. Muitas delas lhes são absolutamente desconhecidas, o que torna impossível considera-las tanto para efeito de incorporação a novas práticas didáticas como para submetê-las a qualquer crivo crítico.” Conclui-se que, o problema não está no estudante, mas sim no medo do professor, o qual acredita estar perdendo seu posto de comando quando não é, ou não se faz entender pelos alunos.

ESCRITA: TECNOLOGIA INTELECTUAL

Não é suficiente conceituar ler e escrever, é fundamental desejar e possibilitar sua realização. Barreto, 2004.

Para Lévy (1999), a escrita nos nossos meios de comunicação contemporâneos encerra em si mesma, o poder de registrar acontecimentos e reorganizar o papel das ciências. Por isso, ele considera que a interpretação dos sentidos encontra seus fundamentos na escrita, porque “o alfabeto e a impressão, aperfeiçoamentos da escrita, desempenharam um papel essencial no estabelecimento da ciência como modo de conhecimento dominante”.[1]
As escritas desenvolveram na comunidade instrumentos de significação e símbolos que levaram o homem contemporâneo a questionar a oralidade. Isto é, a comunicação na sociedade era realizada através da oralidade, quando os cidadãos transmitiam seus conhecimentos, mitologias e lendas de “boca a boca”. Logo, precisaram de um instrumento que guardasse física e organicamente as idéias construídas na comunidade. Com isso, a escrita ganha ares de tecnologia. A exemplo disso, está a literatura a qual com o domínio das tecnologias da escrita passou a ocupar lugar significativo na vida social das pessoas. Embora saibamos que nesse período uma parte significativa da população do século XIX, não tinha formação escolástica. Portanto, segundo Lèvy “(...) compreender o lugar fundamental das tecnologias da comunicação e da inteligência na história cultura nos leva a olhar de uma nova maneira a razão, a verdade, e a história, ameaçadas de perder sua preeminência na civilização da televisão e do computador.”[2]
A escrita como tecnologia de comunicação, tornou possível o acesso da massa a conhecimentos que antes eram transmitidos a sociedade por meios de conversas em que as experiências coletivas se mantinham guardadas na memória, formando assim, imagens na ecologia cognitiva do sujeito. Por isso Lévy afirma que a invenção da escrita está relacionada com a invenção da agricultura.
A escrita foi inventada diversas vezes e separadamente nas grandes civilizações agrícolas da Antiguidade. Reproduz, no domínio da comunicação, a relação com o tempo e o espaço que a agricultura havia introduzido na ordem da subsistência alimentar. O escriba vaca sinais na argila de sua tabuinha assim como o trabalhador cava sulcos no barro de seu campo. É a mesma terra, são instrumentos de madeira parecidos, a enxada primitiva e o cálamo distinguindo-se quase que apenas pelo tamanho. (...) A agricultura, pelo contrário, pressupõe uma organização pensada do tempo delimitado, todo um sistema do atraso, uma especulação sobre as estações. Da mesma forma, a escrita, ao intercalar um intervalo de tempo entre a emissão e a recepção da mensagem, instaura a comunicação diferida, com todos os riscos de mal-entendidos, de perdas e erros que isto implica. A escrita aposta no tempo.
De acordo com a ótica do autor, podemos compreender que a escrita dialetiza os conhecimentos, pois se transforma à medida que a comunidade lhe da funcionalidade. Na história mais recente (século XIX) a escrita transformou-se em tecnologia de comunicação avançada a partir da compreensão de que “a arte (literatura) é um sistema simbólico de comunicação inter-humana, e como tal interessa ao sociólogo.”[3] Com isso foi possível que a população tivesse acesso a informações que traduzia suas classes sociais. A exemplo disso, temos os folhetins os quais revolucionaram a atividade literária e escrita na França e, por conseguinte no Brasil romântico.
Associar a escrita à burguesia é, sem dúvida, correr o risco de ser redundante. Por isso, acreditamos que a escrita como todos os instrumentos tecnológicos de comunicação serviu mais diretamente aos ideais dominantes do que às necessidades da massa. Corroborando conosco Lèvy argumenta que a escrita e o Estado mantiveram relações íntimas. O Estado serviu-se dos princípios orientadores e misteriosos da escrita para manter a ordem de seu discurso sem que houvesse questionamentos (lembremo-nos que a maioria da população ainda não domina a escrita e a leitura. Portanto, absorvem os discursos orais e imagéticos produzidos por aqueles que conhecem o universo da escrita. Por isso, talvez, a televisão ocupe cada vez mais o espaço do livro em nossa sociedade).
Através da escrita, o poder estatal comanda tanto os signos quanto os homens, fixando-os em uma função, designando-os para um território, ordenado-os sobre uma superfície unificada. Através dos anais, arquivos administrativos, leis, regulamentos e contas, o Estado tenta de todas as maneiras congelar, programar, represar ou estocar seu futuro e seu passado. (...) A escrita permite uma situação prática de comunicação radicalmente nova. Pela primeira vez os discursos podem ser separados das circunstancias particulares em que foram produzidos.

Para concluir temporariamente, entendemos que a escrita se tornou na sociedade contemporânea mais que instrumento tecnológico é, portanto, ferramenta social, ideológica que permite, embora de forma unilateral a participação da comunidade no registro de seus feitos.
[1] PIERRE, LÈVY. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. São Paulo: Editora34, 2000, p. 87.
[2] Idem.
[3] CANDIDO, Antonio. Literatura e sociedade. 8. ed. São Paulo: T.A. Queiroz, 2000. p. 21.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

DISCRECIÓN

En su sonrisa tiene el albor
Y discreción de la luna
En noche de negritud…

El espejo de su alma
Refleja en ti la sensibilidad
Que as veces es traducida
En fuerte falta de calma.

Eso irradia en mi corazón
Y lo hace lleno de deseo
Que te quiero sin razón;
Y con los ojos cerrados
Quedo-me ávido de place,
Al sentir su estampa.

02 de febrero de 2009, 23h20min
Robério Pereira Barreto

domingo, 25 de janeiro de 2009

ENSINO DE HUMANIDADES NA ESCOLA: RESGATE DA CRIATIVIDADE E CIDADANIA


Faz algum tempo que venho discutindo nos bastidores da Universidade e da Escola Publica onde trabalho, que o ensino de linguagem e, principalmente, das questões relacionadas à aprendizagem da leitura e da escrita por parte dos estudantes tanto do nível básico como superior deveria ser através da arte, literatura, pintura e humanidades. É senso comum encontrarmos em todas as salas de professores (inclusive já me flagrei fazendo isso), alguém está sempre falando que os estudantes não estão nem aí para aula, os conhecimentos que lhes transmitimos pouco importam, etc. Então, resolvi aprofundar na reflexão, e eis que cheguei ao seguinte entendimento. (claro que isso não é inédito). Tem-se muito estudante louco por leitura e que produz textos significativos, contudo, não é a tipo de texto reconhecido pela instituição escolástico e, portanto, não é certificado como tal. Por isso, eles não se interessam por tal prática, ou seja, por mais que leiam e produzam não lhes damos os devidos créditos, porque estamos pautados em tipologias e regras de leitura e produção textuais do século de Anchieta, que não mais acompanham a evolução do pensamento do estudante da era digital.
Nesse contexto, surge a pergunta: qual é a sugestão para resolução de tal problema, gênio? De acordo com os ensinamentos que realizamos em relação ao plano da leitura e escrita em todos os níveis educacionais, tanto na “esfera publica” como particular, uma coisa é certa; estamos fadados ao fracasso como professores! Mas nem tudo está tão ruim assim. Porque vejam: a minha idéia (brilhante). Se a filosofia da escola de ensino básico é formar estudantes para o mundo da linguagem e suas complexas relações com a mídia, então, a melhor forma é conduzi-lo a esse universo, usando as “armas” do inimigo onipresente; a mídia, através da exploração da criatividade deles, pois, esses cidadãos têm muito a nos informar e surpreender. Para tanto, basta incentiva-los no que eles têm de melhor, capacidade de invenção. Veja os exemplos da linguagem internética!
Ainda mantendo a provocação inicial, considero uma perda de tempo e dinheiro, a criação inócua dos chamados “cantinhos da leitura” nos quais temos de tudo – almofadas, pufes, paredes decoradas, etc., contudo, tal espaço é guardado a chave e o protagonista nunca está em ação, estudantes escolhendo o que quer ler. Ao contrário, quando os sujeitos têm acesso a esse espaço, estão acompanhados de um professor que, por sua vez, dirige as atividades conforme seu gosto pessoal, ou do programa didático instituído pela escola. Para completar o princípio de discórdia (sei que alguns ao lerem este texto - se é que lerão – encherão minha caixa postal de impropérios, mas não tem problemas, estou acostumado com o rótulo de provocador).
Na verdade, tem-se nas escolas de ensino básico, a famosa prática – estudante que aprender rápido o raciocínio linear do professor e fica “bagunçando” em sala de aula deve ir à biblioteca. Graças a Deus! Feliz daquele que tem como castigo, ficar horas junto a vários pensadores, artística, críticos, etc. seria ótimos os resultados se todos os professores que não conseguisse atenção dos estudantes dessem a esses, o castigo da biblioteca, certamente teria um número maior de leitores competentes e capazes de entender a homem e a sociedade na qual atua.
Diante de tamanha provocação, exponho a seguir a idéia base desse ensaio: minha tese é de que esse modelo educacional arcaico está falido faz um tempo considerável, sobre tudo no que diz respeita ao ensino-aprendizado de língua materna. Os profissionais formados no curso de licenciatura em letras e pedagogia deveriam se interessam em conhecer e dominar a linguagem das grandes obras de arte – literatura, pintura, teatro -, as quais, por sua vez, estão repletas de ensinamentos históricos, linguísticos, literários e culturais.
Para tanto, seria necessário criar mecanismos que acabassem com essa estrutura de aulas segmentadas – Português, Matemática, História – como se cada uma fosse objeto estranho e que após a saída do professor da sala de aula, o estudante deve guardar em sua caixinha as informações que lhe foram oferecidas, para daqui a uma semana resgatá-lo. Calma! Já explico como esses mecanismos seriam criados. Se a idéia da educação básica é formar cidadãos capazes de se relacionarem com seus iguais e produzirem conhecimentos por meio da aquisição da linguagem, tendo como mediador a língua. Então, vejam: pode-se instituir na unidade educacional que, durante o ano letivo, todos os profissionais da educação estarão envolvidos num projeto, o qual tem como objetivo a montagem de uma peça teatral, sendo que para isso, os conteúdos a serem ministrados aos estudantes devem referir-se a tal proposta. Dizendo de outro modo; o professor de língua materna apresentará aos alunos textos fundamentais da literatura dramática universal e os princípios da leitura e escrita da peça teatral, com quais eles desenvolverão suas atividades, tendo na reescritura a consolidação dos princípios da língua em suas variantes culta e popular; o professor de matemática trabalhará de maneira idêntica, adequando os conteúdos da disciplina ao estudo das dimensões do palco, bem como os fundamentos da geometria, criando expectativas para a montagem do palco – calculando área, quantidade de madeira, tinta, assoalho, etc. seriam necessários para tal construção -; a disciplina de Química e Física terão seus programas baseados nas cores e sentidos atribuídos aos elementos que comporão os cenários e; a Educação Física e Artes trabalhar-se-ão as linguagens corporais e níveis de corporeidade, possibilitando assim a comunicação expressiva do estudante com o saberes e colegas quando da produção e montagem da peça.
Ufá! Como seria bom se realmente tivéssemos alguém que comprasse, ou melhor, roubasse essa idéia e colocassem em ação, porém, creio que alguns ortodoxos dirão: essa só mais uma esquisitice, não dará certo. O pior é que haverá quem afirme que essa idéia só aumentará a indisciplina dos estudantes, escola será uma bagunça! Antecipando-me digo: Não será, ao contrário, teremos estudantes mais interessados nas aulas, até porque será uma forma de valorizar o conhecimento e capacidade de criação que eles têm e nós com nossas soberbas e paradigmas arcaicos os impedimos de mostrar.
Para concluir, reafirmo; está na hora da escola se tomar iniciativa e buscar junto com seu quadro docente e discente inovações no campo do ensino-aprendizado, porque se continuar nesse marasmo estará fadado à derrocada total. Acordemos todos para as novas exigências da sociedade contemporânea, na qual a formação do homem moderno está além das recomendações contidas nos manuais de leitura e escrita. Hodiernamente, a comunicação se dá necessariamente por meio das imagens se símbolos convencionalizados pelos sujeitos da linguagem, na qual a comunicação se processa no plano da criatividade lingüístico, histórica e identitária, dando a cada um, perspectivas diferenciadas. Enfim, com a decisão os interessados em mudar esse quadro patético que nos apresentado pelos institutos de pesquisa quando se referem à questão educacional do país. Ah, lembre-se não estou dizendo para se fazer mágica ou pacto de mediocridade, conforme a expressão: vamos fingir que ensinamos, porque eles também fingirão que aprenderam e daí continuamos no mesmo zero a zero.
Bibliografia:
MORIN, Edgar. A religação dos saberes: o desafio do século XIX. 4. ed. São Paulo: Bertrand Brasil. 2004.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

PEGADAS

Sob seus pés macios
Desfilo como a onda
Que acaricia a face
Da praia no luar.

Voluptuoso como ondas
Que vêm do mar ansioso
Beijo-te com fervor.

Sentindo a maciez desse pisar
A alma se entrega ao deleite
De essa amar sem se apressar.

Cada passo suavemente seu
Leva-me ao delírio
E, em compulsão te recebo
Em mim sem pressa, feliz.

23 de janeiro de 2009, 22h04min.
Robério Pereira Barreto

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

SUOR

A seiva desse amor
Espalha-se pelo mundo
No calor e cheiro de suor
Espargido ao vento...

Delirantes no mormaço
Da paixão sem fim...
Faltam palavras e,
O silêncio nos fala
E rimos à toa.

Olhares fitos descortinam
A nudez da alma...

Despidos e exalando odores
Nossos corpos tornam-se
Um só ser derretendo
Nos seus próprios calores.

20 de janeiro de 2009, 23h56min.
Robério Pereira Barreto

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

sábado, 17 de janeiro de 2009

RASCUNHO

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

TRASPASO

Planeando entre flores del campo
Mi corazón búscate en el perfume
Despegado de rosas rojas
En el jardín de la pasión
Tal polilla en metamorfosis
Desacoplando sus partes la tierra.

Otro hombre, pienso remontarme
De los pedazos salidos de mi alma
Cuando se negó a sosegarme
En su corazón deliciosamente fragante.

Reuniendo mis restos en nuevo ser,
Voy volar al infinito al encuentro
Del jardín celeste, donde mi alma
Jamás separarse del corazón
Y juntos surgirán fuertes
Para posar en otro jardín.

15 de enero de 2009, 22h32min.
Robério Pereira Barreto

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

OLOR DEL AMOR

No fue accidental que nuestras
Almas se juntaran…
Hoy pintan bello cuadro
Con recónditas imágenes y sueños.

Alrededor de nosotros
Paz, amor y alegría
Constituyen la red de caminos
Donde despegados después de amar
Somos seducidos en la fogosidad
Volamos como pluma suelta al viento.

Cansados de amar fijamos los ojos
Silenciosamente al cielo
Procurando por estrellas
Que esfumándose aclaraban
Pensamientos aún llenos de placer.

Reducidos a nubes sueltas
En cielo repleto de encantos
Cuando aún en el catre celeste,
Fijábamos nuestro olor de placer
En el alma e corazón…

13 de enero de 2009, 21h26min
Robério Pereira Barreto

SONRISA DEL LUNA

La luna en cielo tiene ahora
Como compañeras estrellas
Radiantes tal su sonrisa
En su bello semblante.

El reflejo de esa alegría
Mancha mi espirito de paz
Y corazón de desierto.

Mirar la luna lleva el alma
Al escapismo con fuerza
Del viento tardío en la tarde.

El albor de la luna
Confundirse con irradiación
De su carisma cuando juntos
Habemos otra noche
De luna harta en cielo.

13 de enero de 2009 20h05
Robério Pereira Barreto

EN FINAL

Mírate el cielo, una luz en Gaza
Y un clarín llámate diciendo:
Es el final de los tiempos
Están queriendo matar todos
Con sus bombas Israelitas.
¿Hacen eso por qué?
Somos hijos de mismo Dios.

13 de enero de 2009. 09h05min
Robério Pereira Barreto

domingo, 11 de janeiro de 2009

FORO ÍNTIMO

À Porta de seu coração bati
E, não tendo a chave para abri-lo
Naquele momento, à espera fiquei.

Passados tempos, a li fiquei
Com a firmeza da alma e coração
Ficados na esteira da paixão
A ti dedicada, esperei dar-me
A chave da porta de teu coração.

Chave à mão e coração pulsante
Penetro-te com a leveza da pluma
E a firmeza de um punhal sua alma
Em busca de mim mesmo...

Estanque frente à porta de sua alma,
Perdido na espera...
Esqueci-me de mim.

Na latente calmaria da esperança
De que para mim entregaria a chave
De sua porta sem permissão
Seu íntimo invadi.

11 de janeiro de 2009, 22h04min
Robério Pereira Barreto
Foro íntimo

AFOGADIÇO

No suor de nosso amor
Nos afogamos em prazer
E, ardendo em chamas,
Queimamos corpos e almas
Na lareira da paixão.

No abafadiço da alcova
Respirando boca a boca
Revivemos em longos beijos
O calor de alegrias...

Salvos das chamas de tão
Fumegante vulcão, nosso tesão.
Ainda em compulsão do deleite
Preguiçoso nas carícias quentes
Deleitamos-nos em paixão.


11 de janeiro de 2009. 19h55
Robério Pereira Barreto

sábado, 10 de janeiro de 2009

SIGLO XXI: ¿POR QUÉ EL EXPIRACIÓN DE LOS HERMANOS PALESTINOS?

Hace siglos que tenemos noticia de que nuestros hermanos palestinos son víctimas de los ataques violentos de parte de Israelí. Ahora, nos presentan una guerra sin ninguna razón clara, victimando así niños e niñas que aunque non tiene condiciones de defenderse de los ataques militares de Israelí.
En realidad, el pueblo palestino que vive en Gaza, es victima de su condición miserable y también geográfica. En esto todo hay una cuestión compleja: La resolución de la ONU no ha sido respectada por los comandantes de Israelí, ¿Cual será la razón de existir tal órgano se no se sieguen lo que determinan su comando? Pero no creo que esta sea preocupación sólo de mi parte. Sin hablar en cuestiones humanitarias, puesto que jamás el pueblo palestino fue respectado en todos los sentidos.
Si se deseara señalar una fecha al cambio que sobrevino en el campo de la historia del pueblo palestino en este siglo, no sería del todo desacertado decidirse por 2009, el año en que niños e niños fueran muertos por acciones del ejército de Israelí. Hay también que decir que los motivos para esta tragedia no son clarificados en los jornales internacionales de televisión.
Es verdad que una guerra no puede ser vista como un hecho bueno, pero hay sospechas que se trata de un extermine étnico, todavía es más difícil sin tener ocurrido investigaciones bastante sencilla. Hay también que protestar porque Banda de Gaza ha sido utilizada por equipos no buena intencionadas, y esto lleva Israelí hacer ataques donde niños e niñas inocentes mueren todos los días. Creo que no exista algo que puede justificarse las muertes del pueblo palestino, resulta obvio que esta guerra es desigual, en Palestina inocentes son victimas de ataques militares tecnológicamente organizados, entonces es masacre no guerra.
Nosotros, brasileños ciertamente tenemos dificultad de comprender las muchas razones de esos acontecimientos, una vez que somos pueblos pacíficos y convivimos respectando los hermanos que aquí llegan con sus tradiciones religiosas, política y cultural.
Quién sabe lleguen en los corazones de los jefes palestinos e israelitas la luz de esperanza para que el pueblo tenga paz y lejos de problemas caminen por las calles sin medo y los niños e niñas abran sonrisas bellos como la claridad de la sol de mañanas del Oriente.
De hecho, esta es mis deseos para que la paz sea real para palestinos e Irealistas, puesto que la guerra es la forma más miserable para la resolución de conflictos entre naciones. ¡Paz en el Oriente!

10 de enero de 2009, 18h
Robério Pereira Barreto

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

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quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

FLAMEJANTES LÁBIOS

O chamejar do seu baton
Ao ser umedecido por sua língua
Que ao passear sobre lindos lábios
Despertam a minha boca;
A desejar beijos seus.

Beijos que há tempos quis
Para alimentar a alma
Que, moribunda esteve escondida
E agora com seu ósculo
Renasce para vida...

Renovado pelo toque mágico
Que há no brilho desses lábios,
Caminho nas manhãs como se
A procura estivesse do chamejar
De sua boca para em beijos ímpios
Essa alma libertar.

08 de janeiro de 2009, 23h25min
Robério Pereira Barreto

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

PASSEIO DE DOMINGO

Foi um sonho a gente andar juntos
Mesmo com o sol queimando nossas faces,
Caminhamos abraçados como se no inverno fosse.

Aquilo parecia o sonho que meu coração quis;
Arrepiado no calor daquele abraço
Sentiu-se imensamente feliz.

Hoje, parece que tudo se perdeu
E meu coração sofrendo não esqueceu
De que tudo foi sonho...
Como gelo no calor derreteu.

Passear sem você não dá
E meu coração não é forte
Para sem você caminhar.

07 de janeiro de 2009, 22h04min
Robério Pereira Barreto

FERIDAS

Suas marcas ficaram em mim
Como pegadas na praia
Feitas depois da onda caminhar
Sobre a areia molhada.

Marcado, o coração sente...
E, lembrando o que aconteceu
Entre nós; chora toda vez
Que a memória o trai;
Lembrando dos momentos de amor.

Cada lembrança é brasa
A tocar nas cicatrizes que seu
Carinho e prazer deixaram...

O remédio a curar essa dor
É o bálsamo do tempo
Que tal a onda que volta, apaga
O seu nome que desenhei na areia.

07 de janeiro de 2009, 17h30min.
Robério Pereira Barreto

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

ENSINO-APRENDIZAGEM DE LE E A EDUCAÇÃO PROGRESSIVA DE PAULO FREIRE


Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprender ensina ao aprender. FREIRE

Resumo: Este texto nasce de inferências iniciais da leitura de Pedagogia da autonomia. 30. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2004, de Paulo Freire. Freire, na verdade, é na opinião da maioria dos educadores brasileiros o maior e, talvez, o mais humano dos intelectuais de sua época, pois dizia ele acreditar e gostar de “gentes”. Assim sendo, far-se-á um diálogo inicial com Freire à medida que se direciona as compreensões de sua pedagogia à práxis docente em LE nas escolas públicas, tendo com sujeito dessa reflexão, o estudante-estágiário.

Palavras-chave: Educação; Ensino-Aprendizagem de LE; Paulo Freire.


Este texto nasce de inferências iniciais da leitura de Pedagogia da autonomia. 30. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2004, de Paulo Freire. Na verdade, Freire é na opinião da maioria dos educadores brasileiros, o maior e, talvez, o mais humano dos intelectuais de sua época, pois dizia ele acreditar e gostar de “gentes”.
Acredita-se, antes de qualquer coisa que a obra de Freire é um legado e, portanto, conhecê-lo é uma obrigação. Dessa maneira, inicia-se aqui tal ideário, visando, com isso, entender os por quês de nossa sociedade ser tão complexa e desigual no que se refere aos problemas enfrentados pelos profissionais da educação para assegurar o acesso e a permanência dos sujeitos das classes subalternas à escola, lugar de aprendizado e relações entre mundo social, político e cultura de cada um dos atores educacionais.
Nesse viés, faz-se um recorte rápido para o ensino de línguas materna e estrangeira, destacando a LE, pois esta é considerada pela maiorias dos professores uma questão complexa, posto que os estudantes não se interessam muito pelos saberes possíveis de se adquirir à medida que se aprende uma segunda língua. Assim sendo, far-se-á um diálogo inicial com Freire à medida que se direciona as compreensões de sua pedagogia à práxis docente em LE nas escolas públicas, tendo com sujeito dessa reflexão, o estudante-estágiário.
Para Freire (2004, p. 38) “é fundamental na prática da formação docente, o aprendiz de educador assumir que o indispensável é pensar certo...” Ainda segundo Freire “é preciso, sobretudo, e ai já vai um destes saberes indispensáveis que o formando, desde o princípio mesmo de sua experiência formadora, assumindo-se como sujeito também da produção do saber, se convença definitivamente de que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção.” (FREIRE, 2004, p. 22).
O ensino de língua coloca problemas específicos ao docente, de modo que sua resolução se dá de acordo com o lócus e sujeitos envolvidos na aprendizagem. Dessa maneira, o estudante-estágiário localiza-se diante de cada situação de ensino-aprendizagem requerido pela comunidade na qual ele pretende atuar com sujeito transformador da práxis existente.
Nesse sentido, o ensino de línguas estrangeiras é um dos domínios do vasto campo das ciências da linguagem que enfrenta, ainda hoje, um problema de identidade. Embora o PCN-LE deixe claro sua importância para o desenvolvimento sócio- lingüístico dos estudantes, uma vez que é a partir da aquisição de uma segunda língua que os aprendizes ampliam seus horizontes culturais nesse mundo contemporâneo cheio de diálogos entre as múltiplas linguagens das culturas globalizadas; ainda há resistência por parte do alunado das escolas públicas. Portanto, nas palavras de Freire, conforme seguem o estudante – estagiário que pretende atuar de maneira transformadora deve sempre levar em conta que:

Nenhuma formação docente verdadeira pode fazer-se alheada, de um lado, do exercício da criticidade que implica a promoção da curiosidade ingênua à curiosidade epistemológica, e de outro, sem o reconhecimento do valor das emoções da sensibilidade, da afetividade, da intuição ou adivinhação. (FREIRE, 2004, p. 45).

Por isso é que, na formação permanente dos professores, o momento fundamental é o da reflexão crítica sobre a prática. (FREIRE, 2004, p. 39). Logo, o estudante-estágiário precisa se convencer de que sua ação pedagógica pauta-se na reflexão de que o ensino de LE nas escolas brasileiras tem enfrentado grandes dilemas, posto que se trate de uma disciplina na qual os saberes até então têm se pautado na transmissão do conhecimento gramatical, o qual vem sendo apresentado no ensino-aprendizagem de LE na atualidade como a principal maneira de se aprender LE.
Isso sem dúvida contraria o pensamento de Freire: “A força criadora do aprender de que fazem parte a comparação, a repetição, a constatação, a dúvida rebelde, a curiosidade não facilmente satisfeitas, que supera os efeitos negativos do falso ensinar. (FREIRE, 2004, p. 25). Isso ocorre segundo Freire (20004) numa perspectiva progressista de educação, na qual o aprendiz é levado a construir em conjunto os demais atores educacionais seus saberes. Nesse sentido há razões ideológicas que perfilam os saberes na sociedade contemporânea e os promovem ao status de segregação, posto que, o conhecimento quando se é imposto, logo ocorre à fissura dos sujeitos sociais que o realizaram.
Em realidade, é assim que tem sido a práxis dos professores de LE, sobremodo, nas escolas públicas brasileiras que, só recentemente, passou a receber livros didáticos de língua inglesa.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia. 30. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2004.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

CASA DEL AMOR.

En la casa del amor, corazón
Han vivido sensaciones extrañas
E tan diferentes que ha partido
El cuerpo en dos seres.

Cada uno se exilias en su cuarto
En la casa del amor, corazón
Haciéndome solo en mi propio ser.

En la noche es más espinoso
Caminar, hace oscuridad,
Mis ojos sieguen disolutos,
Sin rumbo cierto los pasos…

Así tengo recelo de hundir
Na penumbra de la alma
Y morir de desolación
Sin su amor…

28 de diciembre de 2008, 19h
Robério Pereira Barreto

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

FELICITAÇÕES NATALINAS

Caros webloggers,

Quero agradecê-los pelos acessos a este nosso espaço, bem como as leituras feitas e comentários aos textos aqui postados. Aproveito a oportunidade para reafirmar o propósito desse diário eletrônico dizendo: Aqui são postados poemas, idéias, ensaios e artigos que considero na minha ainda incipiente trajetória de pensador, singelas contribuições para a reflexão sobre o fazer cotidiano dos estudantes e profissionais da linguagem que buscam interação com o mundo e as realidades pensadas a partir dos uso das linguagens, as quais têm nas tecnologias intelectuais (escrita, internet, rádio, televisão, etc.) espaço de mediação tecnopedagógica. Ainda nesse espírito de confraternização, desejos a todos que visitam esse espaço um FELIZ NATAL e, que, em 2009, todos os sonhos sejam realizados, fazendo-nos cada vez mais pessoas humanas e felizes de acordo com aquilo que somos e temos.
FELIZ NATAL
NATAL FELIZ
É ENCONTRAR EM NÓS MESMOS
O ESPÍRITO DA PAZ E A ALEGRIA
DE VIVER EM HARMONIA
COM OS IGUAIS E DIFERENTES.

IRA

Chegou à casa da alma
E não a tenho...
O coração não disfarça...
Disparando pulsar galopante
Desperta a ira da alma.

Angustiada a alma
Reclama tamanha ilusão
Por que não achar isso
Simples capricho
OU
Ira do malvado destino
Que faz desse amor;
Ínfima chama?

Qualquer seja não tens
O direito de apagá-la
Num simples vento;
Aceno e do adeus!

19 de dezembro de 2008. 14h51min
Robério Pereira Barreto

sábado, 29 de novembro de 2008

DESCONFIANÇA

Há na alma a dor e a angustia
Que espreitam o peito
Como a ave de rapina
Vigia sua presa por entre
As frestas dos galhos.

Oh tempo, tu que sois
Demiurgo do mundo
E agora é nosso aliado e algoz.

Na hora certa falará por nós
E, Quiçá na sua sentença
Defenda-nos e nos faça
Alma una.

29 de novembro de 2008, 23h04min.
Robério Pereira Barreto

CAIXA DO TEMPO

A cada morte da noite
Nasce uma manhã
Que também pouco
Viverá entre a dúvida
Do amor e da dor do medo.

Nesse lapso de tempo
Vivemos entre o tempo
De ter medo e o desejo de amar
Como se ao final de cada hora
Tudo fosse terminar.

Emergente, a alma se lança
Ao mundo dos sonhos a recuperar
O tempo na gangorra: amor e medo...

29 de novembro de 2008, 21h37min
Robério Pereira Barreto

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

A DOCILIZAÇÃO DO CORPO FEMININO EM TERRA FRIA, DE NIKI CARO

A DOCILIZAÇÃO DO CORPO FEMININO EM TERRA FRIA, DE NIKI CARO
Robério Pereira Barreto*


RESUMO: Este texto faz a discussão sobre a não violência contra a mulher, promovida da Universidade do Estado da Bahia – UNEB – em todos os seus campi, tendo sido intitulado 16 de dia da não violência contra a mulher. Nesse sentido, recortou-se como tese o processo de docilização do corpo feminino no social. Para tanto, teve como corpus a narrativa fílmica Terra fria (2005), de Niki Caro. Que tem como protagonista Josey Aimes a qual é agredida em casa pelo marido e mais tarde, ela passa a ser discriminada e sofre assédio sexual dos colegas de trabalho na mina onde consegue emprego. Caro capta esse ponto de maneira eficiente ao mostrar parte do rito de iniciação por que passa Josey, isto é, ela tem seu corpo invadido simbolicamente no ato da admissão – passa por exame ginecológico. Mais tarde, Para reaver os direitos ignorados pelos integrantes do quadro de funcionários da mina, ela vai à procura a Justiça.

Palavras-chave: Assédio sexual; Docilização do corpo; Violência; Mulher.


Este texto faz a discussão do processo de docilização do corpo feminino no social. Isso há muito é presente na cultura humana e, que a mulher é um ser inferior e, portanto, deve ser submetida às vontades dos homens que fazem parte de suas vidas – pai, irmão, filho, professor, chefe, etc. Para se verificar isso se toma como recorte à narrativa filmica Terra fria (2005), de Niki Caro. Para tanto se usam como fundamentação teórico-metodológica os estudos pós-estruturalistas de Michael Foucault (1999) e Irving Goffman (2005). Por se tratar de uma temática de caráter socialmente relevante.
Entretanto, esclarece-se a priori que e, até por força de formação acadêmica; não se pode considerar esse estudo como um olha jurídico ou algo assim. Ao contrário, trata-se, na verdade, de uma análise sobre o discurso e o contexto em que se realizam as cenas do filme. Por outro lado, busca-se fazer uma relação com os acontecimentos e realidades noticiadas pela mídia local e nacional, no que se refere à violência empregada contra as mulheres na sociedade atual.
Com efeito, a docilização do corpo social, sobretudo, do corpo feminino é fruto de uma cultura que advém de tempos remotos e, inclusive, há registros na Bíblia que dão a seus exegetas a condição de tratar a mulher como meros receptáculos de suas necessidades, gerando assim, as condições ideais para que elas [mulheres] sejam profanadas em seus direitos civis e individuais.
Em Terra fria, Niki Caro mostra de maneira significativa por meio de uma adaptação de acontecimento real, ocorrido no tribunal de Minissota, EUA, em 1998, aquilo que Foucault considera a mudança de comportamento do corpo social e individual. “O suplício tornou-se rapidamente intolerável. Revoltante, visto da perspectiva do povo, onde ele revela a tirania, o excesso, à sede de vingança e o cruel prazer de punir” (FOUCAULT, 1987, p. 69).
Dessa forma, ver-se que essa questão são resquícios de uma sociedade em que os conceitos de masculinidade sobrepõem a vontades e direitos femininos, deixando a mulher ainda em desvantagens com relação aos lugares sociais de fala e produção com relação homem. Tem-se, prova disso, a demora em se criar uma legislação adequada para atender a esses casos. Somente em agosto de 2006, o Governo federal sancionou a norma que criou mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, a Lei 11.340, conhecida como Lei Maria da Penha.
O preconceito e a imposição dos direitos exclusivamente masculinos ainda são presentes até nas sociedades que declaram ser democráticas. O filme Terra Fria, da diretora Niki Caro, mostra como, nos Estados Unidos da década de 80, as mulheres ainda não tinham seus direitos igualmente respeitados pelos homens. Na história, Josey Aimes sai de casa por causa das agressões do marido e volta para sua cidade natal para morar com os pais. (A novela A Favorita – Rede Globo – retratada por meio da personagem Catarina, obscuridade das agressões físicas e psicológicas promovida por maridos e companheiros de trabalho às mulheres, através da figura dramática do marido Catarina; violento e canalha, Leo).
No caso de Josey Aimes, no entanto, seu pai não concorda com a decisão da filha e a acusa de ser a culpada pelo fim do casamento ao ver as marcas de agressão no seu rosto, mantém-se a favor do agressor, pois acredita que Aimes traiu o marido e, portanto, mereceu tal “correção”. Além disso, Hank ver na filhas e netos aumenta as despesas domésticas.
O filme, que, em sua maioria, apresenta uma narrativa não linear, começa com cenas de Josey arrumando suas coisas e as de seus dois filhos para abandonar a casa. A seqüência é montada com cenas em que a personagem principal apanha. Em nenhum momento, mostra-se o agressor, que de certa forma é uma maneira de retratar a realidade, uma vez que a maioria dos casos de agressão e assédio sexual os agressões submetem às vítimas a pressões psicológicas paralisantes, de modo que algumas adquirirem a síndrome de Stocolmo – que segundo especialistas é quando a vítima sofre tanto na mão do algoz que acaba se apegando a ele. No caso da narrativa de Niki Caro, a violência domiciliar é subentendida pelo cenário do crime, cozinha de uma casa destruída, indicando que houve lutar e agressão ali.
Em seguida, ver-se Josey sair correndo de sua residência com os dois filhos: uma menina de aparentando 8 anos, e um adolescente de 14 anos. Eles pegam o carro e vão para a estrada em busca da cidade natal de Josey, no norte do estado de Minnesota (EUA). Interessante é notar que, na recepção familiar, os três são bem recebidos pela mãe da protagonista. Entretanto o pai não concorda com a mudança da família. Ao ver que Josey tinha marcas de agressão no rosto, conclui que ela tinha traído ou feito algo contra o marido e que, merecidamente, havia apanhado. A protagonista promete que não ficará na casa dos pais e que, por conseguinte, não trará despesas. Ela afirma que quer arrumar um emprego. O pai não acredita que ela vá conseguir. Porque talvez por ele faça parte e conheça os ritos de iniciação pelos quais as mulheres passam. O que de acordo com Goffman (2007) é normal em instituições, mesmo que não sejam consideradas totais, mas são dominadas por um grupo cujo poder é mantido pela força. Nesse caso, a mina é dominada pela perspectiva de poder dos homens que, seguindo seus instintos disputam o lugar à força. E, portanto, ver na mulher uma ameaça tanto seus postos de trabalho quanto à legitimidade de sua força.
Josey, aconselhada por uma amiga, arruma um emprego em uma mineradora, onde a maioria dos funcionários são homens. Lá, ela passa a ser discriminada e sofre assédio sexual dos colegas. Segundo Goffman (2007, p. 49) “a tensão psicológica frequentemente criada por ataques ao eu pode também ser provocada por questões não-percebidas como ligadas aos territórios do eu [...]” levando o indivíduo à aceitação de princípios que levam à docilização do seu eu e corpo devido a uma necessidade individual o coletiva.
Caro capta esse ponto de maneira eficiente ao mostrar parte do rito de iniciação por que passa Josey, isto é, Josey tem seu corpo invadido simbolicamente no ato da admissão. É submetida a exame genicológicos e, em seguida, é alvo de comentários infames por parte do chefe quando este diz que o médico lhe afirmou que, Josey é muito bonita nua.
Tratando da problemática que envolve o ingresso dos indivíduos em instituições totais, Goffman corrobora dizendo que: “Os processo de admissão, que tiram do novato os seus apoios anteriores, podem ser visto como a forma de a instituição prepará-lo para começar a viver de acordo com as regras da casa” (GOFFMAN, 2007, p. 50).
Para reaver os direitos ignorados pelos integrantes do quadro de funcionários da mina, ela vai à procura a Justiça. Porém, essa ação é vistos pelos colegas como uma afronta e por isso passam a ameaça e física e psicologicamente.
Ao chegar ao local, ela e outras mulheres escolhidas no processo seletivo são apresentadas ao trabalho e vão conhecer a mina. Ao voltarem ao vestiário, têm as primeiras provas do preconceito e da agressão moral: os homens picham xingamentos nas paredes do local.
Nesse sentido Goffman (2007) afirma que: “os castigos e privilégios são modos de organização peculiares às instituições totais. Qualquer que seja a sua severidade, os castigos são em grande parte conhecidos, no mundo externo do internado, como algo aplicado a animais e crianças;” (GOFFMANN, 2007, p. 51). Durante os dias, ela e as colegas são motivos de brincadeiras de mau gosto e assédio sexual dos colegas. Josey passa a ser alvo dos ataques de um ex-namorado, que faz questão de lhe “passar cantadas” e chamá-la de nomes de baixo calão.
Ela reclama com o chefe do departamento, mas ele diz que ela é quem está no lugar errado e, que se quiser permanecer no emprego tem que aceitar o que os outros fazem com ela. A personagem principal do filme tenta mobilizar as colegas para evitar novas agressões. No entanto, elas demonstram que são conformadas com a situação e que não acreditam que as coisas possam ser mudadas.

O corpo, do qual se requer que seja dócil até em suas mínimas operações, opõe e mostra as condições de funcionamento próprias a um organismo. O poder disciplinar tem por correlato uma individualidade não só analítica e celular, mas também natural e orgânica.” (FOUCAULT, 1987, p. 141).

Além de enfrentar problemas no trabalho, Josey ainda é obrigada a encarar o preconceito tanto do pai quanto do filho dentro de casa. No desencadear da história, descobre se que o menino, Sammy, não é fruto do relacionamento dela com o ex-marido. Em cenas de flashback, apresentam-se imagens de Hank conversando com Josey ainda adolescente e a garota afirmando estar grávida e não saber quem é o pai. Em outras cenas, personagens secundários fazem comentários sobre a fama de Josey quando era mais nova, falando que ela teria tido relacionamentos com diversos homens. O ápice dos problemas familiares de Josey acontece durante uma partida de hokey da qual Sammy participava.
Não obstante de o garoto ser um bom jogador, os colegas de time dizem que não fariam com que Sammy participasse das jogadas devido à fama ruim da mãe dele. Durante o intervalo do jogo, ela e um amigo vão comprar um lanche. Neste momento, Josey escuta alguém chamando seu nome. Uma mulher que se identifica como esposa de um dos mineradores a xinga e afirma que Josey se insinua para os homens com quem trabalha. Todas as pessoas que estão no ginásio escutam a discussão, inclusive Sammy. Ao terminar a partida, o garoto pede para que sua namorada avise Josey que ele não voltaria para casa. Desesperada, a mãe arranca o filho à força do carro da namorada. É neste momento que ela se dá conta de que o preconceito e a violência não estão somente em seu ambiente de trabalho. Ela percebe que não consegue respaldo nem nos homens de uma nova geração, que é o caso do filho, nem mesmo nas colegas que se conformam com a realidade vivida por muitas mulheres da cidade.
No entanto, surge a partir daí, um contraponto. Bill White é um amigo de Glory e seu marido e aparece em cena pouco antes do desenvolvimento das confusões vividas por Josye. Mas é no instante da briga com seu filho que ele ganha importância na seqüência cinematográfica. Bill é um advogado e ex-jogador de hokey conhecido na cidade. Ele se torna o ponto de apoio da protagonista e é a prova de que nem todos os homens a tratariam mal e que ela poderia contar com a Justiça para reaver seus direitos.
No início do filme, Josey está em uma lanchonete com os filhos quando é reconhecida pelo dono da mina. O homem se apresenta a ela e diz que, quando precisar, pode procurá-lo. Após observar o comportamento dos colegas de trabalho, ela decide marcar uma reunião com o proprietário da mina para contar-lhe o que acontece lá. No entanto, ao chegar ao escritório é surpreendida com a presença do chefe de departamento na sala da diretoria.
Durante a conversa, os dois falam que ela quer assinar a demissão. Ao negar o fato, a mulher é acusada de subverter os colegas. Os dois dizem que ela só permanecerá no emprego se passar a se comportar.
Josey volta para sua cidade e procura Bill pedindo para que ele a represente judicialmente, já que quer abrir um processo de assédio sexual contra a empresa e seus colegas. Apesar de recusar a causa no primeiro instante por ser algo inédito, ele decide ajudar a amiga. Josey procura as colegas de trabalho e pede para que elas concordem com o processo e façam uma ação de classe. Mas, não consegue o apoio. A mãe de Josey resolve ficar ao lado da filha e, cansada dos comentários maldosos do marido, sai de casa.
Josey não se cansa e age mais uma vez. Durante a reunião do sindicato, pede a palavra e diz que todos ali deveriam ter respeito pelas mulheres. Vaiada, ela tenta continuar o discurso. Hank não suporta ver a filha ser humilhada e pede silêncio. Ele afirma que ela tem direito de falar já que é sindicalizada como os outros presentes. Este é o momento em que o pai muda de lado e passa a apoiar a filha.
Todo o filme é entremeado com cenas de um tribunal. Mas é, no final que o local torna-se o principal cenário. Durante o julgamento, os advogados de acusação afirmam que
Josey estaria mentindo em relação às tentativas de estupro e assédio sexual, justificando que, no passado, ela já teria se relacionado com diversos homens. Tanto que ninguém saberia quem era o pai de seu filho mais velho. Bill utiliza o argumento e a presença de um dos acusados de ter assediado Josey para reverter o caso. Ele faz com que o colega da protagonista, que também fora namorado da mesma no passado, confirmasse a declaração de que Josey teria sido estuprada por um professor, quando ainda era adolescente. Ele confirma que viu o fato, mas sempre acreditou na versão de que ela teria um “caso” com o ex-professor.
Nesta relação, ela ficou grávida. Bill só conseguiu a confirmação do homem após chamá-lo de covarde, por não ter ajudado a garota enquanto ela era violentada. O fato despertou a atenção de outros presentes ao julgamento. Apesar das revelações, Josey ainda não tinha alcançado seus objetivos. O juiz disse que se ela conseguisse arrumar três testemunhas que confirmassem o assédio dentro da empresa, venceria a ação. Ela já tinha conseguido o apoio do pai e de Glory que, apesar de estar doente e não poder falar sem a ajuda de aparelhos, fez questão de estar presente ao tribunal para ajudar a amiga. Após mexer com o brio dos presentes, Bill faz com que as colegas de trabalho assumam que também passaram por problemas dentro da empresa. Outros homens confirmam o fato. Josey vence a ação e abre precedente para que se crie uma política contra assédio sexual.
Fatos como o de Josey são freqüentes em nossa sociedade até hoje. Diariamente, mulheres procuram a delegacia especializada para relatar as agressões que sofrem dentro de casa. No entanto, algumas não agem contra a violência domiciliar. Muitas aceitam a situação por dependência financeira, outras por medo de que as agressões se tornem mais fortes. No entanto, a polícia tem buscado conscientizar essas mulheres de que é preciso denunciar, em especial agora em que há uma legislação específica para os crimes cometidos
dentro de casa e nos locais de trabalho contra a dignidade física, moral e psicológica das mulheres
Mas vale ressaltar que não é somente a violência física que deve ser denunciada pela
mulher. Josey é um exemplo de que a violência ocorre em todos os níveis. Quando jovem, ela foi estuprada e, após começar a trabalhar na mina, foi “agarrada” por um de seus colegas. No entanto, não foi somente isso que fez com que ela entrasse na Justiça contra os funcionários e a empresa. Xingamentos e insinuações contra a moral de Josey é a prova de que as mulheres ainda enfrentam problemas relacionados à moral.
O Estado tem consciência de que a mulher ainda tem dificuldade de exercer seu papel na sociedade, em especial pelo preconceito. Tanto é que, em 13 de setembro de 2002, o Governo promulgou o decreto nº 4.377 em que afirma saber que “a discriminação contra a mulher viola os princípios da igualdade de direitos e do respeito da dignidade humana, dificulta a participação da mulher, nas mesmas condições que o homem, na vida política, social, econômica e cultural de seu país, constitui um obstáculo ao aumento do bem-estar da sociedade e da família e dificulta o pleno desenvolvimento das potencialidades da mulher para prestar serviço a seu país e à humanidade”
Durante a palestra, Tereza afirmou que “ser feminista é ser contra a cultura estabelecida”, em que os conceitos machistas se sobrepõem. Não é necessário conhecer os conceitos feministas ou ser adepta deles para se defender os direitos. O que as mulheres querem é que a regras sejam seguidas, com o cumprimento do inciso I e do caput do art. 5º da Constituição Federal em que “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer
natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade” e onde “homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações”.
Assim sendo, o respeito à pessoa dever ser uma prática cotidiana na vida de todos sem distinção. Todavia, a realidade tem mostrado o contrário e os indivíduos têm se apoderado do poder, inclusive nas instituições onde deveriam combater tais práticas. Nesse sentido, Niki Caro com sua narrativa dramática coloca à descoberta todo um processo de subjugação do corpo feminino no social, em nome de uma hegemonia masculina cuja cultura tem mostrado que a cada dia vem perdendo espaços devido à percepção de que determinadas funções que até então eram masculinas tem sido muito bem exercidas por mulheres.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir. Petrópolis, Vozes, 1987.
GOFFMAN, Erving. Manicômios, prisões e conventos. São Paulo: Perspectiva, 2007.CARO, Niki. Terra fria. 2005.
* Professor de Lingüística, Linguagens e Literatura da UNEB – Campus XVI – Irecê – BA.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

PUERIS EFÍGIES

Era manhã e os olhos
Ainda preguiçoso sob o
Resplandecer da alvorada
Viram-te aparecendo do nada.

Coração e mente reviveram
Anos num instante;
Pueris imagens sufocaram
O peito e num ímpeto, lhe quis
Como se antes tivesse sido minha.

Agora, efígies não vividas
Invadem-me a alma que,
Em abastança vazia
Nutre-se do passado
Que nem se quiser existiu.

27 de novembro de 2008, 18h.
Robério Pereira Barreto

ESCRAVO DO AMOR

À alma solitária
E escrava desse amor
Premio-te com o clamor:
Oh, minha senhora;
A cada instante em que se
Lembrar de quem eu sou
Sofra a angústia de ter
Me feito sentir um sofredor;

A esse coração que em queixas se esvai
Dou-lhe a chance de sentir seu algoz
Nos instantes infernais que,
Ao lembra-se de que
A paixão e o amor por ti
O fizeram um ser bestial.

Oh, Escravo do amor...
Cumpras teu destino;
Seguem sem reclame nem dor.

Oh, Escravo do amor...
Sufoque-se em seu soluços...
Mutile sua própria pele...
Afogue-se nas lágrimas vertidas
Na dor de se afastar de sua Senhora,
Mate-se com o punhal da solidão...

BARRETO, R.P. In: BARRETO, R.P. Bramidos da solidão, Irecê [BA] edição do autor, 2007, p.63.

VIAGEM

Nas águas da minha saudade
Singram no meu ser as naus
Que trazem lembranças de ti.
Tal Dom Quixote faceiro,
Meu peito carrega um coração
Que flameja de desejo por ti
Como os olhos de Capitu,
Diante da resseca do mar.
O madeiro da saudades
Debruça sobre ondas revoltas
Para trazer-me seu cheiro
E calor exalados no prazer
Ao navegar no Cruzeiro do amor.
BARRETO, R.P. In. BARRETO, R.P. Cores da Solidão. Tangará da Serra [MT]. Edição do autor, 2005.

domingo, 23 de novembro de 2008

DENODO

Na intrepidez do amanhã
Com jeito de ontem,
Ofereço a ti a lua
Na bandeja de prata
Com calda de maça.

Na ousadia de meu querer
Devoto a ti sabor da alma
Que em amor deságua
Ao seu acalanto.

Com olhos rutilando desejos vivos,
Dou-te rosas despetalando ao
Toque macio de suas mãos.

Invoco a ti a mais fina seda
A cobri-lhe tão belo corpo
Protegendo-o das malicias
Dos ventos da noite que
tão galantes te acaricia.


23 de novembro de 2008, 23h43min.
Robério Pereira Barreto