sábado, 19 de janeiro de 2008

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

domingo, 13 de janeiro de 2008

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

O CINEMA DESVELA A REALIDADE

35 REAIS: A ESTÉTICA DA DESVENTURA


Robério Pereira Barreto©


Apresentam-se aqui reflexões sobre o processo dramático-ideológico presente na narrativa fílmica 35 reais realizada pela equipe de estudantes do curso de Pedagogia da Universidade do Estado da Bahia, câmpus XVI, Irecê - BA., os quais fazem parte do projeto Vídeo: uma criação estética do conhecimento da linha de pesquisa Educação e Contemporaneidade do Núcleo de Pesquisa e Extensão – NUPE do já referido câmpus da Uneb, onde participamos como pesquisadores.
A narrativa sobre as mazelas pelas quais passam o ser humano, sobretudo, o sertanejo é a temática preferida pelo documentarista amador Jussivan Gama. Na galeria de suas produções se destaca o documentário 35 reais (2007), que de acordo com a perspectiva de câmera pode se inferir várias tomadas em que se evidenciam as degradações humanas na sociedade contemporânea: fome, tráfico e prostituição humanos, drogas e abandono.
Com realismo suave, cenas e diálogos – embora estes sejam textos quase que monossilábicos – o produtor cria empatia significativa com público, produzindo efeitos e reações que levam à compreensão da trama narrativa pelo participador[1], de modo que, num processo de catarse a platéia participa do filme, sobremodo na cena em que a criação é vendida pelo valor que dá titulo ao filme; 35 reais.
O interessante aqui é perceber que a narrativa de 35 reais se constrói por fragmentos, isto é, a percepção que se tem, primeiramente, é que Gama produz um roteiro no qual os atores (amadores) exploram a temática a partir da idéia de que a compreensão do real seria a chave para se imprimir verossimilhança à seqüência de imagens. Então, a experiência promovida pelo contexto conduz as cenas enunciativas em que o sujeito é colocado em segundo plano, visto que o foco narrativo está centralizado no sacrifício. Isto é, num crescendo, a família que por sua vez não tem nome e é apresentada apenas como mais uma e, portanto, a filha que acaba de nascer será mais uma “Maria ninguém” na vida, porém tem a missão de “salvar” sua família da fome, metaforicamente representado pelo dinheiro.
Numa espécie de antropofagia delirante, os pais vendem a criança para um casal que enfrenta problemas para ter filhos. Dessa maneira, o enredo começa a se delinear levando ao entendimento de que o bebê será degustado pelos familiares na próxima refeição, à medida que o dinheiro passa a prover a sobrevivência de seus parentes. É importante destacar a sensibilidade dos envolvidos na produção de 35 reais no que se refere ao cuidado em tratar de um assunto cotidiano – compra e venda de seres humanos - sem cair nos clichês das mídias.
Em 35 reais há mensagens subliminares que talvez conduzam a leituras singulares, por isso, é interessante que o espectador se coloque no papel de participador, por que isso possibilitará na decomposição dos signos sociais e éticos sugeridos na discussão fílmica os quais conduzem à tragédia da família sem nome, porém com destino traçado em linhas frágeis. Isto, conforme a idéia radical de Schopenhauer, O mundo como vontade e representação, os desequilíbrios inevitáveis e angustiantes da condição humana - em face do destino e da consciência comuns da morte, dos deuses, da sociedade ou dos próprios demônios subjetivos - são a matriz e a força expressiva (grave ou solene) da tragédia.
Para Foucault (1988) um dos principais meios para se manter os privilégios característicos do poder soberano do pai é o direito à vida e à morte, visto que este direito “derivava formalmente da velha pátria potestas que concedia ao pai de família romano o direito de “dispor” da vida, já que a tinha dado.” (Foucault, 1988, p. 127). Esta questão é imperativa em 35 reais, até por que o pai decide – embora não esteja evidente no discurso – que é ele quem toma a decisão de entregar a filha aos compradores. Seguindo a teoria foucaulteana do direito de morte e poder sobre a vida o produtor consegue deslocar do lugar comum a subjetividade proposta pelos sujeitos dos discursos. Assim sendo, o mundo e a alma, na verdade, ali não se confrontam. O subjetivo expressa, em sua particularidade, a dinâmica da totalidade. Poder-se-ia acrescentar que “a degradação humana” em 35 reais exerce outra função ainda, que perpassa e sustém as demais propostas pela narrativa. A degradação efetivamente é promovida pelo dispositivo de ignorância a respeito do que é família, uma vez que é apresentado na abertura da película uma família “escadinha” dando a entender que o casal é totalmente desprotegido pelas instituições do Estado – trabalho, saúde, educação sexual, planejamento familiar, etc. -
Outro ponto interessante na película é a justaposição signos de poder. Na fotografia de abertura estão evidentes elementos cujo simbolismo remete à cultura a sociedade nordestina; a fé! Esta é representada pelas cruzes, isto é, na cena da entrega da criança, há uma seqüência em que fica evidente o cruzeiro no meio do terreiro e ao fundo a igreja com sua cruz fazendo a ligação com o outro símbolo de poder, a nota de “35 reais” cuja azul é representação aproximada do azul celeste, o qual está numa perspectiva ampla, conotando, portanto, a infinitude do poder. Assim sendo, no início dessa seqüência, o diretor enfatiza a maneira de Glauber Rocha, a recepção através de planos gerais, para demonstrar por meio do movimento de câmera a família com seus membros subalternizados diante poder representados pela Igreja e cédula de 35 reais disposta sobre todos.
Com isso se alcança o máximo de densidade dramática, pois o diretor utiliza de uma estética que condensa paralelismo espacial e temporal num plano que, ao mesmo tempo em que integra, suspende e transforma o acontecimento central do filme em tragédia e, por conseguinte, em resignação para o espectador. Esta experiência coloca o diretor num nível capaz de, através da montagem, dirigir a experiência da platéia nos seus detalhes mais minuciosos: A visão, o pensamento, as associações e as conclusões sobre a temática proposta pela narrativa.
Para Luiz Nazário (1999, p. 108) “Preocupado em substituir a dramaturgia burguesa por uma dramaturgia proletária, onde o povo tomara lugar do indivíduo nos conflitos que definiam os heróis e os vilões,” Gama edifica sua filmografia através da justaposição de imagens do tema, associando tudo isso a uma determinada idéia; a degradação do homem em virtude da miséria reinante na vida do sertanejo.
Com relação à seqüência da narrativa, observa-se que Gama e sua equipe vacilam e, com isso, quebram várias vezes a coerência da narração, promovendo no espectador ansiedade. Exemplo disso é o vazio narrativo entre a venda da criança e o aparecimento dela treze anos depois, momento em que escuta uma discussão na qual os personagens, pais adotivos (que também não têm nomes) ficam em off e deixam suas falas ecoarem no ambiente. Ainda é possível ver outros “buracos” na cena em que a adolescente já foragida encontra um suposto “viciado” que lhe oferece droga. Instintivamente a menina aceita como se fosse algo já conhecido. Imagina-se, portanto, que nesta cena, deveria haver certa rejeição, visto que a adolescente em nenhuma outra cena anterior é mostrada como participando desse universo. Percebe-se ainda que numa tentativa de restabelecer o fio narrativo, o autor conduz a narrativa para o tema da prostituição, isto é, após encontrar-se sob efeito do tóxico a adolescente se vê diante de uma lembrança; alguém lhe oferece uma quantia em dinheiro – 35 reais - para algo que supostamente leva o espectador a inferir sobre a prostituição.
Diante de tantos desvios estéticos e técnicos, conclui-se que 35 reais mesmo sendo uma espécie de documentário amador surpreendem pela força de vontade e dedicação dos atores envolvidos na criação de uma peça artística cujo valor para a cultura e, consequentemente, a sociedade é de altíssimo grau.

Referências
NAZÁRIO, Luiz. As sombras móveis. Belo Horizonte, UFMG, 1999.
SANTAELLA, Lúcia. Matrizes da linguagem e pensamento: Sonora visual verbal. São Paulo: Iluminuras, 2001.
MACIEL, Kátia. Transcinema e a estética da interrupção. In. FATORELLI, Antônio. , BRUNO, Fernanda (orgs.) Limiares da imagem:tecnologia e estética na cultura contemporânea. Rio de Janeiro: MauadX, 2006, p. 71.
JAGUARIBE, Beatriz. Realismo sujo e experiência autobiográfica. In. FATORELLI, Antônio. , BRUNO, Fernanda (orgs.) Limiares da imagem:tecnologia e estética na cultura contemporânea. Rio de Janeiro: MauadX, 2006, p. 109.
TEIXEIRA, Francisco Elinaldo. Documentário moderno. In. MASCARELO, Fernando. História do cinema mundial. Campinas-SP, Papirus, 2006, p. 253.
FRANÇA, Andréa. Cinema de Terras e fronteiras. In. MASCARELO, Fernando. História do cinema mundial. Campinas-SP, Papirus, 2006, p. 395.

© Professor de Lingüística e linguagens da UNEB, DCHT, campus XVI, Irecê – BA. Poeta, ensaísta, escritor e administrador do diário digital www.poetadasolidao.blogspot.com. Endereços eletrônicos jpgbarreto@hotmail.com, jpgbarreto@gmail.com.
[1] Conceito criado por Hélio Oiticica para caracterizar o espectador como parte da obra. Sem a participação do espectador, a obra não existe.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

sábado, 5 de janeiro de 2008

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

sábado, 22 de dezembro de 2007

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

VÔO...

Posted by Picasa

ESQUINA

Posted by Picasa

domingo, 16 de dezembro de 2007

APAIXONADO

Posted by Picasa

sábado, 15 de dezembro de 2007

FOLHA SECA

Posted by Picasa

sábado, 8 de dezembro de 2007

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

FALA: ESPAÇO DE CONCRETUDE DA LINGUAGEM

Em A linguagem (1980), formada por onze capítulos, nos quais Edward Sapir discutiu os principais pontos que formam a linguagem no seu todo social, cultural e político a partir de uma visão interativa na qual a fala e a escrita se transformam em linguagem de dadas comunidades. O autor adverte no prefácio: “Destina-se este livrinho a dar uma visão de conjunto a respeito da linguagem e não propriamente a coligir fatos da linguagem. Pouco lhe cabe dizer sobre os fundamentos psicológicos últimos de fala, e, dos fatos tanto atuais descritivos como históricos, das várias línguas só ministra o que é suficiente para ilustrar certos princípios. [...] o problema do pensamento, a natureza do processo histórico, a raça, a cultura, a arte.” (SAPIR, 1980, p. 9).

Nesse sentido, a complexidade da linguagem se institui nos elementos linguísticos expressos por meio da oralidade, pois a “fala é uma atividade humana que varia, sem limites previstos, à medida que passamos de um grupo social a outro, porque é uma herança puramente histórica do grupo, produto de um uso social prolongado. [...] falar é uma função não instintiva, uma função adquirida, “cultural”. (idem. p. 12). Logo, o contato com grupos de falantes leva o usuário da linguagem à assimilação das estruturas semântica, gramatical e, sobremodo, fonética das palavras, dando-lhes pronúncias relativas às usadas pela comunidade da qual faz parte.

Para Guatarri e Deleuze (1995) essa questão tem como base o enunciado que, segundo a teoria por eles elaborada, a produção de fala é a base elementar da linguagem e, portanto, “A linguagem não é a vida, ela dá ordens à vida; vida não fala, ela escuta e aguarda.” Concordando com os autores acima mencionados, Sapir (1980, p. 15), considera a fala uma produção complexa a qual demanda de estruturas físicas e culturais uma vez que é necessária ao falante a articulação de idéias. Estas por seu turno devem estar armazenadas na consciência e na memória discursiva de cada ser. “A fala não é uma atividade simples executada por um ou mais órgãos biologicamente a ela destinados. É uma trama extremamente complexa e ondeante de ajustamentos no cérebro, no sistema nervoso, e nos órgãos de articula e audição em direção ao fim colimado, que é a comunicação das idéias.” (Idem). Ainda algumas palavras do lingüista sobre a linguagem: “a linguagem é uma herança imensamente antiga da raça humana, sejam ou não sejam todas as suas variantes desdobramentos históricos de uma única e prístina forma.” (ib.idem, p. 24). Em outras palavras; pode-se considerar que o homem se constitui como tal devido a produção e uso de enunciados lingüisticamente. Assim sendo o estudioso encerra o primeiro capítulo aceitando a linguagem como “instrumento da expressão significativa”. (op. cit.).

Em relação aos elementos constitutivos da fala palavras; Sapir aponta o som em si mesmo como algo subjacente à fala e, por isso, informa que é preciso haver uma seqüência de sons para que a fala ganha status de linguagem.

Os elementos verdadeiramente significativos da linguagem são em geral seqüências de sons, que tanto podem constituir palavras como partes significativas de palavras, ou, ainda, grupos de palavras. O que distingue cada um desses elementos é que ele representa o sinal externo de uma idéia específica, seja um conceito uno, uma imagem uma, ou certo número de conceitos ou imagens nitidamente ligadas num todo. (SAPIR, 1980, p. 27). Conforme perspectiva acima, a comunicação se estabelece quando o falante produz sons audíveis e o ouvinte os capta transformando-os em significados para si e sua comunidade. No Tratado de semiótico (1980), Umberto Eco diz que esse acontecimento pode ser entendido como ato de “significar e comunicar” e tem função social que, por sua vez, “determina a organização e a evolução cultural, “falar” dos “atos de palavras”, significar a significação ou comunicar a respeito da comunicação não podem deixar de influenciar o universo do falar, do significar, do comunicar.” (ECO, 1980, p. 22).
Robério Pereira Barreto

LEITURA: MEMÓRIA DISCURSIVA E CULTURAL

O texto é mais que um tecido cujas partes se entrelaçam a partir da organização das sentenças. Na verdade, ele é uma miscelânea de informações na qual estão dispostos elementos históricos, culturais e políticos construídos sob a perspectiva da linguagem que, às vezes, vai além e se traduz em metalinguagem.

Para Kleiman é fundamental que o sujeito adquira o hábito de ler o mundo através da apreensão de “um conhecimento dos aspectos envolvidos na compreensão e das diversas estratégias que compõem os processos”. (p.07) Sendo que tais processos se dão por meio das relações estabelecidas entre o que o texto diz e o que está associado à memória social. Logo, todo procedimento de leitura deve ser associado à releitura dos acontecimentos históricos, sociais e culturais. O texto enfatiza os aspectos cognitivos da leitura, porque consideramos que a percepção de, bem como a reflexão sobre o conjunto complexo de componentes mentais da compreensão contribuirão, em primeira instância, à formação do leitor e, conseqüentemente, ao enriquecimento de outros aspectos, humanísticos e criativos, do ato de ler. (KLEIMAN, 2000, p. 9).

Dessa maneira, o ato de leitura, sobremodo, de textos literários precisa seguir o processo de metalinguagem, isto é, o leitor se posiciona na leitura conforme os tempos enunciados no discurso, adentrando assim aos universos lingüísticos forma de escrita e construção de sentidos empregados na linguagem da obra ; cultural observar-se-ão os aspectos do cotidiano no qual, o homem e a sociedade são retratados via escrita -; além das questões políticas e ideológicas usadas pelo autor quando da escrituração de sua obra. Essa atividade acontece através de metacognição a qual segundo especialistas é o processo de “reflexão sobre o próprio saber, o que pode tornar esse saber mais acessível a mudanças.” afirma Kleiman.
Com essa perspectiva, o leitor por sua vez é agente histórico da leitura e ao longo de sua existência interage com ambientes sociais e culturais, nos quais sua memória discursiva e cultural vai se construindo de acordo com os estímulos recebido durante a interlocução praticada na comunidade. Então, afirma-se que tal sujeito é detentor de certo grau de conhecimento prévio e, portanto, está apto a produzir sentido ao realizar uma leitura dentro do seu contexto sócio-político e histórico-cultural. Conquanto seja necessária a prática diária de leitura na qual se busca agregar novos conceitos, valores e, consequentemente, a assimilação de vocabulário para melhoria de sua prática lingüística. Isso só acontecerá segundo Kleiman (2000), se o leitor estiver disposto a estender sua capacidade reflexiva, pondo-se em destaque e associação com objeto lido “o conhecimento adquirido ao longo de sua vida.” Então, Dessa forma acontece aquilo que Kleiman considera a: interação de diversos níveis de conhecimento, como o conhecimento lingüístico, o textual, o conhecimento de mundo, que o leitor consegue construir o sentido do texto. [...] este conhecimento abrange desde o conhecimento sobre como pronunciar português, passando pelo conhecimento de vocabulário e regras da língua, chegando até o conhecimento sobre os usos da língua. (Kleiman, 2000, p. 13).

Mediante essa assertiva, infere-se que na medida em que se ler há assimilação de elementos estruturais do texto e, também, da cultura à qual ele se reporta. Portanto, nesse ato, leitor assume papel importante dando ao texto novos significados, ou seja, atribui-lhe sentidos de acordo com novo setting de leitura, pois se fazem associações do enunciado com o novo ato de enunciação, formando novas expectativas a respeito do assunto tratado no texto.

No que se refere à leitura de peças literárias existem dois modos de se ver a construção do ato de ler: “Leva em conta os leitores na sua diversidade histórica ou social, coletiva ou individual; outro, a imagem do leitor tal como ela se acha representada em alguns textos.” (Todorov, 1994, p. 83). E já Kleiman considera essa questão a partir do conhecimento lingüístico, histórico e cultural do leitor a respeito do texto lido, porque tal saber leva ao processamento das informações presentes no objeto. Assim sendo, o processamento é entendido como: atividade pela qual as palavras, unidades discretas, distintas, são agrupadas em unidades ou fatias maiores, também significativas, chamadas constituintes da frase. À medida que as palavras são percebidas, a nossa mente está ativa, ocupada em construir significados, e um dos primeiros passos nessa atividade é o agrupamento em frase.

A memória discursiva do agente de leitura ao encontrar no texto marcas lingüísticas (tempos verbais, adjetivos e predicação), culturais (eventos, festas religiosas, sociais, personagens e costumes, etc.) faz associação com o presente da leitura, ou seja, transfere para a atualidade os sentidos criados pelo autor quando da enunciação do texto. Por exemplo, ao ler uma passagem bíblica o fiel transfere (às vezes de maneira pessoal) as informações nela contida para sua realidade, dando assim uma conotação de verdade ao evento lido. Esse processo segundo Celso Antunes (2001) ocorre porque o leitor atingiu um nível de maturidade importante, transformando dessa forma, informação em conhecimento.

Há ainda de se destacar o papel dos meios de comunicação na propagação das informações no meio social através do qual se constrói a memória discursiva do homem moderno. Tal questão incentiva nos perspectiva à produção de conhecimento porque à maior parte dos sujeitos estão ligados a vários mecanismos que propagam a informação em tempo real. (Lembramo-nos dos episódios das guerras no Oriente Médio, estas foram transmitidas via satélite para todas as casas do mundo).

Para Celso Antunes tudo isso exige do profissional da linguagem uma nova formação, isto é, além de aprender as questões específicas de sua área de atuação, o professor deve buscar per si, meios com os quais possa agregar sentidos às suas novas descobertas. “o professor precisa ir também se transformando em um analista de símbolos e linguagens, um decodificador de sentidos nas informações e, também, o profissional essencial do despertar das relações interpessoais.” ANTUNES, 2001, p. 13).
Robério Pereira Barreto

LEITURA: AQUISIÇÃO DE LEGISSIGNOS CULTURAIS

A civilização ocidental tem suas características asseguradas devido aos registros construídos; imagens e signos representacionais realizados pelos homens da caverna (Memórias discursiva, cultural e imagética). Tais procedimentos foram armazenados no inconsciente desses homens e transmitidos às novas gerações através de discursos - fala -, uma vez que, essa comunidade ainda não articulava significados para a formação da palavra escrita, texto. Embora já fizesse usos quando desenhava os animais abatidos durante a caça. Essa ação talvez fosse intencional, porque era uma forma de se colocar no papel de herói, dizendo aos demais que, se baseassem na informação ali contida e a guardasse em suas memórias individual e coletiva, pois, o futuro e a sobrevivência da comunidade dependiam de tal habilidade; reconhecer os animais a serem capturados através das imagens desenhadas nas cavernas.
A palavra escrita ganha status e é usada com propósitos unilaterais (lembremo-nos do manuscrito de Em nome da rosa, de Umberto Eco), no qual o conhecimento é mantido sob a proteção da Igreja com objetivo de barganhar, pois este privilégio (dominar a leitura e a escrita dos textos bíblicos, doutrinários e artísticos) era reservado a poucos privilegiados, os quais, na maioria das vezes, recebiam da corte uma indicação, mantendo-se assim, a dominação das informações estratégicas da corte.
Diante dessa perspectiva, certamente irá surge uma pergunta crucial, portanto, a antevejo para o leitor: Afinal, onde estará a questão da leitura nesse processo? Implícita! É a resposta. Explicamos então tal assertiva: Caro leitor! Se levarmos em consideração que o sujeito per si é um leitor desde o momento de sua concepção ( junção do óvulo com o espermatozóide) exigindo desses organismos uma leitura das melhores condições do setting de fecundação para encontrar o melhor espaço no útero para o início da vida. Então está ai o motivo pelo qual somos os agentes de nossa própria memória. Sendo esta formada e ligada diretamente com as nossas realidades sócio-histórica e cultural, fazendo nos usuários e produtores contínuos de memórias - textos.
Os historiadores e psicólogos sociais têm mostrado em suas teses a importância da memória para o entendimento da arte e da vida em sociedade por meio de resgate oral e escrito dos textos acumulados na sociedade empírica. De sorte que, na clássica obra Memória e sociedade: lembranças de velhos, de Ecléa Bosi, a autora ressalta a importância do conhecimento e da cultura armazenada pelos idosos ao longo de suas experiências. Tais informações se encontram na memória de cada um, sendo que esses sujeitos da/na linguagem têm suas memórias em estado de inércia, contudo, estão prontas para se movimentarem e, assim, contribuírem para a compreensão do homem contemporâneo.
Assim sendo, é intenção mostrar que ao produzir um texto o enunciador precisa saber quais serão os significados que podem extrair do saber acumulado tanto na comunidade, quanto no meio social em que circulará a informação por ele prestada. Ademais, o sentido de texto aqui ganha maior espaço e passa a ser entendido parte significativa da memória histórica e cultural, configurando assim numa reescritura paráfrase do saber socialmente acumulado pelos indivíduos em suas comunidades. Portanto, produzir texto é uma atividade diária a qual requer do produtor técnica e esforço contínuo no sentido de estabelecer associação entre o que pretende informar e formar com suas mensagens e, consequentemente, possibilitar ao leitor as inferências possíveis do assunto a partir do resgate da memória histórica e cultural nele existente e que pode ser trazida à tona por meu dos significados dos discursos, constituindo assim uma nova memória discursiva.
Para Barthes (1987) é nesse momento que o professor de linguagem deve atuar como mediador das memórias discursivas presentes no ambiente escolar. Assim:“O professor não tem aqui outra atividade senão a de pesquisar e da falar - eu diria prazerosamente de sonhar alto a sua pesquisa - não de julgar, de escolher, ...”os caminhos para os seus alunos produzirem textos, ao contrário; juntos com seus aprendizes busca-se no inconsciente coletivo informações que lhes sejam úteis como exemplos e associações de pensamentos. Por isso, a leitura diária faz questão fundamental no processo de formação da memória discursiva e cultural do cidadão. Parafraseando o famoso dito popular: você é o que come. Diria que sua memória discursiva e cultural é o que você ler. Isso porque à medida que se realiza a leitura a estrutura da língua (léxico, sintaxe, classe gramaticais, etc.) vai se fixando em sua mente, podendo ser solicitada mais tarde quando da escritura de uma mensagem. Logo, “os signos de que a língua é feita, os signos só existem na medida em que são reconhecidos, isto é, na medida em que se repetem; o signo é seguidor, gregário;” Barthes, 1978, p. 15), fazendo com que o leitor recorra às reminiscências sígnicas do texto para se situar no tempo e no espaço do enunciado proposto pelo enunciador do texto.
Robério Pereira Barreto

sábado, 1 de dezembro de 2007

domingo, 25 de novembro de 2007

sábado, 24 de novembro de 2007

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

DÉDALO

Posted by Picasa

CARA METADE

Posted by Picasa

terça-feira, 20 de novembro de 2007

DELICARA-ME...

Só de pensar em sentir
Seu corpo quente no meu,
Me dar um arrepio na alma!

Sentir o seu perfume
invadindo minha pele
É sentir o fogo da paixão
Dilacerando sem pressa meu coração!

Ter suas mãos me revirando o corpo
É me sentir quase um louco;
A cada carícia parece que morro!

Experimentar seus beijos quentes
É provar o veneno de serpentes
Que habitam o deserto dos amantes!

Apetecer meu amor por você
É ser criança que ver no futuro
À esperança de crescer
Sem a infância perder!

Agosto de 2006, 00h38’
Robério Pereira Barreto